Título: Minha Justiça
Autor: Namorado da Toynako
Anime: Katekyo Hitman REBORN!
Casal: Primo Cavallone x Alaudi
Classificação: 18+
Gênero: Yaoi/Lemon
Direitos Autorais: Nada me pertence. Personagens extraídos da série Katekyo Hitman Reborn!.

OBS: Os nomes dos personagens foram inspirados aos de celebridades italianas. Nessa fanfic, Primo Cavallone tem o nome de Dominic Risi. Baseado nos períodos de 1890.

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Minha Justiça


Embriagado? Os dentes de Dominic cerraram em um tinintar característicos. Que audácia de um mero inspetor de polícia fazer tamanha afronta contra si. Por alguns segundos Dominic cogitou a possibilidade de responder-lhe de forma rude, fazendo alguma referência sobre a prole que gerara-o, mas logo sua linha de raciocínio foi interrompida por um toque gentil em sua mão.

- Dominic, querido, retornarei para casa. Octavia não sente-se bem - falou uma mulher que aproximou-se com absoluta discrição e delicadeza do moreno.

Por alguns segundos os olhos de Alaudi foram atraídos por aquele suave ser que se projetava a sua frente. Pele pálida, bochechas rosadas e cabelos longos dourados com olhos acinzentados limpos e claros. Os lábios bem desenhados ganharam um sorriso quando o olhar focou-se no inspetor de polícia, aos poucos afrouxando o toque que tinha com o Cavallone para focar-se no outro.

- Que maravilhoso - a voz dela soou com adoração.

Os finos e frágeis dedos tocaram as bochechas de Alaudi e a distância entre ambos tornou-se mínima. As ações exageradas e doces da rapariga conseguiram causar uma sensação de cócegas e desconforto no estômago do louro. Não era a primeira vez que assistia uma mulher de tamanha beleza, mas era a primeira vez que estabelecia tal intimidade com uma.

- Fios cor de palha, olhos opacos azuis, postura curvada, pele pigmentada pelo sol - ela começava a descrever as características de Alaudi, passeando os dedos pelo rosto dele em profunda admiração.

- O que..? - O policial tocou nas mãos dela, procurando afastá-la de si.

Quem era ela? E ela buscava ofendê-lo? Era alguma característica dos membros da sociedade? Primeiro Dominic Risi que julgava seus olhos, agora vinha uma mulher fazer uma avaliação completa sobre sua aparência? Ao menos Giotto tinha possuído o mínimo de educação para não fazer comentários impertinentes de tal gênero.

- Lo-louise - Dominic gaguejou, colocando as mãos no ombro da mulher para afastá-la do outro. - No que está pensando? - Questionou, quase repreendendo-a.

Os olhos acinzentados estabeleceram contato com os dourados e um sorriso amplo tomou os lábios da mulher. De forma contagiante, Risi sorriu da mesma forma e até mesmo Alaudi sentiu-se tentado a fazê-lo. As formas acobertadas pelo tafetá rosa eram a personificação da inocência, não era? Eram pessoas assim que mereciam o título de "amáveis".

- Perdoe-me - desculpou-se a dama, aproveitando para segurar a ponta do vestido e fazer uma reverência de apresentação. - Chamo-me Louise Risi, prazer em conhecê-lo.

- Prazer - disse Alaudi, sentindo o desconforto sentido antes acentuar-se. - Sou o inspetor de polícia do distrito central, pode chamar-me de Alaudi, senhorita Risi.

Risi, não era? Deveria ser parente de Dominic. Irmã? Ou prima? Estavam longe de ter aparência semelhante e a garota em questão, não parecia ter idade superior aos dezenove anos, além de usar um vestido chamativo como o de uma debutante. Talvez meio irmãos?

- Essa é minha esposa, Louise - falou Dominic com visível desconforto, como se não soubesse como lidar com tal situação.

Não era da personalidade de Dominic apresentá-la as pessoas por quem não possuía o mínimo de apresso, mas o caso ali era diferente, não é? Louise havia quase que se lançado nos braços de Alaudi, seria no mínimo estranho se não tivessem um diálogo após o ocorrido.

- Você não disse que iria embora? - O moreno continuou dialogando, estabelecendo uma conversa paralela com sua mulher.

- Sim, Octavia está com enxaqueca - concordou-a com preocupação.

Por alguns segundos Alaudi ficou ali, contemplando aquele diálogo, até perceber que era inadequado ouvir a conversa de outros. Ao menos aquele mero encontro permitiu que Alaudi avaliasse melhor a personalidade de Risi, que tinha um comportamento um tanto desprevenido quando acompanhado pela esposa.

Tal situação também comprovou que não adaptava-se a sociedade burguesa, pois não entendia como uma mulher tão ingênua poderia afiliar-se à homem tão odiável, que tinha um histórico longo de infrações e uma conduta extremamente pervertida. Os passos de Alaudi guiaram-o para o outro lado do salão, imaginando se deveria retirar-se do local ou buscar apresentar-se sozinho a algumas pessoas de nome relevante.

Avistou uma sacada vazia, indo até essa em busca de ar fresco. O cheiro de terra e grama acompanhados do aroma noturno era desintoxicante, livrando os seus pulmões dos mais variados perfumes, vinhos e doces servidos no salão ao lado. O tom de voz, as intimidades e os olhares lhe eram torturantes, deixando-o capaz de reagir ou compreender as mentes superficiais.

Era patético, mas agora entendia um pouco do porque os empregados da cozinha nunca participavam das festas. Mesmo que eles soubessem como se portar, jamais se enquadrariam e encontrariam algum prazer nesse ambiente.

Um rapaz com roupas de gala semelhante a do exercito britânico surgiu na sacada não muito depois, portando um sorriso suave como se estivesse desculpando-se pela invasão. Percebeu o louro sozinho, imaginando que talvez não fizesse mal ficar ali - não seria necessário que estabelecessem algum diálogo se não fosse da vontade do outro.

- Importa-se? - Indagou, tirando de dentro das vestes um fumo envolvido em palha e mostrando ao outro.

- De modo algum - respondeu Alaudi, voltando o olhar o jardim para não incomodar o recém chegado.

O homem, com os cabelos de um tom quase azulado, presos no alto da cabeça, encostou-se no parapeito, tirando o fósforo e acendendo o próprio cigarro com seus finos e pálidos dedos. Por alguns segundos cada um focou-se nas suas próprias atividades - tragar e observar o jardim -, mas logo o homem mostrou-se mais curioso e pensativo sobre o louro.

- Você é o policial, não é? - Perguntou, buscando confirmação.

- Sim, Alaudi é o meu nome - concordou, tirando os olhos no jardim e focando-se no outro.

- Sou Daemon Spade, Giotto falou-me ao seu respeito - comentou, aproximando-se para cumprimentá-lo adequadamente.

- Prazer - Alaudi aceitou o cumprimento.

Não havia como esconder o estranhamento sentido ao saber que Giotto havia buscado informações ao seu respeito e passado essa para outros. Havia mesmo interessado-o em algo? Se fosse pela ideia da polícia que ele queria formar, não seria melhor ser mais insistente ao fazê-lo?

- Se me permite perguntar, que tipo de pessoa é o Giotto? Só conheço-o como uma figura pública - aproveitou para questionar, ao menos desejava sair dali com algumas informações relevantes.

- Imagino que você não deve saber muito, certo? - Um sorriso nasceu nos lábios do outro, voltando a tragar seu fumo e logo decidindo falar-lhe um pouco de seu chefe. - Giotto Mazzoni, mais conhecido como Vongola. Ele é tudo o que as pessoas pensam, um homem rico e que busca formas de ajudar os outros e ser útil para a sociedade. Honesto, justo, ambicioso e de boa índole.. É exatamente o que dizem dele.

- Parece haver sarcasmo em sua voz - comentou Alaudi de forma baixa e atenta. Aquele homem era amigo de Giotto, não é? Não deveria mostrar o mínimo de respeito por esse? Estavam na casa deste.

- Nufufufu - riu de forma atípica, dando os ombros como se tivesse sido pego. - Giotto é um sonhador, muitas vezes irritante. Tem sentimentos altruístas que tornam-o quase incômodo. Quando deseja algo, não aceita nada como substituto, mas não faz absolutamente nada para obter o foco do seu desejo. Às vezes sinto-me tentado a interferir e utilizar a força para satisfazê-lo de uma vez por todas - seu comentário soou forte, olhando para Alaudi quase como se o incriminasse de algo.

- Uhm.. - Decidiu não fazer comentários, talvez não tivesse feito a pergunta a pessoa mais adequada. - Foi um prazer conhecê-lo, Daemon, quem sabe nos encontremos em outra oportunidade - falou, dando um breve aceno para afastar-se.

- Nós com certeza iremos - retrucou, deixando o outro ir. Seria questão de tempo para que esse afiliasse a família, já tinha tudo planejado.

Se Alaudi fosse mesmo tão talentoso quanto Giotto dizia, ele seria um elemento indispensável para os Vongola. Ainda mais com o surgimento de outras pessoas influentes querendo montar as próprias famílias e estabelecer seus sistemas de ordem. Não permitiria que ninguém fizesse uma família mais influente que os Vongola e para conseguir isso precisava do máximo de auxílio possível.

O inspetor policial buscou seu chefe com o olhar, logo localizando-o e ficando algum tempo a dialogar com esse. Pouco após as nove da noite, notou-se sozinho no salão e percebeu que era a hora perfeita para deixar a festa. Não despediu-se de ninguém, caminhando apenas para a saída da mansão e encolhendo-se ao sentir o frio da noite.

As poucas pessoas que partiam da festa seguiam com suas carruagens particulares, mas Alaudi nunca foi uma pessoa que incomodou-se de andar, dando passos firmes a rua de paralelepípedos. Por alguns segundos os lampiões trabalhados que iluminavam as ruas tomaram suas atenções, mas só quando notou que o trajeto diante de si estava deserto que foi tomado pelo incomodo desconforto dos passos vindos atrás de si.

Os olhos turquesa se estreitaram e seus passos diminuiram o ritmo, buscando fitar discretamente aquele que parecia segui-lo. Ficou imóvel quando notou a ausência de fôlego do seu perseguidor e as gotas de suor que desciam por sua testa. O ritmo dos passos dele se intensificou quando parou, percebendo os olhos âmbar cintilarem em satisfação.

- Finalmente.. alcancei-o! - Falou, levando as mãos ao joelho e encolhendo-se enquanto buscava capturar o ar para seus pulmões.

- Algum problema, Dominic Risi? - Indagou Alaudi, sem compreender quais as intenções daquela perseguição tão determinada ou de como um homem daquele tamanho ficava tão debilitado ao caminhar um trajeto tão curto.

- Louise.. Nós fomos criados juntos.. - Ergueu uma mão, como se pedisse um tempo para se recuperar. - Nós vivemos na mesma casa desde pequenos, nos casamos assim que ela fez quinze anos. Era o que nossas famílias queriam.

Uma das sobrancelhas de Alaudi arqueou-se, um tanto descrente que aquela situação pudesse estar ocorrendo. Só havia visto-o duas vezes e não tinham qualquer tipo de relacionamento para que lhe fossem devidas explicações. O que ele estava pensando ao vir correndo até si só para dizer-te uma coisa dessas?

- Aonde quer chegar..? - Perguntou sem nenhuma paciência. Mesmo que não tivesse nenhuma ligação com esse, já poderia dizer com confiança que os modos dele não lhe agradavam.

- Não é como se eu fosse perverso e traísse-a - explicou apreensivo, recuperando aos poucos a postura. Era o que ele havia pensado, não é? Que era algum homem sem escrúpulos que envolvia-se com qualquer um enquanto a inocente esposa ficava em casa, aguardando-o. - Sejamos amigos, Alaudi - pediu, estendendo-lhe a mão.

Deveria responder aquilo? Que proposta era essa de amizade? Não tinham qualquer afinidade ou assuntos a tratar, não havia porque ele fazê-lo. Além do mais, horas antes ele odiava-o como se tivesse alguma responsabilidade pela bebedeira desse, não era? Sendo que a prisão de Dominic foi totalmente correta e necessária.

- Você é idiota ou o que? - Deixou escapar, mesmo que soasse rude, era o que pensava. Ele parecia tão audacioso e seguro de si, agora agia como um homem patético que buscava explicar-se para não dar má impressão alheia.

- Dominic - o moreno puxou a mão de Alaudi, cumprimentando-a e sorrindo com amplitude. - Eu sou Dominic - riu, soltando a mão dele e passando as costas da própria na testa, como se buscasse limpar um pouco o suor no rosto. - Mas acho que você pensa que sou idiota, não é?

Toques sem consentimento, sorrisos e formas exageradas de se portar. Ele era igual a esposa? Fitou a própria mão, sentindo-a formigar pelo toque recente. Eram dois seres ingênuos então? Não, não havia ingenuidade em quem cometia delitos e tinha atitudes mundanas.

- Você saiu da festa sem se despedir, não é? - Indagou Dominic, voltando os olhos para a rua atrás de si. Nem Giotto soube dizer direito se Alaudi estava indo embora ou se ele só iria passear pelo jardim. - Não soaria bem se eu só conseguisse me explicar para você quando fosse preso de novo.

- Você não pensa em ser preso novamente, não é, Dominic? - Disse Alaudi com irritação. Ele não havia aprendido depois de passar a noite na cadeia? Não era certo que um homem com família e incluso na sociedade ficasse se embebedando em casas de prostituição.

- Oh.. - A atenção do Cavallone voltou-se ao outro e um sorriso largo tomou sua face. - Você chamou-me de Dominic, então somos amigos!

Surpresa foi o único sentimento presente em Alaudi naquele instante. Ele estava feliz por um ato estúpido como aquele? O que acontecia com ele? Cometia infrações por ser ingênuo? Ou talvez fosse só um daqueles casos de pessoas boas em locais errados nas horas erradas, só não entendia como ele podia estar sempre no local e na hora errada.

- Vá para casa e não pense coisas tolas - Alaudi virou as costas, seguindo andando pela rua.

Até onde ia a falta de noção do moreno? Um adulto portando-se daquela forma. Não era o tipo de pessoa que buscava criar e cultivar amizades, apenas dedicava-se ao seu trabalho e vivia de maneira simples, não era alguém que despertasse interesse em outras pessoas.

- Não quer sair para beber comigo? Conheço um local muito bom no quinto distrito, eles sempre me fazem desconto quando vou lá. É o único lugar da cidade que vende gim por quatro liras! - Convidou-o com ânimo, andando ao lado do louro enquanto buscava convencê-lo a vir consigo

O olhar de Alaudi estreitou-se. Por que aquele homem seguia-o? E era um policial, ele tinha noção que estava convidando um policial a visitar o quinto distrito? Só ia lá se fosse para prender aqueles que formavam casas de prostituição ilegais ou cometiam vandalismo. E quem pagava quatro liras por um gim? Nem o gim mais caro da cidade passaria de duas liras! As pessoas superfaturavam as bebidas para ele e esse nem notava?

Cogitou a possibilidade de prendê-lo ou ameaçá-lo para que esse ficasse longe de si, mas aquele sorriso constante que ele demonstrava o desarmou. Talvez toda aquela falta de noção semelhante a de sua esposa só deixasse-o mais amável também.

- Se quer beber alguma coisa, pode vir a minha casa - convidou-o.

Não era a favor de passar dos limites no álcool até que o comportamento fosse alterado, porém era uma opção mais segura e sensata do que o outro esgueirar-se para o primeiro canto que encontrasse. Sabia que agir assim seria como demonstrar preocupação por alguém que talvez não quisesse essa, mas seu convite não seria algo que se estenderia por mais de duas horas.

- Mesmo? Eu quero - aceitou sem pensar muito, mostrando ânimo com a hipótese.

A educação dizia que o correto era indagar se o convite não geraria incômodos e dar a chance do anfitrião repensar no mesmo, mas Dominic achou mais conveniente ignorá-la por hora e continuar a seguir o outro. Havia muitas coisas pelas quais Alaudi o interessava e não perderia a chance de aproximar-se desse.

Na casa de Alaudi, os diálogos seguiram entre uma e outra taça de vinho. Dominic mostrava interesse em absolutamente tudo o que o inspetor da polícia falava, como em suas investigações recentes e os métodos utilizados pela polícia para obter evidências contra os acusados.

- Mas digitais são mesmo únicas? Impossível que todas as pessoas do mundo tenham desenhos dos dedos diferentes! - Falava Dominic impressionado, tentando entender e debater tudo o que era dito.

- Acha tão incrível assim? Não vemos pessoas com os rostos iguais uns aos outros, exceto gêmeos, mas as digitais são mais confiáveis que rostos - comentou com um sorriso de satisfação. Não eram todos que se interessavam pelos detalhes do seu trabalho, normalmente seguiam querendo saber a solução dos casos.

- Sim! Significa que ninguém tem uma digital igual a minha no mundo, isso me faz único, não é? - Dominic logo escorregava da poltrona para o chão, buscando uma forma mais confortável de sentar-se e uma posição que permitisse olhar diretamente para o outro. - Se houvesse uma forma de organizar todas as digitais do mundo, poderiam se ter informações sobre qualquer pessoa - disse, já imaginando as inúmeras possibilidades que isso forneceria.

- Sim, mas reconhecer as digitais é algo trabalhoso.. A mente humana ainda não é capaz de catalogar e reconhecer todas sozinha - Alaudi também compartilhava esse pensamento e admiração sobre o futuro. Logo abandonou o sofá e foi para o chão também, acompanhando-o e prosseguindo com as explicações e histórias.

Quando o policial estava na sexta taça de vinho, sentado no tapete puído do chão, o pequeno desconforto que assombrava-o desde o início da bebedeira tornou-se mais visível. Os olhos azuis seguiram para a primeira garrafa de vinho vazia que rolava ao chão, com capacidade de preencher cinco copos, e logo para a segunda garrafa, na mesa de centro, que já havia sido consumida-a pela metade. Não era preciso ser um mestre na dedução para perceber que a si era o único a estar bebendo, pois o Cavallone à pouco acabara sua primeira taça.

O sorriso e as gesticulações daquele homem pareciam ser usados para disfarçar a ausência de goles quando o vidro da taça tocava-o os lábios. Os olhares que ele dava-lhe faziam parecer que ele tentava decifrar os maiores segredos de sua mente e, para o louro, isso começava a ser mais que um pensamento, mas sim uma possibilidade.

Não era como se não houvesse notado até então, mas Dominic Risi havia sido abençoado com uma aparência acima da média. Pessoas com tais qualidades desde cedo se acostumam com elogios e pessoas cercando-as, ganhando assim autoestima elevada e a capacidade de manipular a admiração dos demais a seu favor. Vendo-o rir de um comentário que havia feito, Alaudi decidiu beber o último gole de sua taça e buscar uma confirmação para seus profundos pensamentos. Essa chegou de forma instantânea, pois Dominic sequer esperou e logo preencheu a taça vazia de mais vinho.

- Chega - a voz de Alaudi saiu firme, atípica ao jeito agradável que antes conversava.

Com a taça colocada na mesa para evitar acidentes, os olhos turquesa fuzilaram o acompanhante e seus lábios curvaram-se para baixo para exibir a seriedade de seu próprio olhar. De início, Dominic manteve calmo, sem se acanhar pela atitude, mas aos poucos tornou-se apreensivo quando aquele breve momento pareceu se prolongar.

- Chega..? - Dominic falou, aguardando que Alaudi continuasse a sentença.

- O que está planejando, Dominic Risi? Acha que não notei? Está tentando embebedar-me enquanto finge beber - falou de forma direta.

Desde o início, Alaudi suspeitava da atenção recebida pelo outro e a forma que ele se portava consigo. Impossível que alguém como ele estivesse interessado em sua amizade e afeição, deveria haver alguma nova intenção. Interesse sobre a sua influência na polícia? Pouco provável, ele poderia cativar pessoas com cargos acima do seu. Talvez fosse algo envolvendo Giotto. Curiosidade pelo interesse repentino do Vongola em si?

- Isso.. - Não houve como responder o outro, uma vez que ele estava certo. Os olhos dourados fugiram do outro, buscando um ponto distante para se focarem. - Desculpe-me.

Um sorriso triunfante nasceu nos lábios do Alaudi. Ele havia assumido sua culpa? Sentia-se como se capturasse um criminoso e deixasse-o em saída. Naquela situação, prendê-lo seria um tanto irracional, mas poderia jogá-lo na rua ou no primeiro cochê que cruzasse sua casa. De todo modo, se pensou em acreditar e confiar nele, tal pensamento já era descartado de sua mente.

- O que planeja, Risi? - Indagou, sem perder o sorriso.

Era como se os papéis se invertessem, que o tão carismático e alegre Dominic fosse acuado para que Alaudi vivenciasse a alegria. O inspetor detestava ser enganado e usado pelos outros, por isso sempre que podia confrontar quem tentava, sentia-se preenchido por poder e confiança.

- É porque você odeia bêbados, não é? Eu perco o controle fácil, por isso, estando na sua casa, queria me controlar - assumiu de forma tímida, ainda sem encará-lo.

Alaudi compreenderia o que dizia? Não queria passar-lhe uma má impressão agora que via a possibilidade de serem amigos. Já haviam ocorrido tantas coisas que poderiam afastá-los, se mesmo assim havia conseguido se aproximar, não desejava perder essa oportunidade. As orbes cor de âmbar deslizaram seu foco pelo chão até encontrar uma das mãos do inspetor, percebendo seu punho fechado de forma tensa. Ele teria se abalado com o que dissera? Moveu sua mão até a dele, tocando-a e puxando-a sem força para si. Logo deslizou seus dedos pela palma da mão desse, fazendo com que ele parasse de fazer os próprios dedos castigarem-na por culpa das próprias dúvidas e hesitações.

Era como se diversos sentimentos tivessem sido picotados e misturados sem qualquer organização. Sentia raiva por não conseguir entender Dominic, assim como também havia alívio e felicidade por ter estado enganado. Seus julgamentos nunca eram incorretos, mas como ser infalível com alguém ingênuo e tolo? O toque da ponta dos dedos dele por sua mão era tão amável e carinhoso. Era como se tudo o que ele tentasse fosse dar-lhe conforto em uma forma de compensação por fazê-lo pensar coisas erradas dele. Não era como se ele houvesse provocado-o, a culpa era sua por julgá-lo sem conhecê-lo.

A mão do policial logo desvencilhou-se do toque recebido, direcionando-se rumo a face do outro e tocando-o, ganhando a atenção dos olhos cor mel para si. Um sorriso sereno aos poucos ganhou os lábios do Cavallone e seu rosto aninhou-se por um momento a mão que o tocava, buscando mais aquele sinal de afeto. Naquele momento, parecia que os gestos expressavam mais do que qualquer pedido de desculpas. Lentamente, Alaudi aproximou seu rosto do de Dominic, deixando as respirações chocarem-se por um momento antes de fechar seus lábios junto aos dele, em um beijo sutil e simples.

Era impossível romantizar tal momento, assim como impossível não fazê-lo. Dominic não reagiu ao aproximação, apenas ficou imóvel sentindo o beijo recebido e mostrando-se calmo. Alaudi mostrava através daquele beijo uma retomada de confiança nele, mas não havia formas de correspondê-lo com eficiência, exceto se, por palavras. Entretanto, uma vez que algo fosse dito, todo o momento iria se desfazer e tudo perderia qualquer sentido, seria como um amor iniciado e morto em poucos instantes.

Alaudi afastou-se logo após fazê-lo, mantendo a mão no rosto de Dominic por alguns poucos instantes antes de soltá-lo. Uma vez que o toque foi desfeito, as mãos do moreno capturaram as suas quase como em um pedido para que ele não fosse ou rompesse os pensamentos que haviam acabado de ser criados. Por mais que fosse o desejo do louro manter tal sentimento inalterado, ele sabia que não possuiria a gentileza e inocência de Dominic para que pudesse retomar o que havia desencadeado.

- Dominic, espero que você não interprete isso de forma errada - pediu Alaudi, dando um suspiro baixo e lento enquanto observava sua mão ainda presa pelas dele.

- Eu te desejo.. - A voz saiu fraca e sem sinais de força ou animação.

Um novo silêncio foi retomado, mas esse não tão agradável quanto o primeiro. Não havia surpresa por nenhuma das partes, não que antes existissem insinuações ou olhares, mas a forma que se aproximavam já havia ultrapassado qualquer barreira do bom senso e pudor. Não existia descontrole, ambos pensavam antes de agir e sabiam que independente do que acontecesse, decisões teriam de ser tomadas.

- Eu.. - Houve hesitação ao falar, deixando transparecer a insegurança. - Também o quero.


Notas finais do capítulo

Toy aqui:
Beeem, como ele disse na nota de inicio, atrasos são normais (até que escreveu mais rápido do que os meus projetos que estão em banho-maria a séculos~), por isso esperem um poucadinho a mais.
Sorte que ele parou o cap nessa parte, porque adoro fazer leitores ficarem curiosos pelo seguinte, kufufufu~
Seeeem mais delongas, comentem Òó9. Ajuda muito os escritores o/