Capítulo II- A revolta do chapéu seletor

Eric ergueu-se da cama na enfermaria. Fazia um belo dia de sol, mas estranhamente ele não gostava de toda aquela luminosidade, e por isso fecharia aquelas cortinas com brevidade. Ele ergueu-se do leito num pulo, e com estrepito fechou as cortinas. Assim era melhor. Muito melhor. Seu olhar correu por seu reflexo no espelho. Os cabelos eram de um tom castanho pálido ondulados, sua pele era clara, mas não excessivamente pálida, os olhos eram quase da mesma cor dos cabelos, talvez um pouco mais escuros, mas pouca coisa. Era alto, mas não em demasia, e nem era magro demais. Poderia dizer que ele era uma pessoa mediana.

O garoto balançou a cabeça, cogitando consigo mesmo que era incapaz de lembrar-se de seu rosto. Realmente o acidente citado por todos deveria ter sido algo muito terrível. Todos os que vinham lhe visitar falavam que era uma sorte que ele estivesse vivo. O senhor Dumbledore lhe dera até um jornal para ler, mas pouca coisa ele entendera. Particularmente não gostava muito daquela senhora a quem chamavam de Minerva Mcgonagall. Ela parecia ser muito brava, e não gostara dele. Até comentará que o garoto lhe lembrava alguém, alguém que ela não sabia muito bem precisar quem, mas que as lembranças não eram nada agradáveis. Ela era tão amarga! A enfermeira também era terrível. Não conseguia deixá-lo sossegado um só instante que fosse. Uma outra mulher baixinha e gordinha aparecerá, mas o cabelo dela e as unhas estavam cobertas de terra e musgos. O engraçado era que a casa... será que aquele era o nome certo.. A casa dela tinha como símbolo um bicho parecido com ela mesma. Controlou-se para não rir, era melhor não chamar a atenção da enfermeira chata. Um baixinho também viera, uma espécie de anão. Não lembrava-se de ter conhecido nada parecido, mesmo porquê não lembrava-se de nada.

A única pessoa que realmente lhe transmitira confiança fora Alvo Dumbledore. Era realmente estranho aquele homem, mas sentia que gostava dele, que devia sempre confiar nele!

- Eric! – era alguém que o chamava. O garoto virou-se e mirou os olhos azuis de Dumbledore – Vamos? – ele indicava a porta- Não quer dar um passeio pela propriedade, conhecer a escola?

- Sim, professor Dumbledore.

- Aqui estão suas coisas. – o diretor indicou um malão no chão, coberto por livros, pergaminhos, penas e um caldeirão, que o garoto olhou com curiosidade. – Troque de roupa e vamos passear. Temos que lhe dar noções básicas de magia, enquanto você não recupera sua memória, Eric.

Eric precipitou-se para o malão, e abriu-o, observando aquelas coisas que lhe diziam serem suas. Dumbledore mirava o rapaz, com os olhos fixos, observando a reação dele, àquelas coisas que providenciara com muito esmero e cuidado.

Alguns instantes depois, ele surgiu pronto para sair, um traje trouxa que estava no malão, e Dumbledore cogitou que Severo deveria poder se ver assim... Possivelmente não gostasse, mas dadas às circunstâncias, não teria o que não gostar.

Durante alguns dias, o garoto Eric Zhirmunsky reapreendeu manejos fáceis de magia, apenas para que pudesse iniciar as aulas. Minerva mostrou-se surpresa pelas habilidades dele em Transfiguração, Flitwich interessou-se pelo modo no qual ele sabia feitiços avançados e alguns de magia negra, mas creditou isso ao fato do garoto ser originário de Drumstrang. Os outros professores também se surpreenderam pelas habilidades do garoto, menos em Vôo, que ele mostrou-se ser um fracasso completo. Flitwich comentara que neste ano a srta. Granger teria concorrência direta.


- Quem ficará no lugar de Severo? – era a voz de Minerva Mcgonagall quem falava em tom de voz baixo, dentro do gabinete do diretor. – Ainda não entendo o que fez aquele tratante sair da escola sem nos dar satisfações.

- Coisas de Voldemort, Minerva. – comentou Dumbledore, dando de ombros.

- E quanto ao novo professor de Poções?

- Papoula poderá substituir Severo até que ele volte. – considerou o diretor.

- E ele voltará? – Perguntou Minerva incrédula.

- Sim. – assentiu o diretor com a cabeça, olhando-a fixamente. – No final do período letivo. E agora vamos Minerva, que os alunos não tardarão a chegar.


- Harry, que coisa estranha tudo isso, não? – era Hermione quem perguntava.

- Mione , a vida do Harry é uma sucessão de coisas estranhas- era Rony quem saltava do trem, e procurava em vão, uma carruagem.

- Mas falo desse tal de sumiço do Snape. – comentou ela, entrando na carruagem parada por Harry.

- Ainda preocupada com isso, Mione? – Harry questionou-a – Lupin disse que essas coisas podem acontecer. Talvez o tenham pego ou ele esteja seguindo alguma pista.

- É, mas meu pai também está preocupado. – comentou Rony, segurando-se pelo sacolejo da carruagem enquanto chegavam no castelo. – O sumiço do Snape não pressupõe dias de sol, em toda essa questão da Ordem.

- No mínimo, ele vai estar lá mesa principal, pronto para nos dar ordens, e detenções no estilo de lavar as comadres da Ala Hospital sem mágica. –resignou-se Rony.

- Rony! – protestou Hermione.

- Todos nós sabemos de suas opiniões sobre esse assunto, Hermione. Mas que é verdade é! – contrapôs Harry, caindo do assento da carruagem que parara bruscamente na frente do castelo.


Os três rumaram para o salão principal, e no caminho encontraram Hagrid que vinha acompanhado dos alunos do primeiro ano e de um garoto com mais ou menos a idade deles e que lhe ajudava a controlar a multidão de pequenos.

- Harry, Rony, Mione! – ele cumprimentou-os com um aceno. – Como vocês estão? Prontos para esse último ano?

Os três se aproximaram, e ele disse, indicando o garoto.

- Este é Eric, Eric Zhirmunsky, um aluno transferido de Drumstrang.

Eric limitava-se a olhá-los com curiosidade.

- Como está? – Harry cumprimentou-o, sendo seguido pelos outros dois.

Hermione olhou curiosamente para o garoto, como se este lhe lembrasse vagamente alguém, alguém muito importante.

- Você já sabe em qual casa vai ficar? – Rony quis saber.

- Ainda não. – comentou cortesmente - Terei que participar da seleção junto com as crianças.

- Pois espero que não seja em Sonserina. – era a voz de Draco Malfoy e seus capangas que se aproximavam – Pessoas que se dão com Potter, os pobretões dos Weasleys e a sangue-ruim, não são bem vindos em Sonserina.

Antes que qualquer um dos outros pudessem retrucar, Harry disse friamente a Eric.

- Não ligue. Simplesmente não ligue.

- Quem é? – Eric quis saber, observando os trio que se afastava.

- Draco Malfoy! – disse Rony, agitando a cabeça – Ele se acha superior aos outros porque é rico e é da Sonserina. Como se isso fosse uma boa coisa. - Rony fez um trejeito de riso com os lábios. E Eric não sabia bem o porquê, mas não estava gostando muito daquela conversa. – Não existe um único bruxo desencaminhado que não tenha passado por Sonserina. – ele finalizou em tom de conversa.

- Mentira, Rony. – comentou Hermione. – o Rabicho era da Grifinória.

- Bem, você tem razão Hermione. – concedeu o ruivo, enquanto uma campainha tocava ao longe.

- A seleção vai começar. – disse Hermione, puxando os outros dois. – Boa sorte. – ela dirigiu-se ao garoto russo.

- Esperamos ver você na Grifinória, Zhirmunsky! – Rony gritou, lhe dando um aceno.

O salão era enorme, e Eric tinha estranha sensação de que conhecia aquele lugar muitíssimo bem, embora Dumbledore lhe tivesse assegurado muitas vezes que jamais havia estado em Hogwarts antes. Tudo lhe aprecia conhecido, aquelas tochas e tudo o mais... Era uma sensação estranha. Como um autômato ele caminhou com a fila de crianças do primeiro ano, esperando de pé, a profetização do chapéu seletor. O diretor, Alvo Dumbledore, lhe dera uma piscadela como que assegurando que tudo daria certo. Estranhamente ele era muito grato a presença daquele homem ali. Só sua presença lhe transmitia segurança e diria que as coisas dariam certo.

Os nomes foram sendo chamados e ele, como seu sobrenome começava com a última letra do alfabeto seria o último a ser selecionado. Quando a professora Minerva chamou seu nome, explicou que ele era um aluno transferido de Drumstrang, e antes que pudesse escutar o restante, um chapéu cobriu-lhe os olhos.

- Dumbledore me arranja cada empreitada! – Eric arregalou os olhos no escuro ao escutar o chapéu falando. - Como ele quer que eu não selecione você para Sonserina? É verdade que mudou muito desde a última vez que nos vimos, mudou muito, mas ...

- Grifinória! – era o que o Chapéu Seletor que proclamava.

Muitos ohs! em sinal de exclamação foram ouvidos pelo salão. Como poderia alguém que estudara em Drumstrang ser selecionado parta a Grifinória? Os alunos de Drumstrang tinha ligações diretas e por vezes explicitas com algumas veias mais nebulosas de Sonserina. Talvez esse aluno em questão fosse possivelmente um anjo de candura, pois Sonserinos e Grifinórios eram inimigos mortais, como todos sabiam.

Eric limitou-se a tirar o chapéu da cabeça e entregá-lo a professora Mcgonagall que estava parada a sua frente, pois a seleção terminara. O olhar da professora era mortiço e ela demostrava claramente em cada músculo do rosto a sua insatisfação por tê-lo agora, pertencendo a sua casa.

Ele observou que alguém lhe chamara de uma mesas, eram os dois garotos que ele conhecera na escadaria, um ruivo e o outro moreno com os cabelos rebeldes e dirigiu-se até lá, enquanto a voz do diretor era ouvida por todo o salão como que amplificada.

- Ora, quer dizer que ficou na Grifinória conosco! – Rony comentava, enquanto observava a reação do outro. Era certo que Eric já conhecia aqueles três, e não sabia explicar muito bem os sentimentos contraditórios que tinha. de qualquer modo eles eram boas pessoas e lhe receberiam muito bem. mas era uma sensação estranha como de ser a pessoa errada no lugar errado.

- Shiiiii! – Hermione retrucava pois seu interesse naquele instante era escutar os recados do diretor. Rony silenciou e Eric sentou-se na mesa entre Hermione e Neville Longbotton.

- Então este ano, quem ministrará as aulas de Poções até a volta de nosso estimado professor Snape, será nossa caríssima Madame Pomfrey.- a voz grave, porém suave do diretor erra ouvido em cada canto do salão, mas no instante em que ele falou que a enfermeira seria nova professora de Poções, gritos, aplausos, assobios foram ouvidos principalmente vindo da mesa de Grifinória. Não que os outros afora os sonserinos deixasse de fazer arruaça, mas os grifinórios sem duvida eram os mais contentes. Neville por exemplo, só faltou desmaiar tamanha era sua felicidade.

- Livres do Snape, Hogwarts será um colônia de férias! – vibrava Rony, sentindo-se incapaz de parar de aplaudir.

- Não dá para acreditar... depois de férias terríveis com os Durleys, agora me livrar do Snape também é mais do que pedi aos céus. – era Harry quem comentava para Eric, que olhava tudo atônito.

Hermione também aplaudiu a notícia, não queria que desconfiassem que ela não achara nada daquilo bom. Eric, virou-se para ela, no meio da algazarra e quis saber.

- O que está acontecendo?

- O nosso professor de Poções efetivo não dará aula, não se sabe até quando, é claro. Apenas Dumbledore sabe. – explicou ela, cortesmente- E como você pode perceber ele não é alguém que possa ser considerado popular.

- Mas ele é assim tão ruim? – Eric quis saber com curiosidade.

- O Snape é um ótimo professor. – disse ela, enfatizando levemente o "ótimo"- Mas é injusto e desconta pontos apenas por nos atrevermos a respirar. Isso somado ao fato de ser o chefe de Sonserina, fez dele alguém mais odiado que o Filch.

A algazarra havia diminuído e Harry escutou o final da explicação de Hermione.

- Não sei Hermione, olhe que o Filch é muito odiado.

- O Snape é um monstro! - era voz de Neville, o que fez com que Eric se virasse para o lado dele. – Ele é mau, é tirânico ditador e eu fico muito feliz que esse ano não terei que destripar nenhuma lesma.. nenhuminha lesma sequer!!!- ele finalizou esse comentário, com um sorriso.

Os ruídos no salão sumiram totalmente e Dumbledore, com um sorriso maroto comentou.

- Quando o professor Snape regressar, contarei a ele como os alunos o querem bem. – E assim continuou dando seus avisos.

- Beleza! – era Dino Thomas quem falava servindo-se de bolinhos de mel. – Ultimo ano de escola, sem o Snape.. O que mais se pode querer dessa vida, Meu Deus! – ele ergueu uma das mãos.

- Hermione, como está sentindo-se como nossa monitora-chefe? – Lilá quis saber, enquanto Parvati, observava com insistência o recém chegado.

- Normal! – Hermione deu de ombros e continuou comendo de seu prato, lendo um livro de aritmancia.

- Você monitora chefe? – Eric quis saber.

- Sou! – respondeu ela, sem tirar os olhos do livro.

- E quem é o monitor chefe?

- Teo Boot, da Corvinal. – ela ergueu os olhos e comentou a todos – parece que o Malfoy perdeu a eleição, porque estava sem o seu grande defensor.

- Mas era mesmo o que nos faltava! – exclamou Rony- Um monitor chefe de Sonserina.

Eric olhou para ele com curiosidade, enquanto todos ao seu redor concordavam com a afirmação.

- E quanto a você, Eric. Jamais desrespeite o regulamento na presença de Hermione, jamais cogite fazer algo que fira as normas da escola.. Jamais planeje algo contra os sonserinos na presença dela, mas aposto que ela concordaria com uma bela peça contra o Malfoy! Esses são os pontos principais para vivermos todos felizes e em concordância com nossa monitora chefe.

- Rony, cale-se. – contrapôs ela, ainda de olhos postos no livro.

- Eu não disse? – comentou ele, indignado para o restante da mesa.

Eric limitou-se a sorrir.

O jantar foi muito animado, embora Eric não gostasse de todo aquele agito. Pouco a pouco ele foi conhecendo as pessoas da mesa, os seus novos colegas. Mas algo lhe dizia constantemente que não deveria estar ali... E tinha mais uma coisa, não gostara do jeito com que todos falaram do tal professor. Era engraçado, mas ele não conhecia o rosto, nem a pessoa do homem, mas realmente não gostara dos comentários. Os únicos que pareceram realista tinham sido os de Hermione, que diferentemente dos demais, não deveria odiar tanto o tal professor.

Depois do jantar Eric dirigiu-se junto com os demais para o salão comunal da Grifinória. Ao chegar lá, tudo lhe pareceu muito diferente, muito diferente, e Hermione notou a apreensão no rosto do russo.

- o que houve Eric?

- Não sei - afirmou ele- Uma sensação estranha, muito estranha, não sei o que é.. Como se eu não devesse estar aqui ... – ele passou as mãos pelos cabelos – Porque será que isso acontece?