VERDADE OU DESAFIO - PII
-O que? Peraí, cara, assim não dá! Está querendo me matar?
-Essas são as condições, Mutano. – afirmou Robin. – Nada de se transformar em algo menor que um rato. Se não fica muito fácil!
-Ah... – as orelhas do garoto baixaram.
-Vamos, verdinho, você faria a mesma coisa em nosso lugar. – disse Ciborg, segurando o riso.
-Ta bem, ta bem... Um camundongo pelo menos, vá...
-Certo. Nada menor que um camundongo.
-Feito. Então... Lá vou eu.
-Não se esquece de ligar o comunicador quando entrar lá. – advertiu Ciborg.
-As garotas não vão poder ouvir também? – perguntou Robin.
-Não, fiz umas configurações e só nós três podemos nos comunicar por enquanto.
-Grande...
-Vai logo.
-Ok. Vou tentar a janela, se não der eu entro por outra e vou pelo corredor. É no quarto da Estelar, não é?
-Isso.
Mutano se transformou em um canário e começou a voar em volta da Torre, subindo.
-Traz algo legal, Mutano. – gritou Robin.
-É, algo que faça elas te matarem se descobrirem... – murmurou Ciborg, e os dois riram enquanto viam o pequeno pássaro verde subir.
Ssssssss
-Verdade ou Desafio, Ravena? – perguntou Jinx, com um sorriso maldoso.
-Verdade.
-Certo... Eu ouvi uma história há um tempo... – contou ela, ainda sorrindo. – Então... É verdade que um dragão usou você para chegar aqui e depois te chutou?
Ravena corou, e não foi a única. Todas as garotas ficaram repentinamente sem graça e começaram a olhar para qualquer coisa que não fosse a empata.
-Como... Quem te contou essa história? – perguntou Ravena, chocada. Jinx deu de ombros.
-Ouvi por aí... – e olhou em volta.
Ravena olhou para as outras e percebeu que evitavam seu olhar, e que Estelar estava incrivelmente vermelha.
-Estelar... Foi você? – sussurrou ela, desapontada, para a amiga do lado. Os olhos de Estelar se encheram de lágrimas.
-Des... Desculpe, Ravena, não era a minha intenção... Eu tinha comentado o que aconteceu com Abelha quando ela veio aqui... Para que ela te tratasse bem, sabe... E, eu não sei como todos ficaram sabendo... Por favor, me perdoe, Ravena...
Estelar estava à beira das lágrimas. Ela não mentia. Contara com o intuito de trazer mais pessoas para confortar a amiga; ainda não conhecia a malícia da fofoca.
-Tudo bem, Estelar... – murmurou Ravena, mas estava muito envergonhada.
-E então? – falou Jinx bem alto, e todas as garotas lhe olharam feio. – Se já acabaram o papo secreto, estou esperando uma resposta. Ravena suspirou.
-É verdade. – confirmou ela, tentando não demonstrar nenhuma emoção na voz que não fosse desdém.
-Ah! – exclamou Jinx, satisfeita. – Que pena... Sinto muito, Ravena...
Ela não parecia sentir.
-Certo... Alguém rode isso, logo... E outro alguém pode fechar a janela? – pediu a empata, abraçando os ombros nus, que tremiam devido ao vento gelado que entrava pela janela aberta.
-Ué... Eu não abri a janela... – disse Estelar, confusa.
-Que eu me lembre, a janela estava fechada quando entramos aqui. – comentou Abelha, querendo que o assunto do fora de Ravena fosse esquecido logo.
-Alguém pode ter esbarrado na tranca... – supôs Moça-Maravilha, se levantando e fechando o vidro.
-Ou Ravena pode ter perdido o controle, não é?
Os olhares fuzilaram Jinx, ao mesmo tempo em que um raio verde a atingia.
-Opa, desculpe. – pediu Estelar com um olhar que não parecia seu.
Sssssssss
Mutano voou até chegar à enorme janela do quarto de Estelar. A princípio, só conseguira ver as cortinas cor-de-rosa através do vidro, mas logo localizou a tranca. Abriu com uma bicada e esgueirou-se para dentro na forma de uma pequena cobra, deslizando para debaixo da cama da alienígena sem que as garotas o vissem. Pareciam focadas em outra coisa. Ouviu as garotas
comentaram da janela e uma delas ir fechá-la. Transformou-se em humano para pegar o comunicador depressa, e então em um gato, para poder enxergar as cores, e pôde ver as meninas sentadas em roda com uma escova no meio delas.
"Ah!" pensou ele. "Jogando verdade ou desafio também...?"
Ligou o comunicador com a patinha, de modo que os garotos pudessem ouvir, e saiu de debaixo da cama na forma de uma doninha, procurando por seu prêmio.
Ssssssssssss
-Ele ligou, tá lá dentro. – informou Cyborg, ouvindo ruídos de seu braço.
-Legal! – exclamou Robin, pegando o seu. Por um momento, só ouviram ruídos de interferência, mas logo as vozes femininas se tornaram claras:
-Roda, Estelar. – disse a voz de Moça-Maravilha.
-Não! – gritaram outras vozes.
-Ou a escova levanta vôo, ou nunca mais pára de rodar, né... Deixa que eu faço isso. – decidiu a voz de Abelha.
-É você, Kole. E você responde, Estelar.
-Ahn, tá bem... O que fez você se apaixonar pelo Robin, Estelar?
Cyborg soltou uma risada pelo nariz enquanto Robin ficava escarlate.
-Ah... Muitas coisas. Ele lutou por mim quando nos conhecemos... E é muito bonito...
Um 'Ooooohhh' pôde ser ouvido, e Robin encheu o peito, enquanto Cyborg revirava os olhos.
-Claro que ele não é tããão bonito quanto meu antigo namorado... Nem tão alto. – a voz de Estelar continuou. Cyborg poderia ter ido à Lua.
-O QUÊ?
-Cala a boca, Robin, elas vão ouvir.
-Estelar teve OUTRO namorado? – o menino-prodígio parecia fora de si. As meninas silenciaram.
-Ouviu alguma coisa?
-Acho que não...
Robin quase não conseguia respirar. Cyborg segurava sua boca ao mesmo tempo em que tentava não rir.
-Então você teve outro namorado?
-Sim, ele era do meu planeta. – confirmou Estelar, alegremente. Robin não gostou daquele tom alegre. – Nós namoramos por algum tempo, ele era muito corajoso... Mas... Não era muito delicado nem carinhoso... Porque isso não é uma característica comum em machos tamaranianos. Ainda em fêmeas é raro... Foi quando eu vim para a Terra que o Robin me ensinou a 'gentileza'...
-Oh, que gracinha... – sussurrou Cyborg, mantendo um Robin irado longe com um braço.
-Ah, eu estou com fome. – informou Argenta. – Vamos à cozinha preparar algo e depois continuamos?
As meninas concordaram. Eles puderam ouvir elas se levantando e saindo. Depois... Nada.
-Parece que Mutano vai ter um tempinho para pegar seu troféu... – murmurou Robin, que já tinha parado de tentar matar Cyborg. Então o metamorfo apareceu na telinha do comunicador.
-Ai... – começou ele com a voz de falsete. – Robin, você me ensinou a gentileza...
Ele e Cyborg começaram a rir escandalosamente. Robin rangeu os dentes e apertou os punhos.
-Já pegou o seu troféu, espertalhão?
-Não, vou aproveitar para procurar melhor agora que elas saíram. Já desço.
-Anda logo, verdinho. – recomendou Cyborg. – Senão, Sr. Robin vai ter que te dar uma bronca digna de um 'gentleman'.
-Agora chega! – gritou Robin, pulando em cima do amigo metálico. Mutano observou os dois se matando por um tempo e depois desligou o comunicador, se focando na sua missão. Não demorou a achar a coisa perfeita.
Ssssss
