21 de Setembro de 2018

Já passava das seis e meia da tarde e Rosa começava a ficar impaciente. Seu primo, Alvo Potter, deveria tê-la encontrado há quarenta minutos atrás, para terminarem o ensaio de Poções e, àquela altura, ela imaginava que ele não apareceria mais.

Foi quando Escórpio Malfoy entrou na biblioteca e rumou sem desvios na direção dela.

Rosa soltou um muxoxo. Eventualmente ela sabia que Escórpio viria com o primo — eles sempre andavam juntos — mas isso não significava que ela tinha que apreciar sua companhia.

— O que você quer? — Sibilou, assim que ele tomou lugar em um assento de frente a ela.

— "Oi" pra você também, Weasley. — Respondeu, já separando um pergaminho e um tinteiro.

Rosa rolou os olhos, impaciente. — Onde está, Al. Era pra ele ter chegado há muito tempo e...

— Ele não vai chegar. — Respondeu sem olhá-la, separando agora o Livro Padrão de Poções da 2ª Série.

— Como não? — Insistiu, confusa e irritada pela forma vaga como o garoto respondia. — Nós combinamos hoje cedo!

— Ele não quis te dizer que tinha outro compromisso.

As orelhas de Rosa coraram, e ela se sentiu furiosa. Escórpio, entretanto, fingia não tomar conhecimento disso, os olhos fixos no livro à sua frente.

— Al me conta tudo! Ele é o meu melhor amigo!

— E único também.

— Como se você tivesse algum outro! — Respondeu um pouco alto demais, fazendo algumas cabeças virarem na sua direção. Escórpio ergueu os olhos frios, encarando a garota à frente com pouca reverência.

— Ele está no teste de Quadribol, satisfeita?

Rosa arfou e afundou na cadeira. — Mas... mas... porque ele não me contou?

— Porque você vive dizendo a ele que jogar Quadribol na escola é uma bobagem e só serve pra distrair dos verdadeiros deveres. — Retrucou com certo desprezo, voltando o olhar para o seu livro. — Então ele decidiu que não queria te contar, até ter conseguido uma vaga.

— Mas isso não é justo! Eu sei que Al é um ótimo apanhador. Ele merece uma vaga no time... — Balbuciou, ainda sem acreditar. — Eu só achei que ele não queria jogar na escola também... quer dizer...

— É isso —, interrompeu Escórpio, olhando-a novamente, triunfante —, você é uma péssima amiga pra ele.

Rosa emburrou a cara. — E você é um bom amigo? Fazendo ele pegar uma detenção a cada duas semanas?

— Pelo menos eu dou emoção à vida dele. Como você é só deveres, biblioteca, responsabilidade, chato e chato. - Debochou ele, inclinando-se ligeiramente na mesa para encará-la.

— Pois eu sou muito mais divertida que você! — Encarou ela de volta.

— Divertida como um balaço. — Encerrou Escórpio, com uma risadinha maldosa, voltando a escrever no seu pergaminho.

Rosa também tentou se concentrar no próprio dever, mas as palavras do garoto não saiam da sua cabeça. — Não acredito em você. — Disse, finalmente, depois de alguns minutos.

Ele ergueu os olhos assombrado. — Isso não é problema meu, eu só disse o que eu sei.

— Pois eu acho que você inventou alguma mentira pro Al sobre o nosso encontro, e está mentindo agora. Você sempre mente!

— Você é irritante, Weasley! — Respondeu tomado de incredulidade. — Eu simplesmente não sei como alguém te suporta!

— Pois eu diria o mesmo ao seu respeito, Malfoy. — Retrucou com mau humor — Se é verdade que ele está no teste de Quadribol, e só contou pra você, porque você não está lá torcendo por ele? É isso que os amigos fazem, não?

— Eu pensei que fosse óbvio.

Ela sentiu as orelhas corarem, desconcertada. — Pois não é!

Escórpio bufou, balançando a cabeça inconformado. — Eu sou da Sonserina! Eles não querem um cara da Sonserina espiando o teste da Grifinória!

— Pois eu pensei que o campo fosse público. Ninguém pode impedir outro aluno de entrar lá. — Arrematou.

— Pois diga isso para o seu priminho Tiago Potter e companhia. — Respondeu com azedume.

Rosa entendeu que ele devia ter ido até o campo de Quadribol e sido expulso de lá em seguida. Era por isso que ele também não chegou na hora. Mas isso ainda não explicava por que Malfoy tinha ido até lá. Os dois nunca saíam sozinhos, não eram amigos; Alvo sempre estava entre eles, mediando os dois.

— E o que você está fazendo aqui então?

Escórpio voltou a erguer o olhar para a garota, parecendo extremamente aborrecido. — Eu também pensei que fosse óbvio.

Rosa voltou a corar, mas não respondeu. Continuou olhando para o garoto, exigindo uma resposta. Ele suspirou. — Eu estou fazendo o meu dever —, disse, erguendo o pergaminho.

— Mas porquê você sentou na minha mesa? — Retrucou.

— Porque eu preciso passar o meu dever para o Al depois, mas pra isso eu preciso ver o seu primeiro.

Rosa pareceu levar uma bofetada. — Você vai copiar o meu dever?! — Gritou, esquecendo-se de onde estava. Vários alunos deram risadinhas por trás das estantes e Madame Pince correu para fazer as advertências habituais de silêncio, ou seriam expulsos da biblioteca.

Assim que estavam de novo a sós, Rosa chutou a canela de Escórpio por baixo da mesa.

— Mas que mer...

— Eu não vou deixar você copiar o meu dever! — Sussurrou.

— Eu não vou copiar. Eu não preciso das suas respostas, eu só vou conferir. — Respondeu mal humorado, massageando a canela machucada.

— Ah, sim! Você acha que eu vou emprestar meu dever de bom grado pra você conferir —, zombou ela.

— Eu sempre confiro o seu dever. Não tem nada de mal nisso.

Ela abriu a boca e tornou a fechar, surpresa demais para devolver uma resposta sarcástica.

— Eu nunca te emprestei o meu dever —, respondeu por fim, chateada.

— Mas sempre empresta para o Al, e ele sempre me empresta depois.

Rosa afundou mais uma vez na cadeira, sentindo-se traída pelo seu melhor amigo. Vendo um plano maligno se formar na mente, ela alcançou um novo pergaminho e começou a escrever freneticamente, inventando palavras e invertendo os efeitos da poção sobre a qual deveria descrever no dever.

Terminou em cinco minutos e, com um aceno rápido da varinha, enrolou todos os outros pergaminhos guardando-os em seguida na mochila.

— Ei! — Reclamou Escórpio. — Onde você vai?

— Para a Torre da Grifinória.

— E o dever?

Ela jogou o pergaminho na frente dele e, sem mais despedidas, saiu da biblioteca com um sorriso maroto nos lábios.