CAPÍTULO II
O sangue parou de latejar-lhe nos ouvidos e, endireitando o corpo, Bella adiantou-se para receber os dois homens. Molhando os lábios, conseguiu dar um jeito de sorrir, embora estivesse pálida de dar medo.
— Sra. Swan, este é Edward Cullen, o arquiteto da Corporação Cross — Volturi apresentou. — Edward, esta é Isabella Swan, a gerente do Brisas.
Cullen, depois da surpresa inicial, tinha assumido um ar de total indiferença.
— Já conheço Bella — disse, olhando-a com frieza. — Somos da mesma cidade.
Bella estendeu a mão para cumprimentá-lo, tentando se mostrar tão calma quanto ele.
— Como vai, Edward? É uma surpresa ver você de novo.
— Mas que coincidência, hein? — Volturi comentou. — É impressionante como a gente está sempre encontrando pessoas que nunca mais pensava rever. Bem, Edward, vou deixar você aos cuidados da sra. Swan. Ela lhe dirá tudo que quiser saber. Foi um prazer fazer negócios com a sua companhia.
Os dois homens trocaram um aperto de mão e Cullen murmurou um polido até logo. Depois, voltou-se para Bella, que apertou as mãos uma de encontro à outra, para esconder o nervosismo.
— Quer que o leve até o seu quarto, agora? — ela perguntou, embora esta fosse a última coisa no mundo que estava com vontade de fazer. Infelizmente, Alec e Jane achariam seu comportamento estranho e rude, se lhes pedisse para substituí-la.
— Alec, quer me dar a chave do 1000? Sr. Cullen, gostaria de lhe apresentar minha secretária, Jane, e o nosso recepcionista, Alec.
Os três trocaram cumprimentos, e Alec entregou a chave do 1000 a Bella. Tentando se acalmar, ela caminhou para o elevador, seguida por Edward. Mas a ideia de subir até o último andar com ele e depois levá-lo ao quarto era perturbadora demais. Desesperada, tentou se convencer de que ele, na certa, mal se lembrava dela; que o romance de dez anos atrás não havia afetado em nada a vida dele, embora tivesse mudado a dela por completo. Além, disso, Edward não deixaria as emoções interferirem num encontro de negócios. Não tinha motivos para se sentir tão amedrontada e nervosa. O romance entre eles acontecera há muito tempo, e ela agora estava imune à dor e ao amor.
Os dois entraram no elevador e a porta fechou-se. Para evitar os olhos de Edward, Bella abaixou a cabeça, mas depois forçou-se a encará-lo. Não demonstraria o quanto estava nervosa e assustada. Deu com o olhar dele, estranhamente inexpressivo, fixo em seu rosto.
"Ele continua bonito", pensou. "Talvez esteja até mais bonito agora que amadureceu. O ar meio enfezado que tinha, dez anos atrás, foi substituído por uma expressão fria e dura. Antes, Edward exalava emoção; agora, parece incapaz de sentir."
— Faz tempo que não nos vemos — comentou, para quebrar o silêncio desagradável. E logo em seguida se censurou por fazer um comentário tão tolo. A proximidade dele era opressiva, e mal estava conseguindo respirar e pensar. Mesmo depois de todo aquele tempo, depois de tudo o que tinha lhe feito, Edward ainda era capaz de fazer seu coração bater mais forte.
— Faz — ele respondeu, seco. E, logo em seguida, acrescentou: — Volturi chamou você de sra. Swan.
Bella gelou. Não poderia deixar que Edward descobrisse a verdade.
— Volturi tem péssima memória. Não sei por quê, botou na cabeça que sou casada. Já desisti de tentar corrigi-lo.
O elevador parou no último andar e ela saiu depressa, dirigindo-se para a enorme suíte no fim do corredor. Abrindo a porta, entregou a chave a Edward.
— Se precisar de alguma coisa, é só dizer.
— Amanhã, eu gostaria de inspecionar o hotel: o saguão, os quartos, a área de manutenção... Tudo, enfim.
— Pois não.
— Espero que não se importe por ter que dedicar o seu domingo de folga a me guiar por aí.
— Eu?! — Bella estremeceu, horrorizada com a ideia de passar o domingo inteiro percorrendo o hotel com ele.
— Claro. Você conhece este lugar melhor do que ninguém.
— Está bem. A que horas quer começar?
— Nove horas, está bem? Podemos nos encontrar no seu escritório.
— Certo.
Sentindo os olhos dele fixos em suas costas, Bella se afastou muito ereta. Chamou o elevador e, quando as portas se abriram à sua frente, entrou depressa, dominando a vontade de olhar para trás, para ver se ainda estava sendo observada. A salvo dos olhos escuros, apoiou-se na parede do elevador, completamente sem energia e tremendo por dentro e por fora.
Edward Cullen! Depois de tanto tempo! Por que ele tinha de aparecer? E ela? Por que fora aceitar aquele emprego? Sua vontade era correr para o quarto, pegar Anthony, entrar no carro e sumir dali o mais depressa possível. Como poderia acompanhar Edward pelo hotel no dia seguinte, depois de tudo que acontecera entre eles?
No saguão, Bella passou pelos empregados curiosos e fechou-se no escritório, onde se sentou à escrivaninha com o rosto escondido entre as mãos trêmulas. Aos poucos, acalmou-se o suficiente para perceber que, naquele estado, não conseguiria trabalhar. O melhor seria descansar em seu apartamento ou então andar um pouco pela praia, tentando refletir. Precisava pôr a cabeça no lugar e dominar as próprias emoções.
Jane olhou-a com surpresa, quando ela disse que iria tirar o resto do dia de folga, mas não comentou nada. Certa de que seu rosto estava traindo, pelo menos em parte, o caos emocional em que se encontrava, Bella foi para o apartamento trocar de roupa. Anthony tinha saído para jogar futebol, o que ela encarou como uma verdadeira bênção.
Já pronta, saiu sorrateiramente pela porta dos fundos do hotel. Durante muito tempo, vagou pela areia, com os pensamentos numa desordem total. Finalmente, parou para olhar em volta e viu que tinha chegado ao fim da praia. Com um suspiro, deixou-se cair no chão e envolveu os joelhos com os braços, fixando o olhar nas ondas. Agora que tinha dominado os nervos, talvez conseguisse pensar com clareza. Embalada pelo barulho calmante do mar, relaxou e permitiu que as lembranças tomassem conta de sua mente. Todas as barreiras que havia construído com tanto esforço caíram, o tempo regrediu, e ela se viu de novo na janela do quarto que ocupava na fazenda, olhando Edward Cullen conversar com seu pai, no pátio.
Naquela época, tinha dezessete anos, era segura de si e de sua beleza juvenil. Seu pai era um bem-sucedido plantador de laranjas, que lhe dava tudo o que o dinheiro podia comprar. Passava seus dias andando de um lado para o outro num pequeno carro esporte, tomando sol à beira da piscina e conversando com as amigas, no clube de campo. À noite, flertava com um ou outro dos rapazes que estavam sempre atrás dela.
Era impressionante o poder que havia adquirido sobre os antigos companheiros de infância. E era gostoso exercer esse poder. No entanto, sua generosidade não deixava que os provocasse a ponto de ser cruel, e seu senso de humor mantinha tudo dentro dos devidos limites. Ela mesma nunca tinha sentido a dor do amor, tão comum na adolescência.
Até ver Edward. Ele estava em pé, conversando com seu pai, e da janela ela pudera analisá-lo à vontade. Com os cabelos cobres brilhando ao sol, o jeans desbotado agarrado às coxas musculosas, as mangas da camisa enroladas até os cotovelos, ele lhe causara uma tremenda impressão, excitando-a de um modo com que nunca sonhara. Olhando-o, tinha sentido algo explodir dentro do peito e, sem querer, havia se inclinado para ele.
Ela o conhecia, é claro. Numa cidade pequena como Santa Clara, seria impossível isso não acontecer. Além disso, Edward havia trabalhado para seu pai antes de ir para a universidade, quatro anos atrás. Mas não o via desde aquela época, e até os treze anos nunca tinha se emocionado tanto ao vê-lo.
Logo, Edward e seu pai deixaram o pátio e sumiram num canto da casa, provavelmente em direção ao escritório. Levada por um impulso incontrolável, ela desceu a escada, agarrando de passagem uma revista que estava sobre a mesinha da sala, e foi para o terraço. Instalando-se no balanço que ficava junto à porta externa do escritório, fixou os olhos na revista, os ouvidos atentos aos sons que vinham lá de dentro. Enquanto esperava, ajeitou os cabelos com os dedos, lamentando não ter tempo de passar batom nos lábios. As roupas que estava usando eram simples, mas isso não tinha importância, pois sabia que ficava atraente com as pernas emergindo do short que tinha feito, cortando as pernas de uma velha calça jeans.
Finalmente, depois de uma eternidade, ouviu a porta do escritório se abrir e o som dos passos de Edward. Logo em seguida, ele passou por ela, que sem querer prendeu a respiração. Edward era ainda mais bonito de perto. A boca bem-feita fechava-se numa linha firme, quase de desafio, e os olhos escuros tinham um brilho ardente. Ele andava como um felino, e parecia ser um ente selvagem e primitivo, cheio de vida e energia. Percebendo que Edward não a tinha visto, ela chamou:
— Oi, Edward!
Sobressaltado, ele girou nos calcanhares e fixou nela os olhos escuros. Bastou aquele olhar rápido e impessoal para que ela se arrepiasse da cabeça aos pés.
— Senhorita — Edward replicou com ar remoto, antes de recomeçar a andar.
— Edward, sou eu, Bella! Não me reconhece?
— Desculpe. É que você cresceu muito.
As palavras dele não tinham nada do tom admirativo que, em geral, acompanhava os comentários sobre o quanto havia crescido. Na verdade, a voz de Edward soara distante, quase indiferente. E os olhos dele também não haviam se iluminado, cheios de interesse, ao examinarem seu corpo e seu rosto juvenil. Ele não disse mais nada, e ela se sentiu tola e desajeitada, em pé ali, encarando-o em silêncio. Era óbvio que ele não tinha o que lhe dizer e estava, educadamente, esperando que ela continuasse a conversa que havia iniciado.
— Bem-vindo à cidade — murmurou então, muito sem graça. Um brilho indefinível surgiu nos olhos escuros.
— Não vou ficar muito tempo por aqui.
Agudamente consciente do som dos passos dele afastando-se pelo pátio de cimento, ela sentou-se de novo, piscando para evitar as lágrimas. Ficara magoada com as maneiras bruscas e frias de Edward, principalmente porque não era indiferente a ele. Muito tempo depois que o carro dele sumira na estrada, ainda estava sentada no balanço, pensando no que havia acontecido. Por um momento, sentiu vontade de esquecer que ele existia, mas sua vaidade fora ferida. Além disso, sabia que não resistiria por muito tempo à vontade de revê-lo e, pior ainda, de tentar conquistá-lo.
Agora, recordando, Bella não pôde deixar de reconhecer que tinha perseguido Edward com uma audácia e uma insistência fora do comum. Atualmente, jamais faria tanto esforço para conquistar um homem que a tratasse com indiferença. Mas a Bella de dezessete anos nunca tinha experimentado uma derrota, nunca falhara na conquista de um homem. Na verdade, aquela Bella jamais imaginaria que pudesse querer alguma coisa e não obtê-la. E como ela quisera Edward! Mais que tudo no mundo, ela quisera Edward.
Presa nas garras de sua paixão juvenil, tinha decidido fazer com que ele retribuísse seu amor. Com sua habitual confiança, aproveitara todas as oportunidades para se encontrar com ele. E estava sempre com a melhor aparência possível, naqueles encontros "acidentais". Em seu cavalo, Estrela da Manhã, passeava todos os dias pelos laranjais. Quando tinha sorte, encontrava Edward abrindo às válvulas do sistema de irrigação das laranjeiras. Se o administrador da fazenda, estava junto, parava para um dedinho de prosa. Quando Edward estava sozinho não tinha desculpas para fazer isso, pois ele fechava a cara sempre que a via se aproximando.
Uma manhã, estava saindo de casa para jogar tênis com uma amiga quando viu Edward no celeiro, consertando o motor de um trator. Mais que depressa, jogou a raquete no banco do carro e correu atrás dele.
— Oi! — disse, animada, ao entrar no celeiro.
Edward levantou a cabeça por um rápido momento; depois, sem responder, voltou ao trabalho. Mas Bella não desistiu. Após observar por alguns segundos os movimentos dos dedos dele, cuja simples visão lhe dava arrepios, perguntou:
— Edward, você não se formou este ano pela Universidade do Texas?
— Sim, em arquitetura.
— Então, por que voltou para Santa Clara e veio trabalhar para o meu pai? Por que não está projetando casas, já que é arquiteto?
— Vou começar a trabalhar para uma firma em setembro. Até lá, achei que seria bom ficar com a minha mãe e ganhar um pouco de dinheiro.
— Sei... E onde você vai trabalhar?
Franzindo a testa, Edward endireitou o corpo.
— Não tem nada melhor para fazer do que ficar me amolando? Não estão esperando por você em algum lugar?
Os olhos escuros fixaram-se em sua roupa de tênis, e ela teve que fazer força para não chorar, magoada com as palavras grosseiras.
— Eu só estava tentando ser gentil com você, Edward! Antes de ir para a universidade, você sempre parava para conversar comigo. Você pode não se lembrar, mas eu me lembro muito bem. Me lembro de uma vez que você subiu no telhado para pegar uma bola de tênis que eu tinha jogado lá. E de uma vez que torci o tornozelo nos laranjais e você me carregou de volta para casa.
— Você era uma boa garota — ele disse então, a expressão dos olhos tornando-se mais suave. — E uma vez me fez um grande favor.
— Um favor?! Que favor? Ah, eu me lembro! Você está falando daquela briga no pátio da escola, não é? Quando Jacob Black e Quil Atera pularam em cima de você?
— Isso mesmo! — Edward quase tinha sorrido. — Você veio correndo como um furacãozinho, chutando, arranhando e gritando.
— Bem, eles eram maiores que você. E não era justo, dois contra um.
— Eu não estou me queixando. Fiquei grato, na ocasião. Você fez os professores virem correndo, além de deixar Aterra de canela roxa.
— Se eu ajudei tanto, por que não gosta mais de mim?
O rosto de Edward se fechou, e seus olhos brilharam de uma forma ardente e primitiva.
— Você não é mais uma garotinha.
— E o que tem isso?
— Acho que você sabe.
Como se ela não existisse, ele voltou a se concentrar no motor. Louca de raiva, Bella retornou ao carro.
"Está bem!", disse a si mesma. "Edward não me quer e é melhor eu me acostumar com isso. Ele pode estar apaixonado por outra garota ou até mesmo noivo de alguém que conheceu quando estava na universidade. Ou talvez ele me ache muito jovem e inexperiente. Parece que não tenho chance mesmo. Foi uma bobagem querer despertar o interesse dele. Além disso, Edward vai embora no fim do verão e papai teria um ataque se me visse saindo com um dos seus trabalhadores. Bem, aprendi a lição. Nunca mais vou tentar fazer um homem me desejar só porque fiquei ressentida com a sua indiferença."
Alguns dias depois, no fim da tarde, quando os trabalhadores já haviam passado para receber o pagamento da semana, Bella resolveu nadar um pouco. A casa dos Swan fora construída pelos avós dela, mas a piscina tinha sido ideia de Charlie, alguns anos antes.
Protegida por uma cerca viva de hibiscos e palmeiras que impedia que fosse vista por quem se aproximava da casa, a piscina retangular, azulejada de azul, era rodeada por um pátio de pedras onde se espalhavam mesas e espreguiçadeiras de metal. Tirando a saía de banho, Bella mergulhou na água dourada pelos últimos raios de sol. Com braçadas rápidas e perfeitas, cruzou a piscina várias vezes, até ter que parar para descansar. O sol, batendo em seus ombros, era gostoso, e ela esticou o corpo para melhor aproveitá-lo, flutuando docemente.
— Bella.
A voz do pai chamou sua atenção, e ela ficou em pé a tempo de vê-lo cruzando o pátio de pedras, em sua direção. Charlie Swan era um homem alto, com um rosto severo e brilhantes olhos azuis combinando com os cabelos crespos e grisalhos, cortados bem curtos. Ele amava a filha, mas desaprovava sua geração, e achava mais fácil demonstrar essa desaprovação que o amor que sentia por ela. Apesar de considerá-lo generoso, Bella achava-o incrivelmente duro e muitas vezes duvidava que ele gostasse dela.
— Vou ao clube jogar golfe com Fred Barton e depois vou jantar com James Wallace. Voltarei tarde. Mandei Cullen buscar uma peça para o trator na loja do McAllen. Quando ele chegar, entregue-lhe o cheque de pagamento. Está no meu escritório, na gaveta do meio da escrivaninha.
— Está bem. — Nessa altura, o coração de Bella começou a bater como um tambor.
— E, pelo amor de Deus, suba e vá pôr uma roupa decente. Não quero que ele veja você com isso. — Swan olhou, com desgosto, o biquíni azul-turquesa que a filha usava.
— Edward Cullen é a última pessoa com quem você deveria se preocupar.
Swan resmungou qualquer coisa a respeito de não confiar em homem algum e foi embora. Saindo da piscina, Bella colocou a saía de banho e se dirigiu para casa, para trocar de roupa. A meio caminho, no entanto, parou por um momento e depois voltou, tirou a saía e deitou numa das espreguiçadeiras. Iria fazer uma última tentativa com Edward. Ele provavelmente faria um comentário grosseiro ou olharia para ela sem vê-la, mas aquela oportunidade era boa demais para não ser aproveitada.
Era uma tolice fazer aquilo, e se Bella fosse um pouco mais velha e amadurecida teria percebido a que sua decisão poderia levar. Mas era jovem, ingênua e estava certa de que Edward era totalmente indiferente a ela. Queria desencadear alguma coisa, mas não estava preparada para o que aconteceu.
Impaciente, esperou a volta de Edward, mergulhando de vez em quando na piscina para gastar as energias. Afinal, ouviu o barulho dos passos dele se aproximando e, deitada na espreguiçadeira, fechou os olhos e fingiu que estava dormindo. Os passos hesitaram um instante junto dela, mas logo seguiram em frente.
Ouvindo Edward bater na porta, Bella abriu os olhos, devagarinho. Ele estava de costas para ela, as mãos enfiadas nos bolsos de trás da velha e desbotada calça jeans. Uma camiseta branca, úmida de suor, delineava os músculos de seu tórax forte e largo.
— Meu pai não está — ela disse então, levantando-se da espreguiçadeira.
Edward voltou para encará-la, o rosto cuidadosamente inexpressivo. Mas, por um rápido instante, os olhos castanhos fixaram-se no corpo dela. Uma sensação de triunfo atingiu Bella, que vagarosamente encaminhou-se para a varanda.
— Papai foi jogar golfe e vai jantar no clube. Deixou um cheque para você.
Edward deu um passo para o lado, para deixar Bella passar, e depois a seguiu até o escritório. Abrindo a gaveta da escrivaninha, ela pegou o envelope branco, marcado "Cullen" com a letra firme de Charlie, e o entregou a ele. Os dois voltaram juntos para o pátio, então. As mãos de Bella estavam frias, apesar do calor, e o sangue latejava em suas veias. Ela queria sentar e deixar que Edward fosse embora, mas a vontade de fazer com que ele ficasse foi mais forte.
— Não quer nadar um pouco?
Pela expressão do rosto de Edward, Bella percebeu que ele estava a ponto de recusar. Mas o desafio em seus olhos impediu-o.
— Não tenho maio.
— Papai tem alguns para convidados, lá dentro. Deve haver um que sirva para você.
Edward hesitou por uma fração de segundo. Depois, com um movimento ágil, tirou a camiseta, revelando o peito largo e bronzeado, onde brilhava uma medalhinha presa a uma corrente de ouro. Sentindo-se de repente tímida e espantada com a própria audácia, Bella engoliu em seco. Depressa, entrou de novo em casa, seguida por ele. Os maios estavam no banheiro de baixo, e ela voltou para a piscina, deixando-o lá para trocar de roupa. Seu rosto estava pegando fogo e, para se acalmar, ela mergulhou e nadou até o outro lado, agarrando-se à beirada para esperar.
Edward surgiu pouco depois, usando um maio vermelho que realçava o tom moreno de sua pele. Sem olhar para Bella, mergulhou e emergiu na frente dela empurrando para trás os cabelos molhados, que escorriam água..
— Você mergulha bem!
Os lábios dele se distenderam num sorriso sem alegria.
— O que é espantoso, para um garoto que nunca viu o lado de dentro de um clube de campo, não é? Felizmente, a Universidade do Texas obriga todos os alunos a aprenderem a nadar. Eu gostava das aulas e passava todo o meu tempo livre treinando.
— Você não sabe receber elogios, Edward. Eu não estava sendo crítica.
— Desculpe. Eu me esqueci de que você gosta de defender os menos privilegiados. — De repente, com os olhos brilhantes, quase ameaçadores, ele se aproximou mais. — Diga-me uma coisa, srta. Swan: por que vive se exibindo na frente dos trabalhadores de seu pai? Por que está sempre indo aos laranjais com calças justas como uma segunda pele e camisetas agarradas aos seios? Por que entrega cheques de biquíni? É para dar aos peões um pouco de alegria?— Agarrando a beirada da piscina, de modo a prender Bella nos braços, Edward continuou, num tom cortante: — Ou é só para provocar os trabalhadores, para mostrar a eles o que nunca poderão ter? Droga, Bella! Torturar os garotos ricos que frequentam o clube de campo não basta para você? O sangue deles não é quente o bastante?
— Não! — Horrorizada, Bella tinha erguido os olhos para Edward. — Não, eu nunca... Eu não faço isso! Nunca foi minha intenção provocar ninguém.
— Não?!
Em desespero, ela tentou pensar num argumento que o convencesse de sua sinceridade. Mas não poderia dizer-lhe que suas atitudes só tinham um objetivo: fazer com que ele a notasse, desejasse, beijasse... Incapaz de se defender, sacudiu a, cabeça apenas, os olhos fixos nos dele.
Edward se aproximou, então, as mãos deslizando pela beirada da piscina até tocarem seus ombros nus. Emocionada, Bella não conseguia respirar nem pensar. Os olhos escuros e brilhantes mantinham-na prisioneira, totalmente imóvel.
— Alguém precisa ensinar-lhe uma lição, Bella Swan. Você precisa aprender a não provocar e atormentar um homem até deixá-lo explodindo de desejo.
No instante seguinte, os lábios de Edward estavam sobre os dela, pressionando-os e forçando-os a se abrirem para receber sua língua exploradora. Ao mesmo tempo, ele passou um dos braços pelos ombros dela, aprisionando-a de encontro ao peito.
Com aquele toque, o ressentimento de Bella desapareceu e ela perdeu a consciência de tudo, menos da sensação da boca de Edward sobre a sua e da medalha de ouro enterrando-se na carne macia de seu colo. Enlaçando o pescoço dele, correspondeu com ansiedade ao beijo.
Edward estremeceu da cabeça aos pés e, com a mão livre, envolveu um dos seios dela, massageando-o por cima do tecido molhado do maio até o mamilo enrijecer. Levantando-a e apoiando-a então contra a beirada da piscina, enterrou o rosto em seu colo e explorou, com a língua e a boca, o topo de seus seios.
A beirada da piscina machucava as costas de Bella, mas ela nem notou, fascinada com a carícia. Logo, as mãos de Edward deslizaram para suas nádegas, enterrando-se na carne macia e pressionando-a de encontro ao corpo dele. Um vulcão de emoções selvagens explodiu dentro dela, mas, de repente, assustada com a própria sensualidade, Bella enrijeceu.
Não era aquilo o que pretendia ao atrair Edward para a piscina. Sua intenção tinha sido fazer com que ele a admirasse e começasse a amá-la do mesmo modo que ela o amava; não tinha intenção de despertar aquela torrente de paixão.
Estendendo as mãos para trás, Bella sentou-se na beirada da piscina. Edward não fez nada para impedi-la e, sem dar-lhe tempo para pensar no porquê daquilo, ele já estava fora da água também, correndo as mãos por seu corpo molhado. Os olhos dele estavam negros de desejo, e os dedos tremiam, em contato com sua pele.
Ele murmurou em espanhol palavras que Bella não conhecia, mas cujo significado era claro. Ao mesmo tempo, desamarrou as tiras que prendiam a parte superior do biquíni azul, revelando os seios arredondados de Bella, muito brancos em contraste com a pele do resto do corpo, cuidadosamente bronzeado. Vendo os mamilos rosados rígidos de desejo, Edward engoliu em seco. Depois, com um movimento rápido tirou o próprio maio.
Com o corpo em chamas e a garganta seca, Bella sentiu uma onda de desejo e um pouquinho de medo invadirem-na.
— Edward — murmurou, estendendo os braços para ele.
A chama que brilhava nos olhos de Edward havia explodido numa paixão febril. Ela pretendia pedir-lhe que não tivesse pressa e fosse gentil, mas as palavras nunca chegaram a sair de seus lábios. Edward cobriu-lhe o corpo com o peso do dele, pressionando-a de encontro às almofadas da espreguiçadeira e separando-lhe as pernas com o joelho.
Bella enrijeceu por inteiro durante o breve momento de dor, e ele parou. Depois, devagarinho, recomeçou a se mover dentro dela. O prazer foi surgindo sutilmente para os dois, intensificando-se à medida que seus movimentos iam se acelerando. De repente, Edward e Bella foram tragados por uma violenta onda de exaltação, de gozo extremo.
— Edward — Bella murmurou no fim, abraçando-o com força. — Edward!
