Apenas um acordo?
By Ravena
Capítulo 2
Seiya estava sentado, bebericando um uísque com o avô. Apesar dos noventa e cinco anos e das ordens médicas, o sr. Ogawara fazia tudo o que queria.
Olhou ao redor pela milésima vez à procura de uma moça rechonchuda e consultou as horas. Ela iria aparecer? A srta. Kido se encontrava em vantagem. O rosto dele era conhecido em toda a cidade, e sobre ela, a única informação eram os cabelos loiros, os olhos verdes e os tais cento e vinte quilos.
Pessoas entravam e saiam do restaurante, e nada de Saori Kido.
-... não concorda filho?
Seiya voltou a atenção para o avô.
- Sim, claro, vovô.
O senhor Ogawara soltou uma gargalhada.
- Deve está mesmo apaixonado. Nem ao menos escutava o que eu dizia. Mas vamos lá, conte-me sobre sua Saori Kido. Onde a conheceu? Há quanto tempo? E por que tem mantido esse relacionamento tão secreto? Sua mãe ficará furiosa por você anunciar o noivado enquanto ela e seu pai estão viajando. Sabe o quanto gosta de estar envolvida.
Seiya assentiu e deu um outro gole no drinque.
- Eu não queria ninguém envolvido, desta vez.
Seiya nem mesmo queria Saori Kido envolvida. Não queria a si mesmo envolvido. Em sua opinião, promessas feitas em leito de morte deveriam ser consideradas ilegais ou, no mínimo, ignoradas, mas seu coração não podia esquecer a promessa que ele fizera ao irmão, Shiryu.
- Talvez sozinho, sem pressão dos parentes, tenha conseguido fazer uma escolha melhor, filho. Lamento por ter tido de pressioná-lo, mas tornou-se necessário no momento em que Jabu Tsuki começou a rodear aquela mulher que trabalha para você.
Seiya desejou pela milésima vez que seu avô nunca tivesse entrado no escritório naquele dia, quatro meses atrás, e visto Jabu Tsuki sentado no canto da mesa de Shunrei. Aquela visita, ele sabia, era a responsável pela situação na qual se encontrava. Apesar de ter avisado Jabu para ficar bem longe, ele continuou aparecendo no escritório com freqüência.
- Sei do que Jabu está atrás Seiya. Você deu muito poder àquela mulher, tornado-a a vice-diretora, dando-lhe chances para ter ações da companhia. Ela e Jabu Tsuki, juntos, podem se tornar uma combinação perigosa.
Seiya sorriu. Se seu avô soubesse da verdade sobre Shunrei e Jabu Tsuki, ficaria muito mais preocupado, embora não fosse preciso. Como gostaria de poder contar a história inteira ao avô...
- Se não fosse pelo conhecimento e pelas habilidades daquela mulher, a companhia poderia ter entrado em colapso a qualquer momento durante os últimos oitos anos, vovô. Quantas vezes preciso lhe dizer que é Shunrei que está mantendo o equilíbrio de tudo, desde a morte de Shiryu?
- Não seja tolo e não se menospreze. Você pode não ter sido treinado para a posição, como seu irmão foi, mas vem fazendo tudo certo.- Suspirou- Sei que não adora o que faz, sei que a outras coisas que preferia estar fazendo, mas é necessário que a JetCorp tenha um Ogawara no leme.
- Que tal uma mulher Ogawara?
Netsu meneou a cabeça.
- Não há mulheres Ogawara. Exceto sua mãe, mas ela não tem interesse nos negócios. E o estatuto social estipula um homem.
- Não é verdade, vovô. Estipula apenas um Ogawara.
- Só por cima do meu cadáver haverá uma mulher nomeada Ogawara! Ou alguém que não seja da família!- Netsu Ogawara enrubesceu. – Se você entregar a firma nas mãos de Jabu Tsuki, matará seu pai, garoto.
- Não estou fazendo isso, mas sim...
- Óbvio que não está! Porque estou de olho nos planos dele. No minuto em que Tsuki e sua irmã gêmea fizerem trinta e um anos, ele passará a usar seu nome de batismo e se casará com Shunrei Yanama. Ela tem o conhecimento, ele, o nome, e juntos poderiam nos derrotar. Não permitirei isso!- Netsu deu um tapa forte na mesa. – Você me ouviu, garoto? Não os deixarei fazer isso!
- Vovô, acalme-se. Tome um gole de sua bebida. – Seiya pôs o copo de cristal na mão de Netsu, guiando-a para a boca.
Não foram as palavras de Seiya que trouxeram Netsu de volta, mas a presença do maître aproximando-se, acompanhado por uma moça que fazia todas as cabeças masculinas do restaurante se virarem.
Cabelos lisos e lilases brilhavam. O vestido justo, terminava a bons centímetros acima do joelho e tinha por cima um blazer de ceda creme. Um olhar divertido fixou-se no rosto de Seiya.
O sorriso caloroso dela o tirou de sua postura quase petrificada, colocando-o logo em pé.
- A srta. Kido chegou, senhor- anunciou o maître.
A morena esbelta aproximou-se, deslizou as palmas pelos braços dele, circundando-lhe o pescoço, puxou-o para si e lhe deu um beijo na boca.
- Querido... – Saori murmurou, com um olhar travesso. – Vinte e quatro horas é muito tempo para ficarmos separados.
O beijo avassalador deixou Seiya sem ação.
- Senti tanta saudade sua- disse Saori- Um dia inteiro sem você é uma eternidade.
Seiya a fitou, cativado pelo bom-humor no semblante dela. Como eram azuis aqueles olhos! Sua vontade era sair com Saori do restaurante, encostá-la num canto qualquer e continuar aquele beijo.
Onde estava a loira gordinha que Saori descrevera? Por que o enganara?
Tarde demais, Seiya se lembrou de que seu avô estava ali, analisando Saori com ansiedade.
- Sente-se, querida, e vou apresentá-la. Mas antes, o que você quer beber?
Ela sorriu, audaciosa.
- O de sempre, amor.
- Perrier com limão- pediu ao maître. Em seguida, apresentou Saori a seu avô. Querendo se vingar um pouco, acrscentou: - Uma vez que pretendemos ter um bebê sem demora, Saori está evitando bebidas alcoólicas.
Seiya notou que ela quase engasgou, mas conseguiu disfarçar num sorriso.
- Seiya, meu anjinho, não devemos nos precipitar. Nem estamos oficialmente noivos. Eu gostaria que nos conhecêssemos um pouco melhor antes de começar uma família.
- Nesse caso, acho que devíamos ter tomado precauções durante todo o fim de semana, doçura.
Ela sorriu com a mesma intimidade.
- Creio que está deixando seu avô embaraçado com esse assunto sr. Ogawara, Seiya me falou tanto sobre sua pessoa... Disse que não existe um detalhe na história do império Ogawara que o senhor não conheça. Tudo a esse respeito me fascina. Sei que será necessário mais de um almoço para que eu aprenda sobre isso, mas por que não me dá apenas uma idéia?
Netsu se inclinou na direção dela.
- Eu adoraria, minha querida, mas com uma condição: chame-me de vovô.
Saori esboçou um sorriso que fez o coração de Seiya disparar.
- Bem, obrigada. Eu ficaria honrada, mas... ainda não tenho direito a esse privilégio.
Seiya via, a cada minuto, o avô se apaixonar mais e mais por Saori Kido.
- Então, enquanto isso, trate-me por Natsu.
- Tudo bem.
- Mas sabe, minha querida, você me parece familiar... – Estudou-a por segundos - Já sei!- Estalou os dedos- Fundação Graad!
Seiya olhou para ela, e recebeu um chute leve por baixo da mesa.
- Pode ser, Netsu. Dou muitas palestras sobre a Fundação.
- Sim, assisti a uma na Câmara do comércio. Com certeza foi lá que a vi. Você fez uma apresentação esplêndida.
- Obrigada. – Saori dez uma pausa enquanto a perrier era servida. – Gosto de meu envolvimento com a Fundação.
- Envolvimento? – Observou Netsu. – Você não deveria deixar essa garota ser tão modesta, Seiya. Eu investiguei, antes de me tornar patrocinador, e descobri que Saori começou tudo aquilo e dirigiu a Fundação sozinha até poucos meses.
Seiya lançou-lhe um olhar demorado enquanto dava um gole no seu drinque.
- Amorzinho, você nunca me contou que era a mão forte na Fundação.
Saori teve de admirar o jeito como seu "noivo" continuava se safando. Ela nunca lhe contara nada, é lógico. Sorrindo, deu de ombros.
- Há muitas outras pessoas envolvidas, todas trabalhando tão duro quanto eu.
- Tão duro quanto deveriam- disse Netsu-. – É um esforço que vale a pena , não acha, Seiya?
Seiya assentiu, mas parecia muito nervoso. Saori controlou o impulso de rir. Seiya Ogawara merecia cada milímetro da confusão que sofria.
Por que estava mentindo para aquele senhor tão doce?
O garçom chegou e anotou os pedidos. Quando se retirou, Saori se dirigiu a Netsu, ignorando Seiya de propósito.
- E a história que ia me contar sobre a família Ogawara?
Ele estendeu o assunto a deliciosa refeição até o momento em que o carrinho de sobremesas parou ao lado.
- Não, obrigada.
- Mas, querida, considerando os quilos que você perdeu há pouco, decerto pode comer uma musse de chocolate. – Seiya a encarava divertido.
Saori meneou a cabeça.
- Sim, mas comi demais. Um café, por favor - pediu ao garçom.
- Descafeinado – ofereceu Seiya.
- Normal – retrucou Saori. – Acho que lembra, Seiya: senão consumo minha dose de cafeína a cada duas horas, fico irritada. E não quer que eu fique nervosa enquanto estivermos fazendo compras, quer? Posso me tornar muito... exigente.
- Amor, posso tanto suportar sua irritação como fazer-lhe todas as concessões. Cafeína não é bom para o bebê.
Netsu, nada embaraçado pela discussão, esfregou as mãos, cheio de alegria.
- Já marcaram a data do casamento, Saori?
- Não. Na verdade, ainda não contei a minha mãe sobre o noivado. Não sei bem onde ela está, agora.
Aquela era a pura verdade. A mãe de Saori se encontrava em Boston, sem dúvida, mas podia estar fazendo compras, jogando ou passeando com os cachorrinhos.
- Ela viaja muito? E seu pai?
- Papai morreu a vários anos, e sim, minha mãe viaja bastante.
- Lamento sobre seu pai. – Netsu suspirou. – Bem, então vamos esperar para fazer o anuncio oficial depois que vocês dois contarem a seus respectivos pais.
- Uma decisão sábia.
- Sua mãe, Seiya, vai querer uma grande festa de noivado. Você terá de lhe dar algum tempo para os preparativos. Mas, agora que conheci Saori, sinto que posso relaxar. Quando seus pais voltarão?- perguntou ao neto.
- A tempo para a reunião anual, vovô. Papai disse que não retornaria até a reforma da casa estivesse terminada, assim mamãe não enlouqueceria o arquiteto com mudanças no projeto.
- Criei um homem inteligente em seu pai – murmurou Netsu, empurrando a cadeira para trás.
Seiya se levantou para ajudá-lo. Netsu sorriu com amabilidade para ambos.
- Vou deixá-lo a sós, agora. Já passou da hora minha soneca. – Deu um beijo na testa de Saori. – Bem vinda á família Ogawara, meu bem.
- Obrigada, Netsu. Adorei conhecê-lo.
Seiya acompanhou o avô até a porta do restaurante.
Saori mordiscou o lábio. Aquilo não estava saindo como planejara. Não era mais uma brincadeira. Gostara muito de Netsu Ogawara. Pior: gostava de Seiya Ogawara também.
Seiya retornou com um garçom trazendo uma bandeja com um bule de café, uma garrafa de conhaque e duas xícaras. Tornou a sentar-se.
- Nós dois merecemos um conhaque pelo esforço.
Saori assentiu.
- O que é essa tal Fundação Graad da qual você e vovô estavam falando?
- Esqueça. Agora, por favor, conte-me por que é tão importante que Netsu acredite que você está prestes a se casar e o que o fez procurar a Parceiros Perfeitos em busca de uma noiva.
Ele hesitou, e Saori arqueou as sobrancelhas.
- Achava mesmo que eu não ia perguntar?
- Um sujeito pode ter esperanças, não pode?
Saori forçou-se a ignorar o brilho provocante na íris dele.
Comentários:
DianaD: Que bom que vc gostou. Também adoro Seiya e Saori. Um casal mt fofo.
Fico feliz em saber que alguém estando tão longe está acompanhando minha fic.
Mt obrigada por sua gentileza.
Felicidades.
Mfm2885: Seiya mereceu se atrapalhar todo né? Rs rs rs
A história vai ficar um pouco dramática mas, espero que vc continue acompanhando.
Bjos.
Marina Jolie: Ainda bem que vc gostou. Saori realmente curtiu um pouco com a cara do Seiya. Ele mereceu! Rs rs rs
Obrigada por ter comentado.
Bjos.
Espero que tenham gostado desse capítulo. E me desculpem por qualquer erro, não tenho revisora.
Kissus...
