All these characters belong to Charlaine Harris that created this wonderful universe. I'm just happy to have the opportunity to play with them.
Please don't sue me, cause I'm poor.
Obrigada Mima e Otoyo pela vossa paciência.
EPV
Ele observou-a enquanto saía rapidamente da sala. Ali estava um espécime muito interessante. Procurou na sua memória onde, quando, tinha sentido o cheiro adocicado semelhante ao de Sookie. Sem dúvida que era imperceptível para o nariz humano e talvez até para vampiros mais jovens, como Bill. Mas estava lá, como um perfume que provoca o desejo ainda antes de se saber que se inalou.
Decidiu falar com o Bill sobre a Sookie mas não hoje. Ficou tão intrigado com o seu odor especial que não resistiu segui-la. Assim que chegou ao corredor, viu que o elevador se fechava, com a Sookie e o gay enfeminado que estava na sala e que não se envergonhou de olhá-lo com desejo. Nada que o surpreendesse...
As escadas! À velocidade de vampiro desceu as escadas e chegou ao piso da rua mesmo a tempo de ver o gay a entrar no táxi. Aproximou-se lentamente dela. Ela não o ouvira. Estava tão perto que podia morde-la naquele momento. Namorou a ideia por dois segundos mas optou por oferecer-lhe boleia. Ela recusou. O seu cérebro demorou mais do que esperava a reagir pois aquela não era a resposta que esperava. Ela recusou? Viu-a entrar no táxi e este a partir. Disse-lhe que preferia não entrar num carro com um vampiro que desconhecia. Mais uma razão para falar com Bill. Que seria que ele lhe fizera que agora ela temia a companhia de vampiros?
Quando chegou a casa dirigiu-se à sua biblioteca e procurou a prateleira com a enciclopédia. Puxou um dos volumes e ouviu-se um pequeno click abrindo uma porta em seguida, por detrás da estante. Atrás desta estava outra prateleira cheia de pequenos volumes de várias cores e tamanhos. Muitos deles ensaguentados. Pensou um pouco. Tinha um milénio de memória para vasculhar... Talvez o século XII, em plena idade média... norte de França, talvez... procurou um pequeno caderno azul escuro... e encontrou-o! A sua memória não o falhara e encontrou o apontamento que sabia que existia.
"Cheiro inebriante na floresta, ergui-me com as presas expostas. Procurei-o sem sucesso."
Ah, sim... tinha procurado durante duas noites, já se lembrava... A caça tinha terminado com sucesso...
"O ser era filho de um humano e de uma fada mas desconhecia este facto. O seu sangue era um néctar irresistivel e depressa drenei-o até ao limite."
Na Sookie o seu cheiro era mais subtil, quase imperceptível. Talvez o seu sangue de fada estivesse mais diluído... Guardou o pequeno volume azul e fechou a estante. Dirigiu-se à sua secretária e retirou da gaveta trancada à chave o seu actual volume.
Depois de alguma ponderação, escreveu: "Humana de cheiro adocicado. Corpo volumptuoso. Olhar assustado."
SPV
Que castigo... Maldito despertador que a puxa sempre do melhor momento do sonho... Passou a mão pelo lençol da sua cama e lamentou sentir a cama vazia. Sempre sozinha... Abriu os olhos: 11h da manhã. Era cedo demais para quem trabalhava num show com vampiros. Trabalhava quase sempre de noite nos guiões e muitas reuniões aconteciam também à noite. Só mais um bocadinho...Agarrou-se à almofada como se fosse a sua forma de regressar ao sonho... nada feito... O melhor será acordar mesmo...
Sentou-se na cama e espreguiçou-se. Debruçou-se sobre a mesa de cabeceira e procurou o seu diário. Tinha por hábito anotar todos os sonhos que tinha, para mais tarde decifrá-los. Decidiu escrever o sonho enquanto se lembrava dele. Assim que terminou, entrou na sua rotina normal: casa-de-banho, duche, pequeno-almoço. Só quando começou a trincar as suas torradas é que se permitiu reflectir sobre os acontecimentos da noite anterior.
Tinha-lhe dito que não. Eric oferecera-lhe boleia e ela respondera-lhe que não.
- Não é preciso, Eric. Eu apanho um táxi.- Ele olhou-a como se ela tivesse numa língua estrangeira. Ou muito desconfiava ou ele desconhecia a palavra não...
- Não me custa nada. Tenho tempo e carro, posso te deixar em casa.
O convite em tudo parecia inocente, mas os vampiros eram predadores e os humanos o seu pitéu. Apesar de ter namorado com o Bill não desejava voltar a envolver-me com esta espécie novamente, não depois de tudo o que tinha acontecido.
- Agradeço mas não. - Ele olhava-me imóvel, daquela forma que os vampiros tão bem fazem, quase parecendo uma estátua de cera. - Eu não o conheço, Eric. Não vou entrar num carro consigo. - honestidade nunca matou ninguém, pensei com os meus botões.
- Podes-me tratar por tu e seria uma boa oportunidade para me conheceres... para nos conhecermos. Eu sei que tu não temes estares a sós com um vampiro. - semicerrou os olhos, observou-me de alto a baixo com os seus profundos olhos azuis e podia jurar que lambeu rapidamente os lábios, se bem que não podia ter a certeza. Um pitéu, era tudo o que ele via, sem dúvida.
Um taxi dobrou a esquina, fiz-lhe sinal e este começou a abrandar.
- Outras oportunidades surgirão de certeza! Boa noite, Eric! - e entrei no taxi.
Ele era sem dúvida magnífico. Mesmo que fosse vivo, seria um dos homens mais belos que já tinha visto. Morto, era simplesmente devastador. As mulheres enlouqueceriam de desejo sempre que ele entrasse em cena e isso iria trazer boas audiências à série. Sem dúvida! De súbito, sentiu o desejo de escrever.
Sentou-se ao computador, no seu escritório. Afinal de contas tinha o primeiro episódio para escrever.
Nip/Bite era uma série provocadora: falava sobre a mortalidade dos humanos, a amoralidade dos vampiros, do sangue, dos corpos, do sexo, do desejo da juventude eterna, tudo isto num ambiente de uma clínica de cirurgia plástica em Hollywood. De alguma forma o conceito tinha cativado alguma audiência mas faltava-lhe algo para ser um verdadeiro sucesso. Um protagonista carismático, que não era Bill de certeza. Quando a série tinha começado ainda estavam juntos e aos seus olhos ele tinha tudo para ser a pessoa certa. Agora, ela e todos da série sabiam que não. Só ele e Lorena continuavam cegamente a achar que era a eles que a série devia o seu sucesso.
- Vais entrar a matar, Ulisses Alexander! - disse ela sorrindo para o teclado.
E escreveu durante horas. Só parou quando o seu estômago deu sinal. Olhou o relógio: horas de jantar. E a festa do Northman a seguir. Bolas, nem pensou no que iria vestir... Lafayette tinha-a colocado contra a parede, nem pensar em lhe dizer que não.
Jantou uma taça de cereais com pedaços de fruta. Vestiu um vestido cinzento, colante mas sem ser demasiado provocador, calçou uns sapatos pretos de salto agulha e rematou o look com um cinto preto. "Simples e sexy", pensou quando se olhou ao espelho. Sentia-se confiante como há muito tempo não se sentia. Talvez fosse o fruto do seu trabalho. Talvez fosse a pequena atenção que recebera a noite passada do Northman. Talvez...
A campainha soou.
Lafayette entrou desfilando o seu fato ao mesmo tempo que apreciava o de Sookie.
- Bem, se é assim que te vestes quando te dói a cabeça e ficas em casa, nem quero imaginar quando realmente fores a uma festa. - provocava-a com as suas próprias palavras, claro. Ela decidiu sorrir-lhe apenas e esticou-lhe o braço.
- Vamos Lafayette.
- Nem precisas de dizer duas vezes. - E saíram.
Continua...
