von nun an

Ostseite.

Gilbert sorriu. A cena era tão arrebatadora que nem ele poderia ter imaginado melhor.

Ele não sorria. Gilbert sabia que não sorriria, e isso o fez sorrir mais. Não seu sorriso predatório cheio de dentes, mas o sorriso que só ele o fazia sorrir.

- West.

Desceu um joelho ao chão. Ludwig já não era tão pequeno, e seus olhos ficaram abaixo dos dele. O mais velho não se importou. Fechou as pálpebras e baixou a cabeça. Era hoje o dia.

-Glückwünsche. Mein Reich.

Ergueu seus olhos. Não precisou procurar; Os olhos cor de céu, um pouco sérios demais para uma criança, estavam fixo nos seus. Elevou suas mãos, e, brevemente, o contato visual foi interrompido, mas nenhum deles desviou o olhar. E então, não porque quisesse gerar alguma solenidade, mas porque o momento era deveras solene por si só, o garoto baixou lentamente o rosto.

No topo de sua cabeça, Gilbert depositou a coroa sobre os fios louros e finos.

Vieram as palmas. Vieram os brados. Veio a ovação de todos presentes na câmara, mãos, chapéus, sabres levantados acima das cabeças. O aplauso ribombou no salão e ecoou pelo Palácio como se quisesse se fazer audível em toda França, e chegar até Berlim.

Ludwig e Gilbert, porém, pareciam não ouvir a comoção.

De certo que ouviam. Era impossível não ouvir. Mas eles não se importavam.

O motivo pelo qual aquelas pessoas se emocionavam pouco tinha a ver com eles, embora devesse ter. A razão pela qual se olhavam nos olhos sem sequer piscar não pertencia à esfera dos outros presentes. Talvez aquela pequena multidão tivesse o dever de entender, esperava-se que entendessem. Mas aqueles eram humanos, seres com vida curta, não insignificante, mas curta demais para entender, para que seus olhos enxergassem o que só gerações seguintes compreenderiam, se chegassem a compreender.

Aquela não era uma dimensão visível a olhos que só assistiriam a passagem de algumas décadas antes de voltarem ao pó.

Estavam sozinhos na Galeria dos Espelhos no Palácio de Versalhes. A dezoito de Janeiro de 1871, seu próprio aniversário, Gilbert coroou Ludwig Reich.

O prussiano tomou a mão de seu irmão mais novo, que doravante poderia se apresentar como "alemão". Baixou o rosto e as pálpebras, em um deliberadamente claro gesto de submissão:

-Ich bin dein, mein Kaiser.

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Menções históricas do capítulo:

Consolidação do Império Alemão como estado-nação.

Coroação de Guilherme I, Rei da Prússia, primeiro Kaiser, em 18 de Janeiro de 1871, no Palácio de Versalhes.

Mais uma vez: são menções extremamente vagas, releiam o warning.

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Notas da Autora:

Von nun an – a partir de hoje

Glückwünsche. Mein Reich. – Parabéns. Meu Império

Ich bin dein, mein Kaiser. – Eu sou seu, meu Imperador.

Créditos: Go*gle translator.

Comentários. "Kaiser" ficou fora do lugar, mas eu não queria usar "Reich" de novo. Qualquer alemão que o go*gle não retraduza é culpa do corretor automático do W*rd.

Esses irmãos precisam de mais amor no fandom. Falando em fandom, fandom spoilers à vista.

Aliás, no horizonte ainda despontam alguns capítulos, mas vocês sabem, né. A autora é inconstante. Mas a perspectiva é de fics centradas em Gil e Lud, vagamente seqüenciais (em algum sentido da palavra).

REVIEWS? EU QUERO!

Sério, gente, eu sou carente e não mordo.