Sinopse:
No mundo onde Harry perdeu a batalha contra Voldemort, Rony e Hermione lideram um grupo de rebeldes sem saber que o outro lado possui seu sangue. U.A. - R/Hr e SM/RW - Pós Deathly Hallows.
Improváveis vestígios
Fanfic por Jaqueline Granger
Capítulo 2
O ódio cresce com a dor
Tempos de guerra possuem características bem peculiares. Tudo muda quando se está em guerra, especialmente se esta envolve magia. Há treze anos, Voldemort retornou e há doze a Ordem perdeu a sua maior esperança, Harry Potter. Nos últimos anos muitas perdas foram sentidas. Começou com Sirius e Dumbledore, e logo depois foram Lupin, Tonks, Snape, Fred, Molly e Percy. A Ordem da Fênix não existia mais como antes. Ganharam novos adeptos, mas nada muito significativo. A população mágica tinha medo de se opor a Voldemort, poder máximo atualmente.
Hoje, lutando às escondidas, os integrantes da Ordem ocupavam como sede o porão de um antigo celeiro no sul da Inglaterra. Ex-aurores, cidadãos comuns e mulheres viviam refugiados no andar subterrâneo do celeiro, sob milhares de feitiços de proteção. Entre os refugiados, Rony e Hermione dividiam um quarto minúsculo, o único cômodo onde podiam compartilhar alguma privacidade, já que os demais cômodos eram comunitários. Com a união das vítimas de Voldemort, formou-se uma família. Mas, na sua grande maioria, idosos e crianças, vítimas de ataques mal sucedidos e perdas brutais.
Hermione estava deitada de bruços na cama há cerca de meia hora. Segurava uma foto levemente desbotada onde se via ela e Rony segurando o que mais parecia ser um embrulho do que um bebê. Rose. Hermione nunca desistira de encontrar sua filha. Voltara ao bosque em Wiltshire diversas vezes, perguntara por uma senhora com uma criança, sondava os espiões da Ordem entre os Comensais, mas nada. Há quatro anos sua filha estava desaparecida. A sua ânsia de encontrar Rose só aumentou quando há menos de dois anos perdera seu outro filho, Hugo, assassinado nos braços de sua avó, Molly Weasley.
- O que está fazendo, Mione?
Rony entrou no quarto, ainda vestido com a capa e capuz que usava quando tinha missões externas. Ele se sentou na beira da cama e Hermione escondeu a fotografia debaixo do travesseiro antes de virar para encará-lo.
- Nada, estava só descansando um pouquinho.
- Achei que quando chegasse você já estaria pronta para a reunião – ele beijou suavemente seu rosto antes de continuar – Vou só tirar essa capa suja e já vamos, okay?
- Vá você, tenho outra coisa para fazer.
Rony parou por um segundo e então começou a tirar vagarosamente a capa, ainda encarando Hermione.
- Que outra coisa você tem para fazer? Não me diga que você voltará àquele maldito bosque.
- Rony, você não entende...
- Não, Hermione, parece que a única pessoa que não entende as coisas aqui é você. – Rony falava com o tom de voz alterado – Não sabemos onde Rose está, nem ao menos sabemos se ela está viva!
- Rony, não é porque você perdeu sua fé que eu tenho que perder a minha!
O bruxo pareceu refletir por um minuto e então voltou a trocar de capa. Hermione sabia que o marido só queria o melhor para ela, e ela tinha consciência de que esta procura incessante tinha feito com que ela abandonasse um pouco a própria Ordem da Fênix. Ela sabia que era a única esperança de Rose. Ninguém mais parecia se importar, nem mesmo Rony, tão empenhado em acabar com Voldemort. Hermione sabia que deveria ajudar mais a Resistência, mas havia uma outra prioridade.
Rony terminou de se arrumar em silencio e abriu a porta do quarto para sair.
- Você não vem mesmo?
- Não. – Hermione falou olhando para baixo e só se levantou após ter ouvido o som da porta batendo.
Já sabia o que seria tratado na reunião, já participara diversas vezes. Os antigos aurores discutiriam as alternativas que tinham para acabar com a última horcruxe de Voldemort: Nagini. Depois da morte de Harry, Rony e Hermione se sentiram responsáveis pela tarefa de acabar com o maior bruxo das trevas existente e com isso libertar o mundo mágico. Hoje, o maior objetivo da Ordem era esse: acabar com Nagini para então poderem matar Aquele-que-não-deve-ser-nomeado.
Hermione sentou-se novamente na cama e pegou a foto debaixo do travesseiro. Talvez Rose estivesse morta. Essa possibilidade torturava-lhe a mente. Perdera dois filhos na guerra, assim como muitas outras mulheres que também se refugiavam naquele celeiro. Talvez nunca soubesse realmente o que acontecera com sua filha, mas não desistiria. Pegou seu casaco com capuz e saiu para mais um dia de procura.
Joss Atkinson tinha toda a energia normal de uma criança de quatro anos. Brincava, dançava e corria em sua grande mansão. O problema é que ela não tinha uma mansão e não era necessariamente livre para fazer qualquer um desses tipos de atividades. Vivia sendo recriminada, tanto por sua avó Helen, como pelas sras. Malfoy, Narcisa e Astoria, mãe e esposa do dono da mansão.
A pequena Atkinson não era a única criança do casarão. A sra. Astoria e seu marido Draco tinham um menininho muito loiro, Scorpius. Menino emburrado, na opinião de Joss, mas, mesmo assim, seu único amigo. Sempre que podia dava uma escapadinha dos olhares de sua avó e ia brincar com Scorpius. Ele até mesmo tinha um grande quarto de brinquedos! Ele nunca emprestava nada para Joss, mas ela sempre fora mais forte que ele, então, depois de uma pequena briga (garantindo alguns arranhões em ambos), ele sempre acabava cedendo.
Há até pouco tempo, Joss achava que Scorpius era seu irmão. Afinal, moravam na mesma casa, ambos levavam bronca de Narcisa, Astoria e Draco e os dois tinham um grande carinho por Helen. Sua avó cuidava de Scorpius assim como cuidava dela, mesmo quando ele tinha as suas crises "filhinho de papai", mas nessas horas era Joss quem socorria sua avó, dando beliscões nele quando ninguém estava olhando.
Às vezes, quando a mansão estava cheia de gente, sua avó proibia Joss de sair de perto dela. Depois, Joss descobrira que Scorpius também ficava trancado em seu quarto sempre que aqueles bruxos de máscara apareciam na mansão. Joss nunca soube quem eles realmente eram.
Mas aquele não era como um dia desses, pelo contrário, a casa estava até vazia. Sua avó já tinha passado as tarefas do dia seguinte para os elfos domésticos da casa e já havia colocado Joss na cama. Com a luz apagada, Joss rolou debaixo das cobertas algumas vezes antes de decidir levantar. Foi até o quarto de brinquedos de Scorpius, o garoto costumava dar umas escapadas de seu quarto para brincar lá antes de dormir. Andou bem devagar, com os pés calçados apenas com meias grossas, para dar um susto no garoto. Os corredores estavam escuros, mas passando em frente às portas entreabertas da sala de estar viu as duas senhoras Malfoy conversando à luz de velas.
- Ele ainda não voltou, Astoria, e se algo aconteceu a ele?
- Tenha calma! Draco entraria em contato se tivesse dado errado!
- Mas Greyback falou que desconfiava de vazamento de informações e...
- Cale a boca, mulher! Você realmente leva em consideração o que aquele lobo nojento pensa? Vamos esperar!
Joss atravessou em frente à porta bem lentamente para que nenhuma das duas a visse. Mais alguns passos e chegou à porta grande e bem trabalhada, onde havia alguns entalhes engraçados. Mexeu levemente na maçaneta e a porta se abriu. Scorpius devia estar lá dentro. Entrando sorrateiramente, Joss se aproximou do menininho de cabelos loiros que estava sentado de costas para a porta. A garota colocou as mãos nos olhos de Scorpius, pronta para ver se ele acertava quem estava às suas costas, mas então sentiu a palma de sua mão molhada e soltou rapidamente.
- Tá chorando?
- Não, idiota! – Scorpius levou um beliscão de Joss e então continuou – Aaii! Tá, tá, tô chorando.
- Por quê?
- Minha mamãe bligou comigo.
- Por quê?
- Voxê só sabe perguntar isso? – mas antes de levar um outro beliscão, continuou – Porque eu perguntei do papai.
- Nem vi seu papai hoje.
- Nem hoje e nem ontem. Tava só com saudade. Aí ela reclamou e bligou.
- Sua mãe é chata!
- Eu gosto da sua avó. – Scorpius falou olhando para o chão – Ela sempre me dá dois pedaços de bolo.
- Eu também goto dela.
- Por que ela tem cabelo blanco e você vemelho?
- Não sei, papai Sacha tinha pleto, vi na foto. Acho que a mamãe devia ser ruiva antes de sumir – Joss falou dando de ombros e mudando totalmente o tom de voz, quase gritou: Vamos brincar?!
Os dois começaram a separar algumas coisas das pilhas de carrinhos, bichinhos e tabuleiros. Scorpius realmente tinha muitos brinquedos, mas nunca os usava sem Joss. Eles sempre brigavam, mas ambos tinham bom coração e eram igualmente carentes. No natal, Scorpius sempre pedia dois presentes diferentes ao seu pai sem dizer que o segundo havia sido escolha de Joss.
Dentre os diversos brinquedos de Scorpius, o preferido de Joss era a sua vassoura. Não era realmente de verdade, mas o sr. Malfoy tinha dito que voava a alguns palmos do chão. Joss já conseguira algumas vezes tirar por um segundo a vassoura do chão, Scorpius não. Passando os olhos pelos brinquedos, Joss encontrou a vassoura debaixo de uma grande pilha.
- O que voxê vai fazer?
- Vou pegar a vassora.
- Vai cair tudo.
- Vai nada – Joss continuava puxando a vassoura, fazendo tremer toda a pilha.
Alguns segundos depois, como Scorpius havia anunciado, a pilha toda, com diversos brinquedos, caiu, fazendo um barulho muito grande conforme os brinquedos tocavam no chão. Ao ouvirem os passos apressados vindos da sala de estar ao lado, Joss e Scorpius se esconderam atrás de alguns brinquedos empilhados no fundo do quarto.
- Scorpius Malfoy? Pode aparecer, seu peste!
Lentamente, Scorpius levantou, ficando à vista de sua avó e mãe. Joss, vendo que o amigo foi descoberto, também levantou, provocando uma cara de surpresa nas duas senhoras à porta.
- Ah, tinha que ser essa menina mesmo!
- Aposto que foi você quem derrubou tudo, não foi? – Astoria, que já estava na frente dos dois, apertou fortemente o braço direito de Joss, deixando uma marca vermelha em sua pele pálida.
- Você ouviu algo, Astoria? – após perceber que a nora pouco dera atenção, Narcisa continuou – Eu vou dar uma checada lá fora.
- Pode ir, vou dar uma liçãozinha nessa pestinha aqui.
- Não bate nela! – Scorpius gritou antes que a mão de Astoria descesse por completo no rosto da ruiva.
- Com quem você pensa que está falando, hein? – Astoria largou Joss e correu em direção a Scorpius, tapeando fortemente sua cabeça – Você é mesmo um inútil! Cale a boca!
Joss começou a chutar as pernas da bruxa fortemente, mas antes que ela pudesse revidar todos ouviram os gritos de Narcisa vindos da sala de estar.
- Astoria, venha até aqui. Rápido!
- Me acerto com vocês depois.
Assim que Astoria saiu, Joss e Scorpius correram também pela porta entreaberta para ver o que estava acontecendo. Três bruxos mascarados carregavam um corpo visivelmente machucado. As crianças não conseguiram ver o seu rosto, mas um caminho de sangue ficou marcado no chão depois que os bruxos passaram. Todos entraram na sala de estar, saindo do campo de visão de Joss e Scorpius. Sorrateiramente, ambos foram até a porta ao lado e assistiram às senhoras Malfoy chorando e gritando palavras desconexas sobre o corpo. Joss ia perguntar para Scorpius se ele fazia idéia do que estava acontecendo, mas percebeu que o garoto estava com os olhos vidrados na cena.
- Papai? – chamou o garoto, adentrando na sala, revelando a todos a sua localização.
- Não sei se seria bom o garoto vê-lo desta maneira, Astoria – Narcisa falou aos prantos.
- Não, ele precisa ver. Venha, Scorpius, – Astoria puxou o filho, abraçando-o de costa, fazendo com que ele ficasse de frente para o corpo deitado no sofá – veja o que aqueles Inimigos do Sangue imundos fizeram com seu pai. Veja!
Joss assistia assustada a Astoria segurando o rosto de Scorpius, impedindo que ele virasse, na tentativa de não ver seu pai morto. Mesmo sem muito entender, Joss sentiu muita pena de Scorpius. Ela também tinha perdido o pai e a mãe, mas não lembrava deles, era diferente. Agora Scorpius estava lá, chorando grossas lágrimas silenciosas em frente ao cadáver de seu pai. Quem seria tão ruim assim para fazer uma criança sofrer? Esses Inimigos do Sangue deviam ser realmente muito malvados.
Parecia que enfim ele adormecera. Ele sempre ficava agitado quando sabia que havia missão. Na verdade, todo o quartel de refugiados ficava. Mas Teddy Lupin tinha alguns motivos a mais. Hermione nem conseguiria contar quantas vezes fora acordada por ele, dizendo que tivera um pesadelo com algum Comensal da Morte ou mesmo Voldemort. Também pudera, com apenas doze anos de idade ele perdera pais, avós e padrinho na guerra. Hermione criara o hábito de levá-lo para dormir com ela sempre que Rony saía para missões.
Hermione arrumou a coberta sobre Teddy pouco antes de ouvir uma forte agitação do lado de fora do seu quarto. Procurando não acordar o garoto, Hermione foi investigar o que estava acontecendo. Vários bruxos passavam apressados pelo corredor escuro, indo em direção ao grande saguão onde todos costumavam comer diariamente.
- O que aconteceu? – Hermione tentou parar uma bruxa que esbarrara nela.
- Parece que a missão não deu certo, alguém morreu!
O ar ficou preso nos pulmões de Hermione por um breve momento. Rony estaria machucado? Não podia jamais sequer pensar nessa possibilidade, então saiu correndo, misturando-se a multidão a procura de notícias. Quando chegou ao saguão viu diversas pessoas se abraçando, outras chorando e muitos feridos espalhados.
No centro, havia um círculo com um grande número de pessoas. Hermione aproximou-se devagar. Tentou com cuidado entrar no centro do círculo, desviando-se de diversos bruxos que olhavam atônitos a cena que se passava. A primeira coisa que Hermione conseguiu enxergar quando chegou onde tudo estava acontecendo foram os vastos cabelos ruivos, caídos no chão. Seu coração acelerou. Empurrou com força as pessoas que ainda estavam a sua frente e então conseguiu entender o que estava acontecendo.
O corpo de Arthur Weasley estava caído no chão, com os olhos abertos, sem vida. Jorge e Gina estavam debruçados sobre o cadáver do pai, chorando desesperadamente. Gui e Carlinhos, abraçados, falavam palavras desconexas. Neville e Luna ajudavam a tratar algumas feridas em Kingsley. Hermione procurou ao redor, e então encontrou Rony agachado em um canto, com a cabeça entre as pernas. Seu corpo balançava com os seus soluços em meio ao pranto. Hermione aproximou-se do bruxo e ajoelhou, ficando com o rosto na mesma altura do dele.
- Rony?
Percebendo que ele não demonstrara ter escutado, Hermione levantou carinhosamente o queixo do bruxo com a ponta dos seus dedos. Seus olhos estavam profundamente vermelhos, e as lágrimas formaram caminhos em seu rosto sujo. Ele estava destruído. Hermione não conseguiu conter a lágrima teimosa que se formou em seus olhos. Abraçou Rony fortemente, não sabia o que fazer.
- Eu sinto muito, meu amor.
Os dois ficaram nesta posição por muito tempo. Hermione queria proteger seu marido de qualquer dor que pudesse existir, mas nada do que ela fizesse seria eficaz, nada seria suficiente.
- Eu preciso de você – Rony falou num fraco tom de voz no seu ouvido, depois de um longo tempo apenas chorando – Não vou conseguir continuar sozinho, Mione.
- Eu sei.
Hermione não sabia o que falar. Não queria ter que colocar a luta como prioridade novamente, mas a cena de seu sogro morto só lhe fez lembrar quão frágeis eram. O próximo poderia ser Rony, e ela jamais permitiria isso. Ele era a sua única família, o seu grande amor e agora sua prioridade. Ela afastou-se alguns centímetros de Rony, beijando sua testa suavemente.
- Estou aqui com você, você nunca mais estará sozinho. – ela o abraçou novamente – Eu voltei.
Cenas do próximo capítulo:
"Ele aproveitou as mãos estendidas de Joss para puxá-la, fazendo com que ela caísse sobre ele. Eles estavam com os rostos quase colados. Estranhamente, Joss sentiu-se desconfortável estando tão perto de Scorpius. Crescera ao seu lado, estavam juntos o tempo todo, mas aquela proximidade estava fazendo seu rosto corar."
...
"Rony se aproximou do globo. Todos se prepararam, ficando com as varinhas em mãos. Então tudo aconteceu muito rápido. Com a espada, Rony rompeu a esfera fazendo com que Nagini mergulhasse ameaçadoramente em direção aos demais."
N.A.: E aí, o que acharam do capítulo? E o que estão achando da fic? Quero reviews, hein!! ;)
Mais uma vez um big obrigada para minhas betas amigas Bel Wood e Lucy Holmes pelo apoio de sempre! Obrigadão tbm a todos que deixaram comentários aqui e floreios: Thaty, Sany Evans, Anaisa, Mione Ogawa Black e Patty... vi que minha fic está com alguns alertas aqui e isso me deixou muito feliz!
Gente, não deixem de acompanhar e eu prometo que as atualizações não demorarão muito.
Beijinhos. Fiquem com Deus!
