Por Leona-EBM
"Antes de tudo eu dedico essa história a minha amiga Ryoko-chan. Eu espero que goste".
Poeira Cósmica
Capítulo II
O Beijo
Três dias passou-se desde então. Duo sentiu que seu corpo estava melhorando à medida que o tempo passava, mas ainda sentia algumas pontadas fortes vindas de seu abdômen e seu braço ainda estava dolorido. Felizmente sua relação com Heero estava melhor desde o dia que ele havia lhe pedido desculpas.
Num escritório escuro e silencioso um rapaz sentava-se confortavelmente a uma poltrona de veludo azul-marinho. Na sua frente havia um laptop que obedecia todos os comandos que Heero acionava. Com olhos atenciosos não deixava nenhum detalhe escapar, todavia essa realidade não era integralmente verdadeira, ele havia deixado de ser tão perfeito ao longo do tempo. Por hora não parecia ser mais uma máquina com movimentos perfeitos, mas sim um humano normal e aberto a erros. O motivo? Apenas ele poderia saber.
A porta do escritório abriu-se de repente e Duo entrou cantarolando uma canção pelo cômodo, e talvez ele fosse a resposta para a incúria de Heero yuy, o motivo pelo qual o soldado perfeito havia perdido sua fama.
Heero desviou seu olhar da tela do laptop, observando os movimentos do americano. Aparentemente Duo estava tentando pegar um livro numa prateleira, o americano esticava todo seu corpo a fim de conseguir relar seus dedos finos e compridos na capa do livro, mas a única coisa que conseguiu fazer com sucesso foi empurrar o livro desejado para o fundo.
- Ah! Que droga – praguejou, olhando atentamente para os lados, procurando algo que pudesse ajudá-lo a pegar o que tanto desejava.
- O que está procurando? – Heero indagou de repente, fazendo Duo encará-lo com uma certa surpresa. Estava tão distraído na sua canção que não havia notado que Heero estava no escritório.
- Heero? Por que você fica sozinho nesse escuro? – indagou.
- Estava trabalhando até você entrar – disse secamente.
- Estou te atrapalhando? – indagou, dando uma risadinha em seguida – eu queria pegar esse livro aqui, mas não alcanço. Você poderia me fazer o favor?
A poltrona moveu-se para trás dando espaço para Heero levantar-se, o soldado perfeito caminhou lentamente até a estante observando o livro que Duo queria pegar. Ele esticou seu corpo até que conseguiu encostar no livro, puxando-o na sua direção, pegando-o em sua mão.
- Aqui – disse, entregando o livro para Duo.
Um sorriso satisfatório desenhou-se no semblante de Duo, ele pegou o livro e fez uma cara de desagrado.
- Me enganei – disse.
- Como?
- Não é esse livro – disse, virando as folhas, olhando o conteúdo com atenção. Definitivamente não era um livro de culinária.
- Você me apontou esse – Heero disse, observando as feições de Duo.
- Acho que é o outro. Poderia?
Heero ficou olhando para o rapaz ao seu lado, sentindo que ele estava começando a abusar de sua boa vontade, mas não disse nada, quanto mais rápido pegasse o livro, mais rápido Duo ia embora. O braço de Heero esticou-se novamente pegando outro livro e entregando ao americano que negou novamente.
- Duo, você tem certeza que é nessa sessão? – Heero indagou, impaciente.
- Sim! Olha, o Quatre me disse que está na sessão 1 B na quinta fileira e que ele tem a capa dura e azul. Eu não tenho culpa que esses livros são parecidos – murmurou.
- Vou pegar aqueles dois – Heero disse, esticando novamente seu braço, pegando dois livros de capa azul de uma única vez. Ele os entregou a Duo que os analisou com atenção, no final acabou sorrindo e abraçando um livro.
- Obrigado, Heero – agradeceu, dando um leve tapa nos ombros do piloto japonês, e sem demorar, saiu correndo do escritório deixando uma pequena pilha de livros para Heero guardar.
Heero guardou os livros e voltou para seus afazeres. Uma hora havia se passado e a porta do escritório foi aberta novamente, Duo entrou no escritório e acendeu a luz, fazendo Heero fechar os olhos com força ao sentir uma ardência em sua pupila.
- O que foi? – indagou Heero, parecendo impaciente.
- Vamos jantar? – indagou, aproximando-se de Heero o suficiente para ver o que ele estava fazendo – o que está fazendo?
- Nada – disse fechando o seu laptop rapidamente e o colocando na gaveta do escritório, fechando-a com uma pequena chave que Heero colocou no bolso de sua calça.
Duo sentou-se em cima da mesa do escritório enquanto observava Heero arrumar a mesa. O piloto japonês ficou procurando sua caneta em cima da mesa, mas não a encontrou pois havia um grande estorvo sentado nela.
- Duo, sai daí – pediu, com uma voz mais alta.
- Vamos jantar, depois você arruma essas coisas – disse o americano, balançando seus pés infantilmente.
Com uma mão Heero começou a empurrar o corpo do americano para o lado, vendo como Duo escorregava lentamente pela mesa de vidro, assim ele teve espaço para ver sua caneta que estava atrás do americano. Heero a pegou e a jogou na gaveta junto com um pequeno caderno de anotações.
- Que gentileza da sua parte ficar me empurrando – resmungou.
- Você não percebe que está atrapalhando?
- Eu sei que você adorou tocar no meu corpinho sarado. Lembre-se que eu estou me recuperando ainda!– disse, rindo. Heero ficou sério, fechando sua cara e mostrando seu mau humor – estou brincando – Duo disse em seguida, vendo as reações de suas palavras.
- Você sempre está brincando – disse – agora saia daí de cima.
- Você já pegou tudo que queria? – indagou.
- Sim.
- Então não tem motivo para eu sair – disse, com um sorriso maroto.
- Duo, essa mesa é de vidro.
- Não vai quebrar Heero, eu não sou tão pesado e se quebrar eu compro outra mesa especialmente para você. Aí eu escrevo o seu nome e coloco uma observação que ninguém poderá sentar-se nela. O que acha?
O sangue de Heero começou a ferver, ele mesmo não entendia como Duo conseguia tirá-lo do sério tão facilmente. Heero empurrou com mais força o corpo do americano para o lado.
- Hei, pára, pára! – Duo pediu, vendo que ele escorregava para a ponta da mesa – Heero seu maluco, pára!
Duo resolveu saltar ou ia se espatifar no chão, não que fosse algo perigoso pois à distância até o chão era minúscula para um agente tão bem treinado, mas não queria arriscar cair na frente do soldado perfeito, sem contar que ainda sentia seu corpo doer.
- Ah, como você é sem graça – reclamou – eu sento nela se eu quiser, não foi você que comprou mesmo!
- Claro que foi – disse Heero.
- Foi? – indagou, coçando a cabeça por um instante, tentando-se lembrar da divisão de materiais que todos fizeram quando resolveram se mudar para aquela nave.
Heero começou a andar para fora do escritório, mas antes de sair ele observou que Duo havia se sentado novamente em cima da mesa e agora olhava para ele com um sorriso brincalhão no rosto.
- "Ele só pode estar me provocando..." – pensou, fechando a porta do escritório com toda sua força, trancando-a em seguida. Duo engoliu em seco. Heero era mais forte fisicamente, mas ele corria mais rápido. Entretanto para onde correria? O escritório era pequeno e Heero lhe exibia um olhar ameaçador.
- Vai aprender a não ser tão impertinente – disse, dando passos rápidos na direção de Duo que saltou da mesa e postou-se atrás dela, encarando Heero que estava do outro lado.
- Calma, Heero. Foi uma brincadeira – disse, sentindo um arrepio na espinha.
Heero correu até o outro lado da mesa, fazendo Duo ficar na posição que Heero estava inicialmente. Heero ameaçava ir para um lado e ia para o outro, tentando fazer Duo se desequilibrar e perder velocidade. Os dois ficaram correndo em volta da mesa até que Heero percebeu que a trança de Duo sempre ficava para trás enquanto ele corria, essa foi à deixa que Heero precisava, quando Duo deu outra volta pela mesa, Heero puxou a ponta de sua trança fazendo o americano parar de correr.
- Me solta, seu maluco – gritou.
A mão de Heero deu um tranco na trança de Duo e depois o puxou até a parede, jogando o corpo de Duo ali. O americano estremeceu enquanto Heero se aproximava, o soldado japonês ficou próximo a Duo, segurando seus dois braços com firmeza. Entretanto ele não ia pegar pesado com Duo, que ainda parecia estar debilitado.
- O que prefere primeiro? – indagou, sentindo vontade de socá-lo imediatamente.
- Um beijo – disse de repente, fazendo Heero ficar totalmente paralisado com aquele pedido. O soldado perfeito até afrouxou o aperto que estava fazendo nos braços de Duo.
- O que? – indagou perplexo, alterando seu tom de voz.
- Você perguntou o que eu queria primeiro – disse, sorrindo de canto. Ele sabia que Heero ia travar com um pedido tão anormal como esse. Afinal o soldado perfeito não estava acostumado com esse tipo de situação.
- Ahh? – indagou Heero, com uma voz mais irritada que a anterior.
Duo sentiu que precisava fazer alguma coisa e rápido ou Heero ia acabar com sua raça ali mesmo. Num movimento rápido, Heero soltou o braço de Duo e levou sua mão fechada para trás a fim de voltá-la num soco na direção do rosto do americano. Entretanto Duo moveu-se para frente e puxou a cabeça de Heero na sua direção, encostando seu lábio no dele.
O efeito daquele ato deixou Heero totalmente sem reação, ele paralisou completamente. Duo sorriu internamente por conseguir se livrar de uma boa surra, entretanto ele não sabia o que fazer agora.
- "Droga... e agora? Eu tenho que sair daqui. Mas se eu me desgrudar, vou apanhar" – pensou, ainda sentindo a outra mão de Heero lhe segurar.
- "O que... o que... o que..." – Heero não raciocinava direito.
- "Ok, Duo! Deixe Heero mais perplexo ainda e depois fuja. Isso! Isso! Ele vai travar, eu tenho certeza" – pensou otimista.
Os lábios de Duo abriram-se lentamente e aos poucos foi tirando sua língua para fora de sua própria boca, colocando-a timidamente na boca de Heero, sentindo medo que ele fechasse os dentes, mas Heero estava paralisado. Duo sentiu que seu outro braço havia sido solto, ele tocou na cintura de Heero e deu um passo a frente, ficando com o corpo mais próximo. Duo fechou seus lábios nos lábios de Heero e moveu sua língua dentro daquela boca quente e paralisada, e quando se afastou, viu que Heero estava com os olhos arregalados e a boca semi aberta.
- "Que perfeito" – Duo pensou, afastando-se lentamente de Heero e correndo até a porta, destrancando-a e saindo rapidamente daquele lugar antes que Heero voltasse do seu transe.
Uma mão de Heero foi até seus lábios, tocando-os com a ponta de seus dedos, sentindo como o local estava úmido. Um arrepio correu pelo corpo de Heero nesse instante e finalmente ele deu algumas piscadas voltando à realidade. Onde estava Duo? Ele olhou ao seu redor e viu a porta do escritório aberta.
- Heero? – a voz de Quatre invadiu seus ouvidos, o loirinho estava na frente da porta do escritório usando um avental vermelho e na sua mão havia uma colher de madeira – vamos jantar? – indagou em seguida.
- Sim – Heero respondeu automaticamente.
- Pensei que Duo havia lhe chamado – comentou – vamos enquanto está quente.
- "Duo..." – pensou, andando até Quatre como se fosse um robozinho sem vida e vontade própria. Ele seguiu Quatre pelo corredor, entrando na cozinha onde havia uma grande mesa redonda de madeira. Os outros pilotos gundam estavam sentados ali, começando a se servirem.
O japonês olhou para Duo enquanto este se servia, Duo por sua vez sentia um tremor correr por seu corpo, ele mesmo não havia entendido como teve coragem de beijar Heero de forma tão descarada. No fundo tinha sentimentos carnais pelo soldado perfeito, mas não era o suficiente para fazê-lo agir daquela forma. Talvez o medo de apanhar havia feito um parafuso se soltar do seu cérebro.
Duo geralmente ficava fazendo piadas no jantar e abordando diversos assuntos, tentando interagir todos na conversa, mas desta vez ele estava em silêncio, deixando todos intrigados com seu comportamento. Duo Maxwell não sabia o que falar? Isso era algo surpreendente. Talvez o acidente fora da nave havia afetado seu cérebro.
- Duo – Quatre o chamou de repente.
- Hum?
- Você está bem? – indagou em seguida, fazendo todos o olharem, inclusive Heero que estava mais fervoroso que todos ali para ouvir alguma coisa da boca do americano.
- Sim – disse secamente, voltando a mastigar. Quando Duo engoliu o pedaço de carne, Quatre pensou que ele ia iniciar uma conversa, entretanto ele cortou outro pedaço de carne e o levou a boca.
Até mesmo Wufei que não agüentava o falatório de Duo sentiu falta da voz do americano naquele momento. O jantar acabou em silêncio, Quatre havia tentado falar alguma coisa na mesa, mas ninguém entrou no assunto, apenas Duo tinha o dom de fazer Heero e Trowa conversarem.
Quando o jantar terminou, todos ajudaram a arrumar a cozinha. Heero ficou um tempo esperando Duo terminar de lavar a louça e quando o americano terminou, ele encarou Heero que também o observava. Wufei e Trowa se entreolharam, temendo que os dois fossem brigar, afinal ambos estavam agindo estranhamente.
- Vamos ver um filme – Quatre disse, puxando o americano pelo braço. Duo deixou-se ser levado, ele não agüentava aquele olhar de Heero.
- "Ele vai me matar" – Duo pensou, sentando-se no sofá.
Heero sentou-se ao seu lado, sem olhá-lo na cara. Os dois ficaram olhando para frente, até que Wufei apagou a luz e sentou-se numa poltrona. Trowa sentou-se no tapete da sala, perto de Wufei, e todos começaram a assistir o filme. De repente Duo começou a sentir algumas pontadas mais forte na região do abdômen, ele se encolheu e caiu deitado no sofá, a princípio ninguém deu muita atenção.
- Hei... – Duo chamou.
- O que foi, Duo? – Wufei indagou.
- Eu... não me sinto bem – revelou.
Todos levantaram e correram até o americano. Wufei ascendeu à luz da sala e Trowa ajudava Duo a se sentar no sofá. Heero ficou paralisado, ele estava travado desde o ocorrido no escritório.
- O que está sentindo? – Trowa indagou, olhando para seus olhos.
- Dor, aqui... – disse, abraçando sua barriga e inclinando-se para frente, gemendo baixinho.
- Será... que entrou algo mesmo? – Wufei indagou – precisa de uma cirurgia urgente se for o caso. Mas... chegaremos somente daqui dois dias à colônia mais próxima, então...
- Não diga isso, Wufei! – Quatre disse em desespero, sentando-se ao lado de Duo, abraçando seu corpo.
- Mas... mas... – Wufei não sabia o que dizer. Não estava sendo fácil para ele ver o americano sofrendo daquele jeito sem poder fazer nada para ajudá-lo.
- "Duo pode morrer?" – Heero pensou de repente, voltando à realidade, ele levantou-se e saiu da sala, indo até a sala de controle, tentando abrir contato com alguém e infelizmente não conseguiu nenhum sinal.
Trowa adentrou na sala de controle, a fim de tentar fazer a mesma coisa de Heero. Quando os seus olhares cruzaram, Heero balançou a cabeça negativamente. Eles não conseguiam se comunicar.
- Pode ser uma leve lesão, pode ser dor muscular ou então realmente entrou algo – Trowa comentou, mexendo no equipamento de comunicação juntamente com Heero.
- Ele vai morrer – Heero sussurrou.
- Provavelmente – concordou.
Os dois pararam com o que faziam. Duo ia morrer! Isso não era uma notícia qualquer, o americano não era um companheiro qualquer, ele era um dos pilotos gundam. Ele era especial na vida de cada um.
Trowa tentou puxar um fio do comunicar, mas suas mãos tremiam levemente, ele pensou em pedir para Heero fazer aquilo, mas o soldado japonês estava na mesma situação. Por um momento ambos desejaram ser pessoas ignorantes e esperançosas, para pensar que Duo estava apenas com uma lesão e logo se recuperaria. Mas eles tinham experiências de guerra e sabiam bem que o espaço era traiçoeiro.
- Não tem jeito – Heero disse, largando o aparelho.
A mão de trowa se fechou com força, movendo-se na para baixo, socando o chão com força. Afinal não podiam fazer nada. O máximo que poderiam fazer era tratar os ferimentos de Duo com o equipamento que tinham.
- O que faremos Heero?
- Realizar seus últimos pedidos? – indagou, encarando trowa.
- Talvez.
Os dois saíram da sala de controle, indo até a sala, onde todos estavam. Duo estava deitado no sofá com os olhos fechados e o braço em cima de sua testa. Ele sentia muita dor, mas não quis comentar com ninguém. O que menos queria era que todos ficassem preocupados com sua situação.
- Como está se sentindo? – trowa indagou.
- Maravilhoso – respondeu, sorrindo em seguida.
- Pelo menos ainda tem senso de humor – Wufei comentou.
- É o que me resta... – murmurou.
- Não diga isso, Duo! – Quatre exclamou, sentando-se ao seu lado.
Wufei olhou para Heero e trowa, ele tinha a mesma opinião que os outros pilotos gundam. Duo ia morrer, definitivamente. Ou talvez o americano resistisse até chegar a uma colônia.
O corpo de Duo estava lhe matando literalmente. Ele sentia fortes pancadas de dor em sua cabeça, mas a região mais dolorida era em seu abdômen, pois parecia que havia pedaço de lâminas correndo pela região.
- "Talvez eu nem consiga viver por mais vinte minutos..." – Duo pensou, abrindo seus olhos, exibindo seus incríveis e expressivos violetas para seus colegas que lhe olhavam. Tirando Quatre, os demais estavam com um olhar de angústia. Não tinha como esconder nada de seus olhos atenciosos. Felizmente Quatre era ingênuo.
- Vamos levá-lo para o quarto – Wufei sugeriu.
- Hum, boa idéia – Duo disse.
- Consegue se levantar? – Quatre indagou.
Ninguém esperou uma resposta de Duo, o americano não queria dizer para Quatre que não agüentava nem respirar. Heero avançou, pegando Duo delicadamente no colo, começando a levá-lo para o quarto. Os demais pilotos o seguiram.
No quarto, Duo deitou-se na sua cama. De repente, ele não entendeu o que aconteceu. A dor que estava sentindo passou, apenas sua cabeça ainda latejava. Ele sentou-se lentamente na cama, assustando os demais pilotos.
- Não fique se esforçando – Wufei disse – fique deitado.
- Sim. Não levante – trowa complementou – isso pode abrir seu ferimento.
- Deixe de ser irresponsável. Deite-se – Heero murmurou.
- Vocês três são uns chatos! Cruzes! Deixem-me com o Quatre – pediu, rindo baixinho.
O olhar do trio era nostálgico. Nenhum deles reclamou ao receber aquela resposta tão mal educada. Eles estavam começando a sentir saudade daquilo, daquele comportamento único.
- Não fale assim, Duo. Eu concordo com eles - Quatre disse, com um sorriso no rosto.
- Ah, Quatre. Pode me pegar um copo de água? – pediu.
- Sim, eu já volto – disse, saindo do quarto.
Os quatro pilotos ficaram se olhando.
- Eu vou morrer – Duo disse, olhando-os seriamente.
- Está sentindo-se tão mal assim para...
- Eu sei que vou morrer, Wufei – disse, interrompendo o chinês – não digam para o Quatre pelo menos. Deixe-o pensar que eu estou bem, esse é meu único pedido. Podem realizá-lo para mim?
- Tudo bem – trowa disse, fechando os olhos.
- Eu não quero que ele...
A porta do quarto abriu de repente, interrompendo Duo que abriu um largo sorriso para o loirinho.
- Obrigado, Quatre – disse, pegando o copo e bebendo um pouco de água.
- De nada. E como está se sentindo agora?
- Bem melhor – respondeu.
Heero não agüentou aquela cena, ele virou-se e saiu rapidamente do quarto, sendo acompanhado de Wufei e trowa que tinham o mesmo sentimento.
- Por que todos saíram? – Quatre indagou.
- Esses caras são tudo um bando de mal humorados – disse.
Quatre ficou um bom tempo conversando com Duo. O americano estava voltando a sentir as pontadas na região do abdômen, aos poucos ele foi caindo para trás, deitando-se.
- Quatre. Eu queria dormir um pouco agora – disse da melhor forma que podia.
- Claro – disse – você estará recuperado depois.
- Sim. Obrigado, Quatre. Eu gosto muito de você – disse.
- Eu... também Duo – murmurou – descanse.
O loirinho saiu do quarto. Duo levantou-se e foi até a sua suíte, trancando-se e indo até o vaso sanitário começando a vomitar seu jantar e algumas partículas estranhas. Duo pegou um pedacinho daquela partícula que se desfez na sua mão como se fosse areia.
- "Realmente entrou... mas será que foi muito? Eu realmente não sei..." – pensou, voltando a vomitar.
Depois de colocar tudo para fora. Duo achou melhor se lavar e escovar os dentes para tirar aquele hálito terrível. Quando saiu do quarto, deparou-se com o soldado perfeito que estava sentado na sua cama.
- Vomitou sangue? – Heero indagou.
- Um pouco – revelou.
- Deite-se – Heero pediu, batendo sua mão no colchão.
Duo caminhou lentamente até sua cama, sentando-se ao lado de Heero sem conseguir olhá-lo.
- Desculpe-me por àquela hora... eu só não queria apanhar – disse.
- Por que me beijou? – indagou.
- Porque... eu imaginei que você... ia ficar sem reação – revelou.
- Mas por quê um beijo? Não podia ser outra coisa?
- Perdão se te ofendi – pediu – não era minha intenção.
- Tudo bem. Agora descanse – Heero disse, erguendo-se.
Duo deitou-se e acabou dormindo.
OoO
Continua...
Duo foi tão inocente em pedir um beijo não? Ah... eu também pediria. Hahaha... Bom, desejos pessoais à parte. O que estão achando dessa história?
Comentários são sempre bem-vindos, mesmo que a história já esteja publicada.
4/9/2008
Por Leona-EBM
