O Segredo dos Anjos II – Revelações.

By Dama 9 e Saory-San

Nota: Os personagens de Saint Seya não nos pertencem, apenas Diana e Aisty são criações únicas e exclusivas para essa trilogia, como os demais personagens não licenciados pela Toei.

Capitulo 18: A Missão Parte 2.

I – Garras de Prata e Bicos de Ouro.

O barco ficara ancorado no pequeno porto de Delos. Dizem as antigas lendas que aquela ilha fora durante muito tempo a casa de Apolo e Ártemis. Que irônico; ela pensou, enquanto avançava com Saga em seu encalço para o centro da ilha.

Não fazia idéia do que iriam encontrar ali, mas intimamente sentia seu sangue correr mais agitado, seu corpo vibrava pela adrenalina e expectativa diante do que poderia acontecer. No fim, não era tão ruim tudo aquilo sobre monstros mitológicos antigos, despertando nessa Era.

Intimamente divertia-se com essa expectativa. Imaginar-se lutando contra dragões, esfinges, Górgonas. Não era tão ruim, quando passara a vida toda achando que eles faziam apenas parte das folhas velhas de alguma epopéia. Mas seria interessante.

-Para onde estamos indo? –Saga perguntou, sentindo-se estranhamente incomodado com a atmosfera da ilha. Estavam sem armadura. Como era só uma visita não teriam necessidade de levar peso extra, mas tinha algo estranho.

-Para o centro da ilha; Aisty respondeu sarcástica.

-Eu sei; ele respondeu impaciente.

-Então por que perguntou? –ela perguntou sarcástica.

Já se aproximavam do centro, mas ao contrário do que esperava, depararam-se com um grande pântano. Não era normal aquele tipo de coisa. Saga abriu a boca para contestar, porém a jovem ergueu a mão pedindo que se calasse.

-Emboscada; Aisty falou. Não era preciso muita coisa para saber o que se encontrava naquele pântano. -Vem; a amazona falou, puxando Saga pela mão, que sem entender, deixou-se arrastar por ela.

Da superfície do lago, uma legião de aves ergueu-se. Longas asas, bicos afiados e dourados. Garras prateadas refletiram a luz do sol ofuscando-lhes a visão.

-O que são? –Saga perguntou, em meio à corrida.

–Aqueles são os pássaros de Estinfalos. E pelo visto fomos premiados por encontrá-los nessa ilha, sendo que se um dia eles existiram, já deveriam te sido mortos por Hercules, em um dos doze trabalhos; ela completou sarcástica.

Chegaram ao porto, mas a única coisa que conseguiram ver foi que o barco havia sumido, ou melhor, já estava a algumas milhas de distancia, desaparecendo do campo de visão.

-Filho da mãe; Saga vociferou, ao ver que nada poderia ajudá-los a alcançar o barco. Estavam presos na ilha com um monte de pássaros pronto para matá-los. –O que fazemos agora? –ele perguntou, voltando-se para ela.

Sentiu as costas chocarem-se contra uma árvore e a amazona tapar-lhe a boca. Sobre suas cabeças, uma revoada daqueles pássaros passou. As asas balançavam no ar, causando um barulho ensurdecedor. O geminiano tapou os ouvidos, sentindo a cabeça latejar.

Aisty sentiu a visão turvar, o barulho era insuportável. Respirava com dificuldade. Haviam caído numa armadilha, fora negligencia saírem sem armadura; ela recriminou-se.

-Vamos acabar com eles; ela falou num sussurro. Voltando-se para o geminiano.

-Mas...; Ele arregalou os olhos. Como assim acabar com eles? Estavam sozinhos naquela ilha e sem suas armaduras, não teriam chance contra aqueles demônios dourados se ousassem enfrentá-los.

-Ouça uma coisa, se quer ficar aqui e morrer como um medíocre fique a vontade. Mas ao contrario de você, meu sonho de consumo ainda é matar aquele idiota do Apolo; a jovem avisou afastando-se para o meio da ilha novamente. Era perigoso o que tinha em mente, mas ficar ali se escondendo daquelas aves como se fossem duas crianças amedrontadas certamente não seria a melhor opção também.

Saga piscou confuso. Aquilo era loucura, se aqueles bicos e garras afiadas se voltassem para si poderiam ser facilmente retalhados em questão de segundos mesmo com seus cosmos inflamados durante a batalha. As armaduras lhe fariam muita falta, mas ela tinha razão. Não podiam se amedrontar diante daquelas aves enquanto tinham um inimigo muito mais forte e pior para derrubar.

II – Perdidos.

O caminho era sinuoso, úmido, coberto de musgo, tudo isso somado a uma densa vegetação e à frondosas árvores as quais raramente podia se ver a cúpula. Assim era o caminho pelo qual a amazona caminhava. Caminhava a esmo por mais de uma hora pelas suas contas. Guiava-se pelo pouco que podia vislumbrar do sol que já se ia alto. A densa teia de brumas que abrigava aquela ilha não havia se dissipado e talvez jamais o fizesse. Realmente aquilo era um mecanismo de defesa, ela constatou.

-Droga! –Diana praguejou. Estava perdida.

Haviam decidido que cada um seguiria uma das três trilhas e que se encontrariam em frente ao tal lago descrito por Shura. O intuito era tentar encontrar alguma pista, algo que os levasse ao suposto guardião, porém não contavam com a possibilidade de se perderem por entre as brumas antes disso.

Árvores, árvores e mais árvores, isso era tudo o que podia ver, nem sinal de Aiolos ou de Shura. Não conseguia acreditar, mas sim, estava perdida.

-Mas que droga! Será mesmo que aquele idiota mal sabe descrever um caminho? Isso se é claro, se ele realmente passou pelos três; a amazona bufou irritada. –"Ah não há nada demais, siga em frente e chegará ao lago e blá, blá, blá...".

Ela bufou novamente após fazer uma imitação tosca do espanhol.

Das duas uma... Ou ele realmente havia descrito o caminho corretamente e esse havia mudado, afinal, podia se esperar tudo, de uma ilha lacrada por um circulo de força. Ou, havia descrito errado de propósito com o único intuito de poder rir da sua cara quando chegasse ao lago com no mínimo duas horas de atraso dos demais.

-Idiota! –ela resmungou baixinho e cerrando os punhos, porém estava muito enganado se pensava que ia cair num truque baixo como esse.

Voltou os olhos para a imensa árvore atrás de si e uma idéia formou-se em sua cabeça. Por que não havia pensado nisso antes? -indagou-se enquanto içava-se em direção ao galho mais baixo da árvore. Em pé após o salto procurou ver algo além da vegetação, mas teria que subir mais se quisesse de fato ver alguma coisa. Muito mais...; pensou, enquanto saltava até a cúpula do carvalho.

-Mas... o que é isso? –ela indagou-se ao vislumbrar um circulo, ou melhor, uma espécie de redoma dourada envolvendo todo o arquipélago.

De onde estava, no último galho onde pudera pisar com segurança, a amazona pôde ver que as suposições de Shura em relação à ilha estavam certas. De fato um campo de força protegia aquela ilha. Era como se estivessem presos numa esfera dourada que só podia ser vista sobre as copas das árvores.

A força invisível emanada por aquele campo certamente era a causa de ter se perdido e talvez os demais também. Uma ilusão que os fazia caminhar horas e horas sem sair do lugar, já que do chão nada podia se ver além de brumas e o verde das árvores. Lançou um olhar demorado ao campo dourado. Devia ter algum ponto vulnerável naquela ínfima manta cintilante... Um ponto vulnerável que pudesse ser atingido; pensou lembrando-se do arco em suas costas.

-Uhg? -murmurou confusa ao repentinamente ouvir ruídos vindos do chão.

Era a primeira vez em horas que ouvia algum ruído, algum movimento que não fosse o seu. Desceu o mais rápido possível saltando os galhos da árvore até que no último deles pôde vislumbrar algo ou alguém se mexendo logo abaixo de si, uma sombra atrás de um arbusto. Sem pensar apenas lançou-se sobre o possível inimigo.

Derrubou-o com um forte estrondo no chão prendendo-o sob o peso de seu corpo e suas mãos imediatamente prenderam-se no pescoço do 'inimigo' que gemeu diante do impacto inesperado.

-Você–ela indagou confusa ao perceber quem havia derrubado. Não podia acreditar no que via.

-Não... Lady Perséfone respondeu Shura com voz falha, mas nem por isso impossibilitado do tom de sarcasmo enquanto tentava desapertar as mãos da amazona em seu pescoço. –Será que dá pra me soltar?

-Ahm? –Diana balançou a cabeça para os lados. Não percebera o seu cosmo e...

O havia derrubado e agora estava sobre ele o segurando pelo pescoço prestes a atacá-lo, aniquilá-lo como o suposto inimigo. Maquinalmente como se ainda estivesse tentando entender aquela situação, a amazona afrouxou o aperto no pescoço do cavaleiro, no entanto, seu corpo não se moveu um milímetro sequer.

-Olha, estar nessa... posição; continuou Shura enquanto um sorriso maroto se desenhava nos lábios. –Não seria de todo desagradável se a situação fosse outra, mas...

A amazona o fitou confusa. Mas o que é que estava dizendo? Porém tão logo sentiu sua face queimar como ferro em brasa. Só agora havia se dado conta daquela posição 'ambígua'. Deu graças aos Deuses pelo fato de estar de máscara naquele momento. O sorriso maroto e insistente nos lábios do cavaleiro foram o suficiente para se levantar de súbito dando um chute certeiro nas costelas do mesmo.

-Idiota! –ela bufou num quase rosnado.

-Ai! Ta doida é? –indagou Shura massageando o lado esquerdo do corpo, mas a amazona pareceu pouco se importar, na verdade estava tentando ignorar o acontecido.

-O que está fazendo aqui? –Diana indagou ríspida assim que o cavaleiro se levantou.

-O mesmo que você, procurando por um suposto monstro que supostamente é o guardião dessa ilha, mas sou eu que lhe pergunto... O que você está fazendo aqui? Essa é a minha trilha.

-Ah é? E que trilha? –indagou a amazona apontando para além deles onde não havia nada alem de arbustos e árvores. A "trilha" há muito havia desaparecido.

-Quer dizer que estamos perdidos, é isso? –indagou Shura olhando ao redor.

-O que você acha? –indagou a amazona rolando os olhos e dando as costas para o cavaleiro, recomeçando a caminhar.

-Espera aonde vai? -indagou Shura dando um passo à frente em direção à amazona, porém parou ao vê-la voltar-se para si.

-Vou procurar pelas pistas, pelo guardião, na minha trilha e... Sozinha! Ouviu bem? Nem pense em me seguir! -dito isso deu as costas e voltou a caminhar. –Não é problema meu se não sabe nem ao menos se guiar sozinho.

Shura ponderou durante alguns instantes. Havia acabado de dizer que estavam perdidos e ainda sim preferia continuar sozinha? Não era uma boa idéia se separarem.

-Vai ser perder! –ele gritou ao vê-la se afastar pela mata.

-Duvido muito que antes de você; Diana rebateu continuando a caminhar.

-Droga! –praguejou Shura ao ver que a amazona havia sumido de vista.

-o-o-o-o-

Por quanto tempo andara afinal? –indagou-se voltando os olhos para o relógio de pulso que definitivamente havia parado de funcionar assim que saíra da gruta.

-Diana, Shura... A onde é que vocês estão; murmurou Aiolos lançando um olhar perdido por entre as árvores e arbustos.

Estava perdido...; constatou ao ver que até o momento apenas andara em círculos.

III – Pelo que Lutar.

Não. Deveria ser paranóia sua, mas aquelas aves pareciam farejar o ar; Saga concluiu parado ao lado de Aisty, observando as aves moverem-se, esperavam pacientemente o momento certo de atacar.

-Está pronto? –ela perguntou, vendo que as aves, haviam pousado sobre a beira da lagoa. Teria de tomar cuidado, um passo em falso poderiam cair em algum buraco e sabe-se lá o que estava abaixo daquelas águas.

-Sim; Saga assentiu.

Ambos correram. As aves pareceram notar a presença dos dois, mas de imediato não se abalaram.

-EXPLOSÃO GALÁCTICA; ele gritou, elevando seu cosmo.

Não fazia idéia de quantas aves haviam ali, apenas que eram muitas. Viu pelo menos vinte serem pulverizadas por seu golpe, mas não era nem a metade.

-LAMINAS DE GELO; a amazona gritou e uma infinidade de laminas de cristais de gelo atingiram as aves, mas ao contrario do que esperava, não tiveram efeito algum. Desviou-se de um golpe de uma das aves, que vou sobre ela, tentando acertar-lhe com as garras. –LANÇAS DE GELO; ela gritou mais uma vez ao ver uma ave aproximar-se num vôo rasante. Uma lança saiu do chão úmido, indo atravessar o pescoço da ave.

-Aisty; Saga chamou, indo até ela. As aves estavam se reagrupando e era exatamente aquilo que temiam: um ataque em massa.

-Saga o pescoço, a única coisa que não é de metal é o pescoço. Mire lá; ela avisou, tomando o caminho oposto ao do cavaleiro.

Ambos depararam-se com mais e mais aves. Aisty elevou seu cosmo, fazendo com que em toda a superfície do pântano se formasse uma densa nevoa prateada, Saga voltou-se surpreso para ela, mas não teve muito tempo para pensar.

Travavam um duelo mortal contra as aves. Mais e mais delas tombavam sobre o pântano para depois afundarem sobre aquele limbo gosmento e verde. Aisty derrubou varias, parando por um momento para tomar fôlego.

-AISTY

Ela ouviu Saga berrar e mal teve tempo de desviar-se quando ele se pôs com os braços abertos a sua frente.

-EXPLOSÃO GALÁCTICA!

A amazona viu uma nuvem azulada explodir à sua frente, o cosmo do cavaleiro havia se expandido de forma aterradora pulverizando as aves. Tal explosão de cosmo destruíra boa parte do terreno que os cercava e feito às águas turvas do lago oscilarem.

Um clique como o de metal partido chegou-lhe aos ouvidos e tão logo percebeu a sua origem. A máscara prateada que lhe cobria o rosto se partiu ao meio e caiu displicente sobre o chão como se fossem dois pedaços de papel. Uma chuva vermelha atingiu-lhe o corpo: sangue.

-Saga; ela falou com a voz tremula, vendo-o cair de joelhos no chão. Só agora dava-se conta realmente do que havia acontecido.

Abaixou-se ao lado do cavaleiro que jazia desacordado. E tudo isso porque havia tentado lhe proteger de lapso de distração; ela pensou sentindo um aperto no peito.

Foi então que uma ave, talvez a última, ergueu-se do meio das águas chamando-lhe a atenção. Aquilo não era normal. Aquela ave parecia bem maior do que as demais; ela concluiu numa rápida olhada. Voltou-se preocupada para o cavaleiro inconsciente. Uma ferida feia fora feita sobre seu abdômen.

-Te pego depois; ela falou, fitando a ave, a mesma pareceu compreender e olhá-la de forma debochada.

Aisty puxou-o para uma pequena clareira, onde poderiam ficar longe de qualquer ataque. Era muito pesado, mas tinha de tirá-lo dali de qualquer jeito. Deitou-o sobre o chão gramado e respirou pesadamente.

-"Droga, porque todo cavaleiro tem que ter complexo de super-herói?"; Aisty pensou, se ele não tivesse entrado na frente, talvez fosse ela ali. Menos mal, assim ele não estaria ferido e por sua causa; ela pensou com um olhar triste.

Agora não é hora pra isso, tem que dar um jeito de ajudá-lo logo, se não ele pode morrer; ela concluiu em pensamentos.

Voltou-se para o cavaleiro, que mesmo inconsciente, levara a mão sobre o abdômen, no lado esquerdo, emitindo um baixo gemido.

-"Eu que ouça um comentário malicioso seu depois, que eu mesmo vou mandá-lo para o reino de Hades"; ela concluiu em pensamentos ao começar a abrir-lhe os botões da camisa.

Ergueu-o parcialmente, para tirá-la completamente. Voltou-se para o corte, afastando a mão dele que parecia querer proteger o local ferido. Intimamente agradeceu a Dione por lhe fazer passar noites a fio estudando sobre monstros mitológicos, pelo menos sabia que as garras daquelas aves não eram venenosas, o único veneno era o canto esganiçado.

Deixou os orbes correrem por todo o local. Notando que por precaução uma pequena mochila que o cavaleiro trazia, estava caída a poucos passos de onde estavam. Pelo menos ele se precavera nisso; ela pensou mais aliviada, por saber que pelo deveria ter algo de útil ali.

Afastou-se momentaneamente indo até lá. Pegou a mochila voltando até o cavaleiro. Encontrou duas pequenas garrafas de água, uma camisa reserva e por mais estranho que parecesse ele trouxera consigo algumas coisas de um quite de primeiro socorros, sem ignorar um vidro exagerado de repelente para mosquitos; ela observou.

Pegou a camisa reserva rasgando-a em alguns pedaços de pano. Abriu a garrafa de água, jogando um pouco do liquido sobre a ferida, mas parou ao ouvi-lo gemer. Observou que o corte era bem fundo. Não fazia idéia de como aquela ave conseguira acertá-lo daquela forma sem arrastá-lo junto quando levantasse vôo; ela pensou intrigada.

Molhou um pedaço de pano, começando a limpar o corte. Ouvi-o murmurar algo em meio à inconsciência, mas continuou o que fazia, pouco tempo depois já estava com o curativo pronto. Suspirou aliviada, esperava que ele se recuperasse, embora soubesse que isso iria demorar um pouco. Estava cansada demais para conseguir usar seu cosmo, então, um dos dois teria de se recuperar primeiro; ela concluiu.

Olhou para todos os lados, a noite já estava caindo ou seria a atmosfera daquela ilha que estava piorando a cada segundo; ela pensou, ao notar que o céu aos poucos escurecia. Retirou a jaqueta de moletom que usava e que por sinal já estava com algumas partes rasgadas por ter enroscado em alguns galhos em meio à corrida. Colocou sobre ele e ouviu-o ressonar baixinho o que lhe deixou mais aliviada, pois sabia que agora ele só estava dormindo.

Afastou-se alguns passos encontrando alguns galhos secos de árvores. Juntou-os até formar um pequeno montinho. Voltou-se para o cavaleiro, ele não iria acordar tão cedo.

-Uhn, vamos lá! –ela murmurou, esfregando as mãos uma nas outras. Concentrou-se de forma que seu cosmo fosse direcionado completamente para suas mãos. Bateu as duas, uma na outra, antes de tocar os galhos. No segundo seguinte uma pequena brasa acendeu-se, começando a espalhar-se entre as demais e uma pequena fogueira tomou forma.

Voltou para onde o cavaleiro estava, sentou-se ao lado dele. Intimamente recriminando-se por sua negligencia. Puxou-o delicadamente, até que apoiasse a cabeça dele sobre seu colo. Viu-o remexer-se um pouco e continuar a dormir. Deixou-se relaxar por alguns minutos, mantendo-se em alerta.

-o-o-o-o-

Aos poucos a ave gigante foi perdendo tamanho, voltando a ser igual às outras. Os orbes que antes eram prateados iguais as suas garras, mas que estranhamente tornaram-se vermelhos, voltaram ao normal, enquanto ela pousava sobre a beira do pântano.

Rodes...

Andava de um lado a outro, um sorriso diabólico se desenhava em seus lábios bem feitos. Os orbes prateados do homem de melenas azuis tornaram-se por alguns minutos em carmesim.

-Como são idiotas! Irem completamente desprotegidos para as minhas ilhas? –Apolo falou, dando uma gargalhada ensandecida. –Vão pagar caro por entrarem no meu caminho...

-Tem certeza caro irmão? –uma voz imponente perguntou a ele.

Apolo virou-se para trás deparando-se com uma jovem muito parecida consigo. Porém os longos cabelos estavam presos em uma trança alinhada perfeitamente no meio das costas.

-Ártemis; ele murmurou, vendo-a assentir. –Onde esteve, eu pens-...; ele não completou, pois a viu erguer a mão mandando-o calar-se.

-Seu tempo nessa terra vai acabar caro irmão, enquanto a centelha de vida que move os Anjos continuar a queimar, você nunca será capaz de destruir o que tantas pessoas lutaram para preservar...

-Esta se voltando contra mim, minha irmã? –ele perguntou com um olhar mortal, avançou sobre ela, mas a imagem da jovem desfez-se entre seus dedos.

-Seu tempo acabou Apolo; ela insistiu e o Deus sentiu seu cosmo desaparecer completamente sem deixar rastro.

-MALDIÇÃO! –Apolo vociferou, a irmã sumira e agora a praga daqueles anjos apareciam para acabar com seus planos, mas não deixaria barato, não mesmo.

IV – Trégua.

-Droga! –praguejou. Dessa vez sim estava perdida.Perdida? Completamente perdida...; suspirou a amazona ao ver que a noite logo viria e não havia encontrado nada além de arbustos e árvores.

Estava cansada, cansada de andar e talvez tivesse sido melhor ter permitido que aquele idiota a acompanhasse...

Aiolos... Será que estava perdido também? Indagou-se enquanto sucumbia ao cansaço sentando-se sobre a raiz saliente da árvore atrás de si.

Árvores... Estava definitivamente cansada delas. Levantou-se de súbito. Tinha que procurar por Aiolos, talvez estivesse precisando de sua ajuda ou... Até mesmo aquele idiota o que era mais provável, porém não negaria ajuda nem mesmo a idiotas como ele.

Sem rumo começou a caminhar, correr por entre a mata escura. O crepúsculo já tingia o céu, sabia disso mesmo que não pudesse vê-lo e estranhamente começava a sentir-se perturbada, ameaçada pela noite sem lua que em breve cairia.

-Droga; praguejou novamente ao sentir um arbusto prender-se em seu braço. Puxou-o com brusquidão e sentiu um fino filete de sangue escorrer pelo mesmo.

Era como se aqueles galhos secos e espinhosos fossem mãos, mãos que tentavam lhe prender, acorrentar.

Mais um passo e novamente sentiu um dos galhos se prenderem, mas dessa vez em um dos tornozelos. Puxou-o freneticamente, mas o arbusto parecia ter se fixado em sua perna.

-Por Zeus que droga é essa? –indagou-se puxando a perna sem parar até que sentiu o arbusto se arrebentar e teria ido ao chão se braços fortes não a tivessem amparado.

Prendeu a respiração. Sentia os baços fortes lhe envolverem a cintura, enquanto os orbes castanhos fitavam-lhe no mais completo silêncio.

-Está... Tudo bem com você? –indagou Shura cauteloso.

-Está; ela murmurou sem conseguir deixar de fitar os orbes castanhos, pareciam que tinham um certo magnetismo sobre si que a impediam de deixar de lhe fitar.

O que estava acontecendo consigo afinal? Indagou-se, por fim se afastando do cavaleiro.

-Você se feriu; disse Shura tocando o braço da amazona com a ponta dos dedos.

-Não foi nada; respondeu Diana imediatamente afastando-se. Não era a primeira vez que sentia aquilo... Sua pele se eriçar, como se uma corrente elétrica corresse todo seu corpo ao simples toque dele. E aquilo, lhe perturbava.

-Encontrei o lago, não está muito longe daqui; disse Shura.

-Sério? E o Aiolos?

-Nem sinal dele e já estou ficando preocupado; Shura respondeu sincero.

-Eu também. Acho melhor procuramos por ele não?

-Não sei; disse Shura com um olhar perdido. –Talvez fosse melhor esperarmos por ele perto do lago, porque é pra lá que ele deveria ir e como a noite está chegando corremos o risco de nos perdemos novamente. Acho melhor ficarmos juntos até encontrarmos o Aiolos.

-Você tem razão; pela primeira vez a amazona concordou com o cavaleiro, deixando-o surpreso com isso. –Vamos esperar perto do lago, mas se a noite cair e ele ainda não tiver chegado vamos atrás dele.

-Está certo, vem é por aqui; disse Shura indicando o caminho ao lado.

-o-o-o-o-

-"Mu... Você pode me ouvir? Estamos perdidos e... Droga! Isso não vai funcionar..."; bufou Aiolos.

Estava se sentindo um idiota, no meio do nada tentando comunicação "via cosmo" com o ariano, porém isso não era de todo sem fundamento. Através da telecinese Mu poderia mandar-lhes as armaduras de Sagitário e Capricórnio, por exemplo, isso se o campo magnético da ilha permitisse...

Suspirou cansado, talvez isso definitivamente fosse algo remoto de se conseguir, porem...

-"Mu...?".

Continua...