Disclaimer: Avengers assim como seus personagens não me pertencem e sim aos seus determinados proprietários. O enredo e os personagens originais são de própria dessa autora. Não há nenhuma intenção de violação de direto autoral, apenas uma jovem fã da série querendo prestar sua homenagem aos personagens que aprendeu a amar.


Capítulo I – O velho livro

Horas antes... New York

Maria encarou o quadro a sua frente sem saber ao certo como resolver a equação a sua frente, ela odiava a sensação que estava ficando para trás novamente e teria que fazer aulas de reforço nas férias novamente esse ano, mas tinha faltado a aula da semana passada por causa de um "braço machucado" que havia sido a desculpa daquela vez, logo ela ficaria sem desculpas para faltar a escola.

Quando finalmente o sinal bateu suspirou aliviada e guardou as suas coisas, o olhar que o professor lhe lançava estava lhe deixando nervosa, provavelmente ele estava questionando se ela realmente tinha se machucado ou se havia sido uma desculpa para faltar sua aula para sair com amigos ou algo do tipo... Se ele ao menos desconfiasse da verdade.

Uma multidão de adolescentes preenchiam os corredores e a garota procurava atravessar o corredor o melhor que podia até o pátio, lugares cheios de pessoas lhe deixava desconfortável, sabia que chamava a atenção dos garotos da sua escola, mas todos aqueles olhares masculinos lhe deixavam ansiosa para fugir para o primeiro lugar seguro que encontrasse, além disso, ela só queria um momento de silêncio consigo mesma.

Sentiu alguém pular em suas costas e por alguns segundos retraiu o seu corpo até que ouviu a voz animada de Kelly sua amiga.

"Olá sumida"

"Ah... Oi Kelly" Disse abrindo um sorriso ao encarar a garota de cabelos loiros e olhos verdes a sua frente que praticamente pulava de felicidade no corredor "Hum... O que houve?" Perguntou tentando descobrir o que houve.

"Ele me chamou pra sair" Respondeu Kelly abrindo um sorriso ainda maior.

Maria sabia que ele era esse. Brandon Summer, o jogador de futebol americano da escola por quem Kelly nutria certa paixão desde o inicio do colegial.

"Nossa Kelly... Estou tão feliz por você".

"Você precisa vir comigo hoje após o termino da escola. Preciso de sua ajuda para achar a roupa certa pra esse encontro. Vai comigo né? Diz que sim vai... Eu não tenho ninguém mais para pedir pra ir comigo e minha mãe não vai me deixar ir sozinha, ela vai querer que eu saísse com minha irmã... Já imaginou eu comprando roupas para um encontro com a Stefany? Ela vai fazer da minha vida um inferno..."

"Kelly respira ok." Pediu tentando parar o discurso da amiga enquanto seguiam em direção ao pátio.

"Desculpe, eu me empolguei" Disse a loira começando a ficar vermelha ao notar o quanto tinha falado.

"Eu notei" Respondeu Maria rindo da amiga "Eu vou sim com você".

"Sério?"

"Yeah"

"AHHHHHH Valeu Maria, você é a melhor amiga de todas" Disse Kelly pulando em cima da mesma fazendo a morena rir, perto de Kelly era tão fácil ser apenas uma garota comum... Se ao menos as coisas fossem tão simples.

Maria era uma jovem de dezessete anos, longos cabelos cacheados castanhos e olhos de um tom que muito se assemelhava ao chocolate, era bem alta perto das outras garotas da sua idade, mas ainda se sentia baixinha perto dos meninos da escola, não era gorda, nem magra, e apesar de se achar bastante comum sabia que alguns garotos já haviam a definido como "gostosa", um termo que ela não achava muito agradável, estaria completando dezoito em breve, mas já tinha vivido e sofrido mais nessa vida do que muitas outras garotas de sua idade. Se há algo que se possa dizer sobre Maria, é que sua vida está muito longe dos contos de fadas com finais felizes.

Ela nasceu numa manhã fria de Setembro, uma pequena garotinha de olhos castanhos e ralos cabelos castanhos cacheados, filha da costureira Marisa com o simples vendedor Carlos Almeida de Alencar. Talvez esse fosse o quadro da família perfeita se olhássemos de perto, mas é preciso se afastar para notar os demais detalhes que formam esse quadro.

Marisa e Carlos não eram exatamente um casal apaixonado, talvez eles tivessem sido em algum ponto no passado, mas quando a jovem Maria nasceu aquele relacionamento estava mais do que abalado.

A pequena cresceria vendo a sua mãe chorar constantemente sentindo falta de se lar de onde havia sido expulsa por seu relacionamento com o jovem, na época a jovem costureira não havia se importado porque acreditava que eles ficaram juntos para sempre, mas a realidade havia se mostrado muito distante dos seus sonhos.

Carlos quase sempre aparecia cheirando a perfume de outras mulheres e apesar de suas promessas que aquela seria a única vez, nunca passavam de promessas. Solitária, perdida e desesperada ao notar que o casamento não tinha mais futuro, a costureira abandonou o marido e foi morar junto de sua avó, a bisa de Maria.

A vida com a velha senhora fora um dos poucos momentos felizes na vida de Maria, se ela pudesse voltar algum ponto de sua história seria os anos que passou com sua bisa. A vida não era fácil naquela época, o dinheiro era pouco e curto. A pequena também mal se lembrava de seu pai que acabou morto alguns anos depois do fim do casamento em uma briga com o marido de uma de suas amantes.

Quando a bisa finalmente morreu, na época Maria com treze anos, sua mãe tomou uma decisão que mudou todo o rumo de como poderia ter sido aquela história.

Marisa sonhava com um futuro melhor e muito diferente daquele de uma vida simples no interior do estado do Rio de Janeiro para ela e sua filha, alguns anos antes uma prima distante tinha conseguido entrar nos EUA e quase sempre lhe enviava cartas contando novidades. Quando a carta de sua prima chegou aquela manhã lhe convidando para ir para o outro país após a morte da avó de ambas, Marisa não pensou duas vezes e comprou as passagens para New York, mesmo mal sabendo falar inglês.

Maria tinha apenas doze anos na época e se lembrava que não queria sair de sua casa, de seus país e para longe de seus amigos, gostava da vida ali, mas sua mãe estava irredutível de sua decisão. E então embalando suas roupas numa antiga mala disse adeus aos seus amigos e a casa a qual tinha passado boa parte da sua infância, soube depois que sua mãe acabou vendendo a mesma para terem mais dinheiro.

Quando desembarcaram Maria se sentiu fascinada com as luzes da cidade, a prima de sua mãe esperava por elas no aeroporto. Foi difícil para a mãe de Marisa conseguir um emprego, como seu visto acabou espirando em poucas semanas, acabou entrando na ilegalidade no país o que dificultava bastante conseguir um emprego. Apesar de bem nova Maria ficou sabendo por sua tia que todas elas eram considerado imigrantes ilegais e podiam ser deportadas a qualquer momento para fora do país, por isso tinha que ter muito cuidado com o que falava, que aquele era um segredo das três.

Após quase um ano sua mãe conseguiu o emprego de cozinheira e arrumadeira num antigo orfanato no Brooklyn, o emprego não pagava muito, mas ao menos ela e sua mãe teriam onde dormir, uma pequena suíte dentro do orfanato, era simples, mas era o seu novo lar. Na época ela chegou a pensar que seria feliz ali até que ela encontrou o Sr. Jones, o diretor e reitor do orfanato, e foi ai que sua vida virou um inferno.

Balançando a cabeça procurou afastar as antigas memórias e tentou se concentrar na conversa animada de Kelly sobre o encontro daquela noite.

Algumas horas depois... Após o término da escola.

Fazer compras com Kelly era sempre divertido. A menina parecia sempre ter algo engraçado para comentar sobre essa ou aquela roupa e em poucos tempos Maria acabou relaxando e sendo apenas uma adolescente normal fazendo compras com a sua amiga louca.

Finalmente tinham conseguindo encontrar o vestido perfeitamente divônico, nas palavras de Kelly, para o encontro daquela noite e caminharam em direção a estação de metrô para que a amiga pudesse ir para casa.

Kelly estava realmente bastante animada quando ela e Maria se despediram na estação de metrô, a morena só esperava que Brandon fosse realmente um bom garoto e valorizasse sua amiga. Silenciosamente ela faz um pequeno desejo que tudo dê certo para sua amiga essa noite, odiaria ver Kelly triste.

Quando o ônibus se aproximou Maria sabia que era a hora de voltar para o orfanato, mas ela não estava pronta, não ainda. Voltar significaria ter que encarar o Diretor Jones e só de imaginar aquele monstro seu estômago se revolta.

"Vai subir mocinha?" Perguntou o condutor tirando-a de seus pensamentos, ela apenas balançou a cabeça negando e se afastou para longe.

New York sempre parecia tão agitada, como se nunca parasse e ela se pegou observando os longos prédios a sua frente, se perguntando o quão perto eles deveriam estar do céu. Ás vezes ela simplesmente tem vontade de atravessar correndo um desses halls de entrada e correr escada acima até o último andar só para poder chegar um pouco mais longe do céu, um pouco mais perto do infinito.

"Seria bom ter asas" ela pensa consigo mesma abrindo um pequeno sorriso "Poderia voar pra longe".

Quando criança ela sonhava em simplesmente poder voar até as estrelas, sonhando com lugares mágicos. Apesar de ter crescido ás vezes ela ainda pensa nisso. Só que em vez de lugares mágicos agora sonha com outros planetas, ainda mais agora que sabe que realmente existe bem mais que a Terra. Ela se pergunta como seria Asgard ou qualquer outro planeta que compõem os nove reinos que ela viu tempos atrás em um desenho antigo viking. Se Loki, Thor e todos os outros deuses eram reais, provavelmente os outros planetas ou reinos como dizia o livro também seja, certo?

A morena quase ri de si mesma. Mal tem onde cair morta, era tolice pensar em conhecer outros reinos. Balançando a cabeça como se assim pudesse afastar os pensamentos para longe Maria continuou seu caminho em direção ao seu destino, uma pequena loja de instrumentos no fim da avenida.

Sorrindo adentrou a loja e cumprimentou Elisa, uma das vendedoras e netas do dono, que estava atrás do balcão.

"Oi Maria"

"Hey Elis... Posso tocar?" Pediu um pouco tímida.

"Você sabe que tem passe livre" Respondeu simplesmente Elisa.

Maria vinha ali praticamente toda a semana e tocava por algum tempo usando alguns dos instrumentos da loja emprestado, o dono da loja, um velhinho perto dos seus setenta anos de sorriso gentil e agradável, permitia que ela tocasse contando que não quebrasse nada porque acabou se mostrando vantajoso quando as pessoas se aproximavam de sua loja para ouvir a garota tocar. Era um acordo vantajoso para ambos, Maria conseguia fregueses para ele, e ele lhe permitia tocar.

A música sempre tinha sido uma fuga para Maria, quando tocava seus problemas pareciam não existir. Tinha aprendido a tocar com o pai anos antes e nunca havia esquecido. Era estranho pensar que mal se lembrava do pai, mas se lembrava das lições de violino que ele lhe dava.

Respirando fundo fechou seus olhos e deixou as primeiras notas de Lord of the Rings, um filme do qual ela era fã, ecoarem pela pequena loja se perdendo na melodia da música. Naquele momento não havia o Sr. Jones, não havia lágrimas, não havia medo ou dúvidas. Era simples. Apenas ela e a música e as memórias felizes de seus pais, sua bisa sorrindo em sua direção enquanto lhe entregava um pedaço de pé de moleque que havia acabado de tirar do forno, sua mãe sorridente após terminar mais uma blusa de trico... Ás vezes ela via outras coisas, um reino de gelo que mesmo triste ainda parecia ter beleza, ou até mesmo um reino todo dourado com uma longa ponte que atravessava o mesmo, as torres do castelo sendo vista de longe.

Estava tão perdida dentro de seus sonhos que nem notou que tinha começado a cantar.

"When the storms of winter come starless nights will come again. When the waining sun is gone we will walk in bitter lands but in dreams."*

Foi despertada para realidade pelo som de aplausos e sorriu tímida ao notar que alguns clientes na loja a observavam. Normalmente ficaria e tocaria mais algumas músicas, mas se ficasse muito tempo hoje estaria já escuro quando chegasse ao orfanato. Entregou o violino a Elisa agradecendo a oportunidade.

"Já vai?"

"Sim, se eu demorar demais vai estar praticamente escuro quando eu chegar... Para ser honesta já está bem tarde"

"Ah sim... Bem se você quiser eu conheço um atalho pro seu bairro"

"Sério? Pode me dizer qual é?"

"Claro. Só vou atender aquele cliente e te passo as coordenadas".

"Valeu Elis"

...

O atalho que Elisa tinha lhe sugerido não era tão complicado, basicamente era usar uma viela que cortariam algumas ruas em seu caminho até a estação de metrô, como ponto de referência ela havia citado uma antiga loja de relicários que ficava ao fim dessa viela.

Suspirou ao notar que tinha tomado as coordenadas corretas ao ver a fachada da loja a sua frente, agora só precisava seguir em frente e virar algumas poucas ruas até a estação de metrô, mas ao passar em frente a antiga loja algo simplesmente a atraiu para a vitrine, ela não sabia dizer ao certo de onde vinha aquela sensação, só sabia que precisava segui-la.

Ao adentrar a loja um pequeno sino na porta tocou, mas ao olhar ao redor não encontrou nenhuma vendedora por perto.

"Olá... Alguém ai?" Perguntou um pouco tímida enquanto olhava ao redor.

A loja parecia quase mágica, havia algumas coisas ali dentro que ela nunca tinha visto antes, livros antigos se amontavam nas estantes e o que pareciam poções poderiam ser encontrado em todo o local. Quase levou um susto ao se deparar com uma caveira no canto da loja, rindo de si mesma fez um breve cumprimento a caveira como se tivesse diante de um rei e depois olhou ao redor completamente fascinada, parecia que ao entrar por aquela porta tinha entrado num mundo totalmente novo.

Foi quando viu um grosso livro de capa marrom com detalhes em que parecia ser ferro batido pintado em tons de dourado sendo segurado nas mãos da caveira. Curiosa aproximou-se da mesma e com cuidado retirou o livro das mãos da caveira se perguntando como deveria abri-lo. Suspirando frustrada passou suas mãos sobre os símbolos em ferro que se entrelaçavam também atrás do livro mantendo o mesmo fechado e mal acreditou quando os mesmos começaram a retroceder, tal como uma engrenagem muito bem fabricada e lhe permitiram abrir o livro.

Abriu um pequeno sorriso e abriu o livro a sua frente suspirando frustrada porque as páginas do mesmo estavam em branco ou amareladas para ser mais exata, provavelmente devido ao tempo e teve a ligeira sensação de que algum vento havia tocado a sua face e a sensação de receber uma descarga de energia entre seus dedos, nada dolorido, era até agradável.

"O que foi isso?" Perguntou assustada tentando saber de onde tinha vindo o vento quando se deparou com uma mulher a encarando e levou um susto.

"Desculpe por assustá-la"

"Ah... Sim... Tudo bem... Vento repentino não?" Perguntou tentando puxar assunto com a que parecia ser a dona da loja, não pode evitar de reparar que os olhos dela eram completamente brancos.

"Ela é cega" Pensou consigo mesma.

"Você sentiu um vento?" Perguntou a mulher assustada.

"Ham... Sim. Você não?"

De repente a mulher abriu um largo sorriso e a puxou pelo pulso.

"Hey espere o que está acontecendo? Para onde estamos indo?"

Mas a mulher não lhe respondia apenas a guiava entre os corredores da loja que parecia muito maior do que ela pensava quando tinha visto do lado de fora. Ela não sabia onde estava indo, mas mesmo assim continuou a seguir aquela mulher até que ela parou em frente a um antigo quadro... A garota naquele quadro... Era idêntica a vendedora. Era impossível, o quadro parecia ter séculos, a mulher a sua frente não parecia ter mais que 25 anos.

"Co...Como?"

A desconhecida não lhe respondeu nada apenas apontou para o livro que a moça no quadro segurava. Era o mesmo que agora tinha em suas mãos.

"Minha ancestral. O livro era dela. E antes disso foi da mãe dela e antes disso da avó dela... Em fim, tem estado a minha família por gerações."

"Nossa, ele não me parecia tão antigo assim... Desculpe, não sabia que não deveria tocá-lo."

"Não, o livro é seu. Ele a escolheu."

"Como?"

"Este é um livro mágico. Dentro dele existem mais segredos do que pode imaginar... E ele lhe escolheu"

"Mas as páginas estão em branco" Disse ainda sem entender o que exatamente estava acontecendo

"Este livro irá se revelar para aquele ou aquela que for merecedora de conhecer seus segredos... E ele é seu agora."

"Desculpe não sei se posso aceitar, este livro é seu. Está a sua família a gerações, certo?"

"O livro nunca me pertenceu, eu era apenas sua guardiã".

"Eu... Eu não consigo compreender. Que segredos ele guarda? Guardiã? Por que guardiã?"

"Ele guarda os segredos dos deuses e seres que já habitaram entre nós"

"Espere... Você... fala de Asgard?"

"Sim, entre outros"

Com aquele novo conhecimento em mãos Maria encarou fascinada o livro a sua frente, mesmo que parecia loucura tudo que aquela mulher lhe contava em alguma parte de sua mente fazia sentido.

Asgard.

Ela adoraria conhecer Asgard.

Continua...


Nota da Autora: Eu vou colocar o link do video no youtube que mostra a música tocada em um cover de violino para quem tiver curiosidade no meu perfil, podem dar uma olhadinha lá após terminarem de ler.

A tradução do trecho que ela canta, sinto muito por algum erro, traduzi por mim mesma.

*"Quando as tempestades de inverno chegarem, noites sem estrelas virão novamente. Quando o sol for minguando vamos caminhar em terras amargas, mas em nossos sonhos".