Capitulo 02

A idéia plantada por Luthor trouxe mais discussões e acendeu um alerta vermelho... Todos se perguntavam a mesma coisa: será que os heróis eram mesmo necessários? Claro que eles inspiravam e traziam esperança, mas a humanidade nunca pediu para ser salva.

Pelo contrário, sempre quando surge alguém que pode oferecer essa luz, parece que a sociedade transforma-se numa massa sem qualquer pensamento e massacra essa oportunidade de evoluir mais pacificamente.

Barry já atuava como Flash há algum tempo e os jornais de Central City comentavam cada vez mais. Sabia que não iria demorar muito para vir à público, o que lhe dava certa ansiedade. Agora, ele dormia profundamente em casa, aproveitando seu dia de folga.

Já era final de tarde, quando alguém bateu à porta insistentemente. Barry rolou na cama e cobriu a cabeça com travesseiro, abafando o barulho. Mas o visitante continuava batendo, quase não dando intervalo entre as séries de batidas.

Coçando a barba por fazer, ele levantou-se e foi atender. Ao abrir a porta, seu queixo simplesmente caiu. Era seu parceiro, Harold Jordan com um balde de asas de frango fritas.

-Hey baby! –Hal aproximou-se e lhe deu um selinho.

Então ele entregou o balde e entrou em casa, enquanto espreguiçava-se. Vestia uma camisa branca lisa, calça jeans e botas. Não era muito, mas Hal era do tipo de pessoa que chamava a atenção onde entrava, não importando o que vestisse. Talvez fosse por causa dos ombros largos e da altura. Ou pelos traços harmoniosos do rosto, que ficaram ainda mais evidentes pelo seu cabelo castanho que cresceu até a altura dos olhos, o que era novidade.

Barry não resistiu ao cheiro delicioso e acabou sentando no sofá, comendo as asinhas.

-Nossa, eu gostei dessa nova cor da sala, ficou ótima. –Hal andava pelo local, observando os detalhes. –Mas achei que você fosse me esperar, combinamos de pintar juntos.

-Você sabe em que mês e ano estamos? –Barry engoliu a comida.

-Ham... não. –ele sorriu torto. –Sabe como é, no esp...

-Passaram-se seis meses desde que você foi na última missão, Hal. Seis meses. –o velocista interrompeu o outro e levantou-se. –Tem noção de como foi difícil para mim ficar esse tempo todo longe de você?

-Bear, eu voltei e...

-Não me chame assim! Cansei de ouvir desculpas. –ele continuou comendo, estava nervoso, agitado. –Muita coisa mudou desde que foi embora... Temos androides patrulhando as cidades, Superman e Batman vieram a público, o jornal da cidade está numa caçada para saber minha identidade, Iris se declarou pra mim...

-Ela fez o que?! –Hal franziu as sobrancelhas.

-Não importa... –ele respirou fundo, entre uma mastigada e outra. –A questão é que você não pode aparecer depois de seis meses e achar que nada mudou. O mundo não gira ao seu redor.

-Pelo visto temos muito que conversar.

-Sim, temos. –Barry virou-se de costas. –Mas vamos deixar isso para amanhã, quero aproveitar minha folga para dormir. E não ache que trazendo esse balde de asinhas vai me deixar menos magoado com você. Apesar das asinhas estarem deliciosas...

(...)
Harold Jordan então sentou no sofá e ligou a televisão. Viu todos os telejornais que conseguiu, absorvendo as informações e tentando compreender todos os eventos ocorridos nesses seis meses.

Sabia que nesse momento, seria completamente inútil tentar conversar com Barry. Seu parceiro conseguia ser bem teimoso quando queria. Depois de algum tempo, Hal não conseguia mais prestar atenção, seus pensamentos vagavam.

Lembrou-se de quando sua ex-noiva, Carol Ferris, terminou com ele. Tinham brigas constantes sobre ele sempre passar muito tempo longe e que ela não poderia mais viver daquele jeito. Foi muito difícil para ambos e Hal decidiu que nunca mais iria abrir-se para o amor.

Afinal, tinha um longo histórico de relações turbulentas. Nunca foi uma pessoa muito ligada em laços e comprometimento emocional, preferia ser livre. Mesmo assim, não deixava de ter seus casos, o que sempre trazia dor de cabeça no final.

Porém, com Barry foi diferente desde o começo. Algo naquele investigador forense fez com que sentisse algo que nunca sentiu antes, era arrebatador, profundo. Hal mexia sem parar no seu Anel, que ficava na mão direita, um hábito que tinha quando estava pensativo.

Aquele simples objeto era capaz das coisas mais extraordinárias, transformando a força de vontade do seu dono em energia material. Apenas os integrantes dos Lanternas Verdes possuíam tal poder e eram responsáveis por manter o equilíbrio no universo, atuando como "policiais" intergalácticos.

Hal desligou a televisão e foi até o quarto, abrindo a porta com cuidado. A janela estava aberta e a brisa noturna entrava, balançando as cortinas. Observou Barry dormindo por alguns minutos, era uma visão tão familiar, que acabou suspirando. Como sentia saudades de momentos como aquele...

Hal passou seus olhos por todos os detalhes do corpo do outro, que roncava indefeso, babando no travesseiro, completamente largado na cama, ocupando quase todo o espaço... a pele rosada dele cheia de sardas, principalmente nos ombros e nas bochechas, a cicatriz que tinha nas costas devido ao raio que o atingiu, seu porte físico atlético e esguio. E os olhos azuis muito brilhantes, quando estava acordado.

O moreno tirou as botas e deitou do lado direito da cama, onde ainda havia algum espaço. Acabou dormindo logo em seguida, cercado por aquele cheiro tão gostoso. O cheiro de casa.

Acordou algumas horas depois, ao ouvir Barry gritando e remexendo-se na cama. Hal sabia que era um pesadelo, ele mesmo teve vários enquanto servia na Força Aérea americana, por conta do que viu durante os combates. O moreno sentou-se na cama e tentou acordar o parceiro, que parecia mergulhado no pesadelo.

Barry acordou sobressaltado, o coração batendo rápido e de respiração ofegante. Uma fina camada de suor cobria sua pele, sentia calor e frio ao mesmo tempo. Demorou alguns segundos até perceber que estava no quarto e que Hal segurava suas mãos.

-Eu... eu sonhei que tinham... –o loiro balbuciava e tremia. –Ah, Hal... os androides te mataram na minha frente...

-Isso foi apenas um pesadelo que já acabou. –o moreno abraçou o outro. –Eu estou bem aqui...

Ele precisou de alguns minutos para se acalmar, o pesadelo havia sido real demais. Ainda conseguia sentir o sangue quente do parceiro encharcando suas mãos, o Anel deixando-o para procurar outro dono.

Agarrou-se a camisa de Hal e respirou fundo, sentindo seu cheiro de loção pós-barba de menta. Toda sua mágoa e dor que sentiu enquanto ele esteve fora não foi forte o suficiente para resistir. Agora que finalmente o tinha ao seu lado, não poderia deixá-lo ir.

Hal surpreendeu-se com a maneira desesperada e intensa com que foi beijado. Não ofereceu nenhuma resistência, até porque também desejava. Antes de deitar na cama, tirou a camisa e sentiu as mãos trêmulas de Barry passeando por seu tórax. Mordeu o lábio inferior ao ver que o loiro já abria sua calça e preparava-se para chupá-lo.

Gemeu alto ao sentir seu membro já duro sendo engolido daquele jeito. Era obsceno o modo como a língua passava pelos pontos certos, a pressão dos lábios, a saliva escorrendo. Não demorou muito para que chegasse ao orgasmo, sentindo que o outro engoliu o sêmen por completo.

O moreno viu como os olhos azuis do outro estavam escuros de desejo e soube que não tinha para onde escapar. Ao ver que o outro também já estava nu, virou-se ficando em quarto apoios.

Hal estremeceu ao sentir o lubrificante gelado sendo espalhado por sua entrada. Não demorou muito para que fosse penetrado e ele agarrou os lençóis, afundando o rosto no colchão, enquanto mantinha a pelve levantada. O desconforto não durou muito tempo depois que foi acertado na próstata.

Barry abraçou o outro e aumentou o ritmo das estocadas com cuidado, não queria machucá-lo. Sabia que Hal havia gozado pela segunda vez pelo jeito que virou a cabeça de lado e a contração de suas nádegas. O loiro continuou penetrando, a cama rangendo sob o peso deles.

Mais um pouco e ele também chegou lá. Ambos caíram trêmulos na cama, ainda sentindo os espasmos. Acabaram dormindo logo em seguida, abraçados.

(...)

-As acusações de Luthor contra a minha presença no hospital são completamente sem fundamento. Pessoas morrem todos os dias, lutando contra diversos problemas de saúde, principalmente em um hospital. –Superman estava sério. –Sinto muito pela perda de Kirk Langstrom, mas sua condição física estava muito grave e ele veio a falecer enquanto eu estive lá. Mas devo lembrá-los de que ficamos em áreas separadas... e que não existe nenhuma prova de que cheguei perto dele.

O alien então acenou com a cabeça e deu dois passos para trás, voando em seguida, deixando os repórteres ainda tirando fotos e fazendo perguntas.

-Essa foi a entrevistada concedida por Superman há pouco, Lilian Eve direto para o Canal 25. –a jornalista exibiu um pequeno sorriso.

Barry respirou fundo e saiu de perto, alguns policiais continuavam assistindo as notícias, enquanto devoravam os lanches da tarde. O movimento na delegacia foi tranqüilo e o loiro conseguiu terminar as análises que precisava.

O bom de ser esquisito é que as pessoas não prestavam muita atenção na sua presença, o que lhe rendia algumas possibilidades. Como agora, que recebia um comunicado sobre um incêndio de grande porte numa fábrica química na rodovia 036, as informações enviadas por Cisco.

Em segundos, Barry trocou de roupa e foi até o local. Realmente nunca tinha visto um incêndio daquelas proporções, rapidamente, ele ajudou a evacuar as pessoas que saíam desesperadas. O local possuía muitos trabalhadores e percebeu que não daria conta da situação sozinho.

-Lanterna, preciso de você. –o velocista chamou pelo celular.

-Finalmente vou me exercitar um pouco, já estava morrendo de tédio. –ele respondeu. –Já estou indo!

Flash trabalhava correndo de um lado a outro, procurando possíveis vítimas nos escombros, até que as placas de concreto na sua frente foram levantadas por uma luz verde.

-Procure mais vítimas que eu vou cuidar do fogo.

Antes que o outro pudesse responder, o borrão vermelho foi até o foco de incêndio, perto dos caldeirões onde os compostos eram fabricados. As chamas ardiam intensas, o calor era insuportável. Agindo rapidamente, ele começou a rodar os braços, deslocando o ar a sua volta.

Dois pequenos redemoinhos foram se formando até atingirem as chamas imensas, que demoraram até pararem que queimar, mesmo com a privação de oxigênio. Do lado de fora, podia ouvir sirenes de ambulâncias, carros de bombeiro, pessoas gritando ordens ou pedindo ajuda.

Mas ali dentro da fabrica, o silêncio era sepulcral. Por isso Flash ficou assustado quando ouviu um rangido metálico, como se alguém estivesse arranhando o metal contra uma superfície lisa.

O barulho irritou os ouvidos do velocista, que olhou ao redor tentando procurar a fonte. As caldeiras ainda fumegavam e expeliam fumaça, ainda quentes. E foi de lá que surgiu uma criatura sinistra. Flash demorou alguns segundos para reconhecer que na verdade, era um andróide.

Mas sua aparência era horrível, a luz azulada do olho direito ficava piscando intermitentemente e desse lado do crânio também saiam faíscas. O braço esquerdo estava completamente rasgado, de cima a baixo, vários fios expostos, fluido vazando. As pernas pareciam não funcionar porque o andróide mancava e era daí que saia o rangido.

Vários cortes profundos por todo seu corpo mostravam que esteve em uma batalha intensa. Flash engoliu a seco, sentindo o medo invadi-lo aos poucos, a cena era muito bizarra e sombria. O androide continuou andando até parar apenas alguns metros do velocista, que se mantinha na mesma posição.

Foi quando ele percebeu que por baixo da parte externa reforçada de metal, havia músculos humanos. Junto dos fios do braço danificado, haviam veias e artérias e sangue pingava junto com o fluido de máquina. Aquilo era muito sinistro e lhe causou arrepios.

Lanterna Verde veio voando rapidamente e se colocou ao lado do velocista.

-Mas que porra é essa?! –seu uniforme era era uma mistura de verde e preto, as luvas brancas.

Antes que Flash pudesse explicar, a máquina começou a emitir o barulho que assemelhava-se a um grito. Um grito agudo e muito alto, como de uma criança assustada e então começou a sofrer espasmos, várias faíscas por todo o corpo.

-Ele vai explodir!

O Lanterna agiu rápido, criando uma bolha ao redor do androide, tentando compactar a explosão. O impacto foi maior do que ele previu, mas conseguiu evitar que mais pessoas se machucassem. Foi arremessado nos escombros do outro lado, mas não se feriu gravemente.

Flash foi logo atrás, oferecendo ajuda para levantá-lo, também um pouco ferido. Mas graças ao seu metabolismo rápido, a condição não iria durar por muito tempo. Ao ver a expressão assustada do velocista, entendeu que algo muito ruim estava acontecendo.

Aproximaram-se e perceberam que os restos eram uma mistura de elementos orgânicos e cibernéticos. Era possível identificar pedaços de cérebro e feixes de músculos.

-Por que alguém criaria algo medonho assim?! -o Lanterna estava exasperado. -Pra criar esse tipo de organismo cibernético, é preciso atingir um amadurecimento moral e evolutivo, que nós humanos nem sonhamos ainda. Não estamos preparados para esse tipo de avanço!

-Os civis... estão com medo de nós. -a voz do velocista estava trêmula. -Ao descobrirmos alienígenas entre nós, isso acabou com a ideia de que somos o melhor da evolução.

-Dai então voltamos a Idade das Trevas?

-Tente se lembrar de como via as coisas antes de entrar para a Tropa, J. -Flash passou a mão pelo rosto mascarado. -Precisamos de mais informações.

Sendo assim, ele foi até em casa e buscou sua mala. Coletou evidências de tudo o que conseguiu, precisava entender o que estava acontecendo.

-Vou ver se consigo descobrir mais alguma coisa. -Lanterna levantou voo, envolvido na sua luz verde. -Nos vemos mais tarde em casa.

(...)

Barry andava de um lado a outro no laboratório, sua mente pensando em várias coisas ao mesmo tempo. A tela do computador continuava lhe mostrando o resultado... o sangue e tecidos encontrados no androide pertenciam a Susan Elliot, 30 anos. De acordo com as informações, era uma detenta numa prisão feminina de segurança média em Oklahoma por roubo e assalto à mão armada.

Usar detentos, moradores de rua, jovens delinquentes em experiências não era tão arriscado. Porque simplesmente não havia ninguém que se importava com eles, eram parte marginalizada da população. Quantos mais tinham sido usados por Kirk Langstrom? Existia alguma relação entre as pesquisas sobre o metagene e os androides/ciborgues?