Disclaimer: Harry Potter não me pertence, e sim a J.K. Rowling, Warner Bros e qualquer outro que tenha direito sobre os amáveis - ou não - bruxinhos. Não há qualquer intenção em obter lucros por parte da autora, é apenas diversão.

Fanfic feita para o projeto Broken Everywhere do fórum 6v.


Conta a lenda que se completava uma semana desde que seu filho mais velho se embrenhara nas matas para caçar e ainda não havia retornado. Cheia de aflição, a mulher foi até o santuário da deusa Ártemis, deusa também da caça, pedir pelo filho. Diz-se que a própria deusa foi falar à mulher dizendo que aceitaria, desde que o filho ela então carregava no ventre, caso nascesse mulher, seria dela. Tendo já seis filhos homens e crendo ser outro homem a carregar consigo, aceitou e, no dia seguinte, tinha seu filho em casa.

Mas acontece que, meses depois, fosse o Destino, obra da deusa ou infeliz acaso, nasceu uma pequena garota, que logo Ártemis veio buscar, conforme o acordo. A mulher não lhe queria entregar, mas após ter a si e a sua família ameaçadas, entregou a criança com o coração partido.

A criança cresceu entre ninfas e animais, tendo um enorme talento para a caça e sem se deixar corromper por outros humanos, tal qual a deusa a quem fielmente seguia, fazendo dela um orgulho para Ártemis e uma de suas preferidas.

Logo a menina era mulher; uma mulher de longos, ondulados e cheios cabelos muito vermelhos, sardenta, pele alva e olhos amendoados. Era forte e destemida, excelente arqueira e caçadora, com um nome tão forte quanto sua personalidade: Ginevra. Raramente era vista fora do bosque onde morava ou do templo da deusa; saía apenas quando ordenada que fosse à cidade para fazer algo. Quanto à sua família, nunca conheceu nenhuma que não fosse a deusa, as ninfas ou os animais.

Banhava-se no rio, solitária, admirando a lua cheia no céu. Levantou uma mão e ficou absorta a observar as gotas de água iluminadas pelos raios da lua, tal qual o rio em que se banhava. Mergulhou e ficou algum tempo com a cabeça embaixo d'água e novamente emergiu, passando a mão no rosto para tirar o excesso de água. Foi caminhando para fora do rio e não dera muitos passos, tendo apenas o busto não mais coberto pela água, quando ouviu à sua frente o barulho de folhas se mexendo e um baque no chão, como se algo houvesse caído. Ou alguém.

Em poucos minutos estava vestida e montada, seguindo o barulho que quem quer que fosse fazia ao correr. Rapidamente o alcançou. Ele tinha os cabelos loiros, quase prateados, e os olhos cinzas arregalados e assustados. Ele estava encostado em uma árvore, tremendo, com uma flecha apontada para seu peito.

E, mesmo naquelas condições, ele era incrivelmente belo.

- Eu estava passando por lá, não quis parar, mas-

- Silêncio! – Ordenou ela, interrompendo-o. – Não quero saber de explicações, você deve morrer!

Ele apertou os olhos, como se não quisesse ver a própria morte. Um covarde.

Se ela quisesse tê-lo matado já o teria feito, ele não seria o primeiro; mas, por algum motivo, não quis. Abaixou o arco e ele abriu um olho, abrindo o outro logo em seguida.

- Vá embora e não quero vê-lo nunca mais, ou não terá outra chance.

Por algum motivo, ele desejou que ele ficasse e a enfrentasse.

Ele correu.

-x-

Descansava sob a sombra de uma árvore quando a súbita imagem do rapaz misterioso fê-la despertar. Ele. De novo. Perturbada com seus pensamentos e sem coragem de compartilhá-los, pediu permissão à deusa para ir a Delfos; o Oráculo certamente guardava a resposta que ela tanto queria.

Cavalgou por muitos dias, mais algumas horas e chegaria ao templo. Parou onde estava e armou seu pequeno acampamento, confiando sua segurança no fogo, na deusa e em seu arco. A lua estava nova no céu e seu coração se encheu de tristeza; as saudades de casa apertavam seu peito e ela não tinha nem a lua para fazer-lhe companhia.

Adormeceu.

Despertou junto com os primeiros raios de sol, que se refletiam sobre os cabelos tão dourados à sua frente. Levantou de chofre e viu novamente o rosto que insistia em não lhe sair da mente. Logo sua mão agarrou o arco e o homem recuou um pouco, mas ainda a encarava; ela, rubra, novamente lhe apontava o arco. Ele arriscou colocar a mão no arco e levemente empurrá-lo para o lado; ela o abaixou. Ele sorriu.

Ela virou o rosto e começou a desmontar seu acampamento sem lhe dar mais atenção.

- O que faz por aqui? – Perguntou ele.

- Isso não é de seu interesse.

- O deus Apolo está no templo e não quer que ninguém se aproxime até segunda ordem.

Ela parou. Ao invés de solução, havia encontrado um problema: sem oráculo, com o homem desconhecido.

- Como sabe?

- Sirvo a ele.

Refez o que havia desfeito de seu provisório acampamento, pegou seu arco e suas flechas e foi buscar algo para se alimentar. Ele tocou em seu braço para chamá-la e seu coração disparou. Ela puxou o braço com violência.

- Não me toque!

- Certo, certo. Você não precisa ir procurar comida, eu tenho o suficiente para nós. Se quiser.

Ela deu as costas a ele.

-x-

Anoitecera. No fogo assava o animal que a alimentaria até a manhã seguinte.

- Qual é o seu nome?

- Ginevra. – Respondeu ela de má vontade, após descobrir que não adiantava ignorar as perguntas que ele fazia.

- Sou Draco.

- Não perguntei.

Ele deu de ombros.

Draco... Sim, Ártemis já lhe falara dele: o favorito de Apolo. Fazia todo o sentido, ele era, de fato, belíssimo; não a surpreenderia se Apolo se houvesse apaixonado pelo jovem. Se isso fosse verdade, era melhor que logo ela fosse embora, antes que Apolo se irritasse; não que fizesse qualquer sentido o deus sentir ciúmes dela, era impossível que qualquer coisa surgisse dali. Não quando se tratava dela.

Seria ridículo.

-x-

Já era o terceiro dia em que ela lá estava, saudosa de seu lar e convivendo melhor com aquele que lhe fazia companhia. Faziam juntos as refeições, treinavam juntos e até mesmo conversavam. Naquela noite, ele tentou um outro tipo de aproximação. Sentou-se ao lado dela para fazer sua refeição.

- Não se sente ao meu lado. – Disse ela, menos ríspida do que a princípio fora.

Ele a ignorou com um ar um tanto arrogante, aspecto esse que ela havia descoberto com pouco tempo de convivência – e o que mais poderia esperar daquele por quem Apolo tinha predileção? Ignorou-o também e os dois ficaram no mais absoluto silêncio. Sem que ela percebesse, ele puxou seu rosto e uniu seus lábios; os olhos dela se arregalaram e sua face corou violentamente. Pela primeira ela não soube o que fazer. Ela também queria.

Ele logo soube disso e a puxou para si, abrindo caminho para dentro de sua boca. Ela se arrependeria, mas, naquele momento, não era tão importante.

-x-

O sexto dia contemplou os dois corpos nus e abraçados, ainda adormecidos. Logo os raios de sol os acordariam e ela se sentiria envergonhada de si mesma, da traição com a deusa e com seu voto, mas aquilo que crescia dentro dela e enchia seu peito era incontrolável, até mesmo para os deuses.

Ela acordou primeiro e ficou a admirá-lo. Talvez eles houvessem despertado a ira dos deuses, mas estava além de sua capacidade como poderia qualquer ser se vingar de tão bela criatura. Ainda mais belo que os próprios habitantes do Olimpo.

Passaram todo o dia juntos, com todas aquelas futilidades características daqueles que estão apaixonados. Não perceberam o dia passar e, quando a noite caiu, deitaram-se juntos para repousar.

-x-

Quando acordou, viu a ruiva deitada ao seu lado, ainda adormecida. Beijou-lhe suavemente os lábios e disse que acordasse, mas ela não respondeu. Começando a se preocupar, sacudiu-a um pouco mais forte e ela permaneceu desacordada. Após muito tentar, chegou a uma triste conclusão: ela não acordaria. Levantou-se e foi ao templo do Oráculo para pedir ao deus que a trouxesse de volta.

Apolo negou, dizendo que por nada a traria de volta. Irado, Draco saiu do templo jurando que nunca mais voltaria e foi ter com a amada adormecida. Não conseguiu conter suas lágrimas ao ver que a mulher que segurava em seus braços abria vagarosamente os olhos. Mas a alegria pouco durou: logo uma seta atravessou seu corpo, atravessando o dela logo em seguida; era Ártemis, furiosa com ele por haver roubado a pureza de sua predileta.

Qual não foi a surpresa da deusa ao descobrir abertos os olhos de Ginevra (que ela julgava ainda adormecida) e sua flecha atravessando seu corpo. Vivo.

Ela foi transformada em uma vermelha rosa, vermelha assim como seus cabelos. Ele, em um pequeno pássaro, passando de flor em flor em sua eterna busca por sua amada.

Disclaimer: Harry Potter não me pertence, e sim a J.K. Rowling, Warner Bros e qualquer outro que tenha direito sobre os amáveis - ou não - bruxinhos. Não há qualquer intenção em obter lucros por parte da autora, é apenas diversão.