Aguentaram o primeiro? Ai vai o segundo de uma vez, porque quero terminar logo. E não, não me chamem de idiota arrogante, ok? Eu amo vocês. Mesmo.
Capítulo 2.
You cannot run.
O único problema era que o Dr. Connors tinha viajado e só voltaria dentro de três dias.
- Não há ninguém com quem eu possa falar? - Hermione perguntou a secretária, os olhos castanhos frustrados.
- Não há substituto listado para o Dr. Connors na área de psiquiatria. Posso deixar um recado para ele, dizendo que a senhorita veio procurá-lo. - A mulher de 30 e poucos anos tinha as feições graciosas e um sorriso preocupado no rosto. Hermione passou as mãos pelo rosto e suspirou fundo quando assentiu.
- Diga a ele que preciso vê-lo assim que ele voltar. Obrigada, Jane. - Ela se despediu e deixou o escritório, atravessando o hospital com passos apressados. Tinha acordado atrasada naquela manhã, Rony já tinha se levantado e continuava com a expressão anuviada, embora tenha lhe dado um beijo caloroso antes de sair.
- Me espere hoje de noite preparado, Ronald Weasley. - Hermione havia dito, um sorriso malicioso brincando em seus lábios. Agora que se lembrava da esperança nos olhos do namorado, se sentia cada vez mais perdida. E se não conseguisse de novo? O que Rony pensaria que ela estava fazendo, recusando-se a dormir com ele? Os pensamentos a atormentaram durante sua viagem ao Ministério, e somente quando Hermione largou-se em sua cadeira, vendo a montanha de papéis que a esperava, parou de pensar naquilo. Ela era Chefe do Departamento de Relações com os Trouxas e tinha trabalho a fazer.
Os papéis a manteram ocupada pelo restante da tarde, foi interrompida duas ou três vezes por funcionários do seu departamento, e quando enfim descansava a pena na mesa e se recostava na cadeira, outra batida na porta. Era Harry. Ele usava as roupas habituais dos Aurores, vestes verde escuras com um brasão de varinhas cruzadas (recém adquirido pelo departamento) e se largou na frente da amiga, os olhos igualmente verdes cansados. Como de praxe, Harry sorria.
- Semana difícil? - Perguntou, com os olhos pousados nos papéis que recheavam a mesa de Hermione.
- Exaustiva. Preciso de férias. - Ela suspirou, apertando as têmporas com os dedos. Harry ficou em silêncio e ela voltou a erguer o olhar. Viu que ele a observava de um modo curioso e preocupado.
- O quê? - Perguntou, o cenho franzido. Harry suspirou e inclinou-se para frente.
- Soube de você e do Rony. - Hermione gemeu e voltou a se largar na cadeira. Claro que o namorado contaria a Harry. - Só quero que saiba que, independente do que for, estou aqui pra ajudá-la. - Ele comentou, a voz firme e controlada, e estendeu a mão para segurar a da amiga, sob a escrivaninha. Hermione não disse nada por alguns instantes, sentindo o toque dele. As mãos de Harry eram sempre quentes, e o toque fazia sua pele arder. Ela se desvencilhou gentilmente do aperto dele.
- Eu nao sei o que está acontecendo. Acho que só ando irritada demais. - Ela deu de ombros, mas Harry inclinou a cabeça, claramente cínico. - Sério, Harry. Não sei o que é. - Hermione completou diante do olhar dele.
- Você não o ama mais? - Ele perguntou, com uma pontada de indignação na voz, embora procurasse esconder. Hermione balançou a cabeça, firme. Negando. - Então o que é? Ele acha que está machucando você... - Hermione ergueu a cabeça com raiva. Rony tinha que contar aquelas coisas? Embora Harry fosse seu melhor amigo, não era algo que ela gostava de compartilhar.
- Eu já disse pra ele que não. - Afirmou, com raiva. - Ele não é tão grande assim, sabe.
As palavras escaparam sem que ela quisesse, e após um segundo no qual Harry a encarou com a boca entreaberta, ele explodiu em uma gargalhada. Hermione riu também, sentindo uma satisfação vaga por ter se vingado um pouquinho. Como ela não deixou que o amigo continuasse o questionamento, eles falaram sobre o trabalho, sobre Ginny, que estava fazendo testes de quadribol para uma equipe estrangeira, e sobre o programa que tinham toda quarta a noite, quando saiam em casais com Neville e Luna para algum dos bares de bruxos em Londres. O sol já tinha se escondido quando eles sairam do Ministério e foram tomar uma dose de whisky de fogo, já que Rony tinha avisado que estava com problemas no trabalho e chegaria mais tarde. Ginny se juntou a eles e os três ficaram conversando até tarde, quando uma coisa muito estranha aconteceu. Hermione se abaixou para pegar a bolsa do chão, e quando estava se levantando, alguém trombou com ela e acertou sua orelha esquerda com força moderada. Ela caiu sentada para trás e ouviu vagamente a pessoa pedindo desculpas, mas seus olhos focalizaram outra coisa; havia um buraco escuro onde devia ser sua orelha e seu rosto estava inteiro manchado de sangue. Ela não conseguia ficar de pé com a perda do equilibrio e alguém gargalhava com vontade ao seu lado. A risada foi aumentando até que estava muito próxima a Hermione e então ela abriu os olhos e viu os negros... Um grito agudo escapou de sua boca quando Hermione voltou a si. Seus olhos focalizaram Harry e Ginny, agachados em sua frente parecendo extremamente preocupados.
- Hermione! Fale comigo, hei! O que aconteceu? - Ela piscou várias vezes e os amigos a ajudaram a se levantar. Ginny estava muito pálida.
- Você começou a dizer coisas estranhas, como 'negro', 'minha orelha' e 'muito sangue' - Ela não completou a frase, ainda aterrorrizada. Hermione pediu desculpas e disse que foi apenas um devaneio da guerra, mas enquanto erguia a mão e tocava a orelha com cuidado, sentiu aquela cicatriz fina desenhar-lhe o contorno. Engoliu em seco de medo mas não disse nada, insistindo que estava bem, que só precisava ir para casa. Harry a levou.
- Qualquer coisa, me chame. - Ele pediu, preocupado, deixando-a na porta. Ela agradeceu e entrou, a mão ainda na cicatriz fina, os olhos castanhos desfocados. Rony surgiu do nada e a agarrou pela cintura, erguendo-a no ar. Hermione deixou cair a bolsa e soltou um gritinho de susto, agarrando-se ao pescoço dele enquanto eles giravam. Rony estava sem camisa e cheirava a loção pós-barba, e deitou a namorada na cama, caindo sobre seu corpo, sem contudo machucá-la.
- Eu estava esperando você. - Ele anunciou, a voz rouca de desejo, os lábios percorrendo o pescoço dela. Hermione sentiu os costumeiros arrepios invadirem seu corpo e ele a ajudou a tirar a camisa de botões que usava, jogando-a do outro lado do quarto. As unhas curtas dela arranharam o peito nu de Rony enquanto ele beijava, mordia e chupava as partes desprotegidas de seu corpo. Hermione envolveu o quadril dele com as pernas, desabotoando sua calça e abrindo o zíper, puxando-a para baixo. O membro dele já estava enrijecido por baixo da cueca e Hermione se sentia molhada, a saia claramente começava a incomodar. Rony passou a beijá-la na boca, suas mãos desenhando a cintura da namorada e arrancando-lhe a saia, lendo os desejos dela. Estavam respirando ruidosa e rapidamente agora, os corpos procurando maior contato. Hermione mordeu o lábio inferior dele com força e passou a estimular seu membro com uma das mãos, a outra percorrendo suas nuca e as costas largas. Os cabelos do ruivo tamparam seu rosto quando ele se ergueu parcialmente, as pernas entre as dela, e tirou-lhe a calcinha. Hermione gemeu e encarou-o com desejo. Ia conseguir fazer aquilo, ele era seu namorado oras, nunca a machucaria, não precisava ter medo dele...
- Vamos fazer isso. - Disse entre ofegos em resposta ao olhar indagador dele. Rony deu um sorriso malicioso e então se inclinou novamente, agarrando os pulsos de Hermione e prendendo-os acima da cabeça dela com apenas uma mão. Esse foi o momento que o arrepio frio e horrível percorreu a espinha da morena, que arregalou os olhos e sentiu a respiração falhar. Rony interpretou aquilo como um sinal de que ela aprovava a ligeira submissão, e passou a beijá-la com voracidade, calando uma tentativa de protesto. Hermione já não sentia mais o calor em seu corpo; a sensação desagradável de náusea se instalou em sua garganta e ela mordeu o lábio dele, procurando fazê-lo parar, mas Rony achou aquilo ainda mais estimulante. Passou a beijar-lhe os seios e morder sua barriga, a mão descendo rapidamente até o intimo dela, agora desprotegido. Em meio aos gemidos ela não conseguia gritar, mas seus olhos estavam abertos e arregalados, a sensação de medo se intensificando. Tentou soltar seus punhos mas Rony era bem mais forte, mantendo-a presa embaixo dele. O ruivo desceu a boca até o intimo da namorada e ali parou, erguendo os olhos. Seus dedos pressionaram o clitóris como forma de estimulá-la, mas então Hermione gritou. Foi um grito agudo e desesperado, e por isso Rony parou e soltou-lhe os punhos, em choque. Hermione tinha enrijecido todo o corpo e agora tremia incontroladamente, abraçando-se com os punhos recém soltos enquanto Rony a observava estarrecido. Ele estava de joelhos e apoiou as mãos dos dois lados do corpo da morena, inclinando-se para ela com preocupação.
- Machuquei você? - Ele perguntou tolamente, afastando os cabelos ruivos do rosto com um gesto da cabeça. Hermione balançou a cabeça levemente em negação, mas não conseguia falar. Continuava com a sensação de que ia sufocar e o arrepio em sua coluna tinha sido mais forte do que nunca. Rony passou as mãos pelo rosto da namorada e abaixou-se para beijá-la levemente nos lábios, mas Hermione virou o rosto. As lágrimas começavam a surgir agora, embora ela não quisesse chorar. Levantou o tronco e empurrou o corpo de Rony com o máximo de delicadeza que pôde, pedindo-lhe desculpas fracamente, e saiu correndo para se trancar no banheiro. Lá, Hermione ajoelhou-se ao lado da privada e vomitou, sentindo todo o corpo tremer. O que diabos tinha acontecido? Quando o namorado prendera suas mãos acima da cabeça, ela sentira aquela sensação horrivel, como se já tivesse presenciado aquilo e fora medonho e doloroso, mas ela nunca tinha feito sexo com outro homem, apenas Rony... Começando a achar que estava louca, a morena se arrastou até o espelho comprido na parede do banheiro e analisou sua silhueta outra vez. Não havia nada de errado com ela, então porque aquilo continuava acontecendo? Hermione levou a mão até a orelha esquerda outra vez, contornando a cicatriz com os dedos trêmulos. Então fechou os olhos e viu: havia muito sangue, ela sentia o gosto da ferrugem que escorria até seus lábios e seu corpo estava fraco demais para se mexer. Ela viu a varinha a apenas alguns centimetros e esticou a mão para pegá-la... uma silhueta tampou sua visão e ela se perdeu no negro de novo, o negro que ria para ela e tinha uma fúria homicida... Hermione abriu os olhos e se levantou rápido demais, (tinha caído no chão) batendo a cabeça na beirada da pia. E então ficou escurou demais e ela deixou o corpo escorregar outra vez.
Acordou com a cabeça latejando. Olhou ao redor e lembrou-se que tinha caído no banheiro, lembrou-se de sua cena ridicula de medo com Rony e sentiu a desesperança inundar-lhe. Quem sabe ele ainda estaria lhe esperando, sentado na cama e pronto para lhe acolher nos braços, quem sabe a desculpasse por ser tão idiota... mas ele dormia, de costas para ela. Hermione sentiu vontade de chorar mas mordeu a lingua e foi ver as horas. Eram 3:20 a.m., ela ficara todo aquele tempo caída no banheiro? E Rony não tinha se preocupado... Ela se deitou na cama, com medo de descer até a cozinha e buscar um copo de água. Assim que deitou sua cabeça latejou, ela se virou para a direita e inspirou fundo, tentando não pensar. E por fim, com lágrimas silenciosas manchando seu travesseiro, ela adormeceu.
Diga lá, galerinha. O que acharam?
