N.A.: Lindas lindas... bom, como sempre prólogo não conta nada, né? Então, cá está o cap. 1. Essa fic não será diferente das minhas outras, postarei todas juntas uma vez por mês... se me bater a louca, posto antes... ahuahauhauhua
Obrigada: Cora, Miih, Ms. Halfway e Felisbela, vocês são umas lindas por comentarem.
Boa Leitura!
Quase nada aqui me pertence, apenas as situações que escrevo e a O.C.. Não ganho nada com essa fanfic, apenas comentários lindos e leitores maravilhosos.
Capítulo 1
Tudo era vermelho e dor. Não conseguia pensar em mais nada a não ser a dor que sentia. Não quis abrir os olhos, sabia que veria apenas vegetação outra vez, e não queria gritar, sua voz não sairia novamente. Mas então algo estava diferente. Não mais sentia a suspensão do próprio corpo, o peso que fazia em seu próprio pescoço, rezando para que ele quebrasse logo e ela morresse. Arriscou engolir saliva e ela passou por sua garganta machucando-a, mas sem obstruções.
Morri. Finalmente morri. Pensou, feliz. Finalmente havia morrido e não mais teria que esperar. Foi quando ouviu vozes. Primeiro eram apenas zumbidos, pequenos e baixos barulhos, mas então distinguiu vozes. Elas vinham de sua esquerda e eram duas pessoas. Quis chorar. Pensara que havia escapado deles, mas lá estava novamente, presa novamente pelas pessoas que a tentaram matar.
Abriu os olhos devagar, sem mover mais nenhum músculo; tanto pela dor quanto para que ninguém visse que estava acordada. Em um primeiro momento apenas conseguia ver avermelhado. Tudo ali tinha essa tonalidade e estava escuro. Viu que estava em uma cama, em um quarto limpo. Cadeiras estavam ao canto, um lençol cobria levemente seu corpo. Arriscou olhar para o lado e viu que três homens estavam ao lado de onde estava, e estavam tão compenetrados na conversa que não a viram acordar.
Virou a cabeça na outra direção vendo uma porta não tão longe, talvez conseguisse chegar até ela e escapar. Então uma dor dilacerante fez com que gemesse e os homens que conversavam ali perto, parassem a conversa e virassem em sua direção.
Adeus liberdade.
Um homem barbudo aproximou-se mais e olhou-a dentro dos olhos fixamente. Por alguns segundos ela apenas ficou parada, temendo o que poderia acontecer. Não conseguia entender o que estava acontecendo e porque agora ele colocava um aparelho no ouvido e forçava algo gelado contra seu peito.
"Está com a respiração fraca, mas parece estar bem melhor." Ouviu o homem dizer para si e para os outros dois. Estremeceu quando ele levantou sua franja, olhando dentro de seus olhos e apontando uma lanterninha. "Acalme-se, não vamos machucá-la."
Sua respiração ficou acelerada e ela não conseguia acalmá-la, mesmo que quisesse. Olhou para os três homens, que agora falavam algo, mas ela já não conseguia mais entender. Tudo foi ficando escuro e seus olhos se fecharam.
Deixem-me morrer.
Gleen viu quando os olhos da garota se fecharam novamente e suspirou cansado. Já estavam ali no quarto há horas, e ela já estava apagada há dois dias. Olhando-a novamente apagada na cama, não conseguia entender quem poderia ter feito algo com ela. Quando Daryl voltara da caça, ao vê-lo sair da floresta correndo, achou que vinham errantes atrás dele, e o que ele carregava no ombro era uma caça. Pegou a pá que estava perto e correu para socorrê-lo, mas então viu que era um corpo que ele trazia e que não vinha ninguém em seu encalço.
Foi ao seu encontro, mas ele não parou e não lhe disse nada, apenas continuou correndo na direção da casa. Rick veio a seu encontro quando parou de seguir Daryl:
"O que houve?"
"Ele estava carregando alguém."
Gleen olhou para todos os lados e viu que todos estavam ali, todos estavam bem, então quem poderia ser nos braços de Daryl? Correu com Rick para dentro da casa e achou Daryl com Hershel já examinando-a e Daryl contava em poucas palavras o que acontecera.
Agora olhando-a tão indefesa quanto estava antes, Gleen tinha certeza de que o mundo estava em seu fim realmente. Saiu do quarto sem fazer barulho e os outros dois o seguiram. Hershel não fechou a porta e olhou por cima do próprio ombro duas vezes antes de começar a falar.
"Ela não vai conseguir falar por um tempo. A garganta dela está inchada e..."
"Hershel."
Rick o cortou, sabendo bem que ele estava adiando falar sobre o que eles queriam saber de verdade.
"Não sou especialista, Rick, mas creio que os ferimentos são antigos. O sangue era de um corte na parte interna da coxa."
Gleen andou alguns passos e olhou pela porta, vendo a garota deitada na cama.
"Ela deve ter a minha idade." Comentou fazendo com que os outro dois o olhassem. "Ferimentos antigos? Ela..."
Gleen não teve coragem de terminar a frase, mas Hershel entendeu e assentiu. Rick bufou de raiva. O mundo estava acabando e as pessoas ainda tinham a demência de agredirem uma garota daquele modo. Balançou a cabeça e decidiu descer e dar as notícias para todos os outros. Não contaria nada sobre o que Hershal havia lhe dito, mas daria a notícia de que ela despertara, mesmo que por segundos.
Gleen ainda ficou com Hershel no quarto, os olhos iam do rosto machucado as mãos com unhas sujas de terra ainda. Maggie e Lori deram um banho na garota, mas mesmo duas mulheres, o banho fora apenas para reconhecimento dos ferimentos, ela ainda estava com folhas e terra nos cabelos. Sentou-se em uma cadeira ao lado da cama e observou como a respiração dela era calma e fraca, e como o ar fazia barulho quando saia pelo nariz ou pela boca entre-aberta.
"Ela vai ficar bem." Hershel lhe disse, Gleen olhou-o seriamente.
"Será?"
Amarrou um pedaço da corda solta na madeira da lateral da casa e puxou o no com força. Mudara sua barraca de lugar e agora estava perto dos outros. Levantou seus olhos azuis e mirou Rick saindo da casa e falando com Lori e as outras mulheres que estavam na varanda. Não se aproximou, se fosse algo que ele deveria saber, o cowboy viria lhe contar. Continuou a arrumar suas coisas e viu que ele realmente vinha em sua direção. Virou-se e esperou que ele falasse algo.
"Daryl ela acordou." Assentiu e virou-se para continuar a arrumar suas coisas. Já se passava das seis, e se queria dormir cedo para acordar cedo e caçar, tinha que acelerar a montagem das coisas. Percebeu que Rick não havia se afastado. "Ela... Hershel examinou aqueles ferimentos e..." Por um momento Daryl realmente pensou que veria o Xerife passar mal, mas ele continuou falando. "Ela não sofreu abuso... recente."
Não estava olhando o Xerife quando ele terminou a frase, mas sabia que ele estava bravo. Daryl não virou-se, e Rick não pode ver que ele olhava seriamente para o chão pensando em como poderia matar facilmente homens que faziam aquelas coisas.
Rick não tendo resposta do outro, virou-se e voltou para perto dos outros. Sabia que Daryl era daquele modo, não demonstrava nada sem ser raiva e ódio; porém, vira a reação dele com o que acabara de falar. Ele havia parado o que estava fazendo, e sabia que aquilo tinha o afetado. Carl veio em sua direção e abraçou-o, vendo que os outros conversavam enquanto começavam a arrumar as coisas dentro da casa de Hershel.
Olhou por cima do próprio ombro e viu Daryl terminando de montar a barraca ao lado da casa. Sabia que a cena da garota pendurada em uma árvore, com as mãos amarradas e possivelmente abusada teria mexido com ele, mas não conseguia entender a falta de interesse dele ao lhe dar a notícia. Deu de ombros e começou a fazer tudo que tinha para fazer antes de anoitecer realmente, talvez nunca entendesse a mente de Daryl Dixon.
Respirou fundo duas vezes e tossiu, sentindo que algo vinha por sua garganta e cuspiu no lençol. Logo após alguém abriu a porta e uma luz forte quase cegou seus olhos. Era uma mulher e ela segurou seus cabelos com uma mão e com a outra lhe entregou uma tigela de plástico. Olhou-a e sentiu que novamente algo subia por sua garganta, e vomitou tudo dentro do pote de plástico.
"Acalme-se, tente controlar a respiração. Ajuda."
A voz dela era baixa e quis fazer o que ela disse. Conseguiu controlar a respiração, mas parecia que seu barriga ainda tinha contrações fortes de enjoo. Logo outra pessoa entrou no quarto e ela viu novamente o homem com barba branca aproximar-se. Soube ser o médico que examiná-la da primeira vez e tremeu. Não sabia o que aquelas pessoas queriam, mas em nenhum momento vira aqueles homens.
"Ótimo, já está tendo reações." O homem disse sorrindo levemente e virou-se para a moça que a ajudara. "Maggie, vá até a cozinha e traga água quente."
Não soube porque ele estava pedindo água quente, e quis perguntar, quis falar, mas quando forçou algo a sair de sua garganta, apenas sentiu dor e um ruído grosso escapou por seus lábios.
"Não aconselharia a tentar falar. Sua garganta está machucada e ficará ferida por alguns dias." O homem sentou-se na cadeira mais próxima a cama. "Meu nome é Hershel e você está em minha fazenda."
Sentou-se direito na cama e sentiu as dores espalhadas por seu corpo. Observou seus próprios punhos feridos e com a pele roxa. Lembrava-se de tudo. Lembrava-se do desespero, de querer sair dali, de fugir, mas não havia como, e a dor tornara-se dilacerante. Viu a garota voltar com uma panela nas mãos, e viu-a colocar na cabeceira da cama.
"Creio que queria lavar o rosto e as mãos. Peço que espere até amanhã para tomar um banho propriamente dito."
Assentiu e viu-o sorrir mais um pouco. Não sabia como lidar com aquilo, eles estavam tratando-a bem, e isso poderia significar que eram de outro grupo. Viu o homem sair dizendo boa noite e a garota foi atrás dele sorrindo e dizendo:
"Tem uma toalha aí do seu lado, pode usá-la. Qualquer coisa meu nome é Maggie e estou no quarto ao lado."
Viu-a sair do quarto e ficou novamente sozinha. A luz já não mais incomodava seus olhos, mas preferia que algumas velas não estivessem acesas. Levantou o braço devagar e molhou a ponta dos dedos na água da panela, sentindo-a quente, mas sem queimar. Devagar puxou a panela para seu colo e fez concha com as mãos e jogou água em seu rosto, lavando-o. Logo após lavou as mãos e colocou a panela de lado, secando-se com a toalha que a tal Maggie havia lhe indicado. Foi como se houvesse sonífero na água, um forte sono pareceu carrega-la, e aninhou-se na cama, cobrindo-se e tentando evitar mover muito o pescoço ferido. Logo estava dormindo, pedindo para que não sonhasse.
continua...
