Disclaimer: Saint Seiya não nos pertence, eles são propriedades da Toei, Bandai e Masami Kurumada. Esse trabalho não possui fins lucrativos

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Sentiu um frio percorrer-lhe o corpo, as pálpebras ficaram pesadas, parecia que havia sido anestesiado.

Começou a se levantar devagar, sentando no chão e olhando ao redor. Estava em um enorme corredor negro, com lâmpadas espalhadas ao longo dele, iluminando-o precariamente. Não conseguia enxergar nem seu início, nem seu fim. Vestia uma calça social bege e uma blusa social azul-marinho. Com a exceção dos sapatos, estava com a mesma roupa de quando havia levado um tiro. "Tiro... Eu... Eu levei um... TIRO?"

Mu olhou para seu peito, procurando a marca da bala, mas não viu absolutamente nada, nem mesmo uma cicatriz.

-Não adianta, você não achará marca nenhuma –Mu olhou para cima e viu Shaka o encarando. Usava as mesmas roupas das últimas vezes –Venha, acho que você quer saber o que está acontecendo...

Mu levantou-se, ajeitando as roupas e parando de frente para Shaka, o encarando. Não sabia explicar o que era, mas sentia-se muito bem na presença daquele estranho, era quase como se soubesse que poderia confiar nele. Várias coisas passaram pela mente de Mu, enquanto se perdia naqueles olhos que pareciam o enfeitiçar.

Shaka virou-se e começou a caminhar. Mu foi atrás dele, mantendo uma certa distância. Reparou que havia várias portas ao longo desse corredor, mas nem sequer imaginava sua utilidade. De repente, Shaka parou em frente a uma delas e esperou Mu se aproximar. Deu algumas batidas e aguardou.

-Entre –uma voz do outro lado da porta respondeu. Shaka entrou e Mu foi logo em seguida. Saíram dentro de um belíssimo cômodo de paredes salmão, com uma grande janela ao fundo, recoberta por uma longa cortina branca. À direita, havia uma pequena adega e, na parede oposta, uma TV de plasma embutida. Havia também um sofá na cor vinho, localizado bem no centro da sala, em cima de um tapete branco e felpudo –Fiquem à vontade... –um homem alto, de longos cabelos azuis se aproximara, vindo de um corredor que só agora Mu reparara que existia. Usava uma calça de moletom preta e uma blusa de mangas compridas vermelha, dobradas na altura dos cotovelos –Como você está, Mu?

-Eu... Estou bem... Quer dizer, eu acho... –não fazia idéia de como aquele homem sabia quem era "Quem será esse cara? Que lugar é esse?"

Seus pensamentos foram interrompidos por uma risada.

-Não precisa fazer essa cara de confuso, Mu –disse o homem, parando de rir –Deixe que eu me apresente. Meu nome é Kanon, muito prazer –disse, estendendo a mão.

-Prazer –respondeu, apertando a mão de Kanon.

-Bem, estou aqui para responder às suas perguntas, pode mandar.

-...Eu... Eu estou... Eh...

-Morto?

-...Sim, eu queria saber...

-Sim e não... Não precisa me olhar desse jeito. Você morreu para os homens, mas está vivo para nós. Sei que pode não fazer muito sentido, mas você pode se considerar, assim como Shaka, um erro que deu certo. –Mu o olhou como se lhe falassem a coisa mais absurda do mundo... O que não deixava de ser verdade –Você acredita em alma, Mu? –Mu confirmou com a cabeça –Muito bem. Todo ser humano tem uma alma, senão o corpo não passa de uma casca vazia. As almas são eternas, mas os corpos não. Quando o corpo morre, a alma "dorme" –disse, fazendo as aspas com as mãos –Porém, depois, ela acorda e vai para um novo corpo, numa espécie de círculo vicioso, até que a alma decide não acordar mais e, finalmente, desaparece. Parece familiar, não? –Kanon foi até o sofá e sentou-se –A sua alma não faz isso. Sua essência só aceita um único corpo, e quando este morre, a alma assume a forma deste corpo, criando, de certa forma, um novo, semelhante ao antigo. Depois da primeira "morte", você pode se considerar imortal. –Mu não sabia o que falar, não sabia nem o que pensar, era muita informação para ser absorvida ao mesmo tempo.

-Isso... É algum tipo de piada...? –disse, um pouco nervoso –Porque se for, não tem graça.

-Mu, isso não é uma piada, você morreu ontem à noite, em um pequeno beco de Nova York. Você agora não é mais um pintor de pequeno porte, que toma remédios para dormir e que sonha em viajar pela Europa.

-Como você...?

-Como eu sei? Eu te criei –disse, sério –Assim como criei a maior parte das coisas.

-Você... é Deus? –disse Mu, sentindo a voz sumir

-Hahahaha, Deus? Não, não sou Deus... Ao contrário dele, eu existo –disse, voltando ao tom sério –Sei que é meio difícil de assimilar, mas você é uma alma diferente das outras. Você apareceu por uma distração minha, coisa que acontece de vez em quando...-disse, sorrindo, e desviando o olhar para Shaka –Se tiver mais perguntas, dirija-se ao Senhor Simpatia aí do lado. Agora, se me dão licença, eu vou me reparar para esquiar.

-Esquiar?

-O que mais você pode fazer nos Alpes? –Kanon sorriu e abriu as cortinas, deixando ver uma linda paisagem, toda branca, que se estendia até o horizonte. Um pouco mais à esquerda, podia-se ver uma pista de esqui e alguns pontos coloridos descendo uma montanha.

-Vamos, Mu... –era Shaka que o chamava, parado ao lado da porta, que segurava aberta, mostrando o terrível corredor.

-Com licença –Mu se despediu de Kanon e passou por Shaka, que fechou a porta e o encarou.

-Olha, eu também passei por isso, também demorei para entender e aceitar essa nova vida, mas, no que eu puder, eu quero ajudá-lo –disse, pousando a mão direita no ombro esquerdo de Mu –Quero ser seu amigo, que tal? –Mu o olhou e se surpreendeu admirando o sorriso do outro, acabando por sorrir de volta.

-SHAAAAAAAAAAKAAAAAAAAA! Ele não me ama maaaaaaaissss! –de repente, um vulto passou correndo e, literalmente, grudou em Shaka. Tentava falar, mas o choro o impedia de articular claramente.

-Milo... Milo... MILO! –Shaka tirou os braços do outro, que quase o sufocavam, de seu pescoço –Respira, isso, agora, com calma, me conte... O que houve? –disse, segurando Milo pelos ombros.

-Aquele desgraçado, maldito, filho de uma égua, ele... Ele! Eu vi, Shaka! Ninguém me contou, eu vi!

-Viu o quê, Milo? –disse Shaka, já com a mão na cabeça.

-O Kamus! Aquele filho da pta, ele... –foi então que Shaka se lembrou que Mu ainda estava lá, e ver Milo falando de Kamus, não era uma cena das mais belas, principalmente quando ele estava zangado, o que significaria que xingaria até o patriarca da família do outro.

-Milo, deixe-me apresentá-lo ao Mu... –disse Shaka, virando Milo, para que este ficasse de frente para o outro –Mu, esse é o Milo, Milo, esse é o Mu, ele vai trabalhar com a gente.

-Hey, bem vindo à nossa alegre família! –disse, sorrindo e abraçando Mu, dando os tradicionais tapinhas nas costas. Milo tinha longos cabelos cacheados, azul-arroxeados, olhos azuis, em um tom incrivelmente raro e pele amorenada. Usava uma blusa escura, próxima do tom vinho, sem mangas, que marcava seu tórax bem definido e uma calça de couro preto, com algumas correntes penduradas na lateral e um par de botas pretas. A primeira impressão de Mu era a de que Milo era uma criança que mudava de humor extremamente rápido –E aí? Quando foi que você bateu as botas? –disse, ainda sorrindo, pondo o braço ao redor dos ombros de Mu.

-...Ontem... –disse, meio triste.

-...Dei um fora, não dei? –perguntou, virando-se para Shaka.

-Deu, Milo, e dos grandes –respondeu, fechando os olhos e balançando a cabeça.

-Sinto muito, Mu –disse Milo, o soltando e parando de frente para ele.

-...Bem...Então, quem é Kamus? –perguntou, ouvindo em seguida um estalo, provindo de um tapa que Shaka dera em sua própria testa. Não entendeu o motivo até olhar para Milo, que estava com a cabeça apoiada na parede, fazendo pequenos círculos com o indicador direito –O que...?

-Kamus –explicou Shaka –É o namorado do Milo.

-Era! Aquele babaca desgraçado não me merece! Só de pensar me dá vontade de enforcar... –disse Milo, juntando as mãos como se o pescoço de Kamus estivesse entre elas.

-Depois nós conversamos sobre isso, Milo, venha, temos que ajudar o Mu, ele ainda não teve um treino.

-Treino? –perguntou Mu, recuando um passo.

-Como você pretende se defender, Mu? –perguntou Shaka, em tom sério –Os outros não irão ter pena de você só porque é novo.

-Olha, eu mal sei o que realmente está acontecendo! Há pouco tempo atrás eu estava esperando a minha noiva no aeroporto e-

-Você é noivo! –disse Milo, agarrando a mão direita de Mu e quase a engolindo, de tão perto que a segurou, admirando o anel –É lindo! Quando... –Milo olhou para Shaka, que lhe lançava um olhar assassino e depois para Mu, que o olhava assustado –Han... Er... Desculpem, pode continuar com sua crise existencial, Mu –disse, voltando a caminhar ao lado de Shaka.

-Ah... Deixa pra lá –disse Mu, pondo as mãos nos bolsos da calça e apoiando-se na parede, cabisbaixo.

-Olha, Mu, como eu já disse, é difícil aceitar. Todos nós já passamos por essa experiência, sei que não é nada agradável. O Milo, por exemplo, a primeira vez que me viu, saiu correndo e quase alcançou o fim desse corredor, e olha que ele não tem fim!

-Obrigado por lembrar, Shaka...

-Mas nós agora fazemos parte de uma espécie de família, se é que podemos chamar assim. Então, temos que aprender a confiar uns nos outros. Eu quero que você confie em mim, porque, por mais estranho que pareça, eu confio em você –disse, lançando um belo sorriso à Mu, que corou.

-Essa porta aqui leva pra casa de praia do Kanon... Hehehehe...-disse Milo, entrando numa porta à esquerda.

-Milo, sai daí! –disse Shaka, correndo até Milo e o puxando para fora pela gola da camisa.

Apesar de tudo, Mu não pôde deixar de rir com a cena: Milo, com cara de criança que perdeu o doce e Shaka, parecendo um pai, dando um pequeno sermão nele.

-Que bom que você está sorrindo –disse Shaka, voltando-se para Mu e sorrindo –Podemos ir?

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Paulina saiu do banho e vestiu uma camisola de seda verde-escuro, com alças finas, que lhe caía até um palmo acima dos joelhos. Sentou-se em sua espaçosa cama de casal, ligando a TV e começando a assistir a um filme qualquer, sem prestar muita atenção. Tinha a sensação de que estava sendo observada.

Apoiou-se na cabeceira da cama, tentando se distrair, quando um sono repentino e pesado se apoderou dela.

Abriu os olhos e viu que eram 2:30 da madrugada, a TV ainda estava ligada, mostrando um programa de tele-compras. Respirou fundo, sentindo um incomodo no pescoço, devido à péssima posição em que adormecera.

Levantou-se e desligou a TV. Estalou o pescoço e se espreguiçou, voltando-se para a cama. Queria dormir um pouco mais. Já estava com um dos joelhos na borda da cama, quando sentiu um perfume de flores se espalhar pelo quarto. De repente, sentiu-se abraçada por trás, alguém beijava sua nuca. Tentou virar-se, mas não conseguia se mexer, tentou gritar, mas sua voz não saía.

-Relaxe, eu prometo que será rápido –era uma voz um tanto quanto andrógena, e seu dono exalava um delicioso perfume de flores. Paulina foi deitada em sua cama, finalmente podendo ver o rosto do homem que invadira seu quarto. Ele tinha longos cabelos cacheados, de um azul bem claro, pele alva e um corpo um tanto quanto feminino. Usava uma camisa de seda branca e uma calça social clara.

-O... Quem... Quem é você?-sua voz saiu num sussurro. O outro sorriu, pousando o indicador direito em seus lábios.

-Fique calma... Você é uma mulher realmente linda... Não se preocupe, logo tudo terá terminado... –o homem aproximou o rosto do dela, olhando bem fundo em seus olhos. Medo e... Desejo. Era sempre assim, mesmo com o mais profundo dos medos, todos o desejavam. Não pôde evitar um sorriso. Diminuiu ainda mais a distância entre eles, roçando seus lábios nos dela, fazendo com que Paulina soltasse um pequeno gemido.

O homem começou a acariciar seus braços, descendo suas mãos até roçar em sua cintura, começando a tocá-la. Beijou-a profundamente, enquanto descia ainda mais suas mãos, roçando as coxas dela e começando a subir, passando por baixo da fina camisola, segurando firmemente seus quadris.

-Preparada...? –disse, em tom malicioso –Vamos lá! –uma luz negra começou a sair das pontas dos dedos dele, formando desenhos nas pernas de Paulina –Será que é você...? –disse, se afastando e a observando. Num movimento rápido, Paulina elevou os joelhos até a altura do peito, começando a arranhar as próprias pernas nos lugares onde os desenhos haviam se formado, tremendo convulsivamente –Não, não é você... Sua dor já vai passar... –disse, um pouco triste, sentando-se em uma cadeira perto da janela –Faça rápido.

Um outro homem adentrou o quarto pela janela. Usava uma calça jeans, gasta na área dos joelhos, um cinto de couro, meio caído e uma blusa de meia manga preta, com escritas em prata.

-Agora sim, a diversão vai começar –disse, pegando uma adaga simples, de aparência gasta –Tenha mais sorte na próxima vida –disse, cravando a adaga no peito da mulher. Paulina tentou resistir, mas logo seu corpo estacou, os braços caídos molemente por sobre a cama. O homem retirou a adaga do corpo já sem vida da mulher e foi até o banheiro, lavando o sangue da lâmina. Quando voltou, viu o outro homem enxugando os olhos.

-Ah, Afrodite, não me diga que você ficou triste? –disse, guardando a adaga na bota –Você não tem motivos para isso.

-Eu sei, mas... Ela era humana, e já é a terceira que matamos...E-

-Eu não acredito –disse, levando a mão à testa.

-E eu não gosto de te ver matando os outros –disse, levantando e se aproximando do outro.

-E você acha que eu gosto de te ver agarrando os outros? –perguntou, cruzando os braços. Afrodite sorriu.

-Será que o terrível assassino Máscara da Morte está com ciúmes?

-Eu? Nunca, só não gosto de te ver agarrando outra pessoa, que não seja eu.

-E isso não seria ciúme? –disse, agora a apenas alguns centímetros de distância de Máscara.

-Não. –disse, agarrando Afrodite pela cintura com força, e segurando seu queixo, de modo que eles se encarassem –É possessão –e começou a beijá-lo selvagemente, fazendo com que os delicados lábios do outro sangrassem.

-Estamos carinhosos hoje, não? –disse Afrodite, limpando os lábios com o indicador direito e, em seguida, contornando os lábios de Máscara com ele. Máscara lambeu os lábios e deu um pequeno sorriso.

-Digamos que estou de bom humor... –empurrou Afrodite com força de encontro a uma parede, prensando o corpo menor com o seu, descendo beijos molhados pelo pescoço dele, abrindo devagar sua blusa e lambendo cada pedaço do tórax do outro.

-Pa... Pare com... Isso... –gemeu Afrodite, segurando Máscara pelos cabelos, fazendo o outro o encarar –Daqui à pouco... Eles... Vão estar aqui...-disse, tentando recuperar o fôlego –Vamos logo –empurrou Máscara e começou a abotoar sua blusa.

-Então anda logo –respondeu, um pouco estressado –Eu não vou te esperar.

-Onde está o seu bom humor? –em resposta, recebeu alguns resmungos do outro –Hn... Mais uma noite... E a caça ao tesouro continua...

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Fontainebleu é o maior castelo da França. Localizado na cidade de mesmo nome, tornou-se rapidamente uma das residências reais mais freqüentadas pela nobreza, além de ter sido palco de inúmeros eventos históricos: assinatura da Revogação do Édito de Nantes, por Luís XIV, em 1685; Tratado da Partilha de Portugal, por Napoleão, em 1807; primeira abdicação de Napoleão, em 1814. Mesmo depois de séculos, desde o início de sua construção, o castelo de Fontainebleu é uma lembrança dos tempos da monarquia, antes da Revolução.

O castelo observa o fim de mais um dia, aguardando achegada da noite, quando não há mais nenhum visitante em suas terras. No Pátio do Cavalo Branco, dois homens caminhavam lentamente, sentindo a brisa noturna brincar em seus cabelos. Um ia um pouco mais à frente, as mãos dentro dos bolsos de seu sobretudo, sendo seguido de perto pelo outro. Pararam a alguns metros das escadarias, observando o lugar.

-É magnífico, não? –disse o homem de sobretudo.

-É... Simplesmente lindo... –disse o outro, andando em direção à construção –A arquitetura deste lugar é... Incrível! Eu adorava ver as fotos deste castelo em meus livros... Mas... Por que estamos aqui? –disse, voltando-se para o outro.

-Por dois motivos –o homem de sobretudo andou na direção do outro, parando ao seu lado –Primeiro, estamos na França, o último lugar para o qual o Milo viria nesse momento. Segundo –disse, caminhando em direção às escadarias e sentando-se no segundo degrau –Aqui é um lugar em que podemos conversar em paz –o outro caminhou em sua direção, sentando-se alguns degraus acima –Ouça. Nesse exato momento, pessoas morrem e pessoas nascem, reiniciando um ciclo. Aqui mesmo, várias pessoas já caminharam por esses mesmos terrenos, admirando essa mesma construção, sentaram-se nesses mesmos degraus em que sentamos agora. Quantas famílias viveram aqui? Quantos segredos esse lugar guarda? Quantas pessoas irão passar por aqui? Você não se sente pequeno, perante tudo isso, Mu? –o outro nada respondeu, apenas suspirou –Kanon nos chama de "erro". Eu prefiro dizer que somos "especiais".

-Definitivamente, eu prefiro o "especiais"...

-Hahaha... Soa melhor assim, não é? –olhou para o céu, encarando as estrelas –Eu também demorei a aceitar essa condição, mas nós não somos os únicos a passar por isso. Quando eu morri, eu estava sozinho...Foi difícil, eu demorei... Quase um ano para aceitar que eu não tinha mais fome, não sentia mais sono, que estava morto para o mundo...

-Acho que eu... Ainda espero, de alguma forma, que eu acorde e veja que ainda estou no meu apartamento em Nova York, que irei para meu estúdio, que nada disso não tenha passado de um sonho...Ainda não entendo como esse corpo não é humano, se eu ainda sinto o frio da brisa noturna, se ainda sinto o cheiro da comida... E, mesmo assim... Não sou humano...

-Nossas almas usam as experiências que tivemos como vivos para "refazer" nossos corpos, exatamente como eram antes... –pegou a mão de Mu e começou a acariciá-la de leve –Você pode sentir esse toque, porque sua alma já sentiu o toque de alguém –Mu corou e puxou a mão para longe de Shaka, que sorriu –Desculpe, eu não queria te deixar sem graça. Vamos? –disse, levantando-se e indo em direção à saída do pátio. Mu ficou sentado ainda por alguns instantes, encarando a mão anteriormente tocada por Shaka. As mãos do outro eram macias e quentes, era gostoso sentir aquele toque. Levantou-se e correu para se juntar ao outro –Já parou para pensar que você pode ter encontrado a reencarnação de Napoleão no meio da rua? –disse Shaka, quando Mu se aproximou.

-Não me lembro de nenhum baixinho megalomaníaco vagando por Nova York... Nossa, essa foi péssima –disse Mu, meio sem graça.

-Hahaha...Para quem houve as piadas do Milo há mais de dois séculos, acredite, isso foi engraçado –disse Shaka, sorrindo.

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O quarto estava num silêncio total, só ouvia-se o barulho dos carros passando lá fora, o cheiro de sangue impregnando o local.

O corpo de Paulina jazia sobre a cama, a pele pálida e fria, as unhas arroxeadas e o olhar vidrado, encarando o teto. Foi nesse estado que Milo a encontrou. Passou os olhos pelo quarto, não vendo sinais de briga ou resistência por parte da vítima, como de costume.

-Afrodite... –disse Milo, e olhou para o ferimento no peito dela –E seu adorável Máscara da Morte –sua atenção se voltou para as marcas negras nas pernas da mulher, cobertas por arranhões –Sinto muito –disse, acariciando de leve o rosto dela –Vamos acabar logo com isso –começou a procurar pelo quarto algo que o ajudasse, até que encontrou, na gaveta do criado-mudo, uma tesoura de tecidos. Abriu-a, segurando uma das lâminas com a mão esquerda e cortando a palma da mão direita, fechando os olhos por causa da dor aguda. Levantou a camisola da mulher e colocou a mão direita na coxa esquerda dela, vendo seu sangue começar a escorrer e fazer o mesmo caminho que as marcas fizeram, repetindo o mesmo na coxa direita –Agora, minha parte favorita... –esticou a mão direita sobre o corpo da mulher e esperou até que uma gota de seu sangue caísse e atingisse o corpo dela. Quando aconteceu, as marcas fundiram-se ao sangue de Milo, fluindo de volta do corpo de Paulina para a mão dele. Quando terminou, este se afastou da cama, caindo de joelhos no chão, pondo o indicador entre os dentes.

De repente, a mão direita de Milo começou a escurecer, uma dor aguda se espalhou, começando nas pontas dos dedos e descendo, parecendo cortar seu braço em dois. Mordeu o indicador, se esforçando para não gritar, respirando pesadamente e fechando os olhos, tentando se concentrar. "Vamos... Você agüenta... Vamos!"

A dor diminuiu e Milo soltou o dedo, que agora sangrava, sentando-se no chão, tentando acalmar a respiração.Observou seu braço clarear, e, com uma careta de dor, viu uma pequena pedra negra sair pelo corte feito.

-Apenas isso –Milo pegou a pequena pedra e a admirou. Levantou-se, com um pouco de dificuldade e olhou para Paulina –Passamos por maus bocados por causa disso, hein? –colocou a pedra no bolso da calça e procurou a mesma tesoura de antes, com a qual cortara sua mão –Sinto muito, mas você passará a fazer parte das estatísticas de suicídio –segurou a tesoura e cravou-a no peito de Paulina, exatamente no mesmo lugar em que a adaga de Máscara estivera. Milo colocou a tesoura nas mãos de Paulina e saiu –Com licença...

Continua...

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Hikaru: gente mt mt mt mt mt mt mt mt mt obrigado pelos reviews eh mt bom saber q vcs estão gostando da historia vcs ñ sabem como isso me deixa feliz - olhando para o horizonte em posição de Power Ranger ... peço q continuem comentando. Suas reviews animam o meu dia v

Agradecimentos especiais à Mussha, Shakinha, Athenas de Áries e a Anjo Setsuna muitíssimo obrigado por darem uma chance a minha fic ;.;

Tsuki-chan (passada relâmpago, via msn): Arigatou, povooo - Mt obrigada pelas reviews, contem dando apoio p gente, vcs são parte mt importante dessa história (afinal, são vcs q vão dizer c a fic ta boa ou não) Obrigada msi uma vez, fuiii o/