Capitulo 1 Church
Minha vida nunca foi uma coisa extraordinária, da qual valesse à pena contar. Até porque eu nunca vivi La vida loca o suficiente para isso. Por alguma razão, sem sentido de minha mente, eu me sentia deslocada.
Moro com meus tios desde recém nascida. O que eu sei, minha mãe morreu após meu nascimento e meu pai nos abandonou logo a minha chegada. Talvez ele odiasse a idéia de ter filhos.
Não sei.
Minha tia nunca conversou sobre isso comigo, não que eu não quisesse, mas porque ela não fazia questão de ter uma conversa aberta familiar.
No ponto de vista de minha tia Elizabeth ela tinha pavor a qualquer criança ou adolescente. Ela não conseguia entender o do porque minha mãe ter engravidado.
Ela achava tudo aquilo tremendamente patético sobre essa adoração em as mulheres ter filhos. Que isso era uma fraqueza feminina.
Para ela, cuidar dessas pestes seria a pior coisa do mundo que poderia lhe acontecer. E eu fora uma dessa.
Eu sentia falta de um conforto familiar da qual eu nunca tive, e nunca poderei ter. Não aqui com eles.
Ás vezes em meus sonhos, eu tinha uma família a minha espera. Não conseguia enxergar seus rostos nitidamente, mas sabia que eram lindos.
Em meus sonhos muitas vezes estava em uma floresta, com flocos de neve caindo. Não sentia frio, até porque em sonho isso é impossível ou quase. Eu andava sobre aquele lugar, passando por campinas até chegar a uma casa. Lá eu os encontrava.
Sete pessoas. Sete rostos lindos, sorrindo pra mim.
Eu ia de encontro com todos eles, e eu estava feliz, por ter encontrado um lar, do qual valia à pena.
Fui de encontro aos meus dois favoritos, eu nem sei se eles existiam, mas eu os amava como se fizessem parte de mim, como se tivesse um laço em volta de nós, e que esse laço completava uma família.
O primeiro era um homem enorme, alto e corpulento, seus ombros eram largos e tinha os cabelos negros. A segunda pessoa já era uma mulher, estatura mediana e cabelos dourados.
Não sei como eu sabia que eles tinham os rostos lindos, se eu não os enxergava muito bem em meu sonho, mas a única coisa que eu podia ver eram seus olhos dourados que brilhavam como um ouro líquido puro.
Eu apenas os abraçava, e mesmo dizendo que em sonho é impossível sentir frio, eu conseguia senti-los. Todos eles eram duros e frios, mas eu me sentia segura, confortável e feliz.
Não sabia como descrever tal coisa.
Depois disso a cena se dissolvia ou eu acabava acordando.
É um sonho bem bizarro, devo dizer, mas ele vem acontecendo freqüentemente, logo depois que meus tios deram a noticia de que íamos nos mudar para outra cidade.
Fora meu sonho Freak, porém que eu amava. Teve um momento muito estranho da qual havia acontecido comigo que eu às vezes penso e quero esquecer.
Flash Back On
Havia saído mais cedo da escola e não estava a fim de encarar um dia monótono em casa e ver o estado lastimável que minha tia se encontrava e a ver falar o quanto eu era uma inútil, e que me odiava... Talvez meu tio estivesse sóbrio ou não, em qualquer caso preferia não me arriscar.
Passei em frente à igreja que se encontrava aberta e vazia. Estávamos no meio da semana e não havia missa naquele dia e naquele horário.
Não conseguia me entender, mas as igrejas eram um lugar do qual eu gostava muito de ir. Só. Era um lugar silencioso o bastante para a pessoa se sentir calma e relaxada.
Entrei me sentando na ultima fileira. Havia um homem e só me dei conta quando ouvi seus sussurros. Ele quase passava despercebido.
Parecia estar rezando com tanto fervor, ou era apenas coisa da minha cabeça. Notei que estava muito mal vestido... Seu cabelo grisalho bagunçado parecia que não era lavado há meses, usava um terno surrado e sujo, não queria saber quanto tempo que usava sem tirar uma única vez para lavar.
Seus sussurros haviam parado e ele se virou para atrás, seu olhar percorreu a igreja vazia e parou em mim, e por um leve momento senti como se seu olhar fosse familiar, conhecido talvez... Ele se levantou em uma grande velocidade, e começou a andar em minha direção, que até então, fui perceber quando seus passos se dirigiram ao lado oposto em que se encontrava.
Seu andar era gracioso por trás daquela má aparência, e a expressão parecia serena. Foi quando me dei conta que sua pele era extremamente pálida e os olhos eram fundos e de um tom vermelho rubi intenso.
E mesmo estando em um estado horrível, não pude deixar que passasse despercebida sua grande beleza.
Ele se aproximou de mim e sua boca fez um leve movimento, e disse sorrindo:
- Esperei por esse momento...
Flash Back Off
Podem me chamar de covarde, mas eu não fazia idéia quem ele era e apenas sai de lá às pressas, tropeçando em qualquer um que estivesse em meu caminho.
Eu senti um calafrio percorrer minha nuca. Os olhos vermelhos que poderiam ser uma brincadeira de mau gosto com lentes de contatos, mas que fez meu estomago dar as reviradas que ele costumava dar quando estava nervosa.
Fechei meu diário e o depositei na gaveta do criado mudo.
Ouvi um baque na porta.
- Apague essa luz, já é hora de ir dormir. Você não vai querer que o seu tio vá até aí.
Minha tia resmungava do outro lado da porta e seu tom era de ameaça, eu sabia exatamente o que aconteceria se ele passasse pela porta do quarto.
Apaguei a Luz para ir dormir.
No dia seguinte, tive que levantar mais cedo do que de costume.
Dia da mudança. Cidade nova, casa nova, pessoas novas...
Pessoas. Acho que sempre fui meio anti-social. Multidões, pessoas demais era algo que me deixava e que me fazia ficar deslocada naquela imensidão. Nesse planeta que chamamos de terra.
Talvez eu fosse estranha ou esquisita das outras pessoas, mas eu não me importava nunca me importei em ser diferente, preferia ser como sempre fui. Eu.
Olhei-me no espelho do retrovisor do carro e me vi refletida. Podia não ser a imagem mais feliz do mundo que ali se encontrava, mas era o que era.
Agora rumo a um lugar desconhecido e novo.
