Obrigada a quem comentou no primeiro capítulo. Cá está o segundo! :)
Capítulo 2 – Grover chama reforços
"Só estou dizendo," disse Tritão, meu meio-irmão imortal e companhia de treino. "você é um ótimo esgrimista."
"Obrigado." eu disse, bolhas saindo da minha boca. Eu odiava isso, mas não podia fazer nada. Eu ainda era um humano embaixo d'água.
"É sério. Quando você for ao acampamento, vão ficar chocados." ele disse, enquanto nadávamos de volta ao palácio.
"Acho que todos no acampamento vão ter muitas coisas para ficar chocados." eu disse.
"Com certeza." ele disse. "Mas não deixe nada disso abalar você, Percy. Você nasceu pra ser grande. Você é o filho do deus do mar."
Eu assenti. Era muita pressão em cima de mim, mas tudo que eu podia fazer no momento era fingir que não ligava.
"Farei o possível."
Tritão riu. "Tenho certeza que sim."
Chegamos ao palácio e me despedi de Tritão pela semana. Meu pai tinha ido resolver algo no Olimpo e eu estava por conta própria para voltar à superfície. Tritão chamou um dos tubarões militares e ele me deu uma carona, que eu apreciei.
Passei o resto do domingo comendo torta de mirtilo azul na cabana com minha mãe, e tarde da noite voltamos ao nosso apartamento em Upper East Side.
No dia seguinte, eu estava de volta à Yancy. Grover não apareceu, o que me deixou ansioso e preocupado. O que tinha acontecido com ele?
Lá pela hora do almoço, eu descobri. Bem, mais ou menos. Grover sentou ao meu lado na cafeteria, com um prato de nachos e uma coca diet, como se ele não tivesse passado o dia inteiro fora da escola.
"Onde você estava?" perguntei.
"O que quer dizer?" ele perguntou com a boca cheia de nachos.
Eu bufei.
"Você passou a manhã fora, G." eu disse. "Onde você estava?"
Ele me olhou atentamente, e por um momento eu achei que tinha falado demais.
"Eu precisei resolver uns assuntos de família." ele disse. "Mas está tudo bem agora."
Ele voltou a comer e, apesar de desconfiado, não falei mais nada.
Antes de voltarmos à sala de aula, ouvi a voz do meu pai, severa e preocupada.
Prepare-se.
Me preparar pra quê? Perguntei de volta, mas meu pai não me deu qualquer resposta. Ótimo. Odiava brincar de adivinhação.
As aulas de trigonometria e ciências passaram torturantemente devagar, e a última aula, educação física, deixou todos os alunos animados. Por algum motivo, porém, eu estava meio nervoso.
Algo... Quer dizer, alguma coisa estava errada.
Segui Grover e o resto dos alunos até o vestiário masculino, e depois de colocar minha caneta esferográfica especial no bolso do short de educação física, segui os alunos até o ginásio.
Era dia de basquete e o treinador nos separou em times para que pudéssemos jogar. Grover foi para o banco de reserva, já que ele era dispensado de Educação Física por ter um atestado que o liberava disso. Eu sabia a verdadeira razão, mas enfim. Não era como se eu pudesse (ou fosse) confrontá-lo sobre isso.
Deixei Grover no banco e fui jogar com os outros alunos. Entre ser empurrado, derrubado e chutado e não ter nenhuma falta ao meu favor, o jogo estava indo bem. Meu time estava ganhando (não por minha causa), então estava ótimo.
Lá pelo meio da aula, as coisas ficaram estranhas.
Peguei um vislumbre do banco de reservas e vi que Grover não estava lá. A sensação inquietante que eu tivera quando saíra da sala para o vestiário tinha voltado, e eu olhei ao redor do ginásio, procurando uma fonte para minha inquietação.
"Jackson, olho na bola!" gritou o treinador.
Eu bufei e deixei de olhar as arquibancadas, roubando a bola do time adversário e desviando para fazer uma cesta de três pontos. Os caras do meu time me olharam com olhos apertados, e eu realmente não entendia. Eu estava no time deles ou não?
"O que foi? Eu fiz uma cesta!" eu reclamei.
"Que seja, perdedor." disse Brady, um dos grandalhões do time.
Rolei os olhos e voltei à minha posição, e então um som de explosão ecoou no ginásio. Eu me abaixei instantaneamente, assim como todos os outros. O treinador gritava para que ficássemos calmos e abaixados.
O arrepio na espinha estava lá de novo, e eu arrisquei dar uma olhada para o outro lado do ginásio, onde ocorrera a explosão.
E o que eu vi me deixou completamente chocado.
Um enorme ciclope tinha destruído completamente uma das paredes do ginásio, que dava para o lado de fora da escola. Ele segurava uma menina de cabelos pretos de cabeça para baixo, pelas pernas, e a menina sacudia furiosamente uma lança de um metro e meio, sem conseguir acertar o ciclope.
Eu engoli em seco. Perto do ciclope havia outra garota, loira, acertando pequenos golpes nos pés do ciclope. E um cara grande atirava algumas pequenos explosivos contra o monstro, a alguns metros de distância. Grover estava perto da garota loira, tentando inutilmente acertar o ciclope. Tudo parecia ser inútil.
Eu percebi tudo isso em menos de um minuto, e então meus membros voltaram a se mover. Eu precisava sair daqui.
Percebi que os outros alunos e o treinador ainda estavam abaixados e me levantei rápido, correndo até a porta do ginásio que dava para os vestiários. Meu plano era simples: pegar minhas coisas e correr pra casa. Era covarde e horrível, mas se eu não fizesse isso, deixaria meu pai furioso e provocaria uma guerra. Não era o que eu tinha em mente.
Justo quando eu estava prestes a abrir a porta e sair, ouvi um grito estridente. E cometi o erro de me virar.
O ciclope tinha agarrado a outra garota e o garoto com uma mão só e os apertava na mão fechada. Grover parecia desesperado, e enquanto a garota de cabelo preto acertava alguns golpes minúsculos no braço do ciclope, parecia que tudo estava perdido. Eles não iam conseguir escapar dali.
"Semideuses para o almoço, hahahaha. Hoje é meu dia de sorte." disse o ciclope, enquanto levantava a garota de cabelo preto até o nível de sua boca.
Droga.
Desculpe, pai, eu disse em pensamento, enquanto puxava minha caneta esferográfica e clicava.
A caneta se transformou na minha espada de bronze celestial, Anaklusmos, que significa Contracorrente em grego. Eu corri pelas arquibancadas. Esperava de todo o coração que o ciclope não me notasse antes que eu chegasse lá, mas mais importante, nenhum dos semideuses, e nem Grover, podia me notar também. Era a única maneira de eu sair anônimo de tudo isso.
Pretendia dar apenas uma pequena ajuda. Observei a área ao redor do ciclope, que balançava a garota e apertava os outros dois na sua outra mão horrorosa.
Meu coração batia a mil por hora. Eu nunca tinha enfrentado um monstro de verdade antes, mas eu tinha estado treinando pra isso nos últimos oito anos. Me concentrei. Estendi uma mão para o chão abaixo do ciclope e senti meu estômago apertar. Um pequeno terremoto balançou as estruturas do ginásio, bem abaixo do ciclope, que se desequilibrou e soltou os semideuses.
Eu me encolhi quando os três caíram no chão, mas por sorte, não tinha sido uma queda muito alta. Logo eles estavam se levantando. O chão ainda tremia.
Eu me aproximei pelo lado, mantendo o terremoto e o ciclope confuso. Os semideuses correram com Grover para o outro lado do ginásio, provavelmente pensando em alguma alternativa.
Quando cheguei perto o suficiente, subi até a última arquibancada, que me dava uma boa vista dos ombros do ciclope. Parei os tremores, corri e dei o maior pulo que consegui.
Foi o suficiente. Atingi o ciclope com Contracorrente bem no ombro, e saí escorregando até o chão, arrastando a espada comigo. O grito do ciclope ecoou por todo o ginásio e quando eu caí no chão, ele se tornou poeira, sendo arrastada pelo vento que vinha da parede derrubada.
Olhei ao redor. Aos poucos, os alunos foram tossindo e se levantando, olhando ao redor. Eles estavam bem.
Então meus olhos pousaram em Grover, que olhava para mim boquiaberto e de olhos arregalados. Eu vi quando ele movimentou os lábios, e percebi o que ele dizia, incrédulo: "Percy?"
Ótimo.
Os semideuses perto dele me olhavam espantados também, e eu não tive outra alternativa a não ser correr pela abertura da parede.
Eu ouvi Grover chamar meu nome, assim como um 'Só queremos conversar' do que deveria ser o cara, mas não parei. Entrei na escola por uma entrada lateral, corri para o vestiário e peguei minhas coisas. Ouvi Grover entrando no vestiário também, me procurando, então pulei pela saída de incêndio e corri para casa.
Ui, e agora? Vamos ver o que o Percy vai fazer...
Próximo capítulo sai logo logo. Não esqueçam de comentar! ;)
