Discovering Myself
Chapther 02: Fascinating Eyes
Eles me encaravam. Um grande par de olhos verdes, coloridos como uma tempestade tropical, selvagens porem civilizados, que prendiam minha atenção e aguçavam minha curiosidade. Por favor, não me levem a mal, mas a cor deles realmente chamava a atenção, não que o resto também não chamasse (e acreditem em mim quando digo que esse indivíduo foi motivo de tal burburinho na sala, que chegava a se assemelhar a um enxame de abelhas), mas eles eram realmente intensos.
Segundo sua apresentação perante a sala, seu nome é Kouga Akemi, tem 15 anos e se mudou recentemente de Hokkaido. Sua aparência era muito... interessante por assim dizer. Era impressionante: muito mais alto que eu (sério, minha cabeça batia no peito dele) e possui um comprido cabelo negro, o qual estava amarrado em um alto rabo de cavalo. Sua pele é morena, como daquelas pessoas que se exercitam e que ficam horas sobre o sol, e porte igualmente atlético, além daqueles inebriantes olhos, os quais eu estava pensando seriamente em desenhar, um roobie particular meu, o qual eu mantenho em segredo por causar certo constrangimento nas pessoas (eu as observo muito mais tempo do que a educação propunha) e que por conta disso me fizeram perder o senso de que ficar encarando é feio.
- Higurashi-sam?- Sango chamava Kagome já a algum tempo, mas ocupada como estava com sua "análise" não percebeu.
- Ha-hai!- Kagome respondeu finalmente, ainda um pouco distraída com o aluno novo.
- Daijoubu, Higurashi-sam? – Sango perguntou com um sorrisinho divertido nos lábios. - Parece um pouco vermelha...
- Ah, não é isso Sango-chan, é que está um pouco quente na sala. – Kagome respondeu dando uma risadinha constrangida. Havia sido pega!
- Entendo – respondeu com um tom de quem fingia que acreditava. Quer dizer, esta certo que o garoto é bonito e tudo mais, mas não era essa a minha intenção, eu juro! Meu interesse é meramente artístico! Não tem nada a ver com a forma a qual ele me encara como se estivesse me medindo! – Se estiver mesmo tudo bem, eu queria falar com você sobre esse garoto...
- Silencio na classe! – Ressoou a retumbante voz do nosso novo professor de matemática. Eu não o conhecia pessoalmente, mas já havia ouvido falar (com direito a arrepios e tudo) de sua imponente pessoa.
- Depois a gente conversa, Higurashi – Sama... - Sussurrou Sango com o que eu acredito ser bastante receio, pra não dizer pavor da figura que escrevia seu nome no quadro com agilidade e rapidez. Acenei em afirmação e rapidamente dirigi toda a atenção possível ao homem que, se estivesse um pouco mais perto, tenho certeza que me faria uma não muito agradável, mas com certeza enorme, sombra.
- Atashimo Takagui Hiroíto, e serei seu professor de matemática e álgebra. – Acho que nesse momento o silencio na sala indicava que os segundos horários de segunda feira, diferente da primeira aula com a doce e divertida Aoki Yoko – Sensei,, seriam bem torturantes para quem não fosse realmente fã da matéria, teoria que logo me foi confirmada pela imensa quantidade de suspiros quase imperceptível liberados pela sala. E se não fosse "sofrimento" o suficiente, ainda nos foi informado de teríamos dois tempos duas vezes na semana, não que eu realmente me preocupasse com matemática, mas era realmente mais difícil aprender com toda aquela... Tensão.
Por incrível que possa parecer o dia passou realmente rápido, e quando dei por mim, estava caminhando ao lado de Sango em direção à escola de Kohako, seu irmão mais novo, o qual falava com muito carinho, e que ela participaria da reunião de pais. Na hora eu me perguntei o porquê que ela é que deveria ir à reunião, mas temi ser indelicada e simplesmente me calei.
Enquanto eu esperava a reunião acabar (por teimosia minha, por que Sango insistiu de que iria demorar um pouco e que eu deveria ir para casa), eu conversava com o adorável irmãozinho dela, um rapazinho de seus dez anos de um bonito, mas comprido (Sango disse que ele ultimamente se recusava a cortar) cabelo castanho, além de grandes olhos brilhantes, que se mostrou muito alegre e disposto a conversar.
- Kohako. – O chamei, um pouco insegura sobre o que iria perguntar. – Sei que não é da minha conta, mas porque seus pais não podem vir no conselho de classe?
- Bem Kagome-Sama, eu até gostaria, mas eles morreram em um acidente de avião, á cinco anos – Falou com um sorriso triste.
- Me-me desculpe, eu não sabia, eu...
- Não se preocupe com isso! – Falou o novamente radiante garotinho com um grande sorriso nos lábios. – Mamãe me pediu antes de viajar, para cuidar da Onee-Sam e é isso que estou fazendo! Mas às vezes dá muito trabalho, porque a Onee-Sam é muito teimosa... – Completou reflexivo. Não pude evitar uma risada, mas ainda tinha um bolo preso na minha garganta. Como um garotinho tão novo podia ser tão forte?
Antes que eu me debulhasse em lágrimas (não sou exagerada, sou... Sensível), Sango voltou, interrompendo nossa conversa enquanto pediu a Kohako ir na frente, pois o mesmo ainda tinha aula de montaria e já estava atrasado.
- Sango-Cham, tudo bem mesmo ele ir sozinho? Perguntei preocupada.
- Claro! Ele é muito maduro pra idade dele. Vive com essa bobagem de cuidar de mim... Esse pirralho – Falou com um sorriso fraternal nos lábios. A história do "acidente" veio a minha mente novamente, mas achei melhor não me intrometer mais. Só eu sei como essas coisas doem.
Sem perceber, em um silencio que classifiquei como bastante confortável, havíamos parado na estação de metrô e estávamos ali por um tempo considerável.
