Você não pode facilmente colocar o pé nessa "mansão misteriosa" em sua cidade. Porque se você irritar seu ocupante interior, não sairá levemente...

Principalmente se não houver ninguém la

CAP. 02

O MORADOR

Não foi fácil se recuperar do susto. Japão subia a escada para o primeiro andar quase mecanicamente, ainda tentando processar o acontecimento. Seu corpo não havia ficado tão dolorido desde a segunda guerra mundial, e aquilo não era um bom sinal.

Entrou no quarto do primeiro andar, onde havia encontrado Alemanha dentro do armário e, para a sua surpresa, o que encontrou dentro do quarto não foi uma porta de madeira, mas sim uma de ferro.

Definitivamente estava vendo coisas. Mesmo sendo um país velho, tinha certeza que sua memória não estava tão ruim assim. Ou estava?

_ A... Alemanha?

_ Qual o problema? _ Ele respondeu sem sair do esconderijo.

_ Acho que... Descobri o que aconteceu com vocês. _ Japão se encostou na porta enfraquecido _ Fui atacado também.

_ Você está bem?

_ Sim, mas temos que achar os outros. Você vem comigo?

_ Ah. Claro. Hm... Mas primeiro... Você viu meu chicote? Eu o perdi enquanto corria.

O asiático ficou momentaneamente em silêncio. Por que o amigo não abria a porta?

_ Sim. Eu o encontrei na escada. Se abrir a porta eu poderei lhe entregar.

_ Ahn... Claro.

A porta foi aberta, mas tão somente para Alemanha esticar o braço e pegar o chicote. Depois fechou-a, deixando o asiático surpreso.

_ Alemanha? Vamos?

_ Não posso... Preciso de um pouco de comida. Se puder trazer...

Japão se negava a acreditar no que tinha ouvido. Deu um beliscão no próprio braço, e doeu. Não estava sonhando. Alemanha estava realmente lhe pedindo algo absurdo num momento muito inoportuno.

_ Q... Que? É impossível achar comida num lugar como esse!

_ Por favor. Estou fraco demais. Qualquer coisa serve.

Maldita boa educação nipônica. O rapaz suspirou e baixou a cabeça:

_ Certo. Eu vou dar uma olhada. Também tenho que encontrar o Itália.

_ Obrigado. Viu meu irmão?

_ Não, mas ele deve estar bem.

_ Desculpe-me pelo transtorno. A propósito, leve isso com você. _ Abriu novamente a porta e ofereceu-lhe uma lata de cerveja. Tudo tão bruscamente que quase acertou o rosto do asiático.

_ Cerveja?

Japão sentiu todo o seu esqueleto tremer, mas não de medo e sim de impaciência. Como ele pôde trazer cerveja, mas não comida?

_ Vai restaurar suas forças _ Alemanha se adiantou _ Funciona comigo.

_ Certo.

Quando a porta se fechou novamente, Japão ouviu um barulho estrondoso vindo de lá, seguido de algumas marteladas.

"O que será que ele está fazendo?"

Saiu do quarto com a fraqueza sendo substituída por uma alta dose de curiosidade e preocupação. E pra piorar uma de suas mãos estava sendo ocupada com uma lata de cerveja.

Pensando bem, se Alemanha disse que ajudaria...

Abriu a lata e tomou uma golada. O líquido escorreu pela sua garganta e lhe arrepiou todos os fios de cabelo. Algo tão forte que nem precisou tomar o resto. Estava novamente disposto, ou, pelo menos, achava que estava.

Japão subiu as escadas para o segundo andar cautelosamente e com a mão firme em sua katana. O corredor estava vazio. O rapaz girou a maçaneta da primeira porta que viu e mal abriu-a quando foi surpreendido pela espada de Prússia.

_ MORRA!

_ Prússia! _ Japão defletiu o golpe _ Sou eu!

_ Ah? Japão!

Prússia o puxou para dentro e trancou a porta.

_ Eu tinha esquecido de fazer isso.

_ Prússia, você está bem?

_ Há... Há um monstro! Eu e o West vimos! _ Ele falou invocado enquanto Japão guardava a katana_ Era uma coisa feia, pelada com cor de bolinho podre!

_ Ahn... Eu sei. Também vi.

Prússia respirou fundo e massageou uma das têmporas:

_ Antes que eu me desse conta, acabei aqui. Aqueles dois... Não sei pra onde foram. O que era aquela criatura?

_ Você quer que eu lhe traga algo?

_ Huh? Ah... Bem, estou com sede e... Não! Não precisa. Temos que achar os outros.

_ Alemanha está no primeiro andar... Bem, ele precisa de comida _ Essa última frase foi feita com a voz pra dentro e o olhar para qualquer canto inútil do quarto _ Você por acaso tem comida aí?

_ Comida? Ahn... Não... Bem, tenho uns cogumelos...

_ Ele disse que qualquer coisa serve. _ fechou os olhos, ergueu as sobrancelhas e suspirou

_ E Itália?

_ Desaparecido. Mas ele é bom em correr e fugir. Deve ter escapado de alguma form...

_ Xiu!

Prússia pressionou o ombro de Japão no exato momento que seus olhos vermelhos encararam a porta. No início o asiático não entendeu do que se tratava, até ouvir um som diferente.

Parecia o barulho que se costuma ouvir ao colocar as conchas do mar na direção da orelha. O som se tornava mais forte e oscilante, fazendo um frio correr pela espinha dos dois países.

_ Se essa coisa na sua cintura não é só pra se exibir... _ Prússia murmurou seriamente _ Puxe-a para fora da bainha se não quiser ser devorado.

Japão pareceu voltar a si e rapidamente desembainhou a katana. Os dois se colocaram em posição de ataque, olhando para a porta enquanto o barulho ficava cada vez mais forte. Uma gota de suor desceu pelo rosto de Prússia, que estava a ponto de pular sobre a o primeiro que aparecesse por lá.

De repente a maçaneta girou, mas não abriu. A porta estava trancada. A "coisa" ainda tentou abri-la empurrando-a, mas não conseguiu. A tensão pareceu durar uma eternidade, mas cessou quando a porta parou de balançar e o barulho deixou de ser ouvido.

_ Acho que já foi. _ Japão sibilou ainda com a katana em punho.

_ Sim... Uau! Isso foi assustador. Mas vamos até o West, achar o Itália e sair daqui de uma vez por todas.

_ Certo.

Prússia abriu a porta e de repente a criatura avançou sobre ele.

_ ARH!

_ PRÚSSIA!

_ Mas que merda! _ Prússia cravou sua espada no monstro, mas a mão gigante do oponente segurou sua cabeça pra torcer-lhe o pescoço..

_ "Maldição"! _ Japão usou seu pergaminho e novamente o raio fez o monstro se distanciar.

Prússia rolou para o lado e levantou-se, puxando Japão pelo pulso e correndo para fora do quarto. Antes que o monstro novamente atacasse, o europeu fechou a porta violentamente e quase arrancou o braço de Japão ao descer a escada.

_ Ele não tinha ido embora! _ O europeu exclamava invocado _ Em qual o quarto o West está?

_ Aquele!

Prússia abriu a porta e, assim que entrou com Japão, arrastou a cômoda para frente dela. De uma coisa sabiam: Não era um fantasma. Fantasmas atravessavam paredes, então uma porta trancada jamais os deteria.

_ Aquela é a fortaleza onde Alemanha está. _ Japão indicou a porta de ferro.

_ Beleza. West! _ Prússia bateu na porta _ Nossa! Isso é bem sólido!

_ É você, Prússia? _ Alemanha falou antes de abrir a porta e sair.

Os dois países olharam desconfiados para o loiro, cujas mangas da farda estavam arregaçadas e a testa suada.

_ Ahn... Estamos fugindo da coisa. Japão me disse que você estava com fome, então eu lhe trouxe alguns cogumenlos.

Alemanha olhou para os cogumelos e fez uma careta, mas manteve-se calado. Devia ter dado uma desculpa menos imbecil do que a fome.

_ Hmm. Certo. Então nós podemos ir. _ jogou os cogumelos na boca e torceu para não ter uma dor de barriga. Já não bastava a água de qualidade duvidosa que Japão lhe dera.

A mente de todos estava a mil por hora. Por sorte, Alemanha era reservado o suficiente para não soltar um "eu não disse que não devíamos entrar?" Se bem que Japão apostaria todo seu estoque de arroz que o silêncio do loiro se dava mais pela preocupação com o paradeiro de Itália do que pela sua natureza reservada.

A procura os levou ao sótão. Tão longe... E por sorte não cruzaram com "aquilo" novamente.

Naquele andar tinha duas salas. O trio escolheu explorar uma ampla, limpa e arrumada. Continha uma velha estante, uma poltrona vermelha... E uma criatura redonda e felpuda presa à parede, movendo-se para tentar sair.

_ Céus, um mochi! _ Japão correu até a bolota que se remexia agoniada _ Temos que tirá-lo daqui. _ Tentou arrancá-lo de lá, mas foi inútil.

_ Deixe-me tentar. _ Alemanha se adiantou.

_ Certo. Mas cuidado, eles são frágeis.

Alemanha agarrou o mochi com uma mão e tentou a arrancá-lo da forma menos delicada possível.

_ E... Eu disse que são frágeis! _ Japão pôs as mãos no rosto receoso.

_ Temos que tirá-lo daqui e procurar logo Itália.

_ Ahn... Ta. Eu vou continuar procurando ele. Hm... Tente tirá-lo daí... Sem matá-lo, certo?

_ Não é melhor irmos com você? _ Prússia indagou.

_ Não. Não precisa. Eu só vou ver o outro quarto e já volto.

Torcendo pra que nada de ruim acontecesse ao pobre mochi, o asiático caminhou até o outro quarto daquele andar e abriu a porta. Era um compartimento com duas camas de lençóis brancos, alguma mobília e um cartaz ao lado de uma chave de força.

O cartaz e a chave lhe chamaram a atenção. Naquele estava escrito.

Para cima é o céu.

Para o meio é a terra

Para baixo é o inferno.

Olhou para a chave e engoliu em seco. Ela estava estacionada no meio, então "terra" quer dizer "ficar onde está", e céu com inferno... É, não havia dúvidas que estava de frente com aquele velho jogo do "se escolher o errado, você morre".

Certamente, se desaparecesse, gostaria de conhecer o céu das nações, não o inferno, então era previsível que alguém puxasse a alavanca pra cima.

Japão então puxou a chave para baixo.

De repente, uma das camas arredou para o lado, descobrindo um buraco no chão.

_ Uau...!

Japão correu até a passagem e depois olhou para a porta. Perguntou-se se deveria avisar aos outros dois sobre aquilo. Melhor não. Isso só faria Alemanha ser ainda mais impaciente com aquele mochi.

Respirou fundo e pulou no buraco antes que tivesse tempo pra desistir. Acabou caindo no teto de uma outra sala no andar de baixo e teve que ser ágil para cair de pé.

Caiu, mas suas pernas doeram.

_ Ai... Ai... Huh?

A sala em questão ficava no primeiro andar, era totalmente branca e havia apenas um piano da mesma cor no centro. Ao pé dele, um mísero pedaço de papel, cujo olhar de Japão se focou. O rapaz olhou aquilo e leu dois dígitos "0".

Não fazia sentido, mas guardou-o caso fosse útil no futuro.

Perto da sala do piano, havia uma outra. Por isso ao invés de sair e voltar ao sótão Japão decidiu explorá-la. Abriu a porta e encontrou uma outra biblioteca, um pouco menor que aquela onde havia sido atacado pela primeira vez.

Mal a nação entrou e de repente um par de braços envolveu seu pescoço num abraço bem exigente.

_ Japãããão!

_ I... Itália!

_ Você está bem? _ Itália perguntou ao se afastar _ Bem depois que você saiu um monstro apareceu no hall e veio atrás de nós! Alemanha foi o primeiro a gritar. Você ouviu o grito dele?

_ Não... Não como vocês...

_ O grito dele me assustou! Eu fiquei tão confuso na hora que corri pra longe e deixei você pra trás. Me desculpe, Japão... Mas a porta não abria de jeito nenhum e nós acabamos nos separando!

_ Ahn... Ta... Não precisa se desculpar. Qualquer um faria a mesma coisa... Até eu.

_ Essa casa é estranha. A porta de saída e as janelas estão fechadas e nossos celulares não funcionam. _ Itália suspirou. Entretanto abraçou Japão novamente _ Mas eu estou muito feliz em lhe encontrar! Você se machucou ou algo assim? Está com fome?

_ Eu estou bem... Mas... Você está estranhamente calmo. Estava mesmo vagando pela casa?

Itália se afastou novamente e sorriu:

_ Bem... Quando aquele monstro apareceu, eu quis chorar e correr até o Alemanha, mas... Bem, aqueles dois desmoronaram também. Então eu vi que alguém precisava manter a cabeça no lugar e mesmo assustado fui ficando mais calmo. Então comecei a buscar um modo de todos nós saírmos o mais rápido possível.

Japão piscou várias vezes refletindo sobre as palavras do amigo. Por fim, virou o rosto e concluiu:

_ Faz sentido... Eu também fui surpreendido no início, mas depois de ver todo mundo perturbado me senti mais calmo.

_ Achou Alemanha e Prússia?

_ Sim. Estão no sótão, mas eu explicarei os detalhes no caminho. Os dois estão muito preocupados com você, é melhor vê-los depressa.

_ Ah, claro! Vamos juntos então! Eu achei algumas coisas enquanto vasculhava a casa! Tem algumas chaves... E tenho comida também.

A conversa se estendeu durante todo o percurso até o quarto piso. Diante do medo, o tom da voz de cada um era o mais baixo possível e os olhares bem atentos. Ao chegarem ao local desejado, Japão abriu a porta, pronto para fazer o anúncio:

_ Pronto, gente, achei o It... Arh!

A sala estava revirada e um cenário de batalha envolvendo o monstro, Prússia e Alemanha havia se instaurado. Itália fez um escândalo:

_ AAAAH! A coisa! É a coisa, Japão!

Um dos braços do monstro avançou em Alemanha, mas a nação correu para trás e usou o chicote para laçar aquela parte da criatura.

_ Itália, você está bem?

_ A... Alemanha!

_ Japão! _ Prússia o chamou enquanto avançava no oponente com a espada _ Pegue Itália e fuja! West e eu cuidaremos disso!

Prússia cortou gravemente as costas do monstro, mas a criatura fechou o punho e acertou um murro com tanta violência que o país colidiu com a parede. Japão olhou decidido para a cena e correu até a nação, já com a katana fora da bainha.

_ Japão! _ Prússia ralhou.

_ Eu devo ter perdido a minha audição com a idade avançada. Não consigo ouvir você.

_ MORRAM! _ O monstro gritou já avançando nos dois, mas um vaso jogado em sua direção o fez parar.

_ Huh? _ Prússia olhou para quem jogara o vaso _ Hei, Itália!

_ Oh... Hm... Eu também fiquei surdo de repente!

_ Vamos! _ Prússia se ergueu rapidamente e cravou a espada no dorso do oponente.

_ Isso é nostálgico, não? _ Japão repetiu o gesto.

O adversário soltou um urro de dor e, pra finalizar, Alemanha largou o chicote e tirou a pistola, desferindo ao menos umas quatro balas no oponente. Todavia, antes que qualquer outra coisa pudesse ser feita, o monstro desapareceu bem diante de seus olhos.

Os quatro ficaram boquiabertos.

_ ... Ve... _ Itália recuou um passo _ Isso é realmente um fantasma...

_ Itália! _ Alemanha correu até ele.

Itália abriu um largo sorriso para ele em resposta. Enquanto isso Prússia tirava a poeira da calça e se aproximava com dificuldades do restante do grupo:

_ Ô, inferno! Vocês ignoraram totalmente o que eu falei! Ai...

_ Eu achei que nós dois seria o suficiente pra lidar com aquilo _ Alemanha confessou pousando uma das mãos no ombro de Itália _ Sinto muito. Vocês ajudaram bastante.

Japão suspirou aliviado:

_ Eu realmente estou feliz por todo mundo estar bem. Agora, o que vamos fazer daqui pra frente?

_ Pois é _ Prússia massageou a própria região lombar _ Aquela coisa pode aparecer aqui outra vez. Devíamos ir pra um lugar seguro. Se ficarmos juntos aquilo não será tão assustador.

_ Ah! _ Itália tirou uma das chaves guardadas em seu bolso _ Eu achei uma sala enquanto vasculhava a casa! Vamos!

E assim, os demais o seguiram.

Osilando entre a cautela e a tensão, as quatro nações desceram as escadas até chegarem ao tal local. A sala escolhida por Itália ficava no primeiro andar. Era ampla, tinha uma lareira e uma mesa de vidro grande com cadeiras bem confortáveis.

Assim que entraram, Itália passou a chave na porta e Alemanha se dirigiu à lareira. Examinou-a, tirou um fósforo de dentro de um dos bolsos e colocou um pouco de lenha para acendê-la.

Tudo se tornou repentinamente agradável. Prússia puxou uma das cadeiras para sentar-se à mesa e usou outra para esticar os pés.

_ É, nós não podemos ser tão descuidados, mas eu acho que estamos seguros aqui, por enquanto. Temos a chave e a porta está trancada.

_ Isso é só temporário. _ Japão desabotoou a própria farda _ Dá pra uma noite, eu suponhho.

_ Uma noite é suficiente pra mim. _ Itália deixou a chave na mesa _ Eu to realmente cansado dessa corrida.

_ Confesso que me sinto muito melhor agora que não estou mais sozinho.

Itália ficou sério por uma fração de segundos:

_ Sim... Isso foi realmente assustador no começo. _ Em seguida voltou a sorrir sem jeito _ Embora Alemanha tenha sido o primeiro a ser atacado, foi atrás de mim que o monstro correu depois!

_ Hehe! É verdade. _ Prússia gargalhou _ Eu me lembro... "Não! Não meu pequeno e precioso Itália!". Quando dei por mim, o monstro e Itália tinham desaparecido e o West também tinha vazado.

Se a situação não fosse tão crítica, Alemanha teria calado a boca do irmão com um soco pela brincadeira.

_ Eu odeio coisas sobrenaturais! _ Exclamou irritado _ A... Além disso... Não é como se eu tivesse apenas corrido e me escondido... Bem, esqueçam. Estamos todos bem e é isso que importa... Hm... Só o que me incomoda é o fato de não ter saída. Parece que aquilo realmente nos prendeu aqui.

_ Pois é... _ Japão suspirou _ Eu queria muito ir pra casa. To esperando uns jogos que logo serão liberados...

_ Eu tambem queria ir! _ Itália levantou os braços _ Quero comer pasta e pizza!

_ O plano de amanhã é fazermos uma saída _ Alemanha olhou para o relógio, que por sinal estava quebrado _ Ótimo, não sei que horas são, mas será perigoso se todos nós caírmos no sono. Alguém vai ter que ficar acordado.

Japão socou a palma da mão sério e determinado:

_ Tem razão. Vamos decidir isso no jan-ken.

_ Heim? _Prússia pareceu acordar _ O que é isso?

_ Bem, er... É um jogo bem simples. Você joga usando três tipos de símbolos com a mão...

_ Ah, seja o que for, façam logo! Eu estou realmente cansado e quero dormir!

_ Prússia, espere _ Alemanha foi taxativo.

_ ...E guu quebra choki. _ Japão terminava de explicar _ Você pode usar guu, choki ou paa.

_ Ah, é parecido com "la morra"! _ Itália animou-se mais _ Certo, Japão, eu vou com você! Vamos!

Jan-ken...

... E no final das contas, Prússia teve que ficar acordado.

Não havia relógio pra passar o tempo.

As chamas trepidavam enquanto o fogo oscilava como um dançarino. Alemanha, Itália e Japão estavam dormindo no chão, cobertos por uma toalha de mesa. Todos os três pareciam estar no sétimo sono.

_ Ah, cara... Não é legal ficar sozinho. _ Prússia debruçou-se sobre a mesa desolado. _ E esses três realmente roncam.

Quase um silêncio. Quase uma calmaria...

Itália remexeu-se para o lado de Alemanha e se encolheu perto do loiro, que, por sua vez, moveu a cabeça para que ficasse apoiada no couro cabeludo do amigo.

Nada restou a Prússia senão suspirar.

_ Se eu tivesse um computador, poderia atualizar meu blog... Agora tudo o que posso fazer é riscar a cara deles.

De repente um frio na espinha inexplicável o abalou e o fez tremer dos pés a cabeça. O vigia olhou para a lareira e viu que ainda estava acesa.

Nesse momento aquele mesmo barulho de ondas marinhas foi ouvido, tornando-se cada vez mais forte.

"Essa não!" Pensou, e cobriu a própria boca alarmado.

Quando o barulho pareceu insuportável, alguém girou a maçaneta e começou a sacudir a porta para querer entrar. Prússia levantou-se e recuou alguns passos. Olhava para os três dorminhocos que sequer se moviam enquanto a coisa tentava abrir a porta usando cada vez mais força.

Era só uma questão de tempo até ela conseguir.

_ Preciso fazer algo... _ Murmurava nervoso pegando a chave de cima da mesa _ Ha! É... É isso! Usarei a estratégia do Japão! Se eu desligar minha áurea, não serei encontrado!

A força na porta era cada vez mais intensa. Prússia respirou fundo e caminhou até ela.

"Droga! É agora que eu vou morrer!"

Continua


É uma pena que não dá pra colocar imagem aqui ^^

Obrigada pelo comentário, Cien Fleur. Japão ainda vai correr muuuito nessa história toda. Hauahauhau! Um abraço!

O próximo capítulo terá a presença de América, Inglaterra, França, Russia, China e Canadá. Eles, somados ao povo da casa e ao Romano com Espanha, compõem o quadro dos invasores.

Bem, quem acompanha o jogo, deve ter percebido a questão do mochi foi tratada de forma diferente. No Hetaoni 02, Japão volta para a biblioteca, encontra a chave do quarto andar, vai até aquela sala, acha o mocchi e vai até Alemanha para pedir ajuda. Alemanha lhe pede comida e lhe entrega cerveja.

Nessa fic, Japão não volta à biblioteca. Ele volta com Alemanha e fala que precisam procurar os outros. Alemanha lhe pede comida e lhe oferece cerveja. Só depois eles vão ao quarto andar, cuja porta já está aberta.

Essa diferença se deu porque quando Tomoyoshi apresenta o HetaOni 02 ela diz que fez algumas mudanças no game, e voltou a jogar desde o começo. Talvez nessa nova mudança, Japão não tenha encontrado o monstro na biblioteca, mas tão somente a chave.

Sendo assim achei mais lógico fazê-lo ir até Alemanha primeiro.

Quanto à cena da cerveja (no jogo, ela restaura o mp), apesar de ter dito que aboliria os elementos de rpg, a cena da cerveja deve ter sido muito engraçada. Não resisti e coloquei aqui também.

Aos que não acompanham o game, devem ter reparado que não estou usando o nome humano deles, certo? Logo irão entender o porquê. Esses nomes serão usados mais pra frente.

Bem, é só ^^ Espero que estejam gostando. É verdade que dá muito trabalho traduzir os scripts e depois colocar isso na forma de narração, mas o resultado é satisfatório :] Esse capítulo foi uma junção de HetaOni 02 com uma parte de HetaOni 03. Isso porque se não fosse assim, ficaria muito pequeno. Acho que a partir do HetaOni 14 não vai mais ser necessário emendar capítulos, pois os de 14 em diante são bem longos (e bem mais complexos).

Por fim, resolvi colocar alguns dados da ficha do Itália no jogo. É bem engraçada (Ah, Alemanha usa um chicote, mas resolvi dar uma pistola pra ele também. Só por enquanto ])

Itália Veneziano

Arma: Bíblia (Ele memorizou e frequentemente lê em voz alta)
Head: Chapéu de seda (Ele usa pra flertar. Não ajuda)
Corpo: Roupa estilosa (Elegante em diversos lugares. Tem doces nos bolsos)
Assessórios: Botas estilosas (Compradas por Japão. Está usando-as pela primeira vez)

Hahuahuahau! Bem, no jogo, as habilidades de Itália tem haver com comida e servem mais para restaurar mp e hp. Heheheh! Típico dele.