Oi galera,
Agradeço muito a review de uma das leitoras, mas quero deixar claro aqui (como eu disse em meu perfil) que fiz uma conta no com um único objetivo: postar fanfics SwanQueen TRADUZIDAS, ou seja, essa história não é minha gente, mas fico muito feliz pelo elogio da leitora, pois apesar de não ser eu quem escrevi, traduzir de forma que fique coerente e sem deixar escapar a alma do que a escritora quis passar não é uma tarefa muito fácil. Faço isso, pois não existem muitas fanfics em português, e para falar a verdade, as melhores são em inglês (como vocês podem conferir aqui), então pra quem não tem vontade de ler em inglês ou não domina a língua, estou postando aqui em português para vocês terem a oportunidade de lerem essas histórias incríveis.
Bom, sem mais delongas, como eu disse essa história fez muito sucesso entre os shippers de Emma e Regina, possuindo assim vários vídeos no youtube (como trailers), e eu vou deixar aqui o link de um para vocês verem. "Aviso: pode conter spoiler, assista por sua conta e risco".
Caso queiram mais materiais sobre a história, como imagens, por exemplo, só pesquisarem por: "A fine line – SwanQueen" e se divirtam.
Link: watch?v=0wt6_eI_EWw (é o primeiro vídeo)
- Capítulo dois -
Perto das dez horas Regina retornou para a fronteira da cidade, encontrando Emma já aconchegada sobre o cobertor, quase encostando a linha laranja. Seu telefone estava ao lado da cabeça, tocando uma música suave, enquanto a loira cantava baixinho. Ela levantou a cabeça quando Regina abriu seu próprio cobertor e o esticou ao longo da linha. Sem dizer nada, a mulher mais velha retirou o casaco que a protegia do clima ameno, usando apenas um suéter justo feito de lã, e deitou-se sobre o agasalho, com o rosto virado para o lado contrário de Emma. A loira sorriu e voltou a deitar enquanto cantarolava sua música.
Três músicas tocaram antes que Regina quebrasse o silêncio aconchegante.
- Eu faço pinturas.
- Hmm? – Emma inclinou a cabeça para o lado, fitando o contorno do rosto da mulher mais velha.
- Eu faço pinturas. No meu apartamento. – Regina explicou. – Ajuda a passar o tempo.
- O que você pinta?
- Paisagens.
- Elas fazem você se perder dentro delas, não é? – Emma comentou de forma casual, não entendendo o suspiro fraco de concordância da mulher ao seu lado.
- Como correr. – Regina respondeu, virando seu rosto para ficar de frente com o da loira que ainda mantinha seus olhos sobre ela.
- Sim, só que melhor. – Emma acenou minuciosamente. Outra música preencheu o ar até que a loira apontou para o céu. – Vê aquilo?
- As estrelas? – Regina perguntou em tom óbvio.
- Não todas elas. – a loira bufou impaciente em frente a tentativa de Regina de fazê-la parecer idiota. Ela traçou uma linha no céu com o dedo, avançado o mais perto que podia da linha para que a morena acompanhasse o traço. – Aquelas estrelas bem ali. Que parecem formar um cavalo?
Contra o julgamento da loira, Regina semicerrou os olhos e levantou a própria mão para traçar o que ela via.
- Aquelas?
- Sim.
As duas abaixaram as mãos enquanto Emma continuava a falar.
- Aquela é Libra, a balança.
- Seu signo, eu presumo.
A loira balançou a cabeça.
- Eu sou de Aquário.
- Aonde você quer chegar, então?
As duas mulheres permaneciam fitando as constelações.
- A balança representa justiça. – Emma explicou, gesticulando com as mãos. – Os gregos acreditavam que quando uma pessoa morria, seu coração era pesado. Se ele fosse leve, a pessoa juntava-se aos deuses e tornava-se parte do céu.
- E se fosse pesado? – Regina perguntou assustadoramente.
- Eles eram enviados ao Hades.
Regina virou a cabeça devagar em direção à loira, que fez o mesmo.
- Hades não é tão mal.
- Ele é o rei do mundo inferior.
Emma apontou para Libra novamente.
- Ela também representa a biga de Hades, que ele usou para raptar Perséfone e levá-la ao Mundo Inferior.
- Você não está querendo fazer o mesmo comigo, está Srta. Swan? – Regina brincou.
Emma divertiu-se com a brincadeira, e dirigiu uma careta à mulher mais velha incitando-a a correr.
- Eu não acho que ele seja um cara mal. As pessoas só pensam isso porque ele comanda os mortos.
- O que faz você pensar que ele seja um cara bom?
- Porque em oposição a todos os outros deuses, ele foi o único a ser casado com apenas uma mulher. – a xerife argumentou. – E ela tornou-se rainha. Quer dizer, você houve as pessoas chamarem Hera de "Rainha dos deuses"?
- Mas ele a raptou. – Regina lembrou.
- Ela só gritou quando não pode mais ver a luz. – Emma disse. – Depois disso ela ficou bem.
- Então o que você está querendo dizer é que Hades, rei do mundo inferior, deus dos mortos, possui o melhor casamento, e que tudo isso foi um grande mal-entendido. – Regina levantou uma sobrancelha enquanto um riso abafado escapava de seus lábios.
Emma deu de ombros e voltou a olhar as estrelas.
- Eu costumava pensar que ele tinha razão.
Regina olhou para o relógio de pulso. Eram quase quinze para as onze, e ela não tinha certeza do porque estava tão ansiosa. Não era como se ela e Emma fizessem planos para encontra-se. Os encontros eram pura coincidência. Ela bufou e levantou-se da cadeira, preparando-se para dobrá-la. Levantando a cabeça em direção a fronteira uma última vez, ela visualizou um pequeno ponto à distância, aproximando-se rapidamente. Ela serrou os olhos e moveu-se para a barreira.
Sem dúvidas, uma mecha de cabelo loiro esvoaçava ao longe conforme a xerife corria em direção à linha.
- Emma? – Regina disse a si mesma enquanto a loira aproximava-se cada vez mais.
Por fim ela chegou, arquejando, sem fôlego, e dobrada com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando recuperar o ar.
- Desculpa. – Emma arquejou. – Não... – ela respirou profundamente. – Carro...
Regina quase caiu na gargalhada ao reparar no estado da loira. Seu cabelo estava uma bagunça e sua mochila balançava precariamente pendurada à sua frente.
De repente, dando-se conta da real presença de Emma, os olhos de Regina se arregalaram.
- Você venho correndo?
Emma acenou com a cabeça em concordância, descansando as mãos na cintura e caminhando de um lado para outro, tentando recuperar o fôlego.
- São mais de oito quilômetros!
- É? – Emma perguntou, sem dar muita atenção.
- Por que raios você faria isso? – Regina perguntou um tanto consternada.
Emma agora respirava normalmente.
- Eu te disse. É o único tempo que tenho para mim.
- Onde está o seu carro? – Regina perguntou em um tom de preocupação evidente de mais para o seu gosto.
- Então... Sobre isso...
Regina cruzou os braços, tendo a certeza de que essa seria uma história interessante.
Emma coçou a cabeça e murmurou.
- Eu meio que coloquei fogo nele?
- Isso é uma pergunta? – Regina indagou, divertidamente estupefata.
- Não. Não, eu coloquei. – a loira admitiu.
- E como, me atrevendo a perguntar, você conseguiu realizar tal feito?
- Eu venho trabalhando em minha magia. – Emma explicou gesticulando freneticamente com as mãos. – E então meio que... – de repente ela abriu os punhos imitando uma explosão. – Ascendeu.
Regina jogou a cabeça para trás em uma forte gargalhada.
- Não é engraçado!
- Me perdoe. – Regina sorriu. – Já estava na hora daquele carro se aposentar.
Emma balançou a cabeça e tirou a mochila, puxando o cobertor e sentando-se no chão.
- Você vai ficar?
Regina hesitou por um instante, observando a loira sentar-se antes de abrir sua cadeira.
Regina esperou sentada de pernas cruzadas sobre o cobertor com a luz dos faróis da Mercedes iluminando suas costas, enquanto ela olhava para o relógio de pulso, atenta ao tick tack constante dos segundos.
23h30min.
Onde estava Emma?
A morena escondeu os olhos com as mãos e suspirou profundamente. Por que raios ela devia se importar? Tudo o que ela queria, no momento em que havia começado a dirigir até a fronteira da cidade de Storybrooke, era ficar o mais próximo possível de Henry. Não para se encontrar com a mulher que pertencia à família que havia arruinado sua vida. Ela não estava desapontada. Não. Nem um pouco. Ela olhou para o relógio novamente.
23h33min.
Regina esperou até depois da meia noite, mas Emma não apareceu.
No momento em que a ex-prefeita voltou à linha da cidade na noite seguinte, o carro de polícia usado pela xerife já encontrava-se estacionado do outro lado, com Emma inclinada sobre o capô. As mãos da loira estavam enfiadas no bolso da jaqueta, e sua cabeça fitava o chão.
Preocupada (apesar de não admitir, interpretando seu sentimento como mera curiosidade), a morena desceu do carro o mais próximo que podia da linha e caminhou um tanto rapidamente até a fronteira.
- Srta. Swan?
Emma levantou a cabeça, seu olho direito estava inchado e aparentava um contraste de cores: verde e roxo.
- Oi.
- Meu Deus, o que aconteceu?
Regina deu um passo à frente, mas foi arremessada de volta pela força do choque da barreira mágica. Ela emitiu um grunhido de irritação, mas voltou a aproximar-se da barreira, tomando mais cuidado dessa vez.
Emma deu de ombros e retirou as mãos dos bolsos, abaixando-se para recolher a mochila que estava no chão.
- Tive que separar uma briga noite passada. Passei a noite em observação. Apenas ossos do ofício.
Regina ergueu uma sobrancelha sem acreditar por completo nas palavras da loira. Foi quando, ao observar Emma estender o cobertor ao longo da linha, que ela percebeu sua mão direita enfaixada. A morena, então, esticou sua própria coberta e gesticulou para a mão de Emma.
- Suponho que isso também encaixe-se em "ossos do ofício".
Emma acompanhou o olhar de Regina e escondeu a mão.
- Eu machuquei enquanto arrumava uma papelada.
- O que aconteceu?
- Nada. Então, você planeja me mostrar suas telas algum dia?
- Se não fosse nada, você não teria se preocupado em vangloriar-se sobre a briga. – a mulher mais velha destacou. – Ou você perdeu?
Emma sorriu, aproximando os joelhos do corpo e descansando os cotovelos sobre eles.
- Não, você deveria ter visto o outro cara.
- Quem era?
- Ninguém que você conheça.
Regina lhe retribuiu um olhar de superioridade.
Emma soltou um suspiro.
- Jefferson.
Regina ficou tensa e estreitou os olhos um tanto confusa.
- O que ele fez? Ele já tem a filha de volta.
- Tenho quase certeza que o Henry gosta dela. – a xerife falou em uma tentativa de mudar de assunto.
Emma esperou por um longo minuto de silêncio sobre o olhar fixo e intimidante de Regina, antes de tornar a falar.
- Ele disse coisas sobre as quais eu não concordava.
- Como?
Os olhos verdes encontraram os castanhos da mulher mais velha do outro lado da linha.
- Coisas ruins sobre você.
Emma estava quase certa que algum tipo de feitiço de congelamento havia sido lançado sobre a morena, pois Regina não moveu um músculo após ouvir sua confissão.
- Olha, eu meio que perdi a cabeça com ele. Ele me sequestrou, logo eu tinha uma dívida a pagar e...
- Por que você faria isso? – Regina perguntou. Seu tom áspero e sua voz mais alta.
- O que?
- O que você está tentando atingir? – Regina levantou. Seus saltos plantados firmemente no chão enquanto ela fuzilava ameaçadoramente a loira com o olhar.
Emma apressou-se a levantar também.
- Por que raios você está brava? Eu defendi você! – ela destacou.
- Você está um ano atrasada para me defender, Srta. Swan.
- Ora, vamos lá. Eu estou sofrendo com essa maldição idiota tanto quanto você. Eu devo deixar as pessoas saírem por aí falando mal de você?
- Você pode ser a Salvadora, mas isso não lhe dá direito de tomar parte em minha vida!
A explosão de raiva repentina de Regina deixou a cabeça de Emma pulsando.
- Eu sou capaz de proteger a mim mesma!
Emma deu um passo para o lado e apontou para a estrada que desaparecia na escuridão atrás de si.
- Então vem até aqui e chute o traseiro do Jefferson!
A morena rosnou de raiva.
- Srta. Swan, acredito que você esteja confundindo esses encontros com algo próximo de uma amizade, e eu posso lhe garantir, eu não vou precisar de você para me proteger tão cedo.
Se Emma não estivesse tão confusa e irritada com o a raiva de Regina, ela teria rido enquanto a morena resmungava após cada longo suspiro de irritação e batia no cobertor sobre seus braços, dando as costas à fronteira e dirigindo-se ao seu carro.
Minutos antes de ela embarcar, Emma a chamou.
- Só porque você é capaz de proteger a si mesma, não significa que você deva impedir outras pessoas de tentarem!
Regina voltou a cabeça para Emma, e por um breve momento a loira pensou ter visto algo refletir naqueles olhos castanhos. Talvez fosse apenas o reflexo dos faróis, mas ela podia afirmar com certeza que havia visto, pela primeira vez, emoções reais emanarem de Regina Mills.
Dois dias depois, Regina retornou perto da meia-noite. Ela sabia que havia ultrapassado os limites, mas estar ao lado de Emma Swan fazia com que uma espécie de fogo crescesse dentro dela, sem que ela pudesse controlar.
Ela se surpreendeu ao notar o carro da xerife estacionado do outro lado da linha, com Emma deitada sobre o teto.
- Considerando a opção? – Emma sorriu.
- Eu não vou subir aí. – Regina decidiu e saltou para o capô de seu carro.
A loira deitou-se de costas.
- Como você preferir.
Após a história de Emma sobre as constelações, Regina viu a si mesma procurando por mais lendas e mitos sobre o assunto, fascinando-se com seus contos. Ela apontou Órion, encontrou facilmente a Ursa Maior, e quase bateu em sua própria cabeça ao não ser capaz de localizar Cassiopéia.
Por horas elas sentaram-se em silêncio, e no momento em que Regina deu-se conta do fato, ela olhou para cima e notou que Emma havia caído no sono, ainda deitada sobre o teto do carro. A loira estava encolhida, os joelhos tocavam o peito, a jaqueta de couro vermelha jazia sobre seu tronco como um cobertor, e seu rosto estava virado em direção à Regina.
Por quanto tempo Emma esteve olhando para ela antes de cair no sono?
Tirando o pensamento da cabeça, Regina escorregou para fora do capô, empurrou seu carro lentamente de volta para a estrada e retornou para a linha laranja. Ela encontrou uma pedra e começou a escrever na rua, muito próximo a linha. Limpando as mãos sujas de fragmentos da pedra, ela dirigiu de volta para Boston, deixando para trás a xerife que acordaria em mais ou menos duas horas, desceria do teto do carro e veria a mensagem gravada na estrada.
Obrigada.
- Eu queria te mostrar uma coisa.
- Mesmo?
As duas mulheres encontravam-se deitadas sobre a estrada, antes de Regina sentar-se com um movimento suave e vasculhar na mochila que trazia consigo. Ela puxou uma tela um pouco maior que uma folha de ofício, deitou-se novamente e segurou o objeto no alto para que as duas pudessem vê-lo.
- Você que pintou? – Emma esticou a mão para tocar a tela, o desenho de uma longa estrada em espiral que a distância, quase imperceptível, dividia-se em duas. Mas reparando no erro a tempo, ela trouxe a mão de volta para baixo com uma expressão deprimida. – Ficou muito bom.
- Obrigada. – Regina sussurrou com uma pitada de orgulho na voz.
Ela se sentou novamente e pegou outra tela.
- E aqui mais uma.
Essa representava um campo tomado de flores nas mais variadas cores. Dessa vez Emma não pode se conter e tentou tocar em um detalhe em particular (um narciso-amarelo em primeiro plano na pintura), mas antes que conseguisse a eletricidade da barreira correu por seu corpo, a fazendo gritar de dor e ser arremessada alguns metros de distância.
- Emma! – Regina levantou-se em um salto e gritou. Ela fez menção de socorrer a loira, mas o zumbido da eletricidade na barreira a lembrou que se o fizesse acabaria encontrando o mesmo destino.
- Emma!
A loira gemeu e levantou-se devagar.
- Eu estou bem. Movimento idiota.
A morena balançou a cabeça.
- Como você consegue continuar cometendo o mesmo erro?
Emma mancou em direção à linha.
- Eu queria ver melhor. Me processe.
Gentilmente, Emma levantou a mão até a barreira invisível, estremecendo quando a energia formigou a palma de sua mão.
- Droga.
- Talvez um dia sua magia seja suficiente para quebrá-la. – Regina sorriu.
Seus olhos se encontraram. Uma troca de olhares cheia de significados.
- Um dia.
- Você trouxe uma lanterna?
- Sim, apesar de eu não saber a razão.
Emma caminhou em direção à Regina enquanto segurava sua própria lanterna. A loira ligou o equipamento e apontou a luz em direção á floresta.
- Eu pensei que seria legal darmos uma caminhada. A estrada está acabando com as minhas costas.
A morena inclinou a cabeça para o lado, a boca ligeiramente aberta enquanto seus olhos alternavam entre Emma e a escuridão que era floresta de Storybrooke. Ela bufou quando Emma não esperou por uma resposta, pelo contrário, procedendo em caminhada para o espesso emaranhado de galhos e folhas, mantendo-se do seu lado da linha. Com um suspiro, Regina a seguiu, ligando sua lanterna e criando luz suficiente à frente com a ajuda de Emma.
Emma recolheu um graveto enquanto elas adentravam cada vez mais profundamente a floresta e arrastou-o pelo chão, criando uma linha paralela à linha laranja que demarcava o limite da cidade. O único som que se fazia ouvir era o farfalhar das árvores e o barulho abafado do estalido dos galhos sobre os pés das duas mulheres.
- Eu não estou usando o calçado apropriado para esse tipo de excursão. – Regina lamentou o fato de que seus saltos estavam arruinados.
- Pra que você usa salto alto? Você pinta! Não é de se esperar que exista tinta espalhada por toda sua roupa e que seja uma ávida artista? – Emma provocou.
Regina olhou fixamente para a loira enquanto elas chegavam a uma clareira.
- Por que você quis caminhar?
- Ninguém para ouvir você gritar. – a loira brincou.
Emma deu risada, mas parou rapidamente ao notar que Regina estava prestes a dar meia volta. – Vamos lá, é legal.
Mordendo o lábio inferior a morena cedeu e elas continuaram sua caminhada pela floresta, falando sobre coisas sem muito significado enquanto os minutos passavam rapidamente.
- Eu estive pensando. – Emma começou. As duas agora refazendo o caminho de volta para a estrada.
- Hm?
A xerife parou de caminhar e remexeu em uma pilha de barro com a ponta da bota.
- Eu estive pensando... Você gostaria de me encontrar aqui amanhã?
Regina passou a mão pelos cabelos, um tanto confusa, recusando-se a admitir o sentimento de felicidade que a invadiu. A única conclusão que ela pode tirar daquela pergunta fez seus olhos se estreitarem.
- Como um encontro?
Emma levantou a cabeça com os olhos arregalados.
- O que? Não... Quer dizer... Espera? Você viria? Eu não tinha terminado de falar, mas... Sim?
O rosto de Regina ficou vermelho. Ela ficou grata pela escuridão da floresta quando percebeu o erro que havia cometido.
- O que você ia falar?
- Me encontrar aqui durante o dia. Eu tenho uma surpresa. – Emma respondeu.
Ficou claro que nenhuma das duas queria falar sobre o mal entendido, ou possuíam conhecimento do quanto queriam aquilo.
Regina balançou a cabeça em concordância.
- Eu estarei aqui.
Ao meio-dia do dia seguinte, Regina dirigiu até a borda da cidade, sentindo-se um tanto nervosa. Era primeira vez que ela encontraria Emma em plena luz do dia, pensando consigo mesma, ela sentiu que sempre esteve vestida de forma casual e dessa vez ela teve plena consciência do que usar para o dia.
No momento em que ela dirigiu em direção à fronteira e acompanhou com o olhar a xerife estacionar do outro lado, Regina arquejou ao notar a porta do passageiro abrindo-se e seu pequeno, não mais tão pequeno assim, garotinho deslizar para fora do assento do carro. Ela apertou os freios com força quando avistou Henry, agora com treze anos e com sinais claros da puberdade. Ele havia crescido pelo menos trinta centímetros, em seu rosto mostravam-se algumas espinhas e seu par de sapatos parecia ter saltado vários números.
Ela apressou-se em descer do assento, mas estacou na porta do carro.
- Mãe?
Sua voz estava um tanto rouca, mas ele ainda era seu garotinho.
Ela tentou dar alguns passos em direção a ele, a relação dos dois havia crescido através de telefonemas e e-mails, mas ela não o via há quase dois anos.
- Henry?
O garoto correu para ela antes que Emma pudesse gritar para que ele não se aproximasse demais da linha. Ele parou a alguns centímetros da fronteira, sorrindo de orelha a orelha enquanto Regina aproximava-se com os olhos lacrimejantes.
- Eu sinto sua falta.
A morena secou as lágrimas que escorriam por seu rosto e deu risada com a felicidade que sentia, abraçando-se a si mesma em uma tentativa de se conter a alegria.
- Eu também sinto a sua.
- Obrigada. – Regina agradeceu em um sussurro enquanto ela e Emma voltavam aos seus tão conhecidos lugares naquela noite, as duas deitadas sobre o chão. Nenhuma disposta a admitir em voz alta que deitar uma do lado do outra era sua posição favorita. – Não sou capaz de expressar o quanto estou grata por isso.
A morena e seu filho haviam passado horas conversando, sobre as lutas de espada do Henry, suas aulas de equitação (as quais Regina estava ansiosa para ajudá-lo), seus trabalhos de escola, um pouco de tudo. Foi então que Emma levantou a questão sobre Paige, e o menino emudeceu com as orelhas cada vez mais vermelhas. Regina ralhou com Emma por tê-lo envergonhado, mas isso só foi suficiente para fazer a loira rir mais alto.
- Você pode me mostrar mais das suas pinturas. - Emma sorriu ironicamente olhando para Regina que retribuiu com um sorriso molhado antes de voltar o rosto para as estrelas, enquanto a loira lhe presenteava com mais histórias sobre mitos gregos.
Se Regina houvesse olhado para o lado, ela teria visto Emma mover sua mão alguns centímetros em direção à mão da morena, puxando de volta sutilmente quando a eletricidade da barreira fez-se sentir em sua pele. Se Emma não estivesse olhando para as estrelas, ela teria visto uma nova mistura de emoções nos olhos da morena, emoções que não se deixavam transparecer desde Daniel.
- Eu tenho trabalhado em minha magia.
- Eu tenho trabalhado em minhas pinturas.
A loira e a morena sentara-se próximas, perto da barreira, o mais perto que elas poderiam chegar. Regina praticamente era capaz de sentir o calor que emanava da loira. Nas noites de verão, Emma havia voltado a usar regata e calça jeans justa, e enquanto isso a loira era contemplada com a visão de Regina em uma camisa de manga curta folgada e sem estampas, calça jeans de marca e botas de couro legítimo. Mesmo casual, a morena parecia como um milhão de dólares.
- Você primeiro. – Emma acenou em direção à morena.
Regina mordeu o lábio, não reparando no sorriso de satisfação de Emma ao notar o gesto, e correu para sua mochila, tirando de lá de um caderno de rascunhos. Ela segurou o objeto contra o peito enquanto apontava de forma severa o dedo para a mulher mais jovem.
- Não diga nada.
Os olhos verdes de Emma arregalaram-se, intrigados.
- Ok.
Mordendo o lábio novamente, Regina começou a folhar o livro. Rascunhos de paisagens passavam voando enquanto ela virava as páginas, até parar em seu último desenho. Ela manteve o caderno aberto sobre seu colo, obrigando a loira a aproximar-se mais, suas mãos quase se tocando enquanto ela inclinava a cabeça para o lado para ver melhor o desenho.
Não era a pintura de uma paisagem. Era Emma.
Regina prendeu a respiração, observando Emma estudar a imagem de si mesma olhando para o lado de fora de uma janela em um apartamento na cidade de Boston. Se Emma não soubesse que era impossível para ela deixar Storybrooke, ela teria jurado que havia pousado para aquele rascunho de Regina.
- Uau. – Emma respirou fundo. – É incrível.
Regina ergueu um olhar esperançoso o qual Emma retribuiu com um sorriso ao encontrar.
- Eu poderia... Esquece.
- Você poderia o que? – Regina perguntou, inclinando-se mais para frente.
Emma olhou para ela com um ar triste e logo depois para toda a extensão da linha que as separava.
- Eu ia perguntar se poderia ficar com o desenho.
- Oh. – Regina disse gentilmente também tornando o olhar para a linha. Depois notando os olhos tristes de Emma novamente. – Sim, você pode.
A loira sorriu.
- Obrigada.
Regina corou deixando o caderno de lado ao ouvir Emma pigarrear.
- Posso tentar uma coisa?
A morena acenou com a mão encorajando a loira a se impor.
Emma ficou de joelhos, tão próxima da linha que o zumbido da magia fazia-se ouvir entre elas. Ela fez um gesto com o dedo, chamando Regina para mais perto, para imitar a posição de Emma. Desconfiada, Regina fez como a loira pediu, apenas três centímetros separando as duas. A loira ergueu a mão sentindo o formigamento da barreira correr por seu corpo.
Emma não precisou pedir. Prontamente e com cuidado Regina colocou sua mão contra a de Emma, preparando-se para ser jogada para longe pela força invisível da barreira. Mas isso não aconteceu. Pela primeira vez em aproximadamente dois anos, Regina sentiu a mão de Emma contra a sua, com apenas uma fina linha mágica estalando entre elas, não de todo agradável, mas inofensiva ao mesmo tempo.
As duas mulheres observaram de olhos arregalados suas mãos se tocando, suas respirações arfantes enquanto sentiam uma a outra, sentindo uma o calor da outra.
- Bem. – Regina sussurrou sem fôlego e atônita.
Suas mãos se tocaram por mais tempo do que seria considerado normal, mas nenhuma das duas se importou. Regina ergueu o olhar em direção à Emma depois que o transe passou e suas mãos se separaram, notando o olhar da loira recair sobre seus lábios antes dos olhos verdes se voltarem aos marrons.
A morena engoliu em seco.
- Posso tentar uma coisa?
Emma assentiu.
Devagar e com cuidado, como se estivessem sendo atraídas por algum tipo de magnetismo, elas inclinaram a cabeça mais para frente, seus lábios se aproximaram, compartilhando o hálito quente de suas respirações enquanto chegavam cada vez mais perto uma da outra.
Quase.
Uma descarga de eletricidade explodiu entre elas, fazendo as duas mulheres gritarem em choque enquanto a força da explosão as arremessava a três metros de distância da linha. Emma, já acostumada com isso, foi a primeira a se levantar limpando os arranhões em seus braços e correndo em direção a Regina que apenas naquele momento começava a erguer-se do chão.
- Regina!
A morena se levantou, a vulnerabilidade em seu olhar substituída por raiva. Emma notou que as mãos dela estavam arranhadas e com marcas de sangue. Regina fechou as mãos com força e trincou os dentes.
- Eu acho que vou indo.
Antes de dar chance para que ela virasse as costas, Emma gritou.
- Regina!
Regina se virou, brigando consigo mesmo por ter feito aquilo, e foi então que a morena reparou o arrependimento nos olhos da loira enquanto fitava a linha laranja. Emma simplesmente levantou a mão em súplica. Sem hesitar, Regina caminhou em direção à linha novamente colocando sua mão contra a mão de uma Emma agora mais confiante. A magia zumbiu entre suas palmas de novo, o calor se espalhou e o sentimento de solidão diminuiu.
Emma observou Regina fitar suas mãos unidas novamente, esperando entrelaçar seus dedos nos dela, mas sabendo que se fizesse isso ela acabaria por mandá-las voando pelos ares novamente. Emma fitou seu olhar, um olhar desesperador e triste que se levantou para se encontrar com o seu.
- Um dia.
