Ouvia uma musica suave ao fundo, mas não distinguia. Era a musica que queria ouvir. E todos os músculos do corpo anestesiados deixavam-na calma. Não existia nada nessa merda de mundo que não fosse bom. E ela não fazia parte de plano algum. Ela era ela e só ela. E ser somente ela bastava pra que todo esse paradoxo de sensações fizesse a singularidade de sua momentânea felicidade. E por tudo isso ela os odiava. Os dois. E amava Severus. Por que mesmo que ele fizesse parte de tudo e sofresse mais que todos. Ele sempre vinha. E trazia. E a amava. E só ela sabia.

- Ainda viva? – A voz desdenhosa e rouca dele apenas expressava a certeza de que ela estava. Ele mesmo misturou as substâncias dessa vez. Tinha que garantir que ela ficaria bem depois de tomá-las e as vendidas livremente, não eram confiáveis. – Essas porcarias estão cada vez mais difíceis de conseguir, portanto não desperdice. – Deitou na cama vestido apenas com roupa intima e cerrou os olhos antes de chamá-la. Tinha que ser assim. – Granger, o pagamento.

Hermione sorriu. Levantou-se languidamente e rastejou sobre o colchão como sabia que ele gostava. Ele a desejava. E Severus era paradoxal. Servo e Senhor. Poderia tê-la quando e como quisesse. Com ou sem "presentes". Mas sempre a tinha assim. Como um favor por serviços prestados.

Encaixou-se sobre ele já despida das poucas roupas que usava e deslizou ambas as mãos pelo tórax marcado. Possuía cicatrizes por todo corpo, finas e profundas como corte de navalha e odiava que perguntassem sobre elas. Não queria lembrar.

- E como quer receber? – Sussurrou sensualmente antes de roçar os lábios aos dele.

Não respondeu. Inverteu as posições e se afundou no corpo dela. Sua. Os sorrisos e gemidos que extraia era seu pagamento. E estava vivo. E fazer o que fazia, valia a pena por ela. Só por ela. E ela sabia.

(...)

- Vai mandar uma resposta? – Falou desdenhoso. Odiava se arriscar com coisas de moleque.

- Não vou ler agora. Não tem nada de novo nisso. – Olhou com indiferença pro envelope que jogou na escrivaninha.

- Não consigo entender Hermione o porquê de ter entrado nessa vida. Juro que sua burrice me espanta.

- E você? Também não entendo por que se arrisca traindo Voldemort para uma causa que nem te aceita. Diga-me Severus. Por quê?

- Talvez por que eu não tenha mais uma vida ou uma escolha. Agora você tinha. As duas. - Fitou-a.

- Exato. Tinha. – Voltou a deitar e fitou o teto. – Uma vida ao lado de um covarde e a escolha de estar aqui.

- Ridícula coragem Griffindor. Os corajosos morrem cedo. – Continuava avaliando as reações da garota.

- Então devo ficar feliz. – Virou o pescoço e beijou o ombro do homem. Severus segurou seu queixo, fazendo-a olhá-lo.

- Você não vai salva-los Granger.

- Então vou morrer tentando. – Soltou o rosto e levantou da cama com raiva. - Começou a vestir-se. – Odeio quando faz isso. Odeio.

- Feche a porta ao sair. – Fechou os olhos e apurou os ouvidos. Suspirou quando ela se foi. Um dia seria pra sempre e doía pensar.

Um ano antes.

Lucius conjurou uma mesa e sobre ela alguns vidros e utensílios que Draco desconhecia.

- Vou deixar você aprender sozinho Draco. Não me decepcione e lembre-se que o prazer é medido pelos gemidos. – Sorriu debochado ao olhar pra ela, que o fitava com os olhos cerrados e fulminantes. Um dia se vingaria de todos eles. Todos.

Escolheu o menor vidro e arqueou uma das sobrancelhas ao ler afrodisíaco no rotulo. Aquilo era interessante e reconheceu o cheio do quarto da mãe imediatamente ao abrir. Lucius sempre teve seus segredos então.

Mergulhou a ponta da varinha e levou a boca sentindo o gosto adocicado e a língua esquentar. Mas esquentar muito. Sorriu e voltou sua atenção para garota que o olhava intrigada. O que aquele moleque faria. Anos de convivência apenas serviu para acentuar o conceito que fazia dela. Um moleque arrogante e idiota. E com os hormônios descontrolados.

Draco sabia o que ela estava pensando e imaginou o porquê a sabe tudo prepotente nunca aprendera a fechar a porra da mente. Moleque?

Puxou uma cadeira e sentou-se de frente. De frente pras pernas abertas coberta apenas pela renda preta. A voz arrastada.

- Sabe Granger, não posso descumprir uma ordem. – Deslizou a ponta da varinha do tornozelo a panturrilha. – Mas minha vontade é de lhe provocar tanta dor. – Do joelho ao centro da coxa, numa lentidão agonizante. – E ouvir você gritar e implorar pra morrer. – Suspirou como se a idéia lhe desse um imenso prazer e afastou a renda ainda com a varinha, deslizando por todo sexo umedecido.

Granger praguejou e contraiu o corpo e Draco sorriu. Como eram úteis os feitiços para emudecer. Levou a varinha ao frasco azul e passou por toda extensão da vagina, fazendo remexer-se e fechar os olhos com força. Aquilo devia queimar.

Apreciou a visão. Os pés da garota presos por cordas grossas flexionavam e relaxavam e cada pelo do corpo estava arrepiado conforme ela insistia em tentar movimentar o quadril.

- O quanto isso é bom Granger? – Sorriu debochado quando a viu abrir os olhos injetados e gira-los nas orbitas. Os lábios semi-abertos respirando ofegantes denunciavam o quanto aquela poção era potente. Transpirava excitação. – Quer que eu tire o feitiço pra poder implorar que eu transe com você? – Tornou a deslizar a varinha pelo sexo, dessa vez com ela ao contrario e pressionando incessantemente o clitóris. Os lábios da castanha se abriram mais e nitidamente se ela expelisse qualquer som ela estaria gemendo. – Não, ainda não. – Inclinou-se sobre ela, pressionando um pouco mais o cabo da varinha quase fazendo penetrá-la e sussurrou rente ao ouvido. – Isso é apenas a introdução. O que farei com você será muito melhor. – Riu. Levantou e limpou a varinha na capa, saindo em seguida e deixando a garota se contorcendo de excitação.


Passou pelos corredores sem ser vista. Suspirou aliviada. Se conseguisse passar sorrateira pelo salão sua noite terminaria tranqüila e poderia ruminar sua raiva sossegada. Severus tinha um prazer sádico em irritá-la. Amassou com raiva a carta ainda fechada em sua mão e respirou fundo rogando. Por favor, Merlin. Por favor, por favor...

- Sabe tudo?????? – Merda de Merlin. Virou-se e lá estava o maldito comensal bêbado que ela despistou mais cedo. Asco era uma sensação difícil de evitar. Eram sempre repugnantes. Andou contrariada apenas dois passos até a voz arrastada que ainda a arrepiava, chegar a seus ouvidos. Chamou com autoridade o comensal que a esperava e cochichou algo que o fez sair apressado por outro lado. Malfoy a olhou por um instante e saiu também. Merlin existe. Obrigado.

Girou nos calcanhares e correu para que ninguém mais a visse. As escadas para sua cela pareciam intermináveis e embora o cansaço insistisse para que seguisse até o fim do corredor, entrou na cela da amiga e a viu aninhada; gemendo num sussurro exausto.

- Como você está? – Gina se virou e sorriu.

- Estava te esperando. Tenho uma novidade maravilhosa. – Demorou para conseguir sentar-se. O suor escorria pelas têmporas e evidenciava sua pele pálida, iluminada apenas pela vela derretida ao lado de onde Hermione havia sentado.

- Gina você passou a poção? Eu deixei preparada. – Olhou contrariada para a amiga e se postou nas suas costas. Levantou a camisola e começou a espalhar o liquido viscoso. Tomava cuidado com a pele ferida. – Não sei por que ainda se submete a isso.

- Eu o vi Mione. Ele estava lá. Eu vi. – A castanha bufou com raiva.

- Gina. Harry está morto e você sabe muito bem disso.

- Não esta Hermione. Estou falando que seus olhos brilharam verdes pra mim. Foi rápido, mas ele estava lá. Esta lutando. – Parou de passar a poção curativa. Não queria magoar a amiga, mas estava tão cansada.

- Esta certa. Agora descansa que amanha conversaremos. Preciso ir. – Beijou-lhe a face e a ajudou a deitar, saindo em seguida.

Dois frascos encontravam-se no canto de dentro da cela. Abaixou para pega-los e escondeu-os ao lado do colchão. Se soubesse quem era o anjo que deixava as poções curativas, ao menos teria alguém pra agradecer. Alguém pra acreditar que o bem ainda existia e que tudo valia à pena. Perguntou a Severus e ele negou ou não quis dizer. Não sabia.

Gina sugava-lhe suas esperanças. Precisava tirá-la dali. Ela estava morrendo junto com o amor que a consumia. Apegava-se a esperança que Harry voltaria ao normal. Explicou-lhe tantas vezes que a Horcruxe dentro dele o matara. Mas ela não aceitava. Voldemort só o mantinha por que precisava do corpo. Harry era apenas um corpo sem alma. Vazio. E Gina não aceitava. Era uma marionete nas mãos do seu dono e era triste. E mais triste por que era Harry, seu Harry, seu "irmão". E por que sua melhor e única amiga não aceitava. E precisava ajudar os dois agora.

Deixou as costas se acomodarem e o corpo relaxar. Não gostava de pensar no amigo. Imagens dolorosas lhe vinham à mente e tentava afastá-las. Vira uma única vez os olhos verdes brilhando implorativos para que terminassem com sua dor e logo em seguida se tornaram negros e mortos como nanquim. Olhos de Ridlee.

Ao menos só existiam esses dois fragmentos. Voldmort e Harry. Estava perto agora. Apenas os dois e tudo estaria terminado. Só tinha medo de que se matasse Harry, Gina morresse também e aí tudo o que fizera seria em vão. Toda sua luta seria em vão. E dera muito de si para perder. Perdera demais.

Um ano antes.

Pareciam orgasmos múltiplos que açoitavam sua carne. A nuca dolorida, as panturrilhas distendidas, o corpo em espasmos o quanto aquela maldita tortura a estava afetando. Abrir os olhos lubrificados era desconfortável, mas a sensação de ser observada era pior. Ele estava lá. De frente pra ela, o sorriso cínico e o ar superior. Ele a estava atingindo e ambos sabiam.

Esperava tudo. Apanhar, ser torturada, sufocada, mutilada, mas não isso. Não esse tipo de humilhação agora. Não por ele. Eles tinham a mesma idade e ele não tinha o direito. Outro espasmo no quadril. A poção ainda fazia efeito. O sexo contraia e relaxava involuntariamente e os olhos marejaram novamente. Não agüentava mais gozar e viu quando o sorriso do loiro se ampliou.

Draco inspirou algumas vezes e apontou a varinha pra ela como se estudasse o que faria. As rendas que ainda pendiam no corpo frágil sumiram e algo gelado encobriu seu corpo. Agua.

O suor que escorria incessantemente da pele alva, acalmou-se. E Draco sentou ao lado e deslizou a mão pela extensão dos seios até o umbigo. Ainda não tinha tocado nela e o retesar do corpo feminino, evidenciava o quanto ela estava odiando o toque.

As mãos pálidas e os dedos longos deslizavam como cetim sobre ferro frio. Draco lavava o corpo com algo perfumado nas mãos e explorava cada pedaço de pele como uma massagem torturante e delicada. Estava concentrado com as respostas que o corpo lhe dava e a mente desprotegida da garota lhe confidenciava. Jogou água novamente e ela foi forçada a abrir os olhos contraídos. Reclamou mas ainda não foi ouvida. Palavras mudas. Draco mudou de lado e começou a lavar os tornozelos.

- Ora Granger, quem imaginaria. Um sangue puro aos pés de uma sangue ruim. – Sorriu discretamente e balançou a cabeça. Ousou uma espiada nos pensamentos dela e sorriu mais, embora saísse rápido. Não era hora para ouvir xingamentos e juramentos de morte.

Subiu para o joelho, parte externa das coxas, parte interna, virilha e ela comprimiu os olhos de novo e Draco vasculhou-lhe a mente. Vazia. A castanha não pensava em nada. Nem medo nem expectativa. Completamente oca e Draco roçou as costas da mão dos ralos pêlos que cobriam o sexo. Nada. Hermione ainda não pensava em nada embora seu corpo tenso respondesse excitação. Não era o suficiente.

Contornou o corpo e molhou. Lavou os ombros, a nuca, a testa. Se não estivesse nua e molhada, poderia dormir agora. As mãos do loiro eram tão delicadas e por um instante bem breve, frustrou-se por ter ansiado o toque intimo que ele lhe negou. E Draco ouviu. E o sorriso diabólico inflou seu ego.

A toalha pequena não era suficiente para secar toda extensão de pele e essa não era a intensão do loiro. Fez o caminho inverso e a passava pelo rosto, pescoço, seios. Os mamilos arrepiados eram arranhados pelo tecido não tão macio, descontrolando a cadencia da respiração da morena. Abdomem, virilha. Tempo demais na virilha. Parte interna das coxas e a toalha estava encharcada. Draco sorriu debochado. Estava tão rendida.

Não queria parar com aquilo. Estava adorando ver alguém tão orgulhosa se render daquela maneira. Sentou de frente entre as pernas dela e ainda passava a toalha pelas coxas.

- Granger. – A voz rouca era absurdamente sensual. Foi arrancada do torpor. Queria chorar por vê-lo tão vitorioso. Queria chorar por estar excitada. Queria chorar por ser ele. Apenas por ser ele e odia-lo por deixa-la constrangida. Virou os olhos para segurar as lagrimas. Draco acomodou-se na cadeira e deixou de toca-la. Apenas observava a vergonha estampada na face avermelhada. Os seios desnudos se projetando na respiração cada vez mais intensa. O músculo das coxas tentando desastrosamente fechar as pernas e cobrir o sexo exposto e úmido. Por que ela continuava excitada e ele podia ver. E ela estava tão sexy. E com tanta vergonha e tanto ódio que ele estava simplesmente adorando. – Perguntei a Lucius onde conseguiu essa cadeira estranha e ele disse que era uma homenagem a você. – A voz arrastada e baixa fazia o ódio ampliar. Não queria ouvir nada e principalmente por que ele falava enquanto respirava sobre sua pele, como que sentindo a fragrância que ela exalava. Pescoço. Frio. – Pegou de um medico trouxa que cuida de mulheres. Não sabia que vocês precisavam disso. – Continuava seu monologo a incitando. – O que eles fazem Granger? – Espalmou a mão no ventre reto e desceu até a virilha alisando e sentindo os músculos contraírem e o quadril se projetar. Não queria que ele prosseguisse e se remexeu em vão. Estava completamente vulnerável, presa na cadeira "indecente". – Isso? – Explorou o sexo com os dedos, sentido a textura e a umidade. – É isso que seus médicos fazem? – Penetrou-a até o onde seus dedos longos alcançavam e franziu o cenho, mordendo os lábios em seguida. Hermione se contorcia em êxtase. Odiava-se e a contradição de sentimentos se mostrava nas lagrimas que rolavam do cantos dos olhos cerrados, mas não conseguia evitar. Mesmo com a água fria, seu corpo pegava fogo. Até o toque na dobra do joelho se transformava nas mão dele. Maldito. A voz saiu um pouco mais fraca pelo tanto que também estava afetado com tudo aquilo. - Já que agora sou seu medico, vou te mostrar como cuidar de você. – Debruçou por cima dela, lambendo o lóbulo da orelha e mergulhando os dedos com mais intensidade, até os lábios da castanha suspirarem um orgasmo agoniado.

Continua...