Capítulo I – Quando o passado bate à sua porta...
12 anos depois...
Edward's POV
Eu estava no carro, saindo do trabalho e dirigindo pelas ruas de Nova York a caminho do meu compromisso com Rosalie. Estávamos noivos há algum tempo e naquela noite nos encontraríamos para jantar em seu restaurante favorito. Mais cedo naquele dia, ela me deixara um recado na secretária eletrônica, combinando o jantar e comentando algo sobre ter novidades em relação aos preparativos para o nosso casamento.
A data da cerimônia ainda não era certa, mas já havíamos começado a planejar algumas coisas.
Rose e eu namorávamos desde a época de faculdade, quando eu fazia administração e ela cursava moda. Ambas as graduações nos renderam sucesso profissional nas áreas que escolhemos; eu consegui um ótimo cargo em uma empresa multinacional, e ela trabalhava hoje como primeira assistente da editora chefe da maior e mais importante revista de moda do país.
Nos conhecemos através de minha prima, Alice, que se tornara melhor amiga de Rosalie logo no início da faculdade. Alice é meio que a "culpada" de tudo. Aquela baixinha audaciosa nos arranjou um encontro às escuras, armando para nos juntar. E deu certo; algum tempo depois, eu e Rosalie já estávamos apaixonados e engajados em um relacionamento sério.
No dia de nossa formatura, eu a pedi em casamento, recebendo um "sim" com prontidão. Mas então veio a responsabilidade e o desejo e necessidade de deslanchar nossas carreiras, nos fazendo decidir permanecer apenas noivos até que nossa vida se estabilizasse. E assim fizemos, começando a planejar o casamento assim que percebemos nossas vidas nos devidos eixos desejados.
Minha relação com Rose sempre foi algo muito estável, sem altos e baixos, e as coisas sempre correram como esperado e planejado. Era algo certo, seguro, sem riscos, e eu gostava disso. Todo o negócio de adrenalina nunca fez muito meu tipo, e nem o dela.
Fiz essa recapitulação de fatos na minha cabeça enquanto parava o carro e entregava as chaves para o manobrista.
– Pois não? – A maître me questionou assim que adentrei o restaurante e parei em frente ao seu pequeno balcão.
– A Srta. Hale está me aguardando – respondi.
Ela procurou em seu livro de reservas por um instante.
– Ah, Sr. Cullen, certo? – Sorriu educadamente para mim.
Assenti e retribuí o mesmo sorriso, fazendo com que o dela deixasse de ser meramente educado e profissional e se tornasse deslumbrado. Revirei os olhos mentalmente. Mulheres!
Fui conduzido através do estabelecimento até que avistei Rose acomodada em uma mesa no canto. Ela parecia um tanto cansada enquanto bebericava uma taça de vinho tinto, e provavelmente tinha ido para o nosso encontro logo após sair do trabalho, assim como eu fiz.
Quando percebeu minha presença, levantou a cabeça, alcançando meu olhar e abrindo um sorriso genuíno. Imitei seu gesto e fui até o lado de sua cadeira, abaixando-me para dar-lhe um curto selinho.
– Hey, baby – falei após separar nossos lábios do rápido beijo, sorrindo para minha noiva.
– Hey, querido – respondeu-me, sorrindo docemente de volta.
Me dirigi até o outro lado da mesa e tomei meu lugar.
– E aí, como foi o seu dia? – Perguntou-me casualmente.
– Normal... Cansativo como sempre. E o seu?
– Cansativo também, mas não de tudo corriqueiro. Tenho uma pequena novidade sobre os preparativos do nosso casamento.
– Ah, é mesmo, você mencionou algo assim na mensagem de voz que me deixou. Me conte, o que é? Alice encontrou o vestido de noiva perfeito pra você? – Brinquei, fazendo-a dar uma curta risada.
– Não, não foi isso, mas Ali não deixa de estar envolvida. Hoje almoçamos juntas e ela me falou de uma mulher que faz bolos de casamento perfeitos. Eu sei que essa não é exatamente a primeira coisa com que temos que nos preocupar, mas, no fim das contas, se gostarmos do trabalho dela, pode ser algo a menos na nossa extensa lista do que fazer.
– Claro, claro, eu concordo. Se ela for boa mesmo... Quem é essa senhora, afinal?
– Na verdade não é senhora, ela é uma moça até bem jovem, por sinal. De acordo com Alice, ela deve ter mais ou menos a nossa idade.
Franzi um pouco as sobrancelhas.
– Mas não seria melhor achar alguém com mais... experiência?
– Ah não, não se preocupe. Ela, apesar de jovem, já tem bastante experiência. Alice conseguiu toda a ficha da moça. Aparentemente ela acabou de chegar de Milão, onde confeitava só pra alta sociedade, não só italiana, como do resto da Europa também.
– Ela é de lá?
– Não, não. Ela é daqui mesmo, só foi fazer um curso de especialização e acabou ficando por um tempo quando percebeu que poderia fazer um pouco de fama e dinheiro por lá. – Assenti e levei meu olhar para o cardápio, analisando as opções. Depois de algum tempo, Rose pareceu ter se lembrado de um detalhe – AAH! Alice também disse algo sobre ela ter estudado na mesma escola que você quando era adolescente! Imagina só, talvez você até a conheça!
Podia até ser, mas era provável que, mesmo que eu a conhecesse, não me lembraria dela. Tive muitas amizades na escola, mas acabei perdendo contato com quase todo mundo. Meus amigos agora eram, em sua maioria, o pessoal do trabalho e alguns ex-colegas de faculdade.
– Pode ser, não sei... Qual o sobrenome dela? – Perguntei.
– Swan. Ela se chama Isabella Swan.
Fiquei tentando me lembrar de alguma face que minha mente pudesse associar àquele nome, mas não consegui nada.
– Não me lembro... – Falei, ainda tentando me recordar de alguém conhecido que tivesse aquele nome. Talvez ela fosse mais velha, mais nova, ou talvez nunca tivéssemos sequer nos encontrado, afinal a escola que eu frequentava era enorme.
– Imaginei mesmo. Com essa sua memória... – Rose me zombou.
Rimos juntos e prosseguimos com o jantar.
Um tanto tentado pela curiosidade, naquela noite, quando cheguei ao meu apartamento, resolvi revirar minhas velhas caixas empilhadas em cima do guarda-roupa. Eventualmente eu encontrei o que procurava: meus livros do ano da época da escola. Seria bem mais fácil ver uma foto e poder concluir se conhecia ou não a tal mulher. Mesmo porque, se fosse alguém que eu conhecesse, seria uma referência para os possíveis futuros serviços que ela me prestaria.
Procurei desde a 5ª série, e quando passava as páginas envelhecidas do livro da 7ª, avistei o tal nome no canto da folha. Swan, Isabella Marie, estava escrito ao lado da foto de um rosto cheio e redondo. Com cabelos curtos, franja vermelha e grandes e fofas bochechas, lá estava a tal Isabella Swan. E eu a conhecia. Estudara comigo naquele ano e também no seguinte, e me lembro de termos tido algo parecido com uma amizade. Recordei-me de quando meus amigos – e provavelmente eu também – ficavam zombando a garota por causa de seu peso. Adolescentes são sempre tão bobos!
Depois de descobrir que conhecia a tal Isabella Swan – Bella, como todos a chamavam na época do colégio –, resolvi dar um voto de confiança a ela e ir conhecer melhor seu trabalho.
– YAY! Ai, vocês não vão se arrepender. Os bolos dela são um luxo! – Alice disse toda animada e praticamente ficou quicando na cadeira da cafeteria ao ouvir nossa decisão considerar a sugestão dada por ela. Rose a havia convidado para tomar café da manhã conosco, e assim poder pegar mais informações e detalhes sobre a confeiteira.
– Não se anime tanto, Alice. Nós ainda não fizemos nossa decisão final. Afinal de contas, antes nós precisamos ir à prova de bolos e ver se realmente gostaremos do trabalho da moça. – Expliquei e Rose assentiu, concordando comigo.
– Ah, mas é certeza que vocês vão gostar. Na verdade, eu estou certa e positiva de que vocês vão amar! Ela é perfeita, sério! Vocês vão ver, é cada bolo...
E assim ela continuou a tagarelar sobre aquilo por mais uns bons minutos. Eu e Rose quase não abrimos a boca, pois quando Alice se empolgava sobre algo, era sempre assim, uma falação sem fim.
No final das contas ela nos passou o cartão de visita da confeiteira, e, mais tarde, naquele mesmo dia, a prova de bolos já estava agendada.
A semana se passou sem mais novidades até que o dia da prova chegou. Estávamos eu e Rosalie em meu carro, nos dirigindo ao endereço indicado no cartão de visitas.
Estacionei na frente da casa que continha o número mostrado no pequeno pedaço de papel. Se Bella tinha agora pelo menos metade da fama e sucesso que Alice clamava, então aquele era um local provisório, afinal não havia luxo nenhum ali. Mas era compreensível, visto que aparentemente ela havia acabado de voltar para o país.
Paramos de frente à porta, e, quando meu dedo já estava quase pressionando a campainha, Rose segurou meu braço, silenciosamente me pedindo para aguardar. Olhei para ela, questionando o que havia de errado. Sua expressão estava um tanto hesitante e insegura, e eu realmente não encontrei motivos pra que ela estivesse assim.
– É que... Ai... Alice praticamente endeusou essa moça, e você a conhece desde muitos anos... Eu tenho algum motivo pra ficar preocupada?
– Preocupada? Com o quê? – Perguntei sem entender o objetivo daquela conversa inesperada.
– Sei lá... Eu não sei que tipo de relação vocês tinham naquela época... E se ela for tão perfeita como a Ali disse... Você, lindo e maravilhoso desse jeito... Você sabe... – Ela falava toda insegura, procurando as palavras certas para expressar o que estava sentindo.
Só então eu percebi onde ela estava tentando chegar. Todas aquelas histórias de reencontros com pessoas do passado, e romances surgindo ou ressurgindo, e blá blá blá. Tive que dar uma pequena e discreta risada. Não havia a menor possibilidade.
– Rose, meu amor, não seja boba. Eu e Bella fomos meros colegas no passado. Além do mais, com uma noiva linda como você, quem iria olhar pra outra mulher?
– Mas vai que ela é linda também? Ou mais linda que eu? – Modéstia nunca fora o forte de Rosalie.
Suspirei e me virei de frente para ela, segurando seus ombros e olhando bem no fundo de seus olhos.
– Querida, não se preocupe. Levando em conta a profissão que ela leva agora, eu tenho certeza absoluta que ela não mudou nada desde aquela época.
– Como assim? Como ela era? Feia?
-Gorda. Bem gorda. – Expliquei e vi um raio de alívio passar pela sua face – Ok?
Rose assentiu e dessa vez tocou a campainha ela mesma.
Depois de alguns instantes uma moça esbelta abriu a porta para nós. Magra, longos cabelos castanhos ondulados nas pontas, lábios avermelhados e olhos cor de chocolate. Era linda, mas eu não mencionei isso em voz alta, obviamente.
– Oi, nós estamos aqui pra prova de bolos da senhorita Swan. – Falei para a mulher sorridente parada à nossa frente.
– Sou eu mesma. Isabella Swan, prazer. – Ela estendeu a mão para cumprimentar uma Rose totalmente boquiaberta, e então para um Edward completamente confuso.
– N-não, deve haver alguma confusão. Estamos procurando pela confeiteira desse lugar.
A estranha riu e me olhou meio incrédula.
– Qual é, Ed, não se lembra de uma velha amiga? – Ela sorriu mais abertamente e, com uma análise ligeiramente mais meticulosa, eu consegui reconhecer a velha Bella naquele rosto agora magro.
Então inconscientemente eu imitei a expressão de minha noiva, e minha mandíbula praticamente despencou no chão em choque.
Bella Swan não era mais gorda. Longe disso. Ela estava estranha e impressionantemente linda e... gostosa.
