Como as coisas começaram...

Harvey ficou parado por bastante tempo no meio do escritório de Donna,seus lábios ainda formigavam por causa do beijo que ela lhe deu, demorou alguns segundos até a realidade o atingi-lo e por fim notar que aquilo estava realmente acontecendo e não era um outro sonho.

Ele ainda podia sentir o perfume dela, quase como se ela ainda estivesse alí.

Ele não sabe exatamente o que fez sai-lo do seu estado de estupor,mas quando deu por si já estava fora do escritório dela .
A seguindo como se fosse um ímã.

Quando a encontrou ela já estava no elevador,seus olhos castanhas o encararam mostrando um misto de sentimentos que ele não sabia reconhecer.
Era culpa? Medo? Arrependimento? Ou havia algo a mais?

Ele tentou avançar antes que a porta fechasse,mas já era tarde demais.

Uma sensação de déjà-vu o invadiu o fazendo lembrar de anos atrás quando houve o julgamento simulado e de como as coisas ficaram ruins e bagunçadas naquela época, seu estomago afundou ao constatar que tudo podia piorar outra vez.

A lembrança de Louis gritando com ela exigindo resposta veio em sua mente e o olhar perdido e ferido dela que o fez ter vontade de matar o seu parceiro.

"Você ama Harvey Specter?"

Ela disse que o amava, porém como irmão ou um parente, ela havia garantido para ele naquele época que não estava apaixonada por ele, e ela disse com toda clareza, mas agora depois de todo esse tempo ela o beijara do nada.

Donna Paulsen o beijou e saiu, simples assim, como se fosse a coisa mais normal do mundo.

Uma normalidade que ele poderia se acostumar.

O advogado apertou o botão do elevador com raiva, ele tinha que falar com ela, provavelmente ela iria pra casa ou ir naquele bar que ela costumava frequentar quando se sentia mal e se afundar em bebidas baratas ou talvez ela não fosse para nenhum desses locais,ela com certeza não estava agindo como a Donna usual no momento.

Mas ele precisava alcançá-la, descobrir o que ela quis dizer com "precisava saber" e o quê toda essa situação significava.

Ela tinha as respostas? Ela tinha que as ter, no final ela era Donna e ela sempre sabia de tudo.

Ele estava preste a desistir de esperar o elevador e descer as escadas para tentar chegar até Donna antes de ela sair de vez da empresa e entrar em um táxi quando um som familiar o despertou dos seus próprios pensamentos,demorou alguns segundos até ele notar que era o próprio celular tocando e o pegou um pouco irritado pela interrupção indesejada,foi então quando a realidade dura e pesada o atingiu como se fosse um bloco de concreto jogado contra ele, pois no seu celular o encarava a foto dele com Paula, ambos sorriam para a câmera,ele com o seu sorriso usual,mas o sorriso dela parecia ter algo além como se ela fosse a mulher mais feliz do mundo naquele momento.

Paula.

O nome dela aparecia na tela como se fosse uma enorme acusação e poderia estar escrito com um grande "CULPADO" que seria praticamente a mesma coisa.

Harvey Specter tinha uma namorada, e enquanto sua antiga secretária e atual COO da sua firma o beijava e após enquanto ele ia desesperadamente atrás dela,em nenhum desses momento ele se lembrou da existência de Paula.

Culpa o dominou, ele durante todo esse tempo apenas queria saber sobre Donna e o porquê ela o beijou, o quê isso significava para eles, e o que realmente ela queria saber, e o quê ela descobriu, e uma outra parte dele desejava apenas ir atrás dela pra beijá-la apropriadamente até ambos ficarem sem ar, pois o beijo rápido que ela lhe deu não era o suficiente e ele precisava de mais.

Ele deveria odiar Donna, gritar com ela e a culpar porque ela o conhecia bem o suficiente para saber que ele odiaria toda essa situação,porém ele simplesmente não podia acusá-la, pois ele tinha a maior culpa e deveria apenas sentir vergonha pela própria atitude, ele deveria ter se afastado dela logo quando começou,seria fácil, mas no momento que ela o beijou e todo o susto passou, ele apenas queria aprofundar ainda mais o beijo, e Harvey não deveria querer beijar sua melhor amiga enquanto tinha uma namorada que ele gostava muito.

Ele apertou o botão de recusar chamada, e isso só o fez se sentir mais culpado, mas apenas era muito pra ele lidar no momento, ele não sabia o que fazer.

E Harvey Specter sempre sabia o que fazer.

Se sentia perdido e era como se o mundo todo ao seu redor estivesse desabando, a sensação familiar do pânico começando dominar.

E se Donna resolvesse partir? E se ela fez isso e descobriu algo que a fez querer ir embora pra sempre?

Ele necessitava de ar, ele precisava encontrá-la, ele precisava saber, ele precisava de respostas.

O som do toque familiar do seu celular preencheu novamente o ambiente e a foto de Paula sorrindo apareceu mais uma vez na tela, o enchendo de raiva de toda essa situação e o fazendo jogar o celular com toda força contra a parede como se o objeto fosse a origem de todos os sentimentos misturados que estava sentindo.

— Harvey! — a voz do Mike o surpreendeu, e ele se viu de frente a um Mike confuso falando sem parar. — O que aconteceu? O Malik fez alguma coisa?Achei que tínhamos conseguido.

Malik indo atrás dele,depois Donna e agora Jessica.

Jessica.

Após Donna o beijá-lo ele acabou até esquecendo o motivo que o fez voltar a firma, era oficial Jessica nunca mais iria voltar e pediu para retirar o nome dela.

Mais uma pessoa na sua vida indo embora.

—O que aconteceu,Harvey? — Mike perguntou um pouco exasperado,mas seus olhos mostrava a preocupação que estava sentindo e tentava esconder.

Donna o beijou,isso se repetia em sua cabeça em um eterno loop.
O olhar de Donna enquanto as portas do elevador eram fechadas.
O que significava o olhar que Donna lhe deu?
O que ela precisava saber?

E ele mais uma vez não tinha chego a tempo.

—Merda,Harvey, você está me preocupando— Mike dessa vez não escondeu a preocupação e soou bastante desesperado.

Ele deveria contar logo pra Mike sobre Malik indo atrás de Jessica e a decisão dela e tudo que eles deveriam fazer para resolver.

—Donna me beijou — Ele disse falando mais para si mesmo do que pro amigo,suas mãos inconscientemente tocando seus lábios que ainda formigavam.

E agora ele era um traidor.