Capítulo 2: Refrigerante de Laranja

Já havia se passado uma semana desde que a professora McGonagall havia ido até a Rua dos Alfeneiros e convencido os Evans de que sua filha mais nova deveria ir para Hogwarts, mas desde então ele não tocaram mais no assunto e Lilian estava a ponto de arrancar os cabelos de tanta ansiedade. Tinha tantas coisas para fazer, tanto livros novos para ler, uma nova cultura para aprender, mas não sabia como tocar no assunto com seus pais sem que eles ficassem furiosos e mudassem de ideia.

- Lilian nós finalmente conseguimos conversar com o Professor Reif e apesar dele ficar muito aborrecido com este afastamento não programado, ele permitiu que você voltasse para a Universidade depois que você terminar seja lá o que estiver fazendo em Hogwarts.

- Obrigada mamãe. - Lily falou sem se exaltar, sabia muito bem que não devia abusar da sorte e que o professor Reif estar aborrecido era o eufemismo do ano, ele não queria nem ao menos permitir que ela voltasse para passar as férias com a família na Inglaterra.

- E temos de conversar muito seriamente sobre todo esse dinheiro que ganhou fazendo atos imorais mocinha!

- Querida, depois falaremos sobre isso. Acho melhor usar as direções que a professora McGonagall nos deu e comprar tudo que é necessário para esta nova escola. - seu pai falou suspirando, Lily bem sabia que ele estava pensando em tudo que tinha deixado de fazer desde que a Professora apareceu em sua porta.

- O que está acontecendo? Reunião de família tão cedo? - Petúnia perguntou aborrecida.

- Nós estamos de saída Petúnia quer alguma coisa da Rua?

- Se me esperar eu...

- Não é melhor ficar em casa, quando voltarmos temos de te contar algumas coisas e esperamos que tudo de certo. - o senhor Evans falou se levantando com sua esposa e Lilian, Petúnia mais uma vez se sentiu excluída.

Petúnia ficou furiosa por ter sido dispensada, o que acontecia desde que sua insuportável irmãzinha tinha ido para Universidade.

- Misty, porque ninguém me conta nada dentro desta casa? - perguntou irritada assustando Misty que já preparava o almoço.

- É complicado menina. Mas com certeza eles vão te explicar tudo.

- Até você sabe? Tem alguma coisa a ver com a pirralha, não tem? Tudo é sempre sobre ela...

- Vamos, não fique aborrecida porque seus pais sobrecarregam a Lily, você os tem só para si o ano inteiro ela só está aqui durante as férias.

- Ah eu sempre soube que ela era sua favorita Misty, não precisa começar um discurso. - resmungou batendo a porta deixando Misty sozinha sem saber como ainda aguentava esses arroubos de adolescente já estava muito velha para isso.

Lily seguia atrás dos seus pais que pareciam perdidos, tinha uma vontade insana de arrancar o pequeno mapa da mão de seu pai, mas achava que tinha que escolher bem suas batalhas principalmente quando descobriu que podia levar um animal para escola e estava decidida a ter uma coruja, até mesmo tinha pego dinheiro em seu esconderijo secreto apenas para este fim. Queria uma pequena coruja marrom com plumas macias, sim ainda podia sentir a maciez na ponta dos dedos.

- Não, não podemos estar no lugar certo Lewis... - a senhora Evans falou espantada olhando para a vitrine imunda com uma placa de latão precariamente pendurada informando que estavam no Caldeirão Furado.

- Mas é exatamente onde devemos estar.

- Hum acho que estamos atrapalhando as pessoas. - Lily falou vendo que as pessoas ao seu redor nem ao menos se davam conta do que estava por trás daquela porta, na verdade nem pareciam enxergar aquela porta.

O pai de Lily abriu a porta com cuidado para o bar sujo e empoeirado, tinha pessoas suspeitas nos cantos fumando grandes cachimbos e dois homens jogavam cartas que Lily nunca tinha visto na vida antes e ela podia jurar que elas estavam se mexendo sozinha. Lily também escutou sua mãe suspirar alto e resmungar que aquele era um bar de Hippies drogados.

- Com licença senhor, estamos procurando o beco diagonal. - Lily falou antes que seus pais batessem em retirada.

- Oh então temos trouxas por aqui... Vai para Hogwarts mocinha?

- Sim senhor.

- Então vamos no ver muito ainda. Eu sou Tom.

- Lilian Evans.

- Lilian, pelo amor de Deus... - sua mãe falava nervosamente ainda segurando a maçaneta da porta dando a impressão que sairia dali correndo a qualquer segundo.

- Venham vou lhe mostrar o caminho. - Tom falou ignorando os trouxas e Lily foi atrás dele.

- Vocês não vêm? - Lily perguntou para os pais que estavam parados feito estátuas ainda assimilando o local, e sua mãe guinchou de verdade quando uma velhota sem dentes sorriu para ela e lhe ofereceu um vidro cheio de olhos de dragão.

- Bem vindos ao Beco Diagonal! - Tom falou animado abrindo o caminho para eles e fazendo com que um muro de tijolos vermelhos desaparecesse a sua frente - Na volta parem e tomem uma bebida meu Hidromel é o melhor de toda Inglaterra!

- Oh meu DEUS... - Gretel gritou fazendo algumas pessoas olharem para elas.

Os bruxos andavam de um lado para o outro com grandes vestes apesar do calor insuportável que fazia a maioria usava grandes chapeis, de todas as cores, formatos e tamanhos. E Lily teve uma vontade de comprar um roxo com pena verdes ácido, mas seu pai rapidamente apontou que sua lista pedia apena um chapéu pontudo simples.

- Primeiro vamos ao Banco trocar o dinheiro e depois compraremos tudo da lista. - Lewis falou decidido.

- E depois podemos explorar? - Lily perguntou ansiosa e Lewis viu o mesmo olhar no rosto de sua esposa e ficou surpreso.

- E sim depois podemos explorar.

Os três Evans passaram o dia correndo por quase todo o Beco Diagonal, até chegarem a Travessa do Tranco onde sabiamente o senhor Evans se recusou a entrar apesar dos convites de um bruxo persistente. Tomaram sorvetes e Lily sentiu que sua vida já havia começado a mudar, fazia anos que não tomavam um sorvete com os pais, era como se de repente tudo estivesse voltando ao normal.

- Vou ser bem franca em dizer que até agora não estava acreditando nesta história toda Lilian e estava disposta a impedi-la de ir para Hogwarts no dia primeiro, mas depois de tudo que vimos... Não podemos ignorar todo este mundo e tudo que você poderá fazer e compreender com tantas coisas novas...

- É um mundo novo e espero que se saia tão bem nele que possa ajudar também em suas pesquisas quando voltar para MIT. - o senhor Evans falou com um sorriso e Lily quase murchou pensou que nunca mais precisaria voltar para aquele lugar, mas pelo menos teria sete anos para convencer seus pais do contrário.

- E também não queremos que deixe seus estudos de lado, conversamos com a Professora McGonagall e ela concordou em permitir que você continue seus estudos formais. - a senhora Evans apontou.

- Pode deixar...

Passaram praticamente todo o dia no Beco Diagonal, enquanto esperavam que as vestes de Lilian ficassem prontas, seguiram para uma livraria e ficaram perdidos lá dentro. Além dos livros da lista, compraram diversos livros que nunca haviam ouvido falar e levaram um susto tão grande quando uma das fotografias de um dos autores cocou o nariz que a senhora Evans o jogou para o alto.

Por fim depois de muita negociação e se comprometer a não deixar o animal voando pela casa, Lily teve a permissão de comprar uma coruja. E depois de muitos exames e considerações acabou escolhendo uma pequena coruja negra que parecia cantar para ela, quando Lily a escovou com os dedos ela lhe lançou um olhar de agradecimento tão profundo que Lily se apaixonou imediatamente.

Depois de muitos equipamentos, uma coruja, varinha, vestes e muitos, muitos livros os três saiam sobrecarregados do Beco Diagonal. Tom rapidamente lhe ofereceu um pequeno baú para levar tudo para casa, obviamente por uma pequena quantia, os Evans duvidavam que tudo aquilo caberia no baú, mas tudo foi lá para dentro e ainda sobrava espaço, o senhor Evans conseguiu colocar tudo com facilidade dentro do carro, enquanto Lily levava sua coruja ao seu lado com muito orgulho.

Já bem distante dali, em uma rua tradicionalmente bruxa, um grupo também se preparava para fazer sua incursão de compras para Hogwarts...

- E ai Pontas preparado para o nosso primeiro ano em Hogwarts? - Sirius Black um garoto de profundos olhos azuis cabelos negros como carvão perguntou sorridente.

- Se estou preparado? Parecia que não chegava nunca! Minha mãe está desconsolada pelo tempo ter passado tão rápido. - James com seu cabelo arrepiado e óculos na ponta do nariz ria enquanto jogava um pomo para o alto.

- E o Aluado vai comprar o material com agente? - Sirius perguntou lhe roubando o pomo.

- O Pai dele falou que vai encontrar com agente lá. - James falou dando de ombros.

- Não acredito que nossos pais ainda tem que levar agente ao Beco Diagonal, quantas vezes já não fomos lá? Como se não conseguíssemos comprar nosso próprio material, temos uma lista!

- E é exatamente por isso que estaremos lá Sirius, para garantir que vocês comprem tudo da Lista e não gastem tudo comprando uma vassoura nova. - A senhora Potter falou entrado na sala com o marido logo atrás de si.

- Vocês dois já virão à nova vassoura que foi lançada, uma Nimbus parece ser excelente! - o senhor Potter falou animado.

- Se eu vi? Carrego uma foto dela junto comigo! - James falou sorridente.

- Isso já é argumento o suficiente para estarmos lá. - a senhora Potter falou pegando um pote de pó de flú - Andem logo, não querem deixar o Remus esperando.

- Não podemos aparatar? - Sirius perguntou docemente.

- Que tal perguntar novamente daqui a sete anos? - o Senhor Potter falou lhe bagunçando os cabelos fazendo Sirius saltar para trás.

- Olha o penteado.

- Vamos logo mãe, senão o Almofadinhas aqui vai querer um espelho e um pente e já vai ser primeiro de setembro antes que consigamos sair de casa...

- Tão engraçadinho... E a sua prometida combinou um encontro com ela?

- Cala a boca Sirius... - James resmungou com as bochechas vermelhas.

- A Kate ainda não chegou de viagem com os pais Sirius, mas já os convidei para vir tomar um lanche conosco assim que voltarem da Bélgica.

- Mãããe... O Almofadinhas não precisa de mais incentivo! E a Kate não é minha prometida! - falou ofendido.

- Mas formam um casal tão fofo! - a senhora Potter falou num suspiro.

- Vamos logo meninos, antes que sua mãe comece as escolher os enfeites de mesa do casamento. - o senhor Potter falou os empurrando.

James e Sirius encontraram Remus no beco diagonal e antes mesmo que seus pais conseguissem falar uma única palavra os três correram para a Sorveteria Florean Fortescue, seus pais já acostumados a essa rotina foram direto para Grigontes. Florean Fortescue tinha apenas trinta anos, mas a sua sorveteria era uma das mais famosas de toda Inglaterra.

- Então os jovens já estão indo para Hogwarts?

- Sim, senhor. Não estaremos mais vindo aqui toda semana para tomar sorvetes.

- Vai sentir nossa falta senhor Florean? - James perguntou terminando seu sundae

- Vou sentir falta dos seus galeões, mas não vou sentir falta de tudo que vocês aprontam. - Florean falou bagunçando o cabelo de Remus.

- Até parece, quando vocês não aparecem por aqui esse chato fica todo preocupado pensando que alguma coisa aconteceu. - a senhora Fortescue apontou.

- Não se preocupe, estaremos de volta nas férias de inverno! - Sirius falou sorridente.

- Mandem lembranças para o professor Dumbledore por mim. - Florean falou recolhendo as tacas vazias de sorvete.

- Acho que o professor Dumbledore, não vai ter muito o que falar com alunos do primeiro ano. - Remus lembrou.

- Ah eu posso apostar que vocês vão ver muito o diretor nestes próximos sete anos em Hogwarts... Agora vão atazanar as outras lojas seus pais estão esperando.

De volta a Rua dos Alfeneiros, os Evans estavam na Biblioteca enquanto Lily se corroia de vontade de correr para seu quarto e agarrar seus livros novos, mas infelizmente seus pais queriam que esperassem Petúnia chegar para contar as novidades para ela. Não que Petúnia fosse ficar muito impressionada, Lily podia jurar que sua irmã daria um jeito para achar tudo muito aborrecido.

- Misty falou que estavam me esperando na biblioteca...

- Claro Petúnia, precisamos conversar. Quer chá?

- Vocês perderam um grande concerto hoje. - Petúnia resmungou se sentando no sofá.

- Do que você está falando Petúnia? - a senhora Evans perguntou se servindo de chá.

- Pelo visto quando o pequeno gênio chegam vocês esquecem que tem duas filhas.

- Petúnia, nós temos coisas muitos importantes para conversar agora.

- E então que grande mistério é esse que está acontecendo e que me deixaram de fora? A pirralha já terminou a faculdade e vai começar a própria empresa de mineração ou alguma merda do gênero?

- Olha a língua, Petúnia! - a senhora Evans resmungou - Bem como você já sabe sua irmã é muito especial.

- E nós descobrimos que ela é mais especial do que nós esperávamos. - o senhor Evans explicou com cuidado.

- Vocês podem parar de enaltecer a pirralha e falar logo o que está acontecendo?

- Eu fui aceita em uma escola de magia e começo em setembro. - Lily concluiu.

- Como?

- Petúnia nós só estamos te avisando para o caso de ver algo de estranho acontecendo ao redor da Lilian e não se assustar. - a senhora Evans falou num suspiro.

- Espera então o pequeno gênio também pode fazer magia? - petúnia perguntou horrorizada.

- Isso é muito importante Petúnia e você não pode contar para ninguém. - o senhor Evans pediu.

- Como se alguém fosse acreditar em mim... Eu mesma não estou acreditando. - falou incrédula - Então você é mais anormal do que pensávamos? - Petúnia falou ceticamente.

- Petúnia não fale assim, sua irmã tem um dom, devemos estar orgulhosos dela.

- Incrível que todo mundo tem que estar orgulhoso da pirralha, mas nem ao menos se lembram que eu existo!

- Petúnia menos drama, por favor. Nós não dedicamos a Lilian um terço do tempo que dedicamos a você. - Lewis falou esfregando a testa parecia que aquele ciclo de conversa sempre se repetia.

- Por causa, dela vocês não foram ao meu concerto de piano! - Petúnia apontou irritada.

- Você odeia as aulas de piano, se recusou a participar do concerto, como poderíamos saber que no último momento você decidiria se apresentar? - a senhora Evans perguntou espantada.

- Vocês deveriam estar lá. - falou brava subindo as escadas correndo.

- E eu que sou a filha anormal? - Lily perguntou sarcasticamente.

- Não fale assim Lilian sua irmã está tomada pelos hormônios da adolescência, em algum momento isto vai passar.

- Pelo menos é o que vocês esperam né... Vou para o meu quarto quero dar uma olhada nos livros que compramos.

- Lilian quando terminar pode me empresar os livros? Quero dar uma olhada neles também.

- Lewis!

- Querida, é todo um mundo novo a ser explorado, sabe como isso pode modificar nossas pesquisas?

- Sem problemas pai. Só não se esqueçam que não podem documentar suas descobertas o mundo bruxo deve continuar do mesmo jeito que está.

Lily se sentou em sua escrivaninha com o seu Exemplar de Livro de Padrão de Feitiços e sua varinha do lado, por enquanto não poderia estudar na prática, mas sempre sentia um prazer estranho só por ter sua varinha ao seu lado. E o mais importante queria descobrir o porquê do uso da varinha, seria ela um condutor de magia? Teria como fazer feitiços sem ela? Já anotando todas suas questões no caderno, nem ao menos havia aberto seu livro quando sentiu alguém atrás de si.

- Então você é mais esquisita do que agente pensava...

- Para você ver. O que você quer? - Lily perguntou impaciente.

- Quando você vai embora?

- Já querendo se livrar de mim? Sinto lhe informar que só vou embora em setembro.

- Papai não foi ao meu concerto por sua causa!

- Petúnia eu estou trancada no meu quarto estudando e vou continuar assim até eu ir para Hogwarts. Não é como se eu estivesse implorando por atenção aqui.

- Porque você não vai logo embora se é tão superior?

- Porque eu acabei de fazer 11 anos e aparentemente não posso cuidar de mim mesma. Enfim a sociedade é um saco, brigue com ela e não comigo.

- Argh! Você é insuportável! - falou saindo batendo a porta.

- Argh para você também...

Enfim havia chego o grande dia e os Evans mal podiam acreditar no que estavam vendo. Havia chego muito cedo à Estação porque não queriam que ninguém visse eles tentando atravessar uma coluna de concreto, principalmente se não desse certo. Por isso havia poucas pessoas circulando pela estação 9 3/4, mas ainda assim Lily conseguia ver magia por toda sua volta.

- Eu já vou entrar. - Lily falou depois de seu pai ajuda-la a embarcar seu baú. - Então vejo vocês no natal.

- Lilian, não se esqueça de estudar para o que realmente importa, e se você não gostar ou se adaptar a tudo isso nos telefone que iremos lhe buscar imediatamente. - a senhora Evans falou ainda alarmada com toda a novidade.

- Não existe telefone no mundo bruxo mãe, mas quem sabe não te envio uma coruja?

- Não ouse!

- Não esperem notícias minhas, até! - falou acenando para os pais.

Lily quase teve um ataque histérico quando sua mãe que se não se adaptasse iriam busca-la. Chorou e discutiu por um ano inteiro contando como odiava a MIT e eles falaram que ela iria se acostumar. Com apenas sete anos havia sido jogada num mundo completamente novo, não tivera a chance nem ao menos de passar pela infância ou adolescência, todos no MIT a tratavam como adulto, todo mundo parecia pensar que tinha um cérebro de um adulto de 75 anos. Sendo que mal conseguia entender porque era tão importante resolver aquela droga de equação universal da onda ou qualquer outro problema que eles adoravam esfregar no seu nariz.

E ainda tinha os alunos... O Professor Reif adorava esfregar na cara os seus alunos que uma garota de dez anos conseguia resolver a maioria das questões que eles nem ao menos sonhavam, então obviamente todos os alunos a odiavam. As únicas pessoas com quem ela podia contar eram os professores e eles só gostavam dela se resolvesse os problemas deles. Por isso mesmo estava decidida, iria fazer amigos em Hogwarts de qualquer jeito nem que tivesse de aprender todos os feitiços daquele livro antes de entrar na escola. Já estava na desvantagem, afinal pelo que havia entendido 90 por cento dos alunos da escola vinham de famílias bruxas, não poderia fazer magia fora de Hogwarts, mas não quer dizer que não podia treinar. E agora sentia que estava preparada.

Entrou no expresso e viu apenas alguns alunos dispersos todos com capas negras e se sentiu mal com seu pequeno vestido xadrez. Um dos alunos com cabelos muito ruivo como ela carregava um distintivo reluzente onde se lia monitor.

- Vem de família não mágica? - perguntou sorridente.

- Sim...

- Muito prazer sou Arthur Wesley, monitor da Grifinória. Pode se sentar em qualquer cabine, mais tarde se tiver fome uma senhora vai passar vendendo comida.

- Obrigada.

- Tem galeões ou só dinheiro trouxa? Posso trocar para você se não tiver...

- Não meus pais me deram alguns galeões, mas obrigada.

- Hum eu posso ver o dinheiro do seu mundo?

- Ah eu só tenho moedas... - Lily falou pegando algumas moedas do bolso de seu vestido.

- Incrível... - Arthur falou examinando a moeda de 5 pences.

- Pode ficar com ela.

- Oh eu não posso eu...

- Claro que pode, tenho um pote cheio delas.

- Obrigado! E nem perguntei seu nome!

- Lilian Evans. - falou lhe estendendo a mão.

- Muito prazer Lilian Evans, qualquer problema me procure e muito obrigado pela moeda, vai pra minha coleção! - falou contente.

- Disponha. - Lily falou sorridente seguindo para as cabines.

Enquanto passava pelo corredor fogos de arifício passaram zunindo sobre a sua cabeca e um grunhido animalesco saiu de dentro de uma das cabines que foi fechada rapidamente. Ela não conseguia deixar de pensar que enfim se encaixaria em algum lugar, finalmente. Entrou em uma das últimas cabines e decidiu que se outros alunos já soltavam fogos e brincavam ela também podia começar a praticar magia, o expresso podia ser considerado uma extensão da escola e não havia problemas se alguém ali a visse fazendo magia, certo?

Uma hora depois do lado de fora, Sirius e James se despediam dos Potter enquanto Remus se despedia dos pais. Estavam ansiosos para entrar no trem, havia uma lista de coisas que seus pais não aprovavam que queriam fazer e que lugar melhor para começar do que no expresso de Hogwarts onde não tinha professores para lhes repreender?

Subiram correndo no trem e todas as cabines já pareciam estar ocupadas, até que depararam com uma pequena ruiva vestida de xadrez e um esquisito sapato que tinha um solado imenso. Antes mesmo que James tivesse a chance fechar a porta Remus entrou interessado.

- Olá.

- Oi. - Lily falou surpresa tirando os olhos do copo que enchia.

- Você é trouxa... - Remus falou sorridente observando seu vestido xadrez.

- Bem tudo indica que sou bruxa, mas minha família é trouxa. - Lily falou dando de ombros.

- Legal. Eu sou Remus Lupin e estes são James e Sirius. - Remus falou indicando seus amigos que ainda estavam estacionados na porta.

- Podem entrar. Eu não mordo.

- Você é tão pequena e é do segundo ano? - Sirius perguntou.

- Não sou do primeiro e vocês?

- Nós também, vamos para Grifinória. - James falou com o peito estufado.

- Pensei que só decidiam isso depois que chegássemos em Hogwarts. - Lily apontou.

- Toda minha família foi para Grifinória. - James falou na defensiva.

- Certo... - Lily falou dando de ombros.

- O que é isso? - Remus perguntou apontando para os três copos coloridos ao lado dela.

- Ah refrigerante... Eu sei que não é a coisa mais saudável do mundo e eu até agora só consegui conjurar de uva e laranja que são os meus favoritos... Vocês querem?

- Você conjurou isso? - James perguntou com os olhos arregalados.

- É, mas só laranja ou uva. Quer?

- Claro porque não? - Sirius falou dando de ombros.

- Quatro copos saindo. - Lily falou feliz tirando quatro copos do bolso do vestido.

Os meninos ficaram boquiabertos vendo Lily conjurar duas garrafas de plástico coloridas bem na frente deles.

- Laranja ou uva?

- Cerveja amanteigada. - James falou cruzando os braços.

- Desculpe, eu nunca experimentei cerveja com manteiga... - Lily falou pensando que em MIT também nunca tinha ouvido falar dos alunos bebendo cerveja com manteiga.

- É uma bebida bruxa. - Remus explicou.

- Porque vocês não conjuram uma e agente troca? - Lily pediu sorridente.

- Ah nós... Nós ainda não sabemos conjurar. - Remus falou sem jeito.

- Certo. - Lily falou sem saber o que dizer.

- Vamos logo encontrar uma cabine pra gente temos muita coisa para fazer. - James pediu levantando.

- Ah... Até depois. Você não me disse seu nome. - Remus falou vendo um James impaciente.

- Lilian Evans, mas pode me chamar de Lily. - falou com as bochechas coradas se lembrando de como Misty a chamava.

- Tchau Lily. - Remus falou sorridente.

- Até Lily, vou levar uma dessas, experimenta a cerveja amanteigada quando trouxerem o carrinho de lanches. - Sirius falou com uma piscadela carregando uma garrafa de refrigerante de laranja.

- Vamos logo. - James resmungou.

- Qual o seu problema, Pontas? - Remus perguntou indo atrás de James.

- Detesto gente espertinha. - James falou alto e Lily sentiu até suas orelhas ficarem vermelhas e se lembrou de como era tratada em MIT.

...

E ontem foi meu aniversário, 27 anos de idade, nossa acho que comecei a escrever fanfics com 16, bem espero ter animo e criatividade para continuar escrevendo por pelo menos mais dez anos.

Gostaria de agradecer a primeira pessoa que deixou uma review pra Excede as Expectativas, mas infelizmente não deixou nome, bem não importa porque adoro saber que você está lendo! E para Nanda Soares que bom que você gostou do primeiro capítulo espero que continue acompanhando!

Beijos

Vampira Black

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