Título: Mensagens ao Mar


Parte 2

Quando Harry entrou em seu Salão Comunal, depois do jantar, encontrou um clima pesado e constrangedor entre a turma da Grifinória.

Todos o olhavam como se fosse uma criatura do outro mundo, alguns com total repugnância, outros com desaprovação estampada na face e alguns com muita curiosidade, como se seu relacionamento fosse uma bizarra atração de circo.

Estava farto de tudo isso e de todos eles.

De cenho carregado, ignorou a todos e deu meia volta, regressando por onde entrara. O que mais lhe machucava era que seus próprios colegas de quarto e os irmãos Weasley lhe estavam fazendo isso.

Como se fosse doente da cabeça ou algo do gênero.

Lembrava-se ainda do rosto de Rony. Ele o olhou como se fosse alguma das criaturas que Hagrid trazia para as aulas de Cuidados com Criaturas Mágicas...

E Mione...

Ver seu rosto com desaprovação e pena, depois da surpresa inicial, foi uma das mais dolorosas imagens que lhe ficaria encravado na memória.

Por um lado estava feliz que encontrara alguém especial e que o tratava com carinho, intensidade e intimidade que os amigos mais próximos não faziam. Como beijar na boca, matar o tempo abraçados e falando de coisas que sentiam um pelo outro...

Pelo outro lado... Perdera a alegria de estar numa roda de amigos, falando bobagens e rindo muito pelos micos que cada um cometia. Sem um apoio ou um consolo... Sem poder socorrer ou ajudar...

Sorriu amargamente, com os olhos ardendo. Pelo jeito não merecia a felicidade completa... Já não bastava ser órfão de pais e ter vivido com parentes que o desprezavam, perdera os amigos também.

Só lhe restava Malfoy...

Ao pensar no sonserino, seu peito se aliviou e se acalmou, mesmo que fosse um pouco.

A vida era mesmo contraditória. De todos que poderia considerar os últimos a virar-lhe as costas, Malfoy nem entrava na lista. E agora...

Sorriu, mas desta vez, um sorriso de prazer. Agora passavam o tempo que podiam tão juntos e tinha que admitir, as melhores horas do dia era quando ficavam sozinhos no quarto do sonserino, conversando, lendo um livro ou apenas abraçados.

Dobrou o corredor que caminhava, e se deparou com uma cena que lhe fez o sangue subir se esquecendo de qualquer coisa que estivera pensando até ali.

Nott segurava o braço de Draco e o sujeitava contra a parede. Ao notar Harry ali, o sonserino mais velho o largou e com um sorriso afetado, seguiu caminho para as masmorras.

- A gente trata desse nosso assunto depois. – disse petulante, já no fim do corredor.

Harry demorou ainda alguns segundos para processar o que acabou de acontecer. Piscou um pouco e voltou sua atenção a Malfoy, que recolhia seus materiais, espalhados pelo chão.

Aproximou-se e começou a ajuda-lo, notando que o loiro não falava uma palavra sobre o que acabou de ver. Nem ao menos o olhou nos olhos.

- Você está bem? – optou em iniciar algum diálogo. – Ele te machucou?

- Estou bem... – disse por fim, ao terminarem de arrumar as coisas e se levantarem. – E o que faz fora da Torre da Grifinória?

Bela mudança de assunto, pensou Harry, então respondeu contrariado – Eu não quis ficar olhando pra cara deles...

- Entendo... Venha, pode passar a noite comigo. – Harry arregalou os olhos. – Mas não vá se acostumando, pois será hoje que você irá dormir no meu quarto – Draco se corrigiu, para não criar minhocas na cabeça do grifinório.

- Ah, claro... – sorriu aliviado e ao mesmo tempo decepcionado.

Foi seguir Malfoy, quando uma voz os deteve.

- Harry, espera. - ambos olharam ao inusitado dono da voz. Rony se aproximava um pouco constrangido. – Eu vim falar com você – deu uma discreta olhada em Malfoy.

- Te espero no quarto – o loiro declarou, preste a se retirar, quando teve o braço segurado por Harry.

- Não... Se você tem algo a me dizer Rony, pode falar na frente do Draco.

- Ahn... Bem... – o ruivo coçou a cabeça, ainda mais envergonhado, pois Malfoy era bem intimidante. – Eu queria dizer que sinto muito pelo modo que te tratei hoje... Foi um choque entende? Não gosto do Malfoy... – fez uma careta – Mas gosto de você de qualquer jeito, então... – estendeu uma mão – Sempre amigos?

Harry abriu um largo sorriso e estreitou a mão do ruivo na sua, logo se abraçaram apertado. – Tudo bem, eu entendo.

Era algo bem estranho. Achava que Rony seria muito mais difícil de entender do que Hermione, mas se equivocara.

- Malfoy? – Rony estendeu a mão. – Se for mesmo sério, acho que teremos que dar uma trégua, pelo Harry... – desafiou, erguendo a cabeça como o sonserino sempre fazia.

- Também não gosto de você, Weasley... – Draco rebateu o comentário do grifinório, mas apertou a mão oferecida, como uma trégua.

Instantes depois apareceu Hermione.

- Olá Harry! Eu vim aqui para podermos conversar.

- Claro... – disse um tanto reticente, afinal, conhecia essa cara de "você está fazendo a coisa errada" que Hermione sempre fazia quando não concordava com algo.

Não passou despercebido a Malfoy o fato da garota fazer como se não existisse.

- Venha – Hermione puxou o amigo pelo braço e se afastaram dos outros dois o suficiente para que não escutassem o que falariam.

- Mione... Se é sobre o Draco e eu...

- Sim é exatamente sobre isso – ela foi direto ao ponto. – É errado, não o culpo, veja bem, pois isso é uma enfermidade que se pode ser tratada devidamente.

Harry abriu a boca, perplexo. Ouvira bem?

- Eu não sou doente! – exclamou exasperado. – Como pode dizer isso?

- É um distúrbio emocional e sexual – ela esclareceu imutável.

Enquanto Harry ficava ainda mais indignado, Rony tratava de tentar manter uma conversa com Malfoy.

- Sabe... Eu posso ser pobre e ignorante na maioria dos assuntos, mas eu respeito a opção sexual das pessoas...

Draco o olhou com repugnância, concordando principalmente com o termo ignorante. – Acha que eu optei em ter um relacionamento com Harry?

- E não é?

- Acha que eu olhei pra ele e o escolhi como se escolhe entre uma garota de cabelo curto e outra de cabelo longo? Acha que não há nada emocional no meio e é apenas uma opção como alguém escolhe deixar de almoçar para comer um simples lanche? – o ruivo ficou mudo, um tanto confuso pela indignação do sonserino. – Impressionante! - dizendo isso Draco foi até Harry e o puxou pela mão. – Vamos Harry...

Harry agradeceu interiormente ser resgatado daquela conversa com Hermione. Então se lembrou de seus tios e em como o tratavam por ser um bruxo. Apertou os lábios e tentou apagar as más lembranças. Nada mais importava além do que sentia... E o que sentia era amor por certo sonserino arrogante que suspirava enfadado e o arrastava para longe de qualquer um.

Quando entraram no quarto de Malfoy, através da passagem secreta, Harry resolveu por conversar sobre o tal assunto.

- O que Rony te disse que o deixou... Irritado?

Draco parou de jogar os travesseiros que forrava sua cama no chão e se sentou um tanto cansado. – Ele acha que estamos juntos por uma opção sexual...

Harry se aproximou e se sentou ao lado do loiro. – Como se optamos em sofrer todos esses preconceitos? – Draco apenas deu de ombros e não respondeu. – Não temos o direito de amar uma pessoa do mesmo sexo?

- Acredite Harry, eles preferem uma vadia que passa de cama em cama como Pansy Parkinson do que aceitar um relacionamento sério entre duas pessoas do mesmo sexo...

- Sério? – Harry o olhou com assombro.

- Como a tonta da Patil te olhou?

- Com repugnância...

- Viu só? – Draco deu seu sorrisinho afetado. – Ela prefere te discriminar ao discriminar o seu novo namorado Oliver Wood que dorme com qualquer ser humano que possua uma vagina no meio das pernas, e que nesse exato momento deve estar num exercício louco com alguma garota que com certeza, não é a Patil.

Harry finalmente sorriu, gesticulando com as mãos um chifre em cada lado da cabeça. – Ela é...?

- Todas as noites e conformada...

Harry se sentia bem melhor agora. Pensou por um tempo, olhando as labaredas de fogo que crepitavam na lareira enquanto Draco voltou a arrumar a cama, deixando apenas dois grandes e macios travesseiros.

- Chang só queria alguém popular...

Malfoy o olhou com confusão. – Ela não gostava do Diggory?

- Não... Ela tava me dando mole, acho que pro Cedric também, tanto que ele a convidou pro baile primeiro e ela aceitou...

- Se ela te deu mole, por que não aproveitou?

- Eu era tímido demais...

- Era? – Draco burlou, querendo incrementar sua frase, mas Harry fez questão de apanhar um travesseiro do chão e dar com ele no traseiro do loiro.

- Calado Malfoy!

- Tem medo da verdade Todo Poderoso Potter? – Draco também apanhou um travesseiro e começaram um duelo de forças.

O duelo revigorou os ânimos e as penas que escaparam dos travesseiros inundaram o quarto. Cansados e sem um ganhador, ambos caíram deitados, tentando recuperar o fôlego enquanto viam as plumas pairarem sobre eles, deslizando lentamente.

- A verdade é que eu te amo... – o moreno sussurrou, depois girou a cabeça para poder ver Malfoy nos olhos.

Prata se chocou com esmeralda e um sorriso delineou os lábios do loiro.

- O que quer fazer agora?

- Depois de te beijar?

Draco sorriu ainda mais, enquanto Harry girou o corpo para ficar sobre si, seus rostos se encontraram, tão próximos que era quase difícil respirar junto com ele.

Lábios macios e molhados se encontraram e se fundiram num beijo doce e intenso.

Os problemas já eram coisa do passado e apenas queriam e se empenhavam em se sentirem nesse terno beijo.

A imagem de Draco beijando Susan veio na mente de Harry, mas dessa vez, sem a dor e o ciúme que sentia toda vez que se recordava.

Tinha os lábios de Draco só para si agora... E os sentia nesse exato momento, quentes, molhados, trêmulos somente para e por Harry Potter.

Isso fez com que aprofundasse o beijo, jogando com sua língua e mordiscando, sugando com força para deixa-los inchados e vermelhos. Querendo subtrair todo o sabor adocicado que conseguia.

O beijo e o contato de seus corpos estavam enlouquecendo-o, seu corpo queimava e chegava a transpirar, tamanho calor que o envolvia.

As mãos de Draco percorreram suas costas, deslizando sobre o tecido de sua camisa, por debaixo da capa. Suas pernas se encaixaram, sentia o músculo da coxa desse loiro irresistível pressionar a dureza de seu membro e só então percebeu que estava ereto e extremamente excitado, assim como sentia o membro de Draco contra a sua coxa, tão excitado quanto o seu.

Separou-se assustado e constrangido. Buscou ar assim como Malfoy buscava ar, olhos ainda fitos aos seus. Ele parecia confuso também, sem saber o que fazer.

- Você me deseja... – Draco tomou iniciativa, era mais afirmação do que uma pergunta.

- Não... – foi a primeira coisa que escapou, tentando não se constranger ainda mais e foi a mais patética que poderia ter dito.

- Então o que é isso que eu sinto bem aqui – Draco voltou a pressionar a coxa contra seu membro, o que resultou num inevitável gemido por sua parte, para deleite do sonserino.

- Você também está na mesma situação que eu... – se defendeu, ainda muito vermelho.

- Eu te desejo, não vou negar algo tão óbvio como certos leões fariam, por puro puritanismo do tempo da minha bisavó – Harry quis esmurra-lo agora, ainda mais pelo modo sarcástico e insinuante como pronunciou, mas mudou de idéia, pois sabia que se arrependeria no instante seguinte. – O que faremos agora?

- Eu não sei... O que sugere?

- Começar aos poucos...

- Isso me parece bom – Harry relaxou o corpo, tinha que confessar que estava nervoso e preocupado pelo que Draco proporia. Mas ao mesmo tempo queria ir até o fim, sentir cada parte daquele corpo pálido, sua respiração, ouvir seus gemidos... Unir-se a ele...

- Posso ver seu corpo?

Draco abriu mais os olhos, um tanto surpreso pelo repentino pedido de Harry.

- Acho que você já viu meu corpo, quando ficava me espionando em forma de aranha – sorriu de lado enquanto levava os dedos aos botões de sua própria camisa e desabotoava lentamente.

- Um pouquinho... Mas confesso que não prestei muita atenção, pois achei que era algo muito vil de se fazer com alguém...

- Mas não pensou nisso quando decidiu me espionar traiçoeiramente...

Harry voltou a beija-lo para cala-lo e logo se afastou. – Eu não tinha esse conceito de traição por se tratar de Draco Malfoy, sonserino e bem traiçoeiro... Achei que seria justo – se defendeu.

- Certamente eu faria o mesmo e sem um pingo de ética – foi a vez do loiro ponderar, depois sorriu largamente e sussurrou provocante. – Veria até o fio mais escondido de seus pêlos...

Harry voltou a corar, mas não deixou se afetar pelas palavras de Draco, pra dizer a verdade, essas palavras o tornava mais excitado que antes. Ergueu o corpo até sentar sobre as pernas de Malfoy, segurou suas mãos e as afastou até encosta-las a cada lado do corpo sob si.

Draco deixou se levar, observando o rosto inocente de Harry, mas o que se sucedeu, não foi tão inocente assim.

Sem vacilar, Harry começou a desabotoar os botões que faltavam, tomando o lugar das mãos de Draco. Quando o último botão foi solto, deslizou lentamente as palmas na pele macia, subindo e afastando o tecido da camisa, que aos poucos foi desvendando cada elevação, curva e formas para deleitar-se não só com o tato, mas com a visão.

Quando suas mãos passaram pelo tórax descompassado pela respiração agitada, se atreveu a tocar cada mamilo rosado. Seu toque foi uma descarga elétrica ao corpo do sonserino, que suspirou, jogando levemente a cabeça para trás. O biquinho logo se enrijeceu.

- Gosta? – Draco fez que sim com a cabeça, então tocou novamente, com mais firmeza e ousadia, apertando e puxando um pouco, vendo como o loiro se vergava e suspirava mais alto.

Essa era uma das coisas que nunca saberia espionando em forma de aranha... Não sabia porque exatamente pensou nisso, mas dava graças por descobrir os pontos mais sensíveis de Draco, tocando-o, beijando-o, olhando-o intimamente... Sem precisar fazer isso às escondidas e à distância. E era dessa forma que queria descobrir tudo que a Draco lhe agradava e dava prazer...

Sorriu, quando dedos longos e levemente frios tocaram seu pescoço e deslizaram até a gola de sua camisa passando a desabotoar pouco a pouco, assim como fizera com ele.

- Também quero te ver... – sorriu perante o olhar esverdeado.

Mas Draco não abriu totalmente sua camisa, apenas os dois primeiros botões. Com um impulso, se sentou, ficando frente a frente com Harry, seus lábios novamente próximos que era uma tortura não se beijarem. E foi o que Harry fez, diminuindo o curto espaço e selando suas bocas que só foram se separar para que o sonserino pudesse tirar sua camisa e capa por cima da cabeça e voltarem a se embriagarem um no outro, enquanto suas mãos passaram pelos ombros pálidos numa gostosa carícia e deslizaram pela extensão dos braços, levando consigo a capa e a camisa até caírem livres de seu dono.

Ambos se afastaram e se olharam de torso nu. Tão masculinamente iguais, porém bem diferentes ao mesmo tempo.

Dessa vez foi Draco quem passeou com as mãos ao corpo do grifinório, percorrendo a definição de cada músculo até encontrar os mamilos, o qual tocou com prazer, vendo Harry fechar os olhos e suspirar.

Foi difícil recobrar o raciocínio, mas o membro de Harry o fez voltar a realidade, pulsando mais dolorosamente em sua prisão.

Inclinou-se e tornou a tomar a boca amante, enquanto seus dedos traçaram um caminho sinuoso até o cós da calça de Draco. Buscou o botão e o zíper, lutando com os próprios dedos trêmulos de ansiedade até conseguir abri-lo por completo.

Tocou com receio, mas de mão cheia, sentindo a virilidade escondida no tecido de algodão preto e sorriu, quando seu loiro gemeu dentro de sua boca. Isso bastou para perder qualquer dúvida que ainda restava. Levou as mãos novamente ao cós da calça e da boxer, abaixando o tecido pelo quadril estreito e sendo ajudado, quando Draco ergueu o corpo para que pudesse retirar as peças sem contra-tempo. Suas mãos deslizaram pelas pernas macias, até livra-la de tudo que a manchava, deixando-o listo da cabeça aos pés.

Malfoy fez o mesmo consigo, sem embaraço algum na hora de livrar-lhe da calça e da boxer. Seus sapatos e meias havia ele mesmo se adiantado em se livrar, enquanto Draco se intertia com sua peça íntima, para acabarem nus e se contemplando.

- Você é perfeito! – Harry admirou, mas logo se pôs um pouco sem graça. – Acho que você já ouviu muito isso...

- Acredite, você é o primeiro cara que me diz isso... – afagou os cabelos negros – E é a primeira vez que digo isso, Harry, você é maravilhoso.

Harry sorriu, um tanto desconfiado. - Nunca disse isso a alguém? Nem a uma garota?

- Nunca... Pode se sentir lisonjeado, pois você é o primeiro... – Draco fez com que se levantasse, segurou sua mão e o conduziu ao banheiro.

Enquanto o sonserino enchia a banheira, Harry o olhava fascinado. Ele era lindo, como sempre soube que seria, e queria que esse ser perfeito, como a pouco o elogiara, só tivesse os olhos para si, só o desejasse, o amasse e a mais ninguém no mundo.

Era um pensamento bem egoísta, mas ultimamente só teve pensamentos e desejos egoístas e mesquinhos, acabando por ser traiçoeiro com tudo e todos, apenas para conseguir ficar um pouco mais ao lado dele...

- Vem... – Draco o convidou, e ambos entraram na água aromática, juntos, de olhos nos olhos, pele contra pele.

Voltaram a se beijar, mais apaixonados, o medo e o constrangimento sumindo, não restando nada além de prazer e a certeza de que queriam mais e mais um ao outro.

Harry percebeu que mesmo não querendo, havia se influenciado pelo conceito e padrão da sociedade, tanto muggle como bruxa. Se constrangia pelo simples fato de pensar estar fazendo isso com um rapaz, talvez se fosse com uma garota não houvesse se envergonhado tanto.

Então se sentiu um idiota.

Se abraçou com mais força ao corpo do sonserino, sentindo a anatomia muscular de encontro a sua própria anatomia, e se sentiu bem.

Talvez antes pensasse como Rony, de que era uma opção sexual, mas estando tão próximo a Malfoy como estava agora, trocando beijos apaixonados, sentindo-se sem a barreira de roupas, via que nunca poderia ser uma simples escolha, era além... Muito além...

Nunca sentiria o que seu coração transbordava, por outro rapaz, nem por uma garota.

Era puro...

Sim, esta seria a palavra perfeita... Puro como os raios do sol, como o sorriso de uma criança, como o choro de um recém-nascido...

E nunca poderia se envergonhar de um sentimento como este...

Atraiu Draco de encontro a seu peito, espalhando beijos por seu rosto e pescoço, e sua mão acariciou cada trecho de pele por dentro da água, até tocar-lhe onde mais necessitava.

Os braços de Malfoy se aferraram em sua cintura, sua respiração ficando mais apressada e intensa, seu rosto corando e seus olhos se dilataram, mostrando luxuria e prazer.

Gemidos se misturaram quando começou a ser estimulado pela maciez dessa pele pálida, quando Draco passou a movimentar o quadril num vai e vem cadenciado.

Se agarraram mais apertado, como querendo se fundir num mesmo espaço, a respiração quente de Malfoy acariciando seu pescoço e a sua próxima, senão colada em seu ouvido, então aconteceu...

Seus corpos se convulsionaram num deleite supremo... Um pelo outro, um dando prazer ao outro... Se tocando, se acariciando, se sentindo...

E foi maravilhoso...

Draco foi o primeiro a abrir os olhos e se aconchegar ao corpo de Harry que ao sentir esse movimento preguiçoso por parte de seu companheiro, abriu os olhos e o fitou. Ficaram se olhando sem pronunciarem uma única palavra, sabendo que foi bom para ambos e que não havia sinais de arrependimento nem de vergonha pelo que acabaram de fazer.

Dedos pálidos acariciaram sua bochecha para depois sentir novamente essa boca ousada, que sabia tanto insultar como beijar. E não necessitava uma resposta tão gratificante como esta.

- Hora de dormir... – o loiro lhe sussurrou após o beijo.

Sorriu e se deixou levar por Draco, saíram da banheira, se enxugaram sob o olhar do outro e de mãos dadas voltaram ao quarto.

Normalmente ficavam até mais tarde lendo um romance, mas depois dessa deliciosa experiência, seu corpo necessitava repouso e sabia que Draco precisava o mesmo.

Se deitaram juntos, como um casal, Harry não deixou de salientar isso, e se abraçaram, nus e satisfeitos. Entrelaçaram os braços e as pernas e caíram num sono tranqüilo.


Na manhã seguinte Harry acordou como se houvesse recuperado todas as noites que passou insônia. Seu corpo estava tão relaxado que não quis abrir os olhos para se levantar e passar por mais um fatídico dia de aulas e encarar as pessoas.

Esse último pensamento o fez lembrar porque não queria encarar as pessoas, então se lembrou do que fez com Malfoy, do que sentiu e em como foi gostoso.

Abriu os olhos e a primeira coisa que viu num borrão foi a lareira ainda acesa. Estava deitado de lado e sentia alguém encostado em suas costas. Sorriu como um bobo, comprovando que não foi um sonho e que Draco ainda dormia abraçado a si, juntinhos e dividindo a mesma cama.

Esticou o braço e apalpou a mesinha que ficava ao lado da cama, achando por fim seus óculos. Nem soube o que aconteceu com eles na noite passada, nem se havia largado na cama, no chão ou no banheiro, mas pelo visto, alguém fez questão de acha-los e o colocar num lugar próprio, para que pudesse pegá-lo quando acordasse.

- Bom dia... – a voz rouca e arrastada lhe deu um gostoso arrepio.

Girou o corpo para poder ver seu companheiro e amante. Draco o recebeu com um beijinho na ponta do nariz.

- Dia... – se espreguiçou, ainda nos braços do sonserino – Estava acordado faz tempo?

- Um pouco... Estava te vendo dormir...

Harry sorriu ainda mais, jogando o corpo sobre de Draco, aprisionando-o prazerosamente debaixo de si e o beijando devidamente na boca. Se afastou um pouco e olhou pra baixo, constatando que ainda estavam nus e riu perversamente.

- Que foi? – o loiro inquiriu, curioso.

- Acho que estou ficando adepto ao naturalismo.

- O que é naturalismo? – ficou ainda mais confuso.

- Pessoas que vivem sem um mínimo pedaço de tecido a encobrir o corpo...

Dessa vez Malfoy riu, uma risada gostosa como nunca vira antes. E era incrível e lindo.

- Seu pervertido! Não conhecia esse seu lado Harry.

O moreno alargou ainda mais o sorriso. – Queria te ver preparando um drink, dançando, saboreando uma banana... Bem ao estilo natural, sem roupa alguma...

- Hum... – Draco mordeu o lábio inferior – Posso pensar no seu caso e te conceder esses desejos pérfidos...

- Agora? – o moreno lhe salpicou alguns beijos pelo pescoço, esperançoso.

- Agora não... Estamos atrasados.

Harry fechou os olhos e deixou pender a cabeça. Maldito horário escolar.

Realmente estavam atrasados e tiveram de se apreçar, tomaram uma ducha rápida, vestiram-se com os respectivos uniformes e tentaram sair pela passagem secreta, coisa que demorou uns quinze minutos, pois o corredor onde ficava o quadro estava bem movimentado aquela horário.

Quando finalmente tiveram a oportunidade de saírem pelo retrato, Harry quis ir diretamente a sala de aula, mas Draco o impediu.

- Vamos ao Salão Principal, quero pegar pelo menos uma maçã para comer.

- Certo, estou precisando de um suco de abóbora.

Correram de mãos dadas, Harry equilibrando a mochila no ombro e Draco manejando os materiais no outro braço.

Quando chegaram á porta, o sonserino parou abruptamente, fazendo com que Harry sofresse um enorme puxão no braço e quase caísse de costas.

O moreno o olhou com certo nervosismo, ficando ainda pior ao deparar-se com um Malfoy se recompondo perfeitamente, alinhando as vestes e arrumando o cabelo platinado. Rodou os olhos e esperou impaciente enquanto massageava o ombro dolorido.

Ao entrarem, ficaram surpresos em ver que todos ainda estavam ali.

Se soltaram as mãos e cada um seguiu para sua mesa.

Harry se sentou um pouco incomodado, vendo que seu lugar ainda permanecia o mesmo, entre Rony e Neville, este último o recebeu com um baixo "Bom Dia" o qual retribuiu num sorriso.

Já para Malfoy, não foi o mesmo. Seu lugar estava ocupado por Millicent e o espaço vago que poderia se sentar, ficou entre Pansy e Nott. Olhou ao sonserino com arrogância e foi recebido por um sorriso cínico. Tivera de se sentar ali mesmo contra a vontade.

Vendo que todos estavam presentes, Dumbledore se levantou, atraindo a atenção de todos.

- Bem... Vejo que agora estão todos presentes. – sorriu, estranhamente sem aquele brilho de sempre. – Gostaria de anunciar a todos, uma nova regra criada pelos professores e que foi bastante discutida e votada, para que não haja injustiças... E a maioria dos votos foi, aderir a uma nova norma entre os monitores. – um burburinho se iniciou, mas logo foi interrompido quando McGonagall bateu a colher em seu cálice, produzindo um som de alerta. Dumbledore a olhou e agradeceu num gesto de cabeça, voltando para o comunicado. – Não haverá mais quartos individuais para os monitores, apenas permanecerá o banheiro comunitário que somente os monitores receberão as senhas. Não haverá mais ronda individual, e sim em dupla, com representantes de Casas diferentes...

Nessa hora, Harry soube o motivo dessas mudanças. Olhou ao outro lado do salão, para Malfoy, que mantinha a expressão imutável e indecifrável.

E mais uma vez, Harry Potter modificava normas que perduravam séculos seguindo imutáveis...

E quis gritar de raiva e tristeza...


N/A: demorei, mas estou tentando atualizar o quanto antes. Sinto a todos que me deixaram reviews e não respondi, mas eu apenas respondo aqui, pois tempo em responder um por um, pela reply fica mais difícil.

Agradecimentos a: Nicolle Snape – Olá, sim, uma continuação, um pouco demorada nas atualizações, mas pretendo manter um ritmo de postagem. Espero que goste tanto quanto O Mensageiro! Fabi – Olá, que bom que gostou dessa continuação, tentarei manter o clima Angst que fiz na outra e espero que te agrade bastante. Mewis Slytherin – Olá, demorei muito nessa continuação, espero que me perdoe, sim, novos problemas estão surgindo na vida dos dois, e muita angst também. Espero que acompanhe sempre. Mel Deep Dark – Olá, obrigada pelas palavras, me emocionaram e fico tão feliz que goste do que escrevo, espero que goste dessa continuação também. Sei que tem muito erro gramatical, mas ainda não tenho uma beta (alguém se habilita a agüentar essa escritora biruta?) enfim, agradeço também seu comentário em Espelho D'água, quando li, até chorei, juro que chorei, de emoção por palavras tão maravilhosas! Obrigada mesmo, e eu estou escrevendo uma fic dedicada a vc, ainda está em produção, mas é Angst/Drama, bem como vc gosta. Bjs! Srta Kinomoto – Olá, demorei, mas enfim uma continuação, espero que acompanhe sempre, mesmo com a minha demora. Bem, deu pra perceber como foi a reação do Rony e da Hermione, só falta agora a convivência entre eles. Hermione Seixas – Olá, acho que deu pra perceber um pouco o que acontecerá entre os amigos inseparáveis, espero que acompanhe o decorrer dos acontecimentos. Bjs! Sam Crane – Olá, obrigada pelas palavras, fazia tempo que não respondia um comentário seu. Logo vou atualizar Caminho do Coração, mas por enquanto, espero que se divirta com esta fic. Bjs! Clara dos Anjos – Olá, obrigada pelo comentário! Hanna Snape – Olá, infelizmente demorei uma década, mas agora que terminei minha outra fic, pegarei firme em atualizar esta aqui. Dona Jeh – Olá, obrigada pelo comentário, espero que acompanhe sempre. SyP. – Olá, agradeço o comentário, espero que acompanhe mesmo eu demorando esse absurdo em atualizar! Amanda Poirot – Olá, obrigada! Demorei, mas espero que não desista em acompanhar! E espero que curta assim como na outra! Bjs! Lilly W Malfoy – Olá, obrigada pelo comentário, atualização será uma prioridade nessa fic, até o fim. Bjs! Sarih – Olá, sim, sim, continuarei, ela estava meio reclusa, assim como as minhas outras fics, mas por falta de tempo mesmo. Vou atualiza-la agora até o fim, espero que goste!

Obrigada a todos que comentaram, um grande beijo! E até o próximo capítulo!