Estava começando a escurecer quando Marília resolveu voltar para casa "É isso então" pensou consigo mesma. Ela voltava de cabeça baixa, relembrando seus dias com John e segurando o presente.

-Não vai jantar querida? Havia acabado de chegar na pensão.

-Não estou com fome, Melany, vou pro meu quarto.

-Certo, querida.

Madame a olhou com tristeza, sabia que ela estava muito mal com a despedida de John. Mary subiu as escadas e trancou a porta do seu quarto. Estava com um ar muito triste:

-Muito bem, farei o que você mandou John...

Com isso abriu a gaveta da mesinha e retirou de lá três fotos.

Eram seus bens mais preciosos. Uma das fotos era de seus pais juntos, a segurando nos braços quando bebê, era a única imagem que possuía de sua mãe. A outra era uma foto de seu pai e sua tia, que ela mesma tirará, cortando o topo de suas cabeças, mais o rosto estava intacto. A terceira imagem era ela e Johnny quando crianças. Uma boa lembrança.

As lagrimas recomeçaram a cair pela sua face. Por que ela tinha de ter uma vida tão difícil? Secou as lágrimas e recomeçou a tarefa de guardar seus bens.

Dentro da caixa ela também colocou sua munhequeira (ninguém sabia que ela possuía, era de seu pai) anéis e pulseiras, algumas eram de sua mãe, outras de sua tia, outras ela ganhara ou comprara.

Se dirigiu a escrivaninha e pegou uns papéis, eram as cartas de Johnny, que também foram para dentro da caixa. "Engraçado como as coisas de valor não são ouro e prata, e sim, lembranças" pensou consigo mesma.

"Será que a caixa entra...?" Marília estava usando um vestido com um bolso falso. Que na realidade havia rasgado e ela o remendou com essa função. "Nossa, entra direitinho". Ela estava a meio desse pensamento quando ouviu uma explosão vindo da cidade, rapidamente se dirigiu à janela aberta e viu, não poderia ser!Mais era! Um navio pirata estava atacando Turniffe, como a 5 anos atrás! BUM Outro tiro, Marília pensou rápido, saiu do quarto e encontrou M. Darion na escada:

-O que está acontecendo?

-É um ataque Madame!Piratas!

-Piratas? Falou com um terror na voz.

-Isso, pegue o que lhe é de valor e corra pro forte!É o único lugar mais seguro!

-Antes avisarei os hóspedes!Mais vá, Mary, corra!

Marília deu um forte abraço em Melody Darion:

-Nós nos encontraremos de novo minha querida, agora corra!

Não precisou ouvir novamente, ela desceu as escadas e escancarou a porta, fechou-a em seguida e saiu para a escuridão da noite.

Era tudo como seu sonho, que estranho! Fogo, gritos, pessoas correndo desesperadas, Marília fora empurrada umas três vezes e por duas caiu no chão. Estava suja e seu ombro sangrava, mais não podia parar, ela já podia ver o forte ao lado do ancoradouro, a única passagem seria correr por ele, e rezar para que nenhum pirata a pegasse. Ela já estava na metade do caminho quando sente sendo puxada para trás, se desequilibrando, caiu no chão, olhou para cima e viu um pirata a encara-la:

-Ora, ora...Vejamos o que temos aqui.

Marília se levantou e tentou fugir, mais sentiu que ele a segurava fortemente pelo braço:

-Aonde pensa que vai?Pra que a pressa?Vamos, eu vou te levar para o capitão!

Ela foi forçada a entrar em um bote e a embarcar no navio pirata.

Quando terminou de subir as escadas, o homem ainda a segurava fortemente pelo braço e chamou seu superior.

-Tenho algo para o senhor!

Ele era um homem alto, com um chapéu e uma bandana vermelha, cheia de coisas penduradas, mais o que chamava maior atenção eram os olhos, negros e penetrantes. Marília estava muito fraca, não comera nada, se machucara e ainda fora raptada, ainda conseguiu ouvir o capitão dizer:

-Por que a trouxe?

-Um divertimento, capitão.

-Não estamos fazendo reféns, fique aqui e não permita que nenhum homem traga mais alguém para este navio!

-Sim, senhor!

Marília olhou novamente para aqueles olhos escuros, e foi a última coisa que vira, antes da escuridão.

Ela desmaiara.

O Capitão a pegou nos braços e a levou para sua cabine. Depositou-a cuidadosamente sob sua cama e ficou a olha-la.

-Realmente um divertimento viria a ser útil...Afinal, há tanto tempo uma mulher diferente não sobe a bordo do navio.

Ele puxou uma cadeira e se sentou, ficou ali por duas horas, o navio já havia abandonado a cidade a muito quando ela começou a dar sinais de vida.

Marília tinha imagens em sua mente, de tudo que acontecera, acordou assustada, fechou os olhos e disse para si mesma:

-Outro sonho, não há por que se preocupar.

-Creio que não foi sonho, querida.

Ela olhou assustada para a direção da voz e encontrou sentado o mesmo homem de seus sonhos...

-Quem é você? -olhou ao redor- e onde estou?

-Meu nome é Jack Sparrow, Capitão –deu ênfase- Jack Sparrow, e você se encontra a bordo do meu navio Pérola Negra.

Sparrow, Pérola...Já ouvira esses nomes antes, veio a sua lembrança historias do espantoso capitão Sparrow e seus feitos. Ela estava a bordo de um navio pirata!

-O QUÊ?

Marília se levantou tão rapidamente que sentiu uma tontura, colocou a mão na testa e voltou a se deitar.

-Descanse, você me parece muito fraca...

Ele se levantou e saiu da cabine, fechando a porta.

Sua vontade era sair dali o mais rápido possível, mais o cansaço foi maior, e Marília fechou os olhos e dormiu profundamente.

Quando acordou o sol já entrava forte pela janela de vidro no aposento. Ela se virou e deu de cara com uma bandeja de comida deixada sobre a mesa. Um pouco cambaleante, foi até a mesa e começou a devorar a comida, estava faminta! E se a comida estiver envenenada? Soltou rapidamente a maça que comia, bem, estou com tanta fome, e antes morrer a servir aos caprichos desses piratas! Em 15 minutos já havia comido tudo, voltou para a cama e se sentou, no momento em que a porta era aberta e Sparrow entrou por ela.

-Vejo que já se alimentou, bom...

-O que você quer? O que fizeram comigo? -disse aflita.

-Nada, ninguém fez nada a você, e eu só quero conversar...Por enquanto.

-Por que me trouxeram? -falou, tentando manter uma conversa longa.

-Um dos meus tripulantes achou que você seria bem vinda aqui, e não se enganou...

-EU PREFIRO MORRER A TER QUE SERVIR AOS CAPRICHOS DE MALDITOS PIRATAS!

-Calma, calma, querida! Não precisa se exaltar.Pode se sentir segura aqui, ninguém fará nada a você, palavra de pirata!

-Como posso acreditar na sua palavra?

-Querida, eu sou um homem de palavra.

-É um pirata...

-Posso saber por que tanto ódio de piratas? Já a ameaçamos alguma vez?

-Não -respondeu abaixando a cabeça.

-Então, qual o problema?

Ainda de cabeça baixa respondeu:

-Vocês são a escória da sociedade, ou acha que a população não os odeia?Além do mais...Não lhe devo satisfação.

-Ah, então aconteceu algo. E muito se engana, você me deve satisfações enquanto está em meu navio. E eu seria mais agradecida, se não fosse por mim, nunca se sabe o que lhe poderia ter acontecido gracinha. Agora me diga, qual seu nome?

-...Marília Beckey.

-Hum, estamos melhorando, quantos anos você tem, Marília?

-16

-16?Curioso...Bem, já estamos no meio da tarde, você está no meu gabinete, na minha cama...

-O que você está querendo com isso?

Falou rispidamente. Jack abriu um sorriso e disse:

-Estou querendo dormir, pois desde ontem não o consegui fazê-lo, já que você estava aqui. Então se me dá licença...Vá passear pelo navio, mais cuidado, fique perto de Gibbs ou Anna Maria.

Marília saiu da cabine e seguiu por um corredor, passando por várias portas fechadas em que se ouvia vozes, ela não sentiu nenhuma vontade de abri-las e ver que estava lá. Quando chegou ao fim do corredor, subiu uma escada e viu-se na proa de um navio, cercada de água por todas as partes.

-Hei, garota!

Ela se virou na direção chamada e viu um homem gordo, careca, com uma barba rala no leme. Ele parecia gentil

-Você é Gibbs? -achou melhor perguntar

-Sou sim. Ela se dirigiu para perto dele.

-E não é bom você ficar zanzando por aí, hunf! Uma mulher já é má sorte, duas então!

-Pelo que eu saiba nunca tivemos problema!

Viraram-se e viram uma mulher de pele negra, cabelos e olhos pretos:

-Anna Maria, imagino -perguntou sorrindo, ainda bem que havia outra mulher ali!

-Isso mesmo, você quem é? -ela não mudou sua feição.

-Marília Beckey, ahn...fui...

-Eu sei, raptada -ela a observou- mais jovem do que imaginei, quantos anos você tem? 17,18?

-16

-Ah...Presumo que o capitão esteja variando.

-Ele não está variando nada! -faleu um pouco irritada, que mulher prepotente! De resposta ela só levantou as sobrancelhas:

-Espirituosa você não?Acho que o Jack gosta de mulheres com opinião...

-Se ele gosta ou não, não sei e realmente não me interessa!

-Certo, então...Gibbs, onde o Jack está?

-Dormindo...Ele não o faz a tempos.

-Então vou cuidar do almoço, com licença, srta. Beckey.

Ela deu as costas e foi embora.

-Não ligue pra Anna Maria, ela é um pouco cética...

-Um pouco?

-Hehe, mais garota, não é seguro você ficar passeando por aí, mesmo com a ordem de Jack não é bom desafiar o inimigo!

-Ordem?Inimigo?

-Sim, Jack não lhe contou?Ele proibiu os homens de chegarem perto de você, mais mesmo assim, é bom não lhes dar a chance, sim?

-Concordo, mais Jac...Digo, o capitão me pediu pra deixa-lo dormir.

-Então é isso que deve fazer.Aproveite que os homens estão recolhidos e passeie pelo navio, eu ficarei de olho.

-Obrigada, com licença...

Foi andando com passos lentos pelo convés olhando tudo, só parou quando chegou no final do navio, e ficou observando o pôr-do-sol. Era diferente visto a bordo de um navio, e Marília se sentiu confortada, mesmo estando à frente do desconhecido que seria sua vida a partir daquele momento.