Cap. 2
O Quebra-cabeça de Verne
Quando teve a oportunidade, no outro dia, a médica se aproximou de seu chefe. Tinha um aspecto de felicidade.
- Obrigada – ela disse.
- Do que?
- Meu presente...
- Não me diga que você foi uma boa menina, e o "old bastard" trouxe algo pra você?
Houve silencio.
-Old and bastard....-ela falou pensativa mas com uma cara q não perderia a oportunidade-...
- Calma, Cameron, eu estava falando do Velho Noel...Eu só te dei um presente, uma retribuição...Pois, não gosto de ficar em dívida. Você poderia usar isso na nossa próxima reunião para discutir seu salário.
Ela riu. E antes dela sair, ele acrescentou:
- Obrigado.
Cameron olhou para traz, um pouco surpresa.
-....pelo presente...-ele parecia um pouco nervoso-...Não havia encontrado...e...
E ela apenas balançou a cabeça e saiu.
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Ao se deitar, aquela noite, House puxou o livro q ela tinha lhe dado. Era a 1ª edição de "A Volta ao Mundo em 80 dias", de Julio Verne, com as ilustrações q ele se lembrava de ter visto quando criança.
Era inacreditável q ela tivesse achado. Ou melhor, q tivesse comprado. Ou melhor, tivesse comprado e dado pra ele. Bem, era inacreditável q ela se lembrasse da menção dele sobre este livro em especial.
Ela tinha mudado desde q inciara a trabalhar com ele. No começo, ele podia sentir q ela discordava -tão ferozmente- dele apenas de vê-la segurar os lábios com força. Mas nem provocando ela o contradizia. Ela ficava silenciosa, com uma lealdade estúpida q o irritava e o provocava.
Tinha momentos que o médico acreditava q só podia ser uma estratégia dela, pois logo ele esperava um momento a sós com ela, e lhe perguntava o que pensava sobre aquilo. Ele, Dr. House, perguntando pra uma mera funcionária sua o q ela pensava de uma decisão sua? Sim, ele fazia, e não sentia orgulho disso. Mas ele não conseguia evitar. Ele não se sentia afrontado ou humilhado ao ouvi-la.
Foi aquela ingenuidade dela q o prendeu, como se ela precisasse ser protegida urgentemente. Ele pensou q seria impossível ter uma posição assim, paternalista por alguém. Então, ele percebeu q ele olhava a jovem sem sentimentos alguns filiais, eram possessivos e passionais.
Contudo não era possível. Ele era o chefe dela, e não ia passar por uma crise dos 40 agora, nunca. Ele queria ser imaturo em outras coisas da vida, q se arriscar com uma mulher décadas mais jovem q ele....Que logo se cansaria das suas excentricidades e rabugices, e lhe deixaria...Como era de se esperar ser o caminho natural das coisas...Ela era linda, jovem e viva acima de tudo...
House a negava a cada segundo, e ao vê-la algo respondia inconscientemente. E ao não vê-la, algo em si lhe entristecia.
Era um quebra-cabeça que House não conseguia resolver...
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