Um pequeno aviso: algumas coisas neste capítulo com relação a alguns personagens foram obra da minha imaginação (com relação a morte do pai de Lisbon, por exemplo). Então, não tomem isso como verdade absoluta, ok? Foi só um pequeno incremento, já que sabemos muito pouco sobre ele.

Espero que gostem do capítulo e POR FAVOR, FAÇAM A AUTORA FELIZ E DEIXEM COMENTÁRIOS *_*

Disclaimer: TM não é meu. Se fosse, Minelli voltaria a ser o boss da Lisbon XD


Insônia. Teresa deveria saber que ela viria. Mesmo com tanta agitação nos últimos dias, ela sabia que dormir era uma coisa que ela não conseguiria naquela noite. Revirou-se na cama dezenas de vezes, mas os eventos daquele dia não queriam sair de sua mente. Viu a madrugada passar lentamente pela janela de seu quarto no primeiro andar. Quando o relógio marcou 3 da manhã, ela suspirou.

Rendeu-se. Sabia que não dormiria por vontade própria, então foi até a segunda gaveta de seu guarda-roupas e encontrou a solução para seu problema. Pegou a caixa em forma de tubo e despejou um calmante em sua mão esquerda. Largando o recipiente novamente na gaveta, buscou o copo d'água ao lado de sua cama e o tomou. Ótimo; se continuasse nesse ritmo ficaria dependente dessas porcarias. Mas ela não pôde evitar: quando Jane sumiu e ela se deu conta de que não conseguia dormir, teve que pedir ajuda. Ela é uma agente sênior e não podia estar cansada e indisposta quando um bandido resolvesse correr.

Só por isso. Tinha total aversão a esse tipo de medicamento; seu pai tinha se tornado adepto dele após a morte de sua mãe e a mistura com bebida alcoólica era explosiva. Ela sabia muito bem disso.

Deitou-se novamente na cama bagunçada e tentou relaxar. Mais 15 minutos o remédio faria sua mágica e ela dormiria como um bebê por mais 3 horas. Mas enquanto isso, sua cabeça não parava. Pensava em tudo: na distância, no reencontro, no quanto teve de se conter para parecer não se importar com ele, no dia em que Jane ligou e ela convocou a equipe para uma reunião secreta em seu apartamento.

"O que há, chefe? Aconteceu algo com você?" disse Grace, sempre tão preocupada com ela quando se acomodou junto a Rigsby no sofá. Apesar de separados, eles ainda se moviam em total sintonia. Cho estava de pé.

"Jane me ligou. Ele precisa de nossa ajuda."

Um breve sorriso passou pelo rosto da agente júnior e alívio era uma palavra que definia Rigsby e Cho muito bem naquele momento. Todos estavam sempre pisando em ovos com Lisbon desde o seu desaparecimento; evitavam até mesmo falar o nome dele pois sabiam que sua chefe sofria com isso. Agora tudo parecia mais leve.

"E o que faremos com ele? Vamos interná-lo ou ele vai voltar a trabalhar conosco?" Van Pelt deu uma cotovelada sutil em Rigsby pelo que ele havia falado. Eles preferiam acreditar que o ex-consultor não havia enlouquecido, embora fosse quase uma opinião unânime.

"Ele não vai trabalhar conosco e definitivamente não vai ser internado." – Lisbon fez uma pausa e respirou fundo – "Jane estava fingindo sua crise. Os erros nas investigações, o incêndio no sótão e a briga com Wainwright foram propositais."

Todos pareciam ter sumido da sala. Em silêncio, Lisbon percebia que eles passavam pelo estágio de assimilação do fato para o alívio, e depois para a raiva. Se ela quisesse que eles participassem disso teria que ser rápida.

"Eu entendo o que estão sentindo, pois eu passei por tudo isso. Sei também que estão com muita raiva dele agora, mas eu peço que me escutem. Ele fez tudo isso para enganar Red John; para que ele pensasse que havia desistido. E deu certo. Red John fez contato com ele. Aparentemente, quer estabelecer uma relação." – Todos olharam espantados para Lisbon, como se não acreditassem no que ouviam. Lisbon continuou. – "Parece que quer tornar Jane um discípulo seu e lhe dar uma vida nova." Lisbon revirou os olhos com raiva.

"E onde entra a nossa ajuda nisso?" Cho parecia ser o menos afetado pela notícia, mas não por isso estava menos irritado.

"Ele tem um plano. Red John pediu uma prova de sua mudança; um presente para mostrar que está mesmo disposto a segui-lo. O plano de Jane é que, quando ele for entregar esse presente, nós estaremos lá para pegá-lo."

"E qual é esse maldito presente?" Grace estava desconfiada.

Lisbon olhou para todos e tentou parecer menos nervosa.

"Ele quer o meu corpo."

O silêncio mais uma vez tomou o local. Wayne, Kimball e Grace pareciam considerar se sua chefe também não estaria precisando ser internada. Eles olharam entre si e voltaram a olhar para Lisbon.

"Antes de qualquer coisa, eu preciso saber se posso contar com vocês. Não estão obrigados a isso: eu vou ajuda-lo sozinha se preferirem não entrar nessa. Não haverá punições muito menos rancor. Jane está perdido e não tem mais ninguém por ele. Eu não vou abandoná-lo. Vocês são donos do próprio destino e estão livres para dizer sim ou não."

As palavras de Lisbon eram certeiras. Desde que o contratou, ela não tinha mais poder de decisão sobre suas ações; tudo dependia de Jane. Eles admiravam sua lealdade e, ao mesmo tempo sentiam pena da sua situação. Mas ela era sua chefe. Sua doce, forte, decidida e competente chefe e ela não precisava de sua pena agora. Precisava de sua ajuda.

"Estou dentro." Cho foi o primeiro. Ele sempre esteve ao seu lado, custe o que custar. Homem discreto, de poucas palavras mas de uma lealdade imensa.

"Eu também." Van Pelt foi a próxima a apoiar a chefe. Ela sabia que o sentimento de Lisbon por Jane não é só amizade, mas ela também sabe que a própria chefe não sabe disso. E Grace adorava um bom romance proibido.

"Se todos estão, é claro que eu estou." Rigsby, por fim. Estava preocupado por causa de Benjamim, mas não ficaria fora dessa por nada.

Lisbon sorriu no escuro ao lembrar. Sua equipe era tão especial e fiel. Ela os amava tanto. Cada um com seus pontos fortes e fracos. Cho era imbatível em interrogatórios: ninguém durava mais do que cinco minutos em suas mãos. Grace era capaz de descobrir coisas sobre os suspeitos que eles mesmos poderiam não saber, mas não era tão eficiente em tiroteios. Ao contrário de Rigsby, que era muito bom nisso e em perseguições, além de seu conhecimento sempre útil sobre incêndios.

Sua equipe, que nunca a abandonava. Nunca a deixava na mão. Sempre se importavam com ela, independente de qualquer coisa. Diferente dele. Incrível como qualquer coisa que pensasse sempre acabava nele.

Ele era uma praga. Uma erva-daninha que se alojou na sua vida para destruí-la. Já tinha se convencido disso. O que a intrigava era o porquê dela não conseguir exterminar essa praga da sua vida.

Vai ver era pelo fato de ser disfarçada de rosa. Uma linda, adorável e charmosa rosa, que parecia ser a única existente. Que tinha algo como uma atração gravitacional, que fazia com que todos à sua volta girassem em torno dela. Que a fazia sorrir em dias nebulosos e se perguntar como ela consegue ser tão perfeita nesses momentos. Uma rosa exótica, iluminada e sozinha; que precisava de cuidados especiais para continuar sobrevivendo. Devia ser por isso.

Assim, Lisbon foi lentamente cedendo ao efeito do calmante e adormecendo. E seu último pensamento consciente foi uma rosa. Amarela, incandescente e solitária, no meio de um mar de ervas-daninhas.

Seis horas o celular tocou. Seu despertador. Lisbon acordou e não sabia se beijava o aparelho ou o jogava na parede. Sentou-se na cama; estava assustada. Nas poucas horas de sono que teve, seus sonhos não foram bons. Primeiramente, ela acredita que dormiu pesadamente e não se recorda de nada, graças ao remédio. Mas à medida em que o efeito foi passando, ela começou a sair do estado de consciência para a semi-consciência e a sonhar.

Viu Patrick Jane. Mas será possível que esse homem não me abandona nem nos meus sonhos? Ele estava indo em direção às salas de interrogatório do CBI e parecia que não havia mais ninguém no corredor e no andar todo; o silêncio era profundo, como se fosse o meio da madrugada. Ele parecia desconfiado, como se estivesse fazendo algo proibido.

Abriu a porta da sala 1 bem devagar. Ao fechá-la, virou-se para a mesa e suspirou. Seu olhar era profundo, como se o desejo transbordasse do seu corpo. Ele olhava para algo que estava atrás da mesa... Lorelei estava sentada comodamente na cadeira, observando seu visitante. Seus cabelos estavam soltos e ela sorria.

"Eu sabia que você não demoraria a me visitar, Patrick.", disse ela com sua voz infantil e irritante.

"Eu não poderia ficar longe. Você sabe disso. Eu não posso perder você."

As palavras de Jane levaram Lorelei a se levantar e, quando ela o fez, ele percebeu que não eram as mesmas roupas. Ela vestia um sobretudo marrom amarrado na cintura e andava lentamente ao redor da mesa, indo ao seu encontro. Parou na sua frente e esperou. Ela sabia que ainda era difícil para ele depois de tanto tempo. Então, pegou suas mãos e as pôs em sua cintura. Jane pareceu considerar por um momento; um longo momento. Puxou-a de lado e a empurrou na quina da mesa, pressionando-a com o peso do seu corpo.

Colocou as mãos no laço do casaco e o desfez. Lorelei estava nua. Jane a olhava com tamanho desejo e admiração; ela era muito bonita e feminina, apesar de ser uma assassina fria e sem escrúpulos.

"Sua chefe sabe que você está aqui para isso?" Lorelei falou e apontou para si mesma naquele estado. Jane sorriu e passou a mão pelos seus cabelos castanhos.

"Ela não precisa saber e não saberá. Ela confia em mim e esse é seu maior erro." Jane retira o paletó do terno de três peças impecável e o joga no chão. "Você é minha!" Segura o rosto da mulher entre suas mãos e a beija.

Graças a Deus e pelo bem da sua sanidade, o despertador do seu celular toca e ela é impedida de ver o fim daquela cena. Ao relembrar aquilo tudo, Lisbon se levanta determinada, pega sua roupa íntima no armário e vai em direção ao seu chuveiro. Tomaria uma ducha gelada e correria para o CBI. Jane não a enganaria, não a faria sofrer a dor de uma decepção novamente. Ela iria correr atrás da sua libertação e nada a impediria de fazer isso.

Eram exatamente quinze para as sete da manhã quando Lisbon saiu do elevador e atravessou o corredor. Se houvesse alguém naquele momento no local, notaria que ela estava apressada e com cara de poucos amigos. Mas era muito cedo e foi essa a intenção dela: não ser vista.

Entrou em sua sala e colocou sua bolsa na gaveta da mesa. Fechou-a e tentou sem sucesso pôr a chave na fechadura, deixando-a cair no chão.

"Droga!", disse baixinho com medo de que sua voz mais alta atraísse alguém para o local. Ou acordasse alguém com sono muito leve. Respirou fundo, pegou a chave do chão e trancou a gaveta. Levantou-se e saiu de sua sala, fechando a porta levemente. Estava muito nervosa e agitada, precisava de um café para acalmar-se. Foi até a máquina e pôs um pouco do líquido dos deuses na xícara. Tomou rapidamente e sentiu a calma a invadir junto com ele. Colocou a xícara na pia e tomou seu destino, mais relaxada.

Andou lentamente até o fim do corredor e dobrou à direita em outro, mais escuro e com várias portas. Parou na frente da primeira e olhou para dentro. Por um momento estranhou a coincidência entre os números, mas deveria ser coisa do seu subconsciente perturbado. Lá estava ela, e não teria outro lugar para estar; não com os dois policiais sentados na sua porta, atentos a qualquer movimento brusco que houvesse.

Lorelei Martins. Garçonete em Las Vegas, mas sua principal atividade era ser cúmplice do grande serial killer da atualidade na Califórnia. Com as mesmas roupas com as quais foi presa – graças a Deus sem nenhum sobretudo marrom -, ela estava com os braços cruzados na mesa e a cabeça sobre eles. Mesmo não vendo seu rosto, ela parecia cansada mas não sabia dizer se era fisicamente ou de toda aquela história.

Entrou na sala e ficou de pé por um momento, esperando ser notada. Lorelei levantou o rosto dos braços e a olhou.

"Bom dia, agente Lisbon. O que a traz tão cedo até mim?", disse sorrindo como se estivesse feliz ao vê-la ali.

Teresa continuou parada, fitando aquela mulher e procurando nela algo atraente. Algo forte o suficiente que pudesse atrair Jane mais do que todas as outras que se derreteram aos seus pés durante esse anos. Algo que ela não tinha.

Lorelei era bonita, mas não excepcional. Cabelos curtos e ondulados, olhos delineados, nariz afilado e boca pequena. Um rosto aprazível no todo, para quem não soubesse as atrocidades que ela era capaz de fazer. E fazer sorrindo, da mesma forma como ela ainda sorria enquanto Teresa a analisava.

"O que está procurando, agente?"

"Nada." Lisbon foi sincera. Estava procurando algo naquela mulher que parecesse com arrependimento e humanidade. Seu resultado foi claro.

"Sente-se, Teresa. Acredito que teremos uma longa conversa."