Um colégio apenas de meninas já chamava muita atenção, agora, o semi internato Divina Maria, era conhecido por suas alunas temperamentais e professores tiranos. Quase todas as meninas que estudavam lá eram "casos perdidos" e o maior exemplo disso, foi quando o empresário Shay Cormac, conservador famoso na Europa e Estados Unidos, pisou dentro da instituição de ensino. De purpurina á sutiãs foram jogados, além dos vários gritos e gemidos das estudantes que era como uma canção erótica composta por várias vozes femininas. E o ponto alto de todo esse carnaval foi a faixa colocada em frente ao prédio da diretoria: "Bem vindo ao vale das Vadias". A diretora e dona da escola soltou uma declaração dizendo que estava muito envergonhada de como o feminismo havia contaminado as suas santas alunas. Foi obviamente uma atitude de repúdio por tal homem ousar colocar os pés naquele santuário feminino. As únicas alunas que o receberam de maneira calorosa foi o grupo escolhido a dedo por Juno, e este pequeno comboio era composto por Cristina Vespucci, Caterina Sforza e Lucrécia Bórgia, as "conservadoras" mais notáveis da escola.
Mesmo que nenhuma delas fosse amiga de verdade, afinal, Cristina com o seu senso de "bela, recatada e do lar" odiava como Lucrécia se vestia e muitas vezes a acusou de ser vulgar. E o problema entre ela e Caterina era mais além, pois diziam as más línguas (Claudia Auditore, sua cunhada) que a Santa Cristina havia sido traída pelo namorado com Caterina e mais outra garota. Mas estas são apenas algumas das Eternas Fofocas Do Reformatório Feminino que Sofia Sartor faz questão de publicar em seu jornal semanal online e impresso. Todas as pessoas que ali trabalhavam liam o que a chaverinho do Quarto ano escrevia, até mesmo Desmond Miles, o cara simples que trabalhava em uma das cantinas do semi internato. Considerado o funcionário masculino mais bonito da semana pela garota ruiva (que em sua opinião pessoal, parecia ser uma menina muito faladeira e intrometida), agora percebia como a lanchonete era pouco conhecida, pois antes no horário de almoço ele poderia ficar jogando no celular até aparecer alguma estudante para ser atendida. Nos tempos atuais, Desmond nem ao menos conseguia respirar, seu rosto vivia vermelho por conta das cantadas descaradas das estudantes (e algumas professoras também.), e o cansaço era ainda maior do que o seu antigo trabalho de barman.
Mas toda essa agitação escolar atrapalhava o seu verdadeiro trabalho, que era "ficar de olho" na professora (gostosa segundo a própria Sofia) de Matemática. Ela aparecia bastante no início, quase como se estivesse fugindo das suas próprias alunas. No começo, Desmond não entendeu o motivo da docente estar sempre tomando comprimidos para dor de cabeça e tirar cochilos durante o almoço, mas depois de algumas semanas a observando, ele entende por que a pobre mulher vivia com dores de cabeça. As estudantes daquele lugar mal olhavam em seu rosto durante os primeiros meses, isso abria brechas para observa-las interagir com a educadora e sinceramente: Mary Thorpe era uma verdadeira heroína por aguentar todos os dias os embates constantes das suas alunas. Não que todas fossem inimigas, longe disto, Desmond percebeu logo no seu início de carreira ali, que a famosa frase: "Mulheres não conseguem conviver em harmonia" era totalmente mentira. Apesar da imensa massa de alunas que circulava na instituição, o ex barman via poucas brigas e discussões pesadas, sem contar que geralmente,quando aconteciam eram quase sempre as mesmas meninas: Cristina, Lucrécia, Rosa, Caterina e Sofia. De todas, as duas piores eram Sofia, que na grande maioria das vezes era quase uma terrorista feminista, que instigava as outras alunas contra posturas machistas dentro da escola. Desmond tinha certeza que futuramente a menina de cabelos ruivos dominaria o mundo,pois nem Juno conseguia deter a jovem quando está resolvia fazer um protesto contra algo que achava injusto. Mas o que mais intrigava nela, era a sua postura na maioria das vezes tímida, com o rosto sempre escondido atrás de um livro, falando apenas com quem iniciava um diálogo. Sofia Sartor era um mistério completo, nem as outras mulheres pareciam entendê-la. Já Cristina por outro lado, era quase o modelo ideal de Bela, Recatada e do Lar. Com o uniforme impecavelmente arrumado independente do horário, ela parecia flutuar no ar quando andava, raramente aumentava o seu tom de voz e sua postura era perfeita. Uma boneca medieval praticamente. Mas o que a distinguia das outras meninas eram as suas ideias um tanto quanto… retrógradas por assim dizer. Nas poucas vezes que Desmond a ouviu falando, a conversa parecia estar sempre girando em torno de criticar alguém, tanto o seu namorado (Ézio realmente estava cego de amor por não conseguir notar o complexo de superioridade que ela ostentava.), quanto as professoras. O fato de Mary ser protestante e ter se casado ainda muito jovem, só endurecia ainda mais as críticas ácidas. Outra que não poderia deixar de ser citada era a professora de educação sexual e pompoarismo (Sim, a vice diretora Minerva achava um absurdo que muitas mulheres com mais de trinta anos nunca terem tido um orgasmo na vida. Segundo Sofia, Minerva era lésbica e não entendia o sofrimento que uma Heterossexual passava nas mãos dos homens. Desmond preferia nunca descobrir por "quantas mãos" a garota Sartor já havia passado.) Madonna Solari, que tinha conseguido o total desprezo da estudante mais velha de toda a instituição, por ser ex dona de um bordel. A terceira mais criticada era Aya, sua professora de Geografia, Química e História que estava passando por um mau momento no casamento por causa da morte de seu filho (Sim, Cristina conhecida a vida inteira das suas desavenças.), mas desconfiava que tal vez, "naquela idade" a mulher egípcia poderia estar grávida. A quarta mulher menos querida pela Florentina era Minerva, que em sua opinião, queria apenas transformar todas as meninas em um exército de Feminazistas por ser lésbica e odiar homens. Depois, o veneno sobrava para as suas colegas de classe e Claudia Auditore, com quem ela teve uma desavença recentemente (Kadar fez questão de gravar a discussão que houve entre as duas.). Cristina acreditava piamente que os homens eram superiores e por isso, nunca tentou expressar as suas verdadeiras opiniões ao seu primo Américo, e apenas concordava com praticamente tudo com o que ele falava. Entre ela e Sofia, Desmond acreditava que seria bem mais produtivo iniciar a ruiva na Irmandade do que alguém inteligente, mas com conceitos extremamente atrasados.
Mas na questão de convivência com Mary Thorpe, as duas garotas mais polêmicas do lugar não tinham um histórico tão ruim assim. Okay, Cristina achava sua professora o cúmulo da degradação (isso sem saber ainda que a outra havia tido um filho fora do casamento com um árabe.), entretanto, um velho ditado resumia a 'falsidade' da ex modelo mirim italiana: Respeito é bom e mantém os dentes na boca. Essa deveria ser a frase que Cristina repetia mentalmente todos os dias quando via a dita professora. Diferente do comportamento com Madonna Solari, Desmond nunca ficou sabendo se havia tido algum desafeto com a professora de Matemática. Cristina já tinha até mesmo discutido com Aya em público, sem medo da mulher africana, mas parecia ter muito medo de Mary. Sofia era outra história completamente diferente. A ruiva de seios grandes (essa foi a primeira característica física que o pseudo espião notou depois dos cabelos vermelhos. Como uma garota de 15 anos poderia ter seios maiores que praticamente todas as modelos de Cláudia juntas?) aparentava não ter medo da "Bruxa Má" e estava sempre ao redor desta. Era muito engraçado ver a jovem Sartor tentar iniciar um diálogo com a mais velha e depois de algum tempo de monólogo, abrir um livro e passar parte da manhã inteira ao lado da sua professora. Sofia parecia sentir uma grande admiração por todas as suas professoras, o mais engraçado disso era que as preferidas da adolescente, eram as mais "odiadas" pela rival. Mas apesar da veneziana ser uma versão mais falante da pequena sereia, Mary nunca parecia estar incomodada com a presença da garota, ela até poderia dar umas patadas e resmungos, mas nunca esquecia nada que a outra lhe contava e apesar de ter várias alunas, a inglesa raramente confundia seus nomes. Aquelas meninas tinham muita importância em sua vida, e deveria ser por isso que a Maestra passava mais tempo na escola, aguentando toda aquela rotina caótica do lugar do que na própria casa. Com Darim em uma creche especial o dia inteiro, Desmond não culpava Mary por não ter vontade de ficar em casa, na verdade, conhecendo a história da morena por completa, ele nem podia julgá-la por estar entrando em depressão depois de tudo.
"Bom dia Des!" A voz animada de Aveline de Grandpré o despertou de seus devaneios. A garota do sul parecia estar sempre cantando quando falava e seu sotaque misturado com francês não dava brechas para uma resposta desanimada.
"Bom dia Aveline." Mesmo que o movimento ainda não fosse tão grande, Desmond não tinha escolha além de fazer perguntas discretas, afinal, logo o primeiro sinal tocaria e a fila seria enorme. "Escuta Aveline, você tem notado algo estranho ultimamente? Quer dizer, eu fico o dia inteiro aqui mas percebi que o clima anda meio tenso." A estudante transferida de Nova Orleans parecia ponderar se deveria contar para o balconista ou não.
"Todas estão preocupadas com a professora de Matemática. Conhece ela?"
"A morena de cabelos trançados que se veste como se fosse uma idosa?" Aveline soltou um risinho discreto, mas logo se arrependeu. Não era certo debochar de sua professora, muito menos em um estado tão crítico quanto estava.
"Essa mesmo, mas por favor, tenha mais cuidado com os seus comentários. Não que Mary iria vir aqui e criar confusão, longe disto mas as paredes desta escola têm ouvidos. Sofia demorou quinze dias para achar uma sala limpa, entende? Seria trágico perder o nosso belo barman." Com uma piscadela, ela faz uma pequena "varredura" no lugar, usando a visão periférica e quando a garota negra percebeu que não tinha nenhuma outra cliente atrás de si, resolveu entrar em mais detalhes. "Não sou intimida o suficiente para saber, mas parece que o problema tem haver com o pai do filho dela. Eu sei disso por que Sofia não consegue manter a boca fechada, mas só contou essa pequena informação para mim até agora e nem vai colocar na edição do jornal de segunda-feira. A coisa parece ser tão séria que ela foi proibida de falar mais do que isso e pessoalmente, não ficaria chocada ao saber que Mary a ameaçou para se manter calada. Ela já faz pior com a Cristina por muito menos." Desmond nunca admitiria, mas a cada dia que passava, ele descobria o quanto gostava de uma "boa fofoca". A tensão entre a Lady Thorpe e a Miss Florença era algo que o ex barman estava querendo saber mais desde quando começara a trabalhar ali. Nem seu primo Ezio sabia dizer qual era o motivo exato.
"Você sabe o que aconteceu entre elas?" A curiosidade foi mais forte que o "Assassino" americano. As fofocas eram como um vício, quanto mais soubesse sobre elas, mais sentiria a necessidade de descobrir as próximas.
"Calma mon chéri, ainda estamos em um lugar público, leve a comida até a minha mesa e eu deixo a resposta para a sua aflição na bandeja." A jovem deixou uma risada suave escapar por entre seus lábios pintados de vermelho, parecia que o tempo como espião havia mudado muito o distante Desmond. Assim como aqueles quatro anos turbulentos haviam transformado Altair completamente. Isso deveria ser genético mesmo.
"Mas Avie, até ficar pronto o café da manhã completo, vai demorar pelo menos Quinze Minutos! Como irei esperar até lá?"
"Terei tempo o suficiente para detalhar todo o acontecido. " Essa foi uma maneira educada de dizer que a conversa tinha acabado. Suspirando alto, o rapaz decidiu que era melhor fazer o pedido logo, pois o quanto antes saísse, mais rápido ele saberia da relação conturbada da Naja com a Tirana.
Contudo, o dia seria bem produtivo, já que dois minutos depois de avisar os cozinheiros sobre o pedido da francesa, Sofia resolveu que era um bom momento para conversar sobre a famosa professora. Desmond teria bastante o que relatar ao seu mentor, pois as meninas pareciam mais falantes do que o normal. Geralmente, a garota de cabelos ruivos esperava até estarem no período vespertino para decidir atrasar a fila e conversar/flertar com o atendente. Mas diferente do restante da semana, Sartor parecia estar mais aérea e pensante, até mesmo um pouco séria, o que por si só já era algo bastante preocupante.
"Responda com sinceridade Des, qual é o seu tipo ideal de mulher?" Graças aos seus reflexos perfeitos, o senhor Miles não derrubou o próprio celular após ouvir o questionamento. Seu rosto esquentou muito rápido, aquele assunto era particular demais para contar a fofoqueira mais conhecida da cidade.
"E-Eu não tenho um tipo específico!" Seus antepassados teriam vergonha pela reação tão espontânea. Os outros "Assassin" nem poderiam desconfiar de tal gafe na frente da blogueira adolescente, ou ele viraria a maior piada dos últimos mil anos.
"Não minta Desmond! Está escrito no seu rosto o contrário." Droga, maldita adolescente intrometida. "Vamos, seja sincero comigo, afinal, fui eu quem o colocou de volta no mercado." O estadunidense perguntava-se como Mary aguentava tal estudante todos os dias!
"Não me enche o saco Sofia, e além disso, não pedi a sua ajuda para voltar ao mercado." A maneira petulante que a sobrancelha ruiva levantou poderia acabar com a paciência de qualquer um. Francamente, o treinamento na Irmandade deveria ser feito com base em tolerância com pessoas como a herdeira Sartor, pois era quase impossível não sentir vontade de matá-la.
"Não seja rabugento! É sério isso, preciso descobrir se os homens gostam mais de mulheres montadas, tipo as de capas de revistas ou misses como a Cristina ou as gostosas naturalmente, como a minha professora de Matemática." Será que o demônio ruivo não se cansava de se intrometer na vida alheia? E desde quando o atendente virou cobaia para os seus toscos artigos femininos? Mas como a garota tinha olhos azuis gigantescos e uma vontade de ferro, Desmond não conseguiu formular uma resposta cruel o suficiente para afugentá-la dali.
"Esse tipo de coisa muda de homem para homem, assim como qualquer outro ser humano. Entretanto, eu Desmond Miles, prefiro mulheres normais,mas existem homens que saem apenas com modelos e misses, isso é normal nos círculos sociais mais abastados." A imagem dos irmãos Auditore passou rapidamente pela sua cabeça, nem Cláudia escapava deste traço genético. Era até mesmo triste por um lado, convivendo em um meio predominante feminino, Desmond percebeu com as normais ou até mesmo as fora dos padrões eram incrivelmente interessantes. Sofia era um ótimo exemplo disso, pois em comparação com as outras meninas atléticas e de corpos malhados, a ruiva parecia não importar-se tanto com os padrões de beleza normais, deveria ser por isso que tinha sido considerada uma das meninas mais gordas da instituição, sendo criticada duramente por Juno pela falta de "força de vontade e comer demais". Um absurdo sem dúvida, já que a menina estava em fase de crescimento ainda e média 1,58 de altura com 65 kg.
"Mas Des e quanto uma mulher tipo a Maria, você ficaria com ela?" Se Altair desconfiasse que a protegida de Claudia Auditore estava tentando jogá-lo para os braços da única criatura que conseguiu concorrer com Adha em seu coração, o novato estaria com os dias contados.
"Olha Sofia, ela é linda realmente, mas não é o meu tipo entende? Gosto mais de loiras." Essa resposta parecia ter deixado a ruiva satisfeita, porém, outra questão logo brotou na cabeça caótica da jovem.
"Só uma última coisa: se uma mulher fica por muito tempo rabugenta, tipo matando pessoas apenas com o olhar, qual seria uma explicação masculina para isso e não vale TPM."
"Bom, talvez ela esteja a muito tempo sem… você sabe o que. Mas, pode ser outras coisa também, a vida adulta é a tarefa mais complicada que existe." "Os olhos azuis safira da menina rolam para cima, Desmond parente um filósofo velho de mil anos quando começando um divagar deste jeito." É só isso ou tem mais perguntas, não tenho todo o tempo do mundo. Daqui a pouco vai bater o sinal do primário e essa lanchonete vai lotar. "Com um gesto exagerado com as mãos, Sofia pedia por um pouco mais de atenção. , Sofia pedia por um pouco mais de atenção.
"Preciso da sua sincera opinião masculina sobre a minha nova protagonista feminina." Quem rolou os olhos desta vez foi Desmond. Todos na cidade conheciam os contos românticos da jovem Sartor, existiam muitos fãs da sua escrita, mas para o americano, era uma total perda de tempo ler uma história dessas sem que nenhum dos casais ficasse definitivamente juntos no final.
"Seja rápida então, ainda preciso levar o café da manhã de Aveline em alguns minutos."
" Qual é a sua opinião sobre uma mulher... hum.. católica que só faz sexo para reprodução, mas perdeu o marido á mais de quinze anos e acabou se relacionando com um homem não cristão e de outra etnia? Além de acabar grávida e este homem em questão ser comprometido. E depois esta mulher acaba ficando sozinha e sendo mãe solo, com uma pitada de depressão e solidão." Os dois ficaram encarando-se por alguns segundos, até o americano perceber que a italiana havia acabado de resumir os últimos quatro anos. Ele não sabia se ficava surpreso pela garota ter descoberto parcialmente tudo ou intimidado com a forma que a ruiva havia lhe dado informações essenciais para a Irmandade sem querer. "Me responde garoto! Preciso saber se ficou interessante ou não."
"Sim, achei muito interessante, até um pouco anormal para o nível das suas histórias." Graças a este comentário, ele foi agredido no braço com um tapa nada delicado.
"Será que dá pra me levar a sério droga? E o pedido da Aveline já saiu idiota. Eu nunca deveria ter dito no meu jornal que você era bonito." Era sempre uma satisfação incomodar Sofia, pois ela ficava com o rosto do tom dos cabelos e acabava falando mais palavrões do que a sua educação rígida permitia. "Só por causa disso, vou mais cedo para a aula de geografia. Morra de saudades de mim!" Usando os cabelos longos como arma, Sofia conseguiu atingir os olhos de Desmond enquanto os arrumava.
Aveline que estava indo pegar o seu café da manhã riu da maneira até infantil que a menina prodígio se comportava. Como já dizia a própria Mary Thorpe: Sofia Sartor não era uma aluna matriculada, mas sim uma entidade criada através dos maus hábitos das alunas, deveria ser por isso que ela havia tido a coragem de apertar a bunda de Haytham Kenway quando este fez uma breve visita a sua diretora. Desmond Miles só não tinha sofrido tal assédio ainda por que estava sempre atrás do balcão, ele não duvidava que a chaverinho fizesse tal coisa consigo também.
"Muito obrigada pelo o seu serviço Dês, mas eu peço que preste mais atenção naquele diabinho ruivo que cheira a livros, pois ela poderá ser uma grande fonte de informações no futuro." Com um último sorriso, Aveline coloca o seu Croissant e café em outra bandeja menor, deixando na primeira uma simples folha de papel com a seguinte mensagem: " No ano em que Mary entrou para a instituição, Cristina espalhou boatos indiretos sobre a sua pessoa e foi dedurada por Lucrécia Borgia. Mary chamou as duas para conversar em sua sala e no final, acabaram sozinhas apenas ela e Cristina, segundo Sofia (que sabe de tudo o que acontece aqui dentro), a nossa professora foi chamada de maneira delicada de prostituta internacional e por causa disso, acabou com as suas duas mãos em volta do pescoço da nossa futura Miss Universo." , Depois de ler e reler a mensagem, o espião ficou perguntando-se como Mary e Adha haviam convivido juntas por um ano e meio, já que a inglesa parecia ser o tipo de mulher que poderia chutar a bunda de um homem com o dobro do seu tamanho, imagine o que não faria com um ser frágil e sensível como a jovem síria.
Élise era a segunda ruiva problemática da escola, mas com toda a certeza era a mais violenta. Sem paciência ou vontade para aturar as picuinhas que certas alunas causavam, a francesa a cada semana metia-se em alguma discussão ou briga com outra estudante. Seu pai parecia muito confuso com a nova fase da filha, e sem saber como lidar bem com isso, já que a sua esposa estava morta fazia alguns anos, ele resolveu que a melhor opção era mandá-la para um internato apenas de meninas, que segundo as palavras de Haytham: "Um santuário feminino", totalmente contrário a opinião de Shay. Mas valia tudo para garantir uma boa educação a sua amada e única filha. Antes de conhecer a escola, Élise achava uma verdadeira perda de tempo, mas depois de perceber tudo o que aquele lugar poderia oferecer, ela só tinha que reclamar da distância com Arno. Quanto mais tempo passava longe dele, mais sentia sua falta.
Contudo, Arno passaria alguns dias na América e Altair liberou um final de semana de folga, tudo estaria perfeito na vida da jovem francesa, se uma conversa sua com o namorado não tivesse vazado. Graças a Sofia e a sua falta de senso comum, a outra ruiva ainda não tinha se matado ou assassinado uma das suas colegas de classe. Incluindo Lucrécia Bórgia, que parecia não ter consciência das coisas que fazia e julgava Élise de maneira descarada. Mas o pior, o pior mesmo foi durante a aula de Geografia, que não era a imbecil da Lucrécia, mas sim a Miss Simpatia a criticando sem parar.
"Uma mulher que faz sexo ainda na adolescência, não merece respeito."
"Qual é o problema? Pelo o que eu saiba, não é crime e nem ruim quando ambas as partes dão consentimento." Aveline fez questão de responder tal acusação, pois sua amiga não estava em condições de debater de maneira pacífica.
"Pois pra mim é um grande problema, além de ser totalmente anormal. As mulheres devem almejar o respeito acima de tudo, isso é o mais importante na vida de uma mulher decente." A nativa de Nova Orleans apenas revirou os olhos, Cristina parecia ser um caso perdido mesmo. Quanto mais discutiam sobre feminismo, mais ela se mostrava contra as suas iguais.
"Na minha opinião…"
"Vamos todas ouvir o que a senhorita Sartor tem a dizer, afinal, a minha aula nunca será produtiva enquanto não resolverem logo esse problema." O rosto que ostentava algumas sardas pintou-se de vermelho, apesar de gostar ter várias pessoas prestando atenção nas suas sábias palavras, não era a sua intenção atrapalhar a aula de Aya. Mas já que a docente fez questão de de tentar solucionar o problema, a ruiva não teria que ter vergonha da sua sentença.
"Agradeço Professora, prometo que serei breve. Como ia dizendo: Na minha opinião, se a Élise conseguiu ter um orgasmo logo na primeira relação sexual, então Arno merece uma estátua em sua homenagem. Não é qualquer homem que consegue realizar tal proeza!" Várias alunas riram, inclusive a própria francesa, mesmo que vermelha e sem graça por ter as suas intimidades vazadas para a escola inteira. A professora de geografia virou em direção ao quadro, para conseguir manter seu rosto sério, sem mostrar que realmente achou hilário a maneira como a italiana compartilhou os seus pensamentos. "E mais! Élise, eu pergunto: Você deu e gostou?" O nível da conversa já estava decaindo muito, Aya ia intervir e acabar com aquela baderna, se a cabeça de fogo número dois não tivesse respondido:
"Dei! DEI E GOSTEI." A bagunça estava feita, Cristina parecia em choque com tal grito, Sofia e Aveline riam juntas da palavras da outra, Aya não sabia se mandava uma só para diretoria ou todas que estavam causando aquele escândalo.
As meninas só ficaram quietas quando notaram uma presença masculina inusitada na porta. Era um rapaz da faixa etária das alunas mais novas da sala, seus cabelos negros constratavam com a sua pele clara e os olhos castanhos escuros deixando seu rosto com um ar de exótico. O jovem prostado na porta era uma figura que oscilava entre um homem adulto (com uma barba bem feita e tudo) e um garoto adolescente, por conta da sua postura amuada em relação as nobres damas. A primeira a falar alguma coisa foi a fofoqueira Número Um da cidade.
"Será que Deus atendeu as minhas preces e me enviou uma versão mais máscula do príncipe do Principe Erick?" Graças ao comentário "indecoroso" de Sofia, as outras saíram do seu estado catatônico. Caterina foi a segunda a verbalizar alguma coisa.
"Pare de falar asneiras Sartor, não vê que bonitinho é o namorado da Élise? O esquisitão que a estalkeava desde a infância." O recém chegado não sabia onde enfiar a cara. Era um comentário pior que o outro. E ainda por cima, Aveline não conseguia conter o riso, saindo totalmente da postura de Lady Sulista.
Já Élise enfrentava o maior dilema da sua vida: se suicidar jogando-se da janela do quarto andar ou bater a cabeça na parede até ter um traumatismo craniano. As duas opções pareciam bem válidas e possíveis de serem realizadas, mas para o seu azar a professora de Geografia se recompôs e mandou Cristina, Sofia, Aveline, Élise e Lucrécia para a diretoria, afinal, toda a confusão começou com elas. De brinde, Arno iria junto, pois segundo as palavras da própria egípcia: "Melhor um homem sozinho, do que preso em uma sala com 40 mulheres.", e fazia até sentindo para quem conhecia as garotas que ali residiam.
Cristina ia caminhando na frente, sem vontade de socializar com mais ninguém. Lucrécia resmungava sem parar atrás da outra, quase pedindo para iniciar uma nova discussão. Sofia e Aveline tentavam distrair Arno enquanto Élise superava a sua vergonha. As amigas da francesa pareciam fazer de tudo na tentativa de amenizar o clima tenso no grupo, principalmente Sofia, que sentia-se um pouco culpada por ter causado toda a confusão. Mas também era muito estranho que um cara da idade delas (de mais ou menos 18 ou 19 anos), tivesse conseguido permissão para entrar na região onde estava acontecendo as aulas. Raramente um homem andava por aqueles corredores, mesmo da equipe de manutenção ou limpeza. Desmond por exemplo, mal conhecia as salas de aula por dentro. Essa dúvida martelava na cabeça de fios acobreados, como Arno Victor Dorian foi permitido ir até a sala de aula para conversar com Élise de la Serre, a garota que o pai deixou explícito que deveria ter menos de contato possível com o sexo oposto.
"Hey bonitinho, como você conseguiu autorização para andar entre as salas?" O rosto do estrangeiro não poderia ficar mais vermelho que já estava, porém, a sua vergonha só aumentava. De maneira acuada e muito constrangida, Arno resolveu responder a questão da amiga da sua namorada.
"Pedi com algumas horas de antecedência. Mesmo com toda a burocracia, ainda é possível ganhar um visto para vir aqui." A boca de Sofia torceu-se um pouco com a frase, deixando o rapaz moreno um pouco desconfortável, não era da sua vontade ser grosso ou indelicado com a menina mais nova.
"Qual é o problema Sofia? Arno disse alguma coisa errada?" Aveline já convive com a entidade a mais tempo, então era bem fácil entendê-la.
"O grande problema não foi o que ele disse, mas sim a sua presença aqui." Neste momento até Élise parecia estar prestando atenção na conversar. "Eu li o livro de regras escolar e até alguns modelos de contratos utilizados para funcionários homens. Percebi lendo que a política de segregação entre gêneros é muito explícita aqui dentro, inclusive, os funcionários de alto escalão são a maioria mulheres. Poucos caras tem oportunidade de trabalhar aqui. O professor de Biologia está sempre pisando em ovos para conseguir manter o seu emprego. A pergunta que fica é: por que deixaram um garoto da nossa idade andar entre os corredores para entregar uma simples mensagem a sua namorada, que o próprio pai deixou explícito o desejo de mantê-la longe de outros seres do sexo masculino, sendo que ele poderia muito bem ter esperar em uma das salas sociais até a aula terminar. Mesmo que Arno tivesse ligado quatro semanas antes, ainda seria altamente improvável que o permitiriam perambular por aí." Aveline tentou conter o sorriso, mesmo que Sofia raramente demonstrasse o motivo por estar na turma avançada com apenas quinze anos de idade, em momentos como esse, sua presença mostrava-se útil a todos.
"Então, qual é a sua teoria sobre isso?" A jovem dama de Nova Orleans era muito chorosa com a linha de pensamentos da ruiva, pois suas ideias sempre saiam de maneira caótica e desorganizadas, mas faziam sentido na maior parte das vezes.
"Preciso falar com outras pessoas sobre isso, e depois de chegar a uma conclusão irei comunicá-la Avie." A mais nova ainda parecia estar pensando sobre essa situação. Porém, depois de ver Cristina batendo na última porta do prédio central, Sofia sorriu e comentou de maneira infantil. "Por favor pombinhos, não falem e nem respirem dentro da sala da nossa amada diretora, pois como todos sabem, ela é a forma romana da deusa grega Hera, a divindade que servia apenas para ser "bela, recatada e do lar", então não vamos irrita-la com a presença de dois jovens que fizeram sexo antes do casamento." A Sartor não fez questão de abaixar a voz e percebeu que os três pares de olhos dentro da sala a encaravam de maneira severa, menos Caterina, que ainda parecia estar em choque por ter que ir na diretoria por não ter feito nada.
"É mais fácil sermos mortos por sua causa Sofia!" Élise parecia cada vez mais ansiosa com toda a situação em si, já seu namorado não sabia onde enfiar a cara e Aveline ficava em dúvida se deveria acudir o casal ou matar sua melhor amiga.
"Estou me sentindo lisonjeada e nem um pouco surpresa pela aluna número um da escola saber das raízes místicas do meu nome." Arno não entendeu bem, mas sentiu um breve calafrio correr pela sua coluna, apesar de Juno ser uma mulher de Classe Alta, havia algo nela que a deixava incrivelmente assustadora. Quase igual aos mitos gregos que descreviam a esposa de Zeus/Júpiter uma mulher elegante e bonita, porém, rancorosa e impiedosa. "Entretando, me sinto triste ao saber da sua falta de fé na minha tolerância. Não estou no papel o que a senhorita de lá Serre faz fora da escola."
"Vaca mentirosa." Os olhos de Aveline duplicaram de tamanho, ela não conhecia ninguém ali dentro da escola que teria coragem de falar assim com a diretora tão explicitamente.
"Desculpe Senhorita Sartor, poderia repetir a sua fala?" A jovem ruiva parecia não ter noção do perigo ou ter uma terceira bola(como diria seu amigo Jacob), mas graças ao bom Deus, não seria hoje que o Franco-austríaco presenciaria um homicídio doloso.
"A culpa foi minha estimada diretora, fui eu quem começou a discussão sobre a conduta de Élise de la Serre." Para a surpresa geral, quem salvou o dia foi Cristina, que parecia querer hipnotizar a dona do lugar com a sua voz. "Refletindo sozinha, percebi que a vida da minha colega não diz respeito a mim e errei em verbalizar o meu julgamento infantil. Eu me responsabilizo pelo o que aconteceu." O escritório ricamente decorado da diretora caiu em um profundo silêncio, todos pareciam confusos com o rumo que a conversa estava tomando.
"Muito bem, se a senhorita Vespucci insiste em levar toda a culpa, então que assim seja." Aveline voltou a respirar normalmente, ela não sabia o que poderia fazer por Sofia se Cristina não tivesse intervido. "Mas, desacato não é algo que eu costumo tolerar e por isso, a senhorita Sartor deverá cumprir um serviço voluntário na nossa biblioteca na cidade. Já que seu amor por livros é gigante, por que não ajudá-la na sua futura função?" Claro que alguma retaliação aconteceria, porém, era até uma punição leve para o tamanho da afronta que a italiana havia feito. Mas Sofia não parecia satisfeita com sua sentença.
"Eu não…" Antes que uma briga verbal se iniciasse entre diretora e aluna, Élise pronunciou-se no lugar da amiga e Aveline teve a brilhante ideia de calar Sofia com a mão.
"Ela aceita." Arno ficou estupefato com a postura das garotas, mas graças a isso, a ruiva não se 'auto-sabotou'.
"Muito bem, ela irá começar amanhã a tarde e deixarei isso como uma atividade extra curricular das 14 às 16. Com apenas duas quadras de distância, não deve ser difícil para a aluna prodígio voltar caminhando para a escola." Caterina achava estranho a mulher adulta ficar satisfeita em punir sua aluna e cliente, mas qualquer pessoa ficaria irada ao ter a sua autoridade confrontada e ainda por cima, ser ridicularizada. "Todas estão dispensadas. E Cristina, serei tolerante com você, pois sei que é uma jovem promissora e raramente quebra regras, por isso irei deixá-la ir com apenas uma advertência: Tenha mais cuidado com a maneira que expressa a sua opinião no futuro."A Miss Florentina tentou disfarçar o arrepio que sentiu.
Em questão de segundos, Juno havia sido deixada sozinha novamente.
Na volta para a sala, Arno e Élise resolveram que era melhor conversarem sozinhos e Sofia deu a chave da sala do Comitê das Flores, para que os dois pudessem usufruir sem serem incomodados. Aveline não sabia se estava ficando muito maliciosa ou era apenas impressão sua, mas a adolescente não parecia ter uma intenção maliciosa ao propor aquilo e sim em ajudar sua amiga na sua situação complicada. Uma atitude até mesmo fofa da parte da ruivinha. Mas o que incomodava verdadeiramente a mais velha do trio era a postura de Cristina diante de Minerva.
"Cristina, posso conversar a sós com você?" Sofia decide voltar para a sala de aula junto com Caterina, enquanto Lucrécia ainda decidia-se entre matar aula na biblioteca ou cumprir o cronograma.
"A sua curiosidade tem a ver com o motivo pelo qual tomei a culpa por Sofia?" A sulista balançou a cabeça em concordância, sentia-se aflita com a postura da florentina, mas se não tivesse sido por ela, nem Minerva poderia salvar sua amiga desta vez.
"Gostaria que esclarecesse os meus pensamentos sobre isso." Um suspiro cansado saiu da boca da Miss Mirim, ela não era um monstro impiedoso que julgava sem sentimentos todos que saiam dos padrões normais.
Se fosse isso, Cristina jamais namoraria Ezio Auditore, que era repleto de defeitos que a jovem abominava veementemente. Porém, ela o aguentava por acreditar que com o seu amor, poderia transformá-lo em um homem melhor, uma missão que Maria Auditore havia falhado miseravelmente, já que tinha deixado-se contaminar com a falta de bons modos, a deturpação dos valores cristãos (que incluíam fazer sexo somente para reprodução e não usar métodos contraceptivos.)e libertinagem de Giovanni Auditore, que agia como um cachorro no cio perto da própria esposa. Claro, seria bem pior se ele fosse adúltero como seus quatro filhos, mas era vergonhoso saber que seus sogros ainda mantinham relações deste tipo nesta idade. Que seres humanos levianos. Claudia era um exemplo pior de mulher ainda! Que tipo de humano do sexo feminino não quer ter filhos? Deus fez a mulher exatamente para isso. É ir contra a própria natureza!
"Escuta Aveline, não é porque considero Sofia Sartor a garota mais insuportável que já pisou no planeta terra, que desejo mal dela. Muito pelo contrário, acredito que com a maturidade, ela irá se tornar uma linda flor no futuro. Não gosto de guardar rancor das pessoas, nem Caterina…" A veterana do quarto ano parecia debater-se internamente sobre isso, as feridas estavam muito recentes ainda, ela não estava totalmente pronta para reatar o namoro e nem a amizade com a outra. "Juno não sabe quando parar e é muito severa, além de extremamente rancorosa. Já trabalhei com ela e a vi destruindo a carreira de várias modelos por muito menos. Como Anciã da nossa sala, é praticamente meu dever cuidar e zelar da chaveirinho." Com uma piscadela charmosa, a morena foi em direção a biblioteca, em um claro sinal que precisava de um tempo sozinha.
O melhor momento do dia para Mary Thorpe era pegar seu filho na creche. Quando Darim corria sorridente em sua direção, os pensamentos melancólicos e trágicos desapareciam, sobravam apenas as lindas lembranças da sua convivência. Nem sempre era fácil lidar com a sua cria, principalmente quando seus olhos dourados encaravam seriamente a mãe. Olhando atentamente para a criança, dava para entender a mensagem enviada no verão passado não por Kadar, mas sim Malik: Adha nunca poderia considerar Darim como um filho, pois apesar do garoto ter puxado a personalidade do pai em muitos aspectos, sua aparência era praticamente idêntica a da mãe, tirando o nariz e os olhos do pai. Se fundissem Altair e Mary, com toda a certeza sairia Darim. Nunca daria para dizer que era filho de um sem citar o outro. E os jornalistas de fofoca em todo mundo pareciam ter notado isso. Existiam milhares de teorias sobre quem seria a mãe do herdeiro. Para a tristeza da noiva e felicidade da ex amante, a criança havia deixado escancarado o fato que seu pai não amara uma única mulher durante toda a sua vida. Pois sim, muito antes do menino nascer, já existiam boatos que o empresário havia engravidado ex amantes, mas ele sempre foi cauteloso e disse para todos ouvirem que se tivesse um filho bastardo assumiria sem medo, afinal, se tinha permitido-se ter uma criança, era porque amava esta mulher de algum jeito. Quatro anos depois desta alegação, nasceu Darim Ibn-La'Ahad.
Porém, aquele dia foi completamente diferente do normal. A professora de Darim não estava com a criança na frente do estacionamento, nem carregava a mochila pequena, mas funcional, que o garoto carregava para todo o lugar onde ia. Um sentimento ruim apoderou-se da britânica, a situação em si era muito estranha, pois seu menino era muito ansioso e geralmente era um dos primeiros alunos a sair da sala, na esperança que a mãe visse lhe buscar rápido. O clima estava tenso, mesmo que a professora dele não estivesse nervosa com a sua presença, seu corpo denunciava o seu desconforto. Saindo do veículo, Mary foi em direção a outra mulher, não sabendo o que esperar.
"Bom dia Senhorita Thorpe, veio resolver algo com a diretora?" A estrangeira não entendeu bem a pergunta, pois raramente tinha que se preocupar com isso e o ano mal havia começado.
"Não, na verdade vim buscar o meu filho. Onde ele está? Aconteceu alguma coisa?" A pedagoga de nome Anne não parecia estar entendendo nada, pois na sua cabeça, não fazia sentido as perguntas de Mary.
"Mas a madrinha dele veio buscá-lo hoje. Não era uma mulher muçulmana de nome Meg, que usa sempre um véu preto na cabeça? Tinha até mesmo um bilhete com a sua assinatura e uma carteira de identidade, além disso, Darim a reconheceu." O pânico corria pelo o seu sangue em uma velocidade considerável. Em questão de segundos, Mary acreditou que sua vida havia acabado novamente. Mas depois de ver os olhos de Anne a encarando com curiosidade e analisar um pouco melhor a sua última fala, o terror transformou-se em ira. Com uma raiva fria acalmando sua vontade de torcer o pescoço da primeira pessoa a sua frente, Lady Thorpe sorriu forçadamente para a outra professora.
"Claro, me esqueci completamente disso. Que cabeça a minha! Desculpe por ocupar o seu tempo com coisas bobas, tenha um ótimo dia Anna. " De maneira desajeitada ela entra novamente no carro, sem averiguar se a professora do seu filho havia mesmo caído na mentira. Antes de sair, ela ainda pode ouvir um: "A senhora está mesmo bem?", mas Mary não tem tempo para pensar sobre isso, o seu único desejo naquele instante era Sangue.
Enquanto isso, Anne pega seu celular e liga para a outra Mary, avisando que a raiva da mulher era tanta que suas mãos tremiam e quase havia quebrado a porta do carro ao bater. Tomara que Adha realmente soubesse o que fazer, pois diferente dos olhos azuis claros da noiva do chefe, está Mary ostentava duas tempestades elétricas nos olhos. Uma mistura inusitada de cinza e azul.
Na primeira oportunidade de parar seu carro, a mãe de Darim ligou para único número que causava-lhe repulsa só de digitá-lo. Será que não podia passar um dia sem que aquela irmandade amaldiçoada não estragasse a sua vida?
"Maryam! Que honra tê-la ligando diretamente para mim, não sei nem como verbalizar tal emoção." A tela do aparelho trincou com a força usada para segura-lo.
"Cale a boca Kadar, me coloque na linha com o seu mentor AGORA." Com o coração acelerado não por emoção, mas sim por raiva, Mary sentia que não deveria encontrar-se com nenhuma dessas pessoas ou cometeria um homicídio. Depois de alguns ruídos do outro lado da linha, seu desgosto era tanto que ela sentia que poderia vomitar no volante. "Altair, seu filho da puta desgraçado!"
"Oi pra você também Maria, é bom saber que está bem e continua aprimorando a sua educação inglesa." Por alguns breves instantes, a mulher viu tudo em vermelho. Sua vontade era de jogar o celular o mais forte possível no para brisa do automóvel.
"Se você estivesse morto ou castrado não faria diferença nenhuma na minha vida. Tudo o que eu quero saber é onde está o meu filho! Cadê a sua honra? VOCÊ ME DEU A SUA PALAVRA QUE NUNCA TENTARIA ARRANCAR O DARIM DE MIM! MENTIROSO MALDITO!" A linha parecia ter ficado muda. Sem perceber a britânica já sentia lágrimas descerem pelo seu rosto. "Como pode ser tão cruel comigo? Isso é um castigo pela sua traição? Pois esteja ciente que não vou desistir fácil do Darim. Ele é meu filho, eu o criei praticamente sozinha…" Suas palavras perderam-se quando um soluço escapou da sua boca. Mary queria morrer naquele momento por demonstrar tanta fraqueza para aquele homem vil e sem alma.
"Maria, nunca pensou pela minha cabeça tomar a guarda dele. Sabe muito bem a minha opinião sobre separar a mãe de um filho."
"Pare de mentir, sua víbora! Seu veneno corrói todas as pessoas a sua volta, por isso só existem cobras ao seu redor. Eu quero o meu filho de volta, está ouvindo? Se hoje ainda não for devolvido, irei fazer uma loucura!"O homem do outro lado da ligação estava muito perdido naquela conversa, ele estava sendo acusado de algo que não fez.
"Será que dá para se manter calma e me deixar explicar o meu lado?" O som de choro o fazia sentir-se um monstro sem coração, que não pensava em nada além de si mesmo. "Primeiro de tudo, eu não pedi a guarda do Darim, a última vez que o vi foi nas férias de verão, a dois mêses atrás." A risada amargurada que a mulher deu, só piorou a situação.
"Suas mentiras não tem fim! E além de mentiroso é um covarde também, por mandar a noiva sequestrar o próprio filho." Algo parecia ter se encaixado na história maluca de Mary. Adha tinha ficado fora o dia todo, planejando algo para o aniversário de noivado deles. Colocado a mão na testa, Altair pressentiu uma futura dor de cabeça.
"Adha fez isso por conta própria, ela queria me fazer uma surpresa e resolveu ir buscar Darim, já que estamos nos Estados Unidos mesmo." A européia estava a ponto de arrancar os próprios cabelos. Como alguém em sã consciência sequestra uma criança apenas para fazer uma festinha de aniversário de noivado? "Não se preocupe, entrarei em contato com ela e essa situação será resolvida da melhor maneira possível."
"É bom que tenha uma ambulância por perto, por que quando eu colocar as minhas mãos nela… Que deus salve sua alma, o corpo já está perdido." Antes de obter qualquer resposta, Mary encerrou a ligação, sem a menor vontade de terminar o assunto de maneira pacífica. Alguém tinha que ensinar para a princesinha da arábia que a terra não girava em torno do seu umbigo. Com os dedos correndo pela tela, um novo número apareceu, desta vez, de uma pessoa que realmente gentil. "Edward, preciso saber onde Adha está e não adianta mentir, eu já descobri todo o esquema desta vaca e se você não me contar a sua localização, pode começar a rezar pela vida de Anne. Um templário sempre cumpre aquilo que promete, você sabe disso melhor do que ninguém." Em um curto período de tempo, o ex pescador/pirata já tinha lhe dito onde ficaria o local para a confraternização.
Mary Thorpe dirigiu até o local de maneira calma e calculada, sabendo que não poderia matar a mulher oriental, mas isso não a impediria de causar muitos estragos.
