N/a: De Zabini Malfoy: obrigada querida! Se não fosse a sua paciência, não ia conseguir postar isso direito! Continue escrevendo, ok? Adorei te conhecer e boa sorte nas provinhas!!!


"This is where I say I've had enough
And no one should ever feel the way that I feel now"

Gina olhou mais uma vez para o seu reflexo no espelho. O cabelo ruivo agora estava longo, mais longo do que se lembrava de ter usado algum dia. Gostava dele assim. Combinava com ela. Tentou procurar algum defeito na roupa que usava. Na verdade, procurava qualquer coisa que a prendesse mais alguns minutos em casa. Olhou para o relógio. Já era quase hora do almoço. Em breve, teria que aparecer nA 'Toca, para mais uma almoço em família. E para mais uma discussão sobre o que ela estava fazendo da vida.

Detestava isso. Detestava ter sua vida discutida por todos os membros da família, como se ela não tivesse vontade própria; como se ainda fosse apenas uma criança, a caçula de sete irmãos.

Olhou ao redor do pequeno cômodo que compunha sua nova casa. Era pequena, é verdade. Mas muito aconchegante. Pela primeira vez, estava contente de poder fazer alguma coisa sozinha. Algo que fosse somente dela. Olhou as grandes caixas espalhadas, ocupando quase todo o espaço do quarto. E sorriu. Em breve, ela pensou.

Abotoou a capa por sobre os ombros, pegou uma pequena bolsa, guardou a varinha no bolso da capa e se aproximou da lareira. Apanhou um pouco de Pó de Flu.

"A Toca" – e em um instante, sentiu o corpo sendo puxado pra trás.

Um segundo depois, a sala de sua antiga casa se formou em frente a seus olhos. Estava igual, como sempre estivera. Mal colocou o pé para fora da lareira e foi abraçada por um corpo escondido por volumosos cabelos castanhos.

"Gina! Que bom que chegou!" – Hermione se precipitou, abraçando a ruiva que tentava se livrar do pó em seu rosto.

"Hey, Mione. Como vai?" – ela abraçou a amiga.

A menina estava radiante. Não conseguia esconder o sorriso. Levou Gina com ela até o sofá e sentaram-se.

"Estou louca pra te mostrar as coisas que eu comprei. Acho que você vai gostar" – Hermione falou.

"Falta pouco agora, não é? Quando fica pronto?" – Gina sorriu.

"Acredito que em 2 meses esteja tudo pronto. Mas Rony e eu apenas vamos nos mudar depois do casamento. Meus pais não iam gostar muito se eu me mudasse antes" – ela disse, sem-graça.

"Bem, não é como se vocês praticamente não morassem juntos já, não é mesmo?" – a ruiva riu – "mas de qualquer forma, acho que vai valer a pena esperar um pouco. E os preparativos?"

Hermione suspirou. Olhou para um grande livro sobre a mesa central que ficava no meio da sala, perto dos sofás.

"Gostaria de ter mais tempo para mexer nisso. Mas com os exames finais, eu e Rony mal temos tempo de pensar nas coisas do casamento. Mas sua mãe esta me ajudando bastante. Na verdade, ela e minha mãe fazem quase tudo por mim."

Gina riu. Sabia que a mãe estava adorando cuidar aquilo tudo.

"E sua mãe já está mais acostumada? Você sabe, com o nosso mundo?"

"Bem, ela ainda fica assustada quando sua mãe aparece na lareira de casa. Mas ela esta levando tudo com bom humor. E papai adora ficar horas discutindo com o Sr. Weasley sobre artefatos trouxas."

Gina sorriu. Depois de tanto tempo, finalmente, Rony e Hermione iam se casar. A cerimônia estava marcada para dali há 3 meses, logo depois que os dois concluíssem a escola de Aurores.

"E os exames de vocês?"

"Ah, Gin, você sabe como seu irmão é. Se eu não fico em cima, ele não estuda. Mas falta pouco agora. Os exames começam daqui há 2 meses. E estaremos formados. Mas eu estou muito preocupada com o grau de dificuldade da prova." – Hermione respondeu, visivelmente aborrecida.

Gina sorriu. Não precisava dizer a amiga o quanto a preocupação dela era infundada, em se tratando dela.

"Se você tivesse continuado, estaria se formando conosco. Você não se arrepende?"

O sorriso de Gina desapareceu. Detestava falar sobre aquele assunto.

"Não, não me arrependo e já te falei muitas vezes isso." – ela disse cortante.

Hermione soltou um muxoxo. Não adiantava discutir aquilo com Gina.

"Eu fiz o que achei que fosse melhor pra mim naquele momento. E encontrá-lo todos os dias pelos corredores estava me fazendo mal. Eu precisava ficar longe dele, Mione. E você sabe disso."

"Eu sei, eu só não entendo porque desistir de algo por outra pessoa." – Mione fitou a amiga.

"Eu fiz o que eu precisava fazer para ter alguma paz de espírito. Não fiz por ele, fiz por mim. E não me arrependo. Se não fosse isso, não estaria há 3 semanas da inauguração do meu Boticário." – ela sorriu. De fato, depois de largar a escola de aurores, ainda no primeiro ano, Gina se dedicou ao estudo de Poções. Embora tivesse detestado essa matéria nos 4 primeiros anos em Hogwarts, tinha descoberto grande talento nessa arte quando passou a ter aulas com Slugorn.

Passou dois anos estudando para tirar a licença e poder abrir seu boticário. E em 3 semanas, isso aconteceria.

"Gin" – Hermione aproximou-se da amiga – "já faz mais de dois anos. Você precisa deixar isso pra trás."

Os olhos da ruiva se encheram com lagrimas. Já fazia dois anos desde aquela noite, em que Gina tinha lido um pedaço da carta de Harry para a antiga namorada. Dois anos em que seu mundo tinha caído. E mesmo depois desses 2 anos, aquilo ainda a machucava.

Não tinha um dia sequer que ela não lembrasse do par de olhos verdes a fitando pesaroso, falando palavras ferinas, indo embora. E da carta. Da maldita carta. As palavras ecoando em sua mente enquanto ela segurava o pedaço de papel.

Mas fazia apenas alguns meses que ela tinha resolvido simplesmente tirá-lo da vida dela. Não que isso tivesse realmente acontecido; para ele, ela o tinha excluído da vida dela. De inicio, eles se procuravam. Quando não era um, o outro fazia. Cartas e encontros furtivos no começo. Intermináveis conversas sobre eles. Conversas que sempre acabavam com ela chorando e dizendo que o odiava por tê-la feito sofrer. Às vezes ela contava pra ele sobre algum novo namorado e ele tinha ciúmes e brigava com ela. E depois, ele dizia pra ela o quanto a namorada dele era melhor. E ela chorava de novo e dizia que nunca mais queria falar com ele.

Finalmente, um dia, ela manteve a palavra dela. Eles brigaram mais uma vez e ela decidiu que tinha sido a ultima vez. Ela disse a ele que não a procurasse mais. Ele tentou mais uma vez e, por fim, aceitou – embora relutante – a vontade dela. Eles não conversavam mais; nas poucas vezes que se encontravam, pareciam dois estranhos, embora seus olhares se encontrassem o tempo todo. Mesmo tentando evitar tal contato. Mas para ela, era apenas um grande teatro, no qual ela fingia que não se importava com ele, nem com a presença dele, nem com a vida dele, nem com o namoro imbecil dele. Mas ela se importava e muito. Ela pensava nele todo dia. Não nele em si, mas no que ele tinha feito. Na deslealdade e pouco caso com o qual ela tinha sido tratada pelo homem que amava.

Ela levantou do sofá, não queria ver o olhar de pena que estaria no rosto de Hermione.

"Eu sei. Eu estou vivendo a minha vida, não estou? Mas às vezes eu ainda fico triste com o que aconteceu. E eu tento não pensar nele, mas não consigo. São muitas lembranças. E se eu tiver que abrir mão de algumas coisas para ficar bem, pra garantir a minha sanidade, eu vou abrir."

Hermione foi até ela. "Está certo. Eu entendo. Mas não acho que isso vai te levar muito longe. Você largou a escola, e agora, saiu de casa. Você desistiu de um sonho seu por causa dele."

Ela suspirou. Toda vez era a mesma coisa. A mesma discussão. O mesmo assunto.

"Mione, você já parou pra pensar que talvez ser auror não fosse o meu sonho? Eu não sei se eu realmente queria aquilo, ou se eu queria porque ele queria. Mas acho que se fosse meu sonho, eu teria me arrependido, não acha?"

A morena lhe sorriu. Ela tinha um bom ponto ali, era indiscutível.

"Animada para a inauguração, então?" – ela mudou de assunto. Discutir mais uma vez as atitudes de Gina não era uma boa idéia. Alem de cansativo, a ruiva geralmente saia de muito mau humor das discussões. E ela não queria estragar aquele pequeno momento de felicidade pelo qual Gina estava passando.

O almoço tinha transcorrido sem grandes problemas. A família Weasley estava animada com o casamento de Rony e com o boticário que Gina ia reabrir. Foi só do que falaram durante o dia. Quando a tarde começou a cair, Gina achou que já era hora de ir embora.

"Mas já?" – Rony a acompanhou até a lareira.

"É melhor ir agora, antes que a mamãe comece o sermão sobre a minha errada vida. Você sabe como ela é." – Gina sussurrou.

"Ela esta feliz, Gin. De verdade. Prefere você longe daqui e feliz do que você por perto, isolada e chorando pelos cantos."

"Sério Rony, a sua sensibilidade me comove. De qualquer forma, eu estou melhor agora." – ela beijou o rosto do irmão e se foi.


A segunda amanheceu com o tempo nublado. Era começo de primavera. Gina adorava a primavera. Ela desligou o despertador, procurou a varinha e com um aceno, sua cozinha começou a trabalhar em seu café da manha.

Levantou-se devagar. Detestava segundas-feiras. Foi pro banheiro, tomou banho, se vestiu e comeu. Teria um longo dia. Precisava buscar algumas encomendas, despachar umas corujas e dar uma ultima olhada nos preparativos para a inauguração da loja. Não que isso fosse difícil. Era só descer a escada de sua casa e andar dois passos até a próxima porta. Os gêmeos a tinham aconselhado a morar na parte de cima do velho boticário, pelo menos agora no começo. E ela, lógico, tinha adorado a idéia. Poderia morar sozinha e cuidar integralmente do boticário. Uma mudança de ares ia ser perfeito pra ela.

A casa era pequena. Realmente pequena. Tinha apenas um quarto, o banheiro, uma cozinha e uma sala. Mas era mais do que ela precisava. Seus irmãos tinham ajudado a comprar o espaço no Beco Diagonal. A loja de logros e brincadeiras deles ia muito bem. Eles ajudaram muito no novo negócio dela, mas ela só aceitou a ajuda quando eles concordaram que ela iria devolver todo o capital emprestado.

Olhou o conjunto de certificados emoldurados sobre a mesa da sala. Fazia questão de deixá-los expostos para que todos vissem sua competência na arte das poções. Ia reabrir o antigo boticário do Beco Diagonal e queria mostrar que estava apta para aquilo. A antiga loja tinha sido quase toda destruída durante a guerra. A velha bruxa que cuidava dele não tinha vontade de reerguê-lo. Assim, vendeu-o de boa vontade para que Gina retomasse o negócio.

Durante um ano, foi tudo que ela fez. Depois de ficar meses sofrendo por Harry, ela resolveu que precisava ocupar a cabeça. Inscreveu-se nos cursos necessários, tirou sua licença e agora, iria reabrir o tão sonhado boticário no Beco Diagonal.

Desceu para a loja. Estava linda. Pintada, pronta. Sorriu. Um grande balcão de vidro enfeitava o fundo da loja. Nas paredes, armários que iam do teto ao chão, estavam quase completos de ingredientes para poções, poções prontas, ervas e milhões de produtos de uso medicinal e perfumaria. Faltavam apenas algumas coisas. Mas estaria tudo pronto até a inauguração.

A porta da frente estava coberta ainda. Olhou para as letras que enfeitavam a porta de vidro. Floratta. Olhou para um grande arranjo pendurado perto da porta. Era feito de um fio de náilon, onde frutas empalhadas esquisitas estavam amarradas. Tinha sido um presente de Luna, para afastar os nargulés, o que quer que isso fosse.

Correu a mão pelo comprimento do balcão uma vez, amarrou a capa em volta do pescoço e saiu. Precisava passar na Borgin & Bukes para pegar uma encomenda de um livro importado sobre ervas daninhas, depois deveria passar na papelaria, para buscar os pergaminhos e por último, encontraria Neville, que lhe traria algumas ervas que ele cultivava em Hogwarts.

Seguiu acompanhando a grande quantidade de pessoas que passeavam todos os dias pelo Beco Diagonal. Estava lotado, como sempre. Passou em frente a diversas lojas conhecidas por ela. Acenou para uma ou duas pessoas conhecidas.

Caminhou pelo beco até se encontrar na parte mais assombrosa do lugar, a Travessa do Tranco. Avistou o local onde precisava ir. Detestava andar por aquela parte do Beco. A loja ainda parecia igual. Repleta de objetos esquisitos e sombrios. Olhou uma e outra coisa na vitrine e entrou.

Andou até o balcão, que ficava no fundo da loja. Não tinha visto o atendente que reservou o livro pra ela na outra semana. A loja estava sem movimento, aparentemente.

"Olá?" – ela arriscou. Uma voz vinda perto de uma porta, atrás do balcão respondeu.

"As entrevistas são só amanhã. Volte depois."

"Eu estou procurando o Mills." – ela continuou.

A voz não respondeu. Mas ela ouviu alguém se movimentando. Em poucos segundos, a voz recebeu um rosto e um corpo.

"Ora ora, eu sabia que algum dia eu teria o prazer de pagar um salário pra algum de vocês, Weasley."

Draco Malfoy. O dono da voz perto da porta. Os anos não o tinham mudado em nada. Ele ainda tinha o mesmo sorriso debochado, o mesmo tom irônico, os mesmos cabelos platinados e os olhos cinzentos. Que naquele momento, a encaravam.

"Malfoy. Por que não estou nada surpresa?" – ela perguntou no mesmo tom – "Não vim fazer nenhuma entrevista. Vim buscar uma encomenda. Mills deixou reservado para mim um livro sobre ervas daninhas."

Ele a estudou por longos minutos. Minutos nos quais, em nenhum momento, ele deixou de sorrir debochado. Por fim, ele caminhou até o balcão onde ela estava. Ele vestia um terno preto, perfeitamente alinhado, contrastando com a pele pálida do rosto e os cabelos loiros muito bem penteados.

"Mills não está. Sofreu um pequeno acidente." – ele disse soando divertido.

Ela levantou uma sobrancelha em desconfiança. Estava achando esquisito ver Malfoy atrás de um balcão.

"Sabia que a sua família estava passando por necessidades, Malfoy." – ela falou debochadamente. "Mas mandar o próprio herdeiro pra trás de um balcão, isso é novidade."

Ele fechou a cara ao ouvir o comentário dela. Arrumou a postura, fitou os olhos da garota e abriu a boca para responder. Mas ela foi mais rápida.

"Não estou interessada na sua triste história, Malfoy. Só vim buscar meu livro."

"Seu livro ainda não chegou, Weasley. Passe aqui amanhã. E não que isso seja da sua conta. Mas a loja é minha. Meu pai comprou do velho Borgin. Só estou aqui hoje porque o idiota do Mills se acidentou."

Ela deu uma risadinha abafada com o tom nervoso que ele soltou.

"Então o papai comprou a loja para você? Mimado até hoje." – ela deu de costas para o balcão, ignorando a olhada mortal que ele lhe deu e ficou olhando alguns artefatos em um canto de loja. Depois, voltou-se para ele.

"O que aconteceu com o Mills?" – perguntou distraída.

Ele contraiu a boca. Olhou por sobre os ombros. "O idiota andou fuçando em uma das encomendas, mesmo eu tendo avisado que mordia. Vai ficar uns dias em St. Mungus."

Ela acenou com a cabeça.

"Pra que você quer o livro, afinal?" – ele perguntou curioso.

"Preciso ter um exemplar do livro na loja." – foi só o que ela respondeu, observando com atenção o esqueleto da cabeça do que parecia ser um hipogrifo. Uns dois minutos se passaram enquanto ele tentava compreender o que ela tinha dito.

"Então, o novo boticário é seu?" – ele perguntou, sem conter a surpresa.

"È" – ela disse sem qualquer emoção. Um segundo se passou depois disso, ela parou de observar o esqueleto. "Passo aqui amanhã, então." – e ela saiu da loja, deixando um Malfoy muito perplexo.

Ela continuou a peregrinação pelo Beco para pegar algumas coisas que faltavam ainda. No fim do dia, aparatou para o Três Vassouras, onde Neville já a esperava.

"Ginny!" – ele a chamou assim que ela apareceu. Ela correu até a mesa onde ele estava sozinho. Ele deu a ela uma sacola cheia de plantas e ela agradeceu prontamente.

Conversaram um pouco, sobre amenidades. Beberam umas cervejas amanteigadas, falaram sobre o casamento de Rony. E chegaram ao tão detestado assunto: Harry.

"Encontrei com ele outro dia. Ele disse que vocês não se falam mais." – ele arriscou.

"Não temos assunto para conversar, Neville. Não tem porque manter qualquer tipo de relação com ele, já basta ele ser o melhor amigo do meu irmão e filho torto dos meus pais." – ela disse irritada.

Ele esperou alguns segundos antes de continuar. "Ele sente sua falta".

Ela suspirou e encarou o homem a sua frente. "Eu sei. Também sinto a falta dele."

"Então volte a falar com ele, Ginny."

"Já tentamos fazer isso. Logo quando aconteceu e nos meses seguintes. Se ele não me procurava, eu o procurava. Mas não dá certo. Não sobrou nada entre nós. Prefiro que ele fique longe de mim".

Ele suspirou derrotado. Já tinha perdido as contas das vezes que tinha tentado convencer a menina a voltar a falar com Harry.

"É insuportável ficar perto de vocês dois desse jeito, Ginny. E vocês se davam tão bem. Ele sabe que ele errou com você, você deveria dar uma chance a ele. Você sabe por tudo o que ele passou."

"Neville, gosto de você. Mas se você insistir nisso, vou parar de falar com você também. Todos sabemos por tudo que ele passou. Ninguém melhor que eu sabe disso. Mas isso não é desculpa para o que ele fez. Ele mentiu, ele me enganou, me fez de idiota. Sem razão. Não o culpo por gostar de outra pessoa. Mas ele tinha meios de fazer isso ser menos dolorido pra mim. Mas ele não fez. Ele não se importou, nem por um minuto, em como eu ia me sentir. Eu estava esperando por ele, dando a ele o tempo que ele pediu para ficar sozinho, pra ser alguém bom pra mim, e enquanto isso, ele estava reatando o namoro dele com aquela menina imbecil. Isso não se faz, não se brinca com o coração de uma pessoa do jeito que ele fez. Ele me destruiu e eu não vou perdoar isso nunca." – ela desabafou. Fazia tempo que não falava desse assunto daquela forma. Evitava o máximo conversar sobre ele, porque todas ás vezes que fazia, doía nela. Dois anos depois e a magoa continuava. Ela apenas não chorava mais. Já não existiam mais lágrimas para chorar por ele.

"Eu sei. Sinto muito, sei o quanto esse assunto te machuca. Mas ele não se conforma com o fato de você tê-lo tirado da sua vida dessa forma."

Ela riu, uma risada de descrença.

"Ele escolheu assim. Ele sabia que eu faria isso, que eu me afastaria. Eu avisei a ele que o tiraria da minha vida de vez. E ele não se importou. Não sou eu quem deve se importar agora, certo?"

Ele acenou com a cabeça. Ali era o limite. Deveriam parar ali de conversar sobre Harry.

"Eu preciso ir agora, Neville. Muito obrigada pela ajuda. A inauguração é em três semanas, mas te enviarei uma coruja para você não esquecer" – ela sorriu pra ele – "se cuide, ok?"

Ele sorriu de volta. "Você também. Estarei lá, Ginny."