Ano: 1997
– Eu estou falando, Rachel, – Puck dizia a sua irmã mais nova. – não me faça passar vergonha! Finn vem aqui em casa, não dê uma de doida para cima dele.
Rachel concordava com tudo o que Puck falava com a cabeça. Mas na verdade não estava dando a menor bola. Com grandes olhos sonhadores, nem sequer estava prestando atenção. A única coisa que tomava conta de sua mente era que seu maior ídolo, e amor de sua vida, Finn Hudson, viria até sua casa.
Finalmente!
Ainda não tinha perdoado seu irmão totalmente por não tê-lo levado lá antes. Mas Puck dizia que era justamente por causa desse amor doido que ela tinha por Finn que ainda não os apresentara.
Rachel soube quando Finn fora estudar no mesmo colégio que Puck estudava e ficara extremamente empolgada com a notícia. Mas seu irmão dizia que nunca tinha sequer falado com Finn, portanto, não iria levá-la para conhecê-lo. Mas então, de uma hora para outra, eles se tornaram amigos.
Rachel havia chorado, esperneado e implorado para que Puck marcasse um encontro, mas ele não cedera. Até então.
Aparentemente, os dois tinham que fazer um trabalho em dupla e haviam marcado para fazer lá na casa dos Berry, uma vez que era um trabalho sobre profissões e a mãe de Finn não tinha uma profissão exatamente. Sendo assim, o casal Berry, dois advogados de renome, seria entrevistado e Puck faria o que pudesse para controlar sua irmã, ao ponto de que ela não o envergonhasse tanto com sua infantilidade e obsessão.
Sim, porque o que Rachel tinha por Finn não era mera admiração. Puck era irmão dela, mas tinha que admitir que Rachel era louca. Toda a vida dela era dedicada à Finn. E ela tinha certeza, certeza absoluta, de que os dois eram almas gêmeas, apesar dele ter 15 anos e ela apenas 11. E Puck sabia que Rachel não perderia tempo para declarar a Finn todo o seu amor e dizer a ele todas as baboseiras que inundavam sua mente infantil.
Puck a amava, claro, mas até ele mesmo tinha medo às vezes da certeza com que a garota afirmava que ela e Finn estavam destinados um ao outro. E, além do mais, sendo o melhor amigo, Puck já cansara de escutar Finn falando que uma das partes que menos gostava da fama era ter que aturar as meninas obcecadas por ele. Não podia colocar o pé para fora que elas o cercavam. Por causa disso, sua vida era totalmente limitada e sentia-se constantemente vigiado.
Todavia, ele mesmo já havia visitado a casa de Finn inúmeras vezes. Mais cedo ou mais tarde, tinha que levá-lo para conhecer sua família também.
Foram alguns dias sublimes para a pequena Rachel, desde que soubera da iminente visita. Ela havia se preparado nos mínimos detalhes. Preparara toda a sua coleção, de tudo que se tratava dele. Mostraria a Finn e ele veria como ela o amava verdadeiramente. Não se importava que ele tinha outras fãs, Rachel era diferente, ela sabia disso.
– Pelo menos tente não parecer tão louca. – Puck continuou a implorar. – Tente.
A campainha tocou e Rachel soltou um gritinho entusiasmado, antes de começar a dar pulinhos. Desanimado, Puck suspirou e viu que não adiantaria dizer nada. Foi abrir a porta, viu Finn e o cumprimentou. Já tinha avisado a ele sobre a doida da sua irmã, assim esperava que a surpresa não fosse tão grande.
Quando Puck olhou para trás, não viu Rachel. A garota tinha subido a toda velocidade as escadas atrás da caixa na qual guardava as coisas mais preciosas que tinha de Finn. Tinha deixado a caixa estrategicamente em cima da cama, onde seria fácil de encontrá-la.
Mas ainda lá embaixo, Puck passava os olhos por todos os cantos, temendo que Rachel tivesse se escondido em algum lugar e fosse pular no pescoço de Finn a qualquer momento.
– Tá tudo bem? – Finn perguntou a Puck, percebendo a apreensão do outro.
Puck olhou rapidamente para Finn.
– O quê? Ah, claro, claro... – falava, enquanto ainda passava a vista pelo local. – É a minha irmã, como eu tinha te falado. Ele não é boa da cabeça quando se trata de você e não sei onde se meteu...
Finn riu brevemente.
– Vamos, ela não deve ser assim tão ruim.
– Você não conhece a Rachel. Acredite, todo o cuidado é pouco. – depois de olhar para todos os cantos, Puck decidiu que Rachel não estava mais lá. Que estranho. – Acho melhor corrermos para a biblioteca.
Não tinham dado mais do que dois passos quando Rachel reapareceu no topo das escadas, descendo os degraus rapidamente. Era bom demais para ser verdade, Puck pensou.
Rachel esperou até que descesse as escadas totalmente para só então olhar para Finn. Os olhos pareciam ter virado diamantes de tanto que brilhavam. O coração parecia ter virado um tambor de tanto que batia. Vivera sua vida toda esperando por aquele momento e ele tinha finalmente chegado.
O amor de sua vida estava bem em sua frente. Muito mais lindo do que era em fotos e vídeos. Era agora mais claro do que nunca que os dois foram feitos um para o outro. Ainda ia ter que crescer mais, Rachel sabia disso, mas um dia eles iriam se casar.
Mas havia algo estranho. Era bem verdade que se preparara noite e dia para aquele encontro, mas não são todos os dias que você fica frente a frente com o amor da sua vida pela primeira vez. A importância daquele momento atingiu Rachel tão em cheio que ela não estava sendo capaz de pronunciar uma palavra sequer. Para seu horror, estava completamente emudecida.
Finn, que observava todas as expressões que passavam por aquele rosto, e estava impressionado com o quanto ele era expressivo, arriscou sorrir para a pequena garota, assim como costumava sorrir para todas as suas fãs. Já estava acostumado com aquilo.
– Oi, amiguinha. – cumprimentou.
Viu que ela abriu a boca para tentar falar alguma coisa, mas nenhum som saiu. Ela tentou de novo e nada. Esperou mais um momento, mas Rachel não saiu de sua paralisia.
– Ai, meu Deus. – Puck disse e se aproximou da irmã. – Rachel? – perguntou, cautelosamente. – Você... está bem?
Diante da falta de resposta da menina, Puck encarou Finn, com ar preocupado.
– Não se preocupe, cara. – Finn tentou ajudar. – Não é a primeira vez que isso acontece.
Puck passou a mão na frente do rosto de Rachel, que ainda mantinha os olhos fixos em Finn.
– Pode ser que não seja a primeira vez que alguém fique mudo na sua frente, mas, acredite, é a primeira vez que Rachel não está falando como uma tagarela. – Puck segurou Rachel pelos ombros e deu uma pequena sacudida. – Você acha que ela teve algum tipo de ataque de pânico ou algo assim?
Finn deu de ombros. Esses eram os tipos de momentos que ele gostaria que não existissem. Odiava se sentir como algum tipo de alienígena, como um ser que pertencia a outro mundo.
Claro, além de ter trazido tranquilidade a sua mãe, ele também gostava de atuar. Pouco a pouco, fora desenvolvendo uma paixão por aquilo que nunca esperara ter. Sabia que já não podia mais viver sem isso e, no geral, agradecia o carinho das fãs, mas não era nada legal quando elas o deixavam assim tão desconfortável.
Foi então quando viu Rachel segurando uma grande caixa que estampava uma foto enorme do rosto dele. Fez outra tentativa para ajudar.
Finn apontou para a caixa.
– Isso é seu? – perguntou a ela, mas Rachel não respondeu. – É um presente para mim? – Finn ganhava vários presentes e até guardava alguns deles. Doava a maioria.
Rachel baixou o olhar para a caixa. Depois, voltou a subir até fixá-lo em Finn de novo. Negou lentamente com a cabeça.
– Graças a Deus! – Puck exclamou, aliviado por ela ter expressado uma reação. Dirigindo-se a Finn, acrescentou: – Pelo menos parece que ela não ficou totalmente retardada.
Finn riu um pouco com o comentário. Por mais que Puck tenha reclamado da irmã, ele parecia realmente preocupado com ela.
– Claro que não, às vezes isso acontece, já te falei. Já vi todo tipo de reação. Têm umas garotas que gritam e se descabelam, já outras ficam assim, paralisadas. – ele riu mais um pouco. – Ainda é tão estranho que eu cause essas coisas nas pessoas... – falou, mais para si mesmo desta vez. – Mas elas voltam ao normal uma hora ou outra, não se preocupe.
– Eu espero que sim. – Puck voltou a sacudir a irmã de leve. – Rachel? Rachel, vamos, acorde.
Até mesmo a garota estava chocada com o próprio comportamento. Como se já não bastasse o choque pelo fato em si de ter Finn em sua frente. Ela queria dizer alguma coisa, queria mostrar a ele que os dois tinham sido destinados a ficar juntos, assim como ela mesma já tinha decidido isso há muito tempo.
Mas, de repente, o encontro, que tinha sido apenas uma ilusão de menina, tornara-se realidade e atingiu a garota em cheio. Sem escutar direito o que era dito ali, Rachel viu que Finn dava algumas risadas. Será que estava rindo dela? Tinha ouvido Puck dizer que ela era retardada, foi isso o que fez Finn rir?
De repente, sentiu o rosto ficar vermelho como um tomate. Sem poder aguentar mais, Rachel saiu correndo em disparada, de volta para seu quarto, sem olhar para trás.
Ao fechar a porta, deixou a caixa de lado e se jogou na cama. Que idiota era, tinha estragado tudo!
Sua primeira oportunidade, uma oportunidade real, e ela não tinha conseguido dizer completamente nada.
Que idiota, que idiota, que idiota, que idiota!
Esmurrou o travesseiro várias vezes, enquanto o rosto começava a ficar totalmente molhado com as lágrimas.
Como sempre, obrigada pelas reviews.
E aí, como será que vocês reagiriam se encontrassem um grande ídolo frente a frente? rs...
