De acordo com o episódio "Red Tide", o pai de Lisbon se suicidou – palavras dela. Mas como um escritor pode brincar, eu resolvi deixá-lo vivo, senão um dos temas da história não teria muito sentido. Portanto, esta é minha licença poética a The Mentalist.

Disclaimer: The Mentalist e suas personagens não me pertencem. Se fosse meu, não ia prestar. Eu ia acabar com Red John no segundo capitulo e nunca mais ninguém ia assistir.

"RED SECRETS"

By Ligya Ford-Northman

CAPITULO 1 – Pressionando Lisbon

Dois meses depois...

- O que está havendo com a chefe?

Jane, esticado no sofá, girou a cabeça ao ouvir a pergunta de Cho para Van Pelt. Aquela pergunta subitamente tinha lhe intrigado.

Já havia passado da hora do almoço e o dia estava se arrastando sem casos para eles trabalharem. A equipe estava apenas lidando com a burocracia usual de outros casos.

- Por que pergunta? Tem algo errado com ela? – a ruiva perguntou a ele. Jane apenas assistia como se fosse um jogo de tênis.

- Ela está... esquisita. Mal saiu do escritório. Parece que tá evitando todo mundo.

- Pra mim, não parece.

- TPM? – se intrometeu Risby, rindo. Van Pelt lhe deu um olhar feroz, e ele fechou a cara, voltando o rosto para o computador.

Lisbon saiu da sua sala fazendo barulho e percebeu que os quatro a encaram curiosos.

- O quê? – perguntou com fúria. Sem esperar resposta nenhuma, apanhou um arquivo em cima de uma mesa próxima e voltou à sala batendo a porta.

Jane percebeu que sim, tinha algo de errado com a chefe.

- Você acha que aconteceu alguma coisa? – perguntou Van Pelt. Cho e Rigsby levantaram os ombros, devolvendo uma expressão de confusão.

- Jane? – Cho se virou para ele. – Vai lá ver o que houve.

- Por que eu? – perguntou querendo parecer inocente.

- Por que? – Cho repetiu, rindo, e trocou olhares com Van Pelt e Rigsby. – Porque todos nós sabemos que você é o único que consegue fazer perguntas sem ser demitido.

- E que ela não consegue ficar brava com você por mais que cinco minutos. – adicionou Van Pelt.

- Não é verdade. – ele se defendeu. – Lisbon é assim com todo mundo.

- Não é não. – Van Pelt balançou a cabeça pra ele, com um sorriso malicioso no rosto.

Jane não era cego. Sabia que Lisbon tinha um certo xodó por ele. Que o admirava, respeitava e, acima de tudo, lhe fazia todas as vontades. Só que aquela insinuação de Van Pelt – e de todos – havia lhe deixado intrigado. Será que Lisbon sentia mais que carinho e... amizade por ele?

Será que tudo era uma demonstração de que aquele xodó era um interesse romântico nele?

De repente, sentiu seu coração acelerar, como se tivesse feito uma descoberta incrível. Todas as brincadeiras que fazia com ela... todas as coisas que dizia... Ela sempre ficava corada e sorria de volta totalmente sem graça.

Agora sentia como o maior idiota do mundo. Como não tinha percebido? Como não tinha visto que ela o tratava diferente de todos?

Sim, já tinha reparado em Lisbon antes. Era linda, inteligente, doce, e sensível. Mas nunca tinha pensado numa possibilidade romântica nisso. Ela era sua chefe e sua amiga, acima de tudo.

Ele batia na tecla de honestidade, falar a verdade, com todos. Por que ela nunca havia dito...?

Claro. Ela nunca diria. Ele é um homem machucado pelo passado. Alguém que busca vingança. Busca seu destino na morte de alguém.

Era isso que ela pensava. Que ele não estava pronto. Que talvez nunca fosse estar. Mas gostava dele mesmo assim.

- Jane?

- Hein? – se virou para quem o chamava.

- Você vai lá? – perguntou Cho.

Estava confuso, nervoso. Será que era sério aquilo?

- Vou. Vou sim. – decidiu. Precisava olhar nos olhos dela. O olhar dela diria a verdade.

Ele entrou na sala sem bater, usando seu melhor ar de confiança e de indiferença à sua descoberta.

- Oi. Ocupada?

- Se eu disser que sim, não vai adiantar nada. – respondeu sem olhar pra ele.

- O que há com você? – ele se sentou a sua frente.

- Nada. – ainda sem encará-lo.

- Lisbon, não sei se você tem noção disso, mas... você não pode, nem consegue mentir pra mim. Se não quer me contar, tudo bem. Mas me dizer, que não há nada, isso não engulo.

- Ótimo. Não quero te contar. – soltou, ainda com os olhos nos papéis a sua frente.

- É a sua família? – ele tentou, e ela levantou os olhos verdes brilhantes para ele.

- Jane, eu não sou um caso. Não preciso da sua análise. – e voltou os olhos para os arquivos.

- Eles estão cobrando uma visita.

- Vá embora, Jane.

- Seu irmão está pedindo alguma coisa? Você vai ser obrigada a viajar no feriado para vê-los, certo?

- Oh Deus... – ela levantou a cabeça, sorrindo. – Jane, se eu te pedir uma coisa, você faz por mim?

- Qualquer coisa. – ele sorriu, e Lisbon viu seus olhos azuis brilharem.

- Qualquer coisa?

- Claro.

- Vá para o sofá dormir!

Seu sorriso eterno sumiu. Sempre dava aquele sorriso para deixá-la irritada.

Mas aquilo era uma fúria que ele pouco conhecia. Seja lá o que estivesse acontecendo na família dela, era algo que ela não sabia lidar muito bem.

Estranhamente aquilo lhe assustou. Lisbon parecia estar num descontrole que não era típico dela.

- O que está acontecendo, Theresa?

- Não me chame de Theresa.

- Você está me assustando. O que está acontecendo? – disse numa voz calma e séria. Lisbon conseguiu perceber a preocupação nos seus olhos azuis.

- É uma idiotice que me tira do sério, Jane. Só isso. – tentou dizer, mas sem explicar. Jane não precisava saber dos detalhes. – Eu tenho que sim viajar, para um casamento.

Ele arqueou as sobrancelhas.

- Você está furiosa por causa de um casamento? – ele perguntava, com a testa estreitada numa expressão de confusão e profunda graça.

Ah não! Teria que explicar os detalhes.

- O casamento seria suportável se não tivesse dezenas de parentes nele.

Jane sorriu, achando tudo muito divertido.

- Todos eles perguntando sobre namorados, planos de casamentos e filhos. – ele constatou.

Ela corou violentamente, e ficou muda. Jane sorriu. Essa é a Lisbon que eu conheço.

- Não entendo porque tenho que fazer parte desse pacote lindo e feliz que eles esperam de mim. – soltou ela.

- Só querem o seu bem.

- Eu sei, mas não importa. Eu não vou.

- Por que não?

- Porque prefiro mandar o presente, e evitar a humilhação.

- Eles querem a sua presença, Lisbon.

- Minha presença não vai importar tanto assim. É só eu colocar os pés em Londres, que minha madrasta, Chris e minhas tias e primas começaram a contar os minutos do meu relógio biológico.

Jane gargalhou.

- Não tem graça. – ela devolveu séria. – Não tenho que provar nada pra ninguém. Só não quero ouvir mais nada. Não quero ouvir todos perguntando sobre meu inexistente namorado e sobre uma futura família que não vai existir.

- Como eu te convenço a ir?

- Não vai conseguir. Eu não vou de qualquer maneira.

Jane arqueou as sobrancelhas e sorriu. Tinha tido mais uma idéia.

- Nem se eu for com você?

- Pra Londres? Pra quê?

- Pra sua família achar que você tem um... namorado. – e o sorriso se alargou até suas orelhas.

Lisbon não pode evitar corar. Sentiu seu coração acelerar, e o calor subir até seus cabelos.

- Você enlouqueceu de vez. – ela disse, apesar de só a idéia lhe ter deixado suspirando.

- Por que não? Você sabe que consigo interpretar sem problemas. Vai ser como se estivéssemos num caso disfarçados.

- Jane...

- Eu nunca fui a Londres.

- Não, Jane.

- Por quê? – o entusiasmo sumiu. Ele parecia uma criança sem entender a mãe.

- Eu não vou alimentar a fantasia da minha família, Jane.

- Lisbon, se você levar alguém, eles irão parar de perguntar. Se o assunto voltar depois, você pode dizer que levou, ao menos uma vez, um namorado lá.

- Eles têm que parar de perguntar de qualquer maneira.

- Talvez, mas uma tentativa não fará mal. Vai ser divertido.

- Eu não sei interpretar.

- Você não precisa. – ele disse, a encarando. Aquele era o momento. O momento que precisava saber. - Só precisa fingir que me ama.

Lisbon corou e engoliu seco. Baixou a cabeça, tentando esconder a emoção.

Jane achou que tinha sido atingido com força na cabeça.

Era verdade. Era a mais pura verdade. Ela gostava dele. Gostava dele sem exigir algo em troca. Como podia ter sido tão cego?

O que faria agora? Queria vê-la feliz. Como amigos querem um ao outro. Amigos? Amizade era tudo que podia oferecer a ela?

- Só pense nisso.

- Obrigada pela oferta, mas não vou precisar.

- Okay. – ele disse, e levantou-se. Próximo a porta, ainda tendo o coração mais rápido que o normal, voltou-se. – A oferta ainda está de pé.

E sorriu, antes de sair.

Ela continuou olhando para o mesmo ponto. Agora apenas vendo a porta. Aquele era o sorriso que lhe fez gostar dele. Se apaixonar por ele.

Suspirou, pensando na oferta.

Passar um fim de semana inteiro fingindo ser namorada de Jane? Impossível. Jane adorava atormentar ela. Ele faz e com certeza o fará de propósito. Deixá-la corada era pouco quando se tinha uma audiência como a família dela.

Aquilo só ia doer mais.

XxTO BE CONTINUED...Xx

N/A: E ai? Vocês acham que Lisbon vai topar? Hhuaahahahahuahu. Meio óbvia a resposta disso.

Meus agradecimentos a Madam Spooky (Pois é, eu leio tudo o que é fic Jisbon em inglês e me atrevi a fazer uma tentativa. Espero que esteja curtindo. Valeu!) e Gina Molly Potter (Pois é, pensei bastante, e resolvi postar. Pois, mandei uma mp dizendo, mas vale repetir: sim, roubei a idéia de um filme com a ruiva do Will&Grace. É esse? No filme, ela paga um prostituto para se passar de namorado. Mas na minha fic, Jane vai se oferecer. Não sei se Jane teria ciúmes. Você acha que sim?)

Agradecimentos a V (ou Dri, ou só Swan) pela força e por gostar da historia. Para ela é uma original story, ela não assiste The Mentalist. Isso é o que eu chamo de fã. E agradecimentos a Lis – não só por ser minha fã numero 1, minha amiga do coração, mas por ser quem é. Te amo muito. To morrendo de saudade. Eu vejo nossos fotos na sua casa e eu choro.