- Desculpe por isso – ele disse antes de me puxar para trás de uma tapeçaria e pressionar meu corpo contra a parede. Não tive tempo para entender o que ele estava fazendo, até sentir os lábios dele pressionando os meus. Não tive tempo para qualquer tipo de objeção. Era impossível recusar aquele beijo. Não sei quando minha mochila foi ao chão, apenas deixei que minhas mãos deslizassem até a nuca dele. Não queria que ele se afastasse.

Quando senti a mão dela em minha nuca, puxei-a ainda mais forte pela cintura. Sentia o corpo dela colado ao meu. Como outra pessoa além de mim poderia possuir aqueles lábios? Era um erro. Fui beijando o seu maxilar, seu pescoço. O gosto de morango. O cheiro de pergaminho. Meu cheiro no corpo dela. A risada de Nott me trouxe novamente à realidade.

- Não saia daí – eu murmurei pressionando-a.

- Quem está aí? – a voz do meu "amigo" se fez presente.

- Olá, Nott – eu apareci sem abrir toda a tapeçaria, escondendo-a atrás de mim com meu corpo.

- Malfoy... Matando aula? Quem está pegando dessa vez?

- Ninguém que seja do seu interesse. – eu disse encarando-o. Atrás dele, Goyle e Clint.

- Ora, Malfoy... Já compartilhamos algumas – não queria que Hermione tivesse ouvido isso e ele só piorou as coisas para mim – Mas, tudo bem... Não vou insistir. Sei que se a garota valer a pena, você vai nos contar em detalhes – eles riram. Meu olhar era frio.

- Deixe-me em paz, Nott.

- Claro... E, quanto a você, garota misteriosa, nos vemos nos corredores – ele disse em voz alta. Eles continuaram dando risada e sumiram. Eu estava com raiva. Ele não sabia que era a Granger que estava lá, mas lembrei-me do que ela tinha me falado há pouco sobre os olhares dele para ela.

- Granger,... – ela tinha os olhos fixos no chão.

- Acha que é seguro eu sair agora? Se eu continuar reto e virar à terceira direita é o caminho para o Grande Salão, né?

- Granger, eu...

- Não quero me atrasar – ela afastou-se de mim e saiu de trás da tapeçaria.

- Escute, Granger... – eu não queria escutar. Não precisava de explicações. O que eu estava pensando? Não estava pensando, óbvio... Quantas e quantas vezes eu ouvira falar de como alguns garotos da sonserina trocavam de garotas como se fossem objetos? E elas nem se importavam com isso. Apenas queriam status e presentes caros – Granger,... Hermione me escute!

- Não apele me chamando pelo meu nome, Malfoy. – eu disse sem parar de andar - Não dei essa liberdade para você. Pode deixar que eu continuo sozinha daqui.

Ela continuou, ignorando meus chamados. Merda! Ela estava pensando que não passava de mais uma conquista. Baguncei meus cabelos de forma nervosa. Pensei em segui-la, mas sabia que aquele não era o melhor momento para conversar com ela.

- Agora você não vai mais fugir. O que está havendo entre você o Malfoy?

- Não está havendo nada, Gina – respondi em voz baixa. Estávamos no Salão da Grifinória. – Estou mais preocupada em saber quando meus pais vão falar comigo novamente. Não tenho tempo para joguinhos.

- Mentirosa – ela disse me dando um tapa amigável no braço – Sei que está preocupada com seus pais, mas eu vi o modo como olhava pro Malfoy no jogo de quadribol. E eu também vi o quanto ele olha para você.

- Ele quer apenas me encher o saco.

- Não parece. Terence é legal, mas Malfoy é muito mais gostoso – olhei para minha amiga com os olhos arregalados.

- Ele senta toda aula ao seu lado e fica te observando quando você está concentrada em suas anotações.

- Faz parte de um jogo idiota dele, Gina. Estou com Terry. E não quero mais falar sobre isso – disse encerrando o assunto.

- Por que eu fui chamado aqui? – disse cruzando meus braços – Estou cumprindo minhas horas limpando e reconstruindo o Castelo.

- Não acha estranho, Malfoy, que o único dia que você sai é o dia em que o vilarejo é atacado?

- Está insinuando que eu tive alguma coisa a ver com aquele incêndio, Potter? Que eu saiba você ainda não é auror para conduzir investigações. – respondi sem deixar de encará-lo.

- Ele não está conduzindo. Harry. – Kingsley falou tentando acalmar os ânimos, porém sem êxito – Você não está sendo acusado de nada, senhor Malfoy. Queremos apenas saber o que houve.

- Eu já contei. Ouvi uma explosão. Tudo começou a pegar fogo. Eu estava saindo quando lembrei que vi a Granger indo ao banheiro. Voltei para ajudá-la.

- Você não tem motivos nenhum para ajudar Hermione – olhei para o pobretão com desprezo.

- Eu não sou um assassino, Weasley. Afinal, vocês deveriam me agradecer. Salvei a amiguinha de vocês.

- Malfoy, você suspeita de alguém... Ouviu alguma cois-

- Se eu tivesse ouvido, teria avisado. Acabou? – levantei-me irritado – Ótimo – virei para sair quando um pensamento surgiu em minha cabeça – Já investigaram Nott?

- Teodoro Nott? – Potter perguntou.

- Claro, Potter. A mãe dele está morta e o pai preso. Eu não sei de nada – me adiantei – Apenas, não confio nele. E não me lembro de tê-lo visto na festa. Um sonserino só perde uma festa com bebida de graça por um bom motivo.

Dezembro estava iniciando e eu tinha acabado de voltar ao castelo após passar um sábado com meus pais. Eles ainda não tinham me perdoado totalmente, mas não queriam passar o Natal afastados de mim. Nada de magia durante o sábado, pois depois de terem sido enfeitiçados pela própria filha estavam meio reticentes quanto à magia. Não podia culpá-los.

Estava cansada e não queria ver ninguém. Agradeci mentalmente quando Terry falou que se reuniria com os jogadores do seu time para armar estratégias já que teria um jogo contra a Grifinória no dia seguinte.

Não acreditei quando vi a cabeleira loira de Draco Malfoy. Ele tinha um dos pés apoiado na parede. A manga da camisa do uniforme dobrada até o cotovelo. Sua cabeça pendia para frente, os fios loiros cobrindo o rosto. As mãos nos bolsos. Merlin... Como alguém poderia ser tão...

- Achei que não chegaria nunca, Granger – ele virou-se e olhou para mim. A mão direita jogando os cabelos para trás.

- Não pretende estudar hoje, pretende?

- Sabe que não estou aqui para falar sobre nosso trabalho, Granger. Você tem me evitado há muito tempo. E da pior maneira possível – ele desencostou-se.

Granger estava mais grudada que nunca com o idiota. Eu tinha notado. Eu não conseguia me aproximar e nas aulas era impossível falar qualquer coisa com ela. E eu não podia arriscar uma detenção. Estava parado ali sei lá há quanto tempo.

- Vamos continuar conversando aqui fora mesmo?

- Melhor – ela falou fingindo não importar-se. Ela não sabia esconder as emoções.

- Não, o melhor é entrarmos. Vamos, Granger. Sabe que não farei nada contra sua vontade – levantei uma das sobrancelhas, um sorriso irônico. Ela me xingou em voz baixa. Murmurou a senha e eu juro que tentei ouvir, mas não foi possível.

- Diga logo, Malfoy. Estou cansada.

- O que Nott falou... – eu comecei com cautela – É passado, Granger. Eu não sou mais daquele jeito.

- Isso realmente não me importa. Se isso era tudo o que tinha a dizer – eu aproximei-me dela, segurando-a pelo braço impedindo que ela abrisse a porta.

- Solte-me, Malfoy.

Minha voz vacilou ao sentir o corpo dele perto de mim. O toque dele era firme, mas sem me machucar.

- Saiba de uma coisa, Granger, já é bem difícil ver você com o idiota do Boot, acha mesmo que espalharia por aí o quanto você beija bem? – as últimas palavras eram quase um sussurro. Meus olhos se fecharam. Sentia os fios loiros batendo no meu rosto. Ele encostou os lábios no meu pescoço. O hálito quente contra minha pele. O toque, apenas um roçar que fazia todo meu corpo clamar por mais. A boca dele passou pela minha, indo para o outro lado do meu pescoço. A língua em meu maxilar. Desejo. Achei que minhas pernas cederiam.

- Granger, isso não é um jogo. Dispense o Boot.

- Malfoy, eu... – não sabia o que dizer – eu não posso continuar com isso.

- Pode Granger. Mas eu não divido o que é meu.

Ela me empurrou.

- Eu não sou tua, Malfoy! – joguei meus cabelos para trás.

- Por enquanto, Granger, por enquanto – sorri diante da expressão de descrédito dela e fui embora.

Acordei com diversas batidas na porta:

- Blaise... Hoje é domingo – ele me ignorou e entrou no quarto.

- Qual é a sua com a Granger, Draco?

- Não sei do que está falando, Blás – vesti minha camiseta.

- Draco, preste atenção. Você tem passado pouco tempo no Salão Comunal e não ouve as conversas. Você sempre está enfiado nesse quarto ou praticando quadribol ou babando pela Granger – tentei interrompê-lo, porém ele continuou – Eu e Pansy conversamos e não ligamos muito para isso, só que a maioria dos sonserinos não pensa assim, Draco. Você enfrentou o Fogo Maldito para salvar uma sangue-ruim!

- Não a chame assim!

- Sou seu amigo, cara. Tome cuidado.

- Eu sei me cuidar.

Não deixei transparecer o quanto aquela conversa tinha me incomodado. Quando fui para o café, vi a Granger conversando com a Weasley. Já tinha alguns dias que eu estava bem a tento aos olhares de Nott. Ele tinha sua atenção voltada para ela. Não sabia dizer o que se passava pela cabeça dele. De repente, ele me olhou. Nesse momento, Nott não escondeu sua raiva. Ele levantou-se e andou até onde eu estava.

- Você nem sempre estará perto para salvá-la – levantei-me de forma abrupta. Apesar de ser mais baixo que eu, ele não se intimidou.

- O que você quer dizer com isso?

- Não gostei nada de saber que após sua visita ao Ministérioeu fui chamado.

- Não me importo com o que você gosta ou deixe de gostar – sei que chamávamos a atenção, Blaise apareceu tentando acalmar as coisas.

- Ei, ei! Hoje é domingo, caras! Tem quadribol e temos que torcer por um empate, que tal? Nott cortou a fala do meu amigo.

- Eu me importo com quem você gosta – ele olhou por cima do meu ombro. Virei meu corpo e vi que Granger olhava assustada para nós.

- Draco, vam-

- Fique longe dela – eu disse entredentes.

- Era ela, não era? Que você estava agarrando atrás da tapeçaria?

- Venha, Draco – Blaise tentou me puxar, eu soltei meu braço.

- Sabe que não repito meus avisos – dei um passo na direção dele. A varinha colada em sua barriga. Os professores começaram a se aproximar.

- Um dia desses, Malfoy, eu vou pegar a Granger e vamos ver se ela vale tudo isso – eu não pensei nas consequências. Mentalizei um feitiço e ele voou longe. Quem estava próximo de nós também foi afastado pela força da magia. Atrás de mim o som de copos, pratos e vidros se quebrando.

- Senhor Malfoy! – a voz da diretora fez com que eu voltasse a mim – Boot, leve o senhor Nott para a enfermaria. E você, senhor Malfoy, me acompanhe.

Eu estava parada. Raramente um bruxo treinado desprendia tamanha magia assim. Vi quando Minerva passou com Malfoy ao meu lado e ele sussurrou:

- Fique perto de seus amigos.

- O que ele disse? O que ele disse? – Gina me perguntou, eu repeti. – Será que o Nott fez algum tipo de ameaça? Harry contou que ele está sendo investigado pela explosão no dia das bruxas.

- Eu não sei, Gina.

- Vou avisar Harry e Rony – ela saiu correndo, depois voltou e falou com Dino – E você, Dino Thomas, cuide dela – claro que ele não entendeu nada, mas poucos tinham coragem de questionar Gina quando ela usava aquela entonação.

- Será que poderia me explicar o que houve, senhor Malfoy?

- É mesmo necessário? – perguntei tentando controlar minha raiva.

- Claro que sim! Você ainda está em débito com o Ministério, senhor Malfoy! Eles o querem preso! – o olhar severo dela pareceu suavizar – Sei que não perde a cabeça à toa e notei – ela pigarreou – que voltou mudado e tem mudado ao longo desses meses – Então, Draco, poderia me explicar o que houve?

- Ele ameaçou a Granger.

- Cuidaremos para que não passem de ameaças. Sem azarações, senhor Malfoy. E controle seu temperamento.

- Farei o possível, diretora.

- Detenção – rolei os olhos. O que mais precisava ser restaurado ou limpo naquele castelo? – Perdemos muitos livros. Estamos refazendo nosso catálogo – que ótimo... – Você passará dois domingos desse mês e dois domingos de janeiro ajudando Hermione Granger nessa tarefa – olhei-a estupefato. Um quadro atrás de mim riu e falou:

- Ahhh, o amor dos jovens está tocando seu coração, cara Minerva?

- Cale-se, Dumbledore! Dispensado, senhor Malfoy. Mais uma coisa... Você foi liberado no próximo sábado para fazer suas compras de Natal.

- Obrigado, diretora.

Se minha detenção por azarar Nott fosse sempre passar meus domingos na companhia de Granger, acho que o coitado estava fudido.

- Parabéns pelo jogo! – eu disse abraçando Terence. No fundo queria que empatasse. Agora meus colegas de casa estavam bravos e entristecidos. A Grifinória estava acostumada com vitórias depois de ter Harry como apanhador nos últimos anos. Ele me beijou e eu me senti péssima. Eu tinha o traído.

- Vai passar o Natal e o Ano Novo com sua família ou com os Weasley?

- Com minha família. Estamos nos entendendo. Vamos para a França.

- Sentirei saudades.

- Eu também – disse sorrindo sem saber se realmente sentiria tanto a falta dele.

- Sairei uma semana antes das aulas pararem, Mione. Meus pais querem ir para os Estados Unidos. – ele parecia tenso.

- Não sabia... O que foi? – perguntei ao ver a expressão dele.

- Malfoy. Ele gosta de você.

- Não fale besteiras. Malfoy jamais gostaria de alguém como eu... Nascida trouxa – eu torcia para que ele não falasse sobre o jogo de quadribol.

Ele não respondeu nada. Apenas me abraçou. Nunca me senti tão traidora como naquele momento. Estava confusa. Só que o pensamento de começar algo com Draco Malfoy não era nada animador.

Acordei cedo e animado para ir para Hogsmeade. Não que houvesse muitos presentes para serem comprados: minha mãe, Pansy, Blaise e... Granger. Apenas queria sair um pouco do castelo. Todos os estudantes do 7º ano teriam o dia livre.

Cheguei ao vilarejo acompanhado pelo meu casal de amigos. Depois de comprarmos doces, separei-me deles. Vi Granger passando com os Weasley e Potter. Segui-os mantendo uma distância segura. Ela despediu-se quando eles entraram na loja de artigos para quadribol. Eu já sabia muito bem para onde ela estava indo.

- Granger – ela assustou-se e quase derrubou um grosso livro que tinha acabado de pegar da prateleira.

- Malfoy! Que susto! Sei que não nos encontramos essa semana, mas nosso trabalho de poções está bem adiantado.

- Não sei por que ainda acha que procuro você para falar sobre o nosso trabalho de poções.

- Não comece com isso – vi que ela me olhava nervosa.

- Terminando com ele antes do Natal você pode economizar uns galeões – Granger girou os olhos – A diretora já te contou a novidade?

- Qual novidade?

- Sobre minha detenção – ela me olhou com curiosidade – Domingo – dei um passo na direção dela. Que recuou – Na Biblioteca – mais um passo. Ela contra uma estante – Com você – estava gostando daquilo. Eu sabia muito bem como fazer minha voz soar sensual – Até amanhã, Hermione.

Deveria ser algum castigo. O que eu tinha feito para McGonagall?

- Bom dia, Granger. Vamos começar?

- Essa é a lista de livros que precisam de novas edições – eu falava sem olhar para frente. Percebi que ele contornou a mesa. Eu continuei falando. Sentou ao meu lado. – e então aqui... – comecei a gaguejar quando ele pegou um cacho do meu cabelo.

- Entendo porque o idiota faz tanto isso – ele falou enquanto enrolava e desenrolava o cacho de seus dedos – Aliás,... Onde ele está?

- Viajou com os pais – minha voz era baixa. Trêmula.

- Hummm – Malfoy puxou a cadeira para mais perto de mim – Você já terminou com ele?

- N-não...

- Sabe, Granger, eu não me importo nem um pouco em por um par de chifres naquela cabeça vazia do Boot, mas... Sei que você tem toda essa maldita lealdade grifinória.

- Malfoy, eu não tenho motivos para terminar com ele – minha voz cada vez mais fraca.

- Acho que você tem um motivo, Granger – ele falou com a boca bem próxima da minha orelha. Um arrepio involuntário percorreu meu corpo.

- Malfoy, nós temos trabalho a fazer – eu falei tentando me recompor.

- Meu principal trabalho é fazer você enxergar que não precisa do Boot. Diga uma coisa, Granger, ele consegue deixar você assim... Toda trêmula e... Excitada – senti a mão dele sobre minha coxa – apenas com palavras e meros toques?

- Pare com isso! – ela pegou minha mão para retirar de sua perna, mas eu segurei a mão dela e coloquei sobre a minha coxa – Você não quer realmente conhecer mais sobre mim? Você é uma estudiosa incansável, Granger... – ela virou o rosto e nossos narizes se tocavam. Tão próximos. O hálito dela caindo pesadamente sobre meu rosto.

Claro que em um domingo, às dez horas da manhã, a Biblioteca estava vazia. Eu queria apenas provocá-la, até que Granger dispensasse o idiota. Só que como resistir àqueles lábios tão próximos aos meus? Vício.

Beijei-a, puxando-a possessivamente pela nuca. A cadeira dela balançou. Levantei-me puxando-a comigo. Senti o corpo dela se inclinando para que o contato não cessasse. Nossas línguas numa batalha muda.

Claro que ao sentir o corpo dela colado ao meu... Como meu próprio corpo poderia resistir? Não apenas pelo longo tempo que não estava realmente com uma garota, mas era por que eu estava com Hermione Granger. E, desde que eu a notara dessa outra forma, eram bem difícil impedir certas reações. E eu queria que ela soubesse o que fazia comigo. Minha mão foi até a cintura dela, pressionando ainda mais contra meu corpo.

Eu simplesmente perdia toda minha racionalidade quando se tratava de Draco Malfoy. Senti a língua dele invadindo minha boca e havia apenas nós. Apenas nossos corpos. Minhas mãos se perdiam nos fios loiros que há muito tempo não tinha gel. A mão esquerda dele envolveu minha cintura, puxando-me para mais perto. Então, senti a excitação dele contra meu corpo. A boca dele afastou-se da minha o suficiente para alcançar minha orelha e murmurar:

- É isso que você faz comigo, Hermione.

Os dedos da mão direita dele começaram a roçar a minha barriga por cima da roupa. Ouvi um "merda de inverno". Ele deslizou os dedos até o botão da minha calça. Eu deveria impedi-lo, mas estava tomada por algo...

Praguejei por ser inverno e ela estar com tantas blusas. Senti falta da saia do uniforme escolar. Encontrei o botão da calça. Desabotoei e ela arfou contra meu pescoço. Meus pelos arrepiaram-se. Respirei para me recompor e controlar a situação:

- O que eu quero saber, Hermione, é se você também está tão excitada quanto eu.

- Malfoy! Solte-me.

Impedi que ela se afastasse. Desci o zíper e a mão dela segurou meu punho. Eu beijava seu pescoço, muito próximo à orelha.

- Por favor...

- Por favor o quê, Granger?

- P-pare...

- Termine com ele, Hermione – meus dedos roçaram a barriga dela. Macia. – Uma chance.

- Uma chance para quê? – ela falava baixo. O ar de sua respiração deixava-me entorpecido.

- Para nos conhecermos e derrubarmos todas as barreiras do preconceito. Barreiras minhas... e suas.

Eu podia sentir o pulso dele acelerado contra meus dedos. E Malfoy tinha razão: eu também tinha barreira a derrubar.

- Isso é uma loucura, Malfoy.

- Isso é desejo, Granger.

Senti novamente os lábios dele sobre os meus. E rápido como começou, terminou. Malfoy deu um pequeno passo para trás e fechou minha calça.

- Como uma certa bruxa bem gostosa disse: temos trabalho a fazer.

- O que está acontecendo com você, meu filho? – ouvi minha mãe perguntar. Eu estava, para variar, deitado no meu quarto.

- Nada.

- Você voltou diferente – a cama afundou e minha mãe colocou a mão sobre minha perna – É alguma garota? Pansy?

- Pansy está namorando com Blaise, mãe!

- Isso te chateia?

- Claro que não! Eles são meus amigos. Estou feliz por eles.

- Mas é uma garota, não é?

- Por favor, mãe! – cobri meu rosto com o braço. Ficamos em silêncio por alguns minutos.

- Sente-se. Preciso falar algo importante – sentei ao lado dela. Minha mãe tinha uma aparência mais saudável, apesar dos três meses em Azkaban. Nossa mansão estava diferente. Narcisa Malfoy estava feliz.

- Diga, mãe.

- Eu e seu pai estamos nos divorciando – acredito que a maioria dos filhos não gostaria de ter uma conversa dessas com sua mãe. Só que essa maioria não tinha um pai como Lucio. Desde pequeno aprendi a odiar nascidos trouxas. Até descobrir que eles não eram tão diferentes de mim. Conheci a dor que um feitiço pode causar muito antes de saber segurar uma varinha. E que um tapa da pessoa que deveria te proteger dói mais que qualquer outro tapa.

- Você está melhor sem ele – ela sorriu. Estava aliviada.

- Lembra-se da sua tia? Andrômeda? – assenti, imaginando onde a conversa chegaria – Ela perdeu o marido, a filha e o genro na guerra.

- Sim. Eu sei...

- A filha dela e o marido tiveram um filho – não sabia disso – É um menino lindo. Metamorfomago como a mãe. Tem cabelos azuis. – Vi que ela abriu um sorriso – Potter é padrinho da criança – olhei-a surpreso – Eu o vi um dia desses na casa de Andrômeda. Ele... Sabe... Ele parece um bom rapaz.

- E é isso que mais me irrita. Ele é um bom rapaz.

- Você é um bom rapaz também, Draco. Só falta você aceitar isso.

- Nunca serei corajoso como Potter ou... Ou a Granger.

- Draco, - ela segurou minha mão – Você voltou para Hogwarts de cabeça erguida. Além do mais, não se esqueça do que fez no Dia das Bruxas.

- Isso foi...

- Um ato de coragem. Para salvar essa garota. Granger, certo? Uma nascida trouxa – senti meu rosto corar. Se minha mãe percebeu, ela não falou nada – Nem tudo é branco no preto, Draco. Entre elas há muitas escalas de cor – Obrigado, mãe – ela levantou-se e parou na porta e me encarou. Nunca vira minha mãe sorrir tanto.

- Você comprou um presente para a Gr... para a garota?

- Sim. Uma joia – não sei por que respondi.

- Esse foi um gesto romântico. Tenho orgulho do homem que você é.

- Sabe, Mione, eu acho que você não deveria ligar para o que os outros dizem – Gina me falou enquanto caminhávamos pelos vagões procurando um lugar.

- Eu não ligo. Depois conversamos sobre isso.

- Certo. Só que já tomou sua decisão – ela me olhou – Caso contrário, não estaria usando o presente dele.

- Usando o presente de quem, Granger? – ouvi uma voz surgir atrás de mim, muito próxima. Meus pelos arrepiaram-se e eu congelei.

- Não é da sua conta, Malfoy – respondi sem olhar para trás, com medo do que poderia acontecer caso encarasse aqueles olhos cinza. Gina apenas soltou uma sonora risada. Filha da puta. Que Molly me perdoe pelo xingamento. Continuamos andando.

- Como foi seu Natal, Weasleyzette?

- Bem, Malfoy. – Gina respondeu – E o seu?

- Que tipo de conversa é essa? – eu os cortei e continuamos andando.

- Com ciúmes, Granger? – eu parei quando senti a mão dele em meu cotovelo.

- Hermione é bem ciumenta mesmo – minha amiga, agora ex-amiga, declarou.

- Eu não sou ciumenta!

- Não se preocupe, Granger. Eu sou o único com motivos para sentir ciúmes aqui – estávamos parados no trem que já andava a toda velocidade.

- Minha pergunta não tem nada a ver com ciúmes. Vocês nunca conversaram civilizadamente! – eu disse, defendendo-me.

- Bom, Granger, e até uns meses atrás eu e você nunc-

- Cale a boca, Malfoy! – eu o interrompi sentindo meu rosto corar.

- O que está havendo aqui? – o idiota. Respirei fundo ao vê-lo – Solte o braço da minha namorada, Malfoy. – eu a olhei com raiva. Ela não tinha dispensado o corvinal. Soltei-a e voltei por onde vim.

Sentei em uma das cabines com Blaise e Pansy que, para variar, estavam se agarrando.

- Vocês não podem se desgrudar um pouco? – reclamei mal humorado. Para aumentar minha irritação, meu amigo riu.

- Você realmente está precisando transar, cara.

- Vá se foder, Blaise!

- Esse lado da minha vida está sendo bem cuidado. É com você que estou preocupado.

- Vocês são dois bobos – Pansy falou limpando o batom borrado – Você realmente não ficou com ninguém? Está cheio de garotas atrás de você!

- Nosso querido amigo está apaixonado, Pan. – resmunguei um palavrão e voltei minha atenção para a paisagem que passava pela janela.

- Ah não? Sério? É a Granger, não é? – não respondi – Ela é bonita – minha amiga falou e olhei para ela.

- Não estou apaixonado pela Herm- pela Granger – os dois trocaram um olhar significativo.

- Draco – voltei a olhar pela janela e fechei os olhos tentando encerrar a discussão. Claro que não adiantou de nada – Você não fica e não olha para outra garota há meses, enfrentou um lugar em chamas para salvá-la,...

- Você murmura o nome dela durante as refeições, – Blaise continuou – deixou o Nott internado por uma semana,...

- Vive arrumando confusão com Terence Boot, o namorado. Além do mais...

- Você nunca mais a xingou – os dois disseram juntos. Blaise emendou:

- Tudo isso, meu amigo, significa apenas uma coisa...

- Você está apaixonado.

Merda!

- Como foi seu Natal e seu Ano Novo? – Terence me perguntou quando estávamos a sós no vagão dos monitores. Era hora da ronda, mas como monitores-chefes nós tínhamos que fazer a escala dos alunos para as rondas no castelo.

- Tudo bem – minha cabeça estava em outro lugar. Meu corpo queria estar em outro lugar.

- Você gostou do presente?

- Sim, gostei – apesar de ter achado sem criatividade: um livro. Ele me beijou e logo interrompi o toque. Detestava magoar as pessoas.

- Terry, eu...

- Não, Mione. Eu sei o que você vai falar. E nem quero pensar no que Malfoy pode ter falado ou feito durante a semana que estive fora – olhei para meu colo, envergonhada – Não termine... Eu posso realmente te fazer feliz e eu nunca te magoei ou te xinguei – ele segurava firmemente minha mão entre as dele. Voltei a olhá-lo e sabia que ele tinha razão em tudo que falou.

- Terry, eu realmente sei disso e esses meses com você foram maravilhosos – o toque dele afrouxou.

- Não fale "mas".

- Mas, estou confusa – não sei por que comecei a chorar. Ele limpou minhas lágrimas.

- Mione, eu estou apaixonado por você e acho que merece alguém melhor que o Malfoy. Não vou desistir, mas vou dar o tempo que precisa. Pode contar comigo quando ele te magoar – Terence deu um beijo em minha testa – depois terminamos a escala das rondas. Eu... eu preciso ficar sozinho – ele levantou-se e fiz o mesmo. Coloquei gentilmente a mão em seu rosto e saí. Precisava da Gina.

Durante toda a semana não falei com a Granger. Sei que precisávamos retomar o trabalho de poções, no entanto tudo estava confuso e terrivelmente dolorido dentro de mim. Eu chegava à aula pouco antes de começar e era o primeiro a sair. Ignorei todas as tentativas dela falar comigo. Teria detenção com ela no final de semana e uma frase ainda martelava em minha cabeça: "Você está apaixonado".

Logo na segunda voltei a vivenciar a raiva e a frieza de Draco Malfoy. Ele deveria imaginar que eu ainda estava com Terence. Tentei falar com ele, só que fui ignorada. Malfoy era realmente um babaca orgulhoso.

Quando cheguei à Biblioteca, ela já estava lá. Claro.

- O que você quer que faça?

- Eu já terminei a lista de pedidos de livros. Só não falei nada com a McGonagall. – ela parecia envergonhada. Mantive meu olhar frio.

- Poderia ter me avisado, Granger. Teria dormido até mais tarde.

- McGonagall não permitiria. Na certa daria outra detenção para substituir essa – não quis concordar que ela tinha razão – Então,...

- Então podemos ir ao meu quarto fazer o trabalho de poções – reclinei-me sobre a mesa e fiquei desconfiado. Ela nunca me convidava para ir. Era sempre uma batalha ficarmos sozinhos lá. Dei de ombros.

- Como preferir, Granger.

Fomos andando em silêncio. Os estudantes que passavam por nós, olhavam e comentavam. Ela parecia não se incomodar, ao contrário de mim. Eu já estava cansado de ser tema de fofocas em Hogwarts.

- Entre – ela entrou e eu a segui.

- Seu namoradinho não vai achar ruim? – fechei a porta ao passar e, quando me virei, ela estava parada me olhando com aqueles grandes e belos olhos castanhos. O mesmo perfume. Duas semanas sem sentir aquele cheiro: morango e pergaminho – Granger, você ainda está com o Boot. – eu afirmei. Estávamos tão terrivelmente próximos – Já sabe que não ligo a mínima par-

- Cale a boca, Malfoy – eu me calei surpreso. Ela parecia em dúvida sobre o que fazer e continuava me olhando. De repente, ela me beijou. Ao sentir os lábios dela nos meus, eu a envolvi pela cintura.

Virei nossos corpos, prensando-a contra a porta. Como eu precisava senti-la.

Nunca tive nem teria nada parecido com Terence. Senti a mão dele percorrendo a lateral do meu corpo e eu não me importava com mais nada. Não queria saber se ele ia me magoar ou não. Provável que magoaria.

A boca dele no meu maxilar, no meu pescoço, na minha orelha. Aquelas sensações eram indescritíveis:

- O que houve? Resolveu trair o idiota?

- Eu terminei o namoro, Malfoy. – ele se afastou e vi um brilho diferente em seu olhar.

Ela tinha terminado com ele. Não sei por que eu me senti tão feliz com aquela informação. Certo eu sabia o porquê, mas não queria assumir. Não é fácil ser um Malfoy. Olhei-a profundamente, voltei a colar nossos corpos em um beijo...

Era um beijo como nunca havia acontecido. Começou lento. Draco explorava minha língua de forma lenta. Os dentes dele puxavam levemente meu lábio inferior, para depois soltá-lo. Passava a língua sobre meus lábios e depois invadia minha boca de forma lenta e prazerosa. Senti que minhas pernas cederiam diante de tamanha sensualidade em um único beijo.

No entanto, ele sabia muito bem o que estava fazendo. Logo senti meu corpo ser erguido e envolvi minhas pernas em sua cintura. Eu sentia a excitação dele. Aquilo apenas me excitava ainda mais.

- O quarto, Granger... – ele disse com a boca colada a minha.

- Segunda porta... – respondi.

Fui colocada sobre a penteadeira. Minhas pernas se abrindo para que ele se encaixasse. A mão dele estava na minha coxa. O toque dele era sempre forte. Possessivo. Um lado meu gostava daquele jeito dele. Desabotoei a camisa que ele vestia. Tínhamos nos beijado poucas vezes, mas essas poucas vezes foram de uma intensidade jamais experimentada por mim. Insanidade. Desejo. Luxúria. Me sentia fraca, quente. Draco era potência pura.

Não era racional. Eu não tinha nada com ele. Sabia muito bem o que aconteceria dentro de alguns minutos e não me importava. Eu o queria. Ele me queria. Talvez isso fosse o mais excitante. Draco Malfoy desejando a mim, Hermione Granger.

Passei as unhas pelas costas dele. Minha boca indo de encontro ao peito alvo. Pelos tão claros quanto seus cabelos cobriam o peitoral. Uma linha fina indo direto para o caminho que queria alcançar. Fui com as mãos até os ombros e deslizei a camisa pelo corpo dele.

- Draco... – ousei falar o nome dele. Senti-o apertando minha coxa com mais firmeza.

- Repete meu nome enquanto te toco, Hermione. Adorei ouvir você dizendo meu nome. Quero ouvi-la gritar meu nome... – ele dizia aquilo enquanto tocava a minha pele. Os dedos desenhando traços invisíveis. Subindo sempre um pouco mais. Tentei tirar minha blusa.

- Nem pense nisso.

Eu a despiria. Puxei a blusa dela pela cabeça. Então eu vi. Repousado sobre seu peito o meu presente. Uma corrente de ouro branco. O pingente era uma cobra que formava a letra "H". Ela sorria. Um sorriso que nunca imaginei que veria sendo dirigido para mim. Beijei-a.

Afastei-me novamente para olhá-la. Cada vez mais me pegava apreciando a forma como os cachos rebeldes emolduravam o rosto dela. Os lábios de Hermione estavam vermelhos. Eu a beijava e tocava com posse. Eu era mimado. Um típico Malfoy. Detestava dividir aquilo que me pertencia. Faria com a Granger fosse minha. Ela não tinha ideia de onde estava entrando.

Usava um sutiã simples e preto. Perfeita. Minha mão tocou o seio direito sem pedir permissão. Não precisava mais de permissões. Apertei-os e ela gemeu meu nome. A cabeça caindo para trás.

Sorri contra a pele que eu beijava. Envolvi meus dedos no cabelo dela:

- Tão macios...

A mão e a boca dela percorriam meu peito, me beijando, me tocando. Descendo. Até alcançar meu membro já rígido. Por ela...

- Tão duro – murmurei ao toca-lo por cima da calça. Ele me olhou sem esconder a surpresa. Um sorriso malicioso de lado. Nem acreditava que tinha acabado de falar aquelas palavras.

Novamente fui carregada e jogada sobre a cama. Ele deitou-se ao meu lado depois de tirar os sapatos e as meias.

- Sua cama é melhor que a minha, Granger. Isso é um ultraje. – o corpo dele cobriu o meu – Acho que vou começar a passar minhas noites aqui.

- Você acabaria enjoando na primeira semana, Malfoy.

- Disso eu duvido... – adorava o sutiã que ela usava. Preto e com fecho na frente. Abri. Toquei-a. Mãos e boca. Ela gemia sob mim. Meu nome. Os dedos dela procuravam cegamente pelo meu cinto.

Ambos tremiam. De desejo contido. De excitação. Não havia cautela em nossos toques. Nem arrependimentos. Não havia preconceito. Nem sobrenomes. Nem sangues. Havia dois jovens que se desejam e um que... um que amava escondido.

Havia também roupas que se espalhavam. Havia gemidos. Havia o corpo dela suando sob o meu. Sobre o meu. Havia entrega. Entreguei-me como nunca ousei. Sem máscaras. Não fechei os olhos, perdido nos castanhos que me encaravam. Entrega. Os lábios dela pediam por mim. As unhas dela marcavam minha pele. Meus dedos, minha boca, eu todo a marcava. Ela já tinha me marcado tão profundo que era incapaz de ver. De perceber.

Sincronia. Nossos corpos ritmados. Sincronizados. Unidos. Únicos. Agíamos por impulso. Insanidade. Luxúria. Os nossos suores se misturando. Os olhos dela fixos no meu. Aquilo era magia.

- Draco... –ouvir meu nome nunca foi tão excitante. Ela fechou os olhos e lamentei. Grito sem contenção.

- Hermione... – nome antes proibido, agora necessário. Corpo agitado. Prazer. Gozo. Insanidade. Hermione...

Encontrávamos quase todo dia no meu quarto. Nos corredores e nas salas vazias. Era estranho. Mas eu gostava daquela sensação estranha. Achei que seria apenas sexo e, realmente, depois de provar sexo com Draco Malfoy não é algo que você reclamaria. Os meus dias preferidos eram quando ele chegava do quadribol. Suado. Tomávamos banho juntos.

Ele me excitava com algumas palavras sussurradas ao pé do ouvido. E eu me entregava. E depois dormíamos juntos. Calmaria.

Acordei um dia com Draco mexendo-se nervosamente ao meu lado. O lençol e os cobertores no chão.

- Draco. Ei, Draco! – ele murmurava palavras incompreensíveis. – Draco!

- Hermione,... – ele acordou de repente. Os olhos cinza eram mais bonitos assim. Sem máscaras.

- Você estava tendo um pesadelo – Draco sentou-se e passou a mão pelo cabelo. Ele sentia-se desprotegido quando eu o via assim.

- Espere aqui. Vou pegar um copo de água para você. – ele me impediu.

- Eu sei andar, Granger, não preciso de você bancando minha mãe – aquilo me magoou e, ao contrário dele, não disfarcei. Deitei, virando-me de costas.

Falei um palavrão em voz baixa. Como eu poderia ser tão imbecil? Eu e Hermione estávamos há cerca de dois meses nos encontrando escondidos no quarto dela. Não era fácil para mim mostrar aquele lado meu. Deixar que ela me conhecesse como eu mesmo tinha medo de conhecer. Eu era um maldito filho da puta.

- Hermione, escute – coloquei a mão no ombro dela, que se esquivou do meu toque. Aquele gesto fez meu estômago revirar.

- Melhor você ir para seu Salão hoje, Malfoy.

Se fosse qualquer outra garota eu teria ido embora. Aliás, se fosse qualquer outra garota eu nem estaria dormindo no mesmo quarto e muito menos preocupado se ela estivesse magoada ou não com alguma coisa que eu disse.

Só que não era qualquer garota. Era Hermione Granger.

- Às vezes tenho esse pesadelo. Ele tem sido menos frequente desde – desde que estou com você – bem, nos últimos meses. Eu sonho – e isso seria uma admissão nada fácil de fazer – Eu sonho com o dia em que foi torturada. – ela soltou o ar pesadamente – Fico sonhando o que eu poderia ter feito diferente. – ela virou-se e me encarou. Conhecia o suficiente dela para ver que ela fazia força para não chorar.

- Algumas vezes também sonho com esse dia. Com as torturas, quero dizer.

Ela era uma garota corajosa. Após toda aquela sessão, ainda planejou um roubo louco ao Gringotes e estava na Batalha Final. Eu realmente não a merecia, mas era egoísta demais para deixar que outro cara a tivesse.

Beijei-a e envolvi o corpo dela. A cabeça repousando em meu peito. Dormi assim. Eu sempre dormia melhor quando a tinha em meus braços. Eu me sentia... amado.

Nosso trabalho de poções estava quase pronto. Draco treinava exaustivamente. A disputa agora pela taça era por pontos. Corvinal e Sonserina estavam na frente. Minha casa lutava para permanecer em terceiro lugar. Draco entrou em meu quarto jogando-se na cama. Eu lia um livro de Arthur Conan Doyle.

- Como foi o treino?

- Nott está deixando todos malucos.

- Ele não está desconfiado sobre nós?

- Sim, está. Quer saber onde passo minhas noites. Outro dia tentou me seguir.

- Não seria mais fácil se as pessoas soubesse que estamos juntos? – ele me olhou como se eu tivesse contado a piado do ano.

- Você está louca, Granger? Todos ficarão comentando.

- E você se importa tanto com isso?

- Claro que me importo. Eu sou um Malfoy. Já não basta o que falam sobre minha família desde o fim da guerra. Imagina se souberem que estou com uma nascida trouxa e melhor amigo do Potter?

Eu o olhei estupefata.

- Não acredito que falou isso – saí do quarto batendo a porta e sentei no sofá olhando para a lareira forçando-me a não chorar.

- Hermione,...

- Quero ficar sozinha, Malfoy – ele tentou falar, eu o cortei – Por favor – Draco voltou para o quarto.

Tirei o uniforme de quadribol e tomei um banho rápido. Sentia raiva de mim mesmo. Vesti uma calça preta e fiquei sem camisa. Eu não queria manter o que tínhamos escondido por muito tempo. Só até sairmos de Hogwarts e depois... Eu nunca tinha pensado no depois.

Como Hermione não voltava, fui para o salão. Não havia ninguém. Ela deve ter saído para dar um volta. Adormeci no sofá enquanto a esperava.

Acordei com a porta abrindo e uma dor atravessou meu coração. Hermione vinha da porta que separa a sala dela de Boot. Já havia amanhecido. Ela me olhou e eu sabia que a tinha magoado. Foi direto para o quarto, depois de alguns segundos a segui. A portava estava trancada.

- Vamos conversar, Hermione. Abra a porta.

Tentei inutilmente destrancar. Eu explodir a porta não me ajudaria em nada. Depois de minutos que pareceram horas, a porta se abriu e ela saiu já com o uniforme. Tentei segurá-la, mas Hermione desviou o braço.

- Não temos nada para conversar, Malfoy.

Coloquei-me em sua frente.

- Sim, nós temos.

- O que nós temos é aula. Quero tomar meu café. Estou com fome.

Aquela frieza toda me irritava. Ela passou a noite no quarto de Boot. O ex-namorado idiota que tinha tirado sua virgindade. A raiva pulsava dentro de mim.

- Claro que está com fome. Deve ter tido uma noite bem desgastante – ela cruzou os braços. Fiz o mesmo.

- O que está insinuando?

- Você sabe muito bem – a morena parecia pensar no que dizer.

- É, eu sei. E já que não temos nada pouco importa a você – ela descruzou os braços e me cutucou no peito com o indicador – como eu passo as minhas noites. Segurei-a pelo punho, puxando-a para mim. Posse. Ciúme. Paixão.

- Não disse que não temos nada.

- Tampouco disse que temos alguma coisa – ela fingia não se importar. Tola. Eu sabia o que meu corpo causava nela.

- Não é nada disso. Eu... – respira fundo, Draco. Ela já testemunhou tantos momentos de entrega – Eu quero você só para mim. Você é minha, Granger. Estamos juntos. Eu só preciso de um tempo para tornar público – Eu a beijei. Ela retribuiu. Só que, de alguma forma, eu sabia que ela ainda estava chateada.

Draco saiu antes do quarto e eu o segui minutos depois. Quando cheguei ao Salão Principal, ele estava ao lado de Zabini e Parkinson. Sua inexpressividade de sempre. O que eu estava prestes a fazer era ridículo. Eu sabia. Só que quando eu o provocava, conseguia alguma reação. Ele me olhou rapidamente rindo de algo que Zabini dizia. Passei pela mesa da Grifinória, os cinzas fixos em mim. O sorriso desmanchando quando foi se dando conta do que eu faria. Fui até a mesa da Corvinal, sentando ao lado de Terry, que me recebeu com um beijo do rosto. Eu tinha o deixado furioso e pagaria por isso. Não estava nem um pouco arrependida. Sorri o sorriso irônico que aprendi com Draco Malfoy.

E, como há muito não acontecia, andei lado a lado com Terry para a aula de Poções. Eu sabia que não poderia sentar com ele na aula, mas isso não me impediria de provocar Draco. Não era apenas ele que jogava esse jogo. Estava sentada sobre uma mesa e Terence na minha frente. Conversávamos. E soube de uma coisa: com Terry tudo era tranquilo. Chato. Monótono.

Vi que Draco passou por nós e não tinha mais o olhar tão indiferente.

Puxei a cadeira fazendo barulho. E fiz questão de puxar a cadeira da mesa que Hermione estava sentada. Ela me olhou e tinha divertimento nos seus olhos. Aquilo me irritou profundamente. Não bastava ter passado a noite com ele, ainda estava cheia dos risos. Eu tinha ouvido fofoca suficiente sobre a possível volta dos dois pela forma como se comportaram no café da manhã.

- Vá para sua mesa, Boot, a aula vai começar.

- Mas ainda não começou. – estreitei meus olhos. Respirei fundo para evitar que eu o azarasse. A mão dele que estava dentro do bolso foi em direção ao joelho de Hermione. Eu segurei o punho dele antes que alcançasse seu objetivo.

- Nem pense nisso – todos nos olhavam.

- Bom dia! Está acontecendo alguma coisa? – o professor perguntou.

- Nada – Hermione falou e saiu da mesa, sentando-se ao meu lado.

- Precisava mesmo ter feito esse showzinho? – perguntei sem esconder minha irritação.

- Aparentemente sim – ela respondeu sem tirar os olhos do livro.

Assim que a aula acabou eu saí. Não precisava estar com alguém que tinha vergonha de mim. Que me agarrava escondido. Draco tinha vergonha de mim. Ele me puxou para uma sala murmurando que precisava conversar.

- Queria apenas que me entendesse – ele disse.

- Nem tudo gira ao seu redor. Eu te entendo perfeitamente.

- E por que esta se insinuando pro idiota do seu ex-namorado? Não bastou ter passado a noite com ele?

Eu olhava com firmeza para os olhos cinza.

- Não aconteceu nada ontem. Eu dormi no quarto e ele na sala. Eu não sei o que nós temos, Malfoy... Só que acabou. – era difícil falar aquelas palavras. Não foi tão difícil falar para o Terry. E com Draco era apenas... Era apenas o quê?

- Quê? – que merda acabou de acontecer?

- Isso mesmo, Malfoy. Acabou. Eu não preciso disso.

- N-não precisa de mim? – eu parecia um lufo babaca. Joguei os cabelos para trás. – Tampouco preciso de você, Granger. Vá mesmo atrás do corvinal. – eu usei o tom frio. Achei que levaria um tapa. Um tapa merecido.

- Você é um completo idiota, Draco. – senti os lábios dela nos meus. Beijando-me com... paixão? Retribui, segurando-a firmemente pela cintura. Será que ela não percebia que não poderia partir?

Ela se afastou de mim.

- Hermione,... – eu não falava. Meu corpo suplicava pelo dela.

- O que eu não preciso é estar com alguém que tem vergonha de mim. – dizendo isso ela saiu. Seus cabelos revoltos balançando. O estrondo da porta. Eu tinha fodido tudo.

Meu corpo estava em chamas. Por ele. Por Draco. Pelo meu inimigo. Ex-inimigo. Fui para enfermaria e inventei uma desculpa. Fui liberada das aulas naquele dia e me tranquei em meu quarto. Eu estava apaixonada pelo maior idiota da face da Terra.

Saí da sala e fui para a próxima aula. E para o almoço. O dia se arrastava como uma manhã preguiçosa.

- Sabe que está fudido, não é?

- Você agora lê pensamentos, Blaise?

- Não. Mas sou um dos únicos que sabe ler essa sua cara branquela. – joguei um travesseiro no meu amigo. Ele estava lendo um livro no meu quarto, enquanto Pansy estava fofocando alguma futilidade com suas amigas. – É a Granger?

- Até quando você vai continuar insistindo que tenho algo com a Granger?

- Até você assumir para seu melhor e único amigo que você tem algo com a Granger. Como te disse, ela é... nascida trouxa e isso é foda, cara. Mas, ela também ajudou a salvar nossa pele. – olhei para Blaise. Ele estava largado no chão com a camisa do uniforme aberta. Meu único amigo mesmo. Tinha Pansy, mas não poderia conversar certas coisas com Pansy.

- Eu tenho algo com a Granger.

- Então já transou? Como ela é? – fiquei muito bravo. Claro que ele percebeu – A Granger deve realmente ser importante para você, hein? Sempre contou das suas conquistas...

- Sabe que tenho mais fama do que conquistas propriamente dita – mudei de assunto.

- Então,... Ela é realmente importante? – ele voltou ao assunto. Claro.

- Sim, Blaise! Que chato! Está parecendo a Pansy querendo saber fofoquinha – ele riu da minha exasperação. Certo, tenho convivido muito com Hermione para usar a palavra "exasperação".

- Sabe que todo mundo vai falar e comentar quando isso se tornar público... – Blaise falou.

- Eu sei... Minha ideia é que não se torne público – ele riu divertido – O que foi? Você tem merda na cabeça?

- Não, meu amigo, – Blaise levantou-se e pegou sua mochila – Você que tem merda se acha que a Granger é o tipo de garota que vai aceitar que você fique transando escondido. Não é apenas sexo para ela – dizendo isso ele saiu.

- Não é apenas sexo para mim também... – murmurei.

Estava agora sentada entre Gina e Dino, jantando. Minha amiga me lançava olhares preocupados, mas eu nada respondia. Mais alguns meses. Alguns poucos meses e estaria livre de Draco.

Ele entrou no Salão Principal. Era lindo. Parecia sem ar, como se tivesse corrido. Vi que se recompôs antes de entrar. Colocou uma mão dentro do bolso da calça enquanto a outra tirava os fios do rosto. Um gesto que eu adorava observar. Ele caminhava confiante. O rosto sério olhando diretamente para mim. Meu coração acelerou. Levantei-me para sair. Mal tinha tocado em minha comida. Não queria vê-lo. Não conseguia vê-lo.

Eu corri para o Salão Principal, meu peito arfando de tanto desejo, era do sorriso dela que eu mais gostava. Não me importava mais se alguém iria falar, era dela que eu precisava. Vi o rosto entristecido e sabia que eu era o causador daquele sofrimento. Eu gostava tanto da forma como ela sorria. De como ela aprendera a sorrir para mim.

Tentei me recompor antes de entrar no Salão, ela levantou-se. Fugindo. Coragem e bravura grifinória, sei. Apressei meus passos e, antes que ela pudesse sair, gritei:

- HERMIONE! – ela virou-se e me encarou. Ficou parada. O Salão caiu no mais completo silêncio. Andei decidido a mandar tudo à merda. Ouvi uma cadeira se arrastando e não precisava olhar para saber que era o idiota. Ela sorriu quando parei em frente a ela.

- Não tenho vergonha de você – eu disse de forma que apenas ela ouvisse. E beijei-a.

E ele me beijou. Se havia burburinhos, comentários, exclamações eu não sei. Sei apenas que havia Draco. E seus lábios sobre os meus. Uma mão em minha cintura. A outra em meus cabelos.

- Que merda é essa? – Draco soltou-me e Terence o empurrou.

- Isso é uma aula de como se beija uma garota. – Draco respondeu e eu murmurei o nome dele pedindo que se calasse – Você pode assistir mais um pouco, quem sabe se aprender a beijar você não perde sua garota!

- Seu filho da puta – eu ergui minha varinha e percebi que uma roda de estudantes se formara em torno de nós. Hagrid se aproximava empurrando todo mundo. E eu me segurava para não azará-lo. Não depois de já ter levado uma detenção. Ele tinha a varinha apontada para mim.

- Opa! Aqui não é o Clube de Duelos – Blaise disse ao meu lado. Vi que um amigo dele se aproximou também, mas com a varinha erguida. A voz da diretora se fez presente:

- Voltem para seus lugares! O jantar não acabou! Senhores – ela disse para nós – Abaixem suas varinhas.

- Draco,... – ouvi Hermione falando atrás de mim. Virei para ela, que olhava para Terence – Desculpe,... – ela falou. Puxei-a pelo braço ignorando todos os olhares e comentários. Só depois fui saber que esse foi um grande erro da minha parte: ignorar certos olhares.

Ele me puxou e sabia para onde estávamos indo. Ainda tinha o olhar chateado de Terence em minha mente.

- Satisfeita? – ele disse quando entrou no meu salão de monitoria. – Agora toda essa merda de escola sabe que você é minha.

- Parece uma obrigação para você. – ele revirou os olhos.

- Será que você poderia parar de analisar toda essa merda de situação? Não fiz por obrigação – ele se aproximou e eu não ousei me mexer. Fingia estar brava.

- Ah não? – ela fingia estar brava. Hermione Granger era uma tola às vezes. Eu poderia lê-la melhor até que seus amiguinhos idiotas. Ela não estava brava.

- Não. – puxei-a para mim pela nuca – Agora se espera de mim declarações românticas melosas como ouvia do Boot, espere sentada, Hermione – e a beijei. Os lábios dela se curvaram num breve sorriso antes que minha língua invadisse sua boca.

Fomos andando de forma cambaleante para o quarto. Passaria a noite ali novamente. A noite inteira fazendo amor com aquela que aprendi a odiar. E a odiei realmente por muito tempo. Anos. Era um ódio tão necessário, venenoso, viciante que se tornou seu outro lado.

Havia urgência no meu toque. Será que ela entenderia que eu não era assim com mais ninguém. Que nunca haveria muitas palavras, mas sempre haveria minha presença ali. Ao lado dela. Dentro dela. Sob ela. Sobre ela. Por um tempo que eu não poderia contabilizar.

Hermione Granger.

Acordei sentindo o peso do braço em minha cintura e a respiração na minha nuca. Uma respiração lenta. Ele mexeu-se e eu aproveitei para virar e encará-lo. Alguns raios solares entravam sem autorização pelas frestas e lambiam a pele alva. O cabelo loiro e fino caía sobre seu rosto. Sentia-me com sorte por poder partilhar esses momentos com Draco.

Gostava de observá-lo assim. Quando dormia, ele desfazia-se de toda sua frieza e arrogância. Apesar de serem características que combinavam com ele. Sorri comigo mesma, pensando que Harry e Rony provavelmente o espancariam quando soubessem. E eu não me importava que soubessem.

Draco Malfoy.

Abri os olhos e vi os castanhos olhando atentamente para mim. Permaneci sério embora meu coração, de repente, batesse de forma acelerada contra meu peito. Será que ela poderia escutar?

- Quer uma foto, Granger?

- Tenho você ao vivo. É melhor. – sorri de lado. Gostava dessas respostas irônicas e inteligentes que Hermione lançava ocasionalmente. E também gostava do cabelo dela de manhã. Bagunçado. Revolto. Como meu sentimento por ela.

Maldita Granger.

Peguei o pingente. Meu dedo tocando levemente a pele dela. Hermione fechou os olhos.

- Você realmente gostou?

- Uso desde o dia que ganhei.

- O que Boot te deu? – tinha certeza que era um livro.

- Um livro – meus dedos foram deslizando até o vale entre os seios. Tocava-a levemente. Ela gemeu meu nome. Meu nome. Peguei o seio direito na minha mão. Tocando-a. Ela arrepiava-se. Minha.

Ele subiu sobre meu corpo. Tocava-me. Beija-me. Mordia-me. Lambia-me.

- Nós vamos nos atrasar – eu sussurrei no ouvido dele sem, realmente, me importar com atrasos.

- Foda-se – ele respondeu. A língua quente em meu pescoço. Sim, eu estava completamente fodida. E apaixonada.

- É o que pretendo, Malfoy – respondi alcançando a boca dele.

Entramos no Salão Principal para o almoço. O olhar de Minerva era severo. Como se eu ligasse. Principalmente depois de passar horas fodendo a queridinha da Grifinória. Pela primeira vez naquele ano senti falta do Weasley e do Potter. Seria realmente impagável ver a cara dos dois quando me vissem entrando de mãos dadas com Hermione no Salão Principal. Deixei-a com seus colegas e fui em direção à mesa da Sonserina.

- Cara, você enlouqueceu de vez? – ouvi Blaise falando ao meu lado e Pansy olhando-me com descrédito.

- Ué... Você mesmo me disse que ela não era o tipo de garota que queria ficar às escondidas.

Blaise balançou a cabeça em negativa. Vi que ele dirigiu o olhar para Nott e fiz o mesmo. Ele conversava com os amigos.

- Ele será um problema – Pansy falou e eu dei de ombros.

- Não tenho medo dele. Sei muito bem como me livrar de um imbecil como ele – disse encarando Nott que também olhava para mim. Fúria em seus olhos.

- A questão é: será que Granger também sabe?

Olhei para Blaise. Vi preocupação no rosto negro do meu amigo.

- Está preocupado com a Granger? – perguntei sem acreditar.

- Não. Estou preocupado com você, cara.

- Ela não vale a pena, Draco – Pansy disse tentando tocando meu braço – Nott não vai aceitar que você se envolva com ela. – ao ouvir isso eu ri. Mas ri muito.

- Fala sério, Pan! Eu agradeço pelo maldito do meu pai estar preso, por não precisar mais seguir suas malditas ordens e vem você falar que devo terminar meu... O que tenho com a Granger por causa do Nott?

Meus punhos se fecharam em raiva e não sei quem momento fiquei em pé.

- Se acalme – ouvi Blaise dizer.

- Como vocês mesmos me disseram meses atrás: por causa deles podemos viver essa "paz". A maldita guerra acabou e não vou me esconder. Principalmente por causa de escórias como Teodore Nott.

Dizendo isso, fui embora.

Vi Draco passar irritado. Ignorava a maioria das perguntas vomitadas pelos meus amigos. Não queria explicar o que havia entre mim e Draco, por que nem eu sabia o que havia entre nós. E, surpreendentemente, não me importava. Importava apenas isso que estivéssemos juntos e saber que ele não tinha vergonha de estar comigo.

Queria ver a cara do pai dele quando soubesse que seu grande herdeiro havia beijado uma nascida trouxa e havia mandado todo o preconceito para bem longe.

- Você não vai atrás dele? – Gina perguntou.

- Ele precisa ficar sozinho.

- Como sabe?

Não respondi, pois não sabia o que responder. Eu apenas sabia que sabia. Ele precisava ficar sozinho. Todos nós precisamos desse tempo. E com ele não seria diferente. Terminei meu almoço e fui para sala de aula. Chegou atrasado e aceitou calado os pontos retirados. Ele sentou-se ao meu lado e beijou minha têmpora.

Sorriu de lado.

Entendi isso como um agradecimento.

Sorri de volta e cruzei meus dedos com os dele.

Senti os dedos de Hermione entre os meus. Estava acostumado com escândalos. Ela não era assim. Com ela nada era como eu estava acostumado. Estávamos no fundo da sala. Uma mudança e tanto para minhasabe-tudo.

Ela soltou minha mão para fazer alguma anotação. Eu fazia o mesmo. O ano letivo estava, enfim, terminando. Senti a mão dela em minha coxa e sorri. De repente, meu sorriso transformou-se em uma expressão... Nervosa.

A mão dela estava em minha coxa. Olhei alarmado para Hermione, mas ela continuava olhando para frente. Para o professor. A mão dela subiu alguns centímetros e murmurei o nome dela. Vi que ela sorriu. Não. Ela não faria isso.

Sim. Ela faria.

Senti os dedos dela roçando minha virilha.

- Hermione...

Um arrepio percorreu meu corpo.

- Você está louca? – eu murmurei. Ela engoliu uma risada. O professor nos olhou. Eu gelei. Ela continuou passando os dedos pela minha virilha, indo... – Merlin... – eu exclamei mais alto do que deveria. A sala toda nos encarava.

- Está tudo bem, senhor Malfoy? – novamente um riso preso ao meu lado. Filha da puta.

- S-sim, prof-fesso-or. Tu-u-do bem. – consegui articular de forma engasgada. A aula voltou ao normal. Para os outros – Pare com isso – eu pedi murmurando.

A mão dela foi até meu membro que já estava duro, claro.

- Acho que alguém aqui embaixo não quer que eu pare – ela sussurrou de forma sedutora próxima do meu ouvido. Filha da puta.

- Pare! Você vai pagar por isso se cont- a mão dela fechou sobre a calça. Tocando-me. Massageando meu membro de uma forma louca. Insana. Mordi meus lábios. Fechei meus olhos. Ela não estava fazendo aquilo.

Ela estava fazendo aquilo.

Puta merda.

Eu queria impedir que ela continuasse. Mas, como? Minhas mãos, que deveriam agarrar a mão dela e impedir que ela continuasse apenas seguraram a mesa. Com força. A voz do professor cada vez mais longe. Havia apenas meu corpo e a mão dela. Tocando-me. Senti os dedos ágeis desafivelando minha calça.

Abri os olhos rapidamente.

Aquilo era loucura. Nunca tinha passado por isso. Os gemidos presos em meus lábios.

Ou ela parava ou...

O alarme que encerrava a aula soou. Mas permaneci colado em minha cadeira. Ela retirou a mão do meu corpo e começou a guardar o material, cumprimentando quem passava como se nada tivesse acontecido.

Meu corpo clamava por ela. Ali.

- Arrume a sala. Pelo seu atraso – as palavras chegavam ao meu ouvido, mas o meu cérebro não as entendia. Ele saiu da sala. Olhei para ela. Em pé já. Rindo marotamente. Granger filha da puta.

Levantei abruptamente e, pela primeira vez, em meses, vi receio nos olhos dela. Eu ainda tremia por ela. A calça apertada. O cinto aberto. Meu membro pedia passagem e ela seria minha. Novamente.

- Você, realmente, não sabe quem provocou.

Como alguém poderia ser tão rápido. Logo senti meu corpo sendo jogado sobre a mesa. O pouco material foi ao chão. Senti a excitação dele contra meu corpo. Entre minhas coxas. Eu nem sonhava em pedir que ele parasse. Ele jamais pararia. Eu agradecia por isso.

- Por que me provocar assim, Granger? – eu gostava quando ele me chamava pelo sobrenome. Nesses momentos, apenas nesses momentos. Ele estava irritado. E extremamente excitado.

Senti minha calcinha sendo rasgada. Senti os dedos dentro de mim. Não houve tempo para palavras. Nem muita troca de carinho. Ouvi o barulho do zíper. Ele me penetrou. Eu gemi. Arqueei minhas costas para ele.

- Draco...

Luxúria. Amor. Prazer.

Ele saiu de dentro de mim. Senti meu corpo sendo virado. Voltei a apoiar os pés no chão. De costas. A mão dele sob minha roupa. Puxando-me. Penetrando-me. Fazendo-me cada vez mais dele.

Gememos nossos nomes ao mesmo tempo. Alcançando o prazer ao mesmo tempo. Esquecendo-nos do resto do mundo ao mesmo tempo.

Achei que com o passar do tempo as fofocas passariam. Cessariam. Mas não. As hipóteses mais incríveis eram inventas. Aprendi com Hermione que o melhor a fazer era rir da situação.

1) Eu estava com Hermione para provocar meu pai – até que não era totalmente uma mentira. Essa era uma excelente provocação.

2) Hermione estava fazendo seu trabalho como espiã da ordem e aceitou entregar-se a mim em nome do seu "dever" – essa hipótese valeu uma boa encenação sexual que envolvia eu preso e Hermione me interrogando.

3) Eu estava usando Hermione para aproximar-me da Weasley – isso trouxe uma Hermione ciumenta que eu não conhecia e adorei conhecer.

4) Hermione queria rebelar-se contra seus amigos e por isso aceitou ter um tórrido caso sexual que envolvia a minha pessoa – essa hipótese também serviu para que transássemos no Salão Comunal da Grifinória. Sob a capa da invisibilidade de Harry Potter.

5) Eu estava secretamente apaixonado por Pansy e resolvi ficar com a pessoa mais improvável de Hogwarts para fazer ciúmes na minha amiga na expectativa que ela abandonasse Blaise. – outra ceninha interessante de ciúme por parte de Hermione.

6) Hermione havia levado um fora de Boot e achou que o cara mais sexy, eu obviamente, seria a opção para fazer ciúme – dessa vez... Bom... Não é novidade o que eu acho desse idiota e era ridícula essa ideia, já que ela o havia largado para ficar comigo.

Minha vida era treino de quadribol, sexo com Hermione, estudo com Hermione, quadribol, um pouco mais de estudo e muito mais de sexo. Nós não nos largávamos. Ela tinha deixado de ir a Hogsmeade para fazer companhia nas minhas tarefas. Eu tinha que cumprir sozinho, mas ela sempre estava perto. Lendo algum livro. Claro.

Draco andava de um lado para o outro. Naquela tarde aconteceria a disputa pela taça de quadribol Sonserina x Corvinal.

Eu torcendo pela Sonserina... Na verdade estava torcendo por ele. Para que ele pegasse o pomo. Estava cercada por uma torcida que gritava pelos corvinais. Estrangeira entre meus amigos. Meus olhos fixos em uma única pessoa: Draco Malfoy.

Era uma mistura do azul do céu e o azul da torcida. A Sonserina representava uma pequena parcela esverdeada no meio daquele oceano de torcedores. Eu queria encontrá-la. Eu voava pelo céu. Meus olhos procuravam pelo rosto dela como se procurasse o pomo.

- Quais mentiras você usou para tê-la? O que disse para ela?

- Não preciso dizer muitas coisas para ela, Boot. Aliás, nossos encontros não envolvem muitas palavras – eu ri de forma irônica ao ver a expressão de raiva no rosto.

- Malf- eu o interrompi aproximando-me. Ele pareceu se espantar com a rapidez do meu voo. A varinha em seu queixo.

- Cale-se, Boot. Ela está comigo. E garanto que se tem alguém que escondeu algo dela, esse alguém é você – falei referindo-me ao ocorrido na sala de troféus. Voei pelas arquibancadas novamente. Encontrei-a. Os olhos fixos em mim. Meu coração acelerou. Todos a sua volta usavam as cores da Corvinal. Exceto ela. Usava uma simples calça jeans, uma camisa preta e uma faixa verde e prata nos cabelos.

O apito soou e demorei uns instantes para perceber que o jogo começara. A partida estava acirrada e os gritos ensurdecedores. Mal ouvíamos nossa própria torcida. Os balaços pareciam multiplicar-se e cada um dos times estava na frente. Eu tinha que achar o pomo.

Vi que o imbecil fez um movimento rápido. Vasculhei o céu e não vi o que ele via. Fui atrás dele mesmo assim. Então o pomo brilhou. Tão mais perto dele do que de mim. Pensei seriamente em azará-lo. Um balaço muito próximo de nós, fazendo com que ele mudasse a rota.

- Vai logo, seu puto! – pela delicadeza das palavras sabia que só podia ser Nott. Acelerei meu movimento e logo Boot estava ao meu lado. Ele veio para cima de mim, com os ombros. Eu inclinei para cima. O pomo voando de forma tresloucada. Afastando-se. Chutei com intenção de acertar o rosto de Boot, mas acertei-o no ombro. Ele gemeu de dor, desequilibrou-se. Não caiu.

Aproveitei para acelerar ainda mais. Percorria o ar e não ousava olhar para trás. Alguns metros. Poucos metros... Estiquei meu braço. Sentia o vento entre meus dedos.

- Merda! – um empurrão dado pelo imbecil me tirou da trajetória. O pomo escapou de ambos. Mas não da minha vista. Eu segurava firmemente a vassoura. Eu ainda lançaria uma maldição naquele filho da puta. Ele não pegaria o pomo antes de mim.

- Eu pegarei o pomo. E terei a garota de volta, Malfoy!

- Você é um completo imbecil! – gritei de volta – Fazendo uso das minhas palavras! Você é um perdedor, Boot!

Acelerei ainda mais. O pomo novamente em minha rota. Tão perto. Não ouvia mais nada. Pensava apenas no pomo. E então, eu fechei meus dedos entre ele. E todo o azul calou-se.

Ele havia conseguido! E meu grito morreu na garganta por que eu não tinha voz. Empurrava todos a minha volta. Eu precisava ir até ele. Os gritos sonserino enchiam o campo. Uma chuva de papel verde e prata desceu do céu. E meus olhos apenas buscavam o cinza. Outros sonserinos começaram a invadir o campo. Os jogadores eram felicitados. Uma estranha no ninho, novamente. Ele desceu dos ombros de Zabini ao me ver.

Quando a alcancei olhei do castanho para a faixa que ela usava. Hermione ficou na ponta dos pés e sussurrou:

- Se gostou das cores da faixa, vai gostar da cor da lingerie – nossos lábios se encontraram em um beijo ardente e apaixonado.

- Bem que você disse, Malfoy – a voz dele me fez afastar dela.

- Disse o que, Boot? – eu perguntei irritado.

- Que teria a taça e a garota. Eu falei que não entraria nessa aposta – não, ele não estava fazendo isso. A mão de Hermione soltou-se da minha – Talvez tenha feito a aposta com seus amigos sonserinos. Quanto mesmo você tinha falado? Dez galeões?

- Do que ele está falando? – voz dela estava quebrada. Um murmúrio.

- Ele está mentindo – eu disse.

- Estou? Você não disse para mim que teria a taça e a garota?

- Você disse? – ela me perguntou.

- Sim, mas não nesse contexto! – ela virou-se e saiu correndo. Meus punhos se fecharam. Aproveitei a algazarra. Aproveitei que os professores estavam longe e dei um soco que tirou o riso do rosto dele. A força foi grande e ele caiu. Uma pequena roda se abriu entre nós – Você está fodido. Não sabe com quem mexeu. Não sabe com a garota de quem você mexeu.

Peguei minha vassoura e levantei voo. Logo a encontrei. Quase chegando ao castelo.

- Hermione! – ela me ignorou. Fiz uma manobra com a vassoura parando na frente dela – Eu posso explicar.

- Não quero ouvir – desci da vassoura e ela tentou passar por mim.

- Você vai ouvir!

- Não quero ouvir – a voz dela estava embargada. Mataria Boot por fazê-la chorar – Não quero ouvir como tudo isso não passou de uma aposta! Espero que tenha se divertido e ganhado alguns galeões – segurei-a pelos braços impedindo que se afastasse.

- Ele está mentindo.

- Você confirmou o que ele disse.

- Eu confirmei parte do que ele disse. Por favor, Hermione. Vamos conversar em um lugar mais privado – eu falei ao ver que alguns estudantes começavam a voltar ao castelo – Por favor.

Eu encarei os olhos cinza pela primeira vez desde que saí correndo do campo de quadribol. Havia medo. Tristeza. Não era sempre que Draco deixava suas defesas assim, baixas. Concordei e seguimos para dentro do castelo. Nossos passos ecoavam pelo castelo silencioso e ele não falava, mas sentia que me olhava vez por outra. Nervoso.

Chegamos ao quarto e cruzei meus braços esperando que ele falasse. Que ele pudesse explicar o que parecia inexplicável para mim.

Passei a mão pelo cabelo. Eu não tinha nada a temer, mas mesmo assim um frio percorreu minha espinha.

- Eu realmente falei que teria você e a taça, porém não no contexto que seu ex-namoradinho falou.

- Ah não? E por que ele mentiria?

- Para ter você de volta? – ela ia mesmo protegê-lo – Não é possível que não veja o quão filho da puta ele pode ser! – respirei fundo tentando me acalmar – Desculpe. Escute a história toda. Eu estava na sala de troféus, tinha feito todo meu trabalho e Boot apareceu. Ele desfez tudo, TUDO que eu tinha limpado e organizado e consertado.

- Ele não faria isso!

- Mas ele fez. – eu disse tentando me controlar – Eu tive vontade de azará-lo, no entanto me controlei. E, então eu falei que me vingaria pelo o que ele fez, teria você e a taça. Foi isso.

- Terry não faria algo desse tipo! – ela disse indignada. Claro. O perfeito corvinal não agiria como eu agiria.

- Ele fez algo desse tipo! – eu disse perdendo a paciência – Quer saber? Estou falando a verdade. – vi que os castanhos me encaravam com dúvida. Descrença – Eu poderia simplesmente provar para você mostrando minha memória. Só que não farei isso. Se quiser acreditar na minha palavra, ótimo. Se não quiser eu sumo por aquela porta e você pode fazer o que bem entender da sua vida, Hermione.

Ele tinha razão. Ele me pedia um voto de confiança.

- Então, o que vai ser? A minha palavra ou a dele? – notei o desprezo com que Draco falava de Terence. E notei também que eu acreditava nele. Em Draco. Na palavra dele. Descruzei meus braços e dei um passo na direção dele.

- Desculpe por ter desconfiado de você – eu o abracei e encostei minha cabeça em seu peito. Ouvia seu coração bater acelerado. O corpo suado pelo jogo. O cheiro dele...

O cheiro dela. O toque dela. Ela não pediu provas. Ela apenas... Acreditou em mim.

Harry e Rony não estavam nada satisfeitos com minha história com Malfoy. Claro que Rony era o mais irritado. Imagino que Harry e Gina tinham conseguido acalma-lo para que ele não matasse o Malfoy quando nos viu de mãos dadas no dia de nossa formatura.

Malfoy era um excelente dançarino e dividiu a atenção entre mim e seus amigos. Até que ele se comportou perto dos meus amigos. Ele achava melhor eu ficar bem longe dos sonserinos, apesar de garantir que Zabini e Parkinson estavam pensando em conhecer a bruxa-nascida- trouxa-namorada-do-amigo-louco-que-deveria-ter-merda-na-cabeça.

Estava conversando animadamente com meus amigos quando uma pergaminho chegou voando. Vi a caligrafia de Draco e sorri:

"Hermione,

Encontre-se comigo no campo de quadribol.

D."

- Onde você vai? – Rony me perguntou e Gina aproveitou para puxar o bilhete da minha mão.

- Hummm! Encontro no campo de quadribol, luz das estrelas,... Que romântico! – ela falou de forma zombeteira e senti meu rosto corar.

- Deixa de ser boba, Gina! – peguei duas garrafinhas de uísque de fogo e fui em direção ao campo de quadribol.

A noite estava agradável. O início do verão já se anunciava. Uma leve brisa fazia batia. Tirei minha sandália para facilitar minha caminhada pelo gramado.

- Draco? – perguntei ao chegar ao campo de quadribol. Peguei minha varinha que estava presa ao vestido – Lumus. Draco?

- Falei que ela viria correndo...

- Chega! Vocês estão enchendo o meu saco! – exclamei após ouvir mais uma provocação sobre passar meus natais na casa super lotada dos Weasley agora que estava me tornando amigo dos ruivos. Levantei-me ignorando a risada deles. Cheguei até a mesa dos amigos dela e fui recebido por várias caras fechadas.

- Ela já saiu – a Weasley, única que falava de maneira decente comigo, disse.

- Como assim já saiu?

- Você está bêbado ou o quê? – o Weasley falou. Olhei para ele. Cruzei meus braços.

- Não estou bêbado, Weasley. Ao contrário de você, estou acostumado a consumir boas bebidas alcoólicas. – vi Potter segurando o ruivo.

- Ela saiu para encontrar com você! – a caçula Weasley repetiu e me mostrou um pergaminho. Minha letra. Mas não eram minhas palavras. Senti minhas feições se fechando.

- O que houve? – era Potter falando. Não respondi. Apenas saí correndo deixando o bilhete jogado em qualquer lugar.

A maldição percorreu meu corpo mais uma vez. As risadas deles enchiam o ambiente. Eu chorava. Achei que nunca mais sentia aquela dor. Parecia pior dessa vez. Mantinha a sanidade pensando em Draco...

Nott. Eu ia matá-lo. Eu corria. Joguei meu paletó pelo caminho para facilitar meus movimentos. Ouvi os gritos dela. Os mesmos gritos que ouvi há um tempo não tão distante quanto eu queria. Eu tinha sido um covarde, mas agora seria diferente.

- Nott! – eu gritei. Eu arfava. – Afaste-se dela. Agora.

Ela estava caída. Cercada por Nott e outros quatro imbecis que faço questão de não nomear.

- Bem vindo para a festa, Draco.

Ele lançou mais uma maldição. Eu ergui minha varinha e lancei um protego sobre o corpo de Hermione. Um de seus amigos tentou me acertar. Fui mais rápido e desviei. Logo depois, com um feitiço não verbal, ele voou longe e caiu desmaiado.

Menos um.

- Ainda estamos em vantagem – ele fez um sinal com a cabeça e os outros apontaram a varinha para Hermione.

- Covarde – eu murmurei.

- Solte sua varinha – eu não soltei. Tudo parecia muito combinado entre eles.

- Clint... – ele disse e o rapaz alto e carrancudo puxou Hermione para cima. Ela parecia uma boneca de pano. Um filete de sangue escorria de sua boca. Por que não chamei Potter e Weasley? Os dois estavam estudando para serem aurores, por Merlin... Como pude ser tão estúpido?

- Você realmente que negociar comigo, Nott? – eu disse mantendo uma apatia que eu não sentia no momento – Solte a Granger ou vou te denunciar sobre o Fogo Maldito.

- Não tem nada que você possa dizer.

- Tem sim – eu blefei – Eu sei que foi você. Você cometeu um engano... Um pequeno erro. – ele hesitou.

- Você não sabe de nada por que não há nada para saber!

- Claro que há. Você teve um bom treinamento, mas pode dizer a mesma coisa dos seus... comparsas?

Ele olhou para o pequeno grupo. Culpa. Havia culpa em todos os rostos.

- Você está blefando.

- Solte Hermione e vá embora hoje mesmo de Hogwarts. Vá embora da Inglaterra, Nott.

- Você está blefando.

- E você sabe que sou um ótimo Legilimente. Seus amiguinhos não são bons oclumentes – o grupo se entreolhou. Procurando o culpado. Nunca tinha perdido meu tempo fazendo isso. Era trabalho dos aurores achar o culpado. Só que me arrependi. Eles quase mataram Hermione.

Eu ouvia toda a conversa. Tudo parecia longe. E desconexo. Aos poucos fui me recuperando. O suficiente para dar um chute na canela do idiota que me segurava. Ele não esperava por isso. Ele gritou de dor e me soltou. Corri em direção a Draco, até ser atingida por um feitiço.

Não sei exatamente o que Hermione fez, mas ela corria. Eu tentei bloquear os feitiços, mas eles estavam em maior número. No entanto, consegui tirar mais um filho da puta da jogada.

- Resolva seus problemas comigo, Nott – eu disse. Raiva.

- Acontece que meu problema também envolve a sangue-ruim. Então faremos o seguinte: abaixe a varinha ou...

- Ou o quê? Já tirei dois da jogada.

- Ou vamos te desarmar. E você sabe que isso vai acabar acontecendo – ela estava novamente nos braços de Clint que parecia bem mais irritado – Depois, vou te imobilizar e você vai assistir enquanto como sua namoradinha – eu não pude conter um grunhido de raiva.

- Não abaixe a varinha, Draco – ela pediu – Ele está blefando! – eu sabia que ele não estava blefando. – Ele vai te matar!

- Abaixe e você paga por ela. Umas maldições, um pouco de tortura... Quem sabe você consiga sobreviver? É o preço por estar com uma sangue-ruim. Você disse.

Eu ignorava os apelos dela. Olhei para Hermione. Vi que os olhos dela estavam marejados. Estava ferida. Comecei a baixar a varinha quando percebi que ela direcionou a atenção para trás de mim. Não precisava olhar para saber quem era pelo modo como ela pareceu tranquilizar-se.

- Vá a merda, Nott! – eu lancei um cruciatus sobre ele. Logo mais feitiços foram lançados e o campo se iluminou. O Weasley correu até Hermione depois de estuporar Clint. Eu continuava duelando com Nott, até que consegui desarma-lo.

Naquele momento senti meu coração batendo furiosamente. Uma raiva me dominava. E senti o feitiço da morte dançando nos meus lábios. Na minha língua. Pedindo passagem.

- Não faça isso – ela disse com a voz serena.

- Ele, ele... – respirei fundo – Eu preciso fazer isso.

- Não, não precisa – Potter e Weasley se aproximaram cautelosos – Ele será preso. Os aurores foram chamados.

- Hermione, ele iria... – eu disse olhando-a – Eu não pude fazer nada da outra vez... Não pude fazer nada dessa vez.

- Você fez mais do que imagina. Venha comigo. Harry e Ron vão cuidar dele. – os dois se aproximaram e pegaram Nott pelos braços que, inutilmente, tentou se soltar.

Senti os braços dela me envolvendo e percebi que apenas ela, apenas ela poderia me acalmar. Apenas ela tinha esse poder.

- Será sempre assim. Algumas pessoas jamais compreenderão – eu falei.

- Você compreende? Compreende e aceita? – assenti, beijando a testa dela. Nos olhares perdidos um no outro. - Nunca teremos paz?

- Provavelmente não – eu ri. Leve. Sabia que ela era a cura, a pessoa que fazia com que eu fosse... melhor.

- Como será quando sairmos de Hogwarts?

Ela sempre era cheia das perguntas. A lua e as estrelas nos iluminavam. Ela estava ali. Ferida. Nos meus braços.

- Não sei. Só sei de uma coisa, Granger: amor e luxúria é o que nos explica. Não posso mais viver sem isso. Você pode?

- Não – ela disse docemente – Não posso.

Beijei-a. Voltamos para o castelo de braços dados.

Se o mundo não estivesse pronto para Draco Malfoy e Hermione Granger, não era problema meu. O mundo que se explodisse, pois eu estava feliz. Verdadeiramente feliz.

Músicas que me inspiraram:

- Luxúria - . /isabella-taviani/1019454/

- Cold - watch?v=CyIsael_wg0

Notas:

Não sou tão boa com escrita, na verdade, sempre parece que eu to puxando seu saco, mas é que como você diz, sou Drámatica e exagerada. Essa Fic ta linda e sei que sua AS é muito sortuda. Poxa Artemis você escreve muito bem, já te disse isso várias vezes. Nessa fic você conseguiu equilibrar doçura com lúxuria, Draco e Hermione numa sincronia incrível. Colocou DUAS pessoas tentando separar eles. O Boot é um babaca e o Noot nem se fala. Parabens por mais uma lindeza escrita e Obrigada por me deixar ter esse privilégio de ser sua Beta. *-*

Já gosto de Ti, moça. Jéssica

NOTA DA AUTORA: Eu fiquei muito feliz quando vi quem tinha tirado. Foi legal também ter enganado (ou tentado enganar) minha querida amiga e mainha por adoção durante esse tempo.

Espero que tenha gostada da fic, fiz com todo o carinho e dedicação que foram possíveis!