Só para atualizar, mesmo. Boa leitura – se alguém estiver o fazendo -

Insanidade

Kiku estava achando incrível. Todo dia saía com dor de cabeça do trabalho, mesmo sendo uma escola dita "de elite". A melhor parte ultimamente estava sendo o caminho para casa, quando Arthur fazia-lhe companhia – e provou ser uma bastante agradável. O próprio britânico gostava de ter alguém além do idiota do Alfred para conversar, visto que amedrontava os colegas, em sua maioria.

- Não vale! Você não explicou isso, teacher.

- Expliquei sim. Acredito que na aula em questão você estava dormindo sobre o caderno, então não conseguiu ouvir... – todos riram e o americano fez bico. – Tente fazer algo. Não está tão difícil.

Apesar do que o nipônico falara, o desespero era quase que geral. Os únicos que não estavam era Arthur – que escolheu deixar a prova em branco, pois sabia o conteúdo – e Ivan Braginski, um russo que colava descaradamente, para desespero dos que prestavam atenção na aula e eram mais fracos que ele.

- Ivan, a prova é individual e sem consulta. Por favor, concentre-se na sua prova.

- Tudo bem, da~ - apesar do que falara, continuou o que fazia.

- Ivan – repetiu, pacientemente. – Por favor. Não me faça ter que tomar sua prova.

- Você não vai, querido professor.

Apesar do sorriso infantil presente nos lábios do russo, era mais do que claro que Ivan continuaria a copiar sem vergonha alguma a prova de quem estivesse mais perto, fazendo com que todos voltassem a atenção para a situação que se desenrolava. Apesar de ter entrado no colégio naquele ano, vários boatos já rondavam a figura do loiro – boatos que ninguém tinha vontade de conferir se eram ou não verdadeiros.

- Ivan... É a última vez que vou avisar.

Dessa vez, nem mesmo olhar para Kiku Ivan olhou. O japonês soltou o ar pacientemente, vendo Raivis tremendo, quase desabando a chorar. Não podia deixar as coisas prosseguirem, sabendo o quanto seria ruim no futuro – não só de Ivan, mas no do garoto intimidado. Sorrateiramente, aproximou-se do russo, tomando-lhe a prova ao passar, desencadeando uma tensão geral na turma. Ivan lentamente se levantou da cadeira, o mesmo sorriso congelado dos lábios, mas com uma expressão sombria.

- Por que fez isso, professor?

- Não foi por falta de aviso, Ivan.

O mais novo fez menção de ir até Kiku estava, fazendo Arthur se lembrar repentinamente de ter ouvido uma história de que Ivan batera em um professor, que teve de ir ao hospital de ambulância... O inglês logo se adiantou, sem pensar, colocando-se na frente de Kiku.

- Oh... Quer ser o primeiro, Arthur?

- Pode vir.

Desafiou, cerrando os punhos, apesar de no fundo também se assustar um pouco com Ivan – ele sempre sorria, parecia um maníaco! Àquela altura, a sala já estava um completo caos; a prova seria anulada, mas no momento Kiku tinha algo mais importante para se preocupar. Colocou-se entre os dois alunos, tentando afastá-los antes que saísse uma briga.

- Parem com isso! Arthur! Ivan!

- Não se meta, falo com você depois, da~ - o russo disse com certo tom de ameaça, pegando o menor pela gola.

- Hey! Solte-o.

- Você é tão chato, Arthur. Tenho tanta vontade de te bater... – comentou baixo. – Por isso não tem amigos, da~

- O quê?

Esbravejou, dando um passo na direção do outro, mas não chegou. Ivan empurrou Kiku contra Arthur, fazendo com que fossem ao chão. O britânico franziu o cenho, segurando o menor pelos braços, levantando o olhar para o outro.

- O que você–

- O QUE ESTÁ HAVENDO AQUI?

A porta foi aberta violentamente, todos se assustando com o grito que o disciplinário dera, ficando quietos imediatamente. Vendo Kiku no chão, o turco adentrou a sala com passos pesados, ajudando o professor a se levantar, deixando um Arthur emburrado – e um tanto embasbacado – no chão.

- Está bem, Kiku?

- De algum jeito, sim...

- Bom – voltou o olhar para o russo e a sala, voltando a falar alto, sem a maciez no tom que usara com o nipônico. – Quem vai desembuchar?

- Não foi nada... – o russo fechou os olhos, alargando o sorriso.

- Nossa, tipo, eu vi tudo totalmente. – Feliks foi à frente, um dos poucos que não tinha medo de Ivan, mas arrastando consigo um colega que tremia de medo.

- F-Feliks! É melhor ficar quieto... – murmurou o lituano.

- Fale logo – Sadiq cruzou os braços, autoritário.

- Tipo, vou falar então. O gordo do Ivan tava colando totalmente na cara, aí o professor tomou a prova dele, aí o gordo queria espancá-lo, tipo, totalmente! Aí o Arthur foi defender o namorado e...

- O quê?

- Feliks!

Arthur e Kiku coraram, sem entender do que o polonês falava.

- O que foi? – colocou as mãos na cintura.

- Todos sabem que o Arthur sempre vai contra o Ivan... N-não invente histórias. – pediu Toris.

- Mas é! Tipo, outro dia–

- HAHAHA! – Alfred teve que rir. – Essa foi boa, Feliks! Conta outra piada, vai!

- Kiku? – o turco voltou-se para o menor, que balançou a cabeça negativamente, fazendo-o dar de ombros. – Mas foi isso que aconteceu com Ivan?

- Sim... – respondeu, hesitante.

- Certo – voltou-se novamente para a sala. – IVAN! DETENÇÃO PARA VOCÊ! E, Feliks, pare de usar uniforme feminino!

- Mas fica tão melhor em mim!

Enquanto o polonês discutia sobre o turco, Ivan somente lançou um olhar ao nipônico que estremeceu ao entender a mensagem: você me paga.

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- Professor! Sua perna...

- Huh? – olhou para o local que a garota apontava, vendo uma pequena mancha de sangue na região do joelho, marcando o tecido azul marinho. Como a menina reparou naquilo? – Não é nada. Não se preocupe, Meimei.

- Nada disso! Precisa ir até a enfermaria.

- Tudo bem... – suspirou, sabendo que ela não se acalmaria até ir lá. – Vai ser rápido. Enquanto esperam, façam os deveres da página

A classe concordou, deixando que o professor saísse tranquilamente. A turma 1-B era a que menos trazia problemas ao professor de Física. Claro, nada era perfeito e não eram todos que prestavam atenção na aula – muitos dormiam, na verdade - mas, ao menos, não atrapalhavam. E nem faziam com que se machucasse, pois tinha certeza de que fez aquilo na queda causada por Ivan. Respirou fundo, abrindo a porta da enfermaria.

- Com licença...

Pediu, adentrando o local. O responsável pela sala era velho conhecido do nipônico, sorrindo de maneira calma e sonolenta para ele – tinha acabado de acordar.

- Kiku... Olá. O que faz aqui...? Veio me ver...?

- Não... Eu acho que me machuquei, queria apenas fazer um curativo.

- Certo... – fez uma expressão séria. – Tire as roupas que farei um exame completo...

- Anh... Não precisa, obrigado. Apenas o curativo.

- Fica para a próxima, então...

O grego indicou uma maca, na qual Kiku se sentou, levantando a barra da calça até deixar o joelho à mostra. Heracles inclinou-se em frente ao menor, limpando o ferimento e enfaixando devidamente – algo que o nipônico achou um tanto quanto exagerado, mas não reclamaria. Só ficou realmente incomodado quando o outro não se afastou, mesmo após terminar o que fazia. Ia bem pelo contrário, segurando a cintura do menor para garantir que ele não iria fugir.

- E-er... Já está bom, Heracles.

- Você sempre foge quando falo disso... Eu ainda gosto de você...

Disse com um sorriso, aproximando-o de si, ao passo em que o japonês colocava as mãos nos ombros do outro, tentando afastá-lo.

- P-pare! Já disse que não...!

A porta se abriu, fazendo com que ambos direcionassem o olhar para a mesma.