The Page XXIII
(A página vinte e três)
FOI TUDO MUITO RÁPIDO.
Entretanto, não sentiu estar fazendo nada de errado... Pelo contrário. Respirou fundo e franziu o cenho ante a claridade e o leve frio da manhã. Mordeu o lábio inferior e abriu os olhos enquanto o quarto entrava em seu campo de visão. Sentou-se na cama e respirou fundo fechando os olhos por um momento.
O que estava fazendo afinal de contas...?
Ouviu alguma coisa vinda do banheiro e movimentou a cabeça em uma negativa se levantando depressa. Precisava voltar para casa... Acordar do estúpido sonho, falar com Emma, descobrir o que preocupava Roland, conversar com Henry e... Bom. E Zelena.
Ah, sim... E ele.
-Onde você vai? – A voz de Robin agora sem camisa tirou sua atenção. Seu sorriso ao vê-la de pé apanhando seus sapatos, o cabelo despenteado e a barba mal feita. Ele estava vestindo apenas suas calças e descalço, a alcançou em duas largas passadas segurando-a pela cintura enquanto a puxava para um beijo.
Regina admitia que de todos os sonhos que tivera sobre a maldita página do Livro, esse era o mais... Vívido.
Ver a si mesma com Robin ambos aceitando o destino que lhe foi oferecido por uma fada e ela mesma negou.
Moveu a cabeça em uma negativa e ergueu os olhos para os dele. Aquele brilho em seu olhar...
-Regina...
Infelizmente, ela precisava acordar.
Precisava voltar aos seus problemas de mulher madura e o fato de que sua irmã iria dar à luz a um filho dele.
-Robin... Eu preciso ir. – disse ainda não conseguindo se afastar dele, e sentiu quando ele respirou fundo apertando-a um pouco mais contra si.
-Por que?
-Porque já estou atrasada... – confessou por um instante pensando em como as coisas estavam complicadas agora e que esse "Robin de seu sonho" não sabia de nada. – Robin... – ela fechou os olhos quando ele a abraçou e ficou assim. A cabeça escorada na curvatura de seu pescoço.
-Está atrasada? Eu tenho que concordar... – ele se afastou para sorrir lindamente e ela respirou fundo de novo.
-Tenho que tratar do... – ela pensou em dizer problema, então suspirou e circulou seu pescoço com as próprias mãos. – Tenho que ver minha irmã, definitivamente preciso ter uma conversa com Emma, e tomar um sorvete com Henry e Roland... Conversar com eles.
-Roland...? Ah, sorvete?! – ele a fitou.
-Sim... – ela balançou a cabeça de novo e tocou seu rosto. – Por isso eu preciso voltar, Robin. Eu não—
Ele segurou seu braço puxando-a para si. O cenho franzido e pousou as mãos de ambos os lados de seu corpo.
-Regina... – ela o fitou. – Como você sabe o nome de meu pai?
Ela o encarou por longos segundos e pela terceira vez maneou a cabeça em uma negativa.
Ouviu em algum lugar o som de sinos e se aproximou da janela.
Havia uma pequena comoção lá em baixo.
-Eu preciso ir. – E lhe deu um rápido beijo não dando tempo para ele protestar e tampouco processar.
Quando chegou ao castelo, agradeceu mentalmente pela enésima vez que nem mesmo o Rei e nem Branca estivessem ali. Subiu a passos firmes para seu quarto e parou apenas quando fechou a porta atrás de si.
-Tinker Bell! – Em uma pequena luz verde, ela avistou a fada entrar pela varanda, o cabelo loiro preso em um coque, o vestido verde que ia pouco acima dos joelhos se contrastando com suas asas que diminuíram e desapareceram atrás de suas costas. Ela segurava uma varinha e angulou a cabeça para Regina arqueando a sobrancelha. – Você... O estúpido pó de fada estava naquela maldita explosão ou o caralho a quatro no hospital, eu quero saber o que diabos você fez, e quero saber agora. E por que me trouxe aqui?!
Em resposta, ela continuou com as sobrancelhas erguidas encarando-a assustada.
-Tinker Bell!
-Eu não faço ideia do que você está falando... Então... Devo supor que a coisa toda com o cara da tatuagem deu errado? Você parece furiosa...
-Eu estou furiosa... – ela piscou com força tentando afastar o pensamento idiota da cabeça e respirou fundo. – Isso é simplesmente... Tudo bem, preciso quebrar esse feitiço de sono idiota, e você definitivamente não vai me ajudar me encarando assim.
-Feitiço de sono?
-Sim. O qual eu estou. Agora.
-Sei...
-Tudo bem, não é engraçado. – disse de forma acusatória quando a viu sorrir.
-Regina... – ela puxava o G ao dizer seu nome e isso a fez sentir falta de Roland e Henry. –... Eu não estou rindo, e sei que você está nervosa, então por que não me explica para que eu possa te ajudar? Quer dizer, de verdade.
Ela pensou em como explicar para a fada diante de si que fugira de Robin antes mesmo de conhecê-lo naquele bar, e então se transformara na Rainha Má, matando seu próprio pai para lançar o estúpido feitiço que os mandaria para Storybrooke, onde durante quatro anos tanta coisa aconteceu, e alguns dias atrás Emma quebrou a maldição e agora acabava de voltar das trevas. E sim, ela tinha reencontrado Robin, este tinha um filho chamado Roland e sua irmã, a Bruxa Má do Oeste estava grávida do Ladrão. Perfeito.
-Tudo bem, eu não sei como começar... – admitiu.
-Que tal pelo começo?
-São vários começos. E bem... Perturbados. – confessou.
-Tudo bem, me fale do... Feitiço.
-Eu... Eu não sei se isso é um sonho. – ela piscou algumas vezes. – Só que estou presa nele... Então, preciso de algo que me ajude a acordar. Que me ajude a... Voltar.
-Voltar?
Duas leves batidas na porta tiraram sua atenção.
Regina respirou fundo.
-Sim?
-Minha Senhora, o Rei Leopoldo e sua filha estão aqui. – ela ouviu a voz do outro lado da porta e franziu ainda mais o cenho. – Acabaram de chegar de viagem... O Rei pediu sua... Presença.
-Avise que estou indisposta, mas que... Logo irei falar com... Eles.
-Você parece nervosa. – sussurrou Tinker Bell.
-Estou bem, consegue ver o que isso significa? O feitiço, digo. – sussurrou de volta.
-Claro... – ela assentiu e suas asas cresceram, então encolheu do tamanho da palma de sua mão e saiu voando pela janela do quarto. Regina olhou aproximando-se da janela. Respirou fundo. Era cada vez mais crescente a sensação de que precisava voltar para casa. Ela abriu seu armário franzindo ainda mais o cenho. Suas roupas estavam muito... Claras.
Haviam vestidos longos brancos, beges e o máximo que encontrou foi um vermelho.
Abriu a porta do quarto e olhou pelo corredor. Vazio.
Voltou para dentro e respirou fundo. Se estava há anos atrás, então...
-Rumplestilskin. – nada. – Rumplestilskin. Rumplestilskin...! – ainda nada. – Como se o Senhor das Trevas fosse muito ocupado—
-Quanta impaciência. – a voz masculina a fez franzir ainda mais o cenho e encarar uma figura que apenas tinha parecido com o dito cujo qual chamara era a aparência. A pele pálida e cinzenta e as feridas pelo corpo. – Infelizmente, acho que disse o nome errado.
-Quem é... Você? – Então ela o reconheceu. Os olhos claros, o cabelo escuro e um pouco mais cumprido que antes, ela o conhecia. Eram as mesmas feições de Henry, e o mesmo sorriso... – Baelfire...
-Antes que entremos em um acordo, responda a pergunta: Como conheceu meu pai... E como conhece a mim?
Alguns segundos se passaram e ela admitiu.
-Duvido que acreditaria...
-Tente.
-Espere... – ela ergueu as sobrancelhas de novo e olhou para o pôr-do-sol. Era um laranja forte no horizonte... Um laranja familiar. – Que dia é hoje...?
-Terça-feira.
-Do ano. – Infelizmente ela sabia. Baelfire se levantou e segurou seu braço, o cenho franzido e o olhar fechado.
Regina se soltou do aperto e saiu apressada pelo corredor. Ela parou quando alcançou os aposentos reais. Olhou para a maçaneta e a puxou. Diante de si, encontrou Sidney parado e olhando para o Rei já morto, enquanto a víbora de duas cabeças voltava para seu cesto. Outro movimento na porta, ela não se virou.
-Minha Rainha... – finalmente ele se virou, mas ela continuou encarando o Rei.
Entretanto, quando ele diminuiu a distância em longas passadas, não foi até ela, e sim...
-Zelena...?!
Sua irmã estava abraçada a Sidney que lhe explicava a situação, e exatamente como seu discurso anterior que fazia com o mesmo em suas memórias... O de enganá-lo para que ele fosse o único culpado pela morte do Rei e ela a viúva do mesmo... Quase um minuto inteiro, a guarda real chamando sua atenção e ela percebeu que não fora notada. Zelena abriu a porta.
A viúva.
E em uma fumaça negra, Baelfire apareceu diante de si.
-O que eu fiz...? – murmurou para si mesma.
-Na verdade fui eu quem fiz. – admitiu ele. – Isso é uma camuflagem, você fica como um fantasma e não podem te ver...
-Eu sei como a camuflagem funciona. O que não entendo, é por que Zelena...? – espere. Bae era o Senhor das Trevas, Zelena a Rainha Má... Então...
Não. Ela precisava acordar. Precisava sair desse pesadelo.
Antes que alguma coisa... não.
Era como se ela estivesse em algum tipo de realidade alternativa. Inferno.
Não queria ser a Chapeuzinho ou a Bruxa Verde. Inferno duplo!
BRANCA ESTAVA INCONSOLÁVEL, e não a culpava. Quando a encontrou abraçada a Zelena, seu cenho se franziu gradativamente uma vez mais. Sua irmã a avistou, aparentemente não estava mais "camuflada".
-Regina...
Branca por sua vez, foi até ela abraçando-a.
-Sinto muito. – pela primeira vez em sua vida, fora sincera. Extremamente sincera e Branca apenas a abraçou ainda mais forte. Os olhos azuis de Zelena encontraram os seus e ela quase recuou. Era quase como se ela... Soubesse.
Então seu semblante ficou sereno de novo, e os guardas anunciaram que estavam prestes a capturar o Traidor.
Regina viu um brilho verde tão pequeno sobrevoando a janela e Branca se afastou para olhá-la nos olhos.
-Está tudo bem...? – ela sorriu e tocou seu rosto.
Ela havia perdido o pai...
E perguntava se estava se sentindo bem...
-Sim, venha. Você vai descansar um pouco...
-Eu não quero...
-Não foi uma sugestão. – a contragosto, a arrastou para cima levando-a para o seu quarto. Em silencio, Branca se deitou e a fitou.
-A cada dia que passa... – sua voz era quase um fio. – Tenho mais certeza que adoraria que você fosse minha madrasta, e não Zelena... Você é boa, Regina. – se ela soubesse que pelo andar da carruagem, era ela quem fizera tudo isso.
A porta do quarto se abriu e ela agradeceu ao ver a babá de Branca lhe sorrindo de leve. Ela se levantou deixando-as e caminhou até o jardim. Não soube como tinha chegado ali, e ao ouvir a voz familiar de Zelena atrás de si, girou para encarar a irmã e seu olhar furioso. O olhar que ela direcionava apenas para ela... Exclusivamente.
-Não sei o que eu tinha na cabeça quando aceitei dizer a mamãe que cuidaria de você... – admitiu ela fazendo-a apenas fitá-la, a expressão dura. – Entretanto, me pergunto... – seus olhos azuis faiscaram. – Onde você esteve...? Sumiu por quase um dia inteiro.
-O que você sabe, Zelena?
-Nada. Por isso a pergunta... Então onde esteve?
Outro brilho na janela.
Tinker Bell. Regina torceu para que ela tivesse mesmo alguma noticia positiva...
-Sei que... Em breve, você não terá mais que se preocupar comigo. – admitiu ela saindo dali e caminhando para longe. Quando finalmente fechou as portas atrás de si e girou, avistou Tinker Bell que tomou a forma humana e suas asas se foram. – Conseguiu?!
Ela angulou a cabeça para fitá-la.
-Tudo bem? – perguntou. Regina assentiu algumas vezes e a encarou.
-Tudo ótimo. Conseguiu ou não?!
-Consegui uma coisa... Só que...
-Só que o quê? – ela continuou fitando-a.
-É complicado...
-Eu não tenho tempo pra isso, apenas... Desembucha. Diga que conseguiu o feitiço!
-Tem um feitiço, só que é complicado. – admitiu a loira. – Para lança-lo, você precisa de algum tempo.
-Quanto? – ela a encarou de novo. Regina esperou e fez uma contagem mental até três. – Quanto tempo, Tinker Bell?!
A fada respirou fundo e finalmente confessou:
-Cinco meses.
