Disclaimer:Naruto e todos os outros não me pertencem e sim ao Kishimoto-sensei.

N/A: só um pequeno memorando: a fic é em Sasuke's POV. Enjoy it ;*

Boa Leitura!

UA


Wanna Bet?

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Capítulo 2, Me, Myself & Sakura.

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Sexta-feira, 10h31min.
West 57th Street, Midtown Center, Manhattan.
Konoha High School.

- Sério, Sasuke, não é que eu duvide da sua capacidade de conquista... – Gaara começou, num tom que dizia claramente que ele duvidava, sim, da minha capacidade. Filho da mãe. – Mas você devia sair dessa. Mesmo.

- Ou pode dizer adiós ao jogo contra o Midtown Manhattan Magnet.

- Nossa valeu mesmo pelo apoio – disse, sarcástico. – E seu espanhol é horrible, Neji. Mas, de qualquer forma, eu não posso sair dessa. Já está apostado.

- O que está apostado? – Naruto perguntou, juntando-se a nós e entregando-nos os coletes.

O Uzumaki, Neji, Gaara e eu éramos do mesmo time, como sempre, e ficamos com os coletes pretos. Eram raras as ocasiões em que jogávamos uns contra os outros, mesmo quando nenhum de nós era o capitão. Parecia haver uma regra no Konoha: se escolhe um, escolhe todos.

Melhor assim. Para o nosso time, claro.

O time de Lee, que agora recebia instruções diretas de Gai (favoritismo explícito, a gente só vê no Konoha) usaria os vermelhos.

- Sasuke fez uma aposta impossível com Sai.

- Com Sai? – o loiro fez uma careta. – Por quê? O que apostaram?

- Nosso Uchiha-baby aqui tem que ficar com uma garota, ou entregar a vaga de quarterback pro Sai no jogo contra o Midtown Manhattan Magnet – Gaara explicou.

- E qual a parte impossível mesmo?

- A garota. Ele tem que seduzir Sakura Haruno – Neji apontou a quadra de vôlei as minhas costas, sorrindo ironicamente.

Naruto arregalou os olhos.

- Ah, não, Sasuke! Tem que desistir.

- Até tu Brutos? – revirei os olhos. – Bom ter amigos que confiem tanto em mim.

- Não, cara, não é isso... Eu só não acho certo você apostar a Sakura.

- E desde quando você é o defensor supremo dos nerds?

Antes que meu auto-nomeado melhor amigo loiro pudesse responder seu súbito interesse nos fracos e oprimidos, senti uma dor aguda na cabeça, seguida por um baque surdo.

Olhei para o lado e vi Naruto com a bola de vôlei nas mãos. Imediatamente, estreitei os olhos.

- Não fui eu! – ele se apressou a dizer.

- Então quem foi? – perguntei irritado, alisando minha linda cabeçinha dolorida. Minha voz subiu algumas oitavas, sem que eu percebesse.

- O destino – Neji respondeu fazendo um esforço visível para não rir, e apontou para algo atrás de mim.

Alguém, na verdade.

Sakura Haruno, vulgo a antissocial máster do Konoha e objeto de minha mais recente e detestável aposta, vinha correndo desajeitadamente em nossa direção.

Ao contrário do restante das meninas da escola, que usavam a educação física como desculpa para mostrar o corpo, a Haruno claramente tentava escondê-lo (mesmo não sendo assim tão ruim): usava um moletom preto sobre a blusa de uniforme cinza e uma legging também preta por baixo dos shorts vermelhos do Konoha.

Junte isso a um cabelo rosa (rosa!), preso num coque mal feito, franja jogado sobre os grandes óculos de armações negras e o resultado ótico é o cúmulo da nerdeza.

Deus, me ajude!

- Naruto! Me desculpa. Eu tentei não jogar, mas você sabe como o Gai é – ela disse quando nos alcançou, e percebi que era a primeira vez que ouvia sua voz. Talvez eu estivesse esperando algo mais tímido, gaguejante, incerto ou... robótico. Sei lá, mas não me pareceu tão ruim.

- Tudo bem – o Uzumaki riu, entregando a arma (conhecida como bola de vôlei) nas mãos da rosada. – Na verdade, você nem me acertou – ele me indicou com a cabeça.

Seguindo seu olhar, Sakura se virou para me encarar, só então notando minha presença. O que é um absurdo, vale ressaltar.

A Haruno me observou por alguns segundos, em que eu esperei pacientemente pelo pedido de desculpas que deveria vir a seguir. Deveria. Em vez disso, ela franziu os lábios.

- Devia ter jogado mais forte, então – murmurou.

- Como é? – perguntei, ofendido.

Ela corou levemente quando percebeu que tinha falado alto. Esperei que me respondesse, pedisse perdão ou qualquer coisa, até que Sakura virou-se novamente para meu amigo loiro:

- Falo com você depois – e correu para a quadra das meninas.

Fiquei olhando, abismado, a menina abusada que corria de costas pra mim.

- Bom começo – Gaara comentou, rindo.

- Desde quando você é amiguinho da Sakura, Naruto? – Neji quis saber.

- Ela é parceira de laboratório da Hinata. E é super legal, se vocês querem saber.

- Ah, claro. Minha cabeça que o diga – falei, irônico.

- Como vai se aproximar dela? – o Hyuuga perguntou. – Ela deixou bem claro que não gosta muito de você.

- Não é pessoal.

- Pra mim pareceu muito pessoal, Naruto.

- Mas não é. Sério. Ela só tem um pequeno problema com os populares. E, bem, Sasuke é o mais popular da escola, então...

- Ela me odeia – completei o óbvio.

- Basicamente.

- E como vou me aproximar dela, então?

- Não se aproxime – Naruto deu de ombros. – Ela não é como a Karin, não merece ser parte disso.

- Mas eu não posso perder. Quero dizer, o jogo contra o Midtown Manhattan Magnet é o mais importante da temporada. Sei que você parece se importar com ela, o que é estranho, na moral, mas tem que pensar no time também. Você é um wide receiver, o que significa que precisa do melhor quarterback jogando com você. Quem é melhor QB, Sai ou eu?

O Uzumaki pensou por um momento – o que foi uma ofensa, já que é evidente que eu sou melhor que o Sai – e depois suspirou.

Acabei sorrindo. Drama sempre funciona com Naruto.

- Tudo bem – ele ergueu as mãos, se rendendo. – Mas não posso te ajudar, cara. Só tem um jeito de se aproximar dela.

- Qual?

- Não sendo você.

•••

Segunda-feira, 07h07min.
West 57th Street, Midtown Center, Manhattan.
Konoha High School.

- Admitam, é um ótimo plano – disse para os três projetos de ser humano que me olhavam como se eu tivesse um terceiro olho brotando no meio da testa.

Depois do conselho inútil que o inútil do Naruto me deu, eu procurei quase desesperadamente uma forma de me aproximar da Haruno, sem muito sucesso.

A ideia brilhante me apareceu na tarde de sábado. Tsunade havia ligado para minha casa, procurando pela dona Mikoto – que, por providência divina, tinha saído –, depois de receber mais uma reclamação do odioso professor de química. Argumentei, dizendo que era tudo fruto da tara sexual maléfica que ele tem por mim (na verdade, para evitar a bronca telefonística – cara, acho que isso nem existe – eu substituí "tara sexual maléfica" por "ódio mortal" o que não é tão impactante, mas também não deixa de ser verdade) e depois de muito implorar, a diretora Senju disse que não falaria com minha mãe dessa vez, e que conversaria com Orochimaru, se (uma puta palavrinha irritante esse "se"não é?) eu melhorasse minhas notas.

E então veio a parte genial: a diretora sugeriu que eu procurasse um tutor, alguém pra me ajudar com química. E com as outras matérias que eu tenho, hn, alguns problemas.

Aí tudo se encaixou. A Haruno é uma nerd, não vai se recusar a estudar.

Eu sei, eu sei. A primeira impressão é que o plano foi, acidentalmente, da Tsunade, mas ninguém vai tirar meu crédito. Eu tive o enorme trabalho de pensar em Sakura para preencher o cargo. Foi muito esforço. Pois é.

- Cara, você está bem? – Naruto perguntou, ainda com uma expressão ridícula de assombro, tirando-me de meus pensamentos.

- Tô ótimo, por quê?

- Tem certeza? – o loiro voltou a perguntar, estreitando os olhos. Ele se aproximou, me examinando minuciosamente, e sabe Deus porque, começou a dar tapas em meu rosto.

Certo. Então Naruto acha que tenho algum problema e, só pra checar, começa a me bater.

Hn.

Como é bom ter amigos espertos. E super cuidadosos.

- Para, sua mula – dei um tapa em sua mão. – Já disse que eu to bem, cacete.

- Mas Sasuke, você tá querendo estudar! – Gaara, disse. Acho que isso na fuça dele deve ser algo como espanto, mas nunca se sabe.

- Es-tu-dar – Naruto repetiu, pausadamente, como se eu fosse um retardado. – Pra agradar o Orochibiba. Você só pode estar doente.

Quase ri quando ele chamou Orochimaru pelo apelido carinhoso que criamos, mas a vontade passou quando pensei sobre o resto da frase.

Quer dizer então que meus amigos acham que eu sou um vagabundo? O mestre da preguiça? Eles pensam que pra eu querer estudar tenho que estar doente?

Muito digno isso.

Tudo bem que, talvez, até seja verdade. Mas, porra, precisa ficar jogando na cara?

- Então pra querer estudar eu só posso estar doente? – verbalizei meus pensamentos. – Legal saber o que vocês pensam de mim.

- Fazer o que se é verdade? – Neji comentou e os jumentos riram da minha cara.

- Rá, rá. Muito engraçado, to morrendo de rir.

Aí eles gargalharam mais ainda.

Nossa, super hilário.

- Vocês não entenderam como isso é perfeito, né? – perguntei, com um bico enorme.

E eu tenho direito de fazer bico porque os manés que eu chamo de amigos estão rindo da minha desgraça depois de subestimar meu plano perfeito. Nada legal.

- Não. Explica aí.

- Prestem atenção, gênios: eu vou me aproximar da Sakura, ganhar a aposta e ainda tirar os professores do meu pé. Eu vou matar dois coelhos com um tiro só.

- Com uma cajadada só.

- Quê?

- Com uma cajadada só – Neji repetiu. – O certo é "matar dois coelhos com uma cajadada só".

- Olha Hyuuga, o coelho é meu eu mato ele como quiser – respondi e o cabeludo revirou os olhos, murmurando, injuriado, que eu também era capaz de matar a cultura com um tiro só.

Que abuso, gente! Logo eu que sou sinônimo de culto.

Antes que eu pudesse revidar, Gaara me deu um cutucão na costela.

- Sua professorinha chegou.

Olhei para a porta.

Sakura entrava na sala, usando a saia de pregas xadrez cinza e grafite do Konoha (notei que, diferentemente das outras meninas, que tinham saias que iam até a metade da coxa, a da Haruno quase chegava aos joelhos), blusa vermelha e colete grafite, sem gravata. Nos pés um Converse vermelho de cano médio.

Quase normal.

Quase, porque ela lia um livro – grosso demais para os meus padrões – e ninguém em sã consciência iria para a escola lendo só pra se "distrair".

A Haruno se dirigiu a seu costumeiro assento: a penúltima carteira da quarta fila e tomou seu lugar sem tirar os olhos do livro, e sem se dirigir a um aluno sequer. Não que alguém aparentasse interesse no que quer que ela pudesse dizer.

Menina solitária, credo.

- Vai lá, Don Juan – Neji me deu um joinha.

Respirei fundo e fui em direção a estanha de cabelo rosa.

Estaquei quando me vi a frente de sua mesa, sem saber como puxar assunto com ela. Devia ter planejado melhor essa parte, hm.

Nota mental: não se aproximar de meninas inteligentes e antissociais sem uma intensa preparação prévia. É.

Sem nem ao menos erguer os olhos, Sakura franziu o cenho, percebendo que alguém tinha se aproximado.

E, obviamente, ela não estava feliz com isso.

- Ahn, oi, Sa... kura.

Finalmente, ela desgrudou os olhos do livro, erguendo as sobrancelhas pra mim.

- Porque você está falando comigo?

Belo começo garota. Não me admira que não tenha muitos amigos.

Troféu Rainha do Gelo pra ela.

- Diz logo o que você quer, Uchiha.

- Preciso de ajuda – falei, de uma vez. Ela já estava começando a me irritar com todo aquele ódio gratuito.

E pra piorar a situação, ela soltou uma risada curta e irônica.

- Minha ajuda?

- Bom, se eu to pedindo pra você... – respondi, num to óbvio.

Sakura estreitou os olhos.

- O que você precisa?

- Tsunade sugeriu que eu pedisse alguém pra me ajudar em algumas matérias. Física, biologia e química, principalmente.

- Mas nem se eu fosse a reencarnação de Einstein eu conseguiria essa proeza.

O quê? Agora ela tá insinuando que eu sou burro?

- Além do mais, porque eu te ajudaria?

- Eu pago – respondi.

- Não vale o sacrifício.

Sacrifício? Filha, ficar comigo vai ser o ponto alto do seu ano, aposto. Ou não. Vai que ela tem uma vida secreta e trabalha numa boate streap tease onde é conhecida como, hn, Cherry... E ela usa uma roupas super sexy e...

Foco, Sasuke. Foco.

Tudo bem, hora de apelar.

- Qual é, tem medo de não resistir ao meu charme? – pisquei.

- Ou a sua ignorância.

Fuzilei ela com os olhos, enquanto a Haruno voltava a atenção a seu livro idiota.

Eu vou matar o Sai. Dolorosamente. Com um cortador de unha.

Ah, se vou.

Respirei fundo algumas vezes, guardando a raiva e a intenção assassina para Sai, e somente Sai, antes que eu desse uma livrada na testa de Sakura.

Peguei uma cadeira próxima a mim e girei-a, sentando-me com os braços apoiados no encosto.

Fiquei encarando Sakura, mas ela continuou concentrada nas páginas que lia, me ignorando completamente.

Ôh, menina difícil, Senhor!

- Você é tão irritante! – disse. – E que tipo de nerd é você? Se reusando a estudar assim? – provoquei, dando um meio sorriso. A Haruno bufou, irritada, e fechou o livro com força, virando-se para me olhar logo em seguida.

- Você é um grosso, sabia?

- Já você é a Miss Simpatia, né? – retruquei.

Ficamos nos encarando por alguns segundos até que, súbita e inexplicavelmente, tive vontade de rir.

Não pude conter as gargalhadas que se seguiram, e isso parece ter amolecido Sakura, já que ela deu um sorriso divertido ao mesmo tempo em que revirava os olhos.

Acho que ela é meio bipolar. Tipo, só acho.

- Vocês tem problemas, garoto – ela disse, pegando o livro e guardando-o na mochila. – E, se quer saber, tá todo mundo te olhando. Como sempre.

Observei a sala só para constatar que, de fato, todos os presentes nos lançavam olhares estranhos. Gaara e Neji me encaravam meio assustados, e Naruto tinha uma indizível expressão bocó no rosto. Ou seja, ele estava normal.

Karin, por outro lado, já teria matado a Haruno se tivesse raio laser nos olhos.

- Deixe que olhem – respondi, por fim. – Quem se importa, afinal?

- Hm, acho que você – Sakura deu um sorriso zombeteiro.

- Só às vezes – sorri também. – Olha, nós não começamos muito bem, mas eu realmente preciso de um tutor. E você é ne... – ela ergueu a sobrancelha e eu me corrigi, rapidamente. – Inteligente. É, isso. Muito inteligente. Enfim, se não quiser fazer isso por dinheiro, nem pelo meu charme – sorri maroto – faça pelos créditos extras que você vai receber.

Sakura ponderou por um momento, e percebi que essa era a chave.

- Créditos extras – repeti, como se fosse uma das maravilhas do mundo.

A Haruno mordeu o lábio inferior e franziu a testa.

- Créééditos extraaas – murmurei, dessa vez balançando os dedo, como se tentasse hipnotizá-la, no melhor estilo Jack Sparrow.

- Tá bom. Meu Deus, para com isso – ela segurou minhas mãos e suspirou. – Eu te ajudo.

- Isso garota! – comemorei, talvez, um pouco exageradamente. – Ahn, eu te pego depois da aula então, certo?

- Ugh! Você está fazendo isso soar como um encontro – Sakura fez uma careta.

- Vai sonhando, irritante – dei um meio sorriso.

- Tá mais pra pesadelo, idiota.

-Sei... Continue dizendo isso pra si mesma.

Antes que a Haruno pudesse responder, dei as costas a ela e me dirigi ao meu lugar, no exato instante em que a professora adentrava a sala, com seu costumeiro mau humor matinal.

•••

Biologia passava num borrão.

As palavras de Anko teimavam em não entrar em minha cabeça, e depois de um tempo eu parei de tentar prestar atenção.

Um fato: vou precisar dar um jeito na minha concentração quando for estudar com a Haruno.

Assim que o pensamento me veio, desviei meus olhos dos rabiscos que fazia em meu caderno e girei o corpo para poder olhar para Sakura.

Ela não é tão ruim assim, depois de algum tempo. Claro que é irônica, irritante, meio bipolar e obviamente não faz parte do fã clube do Sasuke Uchiha, e, talvez, isso seja o mais impressionante nela. É bom conversar com uma garota que não tenta se jogar nos meus braços a cada cinco minutos.

Como se tivesse pressentido que ela era a atração principal de meus pensamentos, Sakura tirou os olhos das anotações de Anko e me encarou, corando levemente quando percebeu meu olhar.

Então eu deixo ela envergonhada? Interessante. Muito interessante.

- Presta atenção na aula – Sakura disse, sem emitir som algum. Sorte que eu sou bom em leitura labial.

Ergui as sobrancelhas, desafiando-a como se dissesse "quem disse que você manda em mim?". Aparentemente, ela também sabe interpretar frases não verbais e conseguiu entender o recado, já que franziu o cenho e, com a cabeça, indicou a professora.

Revirei os olhos e ainda pude vê-la sorrir triunfante antes de me virar para frente.

Acabei conseguindo prestar atenção aos últimos minutos da aula, mas continuei sem entender nada.

Biologia. É. Uma. Merda.

Sakura vai ter que ser uma professora muito boa. E um tanto paciente.

O sinal soou, estridente e irritante, e meus amigos me cercaram rapidamente, enquanto seguíamos para a sala de Inglês.

- E então, como foi? – Neji quis saber.

- Aquela crise de riso foi estranha cara. Nós ficamos curiosos.

- Deu pra notar, Gaara. Tsk, vocês parecem umas menininhas fofoqueiras – sorri.

- Diz logo como foi, caramba.

- Ela é legal, né? – Naruto comentou, dando um de seus sorrisos gigantescos.

Ponderei por um momento antes de responder.

Afinal de contas, Sakura era legal?

- Não sei – dei de ombros, sem conseguir encontrar melhor resposta. – Digamos que ela é... diferente.

- Sei – Gaara deu um sorriso afetado. Esse menino não tá em seu estado normal hoje, sério. – Então tá no papo?

- O quê?

- A aposta jumento – ele murmurou revirando os olhos ao mesmo tempo em que me dava um tapa estalado na nuca.

Cavalo.

- Vai domar a fera? – o Hyuuga perguntou.

- Ahn, é. Acho que consigo.

Merda!

Eu tinha me esquecido completamente da aposta! E isso nunca, nunca acontece.

Mas... se eu não estava lembrando da aposta, porque ainda queria tanto falar com ela? Ah, cara, isso não pode ser bom.

Houston, we have a problem.

•••

Segunda-feira, 12h09min.
West 57th Street, Midtown Center, Manhattan.
Konoha High School.

As horas seguintes passaram voando, talvez por eu não odiar tanto as outras aulas (Inglês, geografia, história e matemática, exatamente nessa ordem).

Conversei um pouco com Sakura durante as trocas de horários , mas nada muito produtivo ou duradouro, principalmente, por culpa dos tantos olhares estranhos que recebíamos enquanto caminhávamos, lado a lado, nos corredores do Konoha.

Claramente, a Haruno não gostava desses olhares e sempre dava um jeito de fugir. No intervalo, ela correu de mim como se sua vida dependesse disso, e preferiu sentar-se a sua mesa, no canto mais distante da cantina, e comer sozinha, como sempre.

Mas agora, com o término das aulas, não haveria escapatória. E eu não podia negar que estava ansioso por isso.

Estávamos todos fazendo nada na área de estudos, como sempre fazíamos depois das aulas, até Hinata e Neji nos mandar ir para casa estudar, ou até o discurso de fome de Naruto ficar insuportável.

Hoje, no entanto, eu tinha outras coisas pra fazer. E já estava atrasado.

- Vejo vocês depois – disse, pegando minha mochila e espreguiçando-me.

- Temos ensaio hoje – Neji avisou, sem erguer os olhos das mãos de Tenten.

Os dois estavam jogados num dos grandes puffs da área de estudos (com a Mitsashi sentada no colo do meu amigo Hyuuga), travando uma guerra de polegares. Eles namoram há quase dois anos, e passam a maior parte do tempo em pequenas disputas como essa.

Não sei como conseguem ser tão competitivos e tão apaixonados. Mas sei que Neji nunca esteve tão feliz. Nem Tenten, vale ressaltar.

- Não se atrase.

- Vou fazer o possível.

- É, a gente finge que acredita – Gaara murmurou. Ele mexia no iPad de Ino, enquanto ela rabiscava freneticamente seu inseparável caderno de desenhos. Eles estavam sentados no chão, a loira com as pernas sobre as do Sabaku, dividindo fones de ouvido. Fones de ouvido decorados em strass cor de rosa. Uma cena linda.

- Ei, você pode levar a Sakura – Naruto sugeriu.

- Sakura? Vocês se conhecem? – Hinata perguntou.

A Hyuuga dividia sofá com Naruto. Um tabuleiro de xadrez separava os dois, com pouquíssimas peças brancas, e muitas pretas. O Uzumaki perdia de lavada.

Há meses o loiro cismou que queria aprender a jogar, e ninguém melhor que Hinata (três vezes campeã da competição de xadrez interescolar pelo Konoha) para ensinar.

Naruto era uma visível negação, mas a Hyuuga, paciente e carinhosa como sempre, não reclamava ou julgava os erros imbecis dele. Muito pelo contrário, ela sempre sorria humildemente depois de derrotá-lo, dizendo que tinha sido difícil ou apontando o quanto ele melhorara.

Nunca imaginei que Naruto fosse se esforçar de verdade pelo xadrez, mas ele parecia estar disposto a aprender, independente do tempo que levasse, só para deixar Hinata satisfeita.

Se existe uma prova de que os opostos se atraem e se completam, essa prova é o feliz e duradouro relacionamento de meu amigo loiro com a Hyuuga.

"Feliz e duradouro"?

Caralho, preciso de uma namorada.

- Sasuke? Acorda, filho! – Naruto me jogou uma torre. Maldito.

- Que foi?

- Você conhece a Sakura? – Hinata repetiu, e me perguntei por que ela esperou até agora para me questionar isso.

Mas logo entendi o porquê. As meninas chegaram um pouco atrasadas hoje, e com certeza não me viram conversar com a rosada.

- Hn, claro. Ela estuda na nossa sala, tipo, há anos.

A Hyuuga revirou os olhos.

- É sério, Sasuke.

- Ahn, estamos... estudando junto. Orochimaru está no meu pé, sabe?

Hinata estreitou os olhos pra mim, enquanto Tenten me encarava com uma expressão tão descrente que era até ofensiva. Ino, discreta que só ela, largou o caderno e riu alto.

- Sasuke estudando por causa do Orochi? Gente, o mundo tá acabando, só pode – ela comentou, e o asno do namorado dela, também conhecido como Gaara Sabaku, a acompanhou nas risadas.

Peguei uma almofada e atirei na Yamanaka. Teria acertado bem no meio da cabeça loira dela, se Gaara não a tivesse protegido.

- Ah, Ino, coitado! Se o Uchiha quer estudar e melhorar as notas por causa do nosso amado professor, vamos deixar ele em paz – Tenten disse. Boa, Pucca. Continue assim. – Por mais que isso pareça estranho e... impossível – sem se conter, a Mitsashi deu uma breve risada.

Cachorra.

Tudo bem... Aguentar os cavalos dos meus amigos é uma coisa, mas até as meninas? Poxa, e minha moral, onde fica?

Bufei.

- Olha, ela já deve estar esperando, então...

- Conversaremos depois, senhor – Hinata disse no momento em que colocava o rei de Naruto em cheque.

- Tudo bem – concordei, sabendo que não adiantaria reclamar. Ela tinha ficado, no mínimo, curiosa com minha recente aproximação de Sakura, e eu teria que dar algumas explicações, de uma forma ou de outra.

Me despedi dos meninos com nosso toque tradicional, e dei um beijo na bochecha de Hinata, Tenten e Ino.

- Estude bastante – Gaara deu um sorriso maroto.

- É, por que você precisa – a Yamanaka disse, e fui obrigado a acertar-lhe um leve tapa na cabeça.

- Até mais tarde – falei, mas provavelmente eles nem escutaram, já que riam de mim novamente. Idiotas.

Consultei o relógio assim que saí da área de estudos. Meio dia e dezesseis. O que significa que eu estou onze minutos atrasado.

Nada bom para um primeiro encontro. Melhor ir rápido. Mas isso não bem um encontro então... Dane-se, vou me apressar de qualquer forma.

Até porque, estou ansioso pelo que está por vir. O que quer que seja.

•••

No pátio, Sakura já me esperava.

- To atrasado, desculpa. Eu estava...

- Tudo bem – Sakura me interrompeu. – Vamos logo – ela olhou em volta, incomodada, e começou a ir em direção ao estacionamento.

Acabei sorrindo.

- Você não gosta mesmo que as pessoas te vejam, não é? – perguntei, me referindo aos muitos alunos que vagavam pelo gramado do colégio.

Era comum os alunos não deixarem o Konoha ao fim das aulas, e, por isso, a escola estava sempre cheia. A maioria dos estudantes ficava em seus clubes, ou fazendo algum trabalho. Os atletas ficavam para treinar nas terças, quartas e quintas, as líderes de torcida nas segundas, terças e sextas.

Alguns outros alunos, como meus amigos e eu, apenas faziam nada. Exceto em dias de treino, claro.

- Não com você.

- Ai – coloquei a ao sobre o peito. – Essa magoou.

- Não, não é isso – Sakura se apressou em dizer, corando. – Não é você...

- "... sou eu"? – completei a frase mais manjada do mundo. – Poxa, se vai me dar um chute, podia pelo menos não ser tão clichê – dei um meio sorriso.

- Não é isso idiota. Quis dizer é que o problema não é você, exatamente. Eu não gosto é das conclusões erradas que vão tirar disso – ela gesticulou para nós. – O que eu menos preciso é de um bando de líderes de torcida me enchendo o saco só porque Sasuke Uchiha decidiu virar meu amiguinho. E acredite, elas já fazem muito isso.

- Então somos amiguinhos? – perguntei, mesmo tendo percebido todo o sarcasmo que ela usou ao dizer isso.

Sakura apenas revirou os olhos, e essa era sua resposta.

- Elas são tão ruins assim?

- Você se acostuma – a Haruno sorriu, dando de ombros. – E aprende a ignorar.

- Hn.

- E você, não se incomoda? Não está preocupado?

- Com o que?

- Perder a popularidade, por ser meu "amiguinho".

- Acho que não. E talvez valha a pena – pisquei.

- Sei – ela sussurrou, encarando o chão.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, andando pelo vasto estacionamento do Konoha.

Apenas uma coisa ainda perturbava minha mente.

- Porque você odeia os populares? – perguntei, pegando as chaves do carro e apertando o alarme que destrancava meu bebezinho.

Sakura estava alguns passos atrás.

- Eu não... – ela se interrompeu, de repente, me encarado de olhos arregalados. – É sua? – indicou a Ferrari.

- É. Você não sabia?

- Como saberia? – rebateu, se adiantando para o carro, observando-o admirada. – Ela é linda – Sakura alisou minha Ferrari, com uma reverência que me fez sorrir.

Em termos de veículos, Sakura poderia ser minha versão feminina.

- Motor 4.2 V8 – ela murmurou –, 460 cavalos, câmbio de Fórmula 1, com sete marchas e embreagem dupla. Vai de zero à cem em menos de...

- Quatro segundos – completei. – Wow. Como sabe tudo isso?

- Meu pai era fanático por carros. Ele era engenheiro mecânico.

Notei o uso do tempo passado.

- Sinto muito.

- Tudo bem, já faz muito tempo – ela deu um sorriso triste, distante.

O silêncio que se seguiu foi incômodo. Eu queria dizer alguma coisa para, sei lá, ajudar ou confortá-la. Mas eu não sabia o que dizer. Nunca sei o que dizer, nessas situações.

Observei atentamente o rosto de Sakura e senti um alívio indescritível quando, repentinamente, ela abriu um sorriso verdadeiro.

- Posso te pedir uma coisa?

- Claro. Qualquer coisa – respondi, talvez, rápido de mais.

- Me deixa dirigir?

- O quê? Meu bebê? Tá doida, garota? Não, não e não. Absolutamente não.

- Ah, por favor! Não seja tão chato.

- Eu não sou chato!

- Então deixa! Considere isso como um preço pelas aulas. Você disse que pagaria.

- Não com minha Ferrari.

- Eu não tô pedindo pra você me dar ela, ô anta. Só quero dirigir.

- De jeito nenhum – cruzei os braços sobre o peito.

- Por favor – Sakura pediu outra vez, fazendo um biquinho.

- Tudo bem – cedi, num gemido.

Ninguém resistiria à carinha fofa e pidona que ela fez.

A Haruno deu alguns pulinhos, animada.

Entreguei-lhe as chaves e dei a volta, entrando no lado do carona.

Carona. No meu próprio carro.

Trágico.

- Olha, ninguém nunca dirigiu minha filhinha, então muito, muito cuidado, entendeu?

- Pode deixar. É uma honra dirigir você – Sakura sussurrou para o volante, o que me fez rir.

- Só pra confirmar, você tem licença, né?

- Claro. Acha o que? Que sou louca?

- Acho que é melhor eu não responder – disse dando um sorriso sacana.

Sakura me deu um tapa no braço, que doeu pra cacete, e se preparou para dar a partida.

- Hm, Sasuke?

- Que foi? – perguntei, sem conseguir evitar sorrir. Era a primeira vez que ela me chamava pelo nome.

- Talvez tenhamos um problema – ela mordeu o lábio inferior.

Arqueei a sobrancelha, esperando instigar Sakura a continuar.

- Eu, ahn, meio que gosto de... correr. Tudo bem?

Dei um meio sorriso, colocando o cinto de segurança.

- Isso não é problema nenhum.

Sakura sorriu pra mim e arrancou.

Cara, isso tá ficando cada vez melhor.

•••

Segunda-feira, 12h54min.
5th Avenue, Upper East Side, Manhattan.
Mansão Uchiha.

Sakura dirigiu o mais rápido que pôde, xingando o trânsito e os motoristas de Manhattan pelo menos uma vez a cada quadra. Era divertido ver ela reclamar dos taxistas, franzindo o cenho e fechando a cara, e logo depois sorrir e elogiar a performance do carro.

Decididamente, Sakura era legal.

E não deveria ser. Quero dizer, nerds não deveriam ser calados, tímidos e estranhos? Tudo bem, a Haruno é um pouco estranha, mas de um jeito bom, eu acho. Talvez os conceitos de "nerd" estejam ultrapassados. Ou isso, ou Sakura é uma anomalia.

Particularmente, prefiro apostar na primeira opção.

- Bela casa – ela comentou, enquanto guardava o carro.

- Valeu. Vem vamos entrar – puxei a Haruno pela mão, e a levei ao interior da casa.

Ela observou atentamente a sala de estar, e pude perceber que seu olhar recaiu demoradamente sobre o nosso piano de cauda. A primeira garota a notar o piano em, tipo, anos.

- Tá com fome?

- Um pouco – ela admitiu, corada.

- Vou pedir à May que prepare algo para nós. Alguma preferência? Do tipo "eu só como salada" – afinei a voz, propositalmente – ou "nada de carboidratos"?

Sakura riu.

- Sou mais do tipo Big Mac com fritas e milk shake.

- Ponto pra você – sorri pra ela. Menina fresca é um saco, sério. – Podemos ir comer no quarto, se você preferir.

- Não caia nessa! – uma voz soou, do topo da escada.

Revirei os olhos antes de me virar e encarar meu irmão, que vinha em nossa direção.

- Sakura, tenha o desprazer de conhecer Itachi, meu irmão mais velho. Itachi, essa é Sakura.

- Oi.

Sem um pingo de vergonha na cara, Itachi começou a analisar a Haruno.

- Você não parece ser anencéfala como as outras namoradas do Sasuke – o cretino comentou coçando o queixo, com uma expressão pensativa, até que pareceu ter um insight. – Ah, meu Deus! Ele te seqüestrou né?

- Me persuadiu com a Ferrari – Sakura respondeu, rindo. – E, só pra esclarecer, eu tenho cérebro e faço bom uso dele. E, justamente por isso, não sou namorada dele.

- Muito obrigada, Sakura – murmurei, com um bico gigante.

Itachi gargalhou.

Não sei por quê. Não vi graça nenhuma.

- Eu gostei dela – o índio-bastardo disse, e então, na maior cara de pau do mundo, passou um braço pelo pescoço da Haruno. – Se quiser a versão aprimorada e não-ferrada desse Uchiha aí, fala comigo – ele piscou e meu sangue ferveu.

"Ferrado" é o que o rosto dele vai ficar, se ele não parar de falar asneiras.

- Porra, Itachi! Mamãe não te deu educação não, seu bastardo? – perguntei, tirando o braço dele dos ombros da minha nerd, que já estava da cor do seu cabelo.

- O quê que tem eu? – dona Mikoto se materializou no meio da sala, vindo só Deus sabe de onde.

- Você não educou esse jumento direito. Ele só tá falando merda pra coitada da Sakura. Ela tá até assustada, tadinha.

- Ei, não é culpa minha! Eu não sei o que eles te falaram, mas não é minha culpa, mesmo.

- Tenho certeza que não – Sakura sorriu, ainda um pouco corada. – Sakura Haruno, prazer.

- Mikoto Uchiha – minha mãe apertou a mão da rosada – mãe dessas coisas.

Mamãe nos avaliou por alguns segundos.

- Então, ahn, você e Sasuke...?

- Nem sonha, mãe – Itachi interrompeu, jogando-se no sofá. – Olha pra ela. Ela é, visivelmente, inteligente demais pro meio cérebro.

- Nós vamos estudar juntos – Sakura esclareceu, antes que eu pudesse responder educadamente meu querido irmão.

- Boa sorte – minha mãe falou baixinho, enquanto Itachi começava a rir descontroladamente.

Será que eu perdi alguma piada ou esse ser pirou de vez?

- Olha, Sakura, pra você conseguir isso... Só sendo descendente direta de Merlin. Ou do Tom Cruise. Fazer o jogador estudar é missão impossível.

- Itachi, porque você não vai tomar no meio do seu...

- Epa! Não se atreva a dizer isso! – minha amada progenitora me repreendeu, apontando o dedo em riste bem na minha cara. Super digno. – Nós temos visita.

- Ah, e só porque temos visita a gente tem que fingir que é educado? – perguntei, cinicamente.

- Fingir o cacete! Nós somos educados – dona Mikoto disse convicta, colocando as mãos na cintura e tive uma súbita vontade de gargalhar na cara dela.

Ah, meu Deus, não posso rir. Não posso.

Não ria, Sasuke.

- Percebe-se a educação, mãezinha – Itachi comentou, dando um meio sorriso.

O auto controle foi pro espaço e eu ri alto, bem na cara da minha mãe.

- Ri mesmo, seu cavalo. A menina achar que somos sempre trogloditas assim.

- Mãe, nós somos – meu irmão falou, sério, e a matriarca Uchiha bateu na própria testa.

- Ai, bosta, porque eu fui abrir as pernas? – minha amada mãezinha murmurou, fazendo minha crise de riso passar instantaneamente.

Sakura estava imóvel, com o rosto tão vermelho, que fiquei com medo de sua cabeça explodir. Na moral.

- Okay, isso já tá estranho e constrangedor demais. Mamãe linda, pode pedir a May pra fazer algo e levar pro meu quarto, por favor? Sakura e eu comeremos lá, para, ahn, adiantar os estudos.

Pura mentira, eu só queria tirar a Haruno dali, antes que ela realmente explodisse, e sujasse nosso lindo sofá de couro branco.

Puxei Sakura pela mão, mas ela magicamente recuperou os movimentos e se aproximou de minha mãe, que ainda sussurrava coisas desconexas.

- Olha, dona Mikoto, eu sei que você os criou muito bem. Eles é que debandaram. Não é culpa sua.

- Own, querida – mamãe a abraçou. –, obrigada! Sasuke, jumento, é alguém como ela que você devia namorar, tá vendo? – ela me fuzilou com os olhos e logo depois deu um sorriso angelical para Sakura.

Meu Deus, que medo dessa mulher.

- Agora vá fazer seu milagre, Sakura.

A Haruno riu e seguiu para a escada, onde eu a esperava.

- É sempre assim? – ela perguntou, aos sussurros, sorrindo pra mim.

- Às vezes é pior. E você é uma traidora – acusei. – Como pôde ir para o lado Mikoto da força tão rápido?

- Me pareceu o mais inteligente a se fazer. Sinto que não é sensato contrariar dona Mikoto.

Estaquei, no topo da escada, olhando para a rosada meio assustado.

- Que foi?

- Nada – respondi, balançando a cabeça.

Como é que ela conseguiu compreender a matriarca Uchiha em tão pouco tempo?

Naruto estava errado a respeito dela.

Sakura não é só legal. Sakura é surpreendente.

•••

Comemos os deliciosos cheeseburgers que May preparou para nós, enquanto revisávamos a matéria que Anko dera mais cedo. Depois de quase duas horas, eu já sabia, pelo menos, quais eram as duas leis de Mendel.

O que, pra mim, é um avanço considerável.

Decidimos fazer uma pausa quando os heredogramas e genes dominantes começaram a fundir minha cabeça.

Levamos os pratos e copos para a cozinha e quando passávamos pela sala no caminho de volta, Sakura observou o piano novamente.

- Você toca? – perguntei.

- Infelizmente, não. Minha mãe costumava tocar, quando eu era pequena. Mas ela parou quando... Tivemos que vender o piano, depois que papai morreu.

- Deve ter sido difícil – comentei, puxando-a para o sofá.

- No começo foi. Às vezes ainda é. Tsunade nos ajudou muito.

- Vocês são parentes?

- Não, mas é como se fôssemos... Minha mãe e Tsunade são amigas desde a faculdade, bem antes de Tsunade aceitar o cargo de diretora do Konoha. Elas se formaram juntas em Medicina, em Stanford.

- Elas te pressionam muito? Tipo, pra você se formar lá também?

- Não muito... Até porque, eu quero ser médica, pelos meus próprios motivos. E, claro, seria ótimo ir para Stanford. Ou Harvard, Ou NYU. Qualquer boa faculdade que tenha um programa de bolsas.

- Você quer uma bolsa de estudos?

- Bom, nem todo mundo pode pagar uma faculdade.

- Por isso você é assim?

- Assim como?

- Assim... tão esforçada, tão boa e certinha em tudo.

- Ah, assim – ela sorriu. – Não, não é só por isso. No Konoha, por exemplo... Eu só não quero que pense que minha bolsa lá é só por causa da amizade da minha mãe com a diretora. É uma questão de merecimento. As boas universidades só vão me aceitar se eu tiver as melhores notas e as melhores recomendações. E eu tenho que merecer isso.

- Você merece – disse sem me conter.

Sakura era tão... determinada.

Ficamos em silêncio algum tempo. Ela ainda observava o piano, e parecia estar decidindo se falava ou não alguma coisa.

- É seu pai? – perguntou, virando-se para me encarar.

- O quê?

- Que te pressiona a se formar. Não me pareceu o tipo de coisa que sua mãe faria.

Ponderei se responderia ou não. Sakura era legal e tudo o mais, mas mostrar minhas incertezas, dúvidas e problemas não é muito o meu lance.

Por outro lado... Ela havia me contado, sem hesitar, sobre suas expectativas e até sobre as dificuldades da perda do pai. E me olhava com uma expressão tão instigante. Não era apenas curiosidade.

Sakura se importava.

- É – respondi, por fim. – Ele espera que eu faça direito em Harvard, como ele e Itachi.

- Não é o que você quer?

- Eu não sei o que quero – disse, baixando a cabeça. Por algum motivo, tive vergonhar de encará-la. Talvez por ela ter se mostrado tão certa sobre seu futuro. – Mas direito, definitivamente não.

Acabei olhando a sala perdidamente, como sempre faço quando o assunto "futuro" entra em cena.

Meio hesitante, Sakura tocou meu ombro.

- Ei, nós temos dezessete anos, todo mundo fica meio perdido nessa idade, é normal.

- Você não está perdida.

- Claro que não. Eu sou "nerd", não é? Tenho um futuro brilhante e solitário planejado – ela sorriu.

- Talvez você encontre a cura do câncer nesse futuro brilhante, que tal?

- Já encontrei – Sakura sussurrou, inclinando-se para frente, como se contasse um segredo valioso. – No mesmo dia em que inventei o iPod e o ônibus espacial. Eu só não revelei nada ainda porque quero saber quanto tempo vão levar até alcançar minha genialidade – ela deu de ombros e eu gargalhei.

- Você até que é bem legal – disse.

- Seu tom de surpresa é ofensivo, sabia? – ela revirou os olhos. – Você toca? – indicou o piano.

- Um pouco. Prefiro cordas beliscadas, como você deve saber.

Sakura arqueou a sobrancelha.

- Porque eu saberia?

- Porque eu sou guitarrista e vocalista de uma banda.

- Ah, sim. A banda sem nome do Naruto.

- Nada de "banda do Naruto". A banda é nossa. Todo mundo sabe disso.

A Haruno bufou.

- O problema de vocês populares é que vocês acham que todos sabem tudo sobre vocês.

- Todos sabem – declarei o óbvio.

- Mas ninguém se importa – Sakura disse, sentando-se ao piano.

- Porque você odeia a popularidade? – perguntei, lembrando que ela já havia escapado disso mais cedo.

Segui até o piano, dando um leve empurrão na Haruno e sentando-me ao seu lado.

- Eu não odeio. Só acho... superestimada – ela respondeu, tocando levemente as teclas. – Quantas pessoas no Konoha conhecem você?

- Quantas estudam lá? – sorri, debochado.

- Não, seu idiota. Eu quero dizer quem ali te conhece mesmo? Tipo, o Sasuke de verdade e não o senhor popularidade, vocalista e quarterback gostoso?

Ergui a sobrancelha.

- Então você me acha gostoso? – sorri maroto e Sakura se engasgou com o ar, corando intensamente.

- Eu não disse isso.

- Disse sim.

- Não.

- Sim.

- Não! Eu só disse o que as pessoas dizem – ela fez um bico, tirando os óculos e esfregando os olhos.

- Então admite que sabe o que as pessoas falam de mim?

Peguei os óculos e o coloquei. O grau não era muito alto. Ou então eu também tenho problema de vista.

- Eu já estava até te achando suportável, mas você é...

- Lindo e gostoso. Já entendi. Tsk, Sakura – balancei a cabeça, fingindo estar inconformado –, achei que você era diferente.

- Você é um completo idiota, sabia?

Ela me encarou, ainda meio corada.

A luz do Sol que entrava para a parede de vidro, logo atrás do piano, iluminaram seu rosto, fazendo os olhos incrivelmente verdes brilharem ainda mais.

Percebi algo assustador naquele momento.

- Você fica linda corada – disse, sem conseguir me conter.

- Sempre o tom de surpresa – ela murmurou, virando o rosto.

- Desculpa. Mas é culpa sua. Você não é convidativa.

- O que isso significa? – Sakura perguntou, fazendo uma careta.

- Significa que você não aceita ser bonita. Você se esconde atrás desse cabelo, preso de qualquer jeito, das roupas largas, dos óculos grandes e da pose de nerd. Isso faz com que os caras não queiram olhar duas vezes.

- Pelo menos eu sou honesta com quem eu sou. Eu não me escondo atrás da minha popularidade – rebateu.

- Você se esconde na falta de popularidade. E ser popular não me impede de receber elogios, obrigada.

- Mas impede que as pessoas te conheçam de verdade.

- Você me conheceu de verdade – comentei. – E eu não to te ouvindo reclamar.

Sakura ergueu as sobrancelhas.

- Sério? Então eu posso começar? – ela ergueu as mãos, pronta para enumerar. – Você é convencido, irônico, péssimo em biologia, desbocado...

- Já chega – segurei suas mãos. Inconscientemente, nos aproximamos um pouco.- Cara, você nunca ouviu falar de lentes de contato não?

A Haruno revirou os olhos.

- E você é implicante...

- Sério, você tem que ser mais acessível.

- E você tem que ser menos – ela contrapôs.

E então, subitamente, Sakura riu.

- O quê?

- É tão... absurdo eu estar aqui, com você.

- Por quê?

- Somos completamente opostos, Uchiha.

- Os opostos se atraem – pisquei.

- E você é um idiota – ela adicionou outro adjetivo à lista. – E nunca daria certo entro nós.

Ergui a sobrancelha.

Sakura estava me chutando? Antes mesmo de termos algo?

Quem esse ser cor de rosa pensa que é?

- E porque não, posso saber?

- Eu nunca me apaixonaria pelo senhor popularidade – ela deu um meio sorriso. Que se pareceu assustadoramente com o meu meio sorriso.

Ladra!

- Não tenha tanta certeza disso – sorri para ela, levantando-me. – Vem – estendi a mão. – Quero te levar a um lugar.

- Onde?

- O único lugar onde o senhor popularidade é só o Sasuke. Não se apaixone, okay?

A Haruno revirou os olhos.

- Sem chance.

- Veremos. E dessa vez, eu dirijo.

Seguimos para a garagem e percebi que Naruto tinha errado outra vez.

Pra me aproximar de Sakura, eu não precisei "não ser eu".

Eu só tive que ser eu mesmo.


Referências (e/ou explicações) do Capítulo:

-Me, Myself & Sakura: o título do capítulo foi inspirado no título do filme "Me, Myself & Irene" ("Eu, Eu Mesmo & Irene"), estrelado pelo grande Jim Carrey. No capítulo, "eu" seria o Sasuke popular, "eu mesmo" o Sasuke real e a Sakura.

- Até tu Brutos?: é uma frase, bastante comum, até, que é atribuída a Júlio César, imperador Romano que, no século I antes de Cristo, foi vítima de um complô para tirá-lo do cargo. Entre os que agiram contra ele estava seu filho adotivo, Marcus Brutus.

- Wide Receiver: (WB; em português: recebedor) Têm a função de se infiltrar na defesa adversária, sem bola. Uma vez lá, se tornam alvo dos passes do QB.

- "matar dois coelhos com uma cajadada só":como vocês devem saber, é um ditado popular, que quer dizer resolver dois problemas com uma só ação. Em inglês, o dito é "Kill two birds with one stone/shot".

- Don Juan: diz a lenda, que Don Juan seduziu, estuprou e matou uma jovem da família nobre da Espanha e seu pai. Nos contos, Don Juan é um mulherengo , que seduzia as mulheres disfarçando-se de seus amantes, ou lhes prometendo o matrimônio. Por isso, é comum chamar alguém de Don Juan, quando quer atribuir-lhe as características de um conquistador, galanteador e/ou sedutor.

- "Houston, we have a problem": (Houston, nós temos um problema). Outro clássico, do filme "Apollo".

- Cordas beliscadas: são os instrumentos onde a corda é beliscada (com os dedos, as unhas, plectros ou palhetas) e assim produz som. São eles: violão, guitarra, baixo, harpas, liras, cravo e clavicórdio.

•••

Ei, meus amores *-*

Como estão, princesas e princesos da minha life? Eu espero que estejam muito bem, e que tenham aproveitado muuuuuito as férias :D

Bem, pra começar, desculpem a demora. Na verdade, o capítulo está pronto desde a semana passada, só faltava mesmo as referências, respostas das reviews e talz. Mas, eu viajei, e não pude terminar, até agora. Eu estava no sítio do amigo do meu pai, desde sexta (e lá tava frio pra caralho, sério), e hoje de manha nós viemos para casa da minha prima, numa das cidades históricas de Minas.

Eu adoro isso aqui, sério mesmo. Muitos museus, memoriais, igrejas da Era do Ouro e muuuuitas cachoeiras – lindíssimas, por sinal – só que aqui na casa não tem internet. However, hoje de tarde, eu consegui conectar, usando o wi-fi. (A conexão é lenta e cai TODA HORA, mas tudo bem.) Então, eu peguei meu celular – enquanto os primos mais novos estão se devorando pra ver quem vai usar a net – e comecei a dar os retoques finais na fic, pra conseguir postar ainda hoje.

Detalhe: eu to, há umas cinco horas (só parei pra almoçar e tomar banho, olha só), sentada no chão, praticamente sem me mover, porque se eu der um suspiro e me mover um mísero centímetro a net cai. Digno, não?

Isso é pra vocês verem como eu amo vocês ;D #puxosacomesmo HSUAHUHUAHUS

Então, sobre o capítulo, tenho que dar algumas explicações: pra começar, sim, a minha Sakura usa óculos u_u e, sim, o pai dela morreu. Particularmente, eu sempre achei que Sakura era órfã de pai, até porque, que eu me lembre, ninguém nunca mencionou o papi dela no anime/mangá. Só que isso mudou, porque no próximo filme do Naruto, o pai dela vai ser mostrado – mesmo em uma ilusão, isso me faz crer que o patriarca Haruno está vivo (#spoiler). Tarde demais, no planejamento ele já tinha morrido, e morto permanecerá.

Sobre a personalidade "nerd" dela, devo dizer que me baseio muito na minha pessoa. Sempre fui chamada de nerd, por causa das notas, dos gostos e da dedicação aos estudos. Porém, assim como a Sakura da fic, isso nunca me impediu de ter muitos amigos, e nunca me forçou a mudar minha personalidade. Então, esse estereótipo predeterminado dos nerds me irrita profundamente, na moral, por isso, aqui, as coisas serão diferentes.

E, hn, as coisas foram meio rápidas nesse capítulo, porque, como eu disse anteriormente, a fic é curta (só 6 capítulo, eu acho), então a primeira aproximação do Uchiha-baby com a Sakura é mais rápida, mas no próximo as coisas devem desacelerar.

And, perdoem qualquer erro, capítulo sem betar, novamente, porque o e-mail não quer abrir pra eu mandar pra Paloma. Sorry.

Acho que é só...

So, sem mais delongas... Reviews' time :)

YokoNick-chan: fico feliz que tenha gostado! Continue acompanhando :D beijo!

Rashomon: Bien venido, a essa fic, my friend (sim, eu misturo inglês com espanhol e portuga KKKKKK)... Fico muuuuuito feliz que tenha mandado review aqui também *-* me desculpa pela demora, sério. Mesmo de férias (que já vão se acabar #snif), tá tudo corrido ;s mas espero que tenha gostado o/ see ya ;*

Pah Uchiha-chan: Princeeeeeesa! Que boca suja é essa, hein? Caralho, tá aprendendo com quem? HSUAHUSHUHAHSUHAUHSUHA ai, mana linda, amei sua review, e fico feliz que você tenha gostado do seu presentinho, que é tooodo seu HAHAHA *-* não precisa me agradecer, e eu te amo demais, demais, demais s2

Mari-chan: Oi, oi, Mari-chan *-* pra começar, desculpa a demora e desculpa ter acabado o capítulo daquele jeito, eu gosto de suspense, KKKKKKK to super honrada por ganhar mais uma fã, meu Deus *o* hahaha muito obrigada pela review linda, espero que tenha gostado do cap! Super beijo flor! ;*

Então meus tchutchucos e tchutchucas, muito obrigada pelas reviews lindas de vocês. A quem favoritou, colocou em alerta e tudo o mais: muito obrigada, mesmo s2

Deixem reviews sobre esse capítulo também, certo? Eu tentei um pouco mais de comédia aqui, e espero que tenham gostado. Qualquer dúvida sobre as referências, ou sobre a fic também, é só falar comigo, okay? *-*

Antes de terminar (porque my ass tá doendo pra caralho), só um pequeno recado a quem lê Good Girls Like Bad Boys: olha gente, a próxima atualização de GGLBB é o ultimo capítulo, e eu quero postar o mais rápido possível, só que tá difícil. Eu volto pra casa no domingo, ou, no máximo, na segunda de manhã. E volto as minhas atividades na terça. Vejam bem, vou estar no cursinho de manhã, trabalhando a tarde (e a noite nas terças e quintas), e segunda e quarta tenho inglês. E ainda tem os vestibulares e o ENEM. Olha que cú. Se já difícil, vai piorar consideravelmente.

Peço, do fundinho do meu pâncreas, que me entendam. Eu vou tentar postar GGLBB nas primeiras semanas de agosto, e logo depois posto WB.

Como eu sei que vocês são leitores fodas, fofos, lindos e compreensíveis, eu já vou agradecer HSUAHUSHUA *-*

Hm, isso é tudo, pessoal!

Aproveitem esse restinho de férias, e depois voltem com tudo ;D

Beijos, queijos e anexos :*

Kaah Hyuuga.