Romance é:
... swing
Sinopse: Nunca tinha sido uma boa ideia dar ouvidos totalmente às ideias malucas da Luna e agora ela estava a comprovar isso mesmo. Naquela sala meio escura, e ao lado do seu marido, aquela ideia parecia cada vez mais infeliz. Mas também quem é que lhe tinha dito para dar ouvidos àquela doida? Tudo começou uma semana antes…
"-Que cara é essa Gin-Gin?" – Perguntou Luna vendo a amiga sentada no sofá com os braços pousados em cima das pernas e a cara sobre estes.
"-O que é que achas?"
"-Falta de alguma coisa em especial?" – Perguntou com um sorriso maroto.
"-E que tal atenção por exemplo? Desde que me casei só fico sozinha, não devia ser ao contrário?"
"-Hum…"
"-Não estás aqui para me apoiar?"
"-Sim, sim… Olha, tens de fazer algo especial para ele, uma surpresa, algo que aqueça as coisas!"
"-Oh sim! Aquecer uma pedra de gelo… Eu às vezes pergunto-me, mas para que raio é que eu me fui casar? Ainda para mais com ele… O que é que eu tinha na cabeça Luna?"
"-Tu estavas assim um bocadinho desesperada Ginny, principalmente desde que voltaste de Paris…"
"-Não me fales disso."
"-E queres que eu diga o quê? Não fui eu que me casei com o homem que me deixou!"
"-Super compreensiva."
"-Gin-Gin, olha para mim. Tens de fazer o que eu te digo, tenta conquistá-lo."
"-E eu quero conquistá-lo?"
"-Ginevra!" – Disse meio exaltada e com um ar sério.
Nunca tinha visto a Luna assim, ela era sempre despreocupada, brincalhona, mas naquele momento não transmitia nada disso.
"-Tu casaste com ele porque quiseste, porque não suportavas a ideia de ficar para sempre à espera do príncipe encantado para constituir família e ser feliz. E o Harry sempre foi o mais próximo disso para além do…"
"-Nem penses!" – Cortou num tom quase desesperado.
"-Que seja… não tiveste paciência para esperar, precipitaste-te e agora estás casada com o Harry. O máximo que podes fazer é impedir que ele passe o tempo com aquelas amantes todas e te dê a atenção que tu mereces. Portanto toma uma atitude, dá-lhe o que ele quer, compra uma lingerie ousada, prepara-lhe um jantar afrodisíaco e já está. Funciona sempre."
"-Luna, ele passa 6 horas comigo por dia, durante 5 das quais eu estou a dormir."
"-Há sempre 1 hora para aproveitar."
"-E se não resultar?"
A loira procurou algo freneticamente na sua bolsa durante uns segundos.
"-Se não resultar receio que esta seja a tua última hipótese, no entanto uma óptima hipótese." – Disse passando-lhe um cartão de visita para as mãos – "Eu e o Blaise já experimentámos… se não resultar com vocês dou o caso como perdido. Qualquer coisa diz ao segurança o meu nome… Vou indo agora."
E sem que a ruiva tivesse tempo de perguntar o que era aquilo e quem era o segurança Luna aparatou.
"-'Swing'." – Leu em voz alta a frente do cartão de veludo roxo com letras douradas. No verso, em letras mais pequenas mas igualmente douradas, brilhava uma morada que ela desconhecia.
. . . &&&&& . . .
O jantar estava pronto – a pimenta, o chocolate, os morangos e o champanhe faziam parte da ementa feita para impressionar – o vinho estava servido, as velas estavam acesas e as luzes restantes apagadas. Já só faltava ele.
Não teve de esperar muito, certificara-se que ele ia estar em casa a horas de ser surpreendido.
"-O que é isto Ginny?"
"-Uma surpresa, o que mais poderia ser?"
"-Porquê hoje?"
"-Porque não?"
"-Não comemoramos nada hoje, nada de importante…" – Disse afrouxando a gravata depois de deixar cair a pasta no sofá da sala.
"-O facto de estarmos casados não é o suficiente? Temos estado pouco tempo juntos, e qualquer oportunidade é digna de ser aproveitada, não achas?"
"-Que seja…"
Não tinha tomado consciência do ponto de viragem dele. Talvez as coisas tivessem ocorrido de coisa gradual. Até reatarem ele mostrara-se irresistivelmente carinhoso e sedutor, mas depois pouco a pouco deixaram de aparecer flores, bombons, poemas ou declarações de amor. Deixou de haver tempo, carinho ou qualquer tipo de intimidade. Casados há pouco mais de um ano parecia que tinham vivido uma vida inteira juntos, convivido e partilhado tudo o que havia para ser partilhado e ela não podia ser mais infeliz com tudo aquilo.
Ela tentara incitá-lo durante todo o jantar, o seu pé subindo lentamente pela perna dele, as propostas indecentes e o seu tom de voz sedutor, e tudo o que recebera em troca resumia-se a um olhar indiferente.
Farta de toda aquela indiferença levantou-se do seu lugar e caminhou até ao outro lado da mesa, ocupando lugar no colo dele.
"-Vais dar-me atenção agora ou preciso de ser mais violenta?" – Perguntou num tom agressivo desapertando a gravata dele por completo.
E finalmente ela viu uma reacção nele, depois de tanto tempo, e não a soube identificar.
"-Isso é um sim ou um não?" – Perguntou no mesmo tom, assistindo em seguida a uma cena nunca antes vista, o famoso Harry Potter a gaguejar.
"-Sss…sim, sim"
Adorou aquela sensação de o poder controlar com algumas palavras. Subitamente sentiu as mãos dele no fundo das suas costas puxando-a, aproximando mais os dois corpos. E tinha sido tão fácil que ela mal podia acreditar, um conjunto de palavras ditas de forma agressiva e ali estava ele a beijá-la e acariciá-la como se não houvesse amanhã.
"-Custava muito dar-me alguma atenção?" – Perguntou abrindo os botões da camisa dele, com alguma violência.
Ela conseguia sentir quanto ele estava excitado, ver como a respiração dele estava acelerada e os lábios entreabertos, e acima de tudo ela podia ver aquele olhar desejoso que já não via há tanto tempo. Ele não respondeu e ela soube o que tinha de fazer - provocá-lo só um pouco mais.
O seu corpo moveu-se sobre o dele, lentamente enquanto as suas mãos lhe desciam pelo peito arranhando-o. E soube que tinha ganho aquela pequena batalha quando ouviu o estrondo do prato a partir-se no chão.
Harry elevou-a um pouco, o suficiente para que ela ficasse sentada na mesa. As mãos dele subiam pelas suas coxas, não tão lentamente como ela desejaria. Ali não havia carinho, amor ou qualquer coisa parecida, era desejo, puro e simples desejo. Ela estava deitada na mesa, desimpedida porque tudo o que lá estava tinha sido atirado para o chão segundos antes, e olhava ansiosamente para o moreno. Ele não reparou na lingerie nova, ou em qualquer outra coisa – não se preocupou em satisfaze-la ou em dar-lhe atenção. E ali estava ela, segurando o colarinho dele com uma mão e a mesa com a outra, olhando para Harry ofegante e satisfeito.
"-Harry…?"
Ele, para não variar, não respondeu. Afastou-se dela, apertou as calças e saiu da sala em direcção ao quarto. Ela agarrou no saleiro, a única coisa que ainda estava em cima da mesa e atirou-o ao chão irritada.
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"-Mas foi assim tão mau?"
"-Mau? Já tive aulas de História da Magia melhores! Ele mal notou que eu estava lá. E quando acabou trancou-se no quarto."
"-Hum… sabes… eu pensava que seria mais fácil. Podes sempre tentar o swing… não vai resolver nada entre vocês mas tu vais divertir-te imenso."
"-Mas o que raio é isso?"
"-Em palavras simples é uma troca de casais. Durante aquele momento vocês trocam de parceiro e passam a noite como quiserem. Sexualmente falando, claro."
"-Como é que eu me vou divertir imenso Luna? Eu só queria que o Harry me desse atenção… aliás, ele não vai querer ir."
"-Bem atenção não te vai faltar se fores e além do mais podes ir sozinha, não acredito é que o Harry te deixe sozinha."
"-Eu não sei se é uma grande ideia…"
"-Faz assim… pensa no assunto, fala com o Harry, aparece por lá… e se não gostares podes sempre voltar para trás. Eu e o Blaise vamos no sábado, se te decidires avisa. Agora passando a outro assunto, tens alguma lingerie nova para usar no sábado?" – Perguntou com um sorriso fazendo também a amiga rir.
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Passara horas a olhar para o pequeno cartão, tentando decidir o que fazer. Por um lado tinha a sua consciência, os valores do que estava certo e errado, e aquilo definitivamente não lhe parecia nada certo. Mas por outro lado estava os conselhos de Luna e a sua frustração. E esse segundo lado parecia bem mais forte que o primeiro.
Luna tinha feito de tudo para que ela fosse, inclusivamente comprado uma lingerie vermelha do mais provocador. Então respirou fundo fechou os olhos e decidiu: Eu vou!
Não tinha nem acabado de formular a sua decisão totalmente quando a porta se abriu e Harry entrou.
"-Boa noite."
"-Boa noite." – Respondeu meio nervosa, dizia-lhe ou não? – "Já vais dormir?"
"-Vou trabalhar para o escritório, porquê?"
"-Por nada, eu vou sair." – Disse caminhando até ao quarto.
Ele não disse nada, o que podia ser um bom ou mau sinal – bom porque ele podia não estar zangado com o facto dela querer sair, mau porque ele podia estar completamente indiferente ao que ela fazia ou deixava de fazer.
"-Onde é que tu pensas que vais assim?" – Perguntou bastante tempo depois, entrando no quarto enquanto ela acabava de apertar a lingerie.
"-Não estavas a trabalhar?"
"-Estranhei a tua demora para sair. Mas ainda não me respondeste."
"-Isso é só curiosidade ou estás preocupado?"
"-Eu posso ser muitas coisas, mas não sou burro o suficiente para deixar a minha mulher sair assim sem saber onde é que ela vai."
"-Se for só orgulho ferido não tens de te preocupar, ninguém vai ficar a saber que a mulher de Harry Potter se anda a divertir sem ele. E se estás tão preocupado podes sempre vir."
"-Onde é que vais afinal?"
"-Vou divertir-me, com ou sem ti." – Acabou de apertar o ziper lateral do vestido negro e justo e passou-lhe o cartão roxo que Luna lhe tinha dado – "Boa noite Harry." – E aparatou.
A sua respiração estava acelerada e o seu coração batia rapidamente. Olhou em volta, era um local escuro aquele, escuridão essa quebrada pela forte luz néon vermelha ao longe – SWING – era o que dizia em letras garrafais. Ajeitou o vestido, agitou o cabelo e preparou-se mentalmente para avançar.
Um barulho de aparatação fez com que ela estacasse afinal, segundo Luna, aquilo era totalmente muggle.
"-Ginny?"
Oh não! Harry tinha vindo! Ela pensou em desistir, voltar para casa e trancar-se no quarto, esquecer aquela ideia completamente tresloucada.
"-Harry, o que raio estás tu aqui a fazer?"
"-Ora, não vou deixar que te divirtas sozinha."
"-E eu que por momentos pensei que me ias impedir de fazer uma loucura."
"-As loucuras são boas às vezes, tu própria me disseste isso quando voltaste de França, não sei porque o disseste mas parecias bem convicta."
Ela forçou-se a não pensar em algo que se tivesse passado em França, ela odiava pensar nisso, lembrar-se do que se tinha passado.
"-Vamos entrar." – Disse ajeitando o vestido, uma última vez.
Os seus saltos altos faziam barulho enquanto caminhava, deixando-a ainda mais ansiosa. Quando chegaram à porta um enorme homem barrou-lhes a entrada.
"-Vêm da parte de quem?" – perguntou sem interesse com os braços cruzados de forma ameaçadora.
"-Luna Lovegood." – Estranhamente o homem abriu um sorriso e cedeu-lhes a passagem.
"-Divirta-se Ginny."
"-Como é que ele sabia o teu nome?" – Perguntou-lhe enquanto atravessavam um corredor escuro.
E ela, tal como ele lhe fizera tantas vezes, não respondeu. Não demorou mais que uns segundos para que chegassem a uma salinha fracamente iluminada onde uma rapariga nova e vestida de uma forma bem provocadora os interpelou.
"-Boa noite." – Esticou as mãos na direcção deles mostrando-lhes o que pareciam ser umas máscaras – "Ponham-nas. Assim que se sentirem prontos entrem, o Sr. pela porta esquerda e a Sra. pela porta direita. Divirtam-se."
Agora a ideia não lhe parecia assim tão promissora, parecia cada vez mais infeliz.
"-Nós vamos ficar separados?" – Perguntou Harry, interrompendo os seus pensamentos.
"-E não foi para isso que vieram?"
Ginny não esperou qualquer resposta de Harry, para entrar na sala que a rapariga lhe tinha indicado. A sala onde entrou não era muito mais iluminada que a anterior mas estava certamente mais cheia.
Percebeu Luna ao fundo, também ela com uma máscara a cobrir-lhe os olhos.
"-Vieste!"
"-Eu e o meu maridinho."
"-Conseguiste convence-lo?"
"-Só lhe disse que me ia divertir, com ou sem ele."
Luna sorriu, como se estivesse bastante orgulhosa.
"-Vais divertir-te tanto."
"-Será que vou?"
"-Claro que vais, e como eu te disse, qualquer coisa voltas para casa."
"-Como é que isto funciona?"
"-Estás a ver aquela mesa ali no centro?" – Ginny assentiu – "Pois então, daqui a pouco entra uma daquelas raparigas como a que viste na entrada com uma taça cheia de objectos, um de cada homem na sala ao lado – tu escolhes um qualquer que corresponde ao homem com quem vais passar a noite. Tem atenção aos objectos, não vás tu escolher o do Harry."
"-Com a sorte que eu tenho o Harry não seria o pior que me podia acontecer."
Não demorou muito para que a cena que Luna tinha descrito acontecesse. As várias mulheres que estavam na sala aproximaram-se da mesa, nenhuma delas querendo ser a primeira a escolher. Então Luna aproximou-se e esticou o braço, tirando lá de dentro um daqueles prendedores de gravata.
"-Força Gin-Gin." – Sussurrou ao ouvido da amiga.
'Qual é a pior coisa que me pode acontecer?' – pensou ao tirar de dentro da taça um fio de prata comprido com uma medalha estranha.
"-Quarto 7." – Disse a rapariga apontando para uma outra porta no fundo da sala.
Ela saiu, entrando noutro corredor pouco iluminado, com várias portas de madeira escura.
"-Porta 7." – Murmurou parando em frente da porta.
Respirou fundo prendendo o fio de prata com força. Levou a mão à maçaneta da porta e girou-a. Fosse como fosse não estava preparada para o que aconteceu a seguir.
O quarto era grande, bem maior do que imaginara, e tal como todo aquele local era fracamente iluminado – por algumas velas, reparou. Reparou também na mesa ao fundo, do outro lado da grande cama, cheia de pequenos apetrechos, como garrafas pequenas de óleos perfumados, uma taça de morangos e a reluzir à luz das velas um par de algemas.
Sentou-se na ponta da cama, estranhamente descontraída para a situação, tão descontraída que mal notou uma porta a abrir-se do lado oposto onde ela entrara.
O barulho dos passos dele fez com que o olhasse. Apesar de não lhe ver parte da cara, coberta pela máscara, parecia-lhe um homem atraente, alto, o cabelo claro e com um corpo extremamente…'proporcional'- pensou.
"-Tenho algo teu…" – Disse, tirando a desenvoltura não sabia de onde, e elevando o fio de prata a altura dos olhos.
Ele caminhou até à ruiva, lentamente e pegou no fio tocando com as pontas dos dedos na mão dela. Arrepiou-se, o quarto estava quente ela própria estava com calor e não esperava pelo toque gelado dele. Observou atentamente quando ele elevou as mãos prendendo o fio em torno do pescoço. Mordeu o lábio inferior ao vê-lo, nunca um gesto tão banal lhe parecera tão sexy. E foi então que ele desfez o laço que prendia a máscara perto da sua cara e toda a magia se quebrou.
"-Tu?" – Perguntou num misto de admiração e desilusão.
"-É assim que se trata os amigos Ginevra?"
"-Como… como é que tu…?"
"-É preciso perguntar? Esse cabelo é difícil de esquecer, já para não falar…"
"-Chega!" – Cortou – "Eu não quero ouvir mais nada." – Disse irritada tirando a máscara dos olhos e levantando-se da cama.
"-Hei! Qual é a pressa? Da última vez que te vi não estavas assim tão ansiosa para ir embora."
"-Da última vez que eu te vi disseste que ias para Nova York. Espero que tenha sido uma boa viagem."
"-Um ano em Nova York não faz mal a ninguém." – Disse calmamente sentando-se no sitio onde ela estivera segundos antes – "E tu? Tiveste um ano animado?"
"-Sabes, eu não tenho de te ouvir."
"-E no entanto ainda não foste embora."
"-Tens de ser sempre tão irritante?"
"-Tens de ser sempre tão escorregadia no que toca a perguntas?"
"-Não foi um bom ano, ok?" – Desabafou, descruzando os braços que nem tinha percebido cruzar – "Eu casei, mas como vez não foi lá um grande negócio."
"-Eu sei, vi o Potter lá fora. Com uma cicatriz daquele tamanho nem uma máscara de cara inteira ele passava desapercebido."
"-O que é que tu estás a fazer num sítio destes? Não é muito baixo nível para um Malfoy?"
"-E para uma Potter?"
"-Vais parar com a conversa ou vou ter de trocar de quarto?" – Perguntou irritada.
Ele levantou-se da cama e caminhou até ela olhando-a daquela forma que a arrepiava. Era daquele olhar que sentia falta, daquele desejo, daquele toque quente dele, do perfume e principalmente dos beijos. E era aquilo que ela tinha tentado esquecer durante todo o ano, aquela sensação maravilhosa de se sentir completamente indispensável e desejada. Era por tudo aquilo que ela impedia qualquer um de mencionar a viagem a Paris e muito menos o nome dele. E agora o que mais quisera esquecer estava ali, bem na sua frente.
Tremeu quando ele a ergueu segurando-a pela cintura e a beijou com violência. Cruzou as pernas em torno dele e mal deu conta quando as suas unhas se cravaram no pescoço dele tornando o beijo ainda mais luxurioso. O corpo do loiro prensava o seu de forma necessitada e as mãos, que a seguravam, iam puxando o vestido cada vez mais para cima.
"-Pensei que um ano te tivesse tornado mais paciente." – Murmurou quando ele lhe beijava o pescoço em direcção ao colo.
Ele parou de a beijar no mesmo instante e olhou-a, depois, e sem que ela esperasse, agarrou-a com mais força e caminhou até à cama deitando-a.
"-Agora vais ter de pedir, com todas as palavras." – Murmurou tocando as coxas dela, por baixo do vestido, com a ponta dos dedos.
Afastou-se dela, deixando-a frustrada, e caminhou até à mesa, sobre o olhar atento da ruiva.
"-O que é isso?"
Ele não respondeu, em vez disso ela viu-o a erguer umas algemas brilhantes e uma taça pequena.
"-Tu não me vais prender com isso." – Avisou.
"-Claro que não." – Respondeu irónico pousando a taça na cama.
Debruçou-se sobre ela, lentamente, tocando o corpo dela da forma mais leve possível. Até o beijo que trocaram era leve, um roçar de lábios provocador. Estava tão concentrada no toque dele que não percebeu as mãos do loiro lentamente a juntar as suas contra o colchão fofo acima das suas cabeças. Porém o barulho metálico foi forte o suficiente para que ela o ouvisse e percebesse que estava não só com as mãos presas uma à outras mas como também presa à cama.
"-Eu disse que…"
"-A chave está em cima da mesa." – Disse beijando-lhe o pescoço à medida que falava – "Queres mesmo que a vá buscar?"
Ela respondeu cruzando as pernas em torno da cintura dele.
"-Tomo isso como um não." – As mãos dele tocavam as coxas dela, levemente, decidido a provocá-la.
Não demorou muito para que sentisse a respiração dela apressada, num crescente de excitação. Era tão fácil deixa-la assim, completamente rendida, totalmente excitada.
"-O que é que eu vou fazer contigo agora?" – Perguntou com um sorriso que a fez arrepiar.
"-O que quiseres."
"-Eu disse que tinhas de pedir, com todas as palavras."
"-Tira o meu vestido, está a incomodar-me."
Ele sorriu de novo, aquele era um vestido verdadeiramente incómodo no momento. Abriu o ziper lateral lentamente, aproveitando para tocar o corpo dela. Via a impaciência espelhada na face da ruiva, frustrada pela demora. Tocava-a sem pressas com os lábios e com as pontas dos dedos, o pescoço, os seios, o ventre e o interior das coxas.
Observou-o atentamente, enquanto ele se sentava e alcançava a taça que tinha pousado na cama minutos antes.
"-Fecha os olhos." – Pediu, pedido que ela aceitou sem contestar.
Sentiu o corpo dele a debruçar-se sobre o seu, e a respiração dele forte no seu pescoço, aumentando a sua ansiedade. E foi quando sentiu, algo quente e suave a tocar o seu pescoço seguido da boca dele, beijando, lambendo e trincando levemente a sua pele. Abriu os olhos, curiosa, ao mesmo tempo que sentiu os lábios dele sobre os seus. Era um beijo lento, suave e principalmente doce, doce como o chocolate. Quando o beijo terminou ela teve oportunidade de ver o morango que ele segurava, totalmente coberto de chocolate, que usava para espalhar sobre o seu colo.
"-O que achas deste corpete?" – Perguntou passando as mãos no corpo dela, já sem segurar o morango.
"-Apertado, imensamente apertado." – Olhou-o esperando que ele tomasse a iniciativa a livrasse do corpete vermelho – "Tira-o." – Ordenou, percebendo que ele não faria nada que não lhe pedisse.
Ele colocou o morango de volta na taça, sem nunca desviar o olhar do dela, e começou lentamente a tirar-lhe o corpete. Nunca imaginou conseguir reunir tanto a sua concentração e atrasar tanto os seus movimentos. Nunca imaginou demorar tanto a desfazer os delicados laços de seda que prendiam as laterais do corpete dela. Nunca imaginou poder resistir-lhe por tanto tempo.
"-E o que vai ser agora?" – Perguntou enquanto atirava o corpete para trás das costas.
"-Quero que me soltes destas algemas." – Disse com a voz trémula, ao sentir os beijos dele no seu ventre.
Ele afastou-se, lentamente, fazendo-a respirar fundo e arrepender-se de lhe ter pedido para a soltar. Ele caminhou até à mesa, onde estava a pequena chave brilhante, demorando mais tempo do que ela podia imaginar.
Ele parou em frente da cama, olhando para ela seriamente, brincando com a chave pequena entre os dedos.
"-Estás à espera de quê?"
"-Que o digas."
"-Tira-me as algemas e no caminho despe a camisa."
Ele riu e debruçou-se sobre ela sussurrando:
"-Não, tu vais fazer isso, assim que eu te soltar."
Ela sorriu, principalmente por sentir as suas mãos livres. Assim que pode alcançou os botões da camisa dele e abriu-os um por um, demorando o máximo tempo que conseguiu – não foi muito, porque estava mais ansiosa do que imaginava.
"-E depois eu é que sou o apressado."
Ela sorriu antes de o beijar. Não precisava de o mandar corresponder, ou de o mandar tocar-lhe, essa fase estava esquecida, tal como as algemas em cima da cama. Agora ele estava tão ansioso quanto ela.
Rapidamente as roupas estavam espalhadas, tanto na cama como no chão, e os corpos colados um ao outro.
Ele moveu-se lentamente sobre ela, unindo os dois corpos.
Não se preocupavam em ser carinhosos, não quando sentir o corpo um do outro estava em questão. Os gestos e os movimentos eram bruscos e apressados e os beijos eram carregados de luxúria.
Ele parou de se movimentar, abruptamente, e a resposta inicial dela foi apertar os lençóis de seda com mais força, fazendo-os escorregar entre os dedos.
"-Eu… não me… esqueci." – Murmurou ele ofegante ao ouvido dela.
Ela sentia o prazer e a tensão acumulados até ali a desvanecerem-se rapidamente.
"-Pede." – Disse num suspiro, fazendo-a tremer.
E ela assim o fez. Lentamente, e o melhor que pode, enrolou as pernas em torno da cintura dele e sussurrou-lhe que continuasse.
Ele respondeu. Movimentou-se, porém muito mais devagar do que esperou.
"-Podes…?" –Ele movimentou-se mais rápido, mas só por segundos, retomando o ritmo lento logo em seguida – "… mais…depressa…"
E acedendo ao pedido ofegante dela, o loiro aumentou o seu ritmo. Sentiu a tensão a crescer de novo, como uma onda que avançava pelo seu corpo, e dentro de pouco tempo, com um gemido suprimido contra o ombro dele e as unhas cravadas no seu pescoço, chegou ao clímax.
Agora que os corpos estavam separados, mas ainda enroscados um no outro, a sua respiração parecia não querer abrandar. Talvez fosse o efeito dos movimentos suaves que ele fazia com a ponta dos dedos em torno do seu umbigo.
Inspirou profundamente uma última vez, a sua respiração estava agora – finalmente – calma.
"-Onde vais?" – Ouviu-o perguntar.
Não lhe respondeu, continuou apenas a vestir-se. Ele esticou-se na cama, e sem se levantar puxou-a pelo braço.
"-Não gosto de falar sozinho. Perguntei onde vais."
"-Embora."
Ele lançou-lhe um olhar estranho, a sobrancelha erguida em interrogação.
"-Não esperavas que eu ficasse aqui a noite toda pois não?" – Perguntou retoricamente, abrindo a porta do quarto.
"-Quer dizer que isto é uma despedida então."
"-Despedida?"
"-Não esperavas que eu ficasse para sempre pois não?" - Disse ironicamente – "Vou voltar para Nova York." – Disse calmamente – "Tenho negócios pendentes lá." – Concluiu em forma de justificação.
"-Não precisas de justificar, afinal só dormimos juntos 3 vezes." – Respondeu saindo do quarto em seguida.
Podia ter voltado para trás, vontade não foi o que lhe faltou, mas não o fez. O seu orgulho era muito mais forte que toda a vontade que tinha. Ainda foi capaz de ouvir um baque surdo na madeira e depois um distante urro de dor – tinha a certeza que ele tinha acabado de esmurrar a mesinha de cabeceira.
. . . &&&&& . . .
"-E que tal Gin-Gin?"
A ruiva ignorou a pergunta continuando a comer o gelado de chocolate enorme que tinha à sua frente.
"-Ginevra Weasley Potter!" – Chamou – "Estou a falar contigo!"
"-Disseste alguma coisa?" – Perguntou erguendo os olhos e encarando a amiga.
"-Como foi ontem?"
"-Ontem…Ora Luna! O que queres que diga?!"
"-Como é que ele era? Foi bom? O que é que o Harry achou?"
"-Não faço ideia do que o Harry achou, não falo com ele desde ontem à noite."
"-E o resto, como é que foi?"
"-Não te vou contar como foi!"
"-Oh… Diz-me ao menos, ele era bom?"
"-Não vou contar." – Disse com um sorriso. Adorava ver Luna curiosa.
"-Tu vais contar-me, não agora, nem mais logo, mas vais contar-me!"
"-Talvez conte."
"-Se não contares não digo algo que tinha para te dizer."
"-Não tens nada para me contar, dizes isso só para me provocar."
"-Nunca vais saber Ginny."
Luna era curiosa, mas ela era muito mais!
"-Ok, ok. Ela era bom. Agora o que é que me ias contar?!"
"-Não adivinhas quem o Blaise viu ontem!"
"-Onde?"
"-No Swing! Vou dar-te uma pista, tem camisas mais caras que todo o nosso guarda-roupa." – Ao ver a confusão da amiga continuou – "E um cabelo que mais loiro é impossível."
Ela sabia perfeitamente de quem a amiga estava a falar, era apenas mais cómodo fazê-la pensar que não.
"-Não faço ideia Luna."
"-O Malfoy! O Draco Malfoy estava lá!"
"-No Swing?!"- Disse com espanto fingido – "O que raio estava ele lá fazer?"
"-O Blaise não sabe, não lhe falou. Mas tinha a certeza que era ele."
"-Não fazia ideia que ele tinha voltado. A última vez que soube dele, estava a caminho de Nova York."
"-O Blaise já me tinha falado sobre o retorno dele… Não te disse nada porque…"
"-Eu não tinha interesse em saber!"
"-Vais procurá-lo?"
"-Não sei se já te contei, mas eu sou casada."
"-E depois? Ontem também eras casada! Não tem mal se o procurares para um almoço ou um jantar ou…"
"-Chega Luna!"
"-Eu ia dizer uma conversa! Então vais ter com ele ou não?"
"-Algo me diz que ele não vai estar disponível para mim durante algum tempo." – Respondeu levantando-se da cadeira e pegando em todas os sacos de compras a seu lado.
"-Hei Gin! O que queres dizer com isso?"
"-Nada… só um pressentimento." – Concluiu deixando a amiga ainda mais curiosa do que antes.
Luna saberia do que falava Ginevra se tivesse olhado com mais atenção para as montras das lojas à sua volta. Numa das muitas lojas que se apresentavam dos dois lados a rua um cartaz anunciava a capa do próximo número de uma dessas revistas para adolescentes: "Draco Malfoy confirma: viagem a Nova York terá regresso em breve."
. . . &&&&& . . .
Luna tentou insistir durante algum tempo na ideia de que Ginny deveria vivamente continuar a fazer swing. Mas a ruiva não o tornou a fazer, não via aspecto positivo nenhum nessa situação.
A vida de Ginevra não melhorou muito durante os meses que se seguiram. O seu contacto com Harry era cada vez mais reduzido, eram poucas as vezes que se encontravam e quando isso acontecia eles explodiam numa discussão violenta e ficavam sem se ver durante uma semana.
"-Eu acho que devíamos desistir." – Disse pesadamente deitando-se ao lado dele na cama. Não fazia sequer meia hora que tinham tido uma das já famosas discussões. Naquela noite, porém, ele não tinha saído de casa com uma batida forte da porta da rua.
"-Desistir do quê Ginevra?"
"-De tentar fazer com que este casamento resulte Harry. Eu sei que tu não queres mais e tu sabes que eu também já não desejo isto."
"-Não sei do que falas mas…"
"-Harry…" – Suspirou – "Eu adoro-te, juro que sim, mas isto já não é um casamento, nós já não nos amamos e…"
"-Mas eu…"
"-Quando foi a última vez que jantámos juntos? Quando foi a última vez que tivemos uma conversa decente? Quando foi a última vez que fizemos amor?"
"-Sabes bem que trabalho muito e…"
"-Faz uma hora que chegaste a casa e desde então já discutimos 3 vezes. E esta conversa que estamos a ter agora é a primeira decente destas duas semanas. Antes desta falámos sobre nascimento do Zach. Como é que é possível não saberes que os teus dois melhores amigos tinham acabado de ter um filho?"
Harry suspirou. Ginevra sabia que ele não fazia intencionalmente, mas cada vez mais ele se afastava do mundo que fora o seu, esquecendo-se não só dela, como de Ron e Hermione.
"-O meu trabalho… eu prometo que…"
"-Vamos fazer pela primeira vez uma coisa sem discutirmos?"
"-O que vão dizer quando souberem que nós…?"
"-Dizes às revistas que houve um conflito de interesses no nosso casamento. Eles não precisam saber mais nada."
"-Tens a certeza que é isto que queres?"
"-É isto que acho correcto." – Admitiu.
Podia não ser a mulher mais feliz do mundo, mas custava-lhe separar-se definitivamente do homem que amara durante tanto tempo.
. . . &&&&& . . .
"-Tu o quê?!" – perguntou Luna aparentemente escandalizada.
"-Pedi o divorcio."
"-Mas o que é que o Harry disse? Ele não concordou, pois não?"
"-Claro que concordou! Porque não havia de o fazer?"
"-O que vão dizer as revistas quando vocês se separarem?" – Perguntou seriamente, fazendo a amiga rir.
"-Sinceramente, eu suporto o que possam dizer. Continuar casada com Harry já não era uma opção."
"-E o que vais fazer agora?"
"-Vou voltar ao meu antigo apartamento e vou refazer a minha vida."
"-Pareces convicta." – Disse com um sorriso – "Que tal uma noite de swing para comemorar?"
"-Eu não vou voltar ao swing Luna. Mas se quiseres podemos sair só nós as duas."
"-Antes disso, vamos a um brinde. À tua nova vida, cheia de homens e outras coisas boas!" – Disse sorridente chocando o seu copo com o da ruiva.
"-E viva à mudança!" – Concluiu, sem mesmo sonhar com a mudança que estava para acontecer, que ia virar a sua vida de cabeça para baixo.
Continua…
N/A: Fic escrita para o II Challenge 1ª Vez - A capa está no meu Photobucket, e as respostas aos comentários no Profile.
Próximo capítulo em breve : )
Kika Felton
21/02/2007
