Ele era brilhante. E não apenas pelo fato de ser o aluno mais inteligente de Hogwarts, mas também por ele ter conseguido a simpatia e a confiança de quase todos os estudantes e funcionários da escola antes de ter terminado seu primeiro ano letivo, incluíndo os sangue-ruins das outras casas, os arrogantes grifinórios e, claro, as garotas estúpidas que rastejavam aos seus pés quando ele simplesmente olhava para elas. Seu pai trouxa havia servido para alguma coisa afinal, pois sem uma boa aparência ele teria maiores dificuldades em atingir os seus objetivos.

Iniciara seu sexto ano em Hogwarts há um mês e nada de novo acontecia no castelo. Ele já havia aprendido tudo o que havia para ser aprendido ali. A biblioteca não satisfazia mais a sua sede de conhecimento. Já havia lido todo o material que fazia menção a magia negra da seção proibida, mas não era o suficiente. Tentara várias vezes utilizar o seu poder de persuasão para convencer o diretor a deixá-lo ir além de Hogsmead, com intenção é claro de passar pela Travessa do Tranco, coisa que ele nunca diria a ninguém. Mas algo, ou melhor, alguém impedia Professor Dippet de lhe dar permissão. Dumbledore.

A pedra em seu caminho. O único professor que percebera o que Tom Riddle era desde o início.

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'Final de semana monótono...como sempre' Tom andava pelos corredores, lançando feitiços silenciosos com o olhar em qualquer um que passasse pelo seu caminho. Ninguém nunca suspeitava. Então era o que costumava fazer para passar o tempo. Tão logo a vítima ficasse com o cabelo azul ou desenvolvia algum tipo de problema de pele com necessidade urgente de tratamento Tom estaria pronto para ajudar, algo que só ajudava a aumentar sua popularidade.

Claro que a idéia dos feitiços havia surgido há pouco tempo. Antes da morte daquela sangue-ruim deprimente, ele passava a maior parte dos fins de semana junto de seu basilisco, o único ser no qual ele confiava e com o qual conseguia ter uma conversa civilizada. Agora que o suposto responsável fora pego, Tom não poderia mais utilizar sua serpente para continuar o extermínio dos sangue-ruins e teria de evitar visitá-la durante um tempo, para não atrair suspeitas. 'Dumbledore sabe...' Aquele velho. Sabia que não tinha poder suficiente para tirá-lo de seu caminho 'Ainda...' então teria de ser o mais discreto possível durante seus últimos dois anos em Hogwarts.

Ao passar em frente a sala dos professores, Tom deparou-se com a professora de feitiços Delza Monroe carregando uma enorme pilha de livros. Delza era a professora de mais idade da escola, isso se não fosse a mais velha do mundo mágico. Mesmo com seus óculos enormes ela ainda tinha dificuldade em dicernir uma pessoa de uma gárgula, sua memória também era extremamente falha, e seus cabelos longos, crespos e brancos, os quais Tom tinha quase certeza de que raramente eram penteados, a faziam ter uma aparência um pouco assustadora.

"Albus, é você?"

"Senhora Monroe, como pode esquecer de seu aluno favorito?" falou, revirando os olhos.

"Sr. Riddle, é você?" 'Era só o que me faltava, velha insuportável'.

"Sim, gostaria de ajuda com esses livros?"

"Oh sim, sim...uma velha como eu não consegue mais carregar uma simples pilha de livros...mas espero que isso não esteja interrompendo seu final de semana, ser um aluno tão aplicado e ainda ser monitor chefe deve ser realmente exaustivo...deveria tirar os fins de semana para se divertir!" disse já quase derrubando os livros em cima de Tom, que conseguiu segurá-los a tempo.

"Não se preocupe comigo sra. Monroe, não é nada exaustivo ajudar a senhora." Respondeu ele com o seu melhor sorriso, embora estivesse pensando o por quê de uma bruxa precisar carregar os livros quando poderia simplesmente utilizar mágica. "Vingardium Leviosa" pronunciou, mas ao invés de flutuarem, os livros desapareceram, e imediatamente Delza começou a berrar. Tom, que raramente se espantava com algo, congelou onde estava, olhando do lugar onde os livros antes se encontravam para a bruxa furiosa, que parecia ainda mais assustadora.

"Seu idiota! Você acha que se pudesse utilizar mágica neles, eu não teria utilizado? Esses livros estavam enfeitiçados! Uma espécie de feitiço de tempo...eu estava justamente indo à sala do diretor para ele me ajudar a descobrir o encanto que o faz funcionar!" terminou ela, respirando rapidamente, com o rosto vermelho e suado.

Tom, já menos assustado, não dera muito interesse ao fato de uma professora estar berrando e xingando um estudante, nem ao fato de de uma professora de feitiços precisar da ajuda do diretor para descobrir um novo feitiço, muito menos ao fato de que os livros haviam sumido e ele não tinha idéia de onde eles tinham ido parar, mas sim ao fato de que havia um novo feitiço em questão, e sua sede de sabedoria não deixaria ele dormir em paz sem ele o ter descoberto.

"Sra. Monroe, acalme-se. Ajudarei a senhora a encontrar os livros, não se preocupe."

"É impossível! Aqueles eram os originais e o autor não quis fazer cópias! E agora eles devem estar em outra dimensão...outro tempo...talvez até outra era! Oh Merlim, ajude por favor!" berrou ela, levantando as mãos em exasperação ao mesmo tempo em que andava o mais rápido que alguém da idade dela poderia andar em direção à sala do diretor.

"Como? Mas como a senhora sabe disso?" perguntou Tom, tentando ser paciente e segurando a sua vontade de esganar a velha.

"Ora, estava tudo escrito nos livros. Mas o autor – completamente maluco – não foi capaz de dizer algum encanto que pudesse ser dito para que o feitiço funcionasse...ou até mesmo para que ele fosse revertido. E ainda enfeitiçou-os para que ninguém pudesse lançar feitiços neles. Oh Merlim...o que eu fiz para merecer isso?" disse ainda andando rapidamente, sendo acompanhada por um Tom Riddle ansioso.

'Mas afinal...eram apenas livros...e ela já os havia lido pelo que ela disse...então o que...' "Mas eram apenas livros, senhora Monroe, ou tinha algo mais que a senhora não quer me contar? "

Nesse momento a professora ficou em silêncio, olhando para os lados e depois para Tom, aflita. Quando voltou a falar, sua voz era um pouco mais que um sussurro."Creio que este autor está para descobrir um feitiço capaz de transportar pessoas através do tempo...se isso for realmente verdade...oh Merlim, imagine o caos, todos poderão ir e voltar no tempo quando bem entenderem, e o curso da história poderá ser alterado! Se o diretor Dippet conseguir descobrir o encanto necessário para que o feitiço funcione, poderemos alertar o ministério da magia para impedir que todos possam utilizá-lo a qualquer momento, dessa forma ele funcionará como um vira-tempo." Terminou ela.

'Deixar uma tarefa dessa para Dippet resolver...atitude típica de uma velha sangue-ruim.' pensou Tom já imaginando o quanto poderia aproveitar do feitiço.

"A senhora disse que leu os livros." Disse ele, ela concordou com a cabeça, observando-o atentamente. "Poderia me dizer qual a idéia básica expressa neles? A senhora se lembra?"

Num primeiro momento parecia que ela ia negar-se a dizer, mas ao pensar bem 'Afinal, ele é o melhor aluno de Hogwarts...que mal faria se eu apenas desse a idéia básica...'

"Bom Tom, a idéia é bem simples...o feitiço deve ser realizado por pelo menos duas pessoas. Uma delas lança o feitiço para que a outra volte no tempo ou vá para o futuro, dependendo do encantamento. Mas o encantamento é a parte mais complicada, pois não há como saber as palavras certas que devem ser utilizadas. O autor não conseguiu expressar em palavras o que ele pensou no momento em que transportou o seu relógio no tempo, e também não conseguiu explicar o motivo de ela ter voltado meses depois. Aliás, ele só conseguiu descobrir que ele tinha sido transportado porque o ano mostrado no relógio era bem posterior ao nosso. Pelo que parece o feitiço é temporário." Explicou ela, começando a caminhar em direção à sala do diretor. "Bom Tom, eu tenho que ir falar com o diretor sobre isso, não se preocupe quanto aos livros, eles devem voltar em breve."

"A senhora não vai." Disse Tom, seus olhos negros apresentando um brilho desconhecido pelos que tanto confiavam nele. "Obliviate!" Um raio de luz saiu de sua varinha, acertando Delza Monroe, que caiu inconciente. Lançou o feitiço de forma mais leve possível, de forma que apenas as últimas lembranças fossem esquecidas. Se ela perdesse completamente a memória, Dumbledore iria investigar, e seu principal suspeito sem dúvida seria Tom.

Olhando para os lados, para ter certeza de que não precisaria apagar a memória de mais ninguém, Tom iniciou sua caminhada rumo à sala do diretor, não para conseguir ajuda para descobrir o encanto, pois isso ele conseguiria facilmente, e sim porque pediria permissão para registrar a invenção do feitiço em seu nome, podendo assim ter controle sobre quem o usaria enquanto ele poderia usar à vontade. Sem dúvida o diretor lhe daria permissão, desde que Dumbledore não se metesse em seu caminho. 'Maldito Dumbledore.'

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Ao chegar à gárgula, Tom pronunciou a senha e aguardou a escada levá-lo até a sala do diretor. Enquanto isso, organizou seus pensamentos imaginando tudo o que deveria ser dito, para que o diretor não desconfiasse de nada.

Pouco depois de bater na porta, aparece Dippet, com cara de poucos amigos. Mas ao perceber de quem se tratava abriu um sorriso rapidamente. "Ah senhor Riddle! Que prazer receber uma visita sua! Entre, entre...gostaria de um chá?"

"Não obrigado, gostaria de ter uma conversa com o senhor, se não for muito incômodo, é claro."

"Incômodo nenhum, imagine. Sente-se e diga."

"Senhor eu fiz uma descoberta a respeito de um feitiço. Ele não possui encanto para ser executado, mas estou prestes a descobrí-lo. Se eu conseguir, há alguma maneira de eu ser considerado o inventor? Dessa forma eu conseguiria ter maior controle sobre o feitiço." Disse, observando atentamente a reação do diretor.

"Ora Tom, é claro que sim! Afinal foi o senhor que descobriu o feitiço, não é?" Perguntou Dippet.

"Não senhor, ele foi descoberto por um bruxo desconhecido, que não conseguiu formular um encanto. Então eu estava pensando, se eu conseguir descobrir o encanto, é como se o feitiço fosse meu, não é? Afinal outros bruxos só conseguirão utilizá-lo pronunciando as palavras, ou pelo menos pensando nelas. E o feitiço só pode ser considerado propriedade de alguém quando este bruxo descobriu um encanto que possa ser pronunciado!" Seu tom de voz já começava a se alterar, mostrando maior urgência. Mas o diretor não pareceu perceber.

"Assim já é mais complicado Tom. Se ele descobriu o feitiço, por mais que outros não possam utilizá-lo, é provável que em breve descobrirá uma forma de este poder ser utilizado por outros. E o ministério da magia provavelmente dará prioridade para quem descobriu o feitiço, não o encanto." Disse o diretor racionalmente. "Sinto muito, Tom."

Neste momento, Tom levantou-se furioso da cadeira, para a surpresa do diretor, e rumou em direção à porta de saída. Mas parou de repente, ao pensar ' Se eu sair agora, com certeza não conseguirei a posse do feitiço. Se eu alterar a memória de Dippet, posso ainda matar o autor do feitiço e destruir os livros quando estes voltarem...sim...'

Virou-se novamente, apresentando aquele estranho brilho no olhar, que fez o diretor levantar-se imediatamente. Quando Tom segurou sua varinha por dentro das vestes, algo surgiu do ar, no meio da sala do diretor. Ou melhor, alguém.

Pela segunda vez naquele dia, Tom Riddle foi surpreendido. Ele olhou boquiaberto para o garoto que deveria ter a sua idade e que pelo visto estava tão surpreso quanto ele. Seus olhos se encontraram e ele tinha certeza de nunca ter visto olhos tão verdes. Mas isso não foi o que mais chamou sua atenção. Ao olhar um pouco para cima, entre as mechas negras e desarrumadas , havia uma cicatriz em forma de raio.

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Err...desculpem a demora pessoal. Eu estou em ano de vestibular, e a escola não está pegando muito leve sabe...estou sem tempo para mais nada XD. Então só nas férias msm. """

Mas fiquei muito surpresa quando vi que alguém tinha lido e gostado da minha 1ª fanfic!!Aliás...primeiro capítulo né hehe... Muito obrigada mesmo a todos que leram e comentaram...e comentem p/ esse capítulo também, por favor! É isso que me dá forças para continuar porque, honestamente, eu não tenho talento p/ isso XD.

Os dois primeiros capítulos eu fiz para q o Harry e o Tom se encontrassem e tals, daí ficou meio enrolado...mas no próximo os dois vão aparecer juntos...aí começa emoção (iei )!

Se esse capítulo ficou mto chato ou mto confuso, me avisem! Daí eu posso tentar melhorar, né?

Não esqueçam de comentar!

Beijos.