Capítulo 2 – Lembranças – Segundo Passo – Callie Torres
Isso tudo aconteceu há quatro meses e agora estou eu aqui em Los Angeles em um quarto de hotel a olhar para minha imagem de cansada no espelho do banheiro, quando meus pensamentos são interrompidos pelas batidas na porta.
- Calliope, posso entrar?
- Claro querida a porta só está encostada.
- Você parece cansada.
- Você não me deixou dormir e ainda me fez gastar todas as energias que tinha, preciso de mais algumas horas de sono.
- Não ouvi você reclamando enquanto estava gemendo e gritando o meu nome ontem à noite, se voltar a dormir vamos nos atrasar, vamos para o chuveiro que faço você despertar rapidinho.
- Arizona!
- Calliope!
O Banho foi longo tivemos que sair sem tomar o café da manhã, Arizona tem um dom com a língua que me faz ver estrelas, mas ainda estou com fome, sem cafeína e exausta.
Chegamos à clínica de Addison Montgomery com quinze minutos de antecedência de nosso horário marcado, Arizona deu um jeito de me comprar um café na entrada do prédio, ela me conhece bem e sabe que sem cafeína no meu sangue eu era uma gata selvagem para se lidar, ela não poderia conseguir nada de mim naquele estado.
O tema bebê surgiu alguns dias antes do natal, e não foi eu ou Arizona que o trouxe, desde o aborto que ainda não tínhamos falado sobre o assunto. Estávamos enfeitando a arvore de natal quando Arizona perguntou a Sofia.
- Hey Sof o que pediu para o Papai Noel.
- Eu quero um irmãozinho igual a Zola, para brincar comigo.
Senti Arizona perder o equilíbrio e se segurar no encosto do sofá para não cair, instintivamente segurei em sua cintura e a abracei por trás e expliquei a Sofia.
- Mi hija, bebês tem que ser encomendados com muita antecedência, os bebês precisam crescer dentro da barriga de uma das mães e isso leva muito tempo, então não acho que vai dar tempo do Papai Noel te dar um irmãozinho nesse natal.
- Sério? Eu cresci dentro da sua barriga não foi Mama?
- Sim querida, foi na minha barriga que você cresceu, igual o pequeno Bailey na barriga da tia Mer.
- Então meu irmãozinho pode crescer na sua barriga mamãe? Sofia perguntou se virando para Arizona.
Arizona não respondeu, apenas senti suas lágrimas quentes molhando minha mão que agora estava em seu rosto, a virei e a abracei ela chorou ali em meu ombro como nunca tinha feito antes, eu também chorei nesse dia, acho que era a primeira vez desde o aborto que nós compartilhávamos nossos sentimentos da perda do nosso bebê. Sofia não entendia o porquê de estarmos chorando ela apenas nos abraçou e chorou também.
Naquela noite Arizona teve pesadelos, tive que acalmá-la no meio da noite, era sempre assim quando ela sofria uma carga emocional durante o dia a noite voltavam os pesadelos e em consequência as dores do membro amputado, o tema bebê e o episódio ocorrido foi abordado na sessão de terapia que tivemos juntas e quando a terapeuta me perguntou como eu me sentia agora, respondi.
- Eu me sinto aliviada por poder chorar e me sentir triste, depois da amputação passei tanto tempo escondendo meus próprios sentimentos para poupar minha esposa e minha filha, em minha mente eu precisava ser forte por nós três que não tive tempo de chorar a perda do nosso bebê então foi a primeira vez que eu realmente chorei por ele.
Durante a terapia a conselheira matrimonial nos deu muitas tarefas a serem cumpridas durante todo o processo e uma delas era que deveríamos ter pelo menos uma hora sozinhas para conversarmos todos os dias e isso deveria acontecer longe do nosso quarto e cama, como nosso tempo livre era pouco e ainda temos Sofia, combinamos que depois das sessões iríamos para algum lugar só nós duas, naquele dia fomos ao parque e sentamos no nosso banco, fazia muito tempo que deixamos esse hábito de sair na hora do almoço para namorar ali naquele banco, agora sempre almoçávamos rapidinho e íamos para creche a fim de passar algum tempo do dia com Sofia. Nossa intimidade estava voltando aos poucos já tínhamos feito sexo uma vez desde a nossa volta e tinha sido intenso e estranho por não estarmos totalmente em conexão e com aquela intimidade natural de antes.
Quando estávamos sozinhas a impressão que tinha que Arizona sentia receio de me tocar de iniciar uma sessão de romance estava sempre tensa ela sempre esperava pela minha iniciativa o que em parte estava me deixando frustrada, quando Sofia estava presente ela era outra pessoa parecia que ela relaxava. A terapia conjugal começou a dar resultado depois da segunda sessão quando tivemos que escrever e ler uma carta de uma para outra, onde deveria conter nossos medos, receios e expectativas do relacionamento. Naquele dia eu entendi o quanto nós nos desviamos de nosso primeiro amor.
Foi a partir dai que começou as tarefas que deveríamos cumprir antes das próximas sessões, a nós foi proibido fazer sexo por um tempo e deveríamos voltar ao tempo da conquista novamente e nos dar um tempo todos os dias para conversarmos sem gritar. Começamos tendo esse tempo depois que Sofia estava dormindo e conversamos e conversamos e lágrimas foram derramadas e ressentimentos foram escancarados, perdões pedidos e concedidos. Teve a semana que deveríamos nos surpreender com pequenos gestos românticos como no início do namoro.
Ainda morávamos no apartamento de frente ao hospital, o primeiro gesto de que estávamos voltando aconteceu em uma manhã. Como todas as manhãs, peguei uma Sofia sonolenta no colo e segui em direção ao elevador enquanto Arizona trancava a porta e me seguia com a bolsa do nosso bebê, enquanto esperava o elevador senti sua mão sendo pendurada em meu braço, meu coração imediatamente disparou no peito e tive a impressão de que todos poderiam ouvi-lo caminhamos lentamente até o hospital aproveitando cada segundo estávamos em silêncio mas não era constrangedor e antes de entrarmos pela porta principal ela me puxou para um beijo leve nos lábios coisa que sempre fazíamos antes do acidente e que foi esquecido em meio a tanta confusão.
Depois deixarmos Sofia na creche, nos dirigimos à reunião de rotina do conselho, sentamos uma ao lado da outra como antes as mãos de Arizona novamente me surpreendeu ao senti-la em minha coxa, imediatamente coloquei a minha por cima da sua e sorrimos em concordância, estávamos voltando aos pequenos gestos românticos, antes de entrar em minhas inúmeras horas de cirurgia liguei para uma loja de doces e mandei entregar uma caixa com o doce preferido dela eram uns docinhos de coco com ameixas dentro embrulhado em um papel bonito com um cartão com os dizeres.
"Bom tê-la de volta, senti sua falta.
Beijos te amo"
E durante toda semana outros gesto foram feitos, flores entregue no meio do PS, uma escapada na hora do almoço para irmos ao parque e sentarmos no nosso banco do amor, a entrega de um café quando estávamos saindo de uma longa cirurgia, coisas que havíamos perdido no meio da caminhada e nem tínhamos percebido.
Na sexta-feira estava cobrindo o PS, quando um entregador de flores entrou pela porta de emergência com um enorme Buquê e perguntou.
- Por favor onde posso encontrar a Dra. Torres.
Bailey que atendeu o rapaz e disse:
- Tá vendo aquela mulher ali que acabou e fazer aquela senhora gritar é ela.
Eu estava atendendo Francesca uma senhora italiana que vivia em Seatlle a cinco anos, ela tinha caído na calçada molhada em frente ao prédio onde morava e descolado o pé eu a estava distraindo para colocá-lo no lugar, eu lhe contava um história engraçada de um outro paciente que tive alguns anos atrás então quando ela começou a rir e esqueceu o pé eu o coloquei no lugar o grito foi inevitável.
O entregador se aproximou:
- Dra. Torres?
- Sou eu.
- São para você.
Era um buquê de rosas lindas tinha várias cores e um bilhete.
" Calliope posso te levar para jantar amanhã as oito horas?
Beijos
PS: Eu Te amo"
Francesca que olhava tudo com admiração não se conteve e perguntou?
- Pelo seu belo sorriso é de alguém importante, vejo que carrega uma aliança no dedo, então presumo ser do seu marido, ou a Dra. tem algum admirador secreto.
- Bem não tenho um marido e nem um admirador secreto são da minha esposa.
- Ah! Meu Lorenzo também tem um marido, coisas dessa nova juventude, eu tive um marido lindo, italiano quente e fui muito feliz.
Nós rimos.
Respondi por msm um sim para Arizona, agora precisava de uma babá para Sofia.
No sábado Arizona me levou a um novo restaurante italiano de Seatlle, a comida era ótima e havia um pianista tocando lindas canções em um ambiente romântico e aconchegante ela escolheu uma mesa no canto com uma meia parede de vidro onde dava de frente para o mar e podíamos ouvir o barulho das ondas.
Conversamos sobre nós naquela noite e como nos foi aconselhado paramos de nos culpar e de pedir perdão porque se nossa vida fosse se resumir a todos os dias pedir perdão pelos nossos erros passados não teríamos animo para viver nosso presente, então nossa nova meta era viver o presente sem cometer os erros do passado e com um pouco de diversão e emoção, naquela noite voltamos a usar nossos colares símbolo do nosso amor, isso era mais um indício de que a coisas estavam voltando para o seu devido lugar. Ainda não podíamos fazer sexo e estávamos cumprindo o acordo, Arizona às vezes se esquecia dessa tarefa, mas eu fui firme e valeu a pena esperar.
Um mês depois de começarmos a terapia Arizona se sentia melhor e estava aprendendo a compartilhar comigo seus medos e expectativas, e eu com ela, e aceitando minha ajuda sem se sentir humilhada ou algo forçado ela agora entendia que somos um casal e isso está dentro do relacionamento nos ajudar mutuamente, na terapia fomos liberada para a intimidade sexual, cumprimos todas as tarefas até ali então estávamos prontas para o passo seguinte estávamos caminhado para o carro de mãos dadas quando Arizona parou.
- Sof vai dormir na Mer hoje certo?
- Sim a festa do pijama de Zola, porquê?
- Então não precisamos voltar cedo pra casa, podemos fazer algo diferente.
Olhei meio assuntada para ela.
- Sim podemos o que você quer fazer?
- Podemos ir para um hotel chique e aproveitarmos de uma suíte de lua de mel, desfrutar de um banho de banheira, um champagne e morangos com chantilly e talvez eu possa comê-los em seu umbigo.
- Arizona que depravação!
Falei com falsa indignação.
- Você quer ser deparava junto comigo, Calliope?
- Eu adoraria.
A simples pronuncia do meu nome em sua boca já me deixava excitada, imaginar as outras coisas então mal consegui chegar ao hotel, enquanto dirigia Arizona passava a mão do lado interno da minha coxa e me provocava passando a mão um pouco para cima ela sabia que isso me deixava excitada, as provocações foram até eu pegar sua mão e leva-la aos lábios.
- Não vamos querer provocar um acidente e acabar no PS do hospital.
Mantive sua mão presa a minha até chegarmos ao hotel.
Arizona como prometeu, comeu os morangos no meu umbigo e em outras partes que me dá até calor só de pensar, a partir daquela noite voltamos a ter nossa intimidade de volta e de uma forma maravilhosa e romântica. Estavam valendo o tempo gasto nas sessões de terapia.
Acordei com o bip de um page e não parecia ser o meu, minha esposa estava deitada sobre minhas costas, podia sentir sua respiração quente sobre minha pele.
- Amor dá para atender esse page.
- Não é o meu tenho certeza.
- Claro que tem certeza.
Com um pouco de dificuldade empurrei Arizona de cima de mim que virou e continuou dormindo levantei e fui procurar de onde vinha o maldito som era o page dela localizei o meu celular, que na ânsia de nos livrarmos das roupas foi parar atrás do sofá do quarto e tinha dez ligações não Atendida da Mer e Cristina só essa manhã olhei no relógio já eram quase nove.
- É o seu, Karev está perguntado porque não apareceu em sua cirurgia das oito horas? O que devo responder?
- Diz que minha esposa gostosa e quente acabou comigo na noite e madrugada então não tive forças para me levantar.
- Você quer que eu diga isso com palavras ou caretinhas?
- Calliope! Responda apenas que estou atrasada e que estou indo.
Respondi ao Karev e ligue para Mer.
- Desculpa Mer sei que deveríamos estar ai esperando Sofia, mas tivemos um pequeno incidente, não ... nada para se preocupar chegamos em meia hora.
- Amor para irmos você precisa levantar e chuveiro.
Não éramos de nos atrasar para o trabalho, mas dessa vez foi por uma boa causa.
