"Pinako e Winry...

Daqui a uma semana, estaremos aí. O Coronel Mustang deu férias ao Nii-san, e decidimos então passá-la com vocês. Sentimos muita falta de Risembool e das pessoas, vocês sabem.

Como estão as coisas aí? Aqui está tudo na mesma. Nós ainda não conseguimos nenhuma outra pista sobre como recuperar os nossos corpos, mas o Nii-san não desistiu, e nem eu. E ele ainda odeia leite, e não contem pra ele que eu disse, mas ele cresceu só 0,5 centímetros durante esses dois meses. XD

Geralmente é o Nii-san que escreve as cartas, não é? É que agora ele ta dormindo ¬¬' e não acorda de jeito nenhum. Mas eu sei que ele sente saudades de você, Winry. Ele tenta ser forte, mas de pedra ele nunca vai ser. Sentimos saudades, sei que já disse isso umas três vezes.

Ah, esqueci de contar. As férias do Nii-san vão durar um mês!

Com carinho,

Aru (e Edo, embora ele esteja dormindo)."

Uma semana? Daqui a uma semana eles iriam vir para passar um mês, e sem o automail quebrado! Meu coração enchia-se de alegria com as notícias. Que o Edo não ia crescer muito eu sabia, mas crescer só meio centímetro quando se quer crescer trinta deprime qualquer um.

O bom é que seria um mês tranqüilo, como se fosse um mês a mais de vida para eles. Um mês sem me preocupar se eles estão se arriscando e um mês a mais pro recorde do Edo de ficar sem quebrar o automail. Mas isso nem me importava mais, tamanha era a minha alegria. Quando estava indo de novo para o trabalho, lembrei que vovó me deu o resto do dia para descansar. Subi, tomei banho e depois de me vestir saí para brincar com Den e contar-lhe as novidades.

De certa forma, esse foi o grande dia. Eu tinha razão, no final. Uma notícia ótima veio. Sabia exatamente quando viriam, não precisaria mais ficar olhando para longe, esperando ver os meninos. Deitei-me na grama, olhando as estrelas que começavam a aparecer. Uma semana. Sete dias. Para depois ficar ao lado deles por aproximadamente trinta dias. Isso era tudo o que eu queria.

Primeiro dia:

Acordei logo, me arrumei e desci para trabalhar nos automails. Vovó tinha adiantado bastante, mas não o suficiente para me impedir de passar o dia inteiro lá. Isso era bom. O dia passou rápido e ainda tinha coisas para fazer o suficiente durante três dias inteiros.

No quarto dia, os trabalhos com automail se esgotaram. Fiquei pensando em como poderia passar os dois últimos dias de espera. Eu não teria mesmo o que fazer durante eles. Passei o quinto dia inteiro na cama, dormindo, acordando, dormindo, acordando e dormindo de novo. O sexto dia foi exatamente o contrário do quinto. Passava correndo pra lá e pra cá arrumando a casa, com uma única coisa na cabeça: amanhã eles chegam. Até que finalmente a noite chegou. Deitei cedo, porque sabia que o sono iria demorar a chegar por dois motivos: dormi demais no dia anterior; eles iriam chegar no dia seguinte.

O sol já estava começando a raiar quando acordei. Levantei subitamente e me arrumei. Em vez de colocar a saia e a blusa de todos os dias, coloquei um vestido branco bem simples, mas para variar. Prendi o cabelo do mesmo jeito de sempre. Quando desci, nem ao menos parei para comer alguma coisa: saí correndo pela porta da frente, fui sentar embaixo da mesma árvore de exatamente sete dias atrás. Ficaria ali até eles chegarem, não queria nem saber.

E, quando já era perto do meio-dia, eles chegaram

- Winry! – Alphonse me cumprimentou na hora em que nos vimos. Senti que iria começar a chorar naquela hora. Chorar de felicidade. Eu estava eufórica. Mesmo sabendo que Aru não sentiria, eu abracei aquela armadura. Depois, fui cumprimentar Edward.

- Faz um tempo que esse automail não quebra, Edo ^^ - comentei. Abracei-o também. Como eu já esperava, ele não correspondeu o abraço. Apenas respondeu:

- É... bom te ver novamente. – ele estava meio corado.

Sorri. Entrei com eles dentro de casa. Vovó já tinha deixado o almoço pronto. Enquanto comíamos, Edo e Aru contavam o que tinha se passado na Central durante esses dois meses: Scar não apareceu mais, o que me aliviou completamente. O resto era coisas que envolviam quimeras, alquimia, etc. Tudo coisas que eu não entendia quase nada. No final, vovó apenas disse:

- E você continua pequeno... – na verdade, meio centímetro ele tinha crescido. Aquele comentário fez Edo quase pular na vovó. Ai de mim se ele fizesse isso.

- AARGH, EU CRESCI SIM! E EU NÃO SOU PEQUENO, SÓ VIVO NUM MUNDO GRANDE DEMAIS, DROGA! – acho que o verdadeiro Edward Elric chegou.

Mas, de certa forma, foi estranho. Edo foi o que menos falou e, geralmente ele não cala a boca. E parecia meio abatido, desde que chegou em casa. Sabia que se eu perguntasse ele iria dizer "não é da sua conta", então nem me prestei a tentar. Mais tarde, perguntaria ao Aru.

Depois do almoço, Edo e Aru foram treinar. Eu tinha acabado com o trabalho equivalente a duas semanas em três dias, então fiquei observando. Ambos pareciam ter melhorado. Mas, após defender um ataque do irmão com o automail, Edo se queixou de dor.

-Ugh! – ele parou de lutar.

- Edo! O que foi?! – fui correndo ver o que tinha acontecido.

- Não foi nada. Só que o automail...

Ah, não. Peguei a minha chave inglesa e bati nele com tudo.

- Isso o que dá ficar se metendo em brigas, idiota! Olha o que você fez com o meu automail!

- Se ele fosse tããããão bom assim, não teria estragado de uma hora pra ou—

Acho que eu podia ter matado Edo naquele momento.

- Vem, vamos arrumar isso. – eu puxei-o pelo braço e levei-o até o porão, onde eu passava dias trabalhando com automails.

No final, não era nada. Apenas uma parte do automail tinha travado. Mas, enquanto arrumava, eu tentei, mesmo sabendo que não iria dar certo:

- Edo...

- Que foi?

- Você está... bem? – nem esperei para ver o que ele responderia.

- Não é nada. – Argh, sempre ele vem com essa de "não é nada", "não é da sua conta", etc. Se ele soubesse o quanto eu sofria vendo ele nesse estado!

- Ah, tudo bem. Sempre é assim. – suspirei – Nunca é nada, você está sempre bem, mas é seu normal ter essa cara feia e toda essa quietude, não?

- O que você quer dizer com isso?

Eu me segurava para não chorar naquele momento. Iria parecer uma idiota.

- O que eu quero dizer é que eu sei que não está tudo bem! – senti meus olhos ficarem marejados – Cansei desses seus "não é nada". Você nunca foi capaz de tentar conversar comigo sobre o que está acontecendo. Você nunca me diz, nunca quer que eu te ajude. Isso cansa, sabia? – desisti. Não iria conseguir segurar as lágrimas; deixei que caíssem. Desisti também de discutir com Edo. – Deu, acabei os reparos no seu automail, pode ir embora.

- Obrigado. – Ele levantou e não falou mais nada, mas eu pude o ouvir murmurando "idiota" para mim.

Idiota? É assim que ele me considerava por querer saber o que está acontecendo? É assim que ele tratava quem se preocupava com ele? Eu queria morrer depois de ouvir aquilo. Me senti fraca por não poder fazer mais nada além de chorar, mas não conseguia falar mais nada. Eu esperava que aquele mês acabasse logo, se fosse para vê-lo assim, e sofrer assim.