Capítulo Dois
MEMÓRIAS

- Ah, não posso acreditar. Como vamos descobrir quem são essas pessoas? Ele nem nos deu uma pista! - Gina Weasley murmurava quando colidiu com alguém o derrubando no chão.

- Ei, Gina. Se você queria ver o Harry, você só tinha que olhar para frente. Você não precisava derrubá-lo. - seu irmão, Rony, sorriu.

- Ai, Harry! Me desculpe. Eu não estava prestando atenção. Você está bem? - perguntou uma Gina nervosa.

- Eu estou bem. Nenhum dano causado. - ele respondeu.

- Então, irmãzinha, onde você estava? Antes de você derrubar o Harry, quero dizer. - Rony caçoou.

- Rony, deixa de implicar com ela. Gina, você está bem? - perguntou Hermione.

- Eu estou bem. Não estava prestando atenção. Eu estava pensando sobre a tarefa que o Professor Binns nos deu, só isso. - ela disse.

- Não pode ser tão ruim. É sobre o quê? Talvez possamos ajudar? - disse Harry esperançosamente.

- Ele estava de mau humor hoje. Designou o nome de uma pessoa para cada um de nós fazer um relatório sobre ela. Ele quer dois rolos de pergaminho sobre essa pessoa, para amanhã. - ela disse toda nervosa, novamente.

- Quem são, o que faziam? - perguntou Rony.

- É isso. Ele apenas nos deu nomes, nenhum detalhe. Eu não tenho nem idéia sobre por onde começar. E como se não tivéssemos outros trabalhos para fazer! Ele disse que isso vai valer vinte e cinco por cento da nossa nota. Eu gostaria de saber o que o aborreceu tanto...

Harry apenas olhou para Rony. Ele não estava querendo contar à Gina que ela tinha de agradecer a seu próprio irmão pela tarefa. Rony parecia muito nervoso, de fato. Ele torcia para que Hermione não oferecesse à Gina a informação que ela queria.

- Gina, qual é o seu trabalho? - perguntou Hermione.

- O nome dele é Cuithbeirt Crawford. Nunca ouvi sobre ele. - ela disse.

Harry e Hermione tinham olhares desnorteados. Nenhum deles tinha ouvido falar dessa pessoa também. Rony, entretanto, estava radiante.

- Gina, procure em Lista de monitores-chefes de Hogwarts. Você vai achá-lo lá. - disse seu irmão radiante.

- Rony, como você sabia disso? - perguntou Hermione.

- Ei, eu também estudo, sabia? Eu tenho de falar com Gina. Alcanço vocês na sala comunal.

Harry e Hermione se despediram de Gina. Assim que ela se afastou, os irmãos ouviram Hermione dizer o quanto estava orgulhosa, porque Rony estava se interessando pelos estudos. Ambos viram Harry balançar a cabeça e rir.

- Ok, confessa, Rony. Como você sabia quem ele era? - sua irmã perguntou.

- Bem, pra falar a verdade... Eu vi o nome dele mais vezes do que gostaria de lembrar. Eu poli aqueles distintivos de Monitores tantas vezes em detenções, aposto que podia te dizer todos os nomes deles. - Rony riu.

- Rony, eu te amo! - sua irmã sorriu e o abraçou. - Obrigada pela ajuda. Te devo uma.

- Sem problemas, apenas não conte à Hermione como eu sabia. E, além disso, eu estava te devendo uma. - disse bagunçando o cabelo dela e foi embora.

Gina não entendeu a última frase, e isso não a preocupou. Ela tinha dois rolos de pergaminho para escrever.

A lista de Monitores-chefes na biblioteca era extremamente útil. Não listava apenas as realizações de Crawford em Hogwarts, referia-se às suas realizações posteriores também. Gina teria facilmente dois rolos e meio de pergaminho. Não faria mal dar ao Professor Binns um pouco mais do que ele pediu.

Gina achou a Lista muito interessante. Ela deu uma olhada no seu irmão, Gui, e riu com algumas de suas entradas. Parte da lista incluía a sessão "Lembrança Favorita". A entrada dele para "Primeira ação adulta" era "derrubar Imogen M. num lance de Quadribol". Ela também notou que essa Imogen estava listada como o "Hobby favorito" de Gui. Ela precisava lembrar de perguntar a Gui sobre essa garota misteriosa.

Enquanto ela olhava de um lado para outro aquele livro maravilhoso, ela notou uma nota no pé da página por um dos Monitores *Mais informações nos Capitães de Quadribol de Hogwarts. Os olhos de Gina se iluminaram. Ela poderia procurar por Carlinhos também.

O livro de Quadribol também tinha uma sessão de memórias. As entradas de Carlinhos eram muito diferentes das de Gui. Como seus irmãos podiam ser tão diferentes? A "Primeira ação adulta" de Carlinhos era "Entrar num cercado de Dragões e se aproximar de um pela primeira vez." Estranho o suficiente, "Momento do Banquete Final Favorito", foi agarrar uma garota chamada Imogen. Ah, Deus! Ela realmente precisava conversar com os dois irmãos.

Já Percy era diferente dos seus outros dois irmãos mais velhos. "Ah, Percy, eu sabia que havia mais em você do que deixava transparecer", ela disse carinhosamente. A "Primeira Ação Adulta" de Percy foi "Escrever aos meus pais informando-os de que minha irmã caçula tinha sido levada para a Câmara Secreta". Além disso, seu "Momento mais Memorável" foi "Saber que Harry Potter e meu irmão, Rony, salvaram a vida de Gina". Gina teve de parar e limpar as lágrimas dos seus olhos. Percy era seu irmão mais mal-compreendido. Doeu nela lembrar das coisas que tinha pensado dele. Ela escreveria para ele, tinha de descobrir quem seu irmão realmente era.

Sendo bem mais nova que seus irmãos, ela se sentia fora da vida deles. Agora, olhando aqueles livros, ela sentiu que os conhecia melhor.

Assim que ela olhou para o livro de Quadribol, novamente ela notou uma entrada interessante. "Captura mais rápida do pomo de ouro", o quartanista Carlinhos Weasley alcançou esse recorde quando apanhou o pomo nos primeiros dez minutos de uma partida Grifinória/Sonserina em 1981. O recorde foi quebrado pelo segundanista Harry Potter durante uma partida Lufa-Lufa/Grifinória em 1992. Carlinhos ainda mantém seu recorde de "Captura mais longa do pomo de ouro", que ocorreu em seu quinto ano durante um jogo Corvinal/Grifinória em 1982. O recorde é de 7 horas e 36 minutos. Esse quebrou o recorde de 6 horas e 12 minutos alçando pelo... pelo.... "Oh, ele está aqui também", ela ofegou. "...Sextanista James Potter, durante uma partida Sonserina/Grifinória em 1978." Havia uma anotação próxima ao nome de James também. *Mais informações ver na Lista de Monitores-Chefes.

Gina não pensou que poderia machucar olhar nas entradas do pai de Harry. As informações estavam na biblioteca, porém ela achava estranho. Gina também notou uma anotação no fim da entrada de James. *Casou com Lílian Evans em 1979, ver Lista de Monitoras-Chefes, Lista do Clube de Duelos. "Oh, tem informações sobre a mãe dele também", ela falou sozinha. Após algum tempo, Gina sentiu que não estava certo olhar as entradas dos pais dele. Isso era algo para Harry, apenas para ele. Como ela iria contar a ele sobre aquilo? Ela podia apenas mandá-lo à Biblioteca, mas aquilo era tão impessoal. Ela queria fazer aquilo de uma forma especial para ele. Ela sentou-se com seus pensamentos até uma interrupção não bem-vinda aparecer.

- O que está fazendo, Weasley? Escrevendo outro cartão do Dia dos Namorados para o Potter? Você conseguiu uma palavra que rime com cicatriz na cabeça dessa vez? - veio a voz de Draco Malfoy.

Gina já estava quase dizendo algo desagradável, quando aquilo lhe deu uma idéia. "Dia dos Namorados! Perfeito! Eu poderia copiar isso e dar a ele. Além do mais, só faltam 3 semanas." Ela olhou para Draco e disse:

- Obrigada, Draco, você me deu uma idéia brilhante. Se você tiver outra, por favor, sinta-se à vontade para compartilhá-la comigo.

Draco olhou assombrado para ela. Ela estava tão educada. Entretanto, novamente, ela o insultou. Insultou? Embaraçado, ele foi embora e saiu da biblioteca.


Quando a ida a Hogsmeade chegou, Gina se arrumou e foi uma das primeiras alunas a deixar o castelo.

No café da manhã, Rony, Hermione e Harry discutiram os planos para o dia. Eles resolveram almoçar do Três Vassouras. Harry queria incluir Gina nesses planos, mas ele não a encontrou em lugar algum. Antes de eles saírem da escola, Colin Creevey disse que Gina tinha saído cedo, e ele acreditava que ela iria comprar uma nova pena, ou algo para aquela função. Rony e Hermione decidiram dar uma andada por Hogsmeade, enquanto Harry procurava Gina.

Harry achou Gina nos fundos da Loja de Pergaminhos olhando folhas decoradas.

- Ei. - ele disse.

- Oi, Harry. O que está fazendo aqui? - Gina sorriu enquanto perguntava.

- Bem, na verdade, eu estava procurando por você. Queria saber se você iria ao Três Vassouras conosco.

- Eu não planejei isso. Qual você mais gostou? - perguntou segurando três folhas de pergaminho, cada uma desenhada com sombras de figuras diferentes.

- Hm, eu gosto dessa com as vassouras e os pomos. Essa é legal. - ele começou. - Essa com as varinhas, hm, eu realmente não gostei dela.

- Por que, Harry? Eu achei bem bonitinha. - Gina respondeu.

- Bem, isso me faz lembrar um duelo de varinhas. E, isso realmente não me traz boas lembranças. Mas se você gostou...

- Ah, Harry, me desculpe. Eu não me dei conta. Eu só pensei... - ela não terminou.

- O quê? O que você pensou, Gina?

- Nada. Não é importante. Então, você realmente gostou das vassouras e pomos. Me ajuda a escolher outro tipo. - ela pediu.

- De qualquer maneira, para que é isso? - ele perguntou, curioso.

- Bem, hm, eu realmente não posso dizer. Você não se importa se eu não te contar. Se importa?

- Não, tudo bem. - ele disse. - Eu gostei desse também. - e ele segurou uma folha de pergaminho para Gina ver.

- Corujas? - ela sorriu. - Harry, por quê corujas?

- Gosto delas. Acho que isso me lembra Edwiges, e ela é muito especial para mim.

Gina olhou para ele com olhos inquisitivos, que pediam para que ele continuasse.

- Sabe, foi o Hagrid que me deu Edwiges no meu décimo primeiro aniversário. E, bem, ela foi meio que o primeiro presente de aniversário que recebi.

Gina novamente fitou Harry, mas com olhos de descrença.

- Harry, eu não entendo.

- É que minha tia e meu tio nunca comemoraram meu aniversário. Para falar a verdade, eu nem sabia quando era meu aniversário até completar cinco ou seis anos. - ele contou calmamente.

- Eu ainda não entendo. Como isso pôde acontecer? - ela perguntou, confusa.

Harry parecia olhar fixamente para um lugar que possuía memórias "não tão felizes". Ele não estava certo se deveria contar aquilo à Gina, mas parte dele queria contar. Ele achou, que era a parte dele que queria conhecê-la mais. E, além do mais, talvez ela devesse conhecê-lo mais. Ele enrugou a sobrancelha, e pôs as mãos nos olhos.

Gina se deu conta de que aquilo era difícil para Harry. Ela não achava que ele estivesse preparado para confiar nela.

- Harry, você não tem que me contar. Tudo bem. Me ajuda a escolher outro pergaminho. Eu preciso de três...

- Não, eu quero te contar. É difícil. Acho que você sabe que eu não gosto de falar sobre mim mesmo. Mas, eu quero te contar. Isso é, se você quiser ouvir...

- Claro. - ela disse. - Assim que estiver pronto, eu escutarei.

O rosto de Harry adquiriu uma expressão reservada, e assim que começou a falar, ele, mais uma vez, olhou para o lugar secreto.

- Era o aniversário de Duda, ele fazia cinco ou seis anos, eu não lembro exatamente. Após a festa, eu perguntei a minha tia quando era meu aniversário. Eu não lembrava deles terem mencionado isso. Ela olhou para mim como sempre olhava; como se eu tivesse dito um palavrão, ou tivesse quebrado sua bagatela favorita.

Ele olhou para Gina: - Ela sempre olhou para mim desse jeito. Eu acho que nunca a vi olhando para mim com algo diferente de desprezo.

Gina podia sentir um pequeno nó formar-se em seu estômago. Ela decidiu deixar Harry falar. Ela não interromperia por medo que ele parasse.

Harry continuou com sua história: - 31 de Julho, não me faça mais perguntas. - ele disse imitando a voz de sua tia.

Olhando novamente para Gina ele disse: - Eu fui até meu armário, e peguei um antigo calendário que minha tia tinha posto lá. Eu dividia meu armário com as aranhas e qualquer lixo que minha tia queria guardar.

Harry novamente olhou para o vazio: - Eu comecei a marcar os dias até meu aniversário. Então aconteceu. 31 de Julho chegou. Eu não sabia o que esperar. Os Dursley nunca tinham feito nada antes, mas eu tive esperança.

Ele balançou a cabeça como que se reprimindo e continuou: - Minha tia veio batendo em minha porta. Me disse para me apressar e me vestir. Duda desceu as escadas, e estava falando sobre ir ao cinema.

Mais uma vez ele olhou para Gina: - Eu não podia acreditar. Eles iriam me levar ao cinema. Para ver um filme americano que tinha acabado de ser lançado. Eu lembro de ter visto as propagandas. Era sobre um garoto que voltou no tempo num DeLorean.

Harry notou o olhar confuso de Gina por conta da sua última frase.

- DeLorean é um carro, um carro bem caro.

Assim que ele voltou a olhar para o vazio, sua voz se tornou mais baixa: - Nós entramos no carro. Minha tia dirigiu até a casa da Sra.Figg. Eu não entendi. A Sra. Figg iria conosco? Então, minha tia me mandou sair do carro. Eu olhei para ela chocado. Ela disse, "Você não pensou que eu estava te levando ao cinema, eu não iria gastar o dinheiro que seu tio batalha para ganhar com você; sua coisinha miserável! A Sra. Figg deve voltar logo. Vá esperar por ela nos degraus". Foi a primeira vez que reconheci o fato da minha tia me odiar de verdade.

Gina não sabia o que fazer. A dor em seu coração estava crescendo à medida que ele falava. Com que tipo de monstros ele vivia? Como ele conseguiu se tornar uma pessoa tão maravilhosa? Com AQUELE tipo que educação! E, além do mais, o que diabos deu em Dumbledore? Por que ele continuava mandando Harry àquele lugar miserável? Por meio dos pensamentos, ela percebeu que Harry continuava falando.

- ... Então, eu sentei lá. Quando minha tia voltou, ela achou que a Sra. Figg tinha me mandando esperar por ela nos degraus. Ela achou que eu tinha feito algo errado. Quando voltamos para casa, ela me trancou no armário. Eu nunca disse a ela que a Sra. Figg não tinha nem ao menos voltado para casa.

Estranhamente, um sorriso se formou no rosto de Harry. Ele também começou a balançar a cabeça novamente, embora, dessa vez, num pensamento feliz: - Eu sempre quis ver aquele filme; talvez um dia eu veja. De qualquer maneira, é por isso que considero meu décimo primeiro aniversário como o primeiro. E, claro, o porquê de eu amar tanto a Edwiges. - Assim que acabou sua história, ele mais uma vez olhou para Gina. Ele nunca esperou ver aquela visão diante dele. Entristeceu-o rapidamente saber que ele a tinha causado.

Gina ficou diante dele com lágrimas violentas fluindo por sua face. Seu lábio inferior tremendo ferozmente. Sua respiração estava rasa, e Harry achou que ela parecia lânguida.

- Gina, me desculpa, eu nunca deveria... - ele começou.

- Harry, eu não tinha idéia. - e ela se arremessou sobre ele, envolvendo seus braços na cintura dele.

- Sinto muito... - ela começou enquanto ele acariciava seus cabelos para acalmá-la. - Aquelas... pessoas... bárbaros... como puderam... - ela não pôde continuar pois começou a chorar compulsivamente.

Harry a segurou firmemente. Ele alisava suas costas, esperando acalmá-la. Embora as recordações daquela estória tivessem trazido lembranças horríveis para ele, fez outra coisa também. Ele nunca imaginou que teria este efeito em outra pessoa. Ele nunca imaginou que Gina iria sentir sua dor da mesma maneira. E, por mais que se culpasse por ter trazido aquela dor a ela, ele estava ligeiramente contente por fazê-lo. Sabendo que alguém... Não! Sabendo que Gina se importava tanto com ele a ponto de ficar tão triste fez um pouco da dor desaparecer. Por mais terrível que a experiência fosse para ele, ajudou a fazer com que ele e Gina ficassem mais próximos. Afinal de contas, não era isso o que ele queria? Ficar mais próximo de Gina! Da próxima vez ele se certificaria de fazer isso com pensamentos felizes. Odiava ver Gina chorar. Agora ele tinha que fazê-la parar de chorar. Ele tinha de fazer algo para alegrá-la.

- Shhhh, está tudo bem. - ele disse acariciando os cabelos dela de novo. - Eu sobrevivi. Eu estou bem agora. Nada que eles façam vai me machucar de novo. Por favor, Gina, não chora mais. - assim que ele falou, ela levantou sua cabeça do ombro dele e olhou para ele.

Lentamente ele segurou sua face com as mãos, e enxugou suas lágrimas com os polegares. Ele acariciou as bochechas dela, e falou num modo confortante:

- Me desculpe por ter te contado isso. Eu não pensei que isso poderia ser tão perturbador. Eu não penso mais nessa época. Agora, quando eu penso no meu aniversário, eu penso no meu primeiro com Hagrid e Edwiges. E essa é uma lembrança bem mais feliz, não acha?

Gina sorriu para Harry. Ela estava quase falando quando o som de alguém limpando a garganta a interrompeu.

- Há algo que eu deveria saber? - Rony perguntou em voz alta e nervoso.

- Não, Rony, não há nada que precise saber. - Gina disse em um tom irritado.

- Eu achei que encontrar meu melhor amigo e minha irmãzinha nos braços um do outro merecia uma explicação. Não acha, Gina?

- Não, eu não acho! - disse secamente.

- E por que estava chorando? Seus olhos estão vermelhos! O que diabos está acontecendo aqui? - Rony exigia uma explicação.

- Não é da sua conta, Rony. - disse sua irmã.

- Rony, calma, foi tudo culpa minha. - Harry pediu. - Eu estava contando uma estória à Gina, e isso a deixou perturbada, foi isso.

- Harry, você não tem que explicar nada a ele. - disse Gina.

- Tudo bem, eu acredito em você. Você poderia, por favor, tirar as mãos da minha irmã agora?

- Ah, você está tão irritante, Rony! Harry não tem que fazer o que você manda. - disse sua irmã, severamente.

- Tudo bem, fiquem calmos. Não vamos brigar aqui. Harry, eu e Rony estamos indo ao Três Vassouras. Vocês vêm? - disse a voz da razão, essa era Hermione.

- Sim, estarei lá num minuto. - Harry disse.

Enquanto Gina e Harry assistiam a Rony e Hermione saírem da loja, eles viram ela esfregando as costas dele tentando tranqüilizá-lo.

- Eu sinto muito por isso, Harry. O Rony consegue ser...

- Não, eu sei. Ele agiu da maneira certa. Eu ficaria preocupado se te encontrasse nesse estado também. - ele disse.

- Por quê, Harry?

- Porque eu não... Eu não gosto de te ver triste. É isso. - ele disse.

- Obrigada, Harry, isso significa muito para mim.

- Então, você vai nos encontrar no Três Vassouras? Eu certamente te devo o almoço agora. - ele disse timidamente.

- Você não me deve nada. - ela disse severa.

- Tudo bem, não devo. Contudo, eu ainda adoraria te levar para almoçar. Gina, você almoçaria comigo, por favor? - ele pediu.

- Sim, Harry. Eu adoraria.


Nas semanas anteriores ao Dia dos Namorados, se alguém estivesse procurando por Gina Weasley, esse alguém teria dificuldades em achá-la. Ela parecia desaparecer dentro de instantes. Um minuto estava na biblioteca, no outro, estava na sala comunal, então ia para seu dormitório. Ela não parecia estar evitando alguém em particular. Ela apenas parecia extremamente ocupada. Hermione percebeu isso e ficou de olho nela.

Enquanto estava sentada atrás do dossel fechado de sua cama, Gina ouviu alguém bater na porta do seu dormitório. Uma de suas colegas de quarto deixou que Hermione entrasse. Ela perguntou à Gina se elas podiam conversar.

- Gina, está tudo bem? Você parece bem distraída ultimamente. Estou preocupada com você. - disse Hermione.

- Eu estou bem, Hermione. Sinceramente, uma pessoa não pode trabalhar em um projeto sem ter alguém xeretando? - Gina disse um pouco irritada.

- Bem, eu apenas sei que você não tem nenhum projeto no seu ano. E eu sei que sua carga de tarefas tem sido leve... - Hermione não estava nem perto de acabar.

- Hermione, quem te mandou aqui?

- Ninguém me mandou aqui. Eu vim por conta própria. E não, eu não disse nada ao Rony ou ao Harry sobre isso. - ela concluiu.

- Tudo bem, eu irei te dizer o que estou fazendo. Mas você terá de jurar que não vai dizer uma palavra.

- Tudo bem, eu juro. O que você está fazendo? - Hermione perguntou ansiosa.

- Eu estou fazendo um presente para o Harry, e estou tendo problemas com um poema que quero escrever. - Gina disse enquanto via um olhar temeroso se formar nos olhos de Hermione. - Não se preocupe, não é um poema de amor. É um poema para um amigo, e o presente, se pode ser chamado assim, também é baseado em amizade. Eu não vou confessar meu eterno amor por ele, se é isso que te aflige.

- Você me deixou curiosa. Posso ver o presente? - Hermione perguntou.

- Não, nem eu mesma vi. É algo pessoal, apenas para ele. Se ele quiser dividir isso, ele o fará. - Gina disse.

Aquilo pareceu deixar Hermione confusa, então Gina explicou um pouco mais.

- Eu achei algumas informações sobre os pais de Harry. Eu usei um feitiço para copiar isso em alguns pergaminhos. Eu olhei as primeiras entradas, mas então parei. Eu não achei que seria certo saber sobre os pais dele antes de ele mesmo saber. Então, foi nisso que estive trabalhando. Eu queria escrever um poema ou uns versos sobre o presente, mas estou tendo problemas. - Gina concluiu.

Hermione não disse uma palavra sequer, apenas olhou fixamente para Gina. De repente, ela envolveu os braços ao redor da amiga e a abraçou. Quando Hermione a soltou, Gina viu que ela tinha lágrima em seus olhos.

- Hermione, o que houve? - Gina perguntou.

- Vocês dois! O que está faltando para vocês verem o que significam um para o outro? - Hermione questionou. - Você sabe sobre o Natal, não sabe, Gina?

- Sobre Rony me incluir na vida dele de novo? Sim, eu sei que Harry fez isso. Por quê? O que aquilo tem a ver com isso, Hermione?

- Você não vê? - disse Hermione. - Ambos, vocês dois, fazem de tudo para fazer um ao outro feliz. Vocês não compram presentes. Vocês dão algo que não é material. E, quando fazem isso, vocês dão uma parte de si. Isso é maravilhoso, Gina. Eu apenas queria que vocês dois vissem isso e...

- E o quê? Começar a namorar? Eu não acho que isso vá acontecer. - Gina disse. - Isso nem passa pela minha cabeça, ou pela dele. Eu estou feliz por ser amiga do Harry. E acho que ele também está. Não vamos forçar algo que não irá acontecer, ok, Hermione?

Hermione deixou Gina com a tarefa dela. Enquanto ela descia até a sala comunal ela pensou, "e as pessoas achavam que eu e o Rony éramos cegos. Espero que eles percebam antes..." ela não queria terminar aquele pensamento. Ela se juntou a Harry e Rony, que jogavam xadrez.


O Dia dos Namorados chegou em Hogwarts conforme as corujas mergulhavam e entregavam suas correspondências. Edwiges desceu até Harry, ela tinha um pacote amarrado em sua pata.

Harry desamarrou o fardo dela, e ofereceu-lhe algumas fatias de bacon e pedaços de laranja. Com cuidado, ele abriu o pacote e leu a primeira folha de pergaminho. Seus olhos imediatamente procuraram Gina Weasley, mas ela não se encontrava na mesa da Grifinória aquela manhã. Ele lentamente olhou as outras duas folhas de pergaminho. Quando um nó se formou em sua garganta, levantou-se da mesa e deixou o saguão. Ele foi para a Torre de Astronomia e sentou-se para ler o presente mais vezes.

Na folha de pergaminho, decorada com corujas, ele leu:


Na biblioteca, eu vagueio freqüentemente

Procurando por irmãos que viveram vidas diferentes

Velhos volumes de recordações encontrei

Cheios de vidas e esperanças entrelaçadas como notei


Duas páginas que achei para você são especiais

Suas verdadeiras memórias, a de seus pais

Dessas páginas provém tamanha e óbvia felicidade

A maneira que viveram quando tinham nossa idade


Seu pai, forte e corajoso, como qualquer um podia reconhecer

Um travesso rebelde que abertamente conseguia oferecer

Amizade verdadeira aos outros, essa era sua maneira de ser

Guardados para serem lidos algum dia, os pensamentos ele para você


Sua mãe o amava, já foi convencido

Amava tanto que isso jamais poderia ser fingido

Outras coisas além de suas habilidades em feitiços

Apenas para você, estão guardadas nesse livro.


Harry, eu sei que isso lhe é especial, e você almeja

Espero que nossa amizade também seja

Eu te dou esse presente com todo meu coração,

Um sorriso do passado que nunca sairá da sua feição.


Harry sentiu aquele caroço se formar em sua garganta de novo. Como ela tinha achado recordações dos seus pais? Assim que olhou para a folha de novo, percebeu que já tinha visto ela antes. Esse era o pergaminho, o pergaminho que ele disse à Gina que gostou. Naquele dia que tinha contado a ela sobre seu aniversário. Naquele dia que almoçaram juntos, um dia que fazia parte das suas lembranças felizes.

A segunda folha de pergaminho, decorada com vassouras de corrida e pomos de ouro. Essa folha era sobre seu pai.


James H. Potter

Hogwarts, Setembro de 1972 - Julho de 1978

Apanhador do time de Quadribol da Grifinória 1973 - 1978

Capitão do time de Quadribol da Grifinória 1976 - 1978

Monitor da Grifinória 1976 - 1978

Monitor-Chefe 1978

Recordações especiais


Harry sentiu as lágrimas jorrarem dos seus olhos. Ele não estava certo de que podia fazer aquilo. Ele poderia ler aquilo? Eram informações sobre seu pai. Não apenas isso, eram algumas de suas memórias. Harry não se permitia ler a folha toda. Ele deu uma olhada em algumas entradas antes de suas emoções tomarem conta dele.


Melhor amigo: Almofadinhas, Aluado e Rabicho.

Meu coração: Lily.

Mentor: Alvo Dumbledore

Melhor Professora: Professora McGonagall.

Momento mais engraçado: Sirius declarando seu amor a uma armadura.

Momento mais infeliz: Assistir ao Aluado sofrer.

Decisão mais estúpida: Deixar Sirius me convencer a fazer um vôo de teste na nova vassoura do tio de Paula na Torre de Astronomia.

Decisão mais inteligente: Pedir a Lily em casamento.

Como quero ser lembrado: Como Pontas.


Harry deixou o papel cair sobre seu colo. Ele sentou lá, sem se mexer, com medo até de pensar. Esses eram os pensamentos do seu pai, os sentimentos dele. Era como se seu pai estivesse sentado ali, contando tais coisas a ele. Harry deixou que as lágrimas viessem. Pensou no seu patrono. Aquele era seu pai, Pontas era seu pai; a maneira que seu pai gostaria de ser lembrado.

Levou algum tempo para Harry reunir forças para olhar a terceira folha de pergaminho. Aquela folha, decorada com Lírios do Vale, carregando a fragrância deles. Ele tomou coragem e leu sobre sua mãe.


Lílian Evans

Hogwarts, Setembro de 1972 - Julho de 1978

Membro da equipe de duelos da Grifinória 1972 - 1978

Capitã da Equipe de Duelos 1975 - 1978

Monitora da Grifinória 1976 - 1978

Monitora-Chefe 1978

Memórias Especiais


Harry agora entendia o porquê de Gina está olhando aqueles pergaminhos com as varinhas. Sua mãe estava no Clube de Duelos. Gina queria que cada pergaminho estivesse associado a seus pais. Ela tinha se empenhado tanto. Escolheu algo especial e o tornou mais especial ainda. Ele abaixou os olhos para ler as memórias de sua mãe.


Melhores amigos: As garotas da grifinória e os marotos.

Meu coração: James.

Mentor: Alvo Dumbledore.

Melhor professor: Professor Flitwick.

Momento mais engraçado: Assistir aos marotos voltarem à torre da Grifinória correndo apenas de toalha após as garotas da grifinória roubarem suas roupas no banheiro dos monitores.

Momento mais triste: Saber da morte dos meus pais.

Momento mais assustador: Assistir a James fazer um teste de vôo na nova vassoura do tio da Paula na Torra de Astronomia.

Momento que mais se orgulha: Ver Pontas pela primeira vez.

Decisão mais inteligente: Dizer "SIM" ao James.

Como quero ser lembrada:

Por meus professores - Esperta e corajosa

Pelas garotas - Como uma amiga verdadeira

Pelos Marotos - Quero que sintam medo e talvez até tremam uma ou duas vezes

Por James - Como o amor da sua vida, futura esposa, e mãe dos seus filhos.


Mais uma vez, Harry sentou-se, incapaz de se mexer. Essa era a sua mãe. Ela era engraçada, esperta, e ela era real. Essa foi a primeira vez que sentiu que sabia quem foram seus pais.

Harry ficou na Torre de Astronomia a maior parte do dia. Ele sentou lá e leu sobre seus pais. Seu coração transbordando de alegria e dor; alegria por finalmente conhecer seus pais, e dor por tê-los pedido.


Rony estava começando a entrar em pânico por conta do desaparecimento de Harry desde a hora do café da manhã. Hermione, surpreendentemente, não estava preocupada. Ela parecia saber de algo que ele não sabia, mas não estava dizendo. Rony notou que Gina parecia estar nervosa aquele dia. Ela não tinha aparecido no café da manhã. Ela só compareceu ao almoço porque ele literalmente a carregou até o Salão Principal. Após o jantar, Rony a achou sentada na sala comunal. Ela estava em uma das mesas, com seus trabalhos escolares ao redor. Mas sua mente obviamente estava em outro lugar. Rony imediatamente notou que ela estava torcendo as mãos. Esse era um dos hábitos que Gina tinha quando estava nervosa. Ela não tinha falado no desaparecimento de Harry. Ela não tinha perguntado sobre a coruja misteriosa que ele recebeu. Naquele momento ele soube que sua irmã também tinha informações sobre Harry.

Harry tinha adormecido na Torre. Tinha sido um sono relaxante. Pesadelos não tinham atormentado ele, nada de Voldemort, apenas um sentimento de paz interior. Tinha sido maravilhoso. Ele precisava achar Gina. Precisava agradecê-la. Ela tinha lhe dado um presente cheio de amor. Como ele podia re-pagar aquela gentileza? Ele seria eternamente grato a ela.

Assim que Harry entrou pelo buraco do retrato, toda sala comunal olhou para ele. Perguntas sobre onde ele estivera foram feitas. Rony estava furioso e aliviado ao mesmo tempo. Hermione o olhava com um sorriso de quem sabia de alguma coisa, mas não fez perguntas. Harry não respondeu nenhuma delas. Ele tinha um olhar de determinação em seus olhos. Ele procurou na Sala Comunal.

Finalmente, ele a viu. Ela parecia desconfiada. Ela parecia assustada. Ele saiu de perto de todos que estavam ao seu redor, e caminhou até ela.

Gina ficou de pé enquanto ele se aproximava, rezando para que não estivesse zangado.

Harry abraçou Gina e a ergueu do chão. Ele a abraçou forte e deixou que o abraçasse de volta. Os dois estavam sozinhos na Sala Comunal tumultuada. Assim que ele a pôs no chão, ele segurou seu rosto entre suas mãos. Ele a segurou pelo rosto enquanto lágrimas caíam dos olhos de ambos. Lentamente ele se inclinou e a beijou suavemente no espaço entre a bochecha dela e a boca. Quando ela olhou no fundo dos seus olhos, ele silenciosamente a agradeceu, e mais uma vez, eles se abraçaram.

Um alfinete caindo poderia ser ouvido na Sala Comunal. Um quintanista poderia ser empurrado com uma pena. O que diabos tinha acontecido ali? Todos esperaram Harry e Gina agirem novamente. Harry deu um passo para trás e segurou a mão de Gina na sua. Ele olhou fixamente para ela, sem saber o que dizer ou fazer. Ele sabia que não conseguiria começar a contá-la o que sentiu sobre seu presente.

- Gina, eu... Obrigado. - ele disse.

- De nada, Harry. - ela sorria de orelha a orelha.

- Eu... você não sabe... eu... - ele tentou contar a ela.

- Harry, você não tem de dizer nada. Foi um prazer poder fazer isso por você. - ela confessou.

- Gina...

Gina levou sua mão até o rosto de Harry: - Você precisa dormir um pouco. Vá para cama. Nos falamos de manhã. - ela disse ternamente para ele.

Com os olhos brilhando, Harry sorriu para Gina. Ele se despediu e caminhou até o dormitório dos garotos.

- Boa noite, Harry. Bons sonhos. - ela disse enquanto caminhava ao seu dormitório.

Toda Grifinória observou aquela troca. Eles tinham assistido a Harry e Gina abraçados. Eles tinham visto Harry beijar Gina ternamente, e então ficar sem fala. Eles assistiram a eles se separarem e seguirem seus caminhos. Porém, apesar de tudo que viram, eles nunca saberiam de verdade o que tinha acontecido entre os dois amigos.