Disclaimer: Saint Seiya não me pertence.
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Lisboa parecia estar imersa em algum dos carnavais de Veneza, uma vez que inúmeras nobres carruagens chegavam à cidade. Tais carruagens vinham das mais diversas partes do continente e o que faziam ali era a dúvida e fofoca entre os plebeus da cidade portuária. Alguns diziam que finalmente tais países reconheceram a importância de Portugal na Europa. Outros diziam que era uma armadilha e o país seria tomado em guerra violenta. Entretanto, seja qual fosse o motivo, a cidade se agitava e seus moradores faziam o possível para verem tal desfile magnífico de perto. Quem sabe, pensavam as moças, algum nobre a levaria para longe - uma vez que os nobres portugueses pareciam preocupados demais com seus próprios problemas e mal olhavam para suas janelas. O tumulto era geral e o barulho também. Em pouco tempo, porém, o desfile já havia acabado, com a última carruagem adentrando o Paço Real.
O palácio português parecia mais uma vez encher-se de vida, com tantas pessoas diferentes. O salão principal teria sido tomado por uma baderna monstruosa, mas a urgência de certos assuntos impediu tal coisa. Logo, reis, rainhas, príncipes e poucas princesas adentraram a sala de reuniões.
Tal sala, alcançada se seguir à direita do salão principal, é ricamente decorada, porém com aspecto simples. As paredes brancas, com desenhos florais em dourado, uma grande mesa ao centro, de madeira escura e tão polida que era possível ver o reflexo da pessoa. As cadeiras eram feitas do mesmo material e cuidadas da mesma maneira e possuíam também acolchoados bege, com detalhes florais como os da parede do recinto. Haviam duas grandes janelas, que davam para imensos jardins verdes salpicados de cores fortes, como vermelho e amarelo.
Na ponta da mesa sentou-se o Rei de Portugal, encontrava-se em pé.
- Bom dia caros convidados. - começou. - Estamos hoje presentes para debater sobre urgentíssimo assunto. Por favor, tome a palavra, Áustria.
Assim que terminou, o Rei português sentou-se e, de imediato, o Rei austríaco levantou-se.
- Bom dia. É de conhecimento geral que tal congresso fora convocado por mim e meu país. Gostaria de agradecer a presença de todos os convocados e a rapidez com a qual chegaram aqui. O motivo desta reunião é...
- Sua incapacidade em lidar com os assuntos militares de seu país? - questionou uma senhora que sentava-se perto do austríaco, visivelmente Imperatriz.
O homem, por sua vez, pigarreou e continuou seu discurso.
- É a constante invasão e destruição das fronteiras austríacas. Eu poderia facilmente culpar o Sacro Império por tal brutalidade... - a senhora que o interrompeu mostrou-se visivelmente incomodada. - porém fomos atacados pelo flanco sul.
- Porém, de qualquer forma, tal "acontecimento" só demonstra sua incapacidade em lidar com tais assuntos, não? - um homem debochou.
- Porém creio que a Invencível Armada não é tão invencível, não? - o Rei austríaco retrucou. O primeiro homem ficou visivelmente irritado, principalmente depois das abertas risadas dos ingleses. Sem dúvida, o Rei espanhol se envergonhava do dia em que chamou sua armada de "invencível".
- Pode até ser... - o espanhol tentou se ajeitar em tal situação. - Mas por que vossa magnífica majestade não mandou sua melhor tropa para lidar com tais assuntos?
O Rei austríaco hesitou, logo um homem sentado ao seu lado levantou-se também.
- Vossa majestade, permite...?
- Sim, pode. - o Rei concordou e sentou-se.
O tal homem usava um casaco cinza e simples, porém era visível que tal simplicidade era devido ao seu posto militar. As mangas da veste tinham uma grande listra preta, que começavam em dragonas também pretas com detalhes em ouro. No peito, do lado esquerdo, havia uma insígnia onde se via claramente o brasão austríaco. O homem ainda usava um tapa-olho do lado esquerdo. Tal homem era ninguém menos que o mais forte general austríaco, conhecido por sua lealdade à coroa de seu país e principalmente por sua habilidade com qualquer tipo de arma branca.
- É com grande pesar que anuncio que não há tropas na Áustria que possam conter tais ataques. Seria imprudência de minha parte dizer tal coisa, porém não há porquê esconder. Tais ataques são executados à perfeição, no quesito tempo e preparação dos soldados. - o general parou por alguns segundos, observando o leve espanto nos rostos dos convidados. - Suas vestes parecem quebrar nossas armas, seus rostos jamais foram revelados. À primeira vista, parecem ser mouros, mas suas mãos, visíveis, são tão brancas quanto qualquer Majestade Imperial aqui presente. Também... as vestes são do mais escuro azul, cor que os mouros jamais usariam.
- Sim, claro claro. Muito fácil culpar qualquer um que tenha se sentado aqui. - o Rei espanhol interrompeu o general quando este parou para tomar ar. - Quer dizer que foram os russos?
- Não, vossa majestade. - o general respondeu, aparentemente perplexo diante de tal pergunta. - Creio que tais ataques não sejam sequer europeus...
- E tampouco chinês. - começou um homem de bigode estranho, sob a bandeira russa. - Agora, por que não deixamos o general continuar?
- Perdoe-me vossa majestade imperial, mas não há mais o que falar. - o general sentou-se.
- Ora essa, general... Shura, não? - o Rei espanhol pausou até que o outro homem confirmasse com a cabeça. - Sim, Shura. Pois bem. Deveria nos dar detalhes. Afinal, como espera que nos lancemos ao combate com tão poucos detalhes?
O homem abriu a boca para responder, porém seu Rei fora mais rápido.
- O que poderíamos lhes contar, se o que sabemos é o que foi dito?
- Será que seus generais estão ficando fracos, por um acaso? - intrometeu-se um outro homem, desta vez sob a bandeira da Itália.
- Creio que não tão fracos quanto à Invencível Armada. - o austríaco manteve seu olhar fixo sobre o Rei espanhol.
- Creio que até mesmo meu filho poderia aplacar tais ataques, se ele quisesse.
Os presentes pousaram seus olhares no príncipe espanhol, sentado ao lado de seu pai. O jovem tinha cabelos azuis e, mesmo sendo um príncipe, não era possível dizer se estavam arrumados ou se aquele era o propósito. Naquele momento, ele examinava seus dedos com incrível interesse. Parou logo, porém, quando percebeu que o ambiente ficara quieto demais. O jovem olhou para todos, com certo ar abobalhado, que fez o Rei austríaco gargalhar abertamente.
- Jura? Esse... jovem... conseguiria mesmo tal proeza?
O Rei espanhol levantou-se abruptamente, assustando os presentes - e até mesmo seu filho.
- CONSEGUE SIM! - o Rei bradou, ameaçando os outros com seu indicador gordo. - Meu filho, príncipe herdeiro, Milo, pode sim, combater com sucesso aquilo que você e seu general tanto insistem em falhar!
Por alguns minutos, ficaram todos quietos. Por fim, quando o espanhol finalmente decidiu sentar-se, o Rei austríaco começou a falar novamente, com um sorriso malicioso.
- Então vossa majestade quer dizer que mandaria seu filho resolver tais conflitos?
- Sim.
- Mesmo tendo consciência que tais ataques não mais se limitam à Áustria?
Antes que o Rei espanhol pudesse responder, o outro continuou.
- Com consciência de que tais ataques têm se espalhado como a Peste Negra? E que nem mesmo o meu melhor general conseguiu derrotar? Vossa majestade...
- SIM! - o Rei espanhol mais uma vez gritou, impaciente.
- Então por que não o manda?
Neste momento, o espanhol hesitou e seu filho parecia alheio à tal situação.
- A covardia espanhola é assim tão incrível? - o Rei italiano começou, visto que todos olhavam o homem espanhol com grande interesse.
O silêncio ainda perdurou por mais alguns momentos.
- Não... nossa covardia não chega à falta de respeito e até mesmo a covardia italiana. Meu único filho irá. Entretanto... existe alguém mais aqui que teria coragem de tal ato?
O Rei abriu os braços dirigindo-se à todos no recinto. Seu sorriso vitorioso era visto com grande irritação por parte dos austríacos e mesmo os italianos.
- Pois bem. - começou o homem do bigode estranho. - Eu mandarei meu filho e príncipe herdeiro.
- Czar... - começou o espanhol, em deboche. - Tem dois filhos. E qual deles é que mandará?
- Claro que mandarei Dimitri.
Dois jovens olharam para o Czar em espanto. Um, de cabelos pretos olhava para o pai, perplexo e injuriado. O outro, de cabelos ruivos, fitava o homem de forma perplexa e logo virou-se para a mulher ao seu lado, possivelmente sua mãe, que mantinha-se indiferente à situação.
- E, como se não bastasse... - continuou o Czar. - Mandarei meu melhor general. Creio que vocês o conheçam por Máscara da Morte, não?
O Czar logo sorriu abertamente, quando viu a inquietação no recinto. Qualquer um sabia dos feitos de tal general. Principalmente seus companheiros generais.
- Pois bem. - levantou-se a Imperatriz do Sacro Império. - Não tenho herdeiros, porém mandarei meus melhores generais, Kanon e Saga.
A Imperatriz postou-se orgulhosa, quando os olhares foram desviados para os dois mencionados, que mantinham a indiferença ao assunto e aos olhares.
- Por minha vez... - começou um homem rechonchudo, Rei da Inglaterra. - Já que meu filho é jovem demais para até mesmo empunhar uma espada, mandarei meus três melhores cavaleiros: Dohko, Mu e Shaka.
Mais uma vez, o recinto encheu-se de murmúrios. Os três citados, porém, não se encontravam ali.
- Mandarei então meu melhor general! - outro homem de bigode estranho chamou a atenção, era o Rei da França. - Sendo ele, Kamus.
- E a Itália? - o Rei espanhol olhou o Rei italiano com interesse assustador, antes que pudessem sequer murmurar sobre a escolha francesa.
O Rei italiano arrumou-se em seu lugar, visivelmente incomodado.
- Diga-me, por que eu ajudaria, mandando meus generais, filhos? - o Rei olhou para os presentes. - Posso, porém... prover armas e outros aparatos quando chegarem ao meu país. Plausível?
- Para um legítimo italiano covarde, sim, é o suficiente. - o Rei da Áustria disse, provocando o italiano. - Como não tenho herdeiros em idade para combates, mandarei aquele que poderá melhor ajudar, Shura.
- Pelo visto... - recomeçou o Rei de Portugal, antes que houvessem maiores protestos ou interrupções. - O Congresso acaba aqui. Está decidido, em completo acordo, que o Príncipe espanhol Milo, acompanhado do Príncipe russo Dimitri, general russo Máscara da Morte, generais germânicos Kanon e Saga, cavaleiros e generais Dohko, Mu e Shaka, general francês Kamus e, por fim, general austríaco Shura. No decorrer da viagem, serão ajudados com aparatos e mantimentos italianos, providos com devido cuidado. Acordo?
Em uníssono, todos concordaram.
- Pois bem, vamos ao banquete. - o português sorriu.
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Finalmente! Peço desculpas pela demora, mas fui viajar e encontrei-me impossibilitada de continuar a escrever. Segue a lista daquelas que escolhi para a fic:
Shaka: Sophie Herrera/Sophie Somerset (Mitzrael Girl).
Kamus: Alessa della Rovere (apassionata . otto).
Mu: Dalia Romanov (Tenshi Aburame).
Dohko: Camille Leclercq d'Bourbon (LadyScorpion S2).
Kanon: Giannina du Peyrer (Lilly Angel88).
Peço também desculpas àquelas que não foram escolhidas... Mandarei também, o mais breve possível, uma PM para todas. Às escolhidas, para rever alguns detalhes. Às que não foram... bem, ao menos um pedido de desculpas próprio. Muito obrigada pelas fichas mandadas. Espero que a história ainda lhes agrade!
