Formoso —murmurou ele com voz rouca, só que não olhava o colar. Ele olhava fixamente o reflexo dos olhos dela—. O levarei.

Dividida entre o alívio e a tristeza, Gina procurou afastar-se rapidamente enquanto tratava de tirar a peça do pescoço. De verdade, gostava desse colar e lamentava vê-lo ir. Ela o tinha comprado para a loja, mas tinha querido guardá-lo para ela.

Mas por que o desagrado? Era uma obra de arte feita à mão de seiscentos dólares. Ela não teria nenhuma ocasião para usá-lo. Seria um esbanjamento, e a louisiana pragmática dentro dela não permitiria ser tão tola.

Tirando-lhe, esclareceu de novo sua garganta e se dirigiu à caixa registradora.

Harry a olhou atentamente. Ela estava ainda mais triste que antes. Deuses, como queria que ela apenas sorrisse para ele. O que diziam os machos humanos à uma fêmea humana para fazê-la feliz?

As lobas realmente não riam, não como as humanas o faziam. Suas risadas eram mais matreiras, sedutoras. Invitantes. Sua gente não ria quando era feliz.

Eles tinham sexo quando estavam felizes e isso, para ele, era a maior vantagem de ser um animal mais que um humano. A gente tinha regras sobre a intimidade que ele nunca tinha entendido totalmente.

Ela colocou o colar em uma grande caixa branca com uma almofadinha de algodão no interior. —Você o quer envolto para presente?

Ele assentiu.

Com cuidado, ela tirou a etiqueta do preço, colocou-a ao lado da caixa registradora, logo tirou uma pequena folha de papel que tinha sido pre-cortada ao tamanho da caixa. Sem olhar para ele, ela rapidamente envolveu a caixa e registrou sua venda.

—Seiscentos e vinte e três dólares e oitenta centavos, por favor.

Ela ainda não o olhava. Em troca seu olhar estava enfocado no piso, perto de seus pés.

Harry sentiu um estranho impulso de agachar-se até que seu rosto para que estivesse em sua linha de visão. Ele se conteve enquanto tirava sua carteira e lhe entregava seu cartão American Express.

Isto era realmente ridículo, que um lobo tivesse um cartão de crédito humano. Entretanto, este era o século vinte e um e os que não se mesclavam rapidamente se encontravam exterminados. A diferença de muitos outros de sua classe, ele tinha investimentos e propriedades. Ao inferno, até tinha um banqueiro pessoal.

Gina tomou o cartão e a passou por seu terminal de ordenador.

—Você trabalha aqui sozinha? —perguntou ele, e rapidamente compreendeu que isso foi inadequado, já que o temor lhe chegou com um aroma tão forte que quase o fez amaldiçoar em voz alta.

—Não.

Lhe estava mentindo. Ele podia cheirá-lo.

Bem feito, imbecil. Humanos. Ele nunca os entenderia. Mas claro, eles eram débeis, sobre tudo suas fêmeas.

Lhe deu o recibo.

Molesta com ele por fazê-la sentir até mais incômoda, ele assinou com seu nome e o devolveu.

Ela comparou sua assinatura com a de seu cartão e franziu o cenho. —Katta...

—Kattalakis —disse ele—. É grego.

Seus olhos brilhavam só um pouco enquanto lhe devolvia o cartão. —É muito diferente. Você deve levar muito tempo soletrando às pessoas.

—Sim.

Ela colocou o recibo em sua gaveta, logo colocou a caixa envolta em uma pequena bolsa com cabos de corda. —Obrigada —disse ela tranqüilamente, pondo-a sobre o mostrador diante dele—. Que tenha um dia agradável, Senhor Kattalakis.

Ele assentiu e se dirigiu à porta, com seu coração ainda mais pesado que antes por não ter conseguido fazê-la feliz.

—Espere! —disse ela quando ele tocou a maçaneta da porta—. O senhor esqueçeu seu colar.

Harry se voltou para olhá-la uma última vez, sabendo que nunca mais voltaria a vê-la. Ela estava tão formosa ali com seus grandes olhos cor âmbar em seu pálido rosto de deusa. Havia algo nela que recordava a um anjo do Rubens. Ela era etérea e encantadora.

E muito frágil para um animal.

—Não —disse ele quedamente—. O deixei com a mulher que quero que o tenha.

Gina sentiu que sua mandíbula lhe caía enquanto as palavras pendiam no ar entre eles.

—Não posso aceitá-lo.

Ele abriu a porta e se dirigiu à rua.

Tomando a bolsa do mostrador, Gina o perseguiu. Ele se dirigia rapidamente pela calçada ao centro do Quarter e isto fez com que ela se apressasse seriamente para alcançá-lo.

Ela puxou seu braço, assombrada pela tensão de seus bíceps enquanto segurava-o para que se detivesse. Sem fôlego, ela elevou a vista para ele e seus sedutores olhos verdes.

—Não posso aceitar isto —disse ela outra vez, lhe dando o pacote —. É muito.

Ele rechaçou tomá-la. —Quero que você o tenha.

Havia tanta sinceridade naquelas palavras que ela não podia fazer nada mais que olhá-lo atônita. —por que?

—Por que as mulheres formosas merecem coisas formosas.

Ninguém que não estivesse relacionado com ela havia dito nunca nada tão amável. Hoje mais que qualquer outro dia, ela precisava ouvi-lo. Ela nunca tinha pensado que algum homem jamais pensaria assim dela. E ouvir isso deste magnífico estranho lhe significou o mundo.

Essas palavras lhe chegaram tão profundamente dentro dela que... que...

Ela se pôs a chorar.

Harry ficou ali parado sentindo-se completamente perplexo. O que era isto? Os lobos não choravam. Uma loba poderia arrancar a garganta de um homem por havê-la incomodado, mas nunca chorar e sobre tudo não quando alguém a elogiava.

—Sinto-o —disse ele, completamente confuso pelo que tinha feito mal—. Pensei que isto a faria feliz. Não pensei ferir seus sentimentos.

Ela chorou ainda mais.

O que se supunha que devia fazer agora ele? Ele olhou ao redor, mas não havia ninguém a quem perguntar.

Fodido com sua parte humana. Ele não compreendia essa parte dele, tampouco. Em troca, escutou à parte de animal que só sabia instintivamente como cuidar de alguém quando estava ferido.

Ele tomou entre seus braços e a levou para sua loja. Os animais sempre se melhoravam em seu ambiente natural, assim também poderia funcionar para um humano. Era mais fácil arrumar-lhe com coisas familiares ao redor.

Ela se abraçou a seu pescoço enquanto ele a levava e chorou ainda mais forte. Suas lágrimas quentes provocaram calafrios sobre sua pele e ele sofreu por ela.

Como poderia fazê-la sentir melhor?

Gina se odiou por quebrar-se assim. O que estava mal nela? Pior, ele a estava levando em braços!

Carregando-a com seus próprios braços... E ele não estava se queixando porque ela era gorda e pesada, ou grunhindo pelo esforço. Em brincadeira, Gina tinha pedido ao Dino que a levasse pela soleira quando eles se mudaram juntos, e ele riu, logo lhe perguntou se ela tentava lhe provocar uma hérnia.

Mais tarde essa noite, Dino tinha acordado apenas para perguntar se lhe comprava um carrinho de mão ou um elevador para isso.

E agora aqui, este total estranho, levava-a com facilidade pela rua. Ela quase se sentiu magra.

Mas ela não era uma iludida. Gina Weasley não havia sido magra desde que tinha quinze anos.

Ele abriu a porta, entrou, logo a fechou com o talão de sua bota. Sem peder o passo, ele a sentou no alto tamborete detrás da caixa registradora. Com cuidado, logo tirou sua camisa branca e a usou para lhe secar os olhos.

—Ow! —disse ela quando Harry quase lhe tirou o olho direito. Era uma coisa boa que não levasse lentes de contato porque ele a teria deixado cega.

Ele olhou arrependido. —Sinto muito.

—Não —disse ela, olhando-o através de suas lágrimas.—Sou eu quem tem que pedir perdão. Não pensei em ter uma crise nervosa em cima de você...

—É isso o que está acontecendo?

Dizia-o a sério? Ele definitivamente o parecia.

Ela deu um suspiro e limpou seus olhos com suas mãos. —Não, sou eu sendo estúpida. Sinto-o tanto.

Lhe ofereceu um pequeno sorriso zombador, sedutora. —Está bem. Realmente. Acredito.

Gina encarou-lhe fixamente com incredulidade. Por que este homem estava em sua loja sendo tão amável com ela? Isto não tinha sentido.

Isto era um sonho?

Tentando recuperar um pouco de sua dignidade, ela tirou o recibo do cartão de crédito da caixa registradora. —Aqui —disse ela, dando-lhe.

—Por que está me dando isso? - Ele perguntou.

—OH, vamos. Ninguém compra um colar tão caro para uma completa desconhecida.

Outra vez ele não tomou. Em troca, ele tomou o pacote e tirou a caixa. Ela olhou como ele a desempacotava, logo colocava o colar ao redor de seu pescoço outra vez. O contraste entre seus cálidas mãos e as frias contas a fez tremer.

Ele enlaçou seus dedos pelos cachos de seu cabelo olhando-a fixamente, como se ela fosse alguma deliciosa sobremesa que ele morreria para provar.

Ninguém jamais lhe tinha dado um olhar tão ardente antes. Não era natural que um homem tão formoso a olhasse assim.

—Isto pertence a você. Nenhuma outra mulher poderia lhe fazer justiça.

Lágrimas apareceram em seus olhos, mas ela piscou para as deter antes que ele chamasse o guarda psicológico para ela. O calor de sua mão contra seu pescoço a estava abrasando.

—O que? Você perdeu uma aposta ou algo?

—Não.

—Então por que está sendo tão agradável comigo?

Ele moveu sua cabeça como se estivesse perplexo por sua pergunta. —Necessito uma razão?

—Sim.

Harry estava completamente confuso. Os humanos necessitavam uma razão para ser agradáveis uns com os outros? Não era assombroso que sua espécie os evitasse.

—Não sei que dizer —admitiu ele—. Eu não sabia que havia regras para dar presentes ou para tentar fazer alguém se sentir melhor. Você parecia tão triste quando passei caminhando que só quis fazê-la rir.

Ele suspirou e lhe deu o recibo do cartão de crédito. —Conserve o colar, por favor. Fica muito bem em você, e não tenho a ninguém mais para dar. Estou seguro que meu irmão não o quereria. Ele provavelmente o empurraria a um lugar verdadeiramente incômodo se o desse. E se ele não o fizesse, assustaria-me até mais.

Finalmente, ela riu. O som aliviou seu coração imediatamente.

—Isso é um sorriso? —perguntou ele.

Ela cabeceou e sorveu com delicadeza as lágrimas antes de rir outra vez.

Devolvendo seu sorriso, Harry estendeu a mão e acariciou a fresca bochecha dela. Era tão formosa quando ria. Seus escuros olhos âmbar brilharam. Antes que pudesse deter-se, ele se inclinou e beijou as lágrimas de suas pestanas.

Gina não podia respirar enquanto sentia o calor de seus lábios contra sua pele. Nenhum homem jamais a tinha tratado assim. Nem sequer Dino, com quem ela tinha esperado casar-se.

Ela inalou o quente aroma da pele de Harry. Estava matizado com algum tipo de loção pós-barba e um aroma rico, masculino.

Deus, sentia-se tão bem ser contida justo agora quando sua vida inteira se desmoronava.

antes de que ela compreendesse o que fazia, tinha seus braços ao redor da magra cintura dele e tinha posto sua cabeça contra seu forte peito. Seu coração pulsava pesadamente sob seu ouvido. Ela se sentiu, de uma estranha maneira, a salvo aí. Cálida. Sobre tudo, ela se sentiu desejável. Como se talvez não fosse uma perdedora total, depois de tudo.

Ele não protestou quando ela o abraçou. Em troca, ele a sustentou ali com sua mão ainda sobre seu rosto enquanto seu polegar com cuidado acariciava sua face. Ele se inclinou e lhe deu um casto beijo sobre o topo de sua cabeça.

O calor a alagou. Uma necessidade profundamente arraigada se rasgou por seu corpo. Isso foi algo que não entendeu.

Em toda sua vida, Gina Weasley nunca tinha feito nada que não fora o que supostamente deveria fazer. Ela tinha se graduado no ginásio e tinha vivido em casa com seus pais enquanto frequentava a faculdade, onde ela estranhas vez havia tido algum encontro e tinha passado mais noites na biblioteca que fora dela.

Depois da graduação tinha conseguido um trabalho como gerente em um centro comercial até que sua avó morreu e lhe deixou o edifício abandonado que agora era sua loja. E aqui tinha trabalhado cada dia sem falta. Não importava quão doente ou cansada estivesse.

Gina nunca tinha dado um passo ao lado selvagem. Medo e responsabilidade tinham governado sua vida do momento de seu nascimento.

E aqui estava ela sentada, abraçando a um completo estranho com seus braços. Um magnífico estranho que tinha sido mais amável com ela que ninguém.

E ela desejava prová-lo. Só para saber uma vez como era em realidade beijar a um homem como este.

Levantando sua cabeça, ela o olhou e tremeu com um desejo profundamente enraizado que ela não compreendia. Mas que sentia que a atravessava.

Não o faça.

Ela sufocou a voz da razão, esticou-se e acariciou o cabelo de Harry, umidecendo os lábios enquanto visualizava seus contornos.

O calor de seus olhos verdes a queimou. Ele baixou sua cabeça até que seus lábios se aproximaram perigosamente perto dos dela, como se pedisse sua permissão.

Sem fôlego, ela fechou a distância entre eles e uniu seus lábios. Ele grunhiu profundamente em sua garganta como um animal antes que seu beijo voltasse faminto, apaixonado.

Gina estava emocionada e assombrada por sua reação. Nenhum homem, alguma vez, tinha parecido desfrutar beijando-a tanto como este o fazia. Suas mãos fortes sustentavam sua cabeça enquanto ele violava sua boca como se tivesse sede dela e só dela.

Harry a arrastou para si enquanto o animal dentro dele rugia à vida. Desejava-a com um desespero que confinava com a loucura. Ele podia provar sua própria paixão sobre sua língua. Ouvia o batimento do coração dela acelerando-se por ele.

Sobre tudo, ele podia cheirar seu desejo e ele desejava mais. O animal dentro dele não estaria satisfeito até que a provasse totalmente.

Em seu mundo, o sexo não tinha nenhum significado emocional. Era um ato biológico entre duas criaturas para aliviar a época de cio de uma fêmea e os impulsos de um macho. Se os dois lobos não eram companheiros, não havia nenhuma possibilidade de embaraço, nem havia forma de transmissão de nenhuma enfermidade sexual entre eles.

Se Gina fosse uma de sua gente, ele já a teria nua no piso.

Mas ela não era uma loba.

As fêmeas humanas eram diferentes. Ele nunca tinha feito amor com uma delas e não estava seguro de como reagiria ela se à tomasse do modo que ele tomaria à uma de suas fêmeas. Sua espécie era muito frágil em comparação.

Com toda honestidade, ele não sabia por que estava tão quente por ela, em realidade. Isto não era normal. Nem uma vez em todos os séculos que ele tinha vivido havia sequer alguma vez contemplado tomar a uma amante humana.

Até esta.

Ele não podia deter-se. Cada instinto que ele possuía exigia que tomasse.

Sua alma de lobo desejava prová-la. Desejava agarrá-la e deixar que sua suavidade aliviasse a solidão que tinha em seu peito nos últimos meses que ele chorava à sua irmã e seu irmão.

Só por um instante, ele desejava sentir-se acompanhado outra vez.

Gina tremeu quando Harry abandonou seus lábios e estendeu seus beijos a sua garganta onde ele mordiscou a sensível pele ali. Suas costelas rasparam sua pele gentilmente, fazendo-a arder ainda mais enquanto seus seios se esticavam de necessidade. Deus Santo, ele era tão inatamente masculino. Tão incrivelmente quente. E cada lambida que ele deixava em sua pele fazia que seu estômago se contraísse.

Isto estava tão fora de sua forma de ser. Ela no geral não se agarrava com os homens que conhecia, desta forma. Nem pensar com um perfeito estranho.

E ainda assim ela não desejava apartá-lo. Por uma vez em sua vida, ela queria algo fora do comum. Profundamente dentro dela, sabia que Harry seria espetacular.

Aterrorizada do que estava a ponto de fazer, ela respirou profundamente e se reparou para um rechaço.

—Faria o amor comigo?

Em vez da risada que esperava, ele deixou de mordiscar sua garganta para olhar as janelas abertas de sua loja. —Não te importa?

O calor explorou através de seu rosto enquanto ela compreendia que lá fora estava escuro e qualquer um que passasse pela rua tinha uma visão perfeita dos dois beijando-se como adolescentes brincalhões.

—Espera —disse ela, escapulindo de seus braços para fechar a porta, dar volta na placa de "Aberto" para que dissesse "Fechado", e atenuar as luzes.


Como aviso prévio... (E como muitos já devem ter notado) No próximo capítulo teremos cenas de sexo. E garanto que quem quiser pular o próximo e passar adiante não perderá informações importantes da história.