Capítulo 2 –Uma nova chance
Toc-toc. Gina ergueu a cabeça para a porta e viu sua mãe entrar. Ela tinha os olhos vermelhos, com certeza passara as últimas semanas chorando, aflita. Assim que entrou no quarto e viu a filha acordada, aparentemente sadia, correu para abraçar-lhe fortemente, um sorriso iluminando todo o rosto. Dos olhos começaram a cair novas lágrimas, mas dessa vez de pura alegria.
- Gina, minha querida, você está viva! – ela apertava a filha com força, e apesar de sentir-se um pouco sufocada , Gina não reclamou. Era maravilhoso demais poder estar de volta à segurança do colo da mãe – Como você está, meu bem?! Oh, eu senti tanto medo!
- Tudo bem, mãe. Está tudo bem agora – Gina respondeu serena, mas sentindo um leve aperto no peito – Onde estão os outros? Papai, meus irmãos? Por que não vieram com você?
- Seu pai está lá fora com Gui e os gêmeos, esperando. O medi-bruxo achou que seria melhor entrar apenas eu primeiro, você podia estar sonolenta ainda. – explicou a Sra. Weasley – Carlinhos precisou ir a Hogwarts levar algumas notícias, mas ainda hoje está de volta. E Rony foi pegar Hermione em casa, ela exigiu que lhe avisassem assim que você acordasse, talvez até já tenham chegado...
E então o olhar da Sra. Weasley se perdeu, mas Gina sabia exatamente por quê. Estava faltando ela falar de um de seus irmãos, mas esse ela sabia que não apareceria de forma alguma. Percy Weasley havia morrido poucos dias antes da batalha final. Depois de tantas lutas e idiotices de sua parte, havia finalmente percebido de que lado devia ter ficado desde o começo. O lado do seu pai, da sua família. Mas, sem ele perceber, a coisa tinha ido longe demais e ele tinha se envolvido com comensais. Não podia voltar, eles iam matar seu pai. Então, em um ato de coragem, ele entregou alguns comensais importantes, apresentando-se para morrer na armadilha que haviam armado para Arthur Weasley.
Aquele foi um choque terrível para toda a família, e Gina sabia que seria uma ferida muito difícil de sarar. Seu coração também doeu com essa lembrança, e ela não pôde deixar de pensar que em breve estaria se juntando a ele, em algum outro lugar. Perguntou-se como sua mãe iria agüentar aquela dor novamente...
- Harry esteve aqui todos os dias desde que obteve alta – a Sra. Weasley voltou a falar, fazendo Gina sobressaltar-se – Ele passou uns quatro dias desacordado também, estava muito ferido. O esforço que o pobrezinho fez naquele dia foi muito além das forças que possuía. Os medi-bruxos dizem é um milagre ele ter se salvado, pois o tamanho de poder que ele usou parecia ser muito além do dele mesmo, e esse excesso devia tê-lo matado. Alguns órgãos foram afetados, ele ainda está convalescendo, mas graças a Merlim o perigo maior já passou. Você precisava ver o estado do coitadinho durante as últimas semanas, Gi! Estava pálido, magro, não podia fazer quase nada, tinha que ficar descansando na cama. Sentia muitas dores, e só falava para perguntar de você. Estava tão preocupado... Recebeu alta há três dias, mas quem disse que queria ir embora? Lupin precisou arrastar-lhe a força para casa, e está lá cuidando dele com Tonks. Mas ele exige vir aqui todos os dias, para lhe ver. Mesmo sem poder, ele vem.
Gina escutou tudo aquilo sem olhar para a mãe. Ainda não havia parado pra pensar em Harry... E ao sentir seu coração espremer-se, aquela vontade enorme de chorar, entendeu por que. Ela não sabia se conseguiria vê-lo novamente. Nem ao menos perguntara ao medi-bruxo por ele, pois achou que não fosse agüentar. Ela não queria saber dele, não poderia. Ela já havia se despedido dele uma vez, estivera pronta pra entregar sua vida para salvar a dele. Mas não agüentaria ter que repetir tudo de novo. E ele faria perguntas, perguntas que ela temia responder.
A garota respirou fundo, tentando espantar as lágrimas. Olhou para a mãe, tentando pensar num plano. Ela não podia dizer simplesmente que não queria vê-lo. Ninguém entenderia, ele não aceitaria. E sob hipótese nenhuma pretendia contar que estava com os dias contados. Suspirou... Aquilo ia ser doloroso demais para ela.
Por que ganhara mais aqueles seis meses de vida? Essa era a pergunta que não saía de sua mente. Aquilo não estava certo, ela conhecia bem as condições. O que teria dado errado? Ou... certo?! Ela estava muito confusa.
- Você está bem, querida? – perguntou sua mãe preocupada – Parece-me que ficou um pouco abatida...
- Tudo bem, mãe – ela forçou um sorriso – Só fiquei um pouco tonta, mas já passou. Talvez seja um pouco de fome, não me deram nada ainda pra comer aqui. E este lugar é um pouco deprimente, não acha? Creio que um pouco mais de gente me faria bem... Por que não chama o resto do pessoal para entrar? Estou com tantas saudades!
Aquilo animou a Sra. Weasley, que fez questão de ir em pessoa providenciar a alimentação da filha. As enfermeiras tentaram explicar que a menina estava frágil e que não poderia se exceder, mas a mulher estava decidida a dar-lhe uma refeição reforçada. Como iria ficar mais forte se não comesse? Gina riu com toda aquela preocupação, e aquele simples gesto fez seus pensamentos relaxarem. Ela que pensara que jamais sorrira novamente!...
Comer também ajudou bastante, realmente estava precisando. Começava a sentir-se mais forte, saudável. Ah! Ela não sabia se devia se empolgar com aquela perspectiva... Mas enquanto se alimentava, não pode evitar. Ela estava viva, afinal!
- Hum... Agora sim está mais coradinha! – comemorou a Sra. Weasley – Acho que já posso chamar seu pai, ele está a ponto de invadir esse quarto mesmo.
- Sim, sim! Mande-o entrar, e meus irmãos também! Quero ver todos!
- Acalme-se, mocinha! Vou chamar seu pai primeiro. Não sei se é uma boa idéia virem todos de uma vez, vai acabar virando bagunça, e a senhorita ainda não está em condições! E nada de bico, vou chamar Artur!
Gina fez uma careta, mas não insistiu. Era melhor não contrariar a mão, ou então nem mesmo o pai ela veria! Mas ele entrou, e ela sentiu uma enorme alegria ao vê-lo novamente. Ele parecia um tanto mais velho do que a última vez em que se viram, porém o sorriso que abriu ao olhar para a filha fez a diferença ficar quase imperceptível. E Gina sentiu-se tão mais tranqüila ao ver-se presa no abraço quentinho do pai!
Eles ficaram por alguns minutos assim, grudados, ele querendo saber exatamente como ela se sentia, se precisava de alguma coisa. Todo aquele mimo fez muito bem a Gina, que ia melhorando o ânimo.
Mas, infelizmente, tudo aquilo durou muito pouco, pois foram interrompidos pelo medi-bruxo, dizendo que a garota precisava descansar. Os Weasleys saíram meio a contra-gosto, mas prometeram voltar pela manhã, dessa vez com todos os outros. Gina sorriu animada e deitou-se na cama, observando o que o medi-bruxo, que continuava no quarto, fazia.
- Então, como se sente? – ele perguntou, aproximando-se com a varinha em mãos.
- Sinto-me ótima – respondeu com sinceridade.
Ele a encarou significativamente e passou a varinha por sobre o corpo da garota. Ela fechou os olhos, pois sentiu algo quente dentro de sua circulação. Aquela sensação lhe deu conforto e deixou-a sonolenta. Com um pouco de esforço, abriu os olhos e olhou para o homem a sua frente.
- Você continua do mesmo jeito... – ele disse – Sua situação é meio estável, porém ao mesmo tempo degradante... Não sei explicar, nunca vi nada igual.
- Quando poderei voltar pra casa? – Gina perguntou após alguns instantes, os olhos semi-abertos.
- Daqui a uns dois ou três dias... Mas pedirei para que volte ao menos uma vez por semana, quero acompanhar de perto o seu caso. Agora descanse.
Gina assentiu e fechou os olhos. Ela voltaria pra casa, voltaria para sua vida... Mas nada poderia ser como antes, porque ela sabia exatamente o dia em que tudo iria acabar. Ela não podia simplesmente voltar e fazer todos se reacostumarem com sua presença, para depois fazê-los sofrer de novo. Mas ao mesmo tempo ela não podia desperdiçar aquela oportunidade de ver todos novamente, de se despedir direitinho... Ela iria aproveitar até quando sua saúde permitisse, e então desapareceria antes que pudesse fazer todos sofrerem demais.
Ela só não sabia o que fazer quanto ao Harry... Harry... Onde ele estaria nesse momento? Será que estava bem? Sua mãe dissera que ele havia ficado muito machucado... Tadinho. Sentia tanta falta dele! Do seu cheiro, do seu beijo, do seu corpo… Mas ao mesmo tempo temia o reencontro, as perguntas, o novo adeus...
- Harry...
No dia seguinte, Gina acordou bem humorada, havia tido uma boa noite de sono, sem sonhos nem nada. Logo que abriu os olhos, encontrou sua mãe a sua espera, parecendo bem feliz.
- O Dr. Yûgi permitiu que os outros entrassem – informou enquanto Gina comia o desjejum – Já estão todos aí fora, inclusive Carlinhos, ansiosos para lhe ver.
- E o que está esperando, mamãe? Mande-os entrar, por favor!
- Primeiro, termine de comer!
O que Gina fez prontamente. Comeu tudo e se arrumou para receber seus irmãos. Estava ansiosa, fazia tempo que não os via, principalmente Gui e Carlinhos. Seu coração pulou agitado ao escutar a batida na porta.
Na frente entraram os gêmeos, pomposos e sorridentes como sempre. Cada um estava usando um chapéu cheio de plumas coloridas, que não paravam de se mexer e formar desenhos estranhos. No nariz, usavam duas bolas vermelhas como as dos palhaços trouxas, com a diferença de que, se você a apertasse, da sua boca sairiam sons de animais.
- Giiiii!!!! – gritou Fred, aproximando-se da irmã. No rosto, algumas cicatrizes deixavam clara a sua identidade agora – Que saudades sentimos de você! Está bem? Não se preocupe, nós chegamos, e garanto que você não precisa de remédio melhor do que uma dose de gêmeos Wealey, agora na versão "quase" identicos!
- Não mesmo! – concordou Jorge abraçando a garota e apertando seu nariz, que o fez produzir um som de pato, arrancando risos da garota – Veja que eficiência! Já está funcionando, olhe que sorriso mais bonito!
A Sra. Weasley franziu a testa e parecia prestes a brigar quando Rony apareceu na porta. Continuava desengonçado como sempre, e ao ver a irmã deitada na cama, suas orelhas coraram. Aproximou-se devagar, e ela lhe abriu os braços.
- Eu estou bem, Rony, não precisa mais se preocupar – ela falou enquanto ele a apertava sem jeito. Mesmo depois de tudo, ela ainda podia sentir o que o irmão queria falar sem precisar escutar suas palavras. Ela o conhecia muito bem, e estava feliz de ter podido voltar. Teria mais seis meses para se certificar de que ele ficaria bem quando ela fosse embora.
Por fim, mais dois rostos apareceram na porta. Primeiro veio Carlinhos, que possuía uma fina cicatriz na bochecha, que chegava perto do olho, e estava com a barba por fazer. Ao seu lado estava Gui, que surpreendeu Gina. Ele havia cortado os cabelos bem curtinhos, e agora os usava espetados para cima. Seu rosto estava sério, e de seu olho esquerdo não exalava mais nenhum brilho, pois no lugar só havia agora uma falsa bola de vidro. Mesmo assim, de uma forma séria e um pouco triste, ele nunca estivera tão bonito e atraente.
- Gininhaaaa!! – Carlinhos se aproximou, passando a mão com marcas de queimadura pela cabeça da irmã, assanhando-os um pouco.
- Carlinhos! – Gina repreendeu com uma careta, mas aceitou o abraço que veio em seguida.
- Nossa... Já vi que continua a mesma menina braba de sempre – disse Gui com carinho e com um sorriso que não lhe chegou aos olhos – Será que nem depois de tudo que passou a extressadinha Weasley amoleceu?
- Oh, Gui! – Gina afundou nos braços do irmão mais velho e o apertou com força.
Passaram-se alguns segundos assim, com a família inteira em silênco, admirando aquela cena. Enquanto se abraçavam, lágrimas silenciosas escorreram dos olhos de ambos. Gina sabia exatamente por que: na guerra, Gui havia perdido muito mais que um olho, ele havia perdido também alguém muito importante para ele. Além do irmão que havia morrido dias antes, ele foi obrigado a assistir à sua amada, Fleur Delacour, morrer sem poder fazer nada. Eles haviam sido encurralados em uma das bases de ação da Ordem da Fênix e, para torturá-lo, machucaram Fleur até a morte. A ajuda só chegou tarde demais, não puderam salvá-la.
- Como você está, Gi? – ele perguntou ainda abraçado a ela – Tive tanto medo que você morresse também!
- Eu estou ótima, Gui – ela respondeu sorridente – Mas e você, irmãozão? Como está?
Provavelmente porque toda a família mantinha o olhar grudado nos dois, Gui se afastou e afirmou estar bem também, estava feliz por vê-la viva e saudável. Gina sorriu-lhe de forma reconfortante, e deu graças a Merlim por ter mais aqueles seis meses pela frente. Só assim poderia ajudar o irmão e impedi-lo de estragar sua vida.
Aquele dia passou rapidamente, para alívio de Gina, que não via hora de sair do hospital. Recebeu notícias de vários amigos, todos felizes por ela ter acordado e que desejando uma boa recuperação. Para o seu alívio, ou pelo menos assim ela achava, ninguém tinha notícias de Harry ou falava nele, a não ser Hermione, que a visitou no final daquela tarde.
- É tão bom ver você assim, Gina – ela dizia – Tão viva, alegre... Mas parece que está escondendo alguma coisa, estou errada?
- Creio que sim, Mione – disfarçou Gina da melhor forma que pôde. Não podia negar que não espera uma atitude daquelas da amiga, ela era esperta. Antes da batalha final, ela insistira em saber como ela tinha certeza de que o Lorde seria derrotado, e por que agia tão estranho. Mas como antes, não podia se abrir com ninguém quanto a isso. Hermione era uma excelente amiga, mas se preocupava demais, e era ainda mais amiga de Rony e Harry. Ela não poderia manter-se quieta se soubesse...
- Estou surpresa por você ainda não ter perguntado pelo Harry – ela disse de repente, levantando-se e observando a garota bem de perto – Fui visitá-lo antes de vir para cá. Ele está bem ansioso para te ver, mas Tonks está prendendo-o em casa. Ela sabia que ele tentaria vir vê-la, por isso está marcando em cima. Você tem que ver... a Tonks, com aquele barrigão, cuidando do Harry... Quem diria? Mas ele me pediu para avisar que está morrendo de saudades, e que dará um jeito de vir vê-la.
Gina ficou calada e baixou os olhos. Ela também estava morrendo de saudades, mas ainda não havia decidido o que faria quanto a ele. Este era o único ponto sobre o qual ainda decidira se havia sido bom ou não voltar. Para sua sorte, naquele momento o medi-bruxo entrou, avisando que o horário de visitas havia acabado.
No dia seguinte, Harry não apareceu, nem ninguém mais lhe transmitiu qualquer recado. Não sabia por que faziam isso, mas estava agradecida. Só assim ela não precisava pensar nem temer o reencontro. Quando acontecesse, ela veria o que podia fazer.
Mas, ao contrário do que ela esperava, esse encontro aconteceu cedo demais. Era sua última noite no hospital, tinha ido dormir tranqüila, mas algo perturbou seu sono. Devia estar no meio da madrugada, quando abriu os olhos e se viu naquela semi-escuridão. Apenas as estrelas traziam, pela janela, alguma luminosidade ao quarto.
Gina piscou os olhos e tentou lembrar por que acordara. Um barulho... Olhou para o lado e escutou novamente, havia um vulto no meio da escuridão. Assustada, falou com a voz trêmula:
- Tem alguém aí?
Ela mais sentiu do que viu o vulto parar. Ele parecia dirigir-se para a porta, quando voltou e aproximou-se da cama. Estando bem próximo quando apareceu em baixo de uma fina faixa luz, e Gina pôde reconhecer seu rosto.
- Harry! – ela exclamou em um grito abafado, levando as mãos à boca.
O garoto estava magro, um tanto pálido e ofegante. Chegou bem perto da cama, pegou a mão da garota e a beijou de leve, como se para acreditar que estava tocando-a de verdade. Gina permanecia estática, os olhos arregalados e o coração batendo acelerado. Ele estava ali! E agora, o que ela iria fazer?!
- Gina... Você está viva! – ele começou devagar, os olhos brilhando com as lágrimas que se formavam – Ah, Gina. Eu tive tanto medo de te perder! – e ele avançou, passando os braços em torno da garota e apertando-a com força.
Naquele momento, Gina perdeu todo o medo, esqueceu todas as preocupações que a atormentavam nos últimos dias. Ela estava de volta aos braços de Harry Potter, seu amado. A felicidade era grande demais para ser traduzida. E ela que pensara que jamais teria essa alegria de novo! Mas ela estava viva, viva para aproveitar mais seis longos meses ao lado dele...
- Harry! – ela falou finalmente, a boca salgada de lágrimas – Harry, o que você está fazendo aqui?
- Eu precisava ver com meus próprios olhos... – ele respondeu acariciando-lhe o rosto - Eu precisava ter certeza de que você estava viva, bem... Não queriam me deixar vir, mas eu saí escondido. Não posso ficar muito tempo, mas eu tinha que te tocar... Eu tinha que te sentir viva mais uma vez.
- Harry, seu louco! Você parece tão cansado, me disseram que ficou muito ferido... Não devia se esforçar assim! – ela disse olhando-o nos olhos, sentindo a magia daquele verde lhe envolver mais uma vez e quase sem perceber sob a luz fraca os arranhões que ele ainda apresentava pelo corpo – Harry... Senti tanta falta sua!
E a garota encontrou o rosto nos ombros do rapaz, que estremeceu um pouco, mas acariciou de leve seus cabelos. Por vários segundos, eles ficaram naquela posição, embriagados com o cheiro um do outro, sentido o calor provocado pela proximidade dos corpos. Devagar, Gina foi levando a cabeça, ficando cara a cara com o rapaz. Suas respirações estavam aceleradas, cada gesto emanava saudades e desejo. Foram se aproximando mais e mais, explorando com os olhos cada centímetro do rosto do outro, como se para se certificar de que era real mesmo. Até que, finalmente, os lábios se encontraram, e as línguas roçaram em um beijo aguardado, que encheu de alegria aqueles corações.
- Acabou, Gina... – Harry suspirou em seu ouvido – A guerra acabou, nós vencemos. Agora não existe nada que possa atrapalhar nosso amor... Estamos livres, livres pra nos amar e sermos felizes. Juntos, pra sempre.
Gina fechou os olhos e deixou aquelas palavras ecoarem em sua cabeça. Juntos... Sim, juntos, mas não pra sempre...
- Mas você se arriscou demais, Gi... – Harry continuou – Você jamais deveria ter sido exposta a tanto perigo. Não poderia me perdoar se você tivesse realmente morrido... Perdoe-me por tê-la feito sofrer tanto. E deixe-me compensar por todo esse sofrimento, permanecendo ao seu lado.
"Não por muito tempo", ela queria gritar e tirar toda aquela angústia de dentro de si. Mas não podia... Havia acabado de reencontrá-lo, não podia destruir suas esperanças assim. Ainda mais vendo ele ainda debilitado como estava, fazendo todo aquele esforço só para vê-la. Como ela queria poder repetir que iam mesmo ficar juntos pra sempre...
- Sabe, tem algumas coisas que não entendo... Que aconteceram naquela noite, naquela câmara... Minhas lembranças são um pouco vagas, não consigo me lembrar de tudo com clareza – Harry falou pensativo, aterrorizando a garota. Então ele tinha perguntas... Claro que ele as teria! Como ela as responderia?
- Bom, mas tudo bem, não importa mais – ele concluiu com um sorriso, surpreendendo a garota – Já passou, e não quero mesmo lembrar mais disso. Tudo isso agora faz parte do passado, que quero enterrar bem fundo em minha mente. Não quero mais perturbá-la com esse assunto, sei que também não te faz bem lembrar... O importante é que agora estamos juntos, não é?! Você e eu, pra sempre...
O garoto abraçou Gina novamente, e ela deixou as lágrimas rolarem. Ela devia ter imaginado que Harry a entenderia, que não a pressionaria jamais. Ninguém a conhecia tão bem quanto ele. Às vezes tinha certeza de que ele a conhecia melhor do que ela mesma... E era por isso que ela teria que se esforçar demais se quisesse enganá-lo. Porque ela não ficaria ao lado dele pra sempre, e não podia fazê-lo sofrer tanto dali a seis meses. Seria muito difícil, mas ela teria que se separar dele antes, fazê-lo acreditar que não o amava mais, deixá-lo livre para conhecer outra pessoa e ter uma família que durasse de verdade, como ele tanto merecia. Ele já perdera gente demais...
Com um forte aperto no peito, ela levantou a cabeça e sorriu, dizendo:
- É melhor você ir agora, Harry... Podem sentir sua falta, e eu estou muito cansada, preciso dormir para acordar disposta. Não quero me arriscar a ter que passar mais nenhum dia nesse hospital.
- Tudo bem... Eu vou, mas eu volto! Você não vai mais se livrar de mim! Assim que você voltar pra casa, irei fazer uma visita... Montes de visitas... Vou grudar em você daqui pra frente! Aproveitar todos os momentos que recebemos...
E sem dar tempo pra ela raciocinar mais nada, ele a beijou levemente nos lábios e se afastou, afundando da escuridão. Antes de ouvir o clique da porta, Gina teve certeza de que ele sussurrou "Te amo" para ela.
Abraçada ao travesseiro, a garota tentou voltar a dormir. Sua cabeça estava cheia, ela teria muitas tarefas a cumprir nos próximos seis meses: garantir que a família estava bem, assegurar a felicidade de todos e, então, se afastar... Ir embora, para que eles não tenham que sofrer com ela o drama de se saber o dia em que vai morrer.
O mais difícil, sem dúvida, seria afastar-se de Harry. Ele não aceitaria um fora qualquer, iria insistir, Gina sabia. Tudo teria que ser muito bem planejado. Ela sabia a dor que isso provocaria em seu coração, mas não podia estragar a vida dele também. Só esperava que um dia ele a entendesse e a perdoasse por qualquer coisa que viesse a fazer...
- Harry... Perdoe-me, mas não poderemos ficar juntos... Mas saiba que eu te amarei pra sempre... Pra sempre, meu amor – e, com isso, ela adormeceu novamente.
N.A.: Olá! Nem escrevi nada no cap anterior, mas aqui estou finalmente postando a minha fic! Eu a escrevi há uns dois anos, quase, mas nunca tinha terminado, e só havia postado no antigo fórum BD. Mas agora me animei de novo, estou reformulando algumas coisas e finalmente irei postá-la completinha. Espero que gostem
