Barreiras
Ginny passou um elástico pelos cabelos ruivos, prendendo-os e deixando o vento bater em sua nuca. Ela vagava sozinha pela cidade sem que ninguém a notasse – mesmo que isso não fosse nenhuma novidade-.
As pessoas, na verdade, fingiam não vê-la; ninguém queria que ela estivesse ali de verdade – nem ela mesma queria estar-. Ninguém era idiota o suficiente para querer ser visto com uma rebelde exilada e, para não causar problemas para si mesma, Ginny preferia ficar quieta.
O silêncio era bom, ela pensava, a fazia lembrar-se de Draco; fazia a voz dele ecoar por sua cabeça como se ele estivesse ao lado dela e nada pudesse tirá-lo de lá.
Alguns diziam que ela tinha ficado louca, e outros diziam que ela era louca. Ginny apenas suspirava e sorria, tentando amenizar a atenção que lhe era dada de tempos em tempos - normalmente quando tinham moradores novos na cidade-.
Ginny atravessou a praça principal em seu silêncio cotidiano, o saquinho de pães bem preso em sua mão direita, a pequena faca mantida segura em sua cintura e tudo seguindo sua rotina normal. Ela virou dois becos para a direita e lá estavam dois caras realmente grandes tentando tirar algo da mão de uma pequena menina loira. Ela suspirou.
"Ei," Os grandalhões a olharam por cima, o brilho maldoso cintilando em seus olhares. "O que vocês estão fazendo?"
"Ora, ora," Um deles deu um passo na direção de Ginny, que já escorregara sua mão para a bainha da faca, o peito batendo forte. "Se não é a mudinha..." Os dois riram e ela corou violentamente, a raiva explodindo em seu rosto.
"Eu perguntei," ela balbuciou, "o que é que vocês dois estão fazendo?"
"Achei que mudas não falavam," o outro grandalhão deu um passo atrás, encurralando a menina loira e ficando de olho em Ginny, seu coração batia cada vez mais forte.
"Achei que além de muda, era louca." Um passo a frente, a lâmina da faca já metade para fora e dois passos não foram necessários, o primeiro cara avançou contra ela, tentando derrubá-la com o peso do seu corpo, mas Ginny foi mais rápida e se esquivou, a faca já enterrada na coxa dele, que soltou um gemido de dor.
Com outro movimento rápido ela pegou a menina pelo braço e subiu na escada de incêndio semi destruída. Estavam no antigo hospital principal da cidade, do qual só restavam escombros. Ginny podia ser taxada de louca, mas ela não era retardada de achar que podia detonar dois caras com o dobro do tamanho dela só usando uma faca.
As duas subiram rapidamente e, um estrondo forte no começo da escada indicava que elas tinham companhia. Ginny espremeu a menina pela janela de um dos quartos e a seguiu, correndo pelo hospital destruído em silêncio.
Os passos ecoavam por todo hospital, por mais que Ginny se esforçasse, abriu uma porta qualquer e encontrou uma sala semi intacta. Trancou a porta.
"Meu nome é Ginny," ela disse, olhando pela primeira vez para a menina loira. "Você é...?"
A garota tinha um ar distante mesmo que seus olhos mirassem a ruiva profundamente.
"Luna."
"Certo, o que faz aqui, Luna? Você não é da cidade, é?"
"Não, eu vim... Fazer uma coisa."
"Sei," Ginny disse, desconfiada, seu olhos apertados para a garota.
"Mas me assustei um pouco com esse lugar e acabei me perdendo."
"E aí os grandões te acharam, não é? Ainda bem que eu te achei em seguida."
"Certo, obrigada." Ela disse, seus olhos correndo pela sala de hospital completamente destruída. As macas estavam caídas, algumas carbonizadas, um armário tingido de preto e algumas manchas vermelhas e, aparentemente velhas, cobriam o chão. "O que eles são?"
"São Protetores." O olhar da ruiva se perdeu em meio aos escombros.
"Ginny?"
"A-ah, me desculpe," seus olhos ganharam foco novamente. "Eles tem que proteger a ordem da cidade. Eu sempre acabo trombando com um ou dois, me conhecem já."
"E você parece que conhece eles muito bem." A garota loira sorriu inocentemente, como se estivesse falando do tempo.
"É," Ginny não gostava de falar daquilo. "Mas afinal, o que você veio fazer nesse fim de mundo?"
"Bom," Luna sorria infantilmente. "Você pode ir até aquela maca ali?" a ruiva a olhou mais desconfiada do que antes.
"Porque?"
"Por favor..." Os olhos da loira brilharam com esperança e Ginny se levantou, a mão direita escorregando para a faca, e andou lentamente até uma das macas mais destruída.
"Essa aqui?"
"Não, a terceira da direita."
Ginny deu mais dos passos e chegou perto da segunda maca, o coração batendo forte e ela se perguntando porque estava dando ouvidos para uma completa estranha. Quatro passos, e ela sentiu seu estômago se repuxar fortemente, tudo ficou escuro como se ela estivesse prestes a desmaiar. Mas ela ainda se sentia consciente, ainda estava dando um passo atrás do outro.
Quando sentiu a luz batendo em seus olhos, percebeu que os tinha fechado. Aos poucos começou a abri-los, as coisas se focando vagarosamente. Ela se sentia igual e tudo parecia igual.
Ginny apoiou a mão na maca ao seu lado, ainda estava se sentindo um pouco estranha, mas percebeu que havia algo felpudo sobre a maca. Que ela não tinha reparado até então. Um cobertor.
Ela se virou rapidamente e mirou um quarto de hospital completamente diferente do qual ela estava há cinco segundos. Ele parecia novo, não havia mais as marcas de sangue, nem os escombros, uma luz forte iluminava-o todo, dando uma atmosfera de paz ao lugar. Mas Luna ainda estava lá. No mesmo lugar em que ela estava no meio dos escombros, a única diferença é que o lugar onde a loira estava parecia ligeiramente mais escuro – mesmo que não houvesse nada para fazer sombra.
"Você viajou no tempo," ela disse como se fosse uma coisa comum, sua voz parecia tão distante. "está de volta a pouco antes da guerra civil, Ginny. Eu sei que deve parecer loucura, mas não é. Você tem que impedir a batalha antecipada, você tem que impedir que a revolta seja controlada. Você sabe como fazer."
"Eu O QUE?" Seu grito pareceu ter ecoado por todo o hospital e ela diminuiu o tom de voz. "Eu..." Mas Ginny já tinha entendido tudo e, por mais absurdo que fosse, ela acreditava que era verdade. "Vou fazer."
N/A: Tá aqui o primeiro capítulo, acho que tem mais coisas explicadas aqui, divirtam-se. E espero que gostem né! =3
