Capítulo 2- Nova rotina.
Isabella POV.
Acordei com o avião balançando, estávamos passando por uma pequena instabilidade enquanto o avião perdia altitude para o pouso, foi o que o piloto anunciou no microfone. A aeromoça pediu para que todos permanecessem sentados durante o pouso. Após alguns minutos senti aquele pequeno choque quando as rodas do avião alcançaram o chão, confesso que não sou uma pessoa de voos, na verdade ficava completamente assustada em cada decolagem e pouso.
Peguei minha mala de mão e sai do avião indo direto para o banheiro, passei uma água no rosto e escovei os dentes com o kit que eles entregaram no voo. Sai do banheiro e segui a faixa até que estava completamente dentro do aeroporto, Charlie me esperava perto da esteira das malas.
-Bella, como você esta? – ele disse me dando um meio abraço.
-Bem – eu murmurei constrangida. Ele me soltou constrangido também, ficamos esperando minhas malas passarem, ele ficou com duas enquanto eu fiquei com a de mão e mais uma. Caminhamos para o carro e guardamos as malas no porta malas.
-Sua mãe já mandou seu histórico pro colégio – ele disse sentando no banco do motorista e colocando o sinto de segurança.
-Hum - murmurei desinteressada.
-Suas notas estão boas, mas a frequência nas aulas está... Bem, está preocupante.
-Não gosto da escola - dei de ombros.
-Bem na FHS* você terá de faltar menos, sabe você é filha do chefe de polícia e...
*[Forks High School]
-Não precisa me lembrar de toda atenção de cidade pequena, relaxa que vou fazer minha parte – eu revirei os olhos, coloquei meus fones e me desliguei do mundo, a viajem ate Forks seria longa e eu não queria conversas forçadas ou discussões com Charlie.
Observei a cidade dar lugar à floresta e devia admitir que era lindo. Alguns raios de sol brilhavam entre os galhos das gigantescas arvores, o que não durou muito, pois quando chegamos em Forks o sol não brilhava mais. Só havia gigantescas nuvens cinzas no céu, o clima úmido e a floresta escura me entristeceram. Nada parecia diferente em Forks, tudo se encontrava do mesmo jeito que eu lembrava. Charlie estacionou o carro na entrada de casa, como eu disse nada havia mudado, alguns capins desgrenhados estragavam o jardim da frente e a porta ainda estava com a parte de fora desgastada. De lá da entrada eu podia ver aquela velha cortina xadrez na janela da sala, era tão nostálgico e melancólico.
Charlie foi para a traseira do carro tirando as malas e as colocando no chão, eu o ajudei a carregar para dentro. E lá estava eu encarando aquele tapete pequeno demais para a passagem da escada, era tão estranho retornar para essa casa, principalmente quando o sentimento de minha casa não havia restado, tudo o que eu tinha eram lembranças vazias desse lugar. Mas ainda assim casa era aconchegante, mesmo sem a sensação de lar.
-Não mudei quase nada em seu quarto – disse Charlie enquanto subíamos as escadas.
Viramos a direita no corredor e logo estávamos em meu antigo e novo quarto, o enfeite de porta que eu havia feito à tantos anos atrás ainda estava pendurado. Ele abriu a porta colocando a mala no chão, todo o momento ele agia desconfortável, pobre Charlie não sabia o que estava fazendo aceitando a filha adolescente rebelde em casa. Comentou alguma coisa e saiu pelo corredor a passos largos.
Meu quarto, me sentia com cinco anos novamente, o tapete cor de rosa no chão combinando com a cortina. Um abajur amarelo na mesa de cabeceira e a minha caixinha de música com uma bailarina. Ao menos a cama estava diferente, era outra com certeza pois estava bem maior e o lençol e edredom que a cobriam estavam no tom de creme, um pouco mais adulto que o resto da decoração.
Decidi que antes de arrumar as malas seria bom tomar um banho relaxante. Peguei em minha frasqueira um sabonete e minhas outras coisas de banho, encontrei toalhas limpas no guarda roupa e agradeci que eram do meu tamanho. Após um longo banho me sentia pronta para desfazer as malas, apenas para isso. A vista pela janela era sombria e eu me recusei à olhar por muito tempo.
Depois de arrumar tudo desci pro primeiro andar peguei um pacote de bolacha e voltei pro quarto. Lembrei que Lauren tinha me pedido pra mandar um e-mail então liguei o computador e escrevi pra ela que tinha chegado bem e que tudo estava do mesmo jeito de sempre. Passei algum tempo assistindo televisão, mas logo dormi.
[...]
Charlie e eu estávamos indos almoçar na casa do Billy Black seu melhor amigo, era um almoço de boas vinda pra mim. Jacob, filho de Billy, costumava brincar comigo quando eu passava as férias aqui. Charlie estava levando uma caixa de cerveja e eu a sobremesa, que tinha sido comprada na padaria.O carro passou o carro pela entrada de Lá Plush, poucos minutos depois estávamos descendo em direção à entrada da casa cercada de árvores. Estacionamos e saímos. Harry apareceu para nos receber, eu o olhei assustada, ele estava em uma cadeira de rodas.
-Bella, como você cresceu – disse ele sorrindo.
-Pois é, tempo né – murmurei sem graça, sorrindo levemente.
-Vamos entrem – abriu passagem na entrada da casa.
-E ai Charlie – Uma voz masculina saiu de dentro da casa, uma voz bem grossa acompanhada de um gigante moreno musculoso, uau eu não esperava um desses em La Plush, ele era o que se podia considerar padrão de beleza. Definitivamente ele compunha um ótimo padrão de beleza, alto, moreno, cabelos curtos negros bagunçados na cabeça, braços fortes e torneados. Depois de cumprimentar Charlie, virou-se para mim sorrindo, um lindo sorriso com dentes parecendo falsos de tão brancos. As covinhas adoráveis afundando em suas bochechas. Uau.
-Não esta me reconhecendo? – ele abriu ainda mais o sorriso vendo minha cara de confusão – Sou eu garota, Jacob – falou como se fosse óbvio, jogando os braços no ar.
-Jake? – falei desconfiada analisando-o por completo, ele balançou a cabeça positivamente, eu sorri e ele me abraçou tirando meus pés do chão – Cara como você cresceu! – eu dei um soco leve em seu ombro quando ele me colocou de volta em meu lugar.
-Você também – ele me cutucou com o cotovelo. - Vamos lá estou faminto. - apontou para a entrada da casa. Nós entramos, colocamos os pratos que havíamos trazido sobre a mesa e nos sentamos. Tudo no almoço foi sobre como crescemos e como o tempo passou, Billy e Charlie também comentaram de como a época estava boa para pescaria e essas coisas.
Depois do almoço todos pegamos nossas sobremesas e Billy e Charlie foram para a sala assistir um jogo ou sei lá. Jacob e eu continuamos na mesa, empolgados em contar como iam as coisas. Alias, ele estava muito empolgado eu estava apenas entrando no embalo.
-Então... Por que você voltou? - perguntou me analisando.
-Minha mãe meio que me obrigou – dei de ombros.
-Você aprontou?
-Talvez um pouco – sorri.
-Você tem que tomar cuidado aqui, sabe como é cidade pequena as fofocas se espalham rápido.
-Acho que vou dar um tempo de tudo, não que tenha muito que fazer aqui - ele riu e eu o acompanhei.
Nós nos juntamos com nossos pais na sala, não demorou muito para que o jogo virasse discussão e gritaria. Homens. As horas se passaram lentas e foi uma eternidade até que o jogo acabasse e Charlie resolvesse quer era hora de ir. Nos despedimos de Billy e Jacob nos acompanhou à porta.
-Falou Charlie – ele deu uns tapinhas no ombro de meu pai.
-Tchau garoto – Charlie sorriu. Jacob se virou pra mim.
-Tchau Jake, foi bom ver você – eu disse o abraçando.
-Foi bom te ver também – ele me apertou me levantando novamente do chão – Boa sorte amanhã na FHS.
-Obrigada espero te ver em breve – eu sorri.
-Veremos – ele acenou. Nós caminhamos de volta para o carro partindo logo em seguida. Estávamos na estrada quase chegando em casa, quando Charlie decidiu falar.
-Bom... Talvez queira uma carona amanhã? – falou sem graça.
-Acho que não – eu dei de ombros, já era estranho seu pai te levar pra escola no colegial, mais estranho ainda é chegar com seu pai, o chefe da polícia, em uma viatura.
-Eu comprei uma caminhonete, ele é um pouco velho é... Jacob se ofereceu para arrumar, mas esqueci de perguntar se estava pronta – ele disse gaguejando.
-Você. Comprou. Pra. Mim? - disse cada palavra, a surpresa em minha voz.
-Claro, se você quiser – deu de ombros estacionando na frente de casa.
-Eu adoraria - disse sincera.
-Esta bem, vou ligar para a mecânica.
-Jake trabalha em uma mecânica?
-Há poucos meses - disse saindo do carro. Saltei da viatura e segui Charlie até dentro de casa. Ele foi direto para o telefone e eu subi para o quarto. Resolvi tirar algumas das decorações infantis e colocar alguma coisa minha mais atual. Não fiz muito pois pouco tempo depois Charlie chamou dizendo que o mecânico havia trazido a caminhonete. Deixei meu serviço de lado e fui ver qual era a do carro e no final acabei gostando, era um carro com personalidade. Nós jantamos pizza essa noite e não houve mais nenhuma conversa de verdade entre Charlie e eu, seria assim eu sabia, nós dois não fazíamos o tipo de muita conversa. Antes que dormisse, arrumei um tempo para checar meu e-mail e escrever para Lauren como o primeiro dia havia sido.
"Bella estava pensando em como vamos fazer com as ligações, já que a tarifa muda, acho que não poderei te ligar tanto quanto gostaria. Eu sei estou exagerando afinal esse é seu primeiro dia de verdade ai, mas, por favor, não me esqueça ta? Beijoos e me mantenha informada!" E sorri ao ler seu e-mail.
"Hey, Lauren. Hoje o dia foi melhor, fomos até a casa de uma migo de Charlie, Billy. Ele e o filho Jacob, que costumava brincar comigo quando éramos crianças, fizeram um almoço de boas vindas. Você não imagina o quanto Jacob esta enorme, forte e bonito. Enfim... é bom ter essa amizade ainda com ele, assim não me sinto muito sozinha. Quanto às ligações, daremos um jeito okay? Sinto sua falta, beijos." enviei.
[...]
O despertador tocou e eu bati a mão para desliga-lo. Segunda-feira. Me convenci de que o que sentia não era medo e sim curiosidade para saber como seria essa minha nova vida. Levantei desanimada e me arrastei para o banheiro, fiquei tanto tempo divagando no banho que quase acabei com água quente da casa. Enfiei-me em uma roupa confortável e casual para a escola, não que eu ligasse em estar arrumada, mas não iria feito mendiga no primeiro dia. Pulei o café da manhã, já que não sentia fome.
Com minhas chaves e mochila em mãos sai de casa direto para caminhonete, que me deixou saber que ela não seria boa companhia para atrasos já que cheguei ao estacionamento e não tinha ninguém, só os carros, todos já tinham entrado. Ótimo. Primeiro dia de aula e eu chego atrasada. Corri pra procurar minha sala, mas como não achei tive que pedir para um funcionário me ajudar. Uma monitora de corredor me ajudou a chegar à sala, assim que entrei ela disse alto, quase gritando.
-Pessoal essa é Isabella Swan– corei. Senti minhas bochechas queimarem, deviam estar o mais vermelho possível. Não bastava chegar atrasada, tinha que ser anunciada quando todos já estavam sentados em silêncio em seus devidos lugares. Algumas pessoas me disseram "oi" e outras apenas ignoraram. Andei depressa até uma carteira vazia e me enfiei nela. Peguei meu caderno e anotei as coisas que estavam na lousa, aula de química. Todos estavam sentados em pares, menos eu, fiquei feliz com isso, mas o professor disse que faltava uma aluna na sala para eu não me preocupar, pois não ficaria sozinha. Eu dei um meio sorriso para ele, porque o que eu realmente queria era ficar sem um par. Após a aula de química eu decidi procurar a sala de geografia sozinha, demorou um pouco, mas eu achei. Mais duas aulas e então era hora do intervalo, isso me deixou meio ansiosa ou talvez nervosa, pois nessa hora eu teria de enfrentar muito mais do que trinta alunos, agora seria a escola toda.
Abri a porta para o pátio devagar, pela primeira vez no dia eu tive sorte, ainda estava meio vazio o refeitório. Eu corri para a cantina peguei um suco e uma maçã e procurei um lugar mais afastado do pátio. Eu sentia os olhares de todos sobre mim, como se tentassem cavar um buraco e descobrir tudo com apenas um olhar. Fiquei feliz por ter vindo com minha blusa de frio com capuz então pude puxá-lo pra cima da minha cabeça, tentando parecer invisível. Na volta para a sala eu tive que enfrentar aquela multidão de alunos e assim que passava por eles eu os ouvia cochichar uns com os outros, mas eu fingi que não percebi, o capuz me ajudou bastante nisso.
Depois tive mais três aulas, a ultima de biologia que eu também teria um parceiro, mas ele também havia faltado. Fiquei pensando se seria a mesma pessoa, se fosse, espero que seja uma pessoa boa. A aula finalmente acabou. Assim que sai do prédio percebi que estava garoando, fraco e fino, mas pelo que me lembro de Forks isso logo viraria um diluvio. Corri pelo estacionamento ignorando os olhares sobre mim. Consegui chegar em casa antes da chuva, que como eu previ, estava muito forte.
Charlie ligou oferecendo um almoço em um restaurante, neguei e disse que não achava seguro eu dirigindo com tanta chuva, ele concordou e disse que talvez demorasse para chegar em casa. Procurei algumas coisas em seu armário e me contentei com um pouco de macarrão para o almoço
[...]
"Eu peço pra você me manter informada e você me diz que almoçou e que seu amigo de infância cresceu? Sério que ele cresceu? Achou que só você ia crescer?" – eu ria enquanto lia a ironia de Lauren. "Olha preciso muito mais do que isso e vê se consegue uma foto do bonitão. Vamos combinar as ligações ok? VOCÊ ABRIU MEU PRESENTE? Espero que sim! Beijos, te amo."
O presente de Lauren. Sentei na cama com ele no colo. Com tristeza eu tentei não rasgar o papel enquanto abria. Era uma porta retrato, de vidro lindo e dentro tinha uma foto nossa juntas e sorrindo.
Lembro-me do dia ele tinha me obrigado a ir pra praia, porque como eu ela também não gostava muito, mas sua mãe não deu escolha. E para minha surpresa foi uma das melhores viagens da minha vida. O dia da foto estava lindo, já estava ficando tarde então o sol estava fraco, nós estávamos tomando sorvete e a mãe dela nos pegou de surpresa.
Chorei com a lembrança, geralmente sou muito forte e seguro minhas emoções sempre com indiferença, mas como não havia ninguém por perto eu chorei tudo que eu tinha segurado esses dias de uma vez. Odeio fazer isso porque depois se alguém olhar pra mim fica na cara que chorei horrores. Após me recompor decidi que escreveria muito para ela hoje, eu contei cada detalhe do meu dia, descrevi os detalhes que eu lembrava da Forks High School e até reclamei que a educação física era obrigatória. Disse a ela que senti sua falta o dia todo, o que não era mentira. Também comentei sobre seu presente e o quanto tinha amado, era a coisa mais "eu" que tinha em meu quarto no final da mensagem eu pedi para ela me contar também sobre seu dia. Depois de enviar o e-mail eu desliguei o computador e fui pra cama.
T_T_T_T
N/A: O que estão achando da nova/velha fanfic? haha Estou tentando fazer os capítulos bem maiores, por isso foram quase três dos que já estavam escritos só nesse segundo, acho que vou chegar na parte boa rapidinho. Uhul! haha
Estou esperando as reviews novas de vocês ok? Beijinhos com amor!
