02. A mansão.

O sol começava a se pôr, o tempo começou a fica mais agressivo, mexendo bruscamente o topo das árvores ao redor. Algumas folhas eram arrancadas de seus galhos com a força do vento. Kaoru tentava em vão impedir que seu longo cabelo tampasse sua visão. Aoshi também estava tendo trabalho com sua franja e Yahiko tinha o olho fechado completamente, por medo que algo entrasse em seus olhos.

Mas, de repente tudo parou. A ventania acabou como se nunca tivesse ocorrido, deixando apenas como prova de sua existência, a bagunça tanto na aparência dos três irmãos quanto ao redor e um tapete de folhas ao chão. Tantas que chegava a ser irreal. Desconcertados, olharam de um lado ao outro, perdidos, sem o que dizer. Perguntando-se se tudo não tinha passado de uma ilusão.

Para completar o cenário inexplicável, logo a frente deles, após umas quatro árvores, puderam distinguir pela primeira vez uma mansão, era grandiosa, impossível de esconder, mas por alguma razão, era a primeira vez que a viam. E o caminho parecia levar apenas a ela.

Aoshi franziu o cenho.

Yahiko prendeu a respiração.

Kaoru engoliu em seco, sentindo um frio percorrer sua espinha dorsal.

Se entreolharam e seguiram até o portão de ferro enferrujado, Era grande e majestoso e podia-se notar a cor que um dia foi cobre. Logo à frente, no caminho até a mansão que ficava a alguns metros mais ao fundo, podia-se notar troncos caídos, ervas daninhas, folhas secas misturadas com verdes, sujeiras acumulada de tempos e tempos sem cuidar e limpar.

A mansão vista de onde estavam, por entre os espaços das grades do portão tinha uma estrutura linda, poderosa e harmoniosa, saída diretamente da época vitoriana. Verdadeiramente esplendorosa o que aumentava a tristeza de quem observava a construção de três andares, toda desgastada, coberta de lodo, com rachaduras nas paredes e vidros quebrados nas janelas embaçadas. A única coisa que parecia firme e intacta era a porta de madeira, que dava acesso ao interior da casa.

— Então… O que fazemos? Continuamos a andar ou entramos na casa da família Addams?

Yahiko quebrou o gelo e Kaoru riu nervosa, tentando disfarçar seu temor.

— Acho que é o único sinal de civilização que encontraremos…

Completou Aoshi friamente, ignorando o que se passava na mente da irmã, com os olhos fixos no lugar, sentindo uma estranha atração.

— Vocês devem estar de brincadeira, não é? - estourou. - Olhem para esse lugar, não deve morar ninguém ai. - falou indignada, encarando os irmãos. - E se morar, deve ser um psicopata, tipo Leatherface. Vocês não estão realmente cogitando entrar, certo?

Junto com o final de sua pergunta o céu se fechou imediatamente, o vento voltou com força total e um estrondo pode ser ouvido tão perto que eles puderam sentir o chão tremer. E como se não bastasse o céu foi clareado por um raio tão perto que os assustou sobremaneira. A tempestade se aproximava rapidamente.

— Escolha: tempestade com risco de morrermos torrados ou psicopata?

O dono dos olhos azuis gelo perguntou olhando fixamente para a irmã. Que perdida não sabia o que responder. Duvidosa soltou que escolhia tempestade. Ele estreitou os olhos para ela e encarou o mais novo, que após uma troca de olhares rápida, assentiu ao pensamento não dito do mais velho. E em uníssono, mais uma vez, responderam.

— Psicopata!

Empurraram o portão e para surpresa de todos, abriu sem dificuldade. E com passos apressados dos homens e temerosos dela, se dirigiram até a escada que levava a porta de madeira. Subiram. Quando o último deles colocou os dois pés na madeira que ficava em uma parte coberta, tipo varanda, a chuva começou a cair copiosamente e um raio cortou o céu atingindo uma árvore que pegou fogo. Kaoru levou um susto tão forte que abraçou o irmão mais velho, puxando para perto o mais novo. Todos engoliram em seco.

Passado o susto inicial, após alguns segundo, Aoshi os soltou lenta e delicadamente, recuperando sua habitual frieza que sempre desaparecia quando se tratava dos cuidados de seus irmãos. A única família que lhe sobrou.

— Vocês estão bem?

Perguntou só para ter uma confirmação de seus estados mentais após o susto, porque em questões físicas, sabia que nada havia passado a ninguém.

Assentiram em confirmação ao mais velho e deram às costas a tempestade, olhando detenidamente para a porta de madeira entalhada, onde os anos não conseguiram apagar a magnitude de sua beleza.

— Então... Vocês acham que o Tropeço vai abrir a porta?

Os mais velhos olharam para o menor com cara de tédio. Yahiko sorriu largamente e cantou a musica do filme, estralando os dedos no ritmo. Os outros dois reviraram os olhos em desanimo e Aoshi se prontificou em forçar a maçaneta.

A porta cedeu em uma facilidade espantadora. Os três franziram o cenho e o garoto engoliu em seco, pela primeira vez, dando brecha ao temor que sentia a tempos, que estava sendo camuflado pelas piadinhas com os clássicos do terror.

Mas, o que realmente surpreendeu o trio, foi o que viram dentro. Assustados olharam para a parte externa certificando-se de que estavam no lugar certo.

A mansão por dentro não tinha nada de abandonado, era perfeita e aconchegante. Os móveis bem cuidados e conservados, a mobília limpa, o cheiro de flores frescas contagiava o ar, as paredes de tons pastéis, bem pintadas.

Deram um passo adentro e o sentiram o ar diferenciado.

Tudo estava muito bem cuidado, como se houvessem moradores ali, mas ninguém aparecia. Fizeram silêncio total, até mesmo prenderam a respiração, para ver se escutavam algum ruído, mas tudo o que podiam ouvir era o barulho da chuva.

Deram mais alguns passos e pararam bruscamente, o tapete caro e limpo os obrigaram a olharem seus sapatos com medo de sujarem tudo ao redor. Yahiko foi o último a entrar e deixou a porta aberta. Após certificarem-se de que não estavam deixando um rastro de lama por onde passavam a porta bateu sozinha, causando um som abafado e alto o suficiente para fazê-los darem um pulo de susto e Kaoru soltar um grito de impressão.

Conseguiam escutar suas próprias batidas do coração dentro de seus ouvidos, estavam tão acelerados que parecia doer.

— Foi... Foi uma corrente de ar... Né?

O de dez anos perguntou. E a irmã replicou.

— Não tem nenhuma corrente de ar aqui...

— Foi o vento.

O mais velho sentenciou e deu por encerrado o assunto. O que ele menos precisava naquele momento é que todos se preocupassem mais do que já estavam.

Observou ao redor e seus olhos azuis se focaram no crepitar das chamas da lareira acesa, não estava muito frio, mas o calor que inundava aquele lugar era tão acolhedor que fez seus batimentos cardíacos se acalmarem.

Kaoru observava fascinada cada escultura e vaso pintado à mão que adornava o salão, se sentia abrumada com tanta beleza e nobreza em um mesmo lugar. A família de seu noivo possuía uma excelente situação financeira, mas ela nunca havia visto algo parecido com isso na família Yukishiro. A elegância daquele lugar era digna de filme e não pode deixar de se perguntar, quem eram os donos daquela exuberante mansão e porque não cuidavam da parte externa com o mesmo afinco empregado na interna.

Yahiko se fascinou com o piano de calda negro que ficava a direita de quem entrava. Era tão bonito que teve duvidas de que ainda funcionava ou era só um enfeite. Tocou uma tecla e o som afinado ecoou, chamando a atenção dos mais velhos que o olharam intrigados. Sorriu em resposta e fechou a tampa de proteção das teclas.

Ante de se juntar aos irmãos teve a sensação de ver alguém, uma garotinha sair correndo para um dos corredores da casa e apressou o passo para olhar o local por onde ela se perdeu, mas só encontrou o vazio. Meneou a cabeça, achando que estava tendo alucinações causadas pela estranheza do local.

Se juntou aos outros dois que davam a volta nos sofás que recordavam a era Vitoriana e caminhavam em direção as escadas que ficavam em meio a um hall que no meio possuía uma mesa redonda com um vaso cheio de flores recém colhidas e sob a mesa um tapete redondo todo branco. Pensaram em seguir reto para um dos corredores, ainda a procura de alguém que poderia atendê-los, mas algo lhes chamou a atenção. Mais exatamente dos dois mais velhos.

A escada larga de corrimão de madeira bifurcava após o primeiro lance, abrindo para dois caminhos opostos, um a direita e outro a esquerda e a parede que ficava no topo do primeiro lance era adornada por dois gingantes quadros. O da esquerda chamou a atenção de Kaoru e o da direita de Aoshi.

No da esquerda podia-se ver um imponente homem, seu olhar dourado prendeu a atenção dos azuis índigos como se estivessem vivos. O cabelo vermelho como o fogo, longo e solto adornava o rosto de traços finos e delicados, porém não apagava em nada sua masculinidade. Sua bochecha do lado esquerdo possuía uma fina cicatriz em forma de "X" que em nada o enfeiava. Dava a sensação de que ela era um complemento dele.

Mas, o que mais chamou a atenção da moça era a forma com a qual ele a encarava. Parecia triste, nervoso... Era uma mescla de sentimentos que ela não conseguia exatamente distingui-los. Mas, ao mesmo tempo em que aqueles olhos a sobressaltavam, a atraiam. A vestimenta dele mostrava que se tratava de um homem de posses e poderoso. Sentiu-se ofegante, quando pareceu que os olhos do ruivo a observavam penetrantemente.

Ao seu lado, ignorante a tudo o que se passava a irmã, estava Aoshi observando detalhadamente o quadro a direita. Nele podia-se ver uma jovem dama, que ele julgou surpreendentemente linda. Possuidora de um par de olhos verdes esmeralda, tristes. O longo cabelo negro como a noite sem lua, solto, adornava o rosto juvenil e muito delicado da moça. A face séria como a do ruivo do retrato ao lado.

Os lábios bem desenhados com um batom carmim escondiam um sorriso, que o mais velho do trio desejava conhecer. As roupas também delatando uma condição financeira favorável e após uma rápida inspeção em detalhes como cores da roupa em contraste a pele alva da garota, os azuis glaciais se voltaram para os verdes da pintura, que o observava com melancolia. Ele quase pode jurar que viu os olhos brilharem com lágrimas.

— Posso ajuda-los?

Uma forte voz os alarmou de tal maneira que deram um pulo ao se virarem de encontro à pessoa que se encontrava aos pés da escada. Ainda sentindo os resquícios do susto, puderam observar a um senhor de cabelo e barba branca vestido de mordomo de algumas décadas a trás.

O homem ereto observava os irmãos de forma neutra. Não demonstrava nenhum sentimento e aguardava pacientemente por uma resposta a sua pergunta. Kaoru foi a primeira em reagir.

— Nós... É... Desculpe-nos. Não queríamos invadir, mas tivemos problemas com nosso carro e nos perdemos e aqui foi o único lugar que encontramos para esconder-nos da tempestade...

Enquanto ela narrava ele analisava ela e o mais alto. Pelo garoto deu uma passada rápida de olho sem muita importância. Seu foco eram os mais velhos. Parou de prestar atenção no que ela dizia após a tempestade e só voltou a se concentrar quando deixou de ouvir a doce voz feminina.

— Então? – perguntou.

— Gostaríamos de permissão para usar seu telefone... Para poder chamar um guincho.

Aoshi completou rapidamente se sentindo incomodo de repente.

— Telefone?

Ergueu uma sobrancelha branca, demonstrando por fim alguma reação diferente da seriedade.

— Sim... Aquele aparelho onde discamos um número e alguém do outro lado da linha responde, sabe?

— Yahiko?

Kaoru repreendeu o irmãozinho após a falta de educação dele no falar, mas o primogênito só encarava o velho.

— Não temos nada parecido com isso nessa casa. – o comunicado surpreendeu a todos. – De qualquer forma, há essa hora com essa chuva, ninguém vem aqui... Porque não passam a noite e pela manhã veremos o que podemos fazer para resolver seu problema.

— Não queremos incomodar.

O mais alto respondeu sem demora.

— Não será incomodo.

E o mais velho decidiu encerrando o assunto.

Kaoru y Yahiko engoliram em seco e seguiram com o olhar o velho passar por eles e subir as escadas seguindo a bifurcação à direita, quando já estava no topo se voltou aos três que não tinham se movido nem um centímetro e os chamou, ordenando educadamente que o seguissem.

— Não tem necessidade de se preocupar por nós. Podemos nos instalar aqui mesmo na sala.

Comentou Aoshi, fazendo o desconhecido descer os últimos degraus se juntando a eles.

Após chegar até os jovens, que se uniram atrás do irmão mais velho, que aceitou prontamente o papel de protetor, o homem se virou para os retratos pintados na parede. E informou.

— Meus senhores. Os irmãos Himura não aceitariam jamais que eu não acolhesse pessoas que precisam de ajuda, por pelo menos uma noite.

— Quem? – Yahiko curioseou.

— Desculpem minha falta de educação. Sou Okina e sirvo aos irmãos Kenshin e Misao Himura. – apontou para os quadros que eles observavam antes. – Agora, por favor, me sigam.

Boquiabertos com a forma mais leve que o mordomo usou para se apresentar e convidá-los a lhe seguirem no final, o trio deu uma última olhada em direção aos quadros antes de começarem a andar no automático, ainda atordoados.

Continua...


Leatherface assassino de O Massacre da Serra Elétrica.

Tropeço é o mordomo da Família Addams.

Oi genteeee. XD

Voltei. De novo. u.u

Já atualizei Uma Falsa Realidade, que pra quem não sabe, tb é de Samurai X e agora, antes de me dirigir a GW, deixo o segundo capitulo aqui pra vcs. :)

Heloisa sua linda, muito obrigada por sua review e pode deixar eque não abandono nada que começo. :) Espero que goste desse capitulo também.

Suss meu amor, sim... Como sempre eu arrumando sarna pra me coçar. XD Sabe como é, né? :)
Bom, já tem suas respostas... Ou melhor, algumas delas. XD Espero que continue lendo que as coisas começam a ser divertidas. ;) Beijinhos minha linda e obrigada por me apoiar. *o*

Meu irmão tinha me dado a ideia de publicar um capitulo novo a cada Halloween, mas como sou boazinha, vim antes. kkkkk

Espero ansiosa pela review de vocês e quem não conhece, de uma passada por minha outra fic, ok?

Obrigada a todas e muito e muitos beijos.

Só um aviso, mais pra frente essa fic passará ao ranting M. :3

23/11/2015