Capítulo 2 – Accio professor Snape

A porta do salão principal foi aberta com um aceno de varinha de Snape. A escuridão tomou conta dos dois logo nos primeiros passos no jardim de Hogwarts.

-Faça o que tem que fazer, srta Lovegood. – Ordenou Snape, lançando um olhar de superioridade costumeiro do alto da escadaria do castelo.

Luna concordou com a cabeça, mas, não se moveu. Snape, olhou para a garota com um profundo desprezo, no entanto, Luna, continuava a lhe sorrir. Isso era o que mais incomodava Severo.

Então, vagarosamente, Snape desceu os degraus da escada e se juntou a Luna.

Snape, sentia-se miserável e extremamente mal-humorado por estar vivendo aquela situação inédita, para não dizer traumática, contudo, estava também um pouco mais grato por Luna parar de tagarelar ou cometer atos estranhos que mesmo ele, Severo, sendo um perito em Oclumência e Legilimência, não era capaz de prever.

-LUMOOOOOS ! –Berrou Luna tão de repente, que fez Severo Snape retornar um passo para trás.

Esse gesto brusco, fez Snape deixar rapidamente seus pensamentos sobre a sua auto piedade, ao ponto de alguns segundos depois se ver segurando a sua varinha em posição de ataque ao inimigo.

-Precisa desse exagero para chamar um simples feitiço, srta Lovegood? – indagou Snape, concertando a expressão de terror que habitou o seu rosto e mais uma vez verificando que o seu coração voltara para o lugar.

-É que eu gosto de ouvir a minha voz ecoar, professor. Não é BONITO.OH.OH.OH? – Perguntou Luna, observando Snape com um sorriso etéreo, enquanto apreciava a sua voz sendo ecoada pelo pátio.

Snape olhou para o céu escuro, a lua, e ao seu redor. Imaginou centenas de poções que pudesse preparar capaz de torturar aquela figurinha de um pouco mais que um metro e meio de altura. Pensou se ele seria um homem de sorte e que assim, por um descuido qualquer, pudesse abandonar a garota no meio da floresta proibida e imaginou que a mesma seria uma companhia agradável aos milhares seres que lá habitam.

Luna, por sua vez, agitava a varinha de maneira esquisita e finalmente começara a procurar pelos objetos perdidos. "Accio pergaminhos" e recolhia aqui e acolá os seus pertences. –Ainda faltam muitas coisas, professor. Avisou a garota tentando se desvencilhar do seu gatinho de estimação que acabara de voar e pousar grudado na sua malha. "Accio mochila" , e uma mochila roxa passou raspando pelo rosto de Snape.

-Não tenho muita habilidade com esse feitiço, professor. – Luna, contou-lhe como quem está se desculpando.

-Percebe-se. – Disse Snape com tédio em sua voz. Entretanto, não pode deixar de sentir pena da garota que deprimentemente corria de um lado para o outro pelo campo aberto.

"Accio shampoo para cabelos oleosos". – Disse Luna quase próxima da casa de Hagrid quando o frasco de plástico bateu sobre as vestes de Snape. –Foi mal, professor. –Desculpou-se a garota, a distância.

Aquilo era demais para Snape. Ele iria se render a qualquer momento agora e quando estava prestes a dar meia volta para o castelo, uma luz no fim do túnel pareceu brilhar na mente de Severo. A visão de Hagrid nunca fora tão prazerosa.

Hagrid estava prestes a entrar em sua casa, quando avistou Snape e Luna. O meio gigante apontou o lampião no rosto das duas figuras. Luna lhe acenou alegremente e Snape odiou como nunca aquela luz em seu rosto, mas, diante da possibilidade de se ver livre do problema que brotou em sua vida sem aviso, Snape, tentou parecer amigável.

- Oh ! Alô, professor Snape. – Disse Hagrid formalmente, vislumbrando a estranheza daquele encontro. E logo em seguida cumprimentou carinhosamente Luna com um abraço.

-Hagrid, chamou Luna animadamente. –Hoje, eu vou com o professor Snape, obrigada por me esperar.

Não houve chance de Snape fazer o pedido de salvação a Hagrid. Teria então de agüentar aquele transtorno por mais tempo. Mas, em seu íntimo, Snape se perguntava por quantas vezes Luna já havia passado por aquela situação que ele, Severo, considerava tão humilhante e não conseguia compreender da onde vinha aquele sorriso que Luna mantinha no rosto apesar dos pesares... concluiu friamente que só poderia ser algum problema mental.

-Boa sorte com a sua procura desta noite, Luna. –Disse Hagrid com uma expressão engraçada no rosto. –Tenha uma boa noite, professor. –Despediu-se Hagrid, e, logo desapareceu dentro de sua casa.

Snape percebeu instintivamente que parte da graça no rosto de Hagrid referia-se a sua pessoa acompanhada daquela figura. Ele, então, voltou a caminhar, sua capa negra e esvoaçante, deslizava delicadamente pelo gramado molhado. Imaginou a sua cama quentinha e confortável e até a correção de trabalhos de estudantes intragáveis pareceu-lhe uma encantadora tarefa. Então, novamente Luna interrompe os seus pensamentos.

-Sei que o senhor não gostaria de estar aqui comigo, professor. – Lamentou Luna com sinceridade. "Accio livro de Transfiguração" . – Bom eu também não gostaria de estar aqui. – continuou Luna, enquanto ria estridentemente de sua "piada".

Snape meramente levantou uma sobrancelha. Estava admirado com a franqueza e a loucura que a garota mantinha dentro de si.

-Sem conversa, srta. Lovegood. – Pediu Snape impaciente. –Procure por suas...coisas. Mandou o professor controlado. – E rápido. Continuou ele, enquanto observava o serviço de Luna.

-"Accio sapinhos de chocolate". –Disse Luna calmamente. Dezenas de sapinhos de chocolate sobrevoaram a cabeça de Luna e Snape. - UAAAAAAAAAAU ! Olha só quantos, professor.

Snape tentava se defender do ataque mortal dos sapinhos de chocolates voadores.

–Nossa ! Essa foi pura sorte. Comemorou a garota de volta com o seu ar de biruta. –Foi sorte mesmo, eu apenas chutei que pudesse haver sapinhos de chocolates espalhados por aqui. - Disse sonsamente, enquanto excluía alguns chocolates já abertos.

Snape tentava ignorar aquela voz que o perseguia. Luna deu ombros.

– Dessa vez os meus colegas de turma capricharam não acha, professor?. –Perguntou Luna novamente com aquele tom de voz de quem está iniciando uma conversa com um amigo de longa data. – Estou começando a ficar triste com essa situação, pensei que eles faziam isso para sermos amigos, mas, estou achando que eles estão rindo de mim agora mesmo.

-Estou comovido, srta Lovegood. Ironizou Snape, mas, novamente uma onda de pena pela vida da garota foi inevitável.

–"Accio pasquim". Um amontoado de folhas voa para as mãos da garota. –É o jornal que o meu pai edita, professor. –Disse Luna um pouco mais animada.

Luna agora mostrava o jornal de uma maneira quase agressiva por debaixo do nariz avantajado de Snape e este o recolheu com estupidez das mãos de Luna. Por alguns poucos segundos, Snape prendeu a sua atenção no jornal que trazia na primeira capa uma charge interessante do Lord das Trevas.

-Esse jornal só traz bobagens, disse Snape com desdém e logo em seguida o atirou para a sua dona.

Luna apanhou o jornal, caminhou alguns passos afim de ficar frente a frente com o professor, então, cruzou os braços e parou zangada. Snape aproximou o seu rosto macilento para a garota oferecendo-lhe o seu melhor o sorriso desdenhoso.

-Algum problema, srta Lovegood? – Perguntou irônico.

O rosto de Luna era indescritível. Num primeiro momento parecia estar realmente aborrecida, mas, depois, tornou-se pálido, sem expressão, e a menina parecia aterrorizada. Snape, meramente se virou para o lugar a onde a atenção da menina repousara e sua expressão também fora de terror. A marca negra estava no céu.